sexta-feira, 20 de julho de 2012

BLOG MOBILIDADE URBANA: Entre a ordem e o caos, por Tânia Passos


20.07.2012
Do blog MOBILIDADE URBANA, 16.07.12
Por Tânia Passos*
DIARIO DE PERNAMBUCO


Uma das grandes vantagens de viajar, do ponto de vista do olhar da cidade, é conhecer de perto a experiência de outros lugares. E fazer um questionamento simples: porque não copiamos as experiências que dão certo? Uma das poucas coisas que sinto, realmente, inveja é da falta de acessibilidade plena nas ruas do Recife. E não precisaria ser assim. Entre o caos e a ordem, bastaria uma decisão. Fico me perguntando quando os gestores públicos vão entender que as calçadas são do pedestre. Não são para fazer comércio ou exposição de produtos ou ainda uma extensão dos imóveis para realização de serviços, sejam públicos ou privados. Não. A calçada é do pedestre.

Muitas cidades já entenderam isso, o Recife ainda não. Apesar do “esforço” das equipes da Diretoria de Controle Urbano (Dircon) para “disciplinar” o comércio nas ruas, abrindo um pedacinho da calçada para o pedestre passar, isso está longe de ser suficiente. Mas não é uma decisão da Dircon, apenas. A decisão passa pelo gestor público. Mas isso não é de agora. Tem sido assim sempre. O discurso da questão social e da tradição dos mascates na cidade, não justifica sermos uma cidade tão pouco acessível. E o direito de ir e vir. Ninguém nunca questionou?

Tirar o comércio ambulante das ruas, seja na área central ou nos bairros, as oficinas mecânicas das calçadas, os produtos das lojas no meio do passeio, não é fácil. Mas quem conseguir implantar um modelo que devolva os passeios aos pedestres com certeza fará história e será sempre lembrado como um gestor que fez a diferença para a mobilidade. Percorri, nestes últimos 15 dias as ruas do centro de Belo Horizonte e Curitiba e em ambas, o respeito ao passeio é uma regra que não pode ser quebrada. Não foi sempre assim. Os ambulantes tiveram que ser transferidos para centros comerciais populares, uma ideia que o Recife já teve, mas nunca implantou. Outra coisa, não é apenas o centro que ficou livre para os pedestres, as ruas dos bairros periféricos também.

Mas há outro detalhe que diferencia muito essas cidades do caos que temos no Recife, além dos passeios ficarem totalmente livres, não há carros estacionados nas vias públicas em áreas centrais ou corredores de tráfego. Operação de carga e descarga, atrapalhando o fluxo, nem pensar. A sensação é de que tudo está limpo, livre e acessível. Cada rua que eu passava pelo centro de Belo Horizonte, em áreas históricas da cidade, mentalizava a realidade das vias do Recife. Acho que essa é a única inveja que tenho de outras cidades..

* Tânia Passos escreve, todas as segundas a Coluna Mobilidade Urbana,no Diario de Pernambuco.
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Que maldade fizeram com Larissa Riquelme!

20.07.2012
Do blog  TERROR DO NORDESTE

Larissa Riquelme é detida no Paraguai   

Larissa Riquelme é detida no Paraguai 
Larissa Riquelme, a paraguaia mais admirada pelos brasileiros, foi detida nesta sexta-feira. Ela e o namorado Jonathan Fabbro, argentino naturalizado paraguaio que joga futebol no Cerro Portenho, não pararam num blitz e protagonizaram uma perseguição de cinema.

Com Fabbro no volante, a BMW chegou a se chocar contra um motociclista. Quando foram finalmente parados, a polícia, que imaginava estar diante de assaltantes, se surpreendeu ao se deparar com um futebolista e uma modelo. Ambos terão agora que responder a um inquérito policial.

Se fosse eu teria levado Larissa Riquelme  para averiguação no meu apartamento.Essa mulher além de bonita é muito gostosa.Vejam que seios lindos!Que maldade fizeram com a bichinha! Demóstenes é quem deveria ser preso.
  
Da redação Terrornews, com informações de Brasil-247

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A difícil busca do consenso na questão da mobilidade urbana sustentável

20.07.2012
Do  Mario Senaga, Cris Olivette e Cintia Frassinih, 07.10.2004

O pedestre quer que os carros parem para ele atravessar. Já o passageiro do transporte coletivo deseja que os veículos não atrapalhem a circulação dos ônibus. Por seu lado, o motorista de carro particular quer que os pedestres não atravessem na sua frente e que os ônibus não atrapalhem o trânsito. Por sua vez, ainda, o morador não quer trânsito de passagem em frente à sua casa. E o comércio reivindica uma linha de ônibus na rua, com o ponto de parada em frente à loja do vizinho.


Esses e outros exemplos de conflitos de interesses quanto ao uso das ruas da cidade, assim como a ênfase na importância do processo participativo, por parte da população, na busca de soluções que levem à preservação ou melhoria das condições de qualidade de vida em geral e do meio ambiente, fizeram parte dos temas expostos e discutidos no seminário “Mobilidade Urbana Sustentável”, nesta quinta-feira (7/10), na sede da Secretaria do Meio Ambiente do Estado. O evento faz parte do Ciclo de Cursos de Educação Ambiental, organizado pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental – CPLEA.

Os exemplos citados acima, que mostram bem a realidade e as dificuldades para se atingir o consenso sobre a circulação e utilização das ruas em um espaço urbano, foram apresentados durante a exposição conjunta do secretário de Trânsito e Transportes do Município de Piracicaba, Eduardo Pacheco Giannetti, e a presidente do Instituto da Mobilidade Sustentável Ruaviva e promotora da Campanha “Na cidade sem meu carro”, Liani Nunes Born.

Lembrando que a campanha “Na cidade sem meu carro”, promovida no dia 22 de setembro, abrangeu 1.500 cidades em 2004, em vários países, Born disse que no Brasil esse trabalho de conscientização se iniciou há quatro anos, com a participação de nove cidades, chegando hoje a 70 cidades. A palestrante destacou a necessidade de se efetivar planos de mobilidade, contemplando os conceitos de cidadania e sustentabilidade, priorizando o sistema de transporte público, em detrimento da ótica predominante que privilegia o automóvel.

Segundo Born, apesar de apenas 19% dos deslocamentos serem realizados por automóveis, esse meio de transporte individual chega a ocupar até 90% dos espaços de circulação. Por outro lado, os deslocamentos nas cidades realizados por ônibus, que representam cerca de 71% do total, ocupam, em média, somente 25% desse mesmo espaço urbano. Além disso, o tráfego de veículos nas grandes cidades brasileiras e responsável por aproximadamente 80% do ruído urbano.

Born também enfatizou o objetivo da mobilidade sustentável como instrumento de inclusão social, ampliando a possibilidade de deslocamentos para a população de baixa renda, com custos acessíveis, recordando ainda que, no Brasil, de 30 mil a 35 mil pessoas, por ano, são vítimas fatais em acidentes de trânsito.

Eduardo Giannetti, que também já foi secretário de Planejamento de Piracicaba, deu destaque ao Plano Diretor de Mobilidade do município, justificando a iniciativa com base nos dados que dão conta de que, nos últimos quatro anos, a frota piracicabana cresceu quatro vezes mais que a população local, possuindo hoje 165 mil veículos para 350 mil habitantes. Segundo disse, o Plano de Mobilidade faz parte do Plano Estratégico do município, que gerou a Agenda 21 local, com metas a serem cumpridas até 2010, quando se espera que as medidas preconizadas para a adequada movimentação da comunidade já estejam efetivadas em forma de lei.

Defendendo a posição de que cabe aos gestores públicos promover o acesso aos diferentes sistemas de circulação, como as vias, e aos meios de transporte, como os táxis e ônibus, Giannetti disse que será necessário superar várias dificuldades e desafios para se alcançar esse objetivo. Com base em pesquisas realizadas em Piracicaba por ocasião das discussões públicas para a produção do Plano de Mobilidade, apontou como exemplos os diferentes interesses das comunidades em relação à circulação nas ruas e os diversos usos das ruas da cidade.

Disse ainda que as dificuldades e conflitos, tão evidentes, ilustram o desafio para se chegar à pretendida eqüidade, solidariedade e responsabilidade na partilha do espaço viário, entre outros objetivos.

Uma abordagem sistêmica

Renato Balbim, doutor em Geografia Humana e pesquisador e consultor em Planejamento Urbano, Trânsito e Mobilidade, fez uma exposição sobre “Mobilidade: uma abordagem sistêmica”, explicando que o conceito de mobilidade urbana não está só relacionada à idéia de deslocamento dentro da cidade, mas a muitos outros fatores - sociais, culturais e profissionais, entre outros - , produzindo diferentes formas de mobilidade, que se interrelacionam.


Citou, como exemplo, as alterações decorrentes da inserção da mulher no mercado de trabalho, que gerou mudanças na mobilidade cotidiana da cidade, e o migrante nordestino, que tem uma mobilidade cotidiana reduzida em comparação com os demais moradores locais, por morar na periferia e se encontrar em condições econômicas desfavoráveis.

Balbim falou, ainda, de outras formas de mobilidade urbana, que qualificou como “ocasional”, que se referem às atividades de turismo, lazer e mesmo de trabalho, no caso daqueles que, eventualmente, são obrigados a se deslocar excessivamente, num só dia, para destinos não-rotineiros, por causa dos compromissos profissionais.

Gestão

O tema "Mobilidade Urbana Sustentável: Um Estudo Comparativo e as Bases de Um Sistema de Gestão para Brasil e Portugal" foi apresentado pela arquiteta e urbanista, Marcela da Silva Costa, doutoranda e mestra em Engenharia Civil, na área de Transportes, pela Escola de Engenharia de São Carlos, da USP.


Costa explicou que o agravamento dos problemas urbanos tem levado à adoção de ferramentas inovadoras, para superar as deficiências do atual modelo de gestão e planejamento. Porém, ressaltou que qualquer que seja a estratégia adotada, sempre será necessário haver indicadores para monitorar as condições de mobilidade nas cidades.

Por esse motivo, Costa realizou esse trabalho para identificar os indicadores de mobilidade para cidades selecionadas no Brasil e em Portugal, tendo como preocupação principal a promoção da sustentabilidade. Inicialmente, a engenheira realizou um inventário de sistemas de indicadores já existentes para as cidades abrangidas pela pesquisa, com dados e informações coletados na internet. Esses indicadores foram organizados em categorias e temas, passando em seguida por uma avaliação feita por especialistas do Brasil e Portugal, que atuam na área de transportes e planejamento urbano, com especialidade em diferentes áreas do conhecimento.

O processo de avaliação culminou com a obtenção de pesos para as categorias de informação avaliadas, desenvolvido com base na técnica de avaliação multicritério conhecida como Processo Analítico Hierárquico. Desse modo, foram atribuídos valores finais, incluídos no intervalo de 0 a 1, para as 106 cidades brasileiras e 121 cidades portuguesas, a partir dos quais foram calculadas as médias.

Os resultados mostram que, mesmo que 87% das cidades brasileiras pesquisadas e 94% das cidades portuguesas, disponham de informações na internet, o conteúdo ainda é bastante limitado. No geral, os resultados obtidos para o Brasil mostram-se um pouco melhores do que aqueles obtidos para Portugal, o que surpreendeu a pesquisadora. As cidades brasileiras que receberam notas maiores estão localizadas na região Sudeste: Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, e Juiz de Fora, em Minas Gerais. Para Portugal as cidades com maiores notas foram Alentejo, Centro e Norte.

Costa buscou, ainda, estabelecer um referencial teórico para a questão da mobilidade urbana sustentável, selecionando experiências nacionais e internacionais de sistemas de indicadores e da identificação dos principais elementos e atributos que devem ser monitorados. Assim, foi possível desenvolver uma estrutura que permite visualizar as relações existentes entre diversos temas e sua contribuição para
esta questão.

Enquanto para o Brasil as prioridades são questões ambientais e aspectos socioeconômicos, Portugal vê como prioritário o planejamento espacial e a demando por transportes. Outras questões como segurança viária e monitoração do crescimento e concentração da população em áreas urbanas, de modo a auxiliar na previsão da demanda por transportes, também foram consideradas de extrema importância no contexto dos dois países.

Portadores de deficiências

A apresentação sobre "Mobilidade Urbana para Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais" foi do psicoterapêuta e mestre em Integração de Pessoas Deficientes pela Universidade de Salamanca, Espanha, Fabiano Puhlmann Girolamo, e da pedagoga, especializada em deficiência mental, Carla Mauch, diretora do Instituto Paradigma e da Associação Brasileira de Apoio Educacional ao Deficiente.


A abordagem do tema contextualizou a Região Metropolitana de São Paulo, onde vive 10% da população brasileira, o que equivale a quase 20 milhões de pessoas, das quais 15% apresentam alguma deficiência. Desse universo, 70 % não consegue sair de casa por falta de condições apropriadas para se locomoverem pela cidade.

Os especialistas apontaram como necessidades urgentes para solução dos problemas, o desenvolvimento de políticas públicas para o uso democrático e sustentável das cidades, a garantia de direito de acesso à mobilidade com autonomia e segurança para todo o cidadão e a criação de mecanismos que impeçam o aumento da degradação ambiental.

Uma forma de atingir esse objetivos é adotar o conceito do “Desenho Universal” que considera, além do projeto arquitetônico, a diversidade humana, garantindo acessibilidade para todos os componentes do ambiente. Dessa forma, seria possível que pessoas de diversos padrões ou em diferentes situações, possam interagir com o ambiente projetado, facilitar a compreensão de ambientes e produtos para pessoas com deficiência, concebidos como sistemas e não como partes isoladas.

Um dos grandes problemas dos deficientes é a mobilidade em vias públicas. Por isso os técnicos partem do princípio de que deve ser assegurado o direito de ir e vir para todos e de que a eficiência da cidade não pode abrir mão do respeito aos interesses coletivos. Outra forma de contribuir para uma melhor qualidade de vida para esse público seria uma melhor distribuição dos serviços essenciais, reduzindo as necessidades de deslocamento, redução das distâncias a percorrer, do tempo de viagem e dos custos operacionais.

Outras soluções de acessibilidade em vias públicas foram apresentadas considerando a segurança, rotas acessíveis, fácil utilização, harmonia estética e diversidade de uso, como a identificação visual de acessibilidade, informações em Braille, piso tátil e semáforos sonoros.

Metrô

A última palestra foi proferida por Eliete Mariane, do Metrô de São Paulo, que o abordou o tema “Evolução da acessibilidade no Metrô de São Paulo”, mostrando as soluções adotadas para nesse meio de transporte coletivo e os estudos para o aperfeiçoamento do seu uso pela população. O Metrô é um meio de transporte rápido e eficiente e com a proposta de mostrar a idéia de confiabilidade, segurança, rapidez e conforto.


No entato, a inserção de portadores de deficiências no mercado de trabalho exigiu que o Metrô se adaptasse a essa realidade. De acordo com Mariane, “tudo parece simples até que se páre para ouvir pessoas que realmente utilizam esse meio de locomoção. É nessa hora que se percebe que uma simples rampa não é a solução de todos os problemas.

Em setembro de 2000, foram feitas reuniões entre o metrô e entidades “de” e “para” pessoas com deficiência e, em outubro do mesmo ano, algumas visitas nas linhas do Metrô para analisar a acessibilidade dos deficientes proporcionaram a base de um trabalho sobre as reais dificuldades existentes. A rampa, por exemplo, deixa o caminho mais longo e, se muito inclinada, um deficiente em cadeira de rodas pode escorregar do assento e correr riscos necessitando de ajuda dos funcionários.

Outro fato relevante na análise de questões relacionadas á acessibilidade é que, além dos deficientes visuais, auditivos e mentais, “não podemos esquecer que idosos, crianças, pessoas obesas e grávidas, também encontram dificuldades em alguns momentos e isso não pode ser descartado”, disse.

As linhas do Metrô estão evoluindo aos poucos, mas Eliete afirma que a dificuldade é grande, principalmente pela falta de interesse de empresários em produzir instrumentos que facilitariam essa acessibilidade a todos. O fato da produção ser em um número não muito significativo, não gera interesse.

Mesmo assim, as novas estações já são projetadas com algumas adaptações como, por exemplo, rotas e sanitários acessíveis e sinalização visual, sonora e tátil. Além disso, reparos, como construção de mais elevadores e troca do piso em estações já existentes, estão sendo feitos.



Fotos: José Jorge e Pedro Calado
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GOLPE DE ESTADO NO PARAGUAI: Suprema Corte autoriza Lugo a disputar vaga para o Senado em 2013

20.07.2012
Do portal da Agência Brasil,18.07.12
Por Renata Giraldi* - Agência Brasil


Ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, fala à imprensa
Ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, poderá voltar à política concorrendo ao Senado (Marcello Casal Jr/ABr)
Brasília - O presidente do Supremo Tribunal do Paraguai (o equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil), Victor Nuñez, autorizou ontem (17) o ex-presidente do país Fernando Lugo a disputar uma vaga no Senado e concorrer nas eleições majoritárias de abril de 2013. No último dia 22, Lugo foi submetido a um processo de impeachment no Congresso do Paraguai, destituído do poder, e substituído pelo vice-presidente, Federico Franco.

O ex-presidente insiste que foi alvo de um golpe de Estado. Mas as autoridades paraguaias dizem que foi seguida a Constituição. Apesar da decisão da Suprema Corte do Paraguai, Lugo não pode ser senador vitalício. No país, os ex-presidentes se tornam senadores vitalícios. 

Porém, ele pode concorrer ao cargo de senador.

De acordo com Nuñez, ao aceitar o impeachment e abrir mão do poder, Lugo "se tornou um cidadão comum". Ele lembrou ainda que a Constituição do Paraguai não determina restrições aos chefes de Estado que renunciam ao poder.

No último dia 1º, Lugo confirmou sua intenção de concorrer ao Senado, em abril de 2013. No Paraguai, o Congresso é formado pelo Senado, com 45 vagas, e pela  Câmara, com 80 assentos. No começo deste mês, ele disse ainda que não trabalhava com a hipótese de ser candidato a presidente da República.

A destituição de Lugo do poder levou o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) a suspender o Paraguai até as eleições do próximo ano. A medida faz com que as autoridades do país não participem de eventuais reuniões e decisões dos blocos. Para os líderes políticos da região, há dúvidas sobre a condução do processo de impeachment do então presidente.


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CRIMES DA DITADURA MILITAR DE 1964: NOVA FOTO COMPROVA QUE LAMARCA FOI EXECUTADO

20.07.2012
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA, 18.07.12
Por Celso Lungaretti


Folha de S. Paulo noticia (videaqui): os ferimentos à bala evidenciados em foto por ela obtida comprovam o que todo mundo soube já na época e a Comissão de Mortos e Desaparecidos depois confirmou, a covarde execução do comandante Carlos Lamarca pelos militares, depois de o terem aprisionado com vida.

O mesmo destino teve o Zequinha(José Campos Barreto), cujo irmão Olival declarou: "Essas fotos, desconhecidas, mostram claramente que houve uma execução".

Elementar, meu caro Watson.

Chocante mesmo para mim foi saber que a indenização concedida à família de Lamarca pela Comissão de Anistia em junho de 2007 (ver aqui) até hoje não está sendo paga em função de uma liminar obtida pelos três clubes militares. OU SEJA, JÁ SE PASSARAM CINCO ANOS SEM QUE O MÉRITO DA QUESTÃO FOSSE JULGADO!!! 

Por que os processos relacionados aos direitos de antigos resistentes demoram tanto? Já lá se vão cinco anos e meio que um mandado de segurança meu se arrasta no STJ e um ano e meio desde que saí vencedor no julgamento do mérito da questão por 9x0. O trâmite deveria ser agilizado até por força da minha condição de idoso. Mas...

Há mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia (Shakespeare).

FARSA DESMASCARADA

Outra versão que não se sustenta mais graças a uma foto encontrada nos arquivos macabros é a de que o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira teria morrido de uma doença no fígado. A imagem dele, 11 dias antes de ser assassinado pela repressão, é a de um homem em perfeitas condições de saúde.

O que também não constitui nenhuma novidade: o general Adyr Fiúza de Castro já havia reconhecido que Nin Ferreira, "quando foi entregue ao Exército, estava com umas marcas, havia sido chicoteado com fio no DOPS".

Ou seja, o bravo militar admitiu que a causa da morte foram as torturas, mas tentou jogar a culpa para o vizinho; quem detonou Nin Ferreira, na verdade, foi o DOI-Codi.
P.S.: É tão relevante o comentário que o sr. (ou doutor? Fiquei com a impressão de ser ele um dos discípulos a que se refere no finalzinho do texto...) Wanderley Almeida de Macedo postou sobre este meu artigo  no site Consciência Net, que tomarei a liberdade de o reproduzir aqui:

"A verdade é única. O  Prof. Dr Aníbal Silvany Filho, legista do Instituto de Medicina Legal Nina Rodrigues - BA, encarregado de realizar a autopsia de Lamarca, foi sumariamente afastado de realizar o ato pelos militares que presenciaram o minuncioso exame cadavérico no corpo do guerrilheiro, por não concordarem com que fosse registrado o número dos ferimentos perfúro-contusos, bem como a direção dos projeteis de arma de fogo que atingiram o corpo de Lamarca (de trás pra frente, da frente pra trás, de cima para baixo, de baixo para cima, etc.).  O emérito prof. não se encontra mais entre nós, mas, felizmente, seus discípulos souberam aprender a lição do mestre". 

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Mauro Santayana: O crime organizado pelos banqueiros

20.07.2012
Do portal VERMELHO, 13.07.12


A invenção da moeda, contemporânea à do Estado, foi um dos maiores lampejos da inteligência humana. A primeira raiz indoeuropéia de moeda é “men”, associada aos movimentos da alma na mente, que chegou às línguas modernas pelo verbo sânscrito mányate (ele pensa). Sem essa invenção, que permite a troca de bens de natureza e valores diferentes, não teria havido a civilização que conhecemos.

Por Mauro Santayana, em seu blog


A construção das sociedades e sua organização em estados se fizeram sobre essa convenção, que se funda estritamente na boa fé de todos que dela se servem. Os estados, sempre foram os principais emissores de moeda. A moeda, em si mesma, é neutra, mas, desde que surgiu, passou a ser também servidora dos maiores vícios humanos. Com a moeda, vale repetir o lugar comum, cresceram a cobiça, a luxúria, a avareza – e os banqueiros.

A moeda, ou os valores monetários, mal ou bem, estavam sob o controle dos Estados emitentes, que se responsabilizavam pelo seu valor de face, mediante metais nobres ou estoques de grãos. Nos tempos modernos, no entanto, a sua garantia é apenas virtual. Os convênios internacionais se amarram a um pacto já desfeito, o Acordo de Bretton Woods, de 1944. A ruptura do contrato foi ato unilateral dos Estados Unidos, sob a presidência Nixon, ao negar a conversibilidade em ouro do dólar, moeda de referência internacional pelo Acordo.

Essa decisão marca o surgimento de uma nova era, em que o valor da moeda não se relaciona com nada de sólido. Os bancos, ao administrá-la, deveriam conduzir-se de forma a merecer a confiança absoluta dos depositantes e dos acionistas, e assegurar essa mesma confiabilidade às suas operações de crédito. O papel social dos bancos é o de afastar os usurários e agiotas do mercado do dinheiro. Mas não é desta forma que têm agido, sobretudo nestes nossos tempos de desmantelamento dos estados.Hoje, não há diferença entre um Shylock shakespereano e qualquer dirigente dos grandes bancos.

Na Inglaterra, o escândalo do Barclays, que se confessou o primeiro banco responsável pela manipulação da taxa Libor, provocou o espanto da opinião pública, mas não dos meios financeiros que não só conheciam o deslize, como dele se beneficiavam. 

Segundo noticiou ontem El Pais, os dois grandes executivos da Novagalícia, surgida da incorporação de duas instituições oficiais da província galega – a NovaCaixa e a Caixa Galícia – e colocada sob o controle de Madri em setembro do ano passado, pediram desculpas aos seus clientes, por ter a instituição agido mal. Entre outros de seus malfeitos, esteve o de enganar pequenos investidores mal informados, entre eles alguns analfabetos, com aplicações de alto risco, ou seja, ancoradas em débitos podres, as famosas subprimes, adquiridas dos bancos maiores que operam no mercado imobiliário do mundo inteiro.

Além disso, os antigos responsáveis por esses desvios, deixaram seus cargos percebendo indenizações altíssimas. E os novos administradores tiveram sua remuneração reduzida, por serem as antigas absolutamente irracionais. Com todas essas desculpas, a Novagalícia quer uma injeção de seis bilhões de euros, a fim de regularizar a sua situação.

Este jornal reproduziu, ontem, artigo de The Economist, a propósito da manipulação da taxa Libor, por parte do Barclays, e disse, com a autoridade de uma revista que sempre esteve associada à City, que não há mais confiança nos maiores bancos, do mundo, como o Citigroup, o J.P.Morgan, a União de Bancos Suíços, o Deutschebank e o HSBC. Executivos desses bancos, de Wall Street a Tóquio, estão envolvidos na grande manipulação sobre uma movimentação financeira total de 800 trilhões de dólares.

Para entender a extensão da falcatrua, o PIB mundial do ano passado foi calculado em cerca de 70 trilhões de dólares, menos de dez por cento do dinheiro que circulou escorado na taxa manipulada pelos grandes bancos. A Libor, sendo a taxa usada nas operações interbancárias, serve de referência para todas as operações do mercado financeiro. 

O mundo se tornou propriedade dos banqueiros. Os trabalhadores produzem para os banqueiros, que controlam os governos. E quando, no desvario de sua carência de ética, e falta de inteligência, os bancos investem na ganância dos derivativos e outras operações de saqueio, são os que trabalham, como empregados ou empreendedores honrados, que pagam. É assim que estão pagando os povos da Grécia, da Espanha, de Portugal, da Grã Bretanha, e do mundo inteiro, mediante o arrocho e o corte das despesas sociais, pelos governos vassalos, alem do desemprego, dos despejos inesperados, das doenças e do desespero, a fim de que os bancos e os banqueiros se safem. 

Se os governantes do mundo inteiro fossem realmente honrados, seria a hora de decidirem, sumariamente, pela estatização dos bancos e o indiciamento dos principais executivos da banca mundial. Eles são os grandes terroristas de nosso tempo. É de se esperar que venham a conhecer a cadeia, como a está conhecendo Bernard Madoff. Entre o criador do índice Nasdaq e os dirigentes do Goldman Sachs e seus pares, não há qualquer diferença moral.

Os terroristas comuns matam dezenas ou centenas de cada vez. Os banqueiros são responsáveis pela morte de milhões de seres humanos, todos os anos, sem correr qualquer risco pessoal. E ainda recebem bônus milionários.

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MANIPULAÇÃO DA MÍDIA GOLPISTA:População não está dando bola à urubologia econômica da mídia

20.07.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 18.07.12
Por Eduardo Guimarães

Foi divulgado índice do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que mensura o otimismo das famílias brasileiras com o presente e o futuro da economia. Os números divulgados não podem passar batidos pelo que revelam até de surpreendente, ainda que nem tanto: o brasileiro está dando mais uma banana para o PIG.
A divulgação “seca” da notícia de que em junho subiu o otimismo das famílias com a economia (de 67 pontos para 68,5) está sendo a tônica na mídia. Todavia, faltam análises sobre como é possível que os brasileiros estejam otimistas em relação à economia em um momento em que a essa mesma mídia despeja sua urubologia sobre eles dia e noite.
A presidente Dilma Rousseff até que tentou explicar, recentemente, que não se mede a administração de um país apenas pelo PIB, mas foi em vão. A mídia caiu em cima dela, acusando-a de dizer isso só porque o PIB deverá ser “fraco” neste ano – estima-se que o Brasil crescerá cerca de 2% em 2012.
A mídia ainda não aprendeu a respeitar a inteligência e a capacidade administrativa da presidente da República. Em certos momentos, aliás, Dilma dá um banho de estratégia em Lula, que, ao estilo de que gosta este blogueiro, metia a boca no PIG quando este praticava a sua urubologia em 2008.
O “poste” que a mídia criou em 2010 – e no qual ainda acredita – sabia, por óbvio, do estudo do Ipea que mostra, aliás, que as famílias brasileiras estão sabendo analisar muito bem o contexto conjuntural da economia e as perspectivas do país. E – repito – que estão dando mais crédito ao governo do que à urubologia midiática.
O seguinte trecho de matéria da Agência Brasil sobre o estudo em questão corrobora o que está sendo dito acima:
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A pesquisa [ do Ipea] mostra, entretanto, que as famílias estão um pouco menos otimistas quanto à situação econômica para os próximos 12 meses. O índice passou de 66,8% em maio para 65% em junho. (…) Contudo, para os próximos cinco anos, as famílias aumentaram o grau de otimismo: o índice ficou em 63% no mês passado, contra 62% em maio.
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Sim, as famílias estão entendendo que o país passa por um momento de transição após um freio de arrumação em um crescimento desordenado da economia que estava gerando aumentos de preços que poderiam solapar o ganho de renda proporcionado pela forte atividade econômica de 2010, quando o PIB subiu quase 8%.
O resultado do crescimento desordenado desencadeado após a estagnação em 2008/2009, então gerada pelo primeiro arreganho da crise, fez a boa e velha lei da oferta e da procura colocar nos píncaros do absurdo os aluguéis, o preço dos imóveis, os alimentos e tudo mais.
O recrudescimento no Brasil neste ano de uma crise internacional que nos países ricos se mantém desde 2008 vem sendo apontado pela mídia como um problema particular do país e não como o que é: mera conseqüência de uma situação na economia mundial que, soube-se há pouco, deprimiu, fortemente, o crescimento até da China, que deve crescer “só” 7%.
Para a China, explica-se, o patamar de 7% é baixíssimo, acostumada que esteve, durante décadas, a crescer acima de dois dígitos.
A urubóloga mor da República, a jornalista econômica global Miriam Leitão, porém, vem atribuindo o crescimento modesto que o Brasil deve experimentar em 2012 a problemas internos. Ela e o resto do PIG vêm dizendo que estaria “esgotado” o modelo de crescimento da economia baseado no consumo das famílias.
Colocam o endividamento das famílias e a inadimplência (que, de fato, subiu um pouco) como sinais sérios de que o país está na rota errada. O país não está na rota errada. Medidas foram tomadas para mitigar o endividamento e a inadimplência: os juros estão caindo para os novos negócios, ainda que estejam tentando mantê-los altos.
O crescimento do endividamento e da inadimplência se deve não à atividade econômica mais lenta, mas aos juros altos. As medidas do governo para combater os juros, para estimular a indústria, para melhorar a taxa de câmbio para os exportadores, tudo isso deve reativar a indústria e alavancar o nível de investimento no médio prazo, daí a visão das famílias de que os próximos 12 meses serão difíceis, mas que os próximos cinco anos serão melhores.
O brasileiro está aprendendo que não é preciso adotar medidas recessivas e penosas para a população, que os neoliberais demo-tucano-midiáticos chamam de medidas de “austeridade” para enfrentar crises – no tempo em que o PSDB e a mídia governavam o Brasil, adotavam-se fórmulas recessivas e diminuição de gastos públicos. Todos se lembram do resultado disso.
As políticas públicas de contrapeso à baixa atividade econômica estão gerando recordes na criação de empregos, apesar de a economia estar crescendo devagar. E cresce devagar até porque o PIB cresceu muito.
Há uma chuva de análises críticas relativas ao “baixo” crescimento do Brasil no ano passado. O país cresceu 2,7% sobre 2010, chegando o PIB a impressionantes 2,4 trilhões de dólares. Para que se possa mensurar com serenidade e de forma realista o salto que a economia brasileira experimentou na última década, portanto, há que fazer algumas comparações.
Em 2002, o PIB do Brasil somava R$ 1,4 trilhões. No primeiro semestre daquele ano, a cotação média do dólar foi de R$ 2,44. Com o início do processo eleitoral, a cotação disparou até alcançar R$ 3,81 no segundo semestre. Se considerarmos uma taxa média de R$ 3,12 por dólar, portanto, o PIB brasileiro, há dez anos, foi de US$ 448 bilhões.
Enquanto o PIB brasileiro triplicou (em reais) em nove anos (2002-2011), o dos Estados Unidos passou de US$ 11, 2 trilhões em 2002 para US$ 13,3 trilhões em 2011. O PIB nacional, que em 2002 equivalia a 4% do PIB americano, hoje equivale a 18%.
Nada disso é relevado pela mídia. Diz o absurdo de que estaria “esgotado” o modelo de crescimento da economia baseado no consumo das famílias. Isso em um país em que ainda metade da população nem tem acesso ao crédito.
Na última segunda-feira, aliás, participei de programa da revista Fórum veiculado via streaming no qual fui um dos entrevistadores do ex-presidente do Ipea e candidato do PT a prefeito de Campinas, Marcio Pochmann.   O economista deu um dado que poucos conhecem: há apenas 170 bancos no país enquanto que, nos EUA, esse número pode chegar a 4 mil (!).
Esse fenômeno decorre de que, ainda, resta uma parcela imensa, descomunal dos brasileiros que consome só o básico e que nem mesmo tem conta em banco – crédito, então, nem pensar.
Ainda assim, o crédito cresceu muito. A renda do trabalhador, idem. Dessa forma, o consumo não poderia deixar de crescer. Crescendo o consumo, obviamente que cresce o endividamento e, claro, a inadimplência acaba sofrendo algum aumento. Contudo, ainda é baixíssima em um país em que a principal fonte de inadimplência são, justamente, os juros altos.
As medidas do governo Dilma para baixar os juros certamente surtirão efeitos no endividamento e na inadimplência, mas isso demora um pouco. Dívidas antigas serão repactuadas e as novas terão custo financeiro menor…
Sim, a queda nos juros não está ocorrendo tão rapidamente, mas está ocorrendo. Dizem que não, mas está e todos verão isso. É nisso, ao menos, que acreditam as famílias brasileiras, o povão, segundo o Ipea. E essa é uma má, uma péssima, uma tenebrosa notícia para a direita demo-tucano-midiática, pois mostra que sua urubologia não cola mais.

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Governo de SP reproduz política de extermínio

20.07.2012
Do blog TECEDORA, 16.07.12
 Postado por Sérgio Pecci

Rota de extermínio


A criminalização da pobreza, o descaso com o sistema prisional, a conivência com a corrupção policial e o incentivo à violência da Polícia Militar são os pilares da política de extermínio que o Governo do Estado de São Paulo reproduz há décadas, avalia o advogado Rodolfo de Almeida Valente, assessor jurídico da Pastoral Carcerária. Leia e entrevista exclusiva.

por Ana Paula Salviatti e Isabel Harari

Carta Maior - Há relação entre a onda de violência por que passa a cidade de São Paulo e a crescente população carcerária?

Rodolfo de Almeida Valente – São Paulo detém um terço da população prisional do Brasil, com cerca de 190 mil pessoas presas. São aproximadamente 450 pessoas presas por cem mil habitantes, o que coloca São Paulo como o nono estado que mais encarcera no mundo. Aqui, uma a cada 171 pessoas adultas está presa. Apenas nesse ano, temos média próxima a 3.000 pessoas presas a mais por mês no sistema prisional paulista. Essa população crescente é amontoada em um sistema prisional cada vez mais superlotado e degradante, onde campeiam as mais diversas violações de direitos. Nesse cenário, pode-se afirmar que a população carcerária está literalmente acuada. É preciso notar que as pessoas que povoam o sistema prisional são aquelas mesmas pessoas historicamente alijadas do exercício de direitos básicos nesse estado. São jovens, pobres e negras, geralmente oriundas das regiões periféricas. O sistema prisional está claramente voltado não ao combate da criminalidade, mas à neutralização daquelas pessoas que não interessam ao sistema de cidadania de consumo e de acumulação de riqueza capitaneado pelos poucos de sempre. Não apenas são neutralizadas, como também já são alvo de interesse da iniciativa privada, ávida por receber dinheiro público pela administração de presídios e, principalmente, por auferir grandes lucros com a exploração de mão-de-obra disciplinada e barata. Essa é a lógica material do sistema, apesar do discurso falacioso de combate à criminalidade e de ressocialização. Obviamente, essa manifesta política de encarceramento em massa dos pobres acaba por multiplicar sentimentos de revolta, de segregação e, por conseqüência, reproduz continuamente uma sociedade crescentemente desigual e violenta.

CM – Há alguma motivação específica para o atual cenário de violência e a onda de assassinatos?

RAV – É difícil apontar, sem correr o risco de ser leviano, uma motivação específica. Os ataques de 2006 que culminaram nos ainda não esclarecidos crimes de maio, quando mais de 500 pessoas foram executadas em menos de 10 dias, tiveram como um dos seus principais estopins um achaque praticado pela polícia civil, como evidenciou uma pesquisa da Justiça Global e da Universidade de Harvard. Não surpreenderia se um escândalo similar fosse revelado agora. Certo mesmo é que a política de segurança pública adotada pelo governo de São Paulo, longe de debelar esses massacres, na verdade acaba por fomentá-los. A criminalização da pobreza, o descaso com o sistema prisional, a conivência com a corrupção policial e o incentivo à violência da polícia militar são os pilares dessa política de extermínio que o governo reproduz há décadas.

CM – O número de homicídios praticados pela Rota, grupo de elite da polícia militar paulista, tem aumentado. O novo comandante do grupo é o tenente-coronel Salvador Modesto Madia, nomeado em novembro do ano passado e que foi um dos comandantes do chamado Massacre do Carandiru. Em recente declaração a Folha de S. Paulo, Madia afirmou que não se importa com o número de mortes, mas sim com a legalidade delas. É possível estabelecer um paralelo entre o aumento do número de mortes praticadas pela Rota e uma cultura de extermínio existente na mesma?

RAV – A Rota é o destacamento mais letal da PM, e isso não é uma casualidade. A Rota recebeu esse nome na Ditadura Militar, quando foi reorganizada exatamente para aniquilar militantes contrários ao regime de exceção. Os militares saíram do governo, o Brasil, ao menos formalmente, se redemocratizou, mas a Rota não apenas subsistiu com a sua cultura de exceção, como foi fortalecida pelo governador Alckmin, responsável pela nomeação de Salvador Modesto Madia para o comando desse destacamento. Bom lembrar que Madia carrega nas costas 78 execuções no Massacre do Carandiru, cuja infeliz ocorrência completa, em outubro próximo, 20 anos sem nenhuma responsabilização. Não há mera coincidência aí. Nomear um dos principais responsáveis pelo Massacre do Carandiru para o destacamento mais letal da PM é legitimar esse e tantos outros massacres ocorridos desde a "redemocratização". A lamentável declaração de Madia, por sua vez, é claramente uma carta branca para que os policiais sob o seu comando sigam com os massacres perpetrados contra a população periférica, jovem, pobre e negra. Há nisso tudo mais do que uma cultura de extermínio; trata-se de verdadeira política de extermínio adotada pelo governador Alckmin, que também não tem maiores pudores em legitimar as execuções cometidas por seus policiais. Basta lembrar que esse mesmo governador declarou que em São Paulo "bandido tem duas opções: ou é prisão ou é caixão" e, recentemente, afirmou que quem atacar a polícia "vai se dar mal" e que "não recua um milímetro". Enquanto não desmantelarmos essa estrutura de guerra contra as periferias, contra os pobres, que vigora desde que o Brasil é Brasil e, sobretudo, desde que São Paulo é São Paulo, e que muito se conjuga com o sistema de produção capitalista, em que poucos se fartam com a exploração do trabalho e da miséria da maioria, os massacres contra nossa juventude negra e pobre tendem a continuar.

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São Paulo é o único estado que não investe um centavo no SAMU/192

20.07.2012
Do blog VI O MUNDO, 17.07.12
Por  Conceição Lemes

Quem já precisou de socorro para alguém em casa, via pública ou local de trabalho, sabe o alívio que dá quando liga para o 192 e a ambulância do SAMU chega ao local. Afinal, são equipes treinadas para lidar com emergências e alguns minutos podem fazer a diferença entre a vida e a morte ou mais seqüelas.

SAMU atende onde o paciente está. É a sigla do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, programa criado no primeiro ano do governo do ex-presidente Lula pelo então ministro da Saúde Humberto Costa.

Há dois anos o Viomundo denunciou:  São Paulo era o único estado brasileiro que não punha um centavo no SAMU/192, embora tivesse sido governado até abril de 2010 por José Serra (PSBD), ministro  da Saúde no governo FHC. Serra manteve a decisão tomada por seu antecessor no Palácio dos Bandeirantes, o também tucano Geraldo Alckmin, de não aderir à implantação do SAMU.

Todos os demais estados – inclusive os do Norte e Nordeste participavam do financiamento do SAMU: 50% dos recursos são do governo federal, 25% do estado e outros 25% do município.

Em 5 junho deste ano, a matéria a Folha de S. Paulo publicou a reportagem Resgate nota 10. Dizia:

Samu de São Paulo ganha prêmio mundial de eficiência em atendimentos de emergência.

Acrescentava:

É o primeiro da América Latina a conquistar o “Certificado Internacional de Eficiência”, ao lado de outras grande metrópoles como Londres e Berlim.

No twitter, José Serra, candidato à prefeitura, saudou a premiação do SAMU da capital:
Esse tweet levou-nos à pergunta óbvia: E o Estado de São Paulo como estaria? Será que dois anos depois da primeira reportagem, ele já participaria do SAMU?

Viomundo contatou o Ministério da Saúde, para averiguar quais estados e municípios tinham parceria com o SAMU. Afinal, é o único órgão que dispõe dessas informações atualizadas. O objetivo era ter um mapa da distribuição no Brasil e saber se, finalmente, São Paulo já contribuía.

Ao mesmo tempo, o Viomundo entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, para saber se o estado participava do pacto tripartite.

A partir daí foi um jogo de empurra de semanas.

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde respondeu:

A cobertura do SAMU 192 no Brasil é de 64%: ou seja, temos 121.967.804 habitantes com acesso ao SAMU 192. Por região temos: Norte — 51%; Nordeste — 61%; Centro-oeste — 79%; Sudeste — 65%; Sul — 66%.
Atualmente, o SAMU 192 no Brasil é composto por 165 Centrais de Regulação das Urgências, com cobertura de 1.970 municípios com acesso ao SAMU 192 em todos os estados. Temos ainda 2.052 municípios em processo de expansão ou implantação do serviço.
No quesito qualidade do atendimento, o Ministério da Saúde está ampliando e qualificando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Os municípios poderão ter aumento de 66% no valor de custeio das ambulâncias caso os gestores locais atendam a critérios de qualidade. Todo SAMU 192 já habilitado tem direito a solicitar essa qualificação.
O atendimento pré-hospitalar móvel visa chegar à vítima nos primeiros minutos após um agravo a sua saúde de caráter urgente. A gravidade com risco de morte é uma situação extrema, onde o serviço móvel de atendimento visa evitar complicações clínicas e o óbito. No Brasil, o SAMU teve início através de um acordo bilateral, assinado entre o Brasil e a França, através de uma solicitação do Ministério da Saúde. Foi criado em 2003 e oficializado pelo Ministério da Saúde por meio do Decreto nº. 5.055, de 27 de abril de 2004. O SAMU 192 é parte da Política Nacional de Atenção a Urgências, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU/192) e tem contribuído com o Estado brasileiro a reduzir o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as seqüelas decorrentes da falta de socorro, principalmente no contexto das emergências clínicas.
As despesas de custeio mensal do componente SAMU 192 são de responsabilidade compartilhada, de forma tripartite, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. A União é responsável pela proporção de 50% da despesas, que no ano de 2011 correspondeu aR$ 430.204.000,00. A complementação dos recursos financeiros repassados pelo Ministério da Saúde para o custeio mensal do Componente SAMU 192 é de responsabilidade conjunta dos Estados e dos Municípios, em conformidade com a pactuação estabelecida na respectiva CIB (os grifos são do Ministério da Saúde). 
Retorquimos. Afinal, a pergunta básica não havia sido respondida. Quais estados têm parceria com o SAMU e quais não têm?
A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde devolveu:
Sua pergunta básica foi respondida na seguinte frase:
Atualmente, o SAMU 192 no Brasil é composto por 165 Centrais de Regulação das Urgências, com cobertura de 1.970 municípios com acesso ao SAMU 192 em todos os estados (os grifos, inclusive o vermelho, são do Ministério da Saúde).

Voltamos à carga, já que existir em todos os estados não significa que determinado estado invista recursos no SAMU.  A assessoria de imprensa informou:

Segue a resposta da área técnica ao seu pedido.

O Ministério da Saúde pactua o serviço do SAMU 192 com estados e municípios e normatiza as portarias. O repasse do custeio é pactuado com os gestores estaduais e municipais nas Comissões Intergestores Bipartite (CIB). O cumprimento desse repasse é de responsabilidade de cada gestão. O Ministério realiza o repasse de sua responsabilidade e o investimento estadual e municipal é de responsabilidade de cada parte.

Insistimos, já que a pergunta central continuava sem resposta. A assessoria de imprensa mais uma vez se esquivou:

Para informações referentes aos estados, o Ministério da Saúde orienta a buscá-las com as respectivas secretarias estaduais de Saúde.

Da assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, o Viomundo cobrou a resposta por telefone e e-mail, no mínimo, dez vezes.

Inicialmente, respostas eram deste gênero:

– Nós vamos te responder daqui a pouquinho.
– Já, já, te respondemos por e-mail.

Depois, foram estas:

– Nós não temos nada ver com o SAMU.
– Isso é com o Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde.

Só que nunca informou isso por escrito. Só de boca. Diante da nossa insistência em ter a resposta documentada e a reiterada recusa da Secretaria Estadual de Saúde, gravamos esta última resposta, informando que estávamos fazendo isso:

SAMU é uma responsabilidade do município financiada pelo Ministério da Saúde.

– Mas então o Estado de São Paulo não faz parte da tripartite do SAMU?

– O estado entra com os hospitais onde são levados os pacientes.

Conclusão 1: o Estado de São Paulo continua a não investir um centavo no SAMU/192. Daí esse jogo de empurra e a falta de transparência.

Da parte da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, provavelmente para encobrir a omissão dela em relação a esse serviço fundamental.

Da parte do Ministério da Saúde,  a sonegação da informação seria para não se indispor com os tucanos paulistas? Ou para não deixar o secretário da Saúde em saia justa? Haveria conivência ou fazeção de vista grossa?  Se não é nenhum desses motivos, qual foi afinal ?

Relembramos que o Ministério da Saúde é o órgão que tem o real mapa da situação. Tanto que, em 2010, foi quem nos esclareceu sobre  de São Paulo.

Conclusão 2: Se São Paulo contribuísse com a porcentagem que foi pactuada, certamente a cobertura do SAMU no Estado seria muito maior.

Conclusão 3:  Todo atendimento do SAMU no Estado de São Paulo é custeado unicamente pelo governo federal e municípios.

“A conta fica mais pesada para os municípios, já que são obrigados a se responsabilizar também pela parte que deveria ser do estado”, lamenta o médico Arthur Chioro, secretário da Saúde de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e presidente do Conselho de Secretários Municipais do Estado de São Paulo (Cosems). “Arcam com 50% do custeio total do SAMU e não com os 25% previstos na portaria do Ministério da Saúde.”

Essa situação onera financeiramente todos os municípios, independentemente do porte.  Nas cidades menores, há uma dificuldade adicional. O SAMU deve ser regional e exige a participação da Secretaria Estadual de Saúde também na articulação de diferentes municípios de uma região.

“Só que como a Secretaria Estadual de Saúde não aporta a sua parte nos recursos previstos na legislação que regulamenta o SAMU, esse processo está travado em algumas regiões no interior de São Paulo”, constata Arthur Chioro. “Há municípios que receberam as ambulâncias e não conseguem colocá-las em funcionamento.”

A propósito. Antes da criação do SAMU, algumas cidades, como Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre, dispunham de serviço público para atender emergências pré-hospitalares. 

Porém, como programa do SUS [Sistema Único de Saúde], destinado a 100% da população, o SAMU só passou a existir em 2003.

Se na sua cidade já tem, não hesite em telefonar para o 192 nestas situações:

* Ocorrência de problemas cardiorrespiratórios
* Intoxicação
* Queimaduras graves
* Ocorrência de maus tratos
* Trabalhos de parto onde haja risco de morte da mãe ou do feto
* Tentativas de suicídio
* Crises hipertensivas
* Quando houver acidentes/trauma com vítimas
* Afogamentos
* Choque elétrico
* Acidentes com produtos perigosos
* Transferência entre hospitais de doentes com risco de morte

– Mas não dá para obrigar o Estado de São Paulo a investir no SAMU? – muitos devem estar perguntando.
A resposta é não. A expectativa é que a Secretaria Estadual de Saúde reveja algum dia a sua posição, pois facilitaria a ampliação do SAMU no estado. Enquanto isso não ocorrer, São Paulo estará deixando de cumprir a sua responsabilidade neste importante serviço, que ajuda a salvar vidas.

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