terça-feira, 26 de junho de 2012

PARTIDO DA MÍDIA GOLPISTA: PROCESSO CONTRA ANTONIO PALOCCI É ARQUIVADO - MAIS UM INOCENTE QUE NÃO SERÁ INOCENTADO PELA MÍDIA

26.06.2012
Do BLOG DO SARAIVA



A Justiça arquivou (a pedido do Ministério Público) a investigação sobre uma suposta prática de lavagem de dinheiro pelo ex-ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, Antonio Palocci.

O inquérito foi instaurado pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos do Ministério Público de São Paulo, após uma representação do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB-SP) e de uma chuva de acusações e massacre da imprensa contra Palocci.

O MP-SP afirmou que nas investigações "não foram encontrados elementos indicativos de que Antonio Palocci tenha comprado um apartamento com dinheiro originado de ato ilícito".

A juíza Cynthia Maria Bezerra, acolheu o pedido de arquivamento do inquérito. e determinou o encerramento da investigação.

Palocci é inocente das acusações que lhe foram imputadas, através de uma das mais infames campanhas político-partidária-midiática que se teve notícia. Mas, que importância tem isso agora, se o objetivo de derrubar Palocci, criar uma contagem de boliche com ministros derrubados pela "veja" (eles não se vangloriam disso) foi alcançado.

Se Palocci é inocente, era e sempre foi inocente, não ganhou dinheiro de forma ilícita e comprou um apartamento de forma legal, nada disso agora será NOTÍCIA, não terá nenhum destaque. Uma notinha aqui outra ali.

A MÍDIA e a OPOSIÇÃO UNIDAS, só se importam com os "culpados", ou melhor, com aqueles que ao sabor de suas conveniências e acertos com canalhas da arapongagem, lhe interessa transformar em bandidos e corruptos, ainda que nem todos o sejam.

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ELEIÇÕES SÃO PAULO: O tiroteio na coligação de Serra

26.06.2012
Do BLOG DO MIRO


Por Altamiro Borges

Com chamadas de capa nos jornais e comentários raivosos na televisão, a mídia demotucana tem superdimensionado as dificuldades de campanha de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, principalmente após o episódio da foto de Lula com Maluf. Mas de forma seletiva, como sempre, a mídia evita dar destaque para os graves problemas enfrentados por José Serra. Até parece que reina a paz no ninho tucano e na sinistra coligação montada para apoiá-lo – esta máfia, sim, propiciaria fotos impactantes!


Até agora o bloco da direita não definiu o nome do vice-prefeito e nem a composição da chapa de vereadores. O DEM não aceita os “traidores” do PSD na chapa majoritária. Já o partido de Kassab, que “não é de direita, nem de esquerda, nem de centro”, quer a vice para poder se viabilizar eleitoralmente. Diante do prolongado impasse, alguns tucanos decidiram propor uma chapa “puro-sangue”.

"Clima de frustração no PSDB"

“Se o vice não for tucano, o clima de frustração no PSDB será grande. Já cedemos muito aos aliados, agora é hora de unificar o partido”, justifica o tesoureiro do diretório tucano da capital, Fabio Lepique. Segundo a Folha tucana, “no QG de Serra, a pressão causa desconforto e há quem diga que um gesto ostensivo retardará ainda mais a composição da chapa majoritária”.

O clima é de guerra na coligação e a briga pela vice já causou a primeira fratura. “Sindicalistas do PSD desmobilizaram caravana de 400 militantes que participaria da convenção de Serra. O presidente licenciado da UGT, Ricardo Patah, que também pleiteava a vice, viajou para Portugal dizendo-se escanteado pela organização do evento”, informa a mesma Folha.

Jogo maroto da mídia

Se nas cúpulas partidárias o clima já está quente, pior ainda nas “bases”. Centenas de candidatos a vereador do PSDB, DEM, PSD, PR e PV não sabem qual será o seu futuro. A coligação proporcional ainda não foi aprovada. Os tucanos resistem a compor uma chapa única, alegando que esta “cedência” reduziria ainda mais o minguado número de vereadores do PSDB na capital paulista.

Toda esta confusão é simplesmente ofuscada pela mídia demotucana. Como um autêntico partido político, ela prefere estimular a cizânia e superdimensionar as dificuldades da oposição às forças conservadoras que hegemonizam São Paulo. E ainda tem muita gente que cai neste jogo maroto! 

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PRTB lança cantor e pastor Esteves Jacinto à Prefeitura do Recife


26.06.2012
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Vinícius Sobreira


Militantes do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) se reuniram na tarde desta segunda-feira (25) no auditório do Shopping ETC, na avenida Rosa e Silva, para a Convenção Municipal da legenda.

A reunião foi marcada para a homologação da nova candidatura a Prefeitura da cidade do Recife. Até então, o nome do novo prefeiturável estava guardado e só foi oficializado em meio ao evento. Agora, o cantor e pastor Esteves Jacinto assume a responsabilidade de ser o escolhido pela presidência do PRTB para tentar a eleição na cidade.

Antes das eleição ser disputada por Esteves Jacinto, o nome indicado pelo partido foi o de Jânio Corumba. Mas, após reunião, foi declarado que a massa evangélica do Recife precisava de um porta-voz e que a ajuda de Corumba seria de maior necessidade em uma candidatura a vereador.

Já de posse da missão de concorrer as eleições à PCR, Esteves Jacinto promoteu colocar a família em primeiro lugar e discutir os problemas do Recife nas comunidades e com as pessoas mais necessitadas de uma boa administração.
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MENDONCINHA E RAUL HENRY SOLTAM FAÍSCAS: Mendonça responde a Henry: "Estou em companhia do povo"

26.06.2012
Do BLOG DO MAGNO
Por Magno Martins


O pré-candidato à Prefeitura do Recife pelo Democratas, Mendonça Filho, encaminhou há pouco, uma nota à imprensa em resposta às críticas feitas hoje (26) pelo também pré-candidato no Recife, Raul henry (PMDB). O texto começa com uma frase de Mendonça em que diz estar tranquilo porque não teria explicações a dar e que pesquisas mostram que ele estaria na companhia do povo. Confira na íntegra abaixo.

A nota assinada pelo deputado Raul Henry carece de argumento e parte para o ataque pessoal e a tática maniqueísta. Não merece resposta. Não vou bater boca com Raul Henry, com quem tive 18 anos de convivência na aliança União por Pernambuco, porque a régua com a qual faço política tem posicionamento, argumento, honestidade, correção, lealdade com aliados e adversários e, principalmente, palavra dada e cumprida.

Com relação aos adjetivos “conservador e ultrapassado” dirigidos a minha pessoa, remeto à sociedade pernambucana as seguintes questões: “Quando Raul Henry e o PMDB encontraram em mim e no meu partido os parceiros leais para soerguer Pernambuco e criar as bases para o crescimento econômico e social do Estado com projetos inovadores e estruturadores como Porto Digital, Escolas em Tempo Integral, Refinaria, PE-15, BR 232, Estaleiro, nós também éramos “conservadores e ultrapassados”? Quando Raul Henry foi vice-prefeito de Roberto Magalhães – portanto peça-chave na prefeitura da época – ele foi cogestor de um governo “conservador e ultrapassado”?

Nós estamos muito tranquilos neste processo. Primeiro, porque mantemos o nosso posicionamento e não temos explicações a dar. Segundo, porque a intenção de votos é uma demonstração inconteste de que estamos em boa companhia, que é a do povo do Recife. Terceiro, porque acreditamos que, juntos, os partidos da oposição, além de oferecerem propostas concretas de mudança na gestão municipal, contribuem para a verdadeira democracia política.

Para finalizar, reafirmo os argumentos políticos que usei para avaliar a adesão do PMDB à candidatura do PSB. Para mim é novidade que a ausência de unidade na oposição imponha adesão ao Governo. Qualquer pessoa que analise friamente o desfecho desse processo vai ver que o PSB queria indicar o candidato número ume ainda escolher o “suposto” candidato da oposição. Se essa análise incomodou o deputado Raul Henry, lamento, mas é a minha opinião. Até onde sei, a liberdade de opinião é um dos pilares da nossa democracia.

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PIG EM AÇÃO: Mino Carta responde aos ataques do esgoto. Este blogueiro o homenageia e o publica na íntegra

26.06.2012
Do BLOG DO MELLO, 01.06.12
Postado por  Antônio Mello


Leitores do blog sabem que divergi algumas vezes de Mino Carta. Basta procurar na caixa de pesquisas.

Mas a campanha que o esgoto que é Veja, seus blogueiros, e alguns novos blogueiros à procura de espaço na cloaca lançam contra Mino merecem não apenas meu repúdio, mas a publicação na íntegra de texto que Mino Carta se sentiu impelido a produzir, para que seu silêncio não se parecesse com o do diretor da Veja (flagrado em inúmeras ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e sua quadrilha) Policarpo Junior, covarde e aquiescente.

Portanto, contrariando a diretriz básica deste blog de, em geral, publicar apenas a opinião do blogueiro, que defende que um blog deve ser um site de opinião (do blogueiro) com direito a comentários (mediados por ele), segue a íntegra do texto de Mino - a quem não conheço - publicado em sua CartaCapital (lá, com fotos etc).

O objetivo não é defendê-lo, porque ele está bem crescidinho e sabe fazer isso muito bem, mas mostrar aos possíveis leitores do esgoto que caiam desavisadamente por aqui, e, principalmente, aos leitores do blog, quem é Mino Carta e sua importância no jornalismo brasileiro.
De volta ao passado
“Mino Carta é um chato, se pudesse reescreveria os Evangelhos. Inimigo do regime, Geisel o detestava, mas não tinha rabo preso.” De um depoimento de João Baptista Figueiredo, gravado em 1988 durante um churrasco amigo e divulgado após a morte do último ditador da casta fardada.

É do conhecimento até do mundo mineral que nunca escrevi uma única, escassa linha para louvar os torturadores da ditadura, estivessem eles a serviço da Operação Bandeirantes ou do DOI-Codi. Ou no Rio, na Barão de Mesquita. E nunca suspeitei que a esta altura da minha longa carreira jornalística me colheria a traçar as linhas acima. Meu desempenho é conhecido, meus comportamentos também. Mesmo assim, há quem se abale a inventar histórias a meu respeito. Alguém que, obviamente, fica abaixo do mundo mineral.

Não me faltaram detratores vida adentro, ninguém, contudo, conseguiu provar coisa alguma que me desabonasse. Os atuais superam-se. Um deles se diz jornalista, outro acadêmico. Pannunzio & Magnoli, binômio perfeito para uma dupla do picadeiro, na hipótese mais generosa de uma farsa cinematográfica. Esmeram-se para demonstrar exatamente o que soletro há tempo: a mídia nativa prima tanto por sua mediocridade técnica quanto por sua invejável capacidade de inventar, omitir e mentir.

Afirmam que no meu tempo de diretor de redação de Veja defendi a pena de morte contra “terrorristas”, além de enaltecer o excelente trabalho da Oban. Outro inquisidor se associa, colunista e blogueiro, de sobrenome Azevedo. E me aponta, além do já dito, como um singular profissional que não aceita interferência do patrão. Incrível: arrogo-me mandar mais do que o próprio. Normal que ele me escale para o seu auto de fé. O Brasil é o único país do meu conhecimento onde os profissionais chamam de colega o dono da casa.

Não há nas calúnias que me alvejam o mais pálido resquício de verdade factual. Os textos que me atribuem para baseá-las nascem de uma mistificação. Pinçados ao acaso e fora do contexto, um somente é de minha autoria e nada diz que me incrimine. E pouparei os leitores de disquisições sobre minha repulsa visceral, antes ainda que moral, à prisão sem mandado, à tortura e à pena de morte. Quando o Estadão foi pioneiro na publicação de um artigo assinado Magnoli, limitei-me a escrever um breve texto para o site de CartaCapital, destinado a contar a história de outra peça de humorismo, escrita em 1970 por um certo Lenildo Tabosa Pessoa, redator, vejam só, do Estadão, e intitulada O Senhor Demetrio. Ou seja, eu mesmo, marcado no batismo por nome tão pesado.

Lenildo pretendia publicar seu texto no jornal, os patrões, Julio de Mesquita Neto e Ruy Mesquita, não deixaram. Surgiu em matéria paga o retrato de um hipócrita pretensamente refinado que, como Arlequim da política, servia ao mesmo tempo Máfia e Kremlin. O senhor Demetrio, de codinome Mino. Diga-se que Lenildo encontraria eco três anos depois no programa global de um facínora chamado Amaral Neto, também identificado como Amoral Nato, que repetia Lenildo no vídeo. Como se vê, tom e letra das calúnias estão sujeitos a mudanças ideológicas.

Ao negarem espaço nas páginas da sua responsabilidade à diatribe de Lenildo, os herdeiros do doutor Julinho quiseram respeitar a memória do meu pai, que trabalhou no Estadão por 16 anos, e meu honesto e leal desempenho na criação da Edição de Esporte e do Jornal da Tarde. O Estadão, evidentemente, não é mais o mesmo. Lenildo e Amaral Neto me tinham como perigoso subversivo de esquerda. Em compensação, hoje sou acusado de ter dirigido naquele mesmo 1970 uma Veja entregue “à bajulação, subserviência e propaganda da ditadura”. É espantoso, mas a semanal da Abril em 1970 era submetida à censura exercida na redação por militares. Eu gostaria de saber o que acham os senhores Pannunzio, Magnoli e Azevedo a respeito de quem na mídia brasileira se perfilava illo tempore ao lado da ditadura. Ou seja, quase todos.

Quem, de fato foi censurado? Os alternativos, então chamados nanicos, em peso, do Pasquim a Opinião, que depois se tornaria Movimento, sem exclusão de O São Paulo, o jornal da Cúria paulistana regida por dom Paulo Evaristo Arns. A Veja, primeiro por militares, depois por policiais civis no período Médici. Com Geisel, passou a ser censurada diariamente, de terça a sexta, nas dependências da Polícia Federal em São Paulo, e aos sábados, à época dia de fechamento, na própria residência de censores investidos do direito a um fim de semana aprazível. Enquanto isso, Geisel exigia que os alternativos submetessem seu material às tesouras censórias em Brasília, toda terça-feira.

Sim, o Estadão também foi censurado e com ele o Jornal da Tarde. A punição resultava de uma briga em família. O jornal apoiara o golpe, mas sonhava com a devolução do poder a um civil, desde que se chamasse Carlos Lacerda. Este não deixava por menos nas suas aventuras oníricas. O Estadão acabou sob censura, retirada contudo em janeiro de 1975, no quadro das celebrações do centenário do jornal. Carlos Lacerda foi cassado. Diga-se que ao Estadão permitia-se preencher os espaços vagos deixados pelos cortes com versos de Camões, em geral bem escolhidos, e ao Jornal da Tarde com receitas de bolo, às vezes discutíveis. O resto da mídia não sofreu censura. Não era preciso.

Quando me chamam para fazer palestras em cursos de jornalismo, sempre me surpreendo ao verificar que o enredo que acabo de alinhavar é ignorado pelos alunos e por muitos professores. Acham que a censura foi ampla, geral e irrestrita. Meus críticos botões observam que me surpreendo à toa. Pois não se trata de futuros Pannunzios, Magnolis e Azevedos? No caso deste senhor Reinaldo, vale acentuar uma nossa específica diferença. Não me refiro ao fato de que eu reputo Antonio Gramsci um grande pensador, enquanto ele o define como terrorista. A questão é outra.

Ocorre que, ao trabalhar e ao fazer estágios na Europa, entendi de vez que patrão é patrão e empregado é empregado, e que para dirigir redações o profissional é chamado por causa de sua exclusiva competência. Ao contrário do que se dá no Brasil, por lá não há diretores por direito divino. Por isso, ao deixar o Jornal da Tarde para tomar o comando dos preparativos do lançamento de Veja, me senti em condições de exigir certas garantias.

No Estadão tivera um excelente relacionamento com a família Mesquita, fortalecido pela lembrança que cultivavam de meu pai, iniciador da reforma do jornal que Claudio Abramo aprofundou e completou. Gozei na casa então ainda do doutor Julinho, filho do fundador, de grande autonomia, aquela que facilitou a criação de um diário de estilo muito próprio, arrojado na diagramação, em busca de qualidade literária no texto. Estava claro, porém, que a linha política seria a da família. Com os Mesquita me dei muito bem, foram de longe meus melhores patrões, talvez os remanescentes não percebam que por eles tenho afeto, embora, saído do Estadão, não me preocupasse em mostrar que minhas ideias não coincidiam com as deles.

Convidado finalmente pelos Civita para a empreitada de Veja, solicitei uma liberdade de ação diversa daquela de que gozara no Jornal da Tarde. Só aceitaria o convite se os donos da Abril, uma vez definida a fórmula da publicação, se portassem como leitores a cada edição, passível de discussão está claro, mas a posteriori, quer dizer, quando já nas bancas.

Pedido aceito. A primeira Veja, espécie de newsmagazine à brasileira, foi um fracasso. Além disso, já irritou os fardados por trazer na capa a foice e o martelo. A temperatura subiu com a segunda capa, a favor da Igreja politicamente engajada. A quinta, com a cobertura do congresso da UNE em Ibiúna, foi apreendida nas bancas. E também o foi aquela que celebrou a decretação do AI-5 no dia 13 de dezembro de 1968. Tempos difíceis. Mas a edição de mais nítido desafio aos algozes da ditadura é de mais ou menos um ano depois. A chamada de capa era simples e direta: “Torturas”, em letras de forma.

A história desta reportagem começou cerca de três meses antes, com uma investigação capilar conduzida por uma equipe de oito repórteres encabeçada por Raymundo Rodrigues Pereira. Foram levantados 150 casos, três deles nos detalhes mínimos. Emílio Garrastazu Médici acabava de ser escolhido para substituir a Junta Militar e pela pena do então coronel Octavio Costa acenava em discurso, pretensamente poético ao declinar a origem do novo ditador por dizê-lo vindo do Minuano, à necessidade do abrandamento da repressão. Raymundo e eu recorremos a um estratagema, e saímos com uma edição anódina para celebrar o vento gaúcho. Falávamos da posse, da composição do ministério, do discurso. Chamada de capa: “O Presidente Não Admite Torturas”.

Ofereço este número de Veja à aguda análise de Pannunzios, Magnolis, Azevedos e quejandos. (Nada a ver com queijo.) Bajulação e subserviência estão ali expostas da forma mais redonda. Naquele momento, a mídia foi atrás de Veja, e por três dias falou-se mais ou menos abertamente de tortura. Logo veio a proibição, que Veja ignorou. Na noite de sexta-feira a reportagem da equipe de Raymundo descia à gráfica para arrolar 150 irrefutáveis casos de tortura, dos quais três em detalhes. Ao mesmo tempo, eu mandava cortar os telefones da Abril para impedir ligações de quem pretendesse interferir, autoridades, patrões e intermediários. A edição foi apreendida nas bancas, e logo desembarcou na redação a censura dos militares.

Quando ouvi falar em distensão pela primeira vez, meados de 1972, pela boca do general Golbery, à época presidente da Dow Chemical no Brasil, pareceu-me possível alguma mudança na sucessão de Médici. De fato, Golbery, que vinha de conhecer, articulava na sombra a candidatura de Ernesto Geisel, títere sob medida para as suas artes de titereiro. Meados de 1973, assenta-se a candidatura obrigatória de Geisel. Alguns meses após, ministério em gestação, Golbery, futuro chefe da Casa Civil à revelia de Médici, me sugere uma conversa com o recém-convocado para a pasta da Justiça, Armando Falcão. Assunto: fim da censura em clima de distensão.

Conversei duas vezes com Falcão enquanto Roberto Civita entre janeiro e fevereiro de 1974 apontava em Hugh Hefner um notável filósofo da modernidade. Mal assumiu a pasta, dia 19 de março de 1974, Falcão chamou-me a Brasília para comunicar que a censura se ia naquele instante. Sublinhei: “Sem compromisso algum de nossa parte”. “Claro, claro”, proclamou, e me deu de presente seu livro de recente publicação, intitulado A Revolução Permanente. Mais tarde Golbery comentaria: “Falcão é o nosso Trotski”.

Três semanas após, a censura voltou, mais feroz do que antes. Duas reportagens causaram a costumeira irritação, fatal foi uma charge de Millôr Fernandes. Em revide, decretava-se que a censura seria executada em Brasília às terças-feiras. Fui visitar Golbery no dia seguinte, eu estava de veneta rebelde, levei meus dois filhos meninotes, e andei pela capital federal de limusine. No meu livro de próxima publicação, O Brasil, a sair pela Editora Record como O Castelo de Âmbar, descrevo assim a visita ao chefe da Casa Civil.

“A secretária do ministro, dona Lurdinha, senhora de modos caseiros, redonda rola sobre o carpete sem perder o sorriso, chega-se ao meu ouvido, murmura: “Veio também o senhor Roberto Civita, quer ser recebido mas não tem hora marcada”. Não deixo que o tempo se estique inutilmente, tomo a visão panorâmica da antessala e vejo Arci, entalado em uma poltrona com expressão perdida na paisagem da savana descortinada além das vidraças. “Que faz aqui?” E ouço meu próprio latido.
“Vici me contou que você viria, e eu gostaria…”
“Você não pediu audiência, não tem hora”, proclamo.

Ele insiste, à beira da imploração. O meu tom chama a atenção de Manuela e Gianni, encaram a cena sem entender o assunto, percebem porém que o pai está muito irritado, enquanto o outro tem jeito de pedinte. Lurdinha traz uma laranjada para as crianças e avisa que o general está à espera. Admito: “Você entra comigo, mas se compromete a não abrir a boca”. Ele promete.

Na conversa que se segue no gabinete da Casa Civil, o meu argumento é óbvio, Veja é uma revista semanal que encerra o trabalho na noite de sábado e vai às bancas às segundas-feiras, obrigá-la a submeter textos e fotos aos censores na terça significa inviabilizá-la. Pergunto a Golbery: “Os senhores pretendem que Veja simplesmente acabe?” Não, nada disso. “Então é preciso pôr em prática outro sistema.”

O chefe da Casa Civil entende e concorda. Diz: “Vá até o Ministério da Justiça, fale com Falcão, a Lurdinha já vai avisá-lo, diga a ele que vamos procurar uma saída até amanhã no máximo, a próxima edição tem de sair regularmente”.
Golbery fica de pé, hora da despedida. O general não conhecia o patrãozinho que até aquele momento cumpriu a promessa feita na antessala. E de supetão abre a boca: “General, se o senhor acha que devemos tomar alguma providência em relação ao Millôr Fernandes…”
Golbery fulminou-o: “Senhor Civita, não pedi a cabeça de ninguém”.

Vici e Arci, ou seja, Victor Civita e Roberto Civita, assim se chamavam no castelo envidraçado à beira do Tietê, esgoto paulistano ao ar livre. Esse entrecho já o desenrolei em O Castelo de Âmbar sem merecer desmentido e o próprio Millôr o colocou no ar do seu blog logo após a publicação no final de 2000. Ao sair do gabinete de Golbery, eu disse a Roberto Civita “você é mesmo cretino”, como depois o definiria na conversa de despedida com o pai Victor, mas poderia dizer coisa muito pior. Quanto à minha saída da direção de Veja e de conselheiro board abriliano, descrevi o evento em editorial de poucas semanas atrás. Faço questão de salientar, apenas e ainda, que não fui demitido, e sim me demiti para não receber um único centavo das mãos de um Civita, nem que fosse a comissão pelo empréstimo de 50 milhões de dólares recebidos pela Abril da Caixa Econômica Federal, juntamente com o fim da censura, em troca da minha cabeça. A revista prontamente caiu nos braços do regime.

A partir daí, tive de inventar meus empregos para viver. Ou por outra, para viver com um salário infinitamente menor (insisto, infinitamente) do que aquele dos importantes da imprensa, e nem se fale daqueles da televisão. Ganham mais que os europeus e de muitos americanos. Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias de Pannunzios, Magnolis e Azevedos, e de vários que os precederam. Muito representativos de uma mídia que manipula, inventa, omite e mente. Observem os fatos e as mentiras da atualidade imediata, o caso criado pelo protagonismo de Gilmar Mendes e pela ferocidade delirante dos chapa-branca da casa-grande. Além do mais, há em tudo isso um traço profundo de infantilidade, um rasgo abissal, a provar o estágio primitivo da sociedade do privilégio, certa de que a senzala aplaude Dilma e Lula e mesmo assim se conforma, resignada, dentro dos seus habituais limites.

Os caluniadores são, antes de mais nada, covardes. Sentem as costas protegidas pela falta generalizada de memória, ou pela pronta inclinação ao esquecimento. Pela impunidade tradicional garantida por uma Justiça que não pune o rico e poderoso. Pelo respaldo do patrão comprometido com a manutenção do atraso em um país onde somente 36% da população conta com saneamento básico, e 50 mil pessoas morrem assassinadas ano após outro. Confiam no naufrágio da verdade factual, pela enésima vez, e que tudo acabe em pizza, como outrora se dizia, a começar pela CPI do Cachoeira e pela pantomima encenada por Gilmar Mendes. E que o tempo, vertiginoso e fulminante como sempre, se feche sobre os fatos, sobre mais uma grande vergonha, como o mar sobre um barco furado.

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Eduardo Campos inaugura voo Recife-Panamá da Copa Airlines

26.06.2012
Do blog de TAÍS PARANHOS, 25.06.12



O Boeing 737-700 da Copa Airlines deixou o Aeroporto Internacional dos Guararapes à 01h57 da manhã deste domingo (24) levando a bordo o governador Eduardo Campos e a primeira-dama Renata, além de dezenas de outros passageiros e convidados.

Antes de decolar do Recife, a aeronave foi "batizada" por dois caminhões dos Bombeiros que jogaram imensos jatos d'água sobre ela. O voo CM-0166 desembarcou na Cidade do Panamá antes das sete da manhã no horário local e foi recebido pelo embaixador do Brasil no país, Adalnio Senna Ganem. Dos 124 lugares disponíveis, 112 foram ocupados.

Com o início da operação do vôo Recife-Panamá, Pernambuco passa a ficar conectado a 62 destinos em 29 países em todo o continente americano, além do Caribe. A rota disponibiliza quatro frequências semanais e marca também a estreia da companhia panamenha no Nordeste brasileiro. No entanto, a companhia já estuda a possibilidade de oferecer voos diários.

"Nossa expectativa é a melhor possível. Em Porto Alegre e Brasília, onde iniciamos recentemente, conseguimos oferecer frequencia diária em até um ano após o início da operação. Recife vai no mesmo ritmo", afirmou Alessandra Tortora, gerente de vendas da Copa no Nordeste. "Nossa maior procura por reservas no Recife tem sido de pessoas que estão indo ou voltando dos Estados Unidos", completou.

"Por sua localização geográfica estratégica, o Panamá é um grande concentrador de voos para todo o continente americano. Além disso, a exemplo do que acontece em Pernambuco, o país possui uma economia aquecida e que conta com a presença cada vez maior de grandes empresas brasileiras. Todos esses fatores vão se somar e garantir a viabilidade econômica do voo", apostou Eduardo.

Até a próxima sexta-feira, uma missão institucional vai estreitar ainda mais as relações comerciais, culturais e econômicas entre Pernambuco e o país da América Central. Representantes do Governo do Estado, Sebrae e do Consulado do Panamá no Recife vão manter contatos com vários ministérios, organizações comerciais e empresários panamenhos. No próximo mês, operadores de turismo latinos virão a Pernambuco para turbinar o destino turístico.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL – O governador Eduardo Campos deixa o Panamá ainda hoje com destino aos Estados Unidos. Amanhã, em Nova Iorque, ele recebe o Prêmio das Nações Unidas de Serviço Público (UNPSA) em duas categorias com os programas Todos por Pernambuco e Chapéu de Palha Mulher. O evento da ONU vai até a próxima quarta-feira com a realização de palestras e debates. O governador chega ao Recife na manhã da quarta-feira.

Secretaria de Imprensa de Pernambuco

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Mendonça Filho se diz surpreso e ataca aliança

26.06.2012
Do jornal FLHA DE PERNAMBUCO,
Por Monaliza Brito
Da Folha de Pernambuco



“Para mim foi uma surpresa grande”. Foi o que declarou o prefeiturável do DEM, deputado federal Mendonça Filho, ao saber que o PMDB tinha anunciado apoio ao concorrente do PSB, Geraldo Júlio. “É claro que essa negociação não começou ontem, nem na semana passada. O PMDB certamente já a tinha em curso”, disparou o parlamentar, destacando que só resta aos oposicionistas seguirem tentando estabelecer a união para assumir seu papel no pleito. “O PSB não pode ser uma candidatura de oposição. Estão querendo construir um processo venezuelano, em que o governo faz governo e oposição ao mesmo tempo”, acusou o presidente estadual do DEM.

Para Mendonça, o fato de fazer parte da gestão petista do Recife, tendo inclusive o vice-prefeito em seus quadros – Milton Coelho -, descredencia o PSB para o papel de partido capaz de fazer a mudança. “Quem tem legitimidade de falar de mudança é a oposição e não o Governo”, afirmou. “O PSB é co-responsável pela gestão da cidade do Recife. Se eles têm toda essa tecnologia de gestão inovadora, por que perderam oito anos com João Paulo (PT) e mais quatro com João da Costa (PT), antes de decidir começar a usá-la em favor da cidade?”, questionou o oposicionista.

ApFesar do discurso de união, o grupo parece cada vez mais longe de um acordo. Até o momento não há outra reunião marcada para discutir o assunto. “Não temos nada marcado por enquanto. Vamos aguardar os desdobramentos”, disse Mendonça, garantindo está comprometido com a manutenção do diálogo.

Mendonça Filho tem sido apontado nos bastidores como o principal empecilho para a união do bloco oposicionista. O deputado tem sido o oposicionista mais bem colocado nas pesquisas e isso teria feito com que se tornasse mais intransigente com a possibilidade de apoiar outro nome. Uma fonte da cúpula do grupo assegura que este fato pode ter sido um dos catalisadores que levou o deputado Raul Henry (PMDB) a retirar a candidatura para apoiar Geraldo Júlio.
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A impagável, improvável e ridícula direita brasileira.

26.06.2012
Do BLOG DO VELHO MUNDO, 04.06.12
Por Flavio Aguiar*

Desculpem as leitoras e os leitores pela demora.
Passei uma semana em S. Paulo, de surpresa, para participar de uma homenagem ao prof.Antonio Candido (texto no Blog da Boitempo).
Todas e todos sabem o quanto detesto gente que detesta o Brasil. Sobretudo brasileiros, esses que acham que falar mal do Brasil aqui fora pega bem e dá "lustro" de primeiro mundo a quem fala.
Não que nosso país esteja maravilhoso, só porque está melhorando - e muito. Outra coisa que detesto é o "Por que me ufano do meu país" - título de um livro que era obrigatório ler quando eu era jovem, do Conde de Afonso Celso.
Agora, temm uma coisa no Brasil que realmente dá vergonha a um brasileiro. Ou deveria dar.
É a sua direita.
Tomei contato com duas "atitudes" da direita brasileira que são impensáveis aqui na Alemanha onde vivo, e em outros países - nao só na Europa - também.
Elas só são cabíveis em nosso território onde viceja uma direita retrógrada, ao mesmo tempo submissa e arrogante, e que se julga cosmopolita mas é de um provincianismo sem par.
A primeira foi a atitude do ministro do STF Gilmar Mendes ao propor questionamentos sobre quem as empresas estatais deveriam conceder propaganda. E ainda usando como critério o exercício ou nào da crítica! Desculpem, mas isso é impensável por aqui. Um ministro do Supremo alemão que fizesse isso teria de renunciar no dia seguinte. Pressionado, inclusive, pela direita. Pela mídia. Por todo mundo de bom senso. Não há desespero que justifique tal quebra de decoro.
O mesmo ministro, é verdade, declarou tempos atrás que "o povo não é soberano nas democracias constitucionais". O assunto em pauta era o "ficha limpa". Caramba! Não sei que mestres ele anda lendo, mas certamente não leu o parágrafo único do artigo 1 de nossa Constituição Federal: "Todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".
A segunda atitude foi do candidato José Serra à prefeitura de S. Paulo, declarando que não aumentaria o número de linhas de ônibus porque isso só causaria mais engarrafamentos. Não pude deixar de pensar que em qualquer capital aqui da Europa alguém que dissesse isso teria sua carreira imediatamente encerrada. Não se elegeria nem síndico de prédio. Mas já na nossa paulicéia de mídia desvairada, tudo continua como dantes do quartel do PSDB. Ninguém na mídia convencional tugiu nem mugiu.
Não pude deixar de considerar: sim, como faz falta no nosso país uma direita civilizada, moderna, atualizada, cidadã do mundo.
Faria muito bem para a nossa esquerda. E para o país.
Flavio Aguiar Flávio Aguiar é colaborador em Berlim. Toda semana traz suas análises nada convencionais sobre o que acontece na Europa e no mundo. 




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Conselho aprova relatório de Humberto Costa pedindo a cassação de Demóstenes Torres

26.06.2012
Do blog de JOÃO ALBERTO

Demostenes Torres/Reprodução
Por 15×0, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado aprovou o relatório de Humberto Costa pedindo a cassação do senador Demóstenes Torres, suspeito de usar o mandato para beneficiar o grupo de Carlinhos Cachoeira. Em cerca de três horas de leitura das 69 páginas de seu voto, Humberto Costa considerou que a vida política de Demóstenes estava focada em atender aos interesses de Cachoeira e chegou a classificar o colega de “despachante de luxo” do contraventor. “Tudo posto, é de se concluir que a vida política do Senador Demóstenes Torres, desde 1999, gravita em tornos dos interesses de Carlinhos Cachoeira no ramo de jogos de azar”
No Conselho, o voto foi aberto. Já no plenário, será secreto, aumentando as chances do senador Demóstenes escapar da cassação. No que seria mais uma vergonha para o Senado.

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GOLPISTAS DO PARAGUAI: Um golpe parlamentar orquestrado

26.06.2012
Do BLOG DO MIRO


Por Dr. Rosinha, no blogViomundo:

Uns dizem que a terra é pública, do Estado. Um fazendeiro diz que a terra é dele, mas não apresenta prova convincente. Esta mesma área é ocupada por alguns trabalhadores rurais, menos de uma centena de famílias.

Um juiz dá uma ordem de despejo. Acusa-se o fazendeiro de ter infiltrado, entre os trabalhadores, homens fortemente armados. Policiais, também armados, chegam para cumprir a ordem de despejo dada pelo juiz, ligado ao partido de oposição ao governo e sobre quem há suspeita de que tenha sido corrompido.


Durante a execução da ordem, ocorre um conflito. Nele, morrem 17 pessoas, sete ou oito policiais e nove ou dez campesinos. Pelo menos outras 50 pessoas saem feridas. Os números não são precisos, dependem da fonte. Este é um breve relato do sangrento conflito agrário ocorrido no último dia 15 em Canindeyú, região Noroeste do Paraguai, fronteira com o Brasil.

Dirigente do Movimento dos Campesinos, José Rodríguez afirma o seguinte: “As famílias estabelecidas na fazenda só resistiram ao despejo e não foram as culpadas dos disparos contra a polícia”. Chega a afirmar também que “pudo haber sido un autoatentado de la policía” [“Desalojo, sangre y fuego en Paraguay”, Página 12, 16/06/2012], para justificar as mortes dos sem-terra. Se isto for verdade, mostra do que são capazes a polícia corrupta e os que se dizem donos de grandes extensões de terra no Paraguai, inclusive alguns brasileiros.

Quem afirma que a terra lhe pertence é o empresário e fazendeiro Blas Riquelme, ex-senador do Partido Colorado, de oposição ao governo Lugo. Riquelme afirma que comprou a terra do Estado durante a ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989). Militantes pela reforma agrária afirmam que a terra é pública, e que o ex-senador foi favorecido pelo ditador que lhe concedeu a área.

A partir destes fatos, a oposição, entre os quais o Partido Colorado (partido do fazendeiro e do juiz) e a Unión Nacional de Ciudadanos Éticos (ironia no próprio nome), partido dos oviedistas (seguidores de Lino Oviedo), com apoio do Partido Liberal Radical Autêntico, a que pertence o vice-presidente, passam a responsabilizar o presidente Fernando Lugo pelas mortes.

Quarta feira, 20 de junho: Lugo anuncia a criação de uma comissão especial para investigar a razão da violência e as causas das mortes. Antes, porém, no dia 16, o presidente já havia aceitado, como exigia a oposição, a renúncia do seu ministro do Interior, Carlos Filizzola, e de seu chefe de Polícia. Não foi suficiente, pois a oposição quer o golpe. Um golpe com cara de legalidade, semelhante àquele que ocorreu em Honduras, há exatos três anos, em junho de 2009.

A comissão especial não começou a trabalhar. Mas seu trabalho não interessava a oposição, pois esta trabalha com versões e não com fatos. E as versões continuam: alguns afirmam que os campesinos emboscaram os policiais. Outros culpam a polícia. O que menos importa para a oposição é apurar como tudo ocorreu. Apurar a verdade.

A ela importa a versão do fato e, a partir daí, punir o ‘culpado’ (Fernando Lugo). Culpado não pelo trágico fato, mas o culpado identificado pela versão que a oposição criou.

O conflito ocorreu no dia 15, e já no dia seguinte começou a ser veiculado publicamente que a oposição tentaria um impeachment, batizado pela própria oposição de “juicio político” de Lugo. A oposição utilizou o conflito com o objetivo de criar a condição para o “juicio político” do presidente.

Sobre este “juicio”, o ministro do Interior (agora ex), Carlos Filizzola, afirmou que “no existen ni pies ni cabezas, ni argumento alguno” [“Desalojo, sangre y fuego en Paraguay”, Página 12, 16/06/2012] para solicitar o “juicio” político de Lugo como pediu o presidente da Unión de Gremios de la Producción (a UDR do Paraguai, onde se aglutinam os “ruralistas”, brasileiros ou não, daquele país), Héctor Cristaldo. Já no dia seguinte ao conflito, foi pedido o impeachment.

A questão da terra no Paraguai é um dos mais complexos problemas. Os grandes proprietários são acusados, com algumas exceções, de apoderarem-se da terra através de métodos ilegais, como, por exemplo, favorecimento do ditador Stroessner. O ditador expropriava a terra de seus adversários e dava a seus correligionários do Partido Colorado. E nesta questionada situação está a terra de Blas Riquelme.

O empresário, fazendeiro e ex-senador do Partido Colorado é conhecido pela riqueza e por várias frases célebres, tais como: “o sujeito lavou as mãos como Pitágoras”, ou “a la oposición nada le gusta, nada le conforma, son como el perro de Don Ortellado, no comen ni dejan comer” [‘Político, empresário e dirigente’, Pagina12, 16/6/2012). Porém, agora, a oposição, da qual faz parte Riquelme, soltou todos seus ferozes cães contra Lugo e, mais uma vez, contra o povo paraguaio.

Riquelme também foi denunciado por suposta fraude eleitoral nas eleições internas do Partido Colorado, realizadas em 27 de dezembro de 1992 (repare a data: 27 de dezembro, entre natal e ano novo). Também foi presidente do Cerro Porteño entre 1972 e 1974 e é hoje um dos homens mais ricos do Paraguai.

No final da tarde do dia 21 (quinta-feira), depois de o impeachment ter sido já aprovado (73 votos a favor e um contra) pelos deputados, sem sequer direito de defesa, fiquei ouvindo uma rádio (não me recordo o nome), via internet, de Assunção.

Ouvi de alguns parlamentares paraguaios algumas pérolas, se não da qualidade das de Blas Riquelme, muito próximas. Como a audição não estava perfeita, não consegui anotar os nomes, mas parte do que afirmavam.

Um parlamentar justificava que não era um golpe de Estado, que não é a ruptura de um processo democrático, pois há “um vice democraticamente eleito”. Outro, na eminência da cassação, dizia que Lugo não quer “renunciar porque não quer soltar a mamadeira”.

Um terceiro argumentava que a renúncia seria importante para “descomprimir a situação”. Já um quarto, abusando da condição de o presidente ser um ex-bispo, pedia a Deus para que iluminasse a “Lugo pela primeira vez”.

Estes parlamentares não apresentaram, enquanto ouvi, nenhum argumento sério que justificasse o impeachment de Lugo. Era quase que o pedido de “pelo amor de Deus”, renuncie. Tive a impressão de que eles queriam lavar as mãos (Riquelme deve responder se como Pilatos ou como Pitágoras) para não cometer uma injustiça, mais um ato contra a democracia, contra o Estado de Direito.

Quando o pedido de “juicio” político chegou ao Senado, as cartas já estavam dadas e marcadas, tanto que o senador e presidente do Congresso Nacional paraguaio, Jorge Oviedo Matto, eleito pelo Unase, partido fundado pelo General golpista Lino Oviedo, acusou o presidente Lugo de ser cúmplice das mortes no conflito de Camendiyú:

“Acá no hay que hablar de jefe de policía ni de ministro, acá el presidente Lugo es el responsable de la seguridad interna, las fuerzas del orden están a su cargo. Esto no puede seguir así”, enfatizó. Ante la posibilidad de que los autores del asesinato de los policías fueran miembros del grupo denominado Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP), indicó que el mismo hace tiempo debía haber sido eliminado por las fuerzas de seguridad, de existir voluntad para ello (“El congreso amenaza a Lugo”, Página 12, 16/06/2012).

Sabem os paraguaios que o EPP é mais ficção e versão que fato.

As declarações do senador Oviedo, horas depois do conflito, mostra a predisposição da oposição: não apurar os fatos, mas trabalhar com uma versão.

Em declaração a Dario Pignotto (“Paraguai: fazendeiros estariam por trás da morte de camponeses”, Agência Carta Maior, 17/6/2012), Damasio Quiroga, secretário geral do Movimento Campesino Paraguaio, declarou:

“O que aconteceu foi uma matança contra nossos companheiros, muitas mentiras estão sendo ditas para prejudicar o que a gente disse dos camponeses que estão lutando por terra para trabalhar, que estão lutando pelo direito à reforma agrária. Confirmo que, até esse momento, são 12 os companheiros que foram assassinados [...] Também ficamos sabendo que alguns foram executados depois de terem sido presos”.

Versões continuaram desde o conflito até o dia do impeachment. A oposição canta vitória, no entanto, não se sabe como exatamente ocorreram os fatos. Não se conhece a verdade. Foi conflito ou enfrentamento? Quantas pessoas participaram? Quantas eram? Quantos foram os feridos? Havia capangas infiltrados? Houve execução? Houve autoatentado? Nada disso interessa para a oposição. A ela não importa o fato, mas sim a versão. Usando a versão, cassaram um presidente. Deram um golpe (branco) de Estado.

Fernando Lugo foi eleito presidente do Paraguai em 2008 quebrando uma hegemonia de 35 anos do Partido Colorado. Tomou posse em 15 de agosto de 2008 para um mandato de cinco anos, até agosto de 2013. Foi o primeiro governo, desde o fim da ditadura, sem vínculos com o ditador Stroessner.

Nunca foi tolerado pelo Partido Colorado, pelo Unase e tampouco pelo PLRA (Partido Liberal Radical Autentico), este último, seu “aliado”.

Todos no Paraguai sabem que a polícia, o exército e todo o aparato estatal do Paraguai sempre foi instrumento dos ricos empresários, fazendeiros e da elite política.

Lugo não teve apoio do Congresso paraguaio para desbaratar este aparato estatal. Consequência: mais uma vez, não apenas Lugo, mas o povo paraguaio é vítima deste Estado.

* Dr. Rosinha, deputado-federal (PT-PR), é o vice-presidente brasileiro do Parlamento do Mercosul.

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PS do Viomundo: Acrescento ao pertinente artigo do Dr. Rosinha que, na Venezuela, também foi assim, em 2002. A versão de que Hugo Chávez havia mandado atirar em manifestantes desarmados, propagada pela mídia, foi determinante para ‘legitimar’ o golpe perante a opinião pública mundial. Quem quiser refrescar a memória, veja aqui no documentário A Revolução Não Será Televisionada e aqui no documentário Puente Llaguno. Os documentários desmontam as mentiras dos golpistas e da mídia que os assessorou.

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GOLPE DE ESTADO NO PARAGUAI: Canese: Lugo teve menos tempo para se defender que motorista multado no Paraguai

26.06.2012
Do blog VI O MUNDO

 Paraguai: Franco, o novo Stroessner 


Alfredo Stroessner foi recebido em 4 de maio de 1954 — e até alguns meses depois — com júbilo por pessoas com trajetória democrática de toda uma vida. Mesmo Augusto Roa Bastos, nosso principal escritor nacional, barbaramente perseguido pela ditadura stroessnista, dedicou a ele um poema que aplaudia o novo governo — ditadura — em seu início. Indubitavelmente, Roa Bastos se enganou, já que seu apoio à incipiente ditadura foi um peso moral que carregou por toda a vida e era algo de que não queria falar, pela profunda vergonha que causava. Outros que hoje se fingem de democratas apoiaram publicamente o ditador Alfredo Stroessner por anos e mesmo décadas e, quando era evidente que a ditadura acabava, se tornaram furibundos “democratas”.

A atual maioria parlamentar, produto dos votos em lista, perpetrou na sexta-feira um autêntico golpe de Estado parlamentar. A época das quarteladas já saiu de moda, definitivamente. Há países com democracia consolidada onde nunca se produzirá um golpe de Estado, inclusive na maioria dos países de nossa anteriormente instável América Latina.

Mas, no Paraguai, como constatamos lamentavelmente, podem se dar golpes muito parecidos com o aplicado por Hitler na culta Alemanha, faz uns 80 anos, também um golpe parlamentar. 

Contra o governo de Fernando Lugo não foi apresentada prova alguma, como confessam desavergonhadamente os deputados que apresentaram e aprovaram um arremedo de acusação num prazo de apenas duas horas. O Senado deu menos de um dia a nada menos que o Presidente da República para exercer seu direito de defesa, enquanto em julgamentos sumários, como o das multas de trânsito, todo cidadão tem cinco dias para apresentar sua defesa. Também ao ex-presidente Cubas foram dados cinco dias para defender-se.

É provável que os insignes parlamentares, aprendizes de ditadores, consideram que uma multa de trânsito mereça mais garantias constitucionais que quem tinha exercido a Presidência da República durante quatro anos com alta aceitação popular. Foram violadas todas as normas de processo legal e de legítima defesa, porque os golpistas sabiam que a única oportunidade de chegar ao poder era fazer um julgamento político meteoricamente, mesmo violando a Constituição. De outra forma, a reação democrática de nosso povo e do mundo não teriam permitido.

Stroessner qualificava seu regime como “uma democracia sem comunismo”. Do primeiro não tinha nada e o segundo — a eliminação do comunismo — era apenas uma desculpa para eliminar, inclusive fisicamente, a todo democrata e não apenas aos valentes membros do Partido Comunista, que foram aqueles que com mais convicção e empenho se opuseram à ditadura stroessnista. O então Partido Liberal teve traidores da democracia que, desde o início, se prestaram ao jogo do ditador. Os liberais mais dignos — como Domingo Laíno — lutaram desde o início com todos os meios a seu alcance contra a ditadura, o que custou centenas de vidas, torturas, prisão e exílio não apenas a membros deste partido libertário tradicional do Paraguai, como a militantes de todos os demais partidos políticos e de organizações sociais do país, como as Ligas Agrárias.

Hoje, o ditador Federico Franco — e o bando que o apoia desde a cúpula de seu partido — trai os princípios libertários do partido e os mancha para sempre com a ditadura, uma desonra que causou profunda impressão no Partido Colorado. A horas de perpetrar-se o golpe, já existiam ameaças de morte contra pessoas íntegras que se opõem à ditadura. Não sabemos até quando teremos segurança para nossas famílias e para nós mesmos. Ainda assim, como fizemos durante a ditadura de Alfredo Stroessner, reiteramos nosso chamado a nos manifestarmos pacificamente em toda a República para exigir que o único Presidente constitucional da República do Paraguai, Fernando Lugo, assuma novamente suas funções e que se restitua o estado de direito, violado lamentavelmente pelo ditador Franco e sua quadrilha.

PS do Viomundo: Fernando Lugo lançou uma site na rede para resistir ao golpe, que fica aqui.

 Leia também:


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Demóstenes propôs renúncia em troca de absolvição no plenário do Senado

26.06.2012
Do portal MSN/ESTADÃO
Por JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) tentou uma última aposta para assegurar seus direitos políticos.


O senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) tentou uma última aposta para assegurar seus direitos políticos e, assim, ter a chance de se candidatar em eleições futuras. Pessoalmente ou por intermédio de emissários, ele procurou nas últimas semanas algumas figuras-chave do Senado, como o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP); o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e o ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG), para oferecer a própria cabeça em troca da absolvição.

Sem a presença de Demóstenes, o Conselho de Ética iniciou na noite de ontem a sessão de votação do relatório de Humberto Costa (PT-PE), que pediria a cassação do mandato do colega senador.

Nos bastidores da Casa, a fórmula apresentada por Demóstenes aos interlocutores foi esta: ele tiraria licença do cargo por 120 dias - o que pode ser feito sem que o suplente venha a assumir o posto - e depois renunciaria ao mandato, desde que os senadores que têm lideranças sobre os colegas não trabalhassem pela cassação. Enquanto isso, Demóstenes os procuraria, um a um, para dizer que não tem mais condição de permanecer no Senado. E pediria a absolvição no plenário, onde a votação é secreta. Se absolvido, garantiria seus direitos políticos e depois renunciaria.

Nos recados, Demóstenes fez chegar aos senadores uma sensação de arrependimento, de que fora enganado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, durante os últimos anos. Com isso, achava que poderia convencer seus ainda pares de que mereceria o perdão, com a garantia da renúncia ao mandato - a perda dos direitos políticos só ocorre quando há a cassação ou o acusado renuncia quando o processo já está aberto. Demóstenes contava com a decisão do Conselho de Ética pela cassação, que decidiria esse capítulo na noite de ontem, mas lutaria pela absolvição em plenário. Desse modo, garantiria os direitos políticos.

Resistências. A negociação deu errado porque houve resistências por parte dos que foram procurados. Aécio Neves teria respondido com um sonoro não a Demóstenes, sob o argumento de que se sentiu traído pelo colega goiano. Em maio do ano passado, Demóstenes pediu a Aécio que indicasse Mônica Beatriz Silva Vieira, prima do contraventor, para o cargo de diretora regional da Secretaria de Assistência Social em Uberaba. Aécio atendeu ao pedido e Mônica foi nomeada.

Conforme as informações de senadores, Demóstenes chegou a ir a São Paulo atrás de Sarney, quando o presidente do Senado estava internado no Hospital Sírio-Libanês. Mas Sarney não o recebeu. Demóstenes teria feito a viagem de Brasília a São Paulo de carro, por ter receio de passar pelo constrangimento de tomar um avião e ser reconhecido pelos passageiros.

Depressão. Durante o período em que planejou oferecer o pescoço em troca dos direitos políticos, Demóstenes passou por períodos de depressão, segundo alguns senadores que estiveram com ele. Tomou muitos remédios, teve dificuldades para dormir e costumava entoar versos da canção Tudo passará, do cantor Nelson Ned.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Prado, o Kakay, defensor de Demóstenes, disse que as informações que circulam no Senado, de que seu cliente ofereceu a renúncia em troca dos direitos políticos, não correspondem à verdade. "Isso nunca ocorreu. Seria contraditório, porque a luta do senador é para assegurar a manutenção de seu mandato no julgamento pelo plenário do Senado", disse o advogado.

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