segunda-feira, 2 de julho de 2012

Queiroz diz que Rubem não reverte decisão do PDT estadual

02.07.2012
Do BLOG DO MAGNO
Por Magno Martins


O presidente do PDT em Pernambuco, José Queiroz, disse há pouco ao blog que o deputado Paulo Rubem(foto) não conseguirá obter êxito recorrendo à executiva nacional do partido em Brasília para viabilizar sua candidatura porque ele está isolado dentro do partido e, nos últimos seis meses em que manteve sua pré-candidatura, não conseguiu atrair o apoio de nenhuma legenda da base governista.

Queiroz disse ainda que dos 27 candidatos a vereador do PDT, 20 se posicionaram contra a candidatura de Paulo Rubem no Recife e, no PDT, ele não tem uma só liderança simpatizante ao seu projeto. “O PDT hoje no Estado é um partido estruturado que tem o vice-governador, o presidente da Assembleia Legislativa, dois deputados federais e três deputados estaduais e nenhuma dessas lideranças se manifestou pela candidatura de Rubem”, disse o presidente pedetista.

Ele adiantou que conhece a história do partido e seus posicionamentos históricos no plano nacional, em relação a questões internas nos diretórios estaduais e municipais e que, por conta disso, nenhum representante da cúpula se deixaria levar por um projeto que não tem viabilidade política nem eleitoral como o de Paulo Rubem candidato a prefeito no Recife. “Por isso, não há a menor possibilidade dele sair candidato. Nossa decisão está tomada e terá o respaldo da direção nacional”, afirmou.

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ELEIÇÕES PT RECIFE: São momentos políticos distintos, afirma João Paulo sobre possível subida de João da Costa no seu palanque


02.07.2012
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Vinícius Sobreira


Nesta segunda-feira (2), o radialista Geraldo Freire recebeu os deputados federais Sílvio Costa (PTB) e João Paulo (PT), este último vice na chapa de Humberto Costa visando a Prefeitura do Recife, além do deputado estadual Daniel Coelho (PSDB), candidato à prefeito na capital pernambucana.

O deputado federal João Paulo, que almeja o cargo de vice-prefeito do Recife na chapa petista, é desafeto declarado do atual prefeito, o também petista João da Costa. Muitas das perguntas direcionadas a ele foram com relação a isso e também questionando por que ele será o vice e não o cabeça de chapa, já que ele já esteve a frente da Prefeitura duas vezes e tem muita popularidade junto aos recifenses.


Nesta manhã Humberto Costa declarou, também a Geraldo Freire, que já conversou em dois momentos com João da Costa e que está "convicto" de que o atual gestor dará apoio à candidatura do PT, partido o prefeito, mas que rifou sua postulação em preferência a Humberto Costa. Sobre a possível subida de João da Costa e João Paulo - desafetos declarados - no mesmo palanque, João Paulo não mostrou preocupação.

"Isso quem está à frente é o senador Humberto Costa. Ele é o coordenador político. O candidato é ele e vou pedir votos para ele. São momentos políticos distintos. Eu estou na chapa mas vou subir no palanque de Humberto. Se João da Costa também vai subir ou quem mais for subir [no palanque], não tenho a ver com isso."

Durante o debate, avaliando as condições de uma candidatura a prefeito, João Paulo também fez afirmações que remeteram diretamente ao conflito do PT no Recife, que acabou com a retirada do nome do atual prefeito da disputa.

"Para se candidatar a prefeito tem que ter o apoio da população, apoio do seu partido e de uma frente mínima de partidos. Se tiver apoio da população e não tiver apoio do partido, não adianta."

Na berlinda, João Paulo também foi questionado se, ao pedir votos para Humberto, não estaria cometendo o mesmo erro de outrora, quando pediu votos para João da Costa e, pouco tempo depois, afastou-se do gestor e, hoje, diz não avaliar seu copartidário João da Costa como bom gestor. Mas quando perguntado sobre as chances de estar repetindo o "erro", João Paulo se esquivou em falar do prefeito e disse apenas "isso não vai acontecer".

João Paulo disse ainda que "o partido está quase 100% unido em torno de Humberto Costa" e que não vai tentar mandar na prefeitura mesmo na condição de vice. "Tenho entendimento claro do papel do vice. Sei ser general e sei ser soldado também".

Debate - O deputado federal Sílvio Costa (PTB), defensor da candidatura de Geraldo Júlio (PSB), e o deputado estadual Daniel Coelho (PSB), defensor de sua própria candidatura, debateram e tiveram como foco principalmente o quadro da saúde no Recife.

Sílvio atacou as candidaturas do tucano Daniel Coelho e do democrata Mendonça Filho, usando para isso o polêmico apoio do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) à candidatura de Geraldo Júlio (PSB) - que marcou uma mudança no cenário político pernambucano, já que o PMDB pertencia ao bloco oposicionista a Eduardo Campos (PSB), encabeçado também por PSDB e DEM. Agora os peemedebistas mudaram de lado.

"Por que Jarbas não apoiou Daniel ou Mendonça? Por que as propostas de vocês não sensibilizaram o senador!", disse Sílvio Costa, provocando um pouco de riso em João Paulo e Daniel Coelho. Este último disparou: "Como o tempo muda as pessoas, Sílvio", ironizando com o passado de Sílvio Costa, que sempre foi oposição a Jarbas.

Daniel Coelho atacou o sistema de saúde da Prefeitura do Recife, que de acordo com Daniel é retrato do atraso da política municipal.

"Quando o cidadão está devendo IPTU, a Prefeitura tem todos os dados do devedor. Mas no sistema de saúde não sem tem dado nenhum da população. O sistema não é informatizado. E para fazer isso o custo é quase nenhum. É uma questão de vontade política."

Sílvio Costa rebateu, dizendo dizendo que Daniel não tinha dados suficientes da saúde para afirmar que poderia fazer melhor. Em seguida espetou João Paulo: "Queria que João Paulo defendesse João da Costa, que é do partido dele". Sílvio até teceu elogios à atual gestão.

"Sinceramente, o governo de João da Costa não foi ruim. Não foi tão bom quanto o de João Paulo, claro. Mas foi melhor que todos os anteriores, do grupo [que hoje é] da oposição". A resposta foi de Daniel Coelho, que, em tom de ironia, pediu a opinião de Sílvio sobre a gestão de Jarbas.

"Gato por lebre" - Antes do fim do debate, o candidato tucano Daniel Coelho quis chamar a atenção do ouvinte para "não se deixar enganar pelo apadrinhamento" político, batendo de uma só vez no candidato Geraldo Júlio, desconhecido até ser escolhido por Eduardo Campos, e no atual gestor João da Costa, então desconhecido, em 2008, quando João Paulo o elegeu prefeito.

"É importante que a população entenda que o candidato não é o padrinho. É preciso ter isso em mente para não levar um "gato por lebre", como aconteceu há quatro anos quando disseram que João é João.
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Passar do limite do cartão custa caro

02.07.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO, 01.07.12
Por Rosa Falcão 
rosafalcao.pe@dabr.com.br

Além do gasto cobrado na fatura, consumidor corre perigo em ter o orçamento estourado e ficar endividado 

 (GREG/DP)

Você ultrapassa o limite do cartão de crédito e tem a compra rejeitada pelo lojista. Pode até ser desagradável, mas acende a luz vermelha. Sinal de que você está gastando acima das suas possibilidades. Agora os cartões de crédito adotam uma nova prática: liberam a compra, ampliam o limite do cliente no mês, e claro, cobram mais uma tarifa de avaliação emergencial de crédito. A conta vem na fatura mensal com as despesas feitas pelo consumidor. A taxação é permitida pelo Banco Central, mas o cliente fica sem a opção da escolha de aumentar o limite para se esbanjar nas compras.

O perigo é ultrapassar os gastos mensais e desequilibrar o orçamento. Além de correr o risco de entrar na roda viva do crédito fácil, ficar inadimplente e ser empurrado para o superendividamento. O consultor financeiro e professor da Faculdade Boa Viagem (FBV) Roberto Ferreira alerta que as pessoas de renda mais baixa são as mais vulneráveis à nova prática dos cartões de crédito. “É um estímulo às pessoas gastarem mais com o cartão e extrapolarem o limite de 20% da renda para pagar contas”.

 A diarista Francisca Maria de Andrade Gomes, 44 anos, foi vítima do aumento automático do crédito. Ela conta que o seu limite mensal no cartão é de R$ 220 e sempre gastou esse valor. No início do ano iniciou a reforma da casa e teve que comprar material de construção no armazém. As compras ultrapassaram R$ 400 e mesmo assim foram autorizadas pela administradora do cartão. Francisca alega que não foi consultada e no mês seguinte começou a receber a fatura com a tarifa de avaliação emergencial de crédito de R$ 15. 

“Quando liguei para o cartão me disseram que eu passei o limite e tinha que pagar a taxa. Pedi para cancelar e voltar ao meu limite. Eles disseram que não podia ser cancelado. O pior é que começaram a cobrar R$ 15 todos os meses e já chegou a R$ 45”, reclama. Ela diz que precisava comprar o material para a reforma, mas se soubesse da taxação mensal preferia não ampliar o crédito. Se a próxima fatura cobrar a taxa especial de crédito a diarista promete cancelar o cartão.

 A resolução 3.919/2010 do Banco Central permite a cobrança de cinco tarifas pelos cartões de crédito (ver quadro). Entre elas, a de avaliação emergencial de crédito. Mesmo assim, o diretor geral do Procon Pernambuco, José Rangel, alerta que ao adquirir um cartão o consumidor deve ser informado das tarifas cobradas. “O artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor (CDC) diz que os contratos devem ser claros e transparentes na aquisição de um bem ou na prestação de um serviço”. 

 Rangel acrescenta que o consumidor deve ser alertado pela administradora do cartão que ultrapassou o limite e consultado sobre a ampliação do crédito. Segundo ele, a falta de informação poderá induzir o consumidor ao erro e a assumir um custo extra. O diretor geral do Procon-PE orienta o consumidor que for pego de surpresa com a tarifa especial se dirigir aos órgãos de defesa do consumidor para reclamar. 

Maria Inês Dolci, coordenadora executiva da Proteste Associação de Consumidores, alerta que o aumento do limite de crédito é uma fonte atrativa para o consumidor gastar mais do que pode. Ela reforça que o consumidor não deve pagar a tarifa extra sem ser consultado porque é mais difícil obter o estorno da administradora do cartão. “O valor da tarifa é alto e o consumidor não deve pagar”.

 Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito (Abecs) informa que não exerce controle sobre os aspectos comerciais das empresas, como é o caso das tarifas. Acrescenta que “possui todo o interesse que as novas regras de tarifas sejam cumpridas por todas as entidades, em prol da transparência, da satisfação do consumidor e da sutentabilidade do mercado e do sistema financeiro”. A Abecs criou o site www.tarifasdocartao.org.br onde o consumidor poderá consultar e comparar as tarifas dos cartão. Fique de olho! 

Francisca Gomes teve o limite de crédito ampliado
sem ser consultada e arcou com os custos da tarifa (BRUNA MONTEIRO/ESP. DP/D.A PRESS)
Francisca Gomes teve o limite de crédito ampliado sem ser consultada e arcou com os custos da tarifa
Tire suas dúvidas

Quais são os tipos de cartões de crédito?
O básico e o diferenciado. O básico é exclusivo para o pagamento de compras, contas ou serviços. O diferenciado está associado à programas de benefícios

O que pode ser cobrado pela administradora do cartão ou pelo banco?
É admitida a cobrança de cinco tarifas: anuidade; segunda via do cartão; retirada em espécie na função saque; pagamento de contas; pedido de avaliação do limite 

O que é o crédito rotativo?
É o restante do valor da fatura que não é paga integralmente e passa para o mês seguinte. Isso resulta em juros ao consumidor

Posso parcelar a minha fatura? Vale a pena?
As instituições concedem a possibilidade de parcelar o total da fatura. Mas vale a pena ter cautela, pois os juros são elevados, podendo chegar a 492,99% ao ano 

Se parcelar minha compra no cartão de crédito eu pago juros?
Se a loja não oferece parcelamento sem juros na compra com cartão, e mesmo assim o seu objetivo é parcelar, você irá incorrer nos juros cobrados pelo cartão

Posso usar meu cartão para efetuar saques?
O cartão permite que você saque dinheiro com a função de crédito. Mas, além de cobrar tarifa, os juros são elevadíssimos, de até quase 900% ao ano. Fuja dessa opção 

Quais informações devem constar na minha fatura?
Limites de crédito total e individuais; gastos realizados com o cartão; operações de crédito; valores relativos aos encargos cobrados; encargos do mês seguinte e o Custo Efetivo Total (CET)

Como é definido o limite do cartão de crédito?
O seu limite de crédito será determinado pela instituição financeira, após uma análise específica do seu perfil (risco, renda, capacidade de pagamento, etc)

A instituição pode optar por não renovar o meu cartão?
O contrato de cartão de crédito também tem validade, como qualquer outro. Ao término do contrato ele poderá não ser renovado por quaisquer das partes 

Como cancelar ou não renovar o cartão?
Basta entrar em contato com o banco ou financeira através da central de atendimento e solicitar o cancelamento 

O que fazer em caso de perda, roubo, extravio ou falsificação?
Entrar em contato com a instituição pedindo o cancelamento do cartão. Toda compra efetuada por quem não for o responsável ou por ele autorizada é nula e não poderá ser cobrada.

Fonte: Proteste Associação de Consumidores

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BLOG MOBILIDADE URBANA: As transformações urbanas na Agamenon, por Tânia Passos

02.07.2012
Do blog MOBILIDADE URBANA, 01.07.12
Por Tânia Passos

Não será fácil reimaginar o cenário da Avenida Agamenon Magalhães. Foram mais de quatro décadas lidando com o seu dia a dia dinâmico e, por vezes, congestionado. O modo de circulação da primeira perimetral do Recife irá mudar radicalmente para se adequar ao corredor Norte/Sul. As pistas exclusivas para o BRT, nos dois sentidos, vão ficar ao lado do canal central da via.

Para garantir a velocidade do corredor, serão removidos os semáforos de quatro cruzamentos. Entram em cena os viadutos e as passarelas. Com estes equipamentos, a circulação na Agamenon Magalhães nunca mais será a mesma. E tanto motoristas como pedestres e ciclistas terão que reaprender os caminhos.

Não apenas a circulação, mas também alguns hábitos e costumes serão modificados com o futuro cenário da avenida. Não fazer a travessia em nível, por exemplo, onde haverá passarela, é um deles. Morador do bairro da Boa Vista, o aposentado Antônio Alfredo, 68 anos, terá que buscar outro supermercado para fazer as compras de todos os dias. O local onde hoje está o supermercado Bompreço dará lugar à curva do viaduto da Bandeira Filho. Ao todo, 31 imóveis serão desapropriados. “Tudo por aqui vai ficar muito diferente. Eu espero que seja para melhor.”

As mudanças trazem juntas as incertezas. O comerciante Deomedes Pereira, 48, está preocupado com o seu futuro. Desde que nasceu, ele mora e trabalha na esquina da Rua Montevidéu, em um dos imóveis que serão desapropriados. A área que pertence à família dele tem cerca de 1.250 metros quadrados. O espaço privilegiado serve de estacionamento para dois empreendimentos. “Tenho contrato com a Clínica de Fraturas e com um cursinho. Ao todo, são 35 vagas cobertas. Ainda não sei para onde vou”, revelou o comerciante, que também tem um bar no local.

Também preocupados estão os barraqueiros que comercializam na calçada nos fundos do supermercado. Alguns há mais de 30 anos. Uma equipe da Secretaria das Cidades está fazendo o levantamento da renda diária deles para que sejam indenizados. “Eu preferia outro lugar para trabalhar. O dinheiro da indenização vai acabar”, revelou o comerciante Aldo Paulino da Silva, 58 anos.

Se para quem trabalha no local as mudanças trazem incertezas, imagine para quem vai ser vizinho de um dos viadutos. Inconformados, os moradores da Rua Bandeira Filho já fizeram vários protestos contra a implantação dos elevados. O viaduto passará ao lado de um conjunto de quatro prédios com 72 apartamentos. “Os moradores ainda não sabem como vão sair e chegar em suas casas. Além disso, haverá aumento das poluições do ar e sonora”, revelou a psicóloga Valéria Vieira, 53 anos. Para o governo, o interesse da maioria se sobrepõe à minoria.
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SERVIDORES FEDERAIS EM GREVE: Entrevista com Irineu Messias sobre o indicativo

02.07.2012
Do SINDSPREV
Por Imprensa do Sindsprev

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MP investiga 70 casos para abrir processos contra agentes do regime militar


02.07.2012
Do portal da BBC BRASIL, 
Por Ruth Costas Da BBC Brasil em Londres

Protestos pela prisão de torturadores (Foto AP)Jovens protestam para pedir a prisão de torturadores do regime militar durante a Rio +20: debate reaberto

O Ministério Público Federal (MP) está investigando mais de 70 casos de abusos aos direitos humanos cometidos pelo regime militar para propor ações criminais contra agentes da repressão responsáveis por mortes ou desaparecimentos no Brasil.

A informação é do Procurador da República Marlon Weichert, que conversou com a BBC Brasil durante um seminário do Transitional Justice Research Group da Universidade de Oxford para discutir o que vem sendo chamado de "justiça de transição" - as medidas e iniciativas introduzidas em vários países para lidar com violações aos direitos humanos de regimes autoritários e guerras civis.

No entendimento de alguns promotores brasileiros, a Lei de Anistia, que tem garantido impunidade por abusos contra direitos humanos cometidos durante o regime militar, não pode ser aplicada em casos de crimes mais graves, como sequestro, tortura e morte sob custódia.

Eles argumentam que a decisão da Corte Interamericana dos Direitos Humanos sobre o caso Araguaia trouxe novos parâmetros para a interpretação da Lei de Anistia, e estão empenhados em levar militares e policiais ao banco dos réus com base nessa nova interpretação.

Em 2010, a Corte exigiu que o Brasil investigasse e punisse os responsáveis pelas mortes no Araguaia e condenou o uso da Lei de Anistia para impedir a perseguição criminal de agentes da repressão.

Envolvido nas buscas de corpos de desaparecidos desde 1999, Weichert é um dos mais ativos defensores dos direitos das vítimas da repressão dentro do Estado brasileiro. Instaurou inquéritos que permitiram a retomada da identificação das ossadas do cemitério de Perus e a reunião de provas sobre a repressão no Araguaia.

Segundo o promotor, dois grupos de trabalho foram criados no MP no ano passado para montar casos contra policiais e militares: um focado em investigações criminais, outro dedicado a ações civis pedindo que torturadores reembolsem o Estado pelas indenizações a suas vítimas.

Um precedente importante nessa área foi criado na semana passada, quando o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra foi condenado por uma corte paulista a pagar R$ 100 mil a familiares do jornalista Luiz Eduardo Merlino, torturado e morto em 1971.

Ao contrário do que acabou ocorrendo em países como Chile e Argentina, juízes brasileiros ainda resistem muito em aceitar exceções ou reinterpretar a Lei de Anistia.

Antes da decisão da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, o Supremo Tribunal Federal respondeu a um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para revisar a aplicação da Lei de Anistia dizendo que não cabia ao Judiciário revisar o "acordo político" que resultou na adoção dessa lei.

A seguir, a entrevista de Weichert à BBC Brasil:

"Pedimos que agentes da repressão sejam impedidos de exercer cargos públicos, tenham seus proventos de aposentadoria cassados e sejam obrigados a repor aos cofres públicos indenizações pagas a vítimas e familiares"

Marlon Weichert, procurador da República

BBC Brasil - A recusa do Supremo Tribunal Federal de reinterpretar a Lei de Anistia não encerrou o assunto?

Marlon Weichert - Não. A decisão da Corte Interamericana foi emitida depois disso e diz que a anistia não pode barrar punições por violações graves. Ao reconhecer a jurisdição da Corte, o Brasil aceitou que houvesse um duplo crivo para a análise de casos de abusos aos direitos humanos no país. A Lei de Anistia não passou pelo segundo crivo.

BBC Brasil - Mas a decisão da Corte foi ignorada pelo Brasil...

Weichert - Para nós, do MP, a decisão foi um divisor de águas e somos um órgão do Estado. Hoje mais de 70 investigações estão em curso para embasar ações criminais contra policiais e militares - e a maioria foi aberta no último ano.

BBC Brasil - O que mais está sendo feito?

Weichert - Foram formados dois grupos de trabalho no qual estão trabalhando de 20 a 30 promotores. Um para ações civis e outro para criminais. O primeiro grupo abriu oito processos contra torturadores e pessoas que ajudaram a ocultar corpos e há mais dez investigações em curso. Pedimos que agentes da repressão sejam impedidos de exercer cargos públicos, tenham seus proventos de aposentadoria cassados e sejam obrigados a repor aos cofres públicos indenizações pagas a vítimas e familiares.

O segundo grupo toca essas 70 investigações criminais. Duas ações já foram requeridas na Justiça (contra Ustra e o coronel reformado Sebastião Curió). Por enquanto, os juízes não têm sido favoráveis, mas esperamos uma mudança.

Marlon Weichert (Foto Ruth Costas BBC Brasil)Marlon Weichert: defensor dos direitos das vítimas da repressão dentro do Estado brasileiro

BBC Brasil - Há consenso sobre o tema no MP?

Weichert - Não. Mas os promotores agem com independência. Quando começamos a buscar desaparecidos só eu e uma colega apoiávamos ações criminais. Agora, metade dos promotores parece ser favorável a essa posição. Além disso, no ano passado a Coordenação dos Direitos Humanos e a de Direito Criminal do MP estabeleceu que deveríamos cumprir a decisão da Corte Interamericana.

BBC Brasil - Como essas investigações se articulam com a Comissão da Verdade?

Weichert - Pode haver uma sinergia (entre as investigações), embora não haja dependência. Nossas investigações têm por base pesquisa documental e depoimentos das vítimas.

BBC Brasil - Mas por que o empenho do MP nesse momento? Por que os juízes mudariam de ideia?

Weichert - A Constituição atribuiu ao MP o dever de defender os direitos humanos e buscar ações penais. É nossa obrigação abrir esses processos. Hoje há preconceito dos juristas brasileiros com o direito internacional. Temos uma cultura jurídica de 50 anos atrás. Mas vários países passaram por essa transição e acabaram aceitando a autoridade do direito internacional. No Brasil não será diferente. Na pior das hipóteses em quatro ou cinco anos a decisão da Corte Interamericana acabará sendo cumprida. E mesmo antes disso teremos decisões favoráveis.

BBC Brasil -O Brasil começou sua política de reparações pelas indenizações financeiras. 

Desembolsou mais de R$ 2 bilhões antes que uma comissão da verdade abrisse o debate sobre os danos a serem reparados. 

Além disso, as maiores indenizações não foram para parentes dos mortos, mas para aqueles forçados a abandonar altos cargos no período autoritário. Isso tudo não prejudicou a causa das vitimas frente a opinião pública?

Weichert - Talvez esse não tenha sido o melhor caminho, mas foi o caminho possível. Não há receita de bolo para se fazer "justiça de transição". No caso da política de indenizações, o problema foi o desenho das leis que a definem.

BBC Brasil - O que esperar da Comissão da Verdade?

Weichert - Ela cumpre um papel crucial, embora sem punições seu trabalho estaria incompleto. A punição de uma pessoa dissuade outras de cometerem o mesmo crime e ajuda a prevenir de forma geral as violações aos direitos humanos. Ainda assim, a comissão pode ter um grande impacto se ajudar a acabar com os enclaves autoritários nas instituições brasileiras. Ainda temos estatutos escritos na ditadura regendo a ação de militares e policiais.

BBC Brasil - O brasilianista Anthony Pereira, do King's College, diz que o Judiciário brasileiro é reticente em aceitar processos contra militares porque muitos perseguidos políticos passaram pelos tribunais durante o regime. Como vê essa tese?

Weichert - O Judiciário precisa fazer uma autocrítica ao seu papel no regime. O fato de o Congresso e a Justiça continuarem ativos deu uma fachada de legalidade à ditadura e hoje complica a depuração do que aconteceu no Brasil – porque no imaginário de parte da sociedade não houve ruptura. Por isso é importante que a Comissão da Verdade promova uma avaliação do papel das instituições no regime militar. Ela poderia convidar não só o Judiciário, mas também o MP e outras instituições para tentar entender por que aderiram a um sistema arbitrário ilegal.
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GOLPE DE ESTADO NO PARAGUAI: O golpe revelado

02.07.2012
Do FOLHA.COM
Por Jânio de Freitas*


Um documento da Embaixada dos Estados Unidos em Assunção para o Departamento de Estado, em março de 2009, desmente a alegação de que a derrubada de Fernando Lugo fosse a reação do Congresso à inaptidão presidencial ante o confronto armado de sem-terra e policiais.

Com três anos e dois meses de antecedência, o governo de Barack Obama estava informado, por sua embaixada, do golpe que era planejado sob o disfarce de "um julgamento político dentro do Parlamento". Tal como veio a ser feito.

A ideia de que houve uma ação legítima e constitucional, no afastamento de Lugo, desaba sob a prova da longa conspiração.

A Constituição foi tão vítima do golpe quanto o presidente eleito. Os conspiradores planejaram uso fraudulento dos dispositivos constitucionais de defesa da democracia. Assim viriam a ludibriar os países vizinhos, e os acordos internacionais, com as aparências de uma medida parlamentar legal.

O documento confidencial da embaixada para o Departamento de Estado foi divulgado pelo Wikileaks, o "site" que os governos americano e inglês, sobretudo, vêm tentando silenciar, por suas revelações de documentos secretos comprovadores de práticas ilegais e imorais, principalmente, das potências.

No caso atual, vê-se que, apesar de informado sobre a conspiração desde cedo, o governo dos Estados Unidos não produziu nenhum indício de defesa da democracia paraguaia. E, logo após a derrubada de Lugo, foi o primeiro a dar mais do que indícios de apoio ao empossado Federico Franco, mais simpático aos Estados Unidos do que à América do Sul.

Um pouco mais tarde, a secretária Hillary Clinton fez um dúbio recuo, para algo parecido com indefinição. Não seria conveniente opor-se, tão depressa, à condenação imediata do "golpe parlamentar" feita por grande parte da América Latina.

O general Lino Oviedo é apontado, no documento americano, como um dos dois principais condutores da conspiração, com a companhia do ex-presidente Nicanor Duarte.

Oviedo é um desses tipos comuns de militares maníacos de golpismo: cucaracha típico. O que o fez passar anos no Brasil como fugitivo e, depois, como asilado, por fracassar na tentativa de golpe contra o então presidente Juan Wasmosy. Oviedo já se põe como candidato nas eleições presidenciais a ocorrerem, dizem, daqui a nove meses.

A divulgação que se deve ao Wikileaks vem facilitar a defesa, pelos países do Mercosul, da sua decisão de suspender o Paraguai como integrante da entidade.

O mesmo deverá ocorrer com o Paraguai e com o efeito Wikileaks na Unasul, união dos países da América do Sul, em sua próxima reunião.

Mas foi positivo que Brasil, Argentina e Uruguai limitassem a suspensão do Paraguai, no Mercosul, aos assuntos de natureza política, sem estendê-la aos compromissos econômicos e transações usuais. (Inclusive, do ponto de vista dos novos governantes paraguaios, o contrabando e os produtos falsificados).

Os bloqueios econômicos, tão ao gosto dos governos americanos, são perversos com os povos, não com os governantes.

O mísero Paraguai, com mais de metade da população em aguda pobreza, não tem que pagar pelos que o exploram.
Janio de Freitas
Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas. Escreve na versão impressa do caderno "Poder" aos domingos, terças e quintas-feiras.

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BLOG DO MIRO: Classes médias e o udenismo de FHC


02.07.2012
Do BLOG DO MIRO,01.07.12
Por Altamiro Borges

Como se jacta no artigo publicado hoje no Estadão, FHC tem viajado muito pelo mundo. “Fui aos Emirados Árabes, ao México, ao Japão, à China e, na semana passada, ainda fui a Buenos Aires”. Estas viagens, segundo informa, têm servido para refletir sobre os desafios da atualidade e reforçaram a convicção do príncipe da Sorbonne sobre a importância das chamadas classes médias.

Para o ex-presidente, que arruinou a vida de milhões de pessoas das classes médias, vítimas do desemprego e do brutal arrocho de salários, esta camada social será decisiva nos futuros embates políticos. Ela não seria “mesquinha” e “covarde”, como teorizavam círculos da esquerda no passado. Pelo contrário. Ela reuniria as melhores virtudes – a cultura do trabalho, do esforço e da honestidade.

Aposta nas camadas médias

Em seu artigo, FHC mostra-se preocupado com a ascensão da chamada “classe C”, decorrente das políticas públicas adotadas nos governos Lula e Dilma. Ele não consegue prever quais serão suas tendências políticas. Mesmo assim, ele especula: “É provável que se juntem, nas formas de comportamento e nos valores, às classes médias preexistentes”.

É nesta base social complexa que o mentor do PSDB aposta as suas fichas. Para ele, as chamadas classes médias “se sentem um tanto desconectadas da instituição que, sem ser a única, lhes abrigou e deu influência: o governo, o Estado. Justamente porque a política vem sendo percebida cada vez mais como um jogo de vale-tudo, onde a moral conta menos do que o resultado”.

A visão moralista do passado

Todo este arrazoado teórico – na prática, mais político e eleitoral, do que propriamente sociológico e acadêmico – resulta na sua convicção de que a questão ética, moral, definirá os rumos políticos do Brasil. Em síntese: FHC incorpora a velha visão udenista, da direita moralista do passado, como a principal bandeira da oposição demotucana na atualidade.

“É hora, por isso mesmo, de reforçar, e não de menosprezar, os valores fundamentais ditos ‘de classe média’ – estudo, trabalho, honestidade... Minha aposta é a de acreditar que a velha e boa classe média, que já contribuiu para a formação da nação, ainda pode ter papel relevante e será capaz de contagiar com seus valores as camadas emergentes”.

O "julgamento do mensalão"

Ao final do artigo, como quem não quer nada, o tucano FHC afirma que o “julgamento do mensalão” será determinante na disputa pela hegemonia nas classes médias. “Não só de pão vive o homem. A decência e a honestidade são partes da vida. Convém reforçar os comportamentos que se inspiram nelas”, afirma o ex-presidente, como se ele fosse um exemplo de ética e moralidade pública.
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Rands deve apoiar candidatura do PT

02.07.2012
Do BLOG DA FOLHA
Publicado por Tatiane Accioly
Da Folha de Pernambuco



Sem muito alarde, o secretário estadual de Governo, Maurício Rands (PT), deve voltar hoje ao Estado, após 15 dias cumprindo agenda oficial nos Estados Unidos. O petista, que disputou as prévias de seu partido contra o prefeito João da Costa à Prefeitura do Recife, mas retirou o nome em prol da unidade, não se pronuncia desde então. Seu retorno é aguardado, bem como a sinalização do que fará com relação à candidatura de Humberto.
A expectativa é que ele apoie o senador Humberto Costa, que foi indicado pela executiva nacional do PT como candidato. Até porque ambos fazem parte da mesma tendência petista, a Construindo um Novo Brasil (CNB), e Humberto avalizou a candidatura de Rands às prévias, juntamente com o deputado federal e hoje candidato a vice, João Paulo. Porém, ainda há dúvidas quanto a isso, devido às feridas abertas com o processo.
Bastidores dão conta de que Rands ficou muito irritado com a cúpula petista, em especial com Humberto. O secretário estaria com a sensação de ter sido usado pelo senador durante as prévias para inviabilizar a candidatura do prefeito. Após perder a disputa nas urnas e esta ser anulada, uma nova prévia foi marcada. Dias antes, os candidatos foram chamados em São Paulo pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, que sugeriu que retirassem o nome e Humberto foi apontado como “tersius”, um nome alheio a Rands e João da Costa para tentar unificar o PT. O secretário retirou o nome, mas o gestor não fez o mesmo, o que obrigou a executiva nacional a intervir.
PREFEITO
João da Costa terá nova série de reuniões com seu grupo político esta semana. O gestor ainda não se pronunciou sobre qual será seu posicionamento nas eleições. Embora seu partido tenha candidato, o apoio a Humberto segue em dúvida, já que a sigla impediu que tentasse a reeleição. O apoio a Geraldo Júlio, porém, só poderia ser feito de maneira oficial caso o prefeito se licenciasse ou saísse do PT. A neutralidade também seria uma posição que favoreceria o socialista. “O prefeito está concentrado em sua administração. Ele é prefeito até 31 de dezembro, e está preocupado com os problemas da cidade”, explicou o presidente municipal do PT, Oscar Barreto, defensor fidagal do gestor.
Por conta de exposição diária, durante quase dois meses, criticando gestão e prefeito, Rands acabou desgastado no partido. Essa viagem para os Estados Unidos teria sido útil para “mergulhar” e sumir do noticiário político.

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ELEIÇÕES PT RECIFE: Tereza Leitão e Fernando Ferro negam que João da Costa vá subir no palanque de Humberto Costa


02.07.2012
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Jamildo Melo

O fato que, descansando em Porto de Galinhas, no sábado, o prefeito João da Costa atendeu um primeiro telefonema do senador Humberto Costa, candidato do PT a prefeito no Recife. No entanto, a cura das feridas ainda parece estar distante.

A deputada estadual Tereza Leitão e o deputado federal Fernando Ferro, dois dos mais destacados membros de sua tropa de choque, na briga interna, informaram, nesta manhã, que João da Costa dificilmente subirá no palanque do correligionário,

“Depois da repercussão nacional que teve, com grande constrangimento para alguns, com descontentamento, não se esgotou o assunto”, disse. “Agora, a indicação de João Paulo (desafeto do prefeito) para vice de Humberto cria para o prefeito uma difocildade muito grande (de dar apoio à chapa)”, comentou Fernando Ferro, nesta manhã, na gravação do programa Ponto Final, da Tv Jornal, com o apresentador Aldo Vilela.

Ferro explicou que o recuo de João da Costa em ir à Justiça questionar a decisão do Diretório Nacional foi um gesto político do grupo do prefeito, antes da decisão da entrada de João Paulo na chapa.

“João da Costa tem que ter muita calma, não pode se precipitar, mas eu acredito que agora fica difícil pedir votos (para Humberto). Como ele vai defender a gestão do prefeito (com João Paulo de vice)”, questionou.

Ele reconhece que a chapa do PT se fortalece com João Paulo na vice de Humberto Costa, mas lamenta que o PT esteja agora tão dividido, como nunca antes na história. “Uma coisa que eu me pergunto é porque João Paulo não é candidato a prefeito? O santo é deste tamanho e o andor maior ainda?”, comparou.

“O debate (para onde ir) está sendo feito. Já se decidiu que não iríamos à Justiça, depois que não se iria à convenção do partido. Estamos em processo de reflexão, é uma situação difícil. Não creio que João da Costa vá se licenciar do partido, como se divulgou (reportagem do Jornal do Commercio, da semana retrasada)”, disse Tereza Leitão.

“Na minha opinião, se o PT estivesse unificado (em torno de João da Costa) não teria essa chapa de Eduardo Campos com Jarbas”.

A deputada estadual acredita que a principal questão para João da Costa é a defesa do seu legado. Ela prevê que ele terminará a gestão com boa aprovação.

Se Humberto Costa pode ter dificuldade para obter o apoio do prefeito João da Costa, o mesmo pode acontecer com o candidato do PSB, Geraldo Júlio. Quem explica é a deputada estadual Tereza Leitão.

“Não vai ser uma tarefa fácil para Geraldo Júlio. Quando o PSB diz que foi necessário lançar uma chapa própria porque o PT não se entendia, tudo bem. Agora, quando agrega ao discurso o antipetismo complica. É isto que eles estão dizendo quando defendem que a cidade do recife precisa adotar o modelo de gestão que está sendo tocado pelo governo do Estado, que precisamos de outro ritmo”, observa.
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Lula e Civita: solidariedade no câncer

02.07.2012
Do BLOG DO MIRO, 01.07.12

Por Luis Nassif, em seu blog:

No Sirio, em tratamento, Lula soube que seu arquiinimigo, Roberto Civita, também estava internado, câncer na próstata, só que em situação bem mais grave. Assim que foi informado, decidiu visitá-lo, apesar da resistência de dona Marisa.

Desceram ao apartamento de Roberto Civita acompanhado do oncologista de Lula, Roberto Kalil. Civita se emocionou com a visita e pediu desculpas pelos ataques a Lula e ao filho. Lula lhe disse para não se emocionar muito para não atrapalhar o tratamento.

Kalil viu sinais de ironia no alerta de Lula. Quem o conhece, viu a solidariedade para com o próximo.

A visita foi para a pessoa de Roberto Civita. Mas em nada mudou o julgamento de Lula sobre o publisher Roberto Civita.

Desdobramentos

Algumas deduções e desdobramentos da notícia acima.

Ganha consistência o rumor de que João Roberto Marinho esteve na Casa Civil do governo Dilma, solicitando o empenho do governo para a não convocação de Roberto Civita pela CPI, devido à doença. Da Abril ele seria a única pessoa a poder responder pelos movimentos da Veja nos últimos anos. Nenhum executivo - com exceção de Fábio Barbosa - tem acesso às instâncias mais altas da República.

A notícia do agravamento da doença, além disso, lança nuvens de suspeita sobre o futuro da editora. Os herdeiros não demonstram pique para segurar o timão. Analista do mercado - com quem acabo de conversar agora - julga que se encerra o ciclo Civita na mídia brasileira, sem conseguir chegar até a terceira geração. Não significa o fim da Abril, mas, a médio prazo, dos Civita à frente do grupo.

Roberto recebeu uma editora sólida do pai e teve oportunidades de criar um império. A influência da mídia sobre o governo Sarney permitiu-lhe conquistar uma rede de TV a cabo, a TVA. Depois, com a BOL, foi o primeiro grupo de mídia a tentar explorar as possibilidades da Internet.

Na segunda metade dos anos 90, junto com Otávio Frias de Oliveira, tentou adquirir a Rede Bandeirantes. Na época, fiz uma espécie de meio campo entre ele, Frias e João Saad.

Gradativamente, o grupo foi fracassando em todas as frentes. A BOL acabou fundindo-se com a UOL - da Folha. Mais à frente, Civita foi engolido por Luiz Frias que, na primeira capitalização do grupo, adquiriu a participação da Abril. De um lado, Civita tentava reduzir o endividamento. De outro, julgava que na hora em que quisesse, o conteúdo do grupo permitiria montar uma nova UOL. Perdeu o bonde.

Mais tarde, também para reduzir a dívida, vendeu a TVA para o grupo Telefonica, matando sua última oportunidade de virar um grupo multimidia.

Finalmente, houve um processo de capitalização em que o sul-africano Nasper adquiriu 30% da Abril. Outros 20% ficaram com duas holdings de Delaware, cujo controle nunca foi revelado. Quando vendeu a TVA, provavelmente a Abril recomprou os 20% adicionais.

Alguns anos atrás, a Abril lançou a toalha do lado midiático. Civita passou a investir em educação, montando cursos apostilados e adquirindo editoras de livros didáticos. O poder de intimidação da Veja, as parcerias políticas permitiram avançar em algumas frentes.

Montou estratégias de ataques a concorrentes. Atacou um curso de Ribeirão Preto com informações mentirosas. Depois, apoiou-se em uma ONG recem aberta para ataques macartistas contra concorrentes. A aproximação com jornalistas de outros veículos fez com que, uma semana depois de conceder duas páginas ao livro de um deles, este publicasse em O Globo artigo criminalizando politicamente livro de história de editora concorrente.

Ainda há chão pela frente.

Mas a saga dos Civita, no Brasil, será conhecida por duas fases: a do velho Victor Civita com suas histórias em quadrinhos, suas coleções de livros de economia, filosofia e música, a ousadia em lançar Realidade, Quatro Rodas e Veja. E a era de Roberto Civita, que errou em todas suas estratégias e transformou a menina dos olhos da Abril - a revista Veja - no mais repelente modelo de jornalismo que o país jamais teve em toda sua história.

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