quinta-feira, 12 de julho de 2012

MÍDIA GOLPISTA AINDA DEFENDE DEMÓSTENES : Demóstenes e seus advogados na mídia

12.07.2012
Do BLOG DO MIRO
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:


A imprensa amanheceu hoje com manchetes garrafais sobre a cassação de Demóstenes Torres. Colunistas, secretários de redação, editorialistas, todo mundo deu pitaco. Chamou-me a atenção, contudo, a interpretação da Folha, expressa em dois textos, um de Alan Gripp, secretário-assistente de redação, outro de Janio de Freitas, colunista.


Ambos amenizam descaradamente os crimes de Demóstenes Torres, e abribuem sua cassação antes à uma espécie de vingança corporativa do Senado.

Em sua análise, Alan Gripp diz o seguinte:

O que fica é a conclusão de que este foi um caso diferente. E que o Senado não teve um arroubo ético. Parlamentares mais enrolados que ele continuarão a se salvar.

Longe de mim pretender que não haja outros bandidos no Senado brasileiro, mas a interpretação de Gripp é leviana. Torres foi cassado porque havia áudios, documentos e relatórios da Polícia Federal mostrando que Demóstenes era um despachante de luxo de Carlinhos Cachoeira. O mafioso menciona inclusive o pagamento de milhões de reais de propina para o senador. “O milhão do Demóstenes”, diz Cachoeira a um de seus secretários.

Janio de Freitas, por sua vez, tem se caracterizado por uma estranha defesa do Clube Nextel. Em sua coluna de hoje, volta a se posicionar em favor do grupo, ao amenizar as acusações contra Demóstenes.

Freitas faz uma bizarra defesa de Demóstenes, atacando inclusive o relator do seu processo de cassação. E ataca mais ainda Renan Calheiros, que não estava sendo julgado.

Diz Freitas, defendendo o senador bandido:

Não há dúvida de que no rol de acusações a Demóstenes Torres há afirmações infundadas, e não por equívoco.

(…)

Ainda assim, o relatório do senador petista Humberto Costa foi mais político do que objetivo. E com erros de informação e afirmação inadmissíveis, como Demóstenes Torres demonstrou.

Eu gostaria de saber que erros foram esses. Entretanto, mesmo que o relatório de Costa tenha erros, quem acompanhou o escândalo Cachoeira desde o início sabe que as provas de que Demóstenes era um bandido a serviço de outro bandido são fartas, múltiplas e estas sim, incontestáveis.

Inadmissível, a meu ver, é ver um jornalista probo e respeitável como Janio de Freitas defendendo um crápula nojento como Demóstenes Torres, que recebia dinheiro de Carlinhos Cachoeira, e integrava um esquema mafioso, envolvendo a Veja, a Delta e o jogo do bicho em Goiás.

Curiosas também são as asserções sobre o reflexo da cassação de Demóstenes na CPI do Cachoeira. Em editorial, O Globo diz que a cassação “pressiona a CPI do Cachoeira”, enquanto a Folha diz, com base em fontes anônimas do Congresso, que a CPI “tende a perder força”. A matéria não explica o porque, todavia. É uma asserção misteriosa.

Também senti falta, nos jornalões, de uma reflexão sobre as consequências partidárias da cassação de Demóstenes. Com a queda do senador, o DEM – e por tabela toda a oposição – sofre mais um duro golpe.


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FHC vai aos EUA falar mal do Brasil, receber US$ 1 milhão e defender um golpe

12.07.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 11.07.12
PorAltamiro Borges, em seu sítio

As declarações de FHC nos Estados Unidos agradaram os ‘paladinos da democracia estadunidense’ e os golpistas do Paraguai

FHC recebe prêmio Kluge
FHC recebe prêmio Kluge. Imagem: Reprodução
No covil do império, bem ao seu gosto, o ex-presidente FHC atacou ontem o ingresso da Venezuela no Mercosul, argumentou que não houve golpe no Paraguai e criticou a exclusão dos golpistas do bloco de integração sul-americana. Fernando Henrique Cardoso foi a Washington receber o Prêmio Kluge de US$ 1 milhão da Biblioteca do Congresso dos EUA em “reconhecimento à sua obra acadêmica”.
Em entrevista coletiva, FHC afirmou que “não houve arranhão à Constituição paraguaia” no impeachment sumário de Fernando Lugo e que a deposição seguiu as normas democráticas. “Você pode discutir se houve ampla liberdade de defesa. Quem discute isso? As cortes paraguaias. O limite entre você manter a regra do jogo e a ingerência é delicado”.
O ex-presidente tucano ainda afirmou que a política da Dilma de proteger a indústria nacional é um “protecionismo” absurdo, esquecendo que em seu governo a indústria foi praticamente destruída pelo câmbio falso.

Leia mais

FHC também criticou as agremiações partidárias no Brasil, mas sem mencionar o seu partido.

OEA e os serviçais do império

Para o partidário do “alinhamento automático” do Brasil aos EUA, a decisão do Mercosul de suspender o Paraguai foi um erro. “É sempre ruim tirar um presidente rapidamente. Mas daí a fazer uma sanção sobre o Paraguai vai uma distância grande… Mais delicada ainda é a aceitação da Venezuela, independentemente de valer a pena ou não, sem que o Paraguai esteja”.
As declarações de FHC devem ter agradado os falcões do império e os golpistas do Paraguai. Elas foram dadas no mesmo dia em que a Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgou relatório concluindo que a deposição de Lugo se deu “estritamente conforme o procedimento constitucional”. Como se observa, os serviçais do império não morrem de amores pela democracia!


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Britânica viciada em água bebe mais de 44 litros por dia

12.07.2012
Do portal JORNAL CIÊNCIA
Por OSMAIRO VALVERDE
DA REDAÇÃO DE BRASÍLIA

Beber bastante água é, normalmente, um hábito saudável – mas para algumas pessoas o simples hábito pode ser um problema.
Sasha Kennedy, 26, carrega consigo grandes garrafas de água para qualquer lugar que vá. Além disso, seu vício não a deixa dormir longamente: a cada 1 hora ela acorda para beber água.
Devido ao hábito extremo, ela vai mais de 40 vezes por dia ao banheiro eliminar o excesso de líquido e já chegou a pedir demissão de vários empregos por considerar que a água do local não era boa.
Apesar de sua ingestão diária ultrapassar o valor máximo recomendado por médicos britânicos de 3,5 litros, ela diz que não apresenta nenhum problema de saúde.
Se eu sentir minha boca começar a ficar seca eu tenho que tomar uma dose de água – eu só consigo me focar nisso. As pessoas não imaginam que alguém possa tomar tanta água até me conhecer. Elas simplesmente não acreditam no que veem”, disse Sasha ao portal DailyMail.
Eu sinto sede praticamente o tempo todo e sempre quero beber água – é um hábito realmente viciante. O sono mais longo que já tive foi de 1 hora e 15 minutos, porque estou sempre querendo beber água ou ir ao banheiro”, salientou.
 
O problema começou na infância e seus pais preocupados a levaram ao médico. Os exames não mostraram nenhum problema. Já com 6 anos de idade seu hábito tornou-se preocupante e sua mãe colocava jarros de água na cabeceira de sua cama.
Ela começou a levar garrafas de água para escola e ficava sempre do lado dos bebedouros nos intervalos, evitando brincar com outras crianças. Durante mais de 13 anos ela tomou 26 litros de água por dia.
Nesse momento meus pais pararam de colocar simples jarras e substituíram por galões de 5 litros. Quando eu tinha 16 anos fui trabalhar em um depósito de sapataria. Quando perceberam o tanto de água que eu tomava, moveram o bebedouro para ficar do lado de minha mesa”, comentou Sasha.
Aos 20 anos o consumo aumentou para 35 litros por dia quando começou a trabalhar em uma empresa de telecomunicações em 2007. Atualmente ela consome um volume que varia de 31 a 44 litros diariamente.
Especialistas dizem que a condição de Sasha é raríssima: “É possível ter uma overdose de hidratação e em casos extremos pode ser realmente perigoso, mas isso é muito raro”, comentou Dra. Emma Derbyshire.

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AÇÕES DE COLLOR CONTRA GURGEL MARCHAM À FRENTE

12.07.2012
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim


O recurso de Collor é importante porque resume os argumentos para apoiar a punição de Gurgel e a mulher.


Como se sabe, o Senador Fernando Collor considera que o brindeiro Gurgel prevaricou.

Considera que, pior ainda, ele fala grosso com uns e fala fino com os que têm “prerrogativas de fôro”, ou  seja, os privilegiados.

O que, para um Procurador da República, é inaceitável.

Conversa Afiada já publicou um post com as diversas representações de Collor contra Gurgel e a mulher de Gurgel, a Sub-procuradora Claudia Marques.

Agora, o amigo navegante terá a possibilidade de acompanhar não só as seis ações, mas também como tramitam no Conselho da Nacional do Ministério Público, que, em última instância, julgará Gurgel e a mulher.

Em seguida, o amigo navegante lerá o Recurso de Collor contra uma decisão por arquivamento de uma das ações, de autoria do Procurador no Distrito Federal, Carlos Henrique Martins Lima.

O recurso de Collor é importante, porque ele resume, de forma desabrida e aguda, os argumentos para apoiar a punição de Gurgel e a mulher.

Com ele, os argumentos de Martins Lima se desfazem no ar rarefeito de Brasília.

(Não deixe de ver cena estarrecedora: repórter da Globo em Brasília põe a mão no fogo por Gurgel.)
Acompanhe, amigo navegante, o que espera o Procurador, esse mesmo que vai acusar os réus do mensalão (que está por provar-se).

E que o Supremo achou sensato julgar em plena temporada eleitoral.

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TUDO CERTO... MAS NADA EM ORDEM - 2

12.07.2012
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA, 10.07.12
Por Celso Lungaretti


Cantei a bola (vide aqui): a entrevista do novo presidente da CUT está repercutindo da forma mais mais negativa possível. Fala-se até em Central Única dos Aloprados. 

Caberia uma coletiva à imprensa ou uma nota de esclarecimento reposicionando a questão. O certo seria dizer, apenas, que a CUT espera dos ministros do STF que julguem como verdadeiros magistrados. Nada além disto, por enquanto. 

Só caberá falar-se em protestos públicos DEPOIS, no caso de eles não estarem se demonstrando imparciais e justos. NUNCA ANTES, para não dar pretexto a acusações de tentativa de intimidar a Justiça.

Infelizmente, a imprensa burguesa pode pressionar o STF à vontade --os dois jornalões paulistas, p. ex., cansaram de lançar editoriais exortando o Supremo a extraditar Battisti--, mas ai de nós se fizermos algo remotamente parecido! O mundo desaba nas nossas cabeças.

Então, só nos resta, em médio e longo prazos, construírmos uma imprensa de esquerda capaz de contrabalançar a influência do PIG; e, no curto prazo, medirmos bem nossas palavras, para que elas não não se voltem contra nós como bumerangues.

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O que a cassação de Demóstenes Torres nos mostra?


12.07.2012
Do blog UNIPRESS, 11.07.12

Hoje, 11 de julho de 2012, o ex-senador goiano Demóstenes Torres, foi cassado pela votação do Senado Federal, por 56 votas a 19, além de 5 abstenções. Demóstenes Torres era senador eleito pela segunda vez pelo DEM, que exercia o papel de grande crítico dos governos de Lula, entre 2003 e 2010, e de Dilma, a partir de 2011. No decorrer de seu primeiro mandato, dividia os holofotes da mídia conservadora com alguns outros autodeclarados paladinos da ética tais como Heráclito Fortes (DEM-PI), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Álvaro Dias (PSDB-PR), etc.

Com a derrota eleitoral de Heráclito Fortes e de Arthur Virgilio, Demóstenes Torres passou a ocupar com mais frequência os espaços concedidos pela mídia conservadora para que exercesse o papel de combate direto às políticas do governo Dilma. Agripino Maia (DEM-RN), senador pelo estado do Rio Grande do Norte não podia exercer esse papel uma vez que a resposta de Dilma a ele sobre os episódios de tortura pelos quais ela passou, durante a ditadura militar, abateram por completo a sua capacidade de questionamento à Presidenta da República.

Assim, Demóstenes Torres ganhou pleno espaço para representar a oposição no Senado, com total cobertura da mídia. Seu nome chegou a ser cogitado, por alguns grupos de militantes da direita política catarinense, para a disputa à Presidência da REpública, na tentativa de salvar o DEM do naufrágio partidário e o do risco de dissolução.

Mas, agora, com a ação da Polícia Federal, de captura e prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira, verificou-se que Demóstenes Torres mantinha estreitos laços com uma quadrilha e que lhe prestava serviços no âmbito político e institucional. Essa descoberta resultou em sua cassação no Senado.

Mas, o episódio não tem sentido apenas quando observado em si mesmo. Ao observador atento, ele evidencia mais aspectos interessantes de se apreender.

O que a cassação de Demóstenes Torres nos mostra?

Trata-se de mais uma demonstração de quanto a democracia brasileira está avançando.

Lembre-se que o governo Lula foi responsável por um conjunto de iniciativas de combate à corrupção, dentre os quais o fortalecimento da Polícia Federal, a instalação da CGU, o levantamento dos convênios conduzidos com fraudes e irregularidades por estados e municípios, além de uma série de projetos de lei encaminhados ao congresso, como o que foi sancionado ontem, dos crimes de lavagem de dinheiro.

Sob bases democráticas, com um governo alinhado aos interesses de melhoria da gestão pública sob a égide da inclusão social e da ética, o país vai caminhando e vamos depurando a qualidade de nossos parlamentares.

A cassação de Demóstenes é parte de um movimento maior de evolução política que estamos construindo e vivenciando. É importante considerar que o Estado tem presença em todos os espaços da vida social.

Quando falo em democracia, penso, por exemplo, inclusive nas instâncias locais, por exemplo, das Unidades Básicas de Saúde, que precisam fortalecer as comissões locais de saúde para promover o diálogo entre usuários e prestadores de serviço (servidores).

Ou seja: a democracia tem que estar presente na instância mais próxima da vivência do cidadão.

O desafio enquanto militantes sociais e políticos comprometidos com a democracia é patrocinar este movimento de transformação. Que em todas as esferas, o Estado se manifeste como prestador de serviço e que o faça em diálogo intenso com os usuários e cidadãos.

Então, atento a uma missão com esta amplitude, é importantíssimo vislumbrar os demais movimentos que estão ocorrendo na sociedade como um todo. Observo aqui o valor da formação dos conselhos cidadãos, por exemplo. Das conferências municipais, estaduais e nacionais, de saúde, educação, transparência, de cidades, etc… valorizo a presença crescente do Ministério Público, que há apenas 20 anos poder algum tinha. Valorizo que a Lei da Ficha Limpa que efetivamente proíbe a muitos vereadores, prefeitos e deputados de se candidatarem.

Valorizo os blogueiros, que alguns, passam a ter capacidade de discutir a qualidade péssima da nossa mídia tradicional, usando ferramentas de software livre, como o wordpress, o drupal, o joomla, etc…

Valorizo as cassações de prefeitos e vereadores que estão acontecendo em todo o país, mesmo nas pequenas cidades, porque então, a luta por novos padrões políticos se evidencia concretamente para as pessoas: não é apenas cenário de televisão.

Melhor do que a posição que diz: “ainda falta muito”, prefiro a posição que diz: “avançamos muito e prosseguimos avançando”. Porque é preciso dar valor às conquistas, reconhecer e celebrar que elas existem. Não podemos apenas ressaltar a distância que ainda falta percorrer. O entusiasmo com as mudanças promovidas é o combustível para manter a luta cada dia.
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Fonte:http://www.unipress.blog.br/cassacao-demostenes-torres/

SERVIDORES FEDERAIS: Presidente do STF libera divulgação de salários de servidores na internet

12.07.2012
Do portal da Agência Brasil, 11.07.12
Por Wellton Máximo

Repórter da Agência Brasil


Brasília – Os salários dos servidores públicos federais dos Três Poderes podem ser divulgados enquanto a Justiça não toma uma decisão final. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, atendeu pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e suspendeu as liminares que proibiam a publicação dos rendimentos dos funcionários na internet antes do fim do julgamento dos processos sobre o tema.
Segundo Ayres Britto, a remuneração dos agentes públicos representa informação de interesse público e está relacionada a dois direitos fundamentais da Constituição: o acesso à informação pública e a transparência da atuação da administração. “Para além da simples publicidade do agir de toda a administração pública, [esse princípio] propicia o controle da atividade estatal até mesmo pelos cidadãos”, escreveu o ministro na decisão.
Para o presidente do Supremo, as decisões judiciais que impediram a divulgação dos salários dos servidores vão contra esses princípios constitucionais e provocam dano à ordem pública. Com a decisão, estão suspensas liminares da 22ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal que acolheu pedido da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB) de suspender a publicação dos rendimentos enquanto o assunto estiver sob análise da Justiça.
A AGU tinha recorrido no fim da semana passada, mas o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, desembargador Mário César Ribeiro, manteve as liminares na segunda-feira (9). Para justificar a publicação dos salários, Ayres Britto lembrou que o próprio Supremo havia considerado legítima a divulgação dos rendimentos dos servidores municipais de São Paulo na internet.
Britto também ressaltou que, em maio deste ano, o Supremo decidiu divulgar a remuneração dos ministros e de todos os servidores (ativos, inativos e pensionistas), em obediência à Lei de Acesso à Informação.

Edição: Aécio Amado

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Veja e Serra, antes do pacto de 2005

12.07.2012
Do blog LUÍS NASSIF ONLINE, 04.07.12
Por Luis Nassif



Na série "O caso de Veja" mostro como 2005 foi um ano de mudanças inexplicáveis da revista em relação a Daniel Dantas. De repente, de grande vilão Dantas torna-se uma vítima, defendida com unhas e dentes pela revista.
O mesmo acontece em relação a José Serra.
Em abril de 2004 o sub-procurador geral da República, José Roberto Figueiredo Santoro, interroga Carlos Cachoeira em plena madrugada no próprio prédio da Procuradoria. O encontro é filmado e aperece no Jornal Nacional. Santoro era o procurador que atuou decididamente em favor de Serra no caso Lunnus - que inviablizou a candidatura de Roseana Sarney nas eleições de 2002.
Na edição seguinte, Policarpo Junior e Alexandre Oltramari saem em defesa de Cachoeira, em uma matéria em que denunciam Serra-Santoro por dossiês contra Roseane, Ciro Gomes e Tasso Jereissati.
No quebra-cabeças para entender a piração midiática, essa peça permite as seguintes conclusões:
1. O pacto Serra-Veja foi posterior a 2004, no mesmo período em que se fecha o pacto Veja-Daniel Dantas. Mais uma coincidência sobre as semelhanças dos dois esquemas - além do esquema midiático que atuava tanto em defesa de Dantas quanto de Serra.
2. Não foi Serra quem aproximou Veja de Cachoeira. Mas, provavelmente, a partir desse episódio, ocorre a aproximação Cachoeira-Veja de Serra.
GovernoMais perguntas e
nenhuma resposta
O escândalo Waldomiro continua
sem solução e já surge outro com
conexões muito complexas

Policarpo Junior e Alexandre Oltramari
O subprocurador-geral da República, José Roberto Figueiredo Santoro, 50 anos, é um homem de múltiplos interesses. É apaixonado por cinema, música clássica e é fluente em quatro idiomas. O subprocurador é sobrinho do físico Alberto Santoro, um dos descobridores da menor partícula da matéria, o top quark, e do músico Cláudio Santoro, autor de catorze sinfonias e um dos grandes maestros brasileiros. Na semana passada, ele apareceu em uma fita cassete, divulgada pelo Jornal Nacional, tentando convencer o bicheiro Carlos Cachoeira a lhe entregar um vídeo no qual um ex-assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, é flagrado pedindo propina. Na gravação, feita às 3 horas da madrugada no gabinete de Santoro, ouve-se o subprocurador explicar ao bicheiro que se eles forem vistos juntos tão tarde da noite seu chefe na procuradoria, Cláudio Fonteles, indicado pelo PT para o cargo, poderia desconfiar de seu excesso de zelo. "Daqui a pouco o procurador-geral vai dizer assim: 'P..., você tá perseguindo o governo que me nomeou procurador-geral, Santoro, que sacanagem é essa? Você tá querendo ferrar o assessor do Zé Dirceu, que que você tem a ver com isso?' " (veja os principais trechos da gravação).
Na contagem aritmética simples das abóboras políticas do microcosmo de Brasília, a divulgação da fita em que o subprocurador é grampeado foi um alívio para José Dirceu. Na visão do governo, o conteúdo da gravação deixa claro que houve manipulação política da outra fita, a de vídeo, em que Waldomiro pede ao bicheiro Carlos Cachoeira contribuição para campanhas políticas, além de uma propina. O episódio retratado na fita de vídeo ocorreu há dois anos, portanto, antes de Waldomiro se instalar no Palácio do Planalto. Fora do Palácio do Planalto a visão é outra. O surgimento da nova fita não melhora em nada a situação de quem quer que seja. Ela só ajuda a piorar a situação de um número ainda maior de pessoas. Os últimos acontecimentos em Brasília são terríveis para a imagem do Ministério Público, que até então estava fora do escândalo.  
A guerra das fitas sugere que não existe propriamente um Ministério Público, mas ministérios privados, cujos membros teriam lealdade a interesses partidários, e não compromisso exclusivo com o interesse público. Nessa linha de raciocínio, por seu zelo em meter-se na apuração de um escândalo que acabaria estourando no colo de José Dirceu, ex-homem forte do Planalto, Santoro estaria querendo apenas "ferrar" o governo, e não apurar um crime. Santoro pertenceria então ao ministério privado dos tucanos, os oposicionistas do PSDB. Outros procuradores, como o famoso Luiz Francisco de Souza, que se notabilizaram pelo excesso de zelo em apurar desvios do governo passado, o dos tucanos, e até agora não mostraram nenhum empenho em levantar escândalos de petistas, formariam no outro time. Esses últimos seriam, então, procuradores do ministério privado do PT. Péssimo negócio para os brasileiros.
O governo pode ter razões políticas para comemorar a divulgação do grampo em Santoro, mas os brasileiros só têm a lamentar o que parece ser o uso político de uma instituição que deveria, por sua própria natureza, ser integrada por "intocáveis". Trata-se de uma gangrena institucional, que acaba solapando os princípios republicanos e transformando cidadãos em súditos. Do Ministério da Justiça, saiu a idéia de criar o instituto do controle externo para o Ministério Público, e não só para o Poder Judiciário, e voltou-se a discutir a chamada Lei de Mordaça, que impede procuradores de fornecer quaisquer informações a respeito de investigações em andamento. São idéias que precisam ser amadurecidas e debatidas num clima de serenidade, para evitar açodamentos. Na semana passada, na euforia da comemoração, o ministro da Justiça cometeu a leviandade de dizer que Santoro promovera uma "conspiração" contra o governo. Ora, que conspiração? Se o ministro José Dirceu e todo o governo do PT garantem que não têm nenhuma relação com os apliques de Waldomiro, por que raios a apuração dos crimes cometidos pelo ex-assessor colocaria o governo em risco?
Com mais de vinte anos de trabalho, e há três como subprocurador-geral, penúltimo degrau da carreira, Santoro é um dos membros mais dinâmicos e talentosos do Ministério Público – e um dos mais enigmáticos. Quase nunca aparece em público, não dá entrevistas, só recebe jornalistas para conversas reservadas e não gosta de fotos. Sua discrição é útil para seu hábito de perambular pelos bastidores de investigações com as quais não tem nenhuma ligação funcional. Sendo um dos 62 subprocuradores da República, Santoro só pode atuar em processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Além disso, mas apenas se for designado pelo chefe, pode trabalhar em casos em andamento no Supremo Tribunal Federal e Tribunal Superior Eleitoral. Na interpretação estrita de suas atribuições, Santoro não poderia participar da apuração do caso Waldomiro. Não poderia tomar a iniciativa de colher depoimento, tarefa que deveria ser executada por procurador comum, de primeira instância. Relevando o fato básico de que Santoro estava apurando um crime, o procurador-geral Cláudio Fonteles preferiu ater-se às tecnicalidades que descrevem as funções dos subprocuradores. Fonteles classificou a ação de Santoro de "flagrantemente ilegal".

Marlene Bergamo
SÓ CORDIALIDADE
José Serra, atual presidente do PSDB: garante que não é amigo nem tem intimidade com o subprocurador José Santoro e que mantém com ele "relações cordiais"
Santoro esteve a cargo ou acompanhou com interesse muitos dos casos rumorosos dos últimos tempos, mas nunca apareceu sob holofotes. Em alguns desses casos, houve ganhos políticos diretos ou indiretos para o ex-ministro José Serra. O episódio de maior repercussão ocorreu em março de 2002, quando a polícia invadiu o escritório da empresa Lunus, de Roseana Sarney, em São Luís, flagrando a dinheirama de 1,3 milhão de reais num cofre. A foto do dinheiro exposto sobre uma mesa chocou o país. A ocupação da Lunus foi concebida e planejada em Palmas, capital do Tocantins, onde trabalhava o procurador do caso, Mário Lúcio de Avelar. Na época, Santoro visitou Palmas com freqüência. Dos 28 dias do mês de fevereiro, passou doze na cidade, sempre com a justificativa de acompanhar desvio de dinheiro do sistema de saúde. Há uma sincronia suíça entre suas viagens a Palmas e o andamento do caso Lunus. Santoro estava em Palmas no dia 22 de fevereiro, quando foi apresentado à Justiça o pedido de busca e apreensão na Lunus. Santoro estava em Palmas no dia 1º de março, quando a polícia ocupou a Lunus. "Ele foi o cérebro da operação", denunciou o senador José Sarney. O caso Lunus cortou as chances de Roseana Sarney se candidatar à Presidência da República, em um momento em que ela aparecia em primeiro lugar nas pesquisas.
Na semana passada, com a figura de Santoro na crista da onda levantada pela divulgação das fitas, Sarney voltou a se interessar pelo assunto. Soube que Santoro esteve em São Luís nos dias anteriores à invasão da Lunus, em viagem até agora desconhecida. De um amigo, Sarney recebeu um boleto do hotel Abbeville, em São Luís, no qual se lê que Santoro esteve na capital do Maranhão entre os dias 17 e 18 de fevereiro de 2002, participando de uma "convenção", segundo informou no boleto do hotel. Na lista oficial das viagens de Santoro, não há essa ida a São Luís. No dia seguinte, 19 de fevereiro, Santoro estava de volta a Palmas. "Eu já havia alertado sobre isso há tempos", diz Sarney. "O comportamento do Santoro é uma traição a uma instituição séria como o Ministério Público."

Antonio Milena
Joedson Alves/AE
POR SÃO LUÍS...A dinheirama apreendida na Lunus e a ex-candidata presidencial Roseana Sarney: oficialmente fora do caso, Santoro esteve em São Luís e Palmas alguns dias antes do bote da polícia no escritório da Lunus
...E TAMBÉM POR FORTALEZADepois de sofrer uma investigação, Tasso Jereissati soube que Santoro foi a Fortaleza para ver se a tal investigação colhera algo sobre Ciro Gomes, então presidenciável
Em 2001, quando ainda disputava a indicação presidencial pelo PSDB com Serra, o hoje senador Tasso Jereissati passou por maus bocados. Em dezembro daquele ano, descobriu que estavam investigando sua vida e percebeu o súbito aparecimento de notinhas maldosas nos jornais. Era uma armação dos próprios tucanos? Na dúvida, Jereissati foi ao Palácio da Alvorada reclamar com o presidente Fernando Henrique. No jantar, ele quase saiu aos sopapos com o então ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, a quem acusou de agir com "safadeza e molecagem" por colocar agentes federais em seu encalço. Na semana passada, Jereissati voltou ao assunto e, tal como Sarney, descobriu uma novidade: o ex-superintendente da Polícia Federal no Ceará, Wilson Nascimento, confirmou-lhe que, em 2001, quem estava no seu calcanhar era o delegado Paulo de Tarso Teixeira, da PF. "O delegado estava buscando indícios de envolvimento do Tasso com lavagem de dinheiro", conta Nascimento. A investigação foi encerrada sem que se descobrisse nenhuma novidade, mas não parou aí.
No início de 2002, quando Jereissati já desistira de concorrer à Presidência, Santoro fez uma visita a Fortaleza, onde se encontrou com o procurador José Gerin. Queria saber se a investigação de lavagem de dinheiro sobre Jereissati, feita no ano anterior, encontrara algo contra Ciro Gomes. "Santoro passou uns três dias aqui", conta Gerin, que ainda trabalha em Fortaleza. "Ele estava atrás de alguma coisa sobre um doleiro. Surgiu uma especulação de que esse doleiro tinha alguma coisa com o Ciro Gomes." No início de 2002, Jereissati já estava fora da disputa presidencial e Ciro Gomes era mais candidato que nunca. Claro que, na época, Serra tinha interesse político em enfraquecer Ciro Gomes, assim como antes quis afastar Jereissati da disputa presidencial, mas nada disso autoriza acusá-lo de estar por trás das dissimuladas andanças de Santoro. Jereissati, no entanto, ao saber desses novos detalhes, não se conteve. "Estou estarrecido", disse. "Achava que essas coisas vinham de grupos que apoiavam esta ou aquela candidatura. Hoje, não tenho certeza. Espero que minhas suspeitas sobre a origem de toda essa perseguição não estejam corretas." Na quinta-feira passada, Serra ligou para Jereissati para lhe dizer que desconhecia essa história.

Joedson Alves/AE
Sérgio Dutti/AE
PRESSÃO NA MADRUGADACarlos Cachoeira esteve no gabinete de Santoro até a madrugada, mas saiu sem entregar o vídeo de Diniz
NA LINHA DE FRENTEO procurador Marcelo Serra Azul, um dos mais fiéis colaboradores de Santoro: ele aparece; o outro não
No fim de 2001, um dos mais conhecidos lobistas de Brasília, Alexandre Paes dos Santos, deixou vazar que teria provas de que dois funcionários do Ministério da Saúde, então capitaneado por Serra, estavam achacando o presidente de um laboratório farmacêutico com o objetivo de fazer caixa para a campanha presidencial do tucano. Ao saber do assunto, Serra convocou Santoro ao seu gabinete e pediu providências. Em vez de investigar os dois suspeitos, Santoro mirou no lobista, mas o fez da forma habitual – disfarçadamente. No caso, recorreu a um dos seus auxiliares mais fiéis, o procurador Marcelo Ceará Serra Azul. "Ele me passou o caso, sim", confirma Serra Azul. De posse de um mandado judicial, Serra Azul invadiu o escritório do lobista e recolheu pencas de documentos, entre eles a célebre agenda que continha informações escaldantes – até códigos dos pagamentos de propinas a parlamentares. A agenda chegou a passear pelo Ministério da Saúde, pousando de mão em mão. "Eu precisava identificar todos os nomes de funcionários citados na agenda", diz Serra Azul, ao admitir que levou a agenda ao ministério. "Como eu iria fazer isso sem a ajuda do governo?", explica. Talvez ele pudesse pedir a lista de todos os funcionários do ministério para cruzar com os dados da agenda, não? "Demoraria séculos", responde.  
José Serra diz que conheceu Santoro por indicação de Geraldo Brindeiro, procurador-geral no governo de FHC. "Nunca foi meu amigo. Temos relações cordiais. Só isso", diz Serra. O ex-ministro afirma que jamais viu a agenda, nem soube que ela esteve circulando pelo ministério. "Se soubesse mandaria imediatamente devolver sem olhar", diz. O fato é que, com a exótica investigação, na qual se invadiu o escritório do denunciante e levaram-se as supostas provas ao denunciado, nunca mais se falou sobre a tal extorsão dos funcionários da Saúde. É lamentável que a saúde política do país fique flutuando ao sabor de fitas nas quais um subprocurador enxerga o potencial de "ferrar" o ministro-chefe da Casa Civil e pelas quais o próprio governo se sente ameaçado a ponto de ver em seu tráfego uma "conspiração".

O que falta explicar no caso Santoro
• No decorrer de sua carreira, o subprocurador parece ter se esmerado em casos que sempre resultaram em situações positivas para o PSDB, em especial para José Serra. Isso é mera coincidência?
• A parte do diálogo em que Santoro diz que seu chefe pode achar que ele quer "ferrar" o ministro Dirceu dá a entender que o Ministério Público trabalha com motivação política. Como se pode conter o uso político do MP daqui para a frente?
• O subprocurador foi grampeado pelo bicheiro Cachoeira, que ele investigava. Sobre isso não há dúvida. Como a fita vazou é outra história. Até agora só existem versões. Nenhuma confiável.

O que falta explicar no caso Waldomiro
• José Dirceu, ministro da Casa Civil, prometeu botar os pingos nos is no caso Waldomiro Diniz, mas, passados cinqüenta dias, não se esclareceu nada: como um sujeito envolvido com bicheiros pôde ser instalado no coração do Palácio do Planalto?
• Como Dirceu pôde conviver doze anos com Waldomiro sem jamais desconfiar de seu caráter – e ainda ignorar o primeiro alerta sobre suas irregularidades, surgido no ano passado?
• A sindicância do Palácio do Planalto concluiu que Waldomiro Diniz usou o cargo na Casa Civil para traficar influência junto à CEF, na renovação de um contrato da GTech. Waldomiro agia por contra própria ou era peça de uma engrenagem financeira maior?

"Entrega a fita"
No trecho abaixo, o subprocurador José Roberto Santoro tenta convencer o bicheiro Carlos Cachoeira a lhe entregar a famosa fita de vídeo em que Waldomiro Diniz, ex-assessor do Palácio do Planalto, pede propina.  
SANTORO – Faz o seguinte: entrega a fita, não depõe, diz que vai depor mais tarde pra ver o que que aconteceu, porque aí você acautela que você colaborou com a Justiça, entregou a fita, acautelou prova lícita, o cacete a quatro... Aí você avalia o tamanho do cafofo... Aí você diz: "Aí eu quero falar..."

Nas mãos do governo
Sem querer entregar a fita, Cachoeira sugere que a Polícia Federal faça uma operação de busca e apreensão em sua casa e pegue a fita. Assim, ele, Cachoeira, não se comprometia e o subprocurador Santoro teria a fita que tanto desejava. Santoro não concorda sob o argumento de que a fita desapareceria nas mãos do governo:  
SANTORO – A busca e apreensão vai ser feita pela Polícia Federal, a Polícia Federal vai levar a fita... é isso?... A primeira coisa que vai ser, vai ser periciada e a primeira pessoa que vai ter acesso a essa fita é o Lacerda (refere-se a Paulo Lacerda, diretor-geral da Polícia Federal). O segundo é o ministro da Justiça, o terceiro é o Zé Dirceu e o quarto, o presidente.

"Que sacanagem é essa?"
Diante da resistência de Cachoeira, Santoro comenta que ele mesmo está se expondo na conversa, mantida em plena madrugada no prédio da Procuradoria-Geral da República, de tal modo que pode ser flagrado, a qualquer momento, por seu chefe:
SANTORO – Daqui a pouco o procurador-geral vai dizer assim: "Porra, você tá perseguindo o governo que me nomeouprocurador-geral, Santoro, que sacanagem é essa?... Você tá querendo ferrar o assessor do Zé Dirceu, que que você tem a ver com isso?..." Aí eu vou dizer: "Não, eu não tenho nada... tô ajudando... " ..."Porra, ajudando como? Você é um subprocurador-geral, você não tem que ficar na madrugada na procuradoria tomando depoimento dos outros..."

"Pra ferrar o chefe da Casa Civil"
Como Cachoeira não concordasse em entregar a fita, Santoro volta a dizer que seu chefe está prestes a chegar ao trabalho e poderá flagrá-lo tomando um depoimento comprometedor para o governo:  
SANTORO – Estourou o meu limite. Daqui a pouco o Cláudio chega (refere-se ao procurador-geral Cláudio Fonteles), chega às 6 horas da manhã, vai ver teu carro na garagem, vai saber o que tem e vem aqui... e vai ver um subprocurador-geral empenhado em derrubar o governo do PT... Três horas da manhã, bicho! Ele vai vir aqui na minha sala, ele é meu amigo, ele vai vir aqui, e vai ver eu tomando um depoimento pra... desculpe a expressão... pra ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o homem mais poderoso do governo, ou seja, pra derrubar o governo Lula... A primeira coisa que ele vai dizer é o seguinte: "O Santoro é meu inimigo, porque ele podia, como meu amigo, ter ligado pra mim e ter dito assim: 'Olha, vai dar porcaria pro Zé Dirceu' ".

"Ou você não acha que eu podia dar busca
e apreensão na tua casa em Anápolis"
Em outro trecho, Santoro diz a Cachoeira que poderia ter dado mandado de busca e apreensão na casa do empresário em Anápolis.
SANTORO – "Ou você não acha que eu podia dar busca e apreensão na tua casa em Anápolis, e isso eu perdia uma semana... eu poderia ter dado busca e apreensão na tua casa em Anápolis, podia ter dado... agora, tu imagina a violência... o cara fala: "nego tem filho, tem mulher, Santoro, (ele) sentou contigo, por favor"...você acha que eu não chegaria e falaria: "olha, o (barato)"... se eles não tivessem... vamos dar uma geral no cara... a Federal tinha arrebentado em cima de Anápolis, principalmente sabendo o conteúdo da fita... tinham pego essa fita e você sabe o que que eles iam dizer? Eles iam pegar documento na tua casa, carteira de identidade da tua mulher, e essa fita nunca ia aparecer, tá?... porque se eles soubessem que não fariam... (medo do) Lacerda... desculpe, ele vai ficar puto comigo, a instituição dele não é bem assim... mas em toda casa tem bandido, você sabe disso, não é não?...


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Fonte:http://advivo.com.br/blog/luisnassif/veja-e-serra-antes-do-pacto-de-2005