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quinta-feira, 26 de julho de 2012

TRAIÇÃO EM HOLLYWOOD: Mais fotos da traição de Kristen Stewart são reveladas

26.07.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO


Um dia após a divulgação do flagrante, outras imagens confirmam o romance
Site de fãs da cantora divulgou as novas imagens. Foto: KristenStewartDaily.Org/ Reprodução (Site de fãs da cantora divulgou as novas imagens. Foto: KristenStewartDaily.Org/ Reprodução)
Site de fãs da cantora divulgou as novas imagens. Foto: KristenStewartDaily.Org/ Reprodução

Um dia depois da divulgação de fotos que mostram a atriz Kristen Stewart aos beijos com o diretor Rupert Sanders, mais imagens surgiram na internet para comprovar que a atriz realmente traiu o namorado Rupert Sanders. Desta vez, o flagra foi divulgado pelo site KristenStewartDaily.Org, organizado por fãs da artista.

Kristen chegou a assumir o erro e pedir desculpas publicamente. Ela também estaria disposta a pedir perdão à esposa do cineasta, que a dirigiu no filme Branca de Neve e o Caçador. Pattinson, por sua vez, no lugar de perdoar, teria abandonado a casa onde mora com ela.

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"Brasil forjado na ditadura representa Estado de exceção permanente"


26.07.2012
Do portal da Revista Carta Maior, 18.07.12
Po rBia Barbosa

Para professores, filósofos e defensores de direitos humanos, o golpe de 64 moldou um país de estruturas autoritárias, que garante direitos apenas para as classes proprietárias e que transformou a exceção em consenso. Em seminário realizado em São Paulo, eles afirmaram que a exceção é o novo modo de governo do capital e que o povo brasileiro vive um momento perigosíssimo de letargia. A reportagem é de Bia Barbosa.

SÃO PAULO - Qual a idéia de "Estado de exceção"? Na interpretação tradicional do termo, trata-se de um momento de suspensão temporária de direitos e garantias constitucionais, decretado pelas autoridades em situações de emergência nacional, ou mediante a instituição de regimes autoritários. Seu oposto seria o Estado de Direito, conduzido por um regime democrático. Na avaliação de professores, filósofos e defensores de direitos humanos, no entanto, a existência de um Estado de exceção dentro do Estado de Direito seria exatamente a característica do Brasil atual, forjada no período da ditadura militar e que, mesmo após a redemocratização do país, não se alterou. Esta foi uma das conclusões do seminário sobre a herança da ditadura brasileira nos dias de hoje, organizado pela Kiwi Companhia de Teatro esta semana, em São Paulo.

Para o filósofo Paulo Arantes, professor aposentado do Departamento de Filosofia da USP, há um país que morreu e renasceu de outra maneira depois da ditadura, e que hoje é indiferente ao abismo que se abriu depois do golpe militar e que nunca mais se fechou.

"Que tipo de Estado e sociedade temos depois do corte feito em 64, do limiar sistêmico construído por coisas que parecem normais numa sociedade de classes, mas que não são? O fato da classe dominante brasileira poder se permitir tudo a partir da ditadura militar é algo análogo à explosão de Hiroshima. Depois que a guerra nuclear começa ela não pode mais ser desinventada. Quando, a partir de 64, a elite brasileira branca se permite molhar a mão de sangue, frequentar e financiar uma câmara de tortura, por mais bárbara que tenha sido a história do Brasil, há uma mudança de qualidade neste momento", avalia Arantes. 

Para o filósofo, o país foi forjado pela ditadura a ponto de hoje nossa sociedade negligenciar tudo aquilo que foi consenso durante o autoritarismo dos militares. "A ditadura não foi imposta. Ela foi desejada. Leiam os jornais publicados logo após 31 de março de 1964. Todos lançaram manifestos de apoio ao golpe, era algo arrebatador. CNBB, ABI, OAB, todo mundo que hoje é advogado do Estado de Direito apoiou. Se criou um mito de que a sociedade foi vítima de um ato de violência, mas a imensa maioria apoiou o golpe", disse Arantes. "E a ditadura se retirou não porque foi derrotada, mas porque conquistou seus objetivos. A abertura de Geisel foi planejada, já tinha dado certo com o milagre econômico. Tanto que seus ideólogos estão aí, como principais conselheiros econômicos da era Lula-Dilma, e que a ordem militar está toda consolidada na Constituição de 88", criticou. 

Na avaliação de Edson Teles, membro da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos do Brasil e professor de filosofia da Unifesp, a Constituição de 1988 foi apenas uma das formas de lançar o Brasil num Estado de exceção permanente, definido por ele quando a própria norma é usada para suspender a ordem; ou quando aquilo que deveria ser a exceção acaba se tornando ou reafirmando a própria norma. 

Para Teles, além de manter a estrutura autoritária militar, o novo ordenamento democrático foi construído sobre o silenciamento dos familiares de vítimas e de movimentos de defesa dos direitos humanos, que queriam justiça para os crimes da ditadura. O problema, no entanto, vinha de antes.

"Em um Congresso controlado pela ditadura, a Lei de Anistia adotou a suspensão da possibilidade de punição de qualquer crime. Um momento ilícito foi tornado lícito, com o silenciamento dos movimentos sociais e pela anistia, que exigiam esclarecimentos sobre os crimes. O que o Estado montou foi algo que manteve a ideia de impunidade. Depois veio o Colégio Eleitoral, que fez uma opção por uma saída negociada entre as oligarquias que saíam e as novas que chegavam, decidindo manter a anista ao crimes da ditadura. Foi o grande acordo do não-esclarecimento", relatou. 

O julgamento no Supremo Tribunal Federal em 2010 sobre a interpretação da Lei de Anistia foi, segundo Teles, o coroamento desse silêncio e a instauração de um Estado de exceçãono país. "Baseada em ideias fantasmagóricas de que novos golpes que poderiam ser dados, nossa transição foi a criação de um discurso hegemônico de legitimação deste Estado de exceção. Faz-se este discurso como forma de legitimar essa memória do consenso, mas se mantem o Estado de exceção permanente, reconhecendo as vítimas sem nomear os crimes", acrescentou. 

Exceção e consenso hoje

O consenso acerca daquilo que deveria ser visto como exceção não se restringe hoje, no entanto, àquilo que pode ser considerado a herança mais direta da ditadura militar. Foi construído também em torno de uma série de acontecimentos e práticas que deveriam mas não mais despertam reações da população brasileira. 

"A exceção se torna perigosíssima quando deixamos de reconhecê-la como tal e ela se torna consenso", alertou o escritor e professor de jornalismo da PUC-SP, José Arbex Jr. "Ninguém achou um escândalo, por exemplo, no lançamento da Comissão da Verdade, ver os últimos Presidentes do país juntos, sendo que um deles foi presidente da Arena, o partido da ditadura, responsável pela tortura da própria Dilma; e o outros era Collor! Da mesma forma, está em curso em Osasco uma operação chamada Comboio da Morte, que matou nas últimas horas 16 pessoas. Isso não causa um escândalo nacional, é normal, natural, porque estamos "na democracia". Os jornais falam da Síria, mas a média de mortes diária no auge do conflito da Síria não chega ao que temos aqui cotidianamente. Lá é 60 aqui é 120! Então não estamos discutindo algo que aconteceu em 64 e que hoje se apresenta de forma mitigada, atenuada", disse Arbex.

Para o jornalista, o país vive um estado de letargia hipnótica coletiva, fabricado de maneira competente e eficiente pelo aparato midiático, que produz um consenso em torno de uma imagem de país na qual todos acabamos acreditando. "É muito grave quando olhamos para o Brasil e não percebemos essa realidade de consenso: de nenhuma garantia de direito para quem esteja fora da Casa Grande, e uma situação de guerra permanente", acrescentou. 

É o que Paulo Arantes chamou de Estado oligárquico de Direito, um Estado dual, com uma face garantista patrimonial, que funciona para o topo da pirâmide, e uma face punitivista para a base. "Esse Estado bifurcado é uma das "n" consequências da remodelagem do país a partir dos 21 anos de ditadura. Basta pensar no que acontece todos os dias no país. Trata-se de um outro consenso, também sinistro e indiferente, senão hostil, a tudo que nos reúne aqui. Um Estado de exceção que não é o velho golpe de Estado, mas um novo modo de governo do capital na presente conjuntura mundial, que já dura 30 anos", afirmou Arantes.

Ninguém cavalga a história 

O que permitiria dizer da possibilidade de se encontrar uma saída deste Estado de exceção permanente é o caráter imprevisível e incontrolável da história. Arbex lembrou que, em setembro de 1989, quando estava em Berlim, ninguém dizia que o Muro cairia menos de dois meses depois. "O fato é que, felizmente, ninguém cavalga a história. Ainda não encontraram uma maneira de domesticá-la. Há um processo latente de explosão social no Brasil, que se combina com processos semelhantes na América Latina, e que pode produzir uma situação totalmente nova. Ninguém previu a Primavera Árabe. Quando um jovem na Tunísia atirou fogo no próprio corpo, ninguém imaginava que, um mês depois, cairia Mubarak no Egito. Estão, não estamos condenamos para sempre a esta situação. Só posso dizer que estamos vivendo numa época que, em alguns aspectos, é mais trágica, mais cruel e mortífera que a ditadura militar", acredita. 

"Este Estado de exceção só terminará quando a ditadura terminar, quando o último algoz for processado e julgado. Se a Comissão da Verdade encontrar dois ou três bons casos e levantar material para ações cíveis, pode haver uma transmutação disso tudo. E o regime, a sociedade e a economia não vão cair se os perpetradores da ditadura forem processados, como não caíram na Argentina ou no Chile", acredita Paulo Arantes. "Mas devemos pensar no que significaria essa última reparação. Se o último torturador e os últimos desaparecidos forem localizados, em que estágio histórico vamos poder entrar?", questionou. Uma pergunta ainda sem resposta.
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PSDB: O Estado-anunciante e a liberdade suja

26.07.2012
Do blog TERROR DO NORDESTE, 25.07.12
Por Carta Maior

A representação do PSDB ao Procurador Geral Eleitoral contra blogs que criticam suas lideranças e agenda partidária, é um pastelrevelador. O recheio exala as prendas do quituteiro; a oleosidade da fritura qualifica o estado geral da cozinha. Na primeira mordida fica explícito que a referência de 'bom' jornalismo do PSDB é a revista VEJA, uma ferradura editorial adestrada para escoicear três dimensões da sociedade: agendas progressistas; lideranças que as representem; governos que lhes sejam receptivos.

Curto e grosso, o poder tucano pleiteia a asfixia publicitária - com supressão de publicidade estatal -de qualquer outra forma de imprensa que não se encaixe no tripé que o espelha. A singular concepção de pluralidade afronta boa parte dos sites e blogs alternativos que se reservam o direito de exercer a crítica política da sociedade e do desenvolvimento de uma perspectiva não conservadora. 'São blogs sujos', fuzila a representação tucana, cuja coerência não pode ser subestimada. Há esférica sintonia entre a forma como o PSDB se exprime e o higienismo de uma prática que São Paulo, a 'cidade limpa', tão bem conhece.

O tema da publicidade estatal mereceria um discernimento mais amplo do que o reducionismo estreito do interesse eleitoral tucano. O Estado deve se comunicar com a sociedade. A comunicação deve se pautar pelo interesse público. Campanhas educativas e institucionais não podem ser confundidas com propaganda partidária, nem servir aos seus interesses, sejam eles quais forem. Dito isso, resta o ponto sensível ao PSDB: quem merece veicular tais mensagens de pertinência pública reconhecida?

O tucanato e certos 'especialistas em comunicação' parecem convergir, ainda que por caminhos diversos, a um consenso: a mídia alternativa deve ser alijada dessa tarefa. O 'Estado anunciante', uma corruptela do cacoete neoliberal 'Estado interventor', teria atingido, asseguram, uma hipertrofia perigosa; deslizamos a centímetros do abismo anti-democrático. No país que tem um dispositivo com o poder intromissor da Rede Globo, insinua-se que a principal ameaça à democracia é o Estado impor seu 'monólogo' à sociedade. Afirma-se isso com ares de equidistância acadêmica e engajamento liberal,.

Passemos.

Evitar essa derrocada exigiria um veto cabal a toda e qualquer publicidade oriunda da esfera pública? Em termos. Na verdade, não seria exatamente essa essa a malha do coador tucano. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo esclarecedor no 'Estadão', de 3 de junho último, foi ao ponto: “Será que é democrático", disse ele, "deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? (...) O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido nagrande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.”

É isso. O grão tucano adiciona nuances na investida contra o Estado anunciante. Nas páginas de 'Veja', e sucedâneos, não haveria risco de influencia editorial. Ali a 'voz do consumidor e a concorrência' preservam a 'isenção do jornalismo'. "Mas nas mídias locais e regionais...' Quais? Sobretudo aquelas que incomodam ao engenho e à arte tucana de governar e fazer política.

'Especialistas em comunicação' com passagem pelo governo Lula - experiência descrita sempre como 'traumática, mas de uso conveniente nos salões conservadores - reivindicam, é bem verdade, uma intolerância mais abrangente contra o 'Estado-anunciante'. Nolimite, advertem, o uso da máquina publicitária instrumentalizaria um poder de coerção de tal forma desproporcional que ameaçaria a própria alternância no poder. A evocação colegial de um ambiente quase-nazista sob o terceiro Reich petista tem, como se sabe, audiência cativa em certos veículos e tertúlias filosóficas de endinheirados. Mas o libelo anti-totalitário tropeça nos seus próprios termos ao não adotar idêntica ênfase na denúncia de uma oligárquica estrutura de propriedade do sistema de comunicação que, esta sim, instituiu um verdadeiro diretório paralelo no país, arvorado em corregedor das urnas, da economia e da ética.

A hipocrisia que perpassa esse descuido pertence a mesma matriz ideológica que inspirou agora a representação tucana contra os 'blogs sujos'. Contra ela Brecht resolveu cunhar um dia a metáfora de hígida atualidade: 'O que é assaltar um banco, em comparação com fundar um banco?' Leia neste endereço, a íntegra da sugestiva representação do PSDB que pede, especificamente, a investigação dos blogs de Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim.


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Luiza Bairros destaca avanços institucionais para democratização da participação negra na sociedade

26.07.2012
Do portal da Agência Brasil, 25.07.12
Por Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), comemorou hoje (25) o que considera serem os primeiros avanços no campo institucional para a democratização da participação da população negra na sociedade.
Ao conceder entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços, no dia em que comemora o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha (instituído em 25 de julho de 1992), Luiza Bairros citou a criação de cotas no ensino superior para a população negra como uma dos direitos mais importantes garantidos até o momento.
A ministra lembrou também os dois anos de vigência do Estatuto da Igualdade Racial, sancionado no dia 20 de julho de 2010.
A criação de cotas no ensino superior, declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) neste ano, pode abrir caminho, na visão de Luiza Bairros, para a aprovação da reserva de vagas também nos concursos públicos, no âmbito federal. Segundo a Seppir, a medida já é adotada em municípios da Bahia, do Paraná, Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo, do Rio de Janeiro e de Mato Grosso do Sul. Os percentuais de inclusão são distintos e incluem índios e mulheres negras em alguns municípios.
Outra bandeira da secretaria, segundo Luiza Bairros, é a mobilização em torno da tramitação do projeto em andamento Congresso Nacional, que estende aos 7 milhões de trabalhadores do país, a maioria mulheres negras, os mesmos direitos assegurados à toda a classe trabalhadora.
A ministra enfatizou também a importância da inclusão no currículo escolar, em 2003, de disciplina sobre a história e a cultura da África, focalizando os afrodescendentes brasileiros, que tiveram "papel relevante na colonização do Brasil, mesmo relegados à escravidão".
Entre todas as iniciativas tomadas para assegurar a igualdade, na população brasileira, a ministra destacou a participação dos pais no processo educacional, conscientizando seus filhos sobre o respeito e a tolerância para com todas as raças. "O conhecimento é uma dimensão importante sobre a existência ou não de atitudes e mentalidades discriminatórias. Todos devem ter conhecimento do significado da presença negra no Brasil, que não existiria sem a contribuição da mão de obra africana".
Luiza Bairros disse que, no entanto, nem tudo são conquistas. Segundo ela, tem havido problemas no uso da legislação para punir casos de racismo no país. Levantamento feito nos tribunais de Justiça em todo o Brasil mostra que cerca de 60% dos casos de racismo levados a essas cortes "não conseguem ter desfecho de condenação, porque os juízes procuram relativizar as manifestações racistas e tratá-las como se não fossem a violência que representam”.
Para a ministra, é preciso uniformizar a compreensão sobre o que é racismo, nas diferentes instâncias judiciárias. “Eles procuram [juízes] enquadrar as queixas como casos de xingamentos ou de descontrole do infrator, sem levar em conta os efeitos danosos que as pessoas sofrem quando são vítimas do racismo. Nas cortes superiores, no entanto, percebemos que existe compreensão cada vez maior da existência do racismo na sociedade brasileira".
Edição: Lana Cristina

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Ministros do STF quase multaram advogado de Roberto Jefferson por má-fé

26.07.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 25.07.12

O advogado de Roberto Jefferson soltou o factóide sem pé nem cabeça de que em vez de defender irá atacar. E logo quem? Lula! Dizendo que seria o "mentor" do "mensalão".

Na terça-feira, o próprio Jefferson apressou-se a desmentir. Em entrevista disse que ele não seria condenado, e que "sua impressão é que Lula não sabia" (o que se passava nas tesourarias dos partidos).

O advogado é um fanfarrão, pois nas alegações finais que ele apresentou, primeiro ele nega a existência de mensalão, e depois tenta criar confusão, juridicamente inofensiva, mas com palavras de efeito para imprensa.

Não é a primeira vez que esse advogado tenta tumultuar. Em 2010, o ministro Joaquim Barbosa, irritado com factóides protelatórios, chegou a cogitar denunciá-lo à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ou aplicar multa por litigância de má-fé. A sanção acabou sendo apenas a remessa de cópias das apelações para a OAB decidir o que fazer em termos de medidas disciplinares.

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QUEREM REFUNDAR O PARTIDO DA DITADURA MILITAR: Estudante de direito lidera movimento para refundar a ARENA, partido da ditadura militar

26.07.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 24.07.12
Reportagem de Demétrio Rocha Pereira,  indicada por Wellington Pereira

A estudante confirma ter sido procurada por políticos e militares. “Há pessoas interessadas que atuam no meio militar. Conversei com um general aposentado que me falou ser maravilhosa essa organização dos jovens”


cibele direito arena
Cibele, a estudante de Direito que quer ressuscitar a Arena. Foto: Divulgação
Mais de três décadas depois de extinto o bipartidarismo no Brasil, um grupo com representantes em mais de 10 Estados brasileiros quer tirar dos porões do passado a Aliança Nacional Renovadora (Arena), criada em 1965 para sustentar a então incipiente ditadura militar. Mas engana-se quem pensa que o líder dessa iniciativa veste uniforme das Forças Armadas e penteia cabelos brancos. 
As mais de 150 pessoas comprometidas com o projeto são presididas por Cibele Bumbel Baginski, 22 anos, estudante de Direito na Universidade de Caxias do Sul, na serra gaúcha. A nova Arena, avisa Cibele, responde a um cenário em que a política brasileira está desmoralizada, com 30 siglas em atividade entre as quais “não existe partido de direita”.
Aos apressados em reprochar a empreitada, Cibele ensina: o que a Arena professava era uma coisa, e o que os arenistas faziam nas rédeas do País era outra. “No período pós-64, havia a Arena, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e o governo. O que o governo ou o que os eleitos fizeram são atos dessas pessoas, não dos partidos – porque eles não têm autonomia jurídica para torturar ninguém, censurar ninguém, matar ninguém. Foi o sistema que fez, e não o partido. O partido político faz política, que é outra coisa.”

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De fato, não foi “política”, e sim “Ato Institucional número 5″ o nome de batismo da licença jurídica que permitiu ao Estado cassar os direitos dos cidadãos. Se a ordem legal frustrava o combate à militância de esquerda ainda em 1968, o AI-5 calhou como álibi para a censura e o assassinato, práticas em que Cibele não vê o dedo da Arena. “O partido não foi o executor, e com certeza a tortura é uma coisa muito errada, triste e lamentável, qualquer idiota sabe disso, mas o partido, em si, fazia política”, sustenta a jovem, reconhecendo que Executivo e Legislativo andavam de mãos dadas: “O que os governantes faziam, eles estavam endossados pela lei para fazer.”
Mas Cibele diz que não pretende voltar os olhos para trás. É mirando o futuro que ela juntou os amigos para dar vida nova à Arena. “A História do Brasil – a Revolução de 1964 e outros fatos – deve ser respeitada, mas um partido político não é uma instituição histórica para ficar remoendo fatos do passado. Deve-se respeitá-los, sim, conhecê-los, mas deve-se focar em propostas para mudar o País, que é o que um partido político faz: propor e fazer”, ela diz, com a sabedoria de quem foi filiada ao DEM, circulou pelo PP e estudou o PCdoB.
E foi justamente munida de amizades com comunistas que a estudante teria descoberto, entre familiares de vítimas, o sentimento de que a Lei da Anistia quitou as dívidas da ditadura. “Conversei com um senhor que teve um parente sequestrado na época. Ele estava indignado – ele é de um partido de esquerda, aliás – e me disse o seguinte: ‘Tudo que eu quero é que deixem o meu parente morto em paz para que eu possa rezar por ele. Eu não quero arrancar dinheiro do governo para enriquecer às custas dos cofres públicos, eu quero paz.’ E, realmente, alguém assim quer paz, não quer ficar fazendo mídia às custas de quem morreu, sofreu e teve a sua história triste. Eles querem tranquilidade.”
Como Arena alguma patrocina autoritarismo que não esteja previsto em lei, o alento de rezar no sossego de casa serve também aos saudosos de coturno: “Respeitamos a Constituição Federal de 1988, assim como a antiga Arena respeitava a Constituição da época.” A nova Arena não está interessada em romper com a ordem democrática, mas em resgatar valores como o nacionalismo e o conservadorismo.
“A Arena de agora não é a recuperação daquele partido. Eu, por exemplo, não vivi naquela época. Tem muita gente nova. É um movimento dinâmico que resgata valores de conservadorismo, nacionalismo e tecnoprogressismo”, afirma Cibele, anunciando mecanismos de consulta popular e de democracia interna: “Temos tópicos no programa que preveem pesquisas para ver o que a população realmente acha que vai ser mais eficiente – questões de maioridade, penas, aprimoramento do sistema educativo, desenvolvimento de tecnologias em várias áreas. É um programa amplo e, ao mesmo tempo, bem sintético, porque a Arena de agora, assim como a antiga, se fores reparar, é uma aliança de várias tendências diferentes.”
Se o presidente deposto pelo Exército, João Goulart, propunha controlar as remessas de dinheiro ao exterior e nacionalizar refinarias estrangeiras, Cibele adverte que nacionalismo também é questão de firmar baluarte em favor dos costumes locais. “Tem várias pessoas que não gostam da invasão em excesso de outros países aqui dentro, porque a gente vai perdendo a cultura própria do Brasil. Se tu vais perguntar, por exemplo, para uma pessoa mais jovem do Nordeste se ela conhece aquela música, Luar do Sertão, do Catullo da Paixão Cearense, a criatura não conhece. Agora, axé tem um monte. Tu perdes a cultura porque tu vais botando Lady Gaga no lugar, às vezes, de um Teixeirinha da vida”, lamenta.

Brasil sem direita

Para Cibele, a Arena vem suprir a vacância de uma representação de direita em um contexto de pragmatismo ideológico. “Eu diria que, entre os que estão por aí, não existe partido de direita. Existem centristas, um tanto governistas, na sua maior parte social-democratas (como o PSDB) ou liberais (como era o PFL, hoje Democratas, e o PP). O perfil do nosso partido não é focado no liberalismo. Como programa, a gente não defende o Estado mínimo nem o Estado máximo, porque o Estado máximo seria implantar uma ditadura aos moldes comunistas e marxistas, e o Estado mínimo seria simplesmente criar um anarquismo”, ela pondera, exaltando a moderação como virtude própria do conservador.
Sem citar nomes, a jovem confirma ter sido procurada por políticos e militares. “Há assim, vamos dizer, pessoas interessadas que atuam no meio militar. Conversei com um general aposentado que me falou ser maravilhosa essa organização dos jovens. O pessoal mais velho tem restrições para participar, até mesmo por motivos de saúde, mas há interessados.”
Ainda que o site provisório da legenda conclame a participação de militares e servidores públicos, Cibele rechaça abrir portas a toda a velha guarda arenista. “O (deputado federal Paulo) Maluf (PP) é o tipo de pessoa que eu gostaria de ver muito longe da Arena. Não é o tipo de pessoa adequada, que tenha o perfil de querer ser diferente de todo esse interessismo, dessa situação no Brasil. Uma pessoa procurada por ‘n’ crimes não tem o menor currículo para estar num partido que se propõe a ser honesto. Tem que fazer política, e não politicagem.”
A líder da nova Arena não recua ao tratar de temas controversos, embora se preocupe com o arejamento das opiniões dentro do partido em assuntos como o aborto. “Estamos defendendo a conscientização ao controle de natalidade, mas isso não é um tema pacificado. Tenho uma opinião até complicada de expor porque, na posição em que estou, vou influenciar a opinião dos outros.”
O recato é menor quando vem à baila o Bolsa-Família: “Os programas assistencialistas são ridículos. O que tu vês é uma mãe tendo uma penca de filhos e recebendo R$ 50 para dar comida para cada um. Tu achas que ela consegue alimentar um filho com R$ 50 um mês inteiro? Garanto que não. Com meu irmão aqui em casa, gasto bem mais que R$ 50 para alimentá-lo no mês”, revela, preocupada também com o ócio dos beneficiários: “Daqui a pouco a criatura vai achar que é mais fácil ganhar bolsa do governo que trabalhar. O que o governo tem que fazer para distribuir renda é capacitar as pessoas e dar emprego para elas.”
Sobre a Copa do Mundo de 2014, Cibele encontra no deputado federal Romário (PSB-RJ) um discurso a ser seguido. A estudante apoia uma petição que pretende enviar o evento para a Inglaterra. “A Copa no Brasil vai ser, depois de Brasília, o maior roubo ao contribuinte que tu vais ver na História. O Romário disse, e ele entende do assunto por ter sido jogador: ‘manda essa Copa embora, vai ser uma roubalheira’. Não consegui conversar com ele a respeito do partido, e até gostaria de convidá-lo no futuro, mas enfim, a questão da Copa é que estão fazendo tudo em cima da hora e, daqui a pouco, vão dizer que não há prazo para fazer licitação – e, sem licitação, como é que tu vais controlar quanto dinheiro foi roubado?”, ela pergunta.
Repelir a Copa vem também por coerência com a cartilha nacionalista, já que o evento estaria orientado para “os gringos virem aqui se divertir”. “Porque o pobre não vai ver a Copa, o pobre não vai ter dinheiro para isso”, antecipa, apontando problemas irresolvidos no País, como a falta de computadores na escola do irmão e a superlotação das UTIs.

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Demonstrando conviver em harmonia com divergências, Cibele reconhece os méritos de dar a cara a tapa por suas convicções. “Simbolicamente, algumas pessoas vão remeter à época. Tu podes observar que vai acontecer uma coisa: as pessoas ou vão simpatizar muito ou não vão gostar, como amigos meus de partidos de esquerda que disseram ‘bah, isso é terrível, tu podias ter inventado outra coisa’. É que nem sushi – ou tu gostas ou tu não gostas. É importante ter aquela sinceridade de dizer ‘olha, eu acredito nisso, e não naquilo’ e não precisar ficar agradando todo mundo com um discurso hipócrita. Tentar ser legal com todo mundo é estar mentindo. Ser sincero é uma coisa que ninguém faz hoje na política, e a gente precisa disso.”
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Robert Pattinson está devastado após traição de Kristen Stewart

26.07.2012
Do portal do MSN/ENTRETENIMENTO
Por  Famosidades, Famosidades
Robert Pattinson está devastado após traição de Kristen Stewart - 1 (© Arquivo Famosidades)
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RIO DE JANEIRO Apesar de ter desconfiado da possível traição de Kristen Stewart, Robert Pattinson foi pego de surpresa com as imagens da namorada em momentos de intimidade com o diretor Rupert Sanders.

Segundo o site “Radar Online”, o astro da saga “Crepúsculo” ficou chocado com a pulada de cerca da companheira. “Rob está absolutamente devastado”, contou uma fonte. Oficialmente, o britânico não deu nenhuma declaração.

De acordo com o canal americano “E!”, o affair entre Kristen e Sanders ocorreu após as filmagens do longa “Branca de Neve e o Caçador”. "Posso garantir 100% que nada aconteceu enquanto eles estavam trabalhando. Nada!", disse uma fonte.

A dupla admitiu o ter trocado beijos após a revista “US Weekly” divulgar fotos em momentos de carinho. Em um comunicado oficial, a estrela de “Crepúsculo”, se mostrou arrependida da traição e afirmou ser apaixonada por Pattinson.

"Estou profundamente triste pela dor e constrangimento que causei às pessoas próximas a mim e a todos que foram afetados. Esta indiscrição momentânea comprometeu a coisa mais importante na minha vida, a pessoa que eu mais amo e respeito, Rob. Eu o amo, eu o amo, eu sinto muito", disse.

Casado e pai de dois filhos, Sanders também se desculpou publicamente pelo deslize. "Eu estou profundamente consternado pela dor que causei à minha família. Estou rezando para que consigamos passar por isso juntos", afirmou.

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Revista Samuel traz dossiê de reportagens sobre ditaduras

26.07.2012
Do portal OPERA MUNDI, 25.07.12
Por  Breno Altman | São Paulo

A busca pela verdade nos anos de chumbo vividos por diferentes países é o tema de capa da edição de número 4

A busca pela verdade nos anos de chumbo vividos por diferentes países – além de Brasil, Argentina, Chile, Guatemala, Espanha, Camboja e África do Sul –  é o tema de capa da edição número 04 darevista Samuel.  O dossiê reúne matérias que abordam os desafios e as limitações que aguardam a a Comissão da Verdade no Brasil.

Leia abaixo editorial de Breno Altman:

Durante as décadas da Guerra Fria, período histórico marcado pelo enfrentamento entre os blocos comandados pelos Estados Unidos e a antiga União Soviética, a política externa da Casa Branca alimentou uma onda de ditaduras cívico-militares no hemisfério sul. A América Latina, em particular, foi sangrada por golpes que instituíram o terror de Estado.


A orientação emanada de Washington coincidia com interesses e planos das elites locais, que gostosamente se refastelaram na escalada antidemocrática. O conluio entre setores do empresariado, dos partidos oligárquicos, das forças armadas e da imprensa, costumeiramente abençoado pela cúpula da Igreja Católica, levou diversas nações a uma época de perseguições, torturas e assassinatos.

Quando essa era chegou ao fim, a maioria dos países buscou se reencontrar com sua própria história. Militares golpistas e torturadores foram julgados por crimes contra a humanidade. Processos ofi ciais de investigação sobre o paradeiro de mortos e desaparecidos desvendaram ações de genocídio e desrespeito aos mais comezinhos direitos civis. Instituições responsáveis por estas aberrações, notadamente as fardadas, acabaram levadas a pedir desculpas por atitudes facínoras.


Tal foi o caminho, por exemplo, da Argentina, ainda que atravessando momentos de profunda e pedagógica tensão política. Não foi essa, porém, a senda dos brasileiros, cuja transição para a democracia esteve marcada por um pacto entre a velha ditadura e as correntes mais conservadoras da oposição. Por este acordo, os protagonistas dos porões foram preventivamente anistiados e protegidos pelo manto do silêncio. Sequer a esquerda, no governo há dez anos, teve as condições ou a ousadia de romper com esse ferrolho.

Apenas agora, quase trinta anos depois do ocaso da ditadura, o Brasil instala processo semelhante ao vivido por outros países que passaram por ferozes ditaduras, ao instalar sua Comissão da Verdade. Mesmo sem poderes jurídicos e ainda sob a vigência da lei do auto-perdão imposta pelo antigo regime, esta instituição terá a possibilidade de virar uma página de vergonha e covardia.

A busca pela verdade nos anos de chumbo é o tema de capa desta edição da revista Samuel. Nossa redação pesquisou inúmeras publicações, mundo afora e país adentro, para trazer ao leitor dossiê com reportagens de prestígio e qualidade que pudessem comparar o processo brasileiro ao de outras nações. O conhecimento destes fatos, afinal, é um imperativo de cidadania.

* Breno Altman é diretor editorial da revista Samuel










ECONOMIA DE MATERIASI: A História das Coisas (versão brasileira)

27.07.2012
Do Youtube, O8.05.2011
Enviado por  


Da extração e produção até a venda, consumo e descarte, todos os produtos em nossa vida afetam comunidades em diversos países, a maior parte delas longe de nossos olhos.

História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, passo a passo, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo.

História das Coisas revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais, e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.

História das Coisas nos ensina muita coisa, nos faz rir, e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas.




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Fonte:http://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw&feature=share

China propõe aliança estratégica ao Mercosul: um dragão no quintal

26.07.2012
Do blog de RODRIGO VIANNA, 23.07.12
Por Raúl Zibechi, no Correio da Cidadania   


A crise política no Paraguai e suas repercussões na região deixaram a visita do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e a renúncia no principal cargo do Mercosul em um segundo plano da agenda de notícias. A China mostrou que está disposta a jogar pesado, inclusive na principal área de influência dos Estados Unidos.


A polêmica após o golpe no Paraguai, a suspensão do país do Mercosul e o ingresso da Venezuela não conseguem disfarçar as dificuldades do bloco, aflito pelas consequências da crise global e a ascensão da China como potência global. A aliança está parada porque o que convém para uns prejudica outros.

A expressão das dificuldades foi a demissão do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário geral do Mercosul, na recente cúpula em Mendoza. Em sua carta de despedida trazia uma análise lúcida da realidade atual do bloco.

Observa-se que a crise econômica na Europa e EUA e a ascensão da China geram um enorme fluxo de capital para o sul, que “corroi as relações intra-Mercosul, base principal do processo de integração”. A desindustrialização, diz ele, é uma das piores conseqüências e deve ser tratada através dos recursos da exportação de commodities.

Expansão gradual

Em um dos parágrafos mais polêmicos, Pinheiro disse que a Unasul “não pode ser a pedra fundamental para a construção do bloco econômico na América do Sul” porque o Chile, Colômbia e Peru assinaram Tratados de Livre Comércio com os Estados Unidos que impossibilitam a construção de políticas regionais de promoção do desenvolvimento.


Assim, acredita que o bloco regional deve ser formado “a partir da expansão gradual do Mercosul”, incluindo Venezuela, Equador, Bolívia, Suriname e Guiana. O último deve ter condições de entrada especiais por conta de seu baixo nível de desenvolvimento e interesse político que têm para a região.

Para avançar, diz o embaixador, o bloco deve aumentar de forma significativa a coordenação política e a cooperação econômica. “A característica central do Mercosul são as assimetrias”, que provocam tensões políticas. Aposta numa forte expansão dos recursos do Fundo para a Convergência Estrutural, para favorecer os menores, que atualmente conta com apenas 100 milhões de dólares anuais.

Talvez o momento mais brilhante de sua carta seja o parágrafo 34: “Em um mundo multipolar em crise, com grandes mudanças no poder, não é de interesse de nenhum bloco e de nenhuma grande potência a criação ou fortalecimento de um novo bloco de Estados, especialmente se forem periféricos. Qualquer grande potência considera mais apropriado negociar acordos com os Estados individualmente, especialmente se eles são subdesenvolvidos, mais fracos econômica e politicamente”.

Apenas os membros do Mercosul estão interessados ​​em seu bloco. No entanto, quando foi criado em 1991 não foi projetado como um organismo para apoiar o desenvolvimento, mas como uma união aduaneira para promover o livre comércio. A proposta de Pinheiro é que ele se torne capaz de promover um desenvolvimento regional harmonioso e equilibrado, eliminando assimetrias e construindo uma legislação comum de forma gradual.

Esta mudança é necessária porque as respostas dos países industrializados para a crise são “uma verdadeira suspensão, na prática, dos acordos da OMC negociados na época da hegemonia do pensamento neoliberal. Se o Mercosul não adotar essas medidas, vai sobreviver, mas sempre manco, e não se transformará em um bloco de países capazes de defender e promover os seus interesses neste novo mundo que emergirá da crise que vivemos”. O diagnóstico feito por um dos principais intelectuais do Brasil sugere que o mundo está entrando em um período de crescente protecionismo, daí a necessidade de formar fortes blocos comerciais internos.

China se anima

Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, visitou a região quando ocorreu o golpe no Paraguai. O ponto alto da sua visita ao Brasil, Uruguai e Argentina foi a videoconferência realizada de Buenos Aires na segunda-feira, 25 de junho, com Dilma Rousseff, Cristina Fernandez e José Mujica.


De acordo com a agência Xinhua China, o primeiro-ministro fez três propostas: fortalecer a confiança mútua e a comunicação estratégica com o Mercosul; duplicar o comércio para 2016, chegando a 200 bilhões de dólares; aumentar investimentos e cooperação financeira e tecnológica, promovendo as relações bilaterais no domínio da educação e cultura (Xinghua, 25 de junho de 2012).

A proposta de Wen Jiabao foi interpretada por seus interlocutores como o que realmente é: uma grande aliança estratégica que inclui também um Tratado de Livre Comércio China-Mercosul. A destacar que o Paraguai deveria ser suspenso do Mercosul, uma vez que não tem relações com a China. Dois dias depois, deu uma palestra principal da CEPAL, em Santiago, Chile.

Sua proposta dirigida a América Latina e Caribe consiste em “combater o protecionismo”, “aprofundar a cooperação estratégica” e abrir novos mercados com o objetivo de que o intercâmbio comercial bilateral “supere os 400 bilhões de dólares nos próximos cinco anos” (Xinghua, 26 de junho de 2012). Ele propôs uma cooperação em que a China dará uma contribuição inicial de 5 bilhões de dólares e uma linha de crédito de 10 bilhões, do Banco de 
Desenvolvimento da China, para a construção de infraestruturas.

Também propôs uma ampla cooperação agrícola e estabelecimento de um mecanismo de reserva alimentar de emergência, de 500 mil toneladas, destinadas a contingências naturais, incluindo a instalação de centros de pesquisas e desenvolvimento em ciência e tecnologia agrícolas.

A oferta parece tentadora no momento em que o Mercosul atravessa grandes dificuldades. A CEPAL elaborou um documento chamado “Diálogos e cooperações aos novos desafios mundiais”, que analisa as possibilidades que se abrem na região para a ascensão da China. 

Alicia Barcenas, Secretária Executiva da CEPAL, disse no prefácio que a região está enfrentando uma oportunidade histórica de dar um salto em inovação, infra-estrutura e recursos humanos, ou “traduzir os rendimentos dos recursos naturais em várias formas de capital humano, físico e institucional”.

Para dar este salto deve atrair investimento direto da China, que lhe permite diversificar as exportações. Das 40 seções incluídas no documento, uma deve ser especialmente atendida com a participação dos países da América do Sul: em 2030 dois terços da população de classe média vai viver na região da Ásia-Pacífico, em comparação com apenas 21% na Europa e América do Norte.

Consequentemente, a classe média asiática se transformará em “mercado chave para alimentos, confecções de maior qualidade, turismo, remédios, serviços médicos, varejo e artigos de luxo”, o que permitirá que a América Latina diversifique suas exportações e lhes some valor agregado. Acrescenta que a internacionalização do yuan pode beneficiar a região e que a China se tornou seu segundo parceiro comercial.

Por uma agenda regional

Dentre as constatações, destacou que a ascensão da China para a região da América do Sul pode ampliar os ciclos favoráveis ​​de comércio que tem vivido desde 2003. “Se não se aproveitar agora, poderá acentuar o processo de reprimarização da exportação, estabelecendo modalidades renovadas do vínculo centro-periferia”.


A CEPAL aponta a necessidade de estabelecer uma “agenda regional de prioridades sincronizadas”, que supere as iniciativas unilaterais. Em outras palavras, o que importa é o que ele chama de “desafio interno”. Neste ponto decisivo, a análise de Samuel Pinheiro e da CEPAL coincidem plenamente. No entanto, a guerra comercial entre os membros do Mercosul continua sendo um fator desestabilizador.

Muitas vezes, as divisões vão da escala econômica à política. A entrada da Venezuela decidida na cúpula de Mendoza provocou reações encontradas. É o tipo de problema referido por Pinheiro: falta de confiança, falta de visão estratégica, domínio das questões locais sobre as gerais e do curto prazo sobre o longo, além de incapacidade em compreender as mudanças globais. Em outras palavras, é a prevalência de “politicagem”. O que está em jogo é muito mais importante e nem todos parecem entender.

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