domingo, 24 de junho de 2012

Saiba por que países do Sul e do Norte divergem sobre Paraguai

24.06.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
Nesse imbróglio da deposição-relâmpago do bispo Fernando Armindo Lugo de Méndez da presidência do Paraguai, o que importa menos, agora, é o desempenho que vinha tendo.  Acusado por todos os partidos com representação congressual, estava isolado e faria um governo anódino até o fim, mas foi alvo de uma farsa que se tornou o cerne da questão.
As queixas sobre seu desempenho eram muitas e de variadas origens e a debilidade política de seu governo revelou sua inabilidade. Há, ainda, informações de que não vinha sendo tão progressista quanto se esperava, ainda que sejam opiniões de grupos políticos paraguaios mais à esquerda.
Sendo verdadeiros os relatos sobre a incompetência política e administrativa de Lugo, não se entende por que foi desfechado um processo como o que se viu, no qual lhe foram negadas as mínimas condições de defesa. Surgem várias questões:
1)      Por que o processo precisou ser tão rápido?
2)      Por que a Justiça não pôde se pronunciar?
3)      Por que tudo foi feito em surdina até o último momento, surpreendendo até o povo e a comunidade internacional?
4)      Por que causou tanta comoção um processo que a classe política paraguaia esperava que fosse muito mais facilmente aceito?
5)      Países como Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Canadá estão reconhecendo o processo político. Por que os países latino-americanos não?
As respostas a tais perguntas são facilmente respondíveis.
1)      O processo de cassação do mandato de Lugo foi rápido para não dar tempo a articulações e exigências de prazo condizente a um juízo de tal importância
2)      Se houvesse um grão de legalidade nesse processo, não poderia ter sido concluído sem que a Justiça recebesse e analisasse o questionamento que o presidente deposto tentou fazer, mas, quando lhe bateu à porta, não havia quem recebesse a ação.
3)      Vide resposta um.
4)      Vide resposta dois.
5)      Porque o que aconteceu no Paraguai não tem poder de se alastrar pelos países que aceitaram o processo suspeito, mas tem para se alastrar pelos países latino-americanos.
Ainda assim, talvez tudo pudesse ser visto como mais uma das excentricidades de uma nação que funciona como um entreposto de livre comércio de tudo que é legal e ilegal (armas, drogas etc.), que não tem qualquer importância econômica e onde golpes de Estado constituem quase uma tradição – o último ocorreu há míseros 13 anos.
Coincidentemente, os países da Unasul, que não estão deixando o episódio paraguaio cair no esquecimento, são os mesmos em que grupos políticos e empresariais vêm tentando produzir situação semelhante.
Alguns desses países, aliás, acreditam que podem se tornar a bola da vez após a ruptura institucional paraguaia – que, repito, deu-se por a Justiça ter sido apartada e pela rapidez do processo. Bolívia, Equador e Venezuela, por exemplo, nos quais, em períodos recentes, houve tentativas de desencadear o mesmo, são os candidatos mais fortes.
Na noite de sábado, no Twitter, o senador petista Delcídio Amaral (MS), considerado um dos mais moderados e acusado por alguns de ser um dos petistas mais tucanos, tuitou propugnando retaliação dura ao novo regime paraguaio.
A própria Dilma Rousseff, que tem se pautado pela sobriedade e pelo comedimento, deu declarações fortes e chamou o embaixador brasileiro para consultas.
Como podem existir visões tão distintas como a dos países ricos e a dos países do entorno paraguaio? Foi um processo “normal”, como disse, por exemplo, o chanceler alemão, ou foi um processo golpista, como disse, em outro exemplo, a presidente argentina?
Em países parlamentaristas como os do norte, a destituição de Lugo seria normal. Um gabinete de primeiro ministro pode cair em prazos tão curtos e sob acusação de mau desempenho, mas, no presidencialismo – em que o presidente é não só chefe de Estado, mas também de governo -, não.
Nos EUA, nação presidencialista que nos inspira, o apoio ao golpe tem outra razão que não a confusão entre parlamentarismo e presidencialismo. É má fé mesmo.
O que está levando países como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador ou Venezuela, entre outros países latino-americanos, a repudiar a destituição de um presidente tão polêmico quanto era Lugo e a propugnarem retaliação ao novo regime paraguaio, portanto, são as reações políticas em cada um deles.
Seja nos periódicos argentinos Clarín ou La Nacion, seja nos bolivianos El Deber ou El Mundo, seja nos chilenos El Mercúrio ou La Tercera, seja nos brasileiros Folha de São Paulo ou Globo, seja nos equatorianos Últimas Notícias ou El Comercio, seja nos venezuelanos El Universal ou El Nacional, sem falar das televisões, o tom é de comemoração e apoio ao golpe.
Em todos esses países, acusações de “corrupção” e de “incompetência” do governo central – acusações usadas contra Lugo – são a tônica do discurso da mídia e da oposição. Em quase todos eles, à exceção de Argentina, Brasil e Chile, de uma forma ou de outra já houve tentativas recentes de golpe – no Brasil, porém, houve tentativa de tentativa de golpe com o mensalão.
As reações da comunidade internacional, porém, estão assustando os golpistas paraguaios. O novo presidente, percebendo o estado de espírito dos governos vizinhos, trata de fazer gestos conciliadores como oferecer a Lugo que permaneça na residência oficial do governo até quando queira e lhe pede, até, para que ajude a explicar ao mundo o golpe que sofreu…
A televisão pública paraguaia, que estava censurando manifestações e que destituiu seu diretor porque mandava cobri-las, retrocedeu, a mando do presidente, e, no último sábado, transmitiu manifestação de milhares de pessoas contra o golpe que a mídia brasileira escondeu e que, nas poucas informações que divulgou, reduziu a duzentas pessoas.
O isolamento do Paraguai decorre da velha máxima de que “Gato escaldado tem medo de água fria”. O processo paraguaio é altamente suspeito. O conflito no campo usado como desculpa não será mais investigado por comissão do governo formada por Lugo antes de sair, o que sugere que o novo presidente, que tomou tal decisão, teme o resultado da investigação.
****

ELEIÇÕES RECIFE: PT reage, mas estende a mão


24.06.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO, 23.06.12
Por Júlia Schiaffarino

Partido confirma candidatura de Humberto à prefeitura, mas rechaça o ônus do rompimento com o PSB

Com o calendário no limite das convenções partidárias, sem apoio político ao candidato apresentado à Prefeitura do Recife e ainda em brigas internas, o PT se nega a assumir os ônus do rompimento com o PSB e os demais partidos da Frente Popular na capital pernambucana. Um dia após o PSB lançar a pré-candidatura de Geraldo Júlio a prefeito, os petistas divulgaram uma carta em tom de cobrança, na qual declaram que não aceitarão deixar o protagonismo da Frente no Recife. 

Logo na primeira frase do texto, que é assinado pelo presidente estadual do PT, Pedro Eugênio, surge a primeira reclamação: ter sido informado pela imprensa de que Geraldo Júlio seria o candidato. Em seguida, a reafirmação de que Humberto Costa (PT) será mantido na disputa. Nos parágrafos seguintes o que se lê é um resgate histórico de petistas a socialistas desde 1994. “O PT nunca faltou ao governo do PSB, dando sustentação política… 

Ressaltamos ainda os inúmeros investimentos federais trazidos para Pernambuco nos governos Lula e Dilma”, consta em um dos trechos.

Confira a reportagem completa no Diario de Pernambuco.
****
Fonte:

PARTIDO DA MÍDIA GOLPISTA: Veja apoia o golpe no Paraguai

24.06.2012
Do blog SINTONIA FINA

 
O blogueiro oficial da revista Veja acaba de postar um texto efusivo em apoio ao golpe no Paraguai. Para o patético Reinaldo Azevedo, a destituição do presidente “é constitucional e democrática... No Paraguai, triunfou a lei. 

É tão evidente a vinculação de Fernando Lugo com os ditos sem-terra, convertidos em força terrorista, que os dias a mais para a defesa não fariam diferença no mérito”.
 
No seu linguajar agressivo, o colunista da Veja chega a sugerir que “o melhor que este ex-bispo fazedor de filhos tem a fazer é cair fora sem resistência. O sistema democrático pode sobreviver sem ele”. O fascista simplesmente despreza o voto de 41% dos paraguaios, que elegeram democraticamente o presidente deposto agora por forças reacionárias. Ele mostra todo o seu ódio à democracia!
 

América Latina em risco

 

Azevedo também critica a Unasul e o governo Dilma. “Não adiantou a pressão da Unasul, com destaque para o papel equivocado de sempre da diplomacia brasileira, que tentou intimidar o parlamento paraguaio... Governos latino-americanos tentaram criar uma nova ‘Honduras’. Lembram-se da novela sobre a deposição do chapeludo Manuel Zelaya e da confusão armada por Celso Amorim? Pois é… Também naquele caso, um presidente eleito tentou atropelar a Constituição que o elegeu”.
 
Para ele, que expressa descaradamente o pensamento da maior parte da mídia, o golpe no Paraguai representa uma derrota dos “governos do subcontinente ideologicamente alinhados com Lugo”. Lembra que “a Venezuela ainda não faz parte do Mercosul justamente porque o Senado paraguaio [o mesmo que hoje deu o golpe] se negou a aceitar a companhia do Beiçola de Caracas”.

*****

Aliados de Lugo criarão frente de resistência ao novo governo do Paraguai

24.06.2012
Do portal da Agência Brasil, 23.06.12
Por Renata Giraldi, Enviada Especial

Assunção (Paraguai) – Um grupo de movimentos sociais e pequenos partidos políticos no Paraguai anunciou hoje (23) que pretende fazer oposição ao governo do novo presidente do país, Federico Franco. O grupo vai lançar na segunda-feira (25) a Frente para Defesa da Democracia. Os integrantes são aliados do ex-presidente Fernando Lugo, destituído ontem (22) do poder, após a aprovação de um processo de impeachment contra ele.

O deputado Ricardo Canese (Partido Guasú) e Oscar Sostoa, ex-vice-ministro do Interior do governo Lugo, lideram o grupo para a formação da frente, cujos integrantes se reuniram hoje para definir uma assembleia na segunda-feira. Na ocasião, eles vão eleger o presidente, o vice e secretário-geral da entidade.
Na reunião, vários integrantes do grupo discursaram. Eles disseram que farão campanha para levar a sociedade a aderir ao que foi chamado de mobilização pacífica ativa. A ideia é promover manifestações com cobranças e críticas ao governo Franco, mas de forma pacífica e sem uso da violência.
Os integrantes do grupo reclamaram do que definiram como “campanha do medo”. Com receio da repressão policial e militar, muitos paraguaios ficaram em casa ontem, evitando a participação nos protestos contra a destituição de Lugo. Segundo Oscar Sostoa, houve um “clima de terror” para amedrontar os manifestantes e esvaziar as ruas.
O comando da Frente para Defesa da Democracia, que ainda não foi instituída oficialmente, disse não reconhecer o governo Franco e quer que Lugo retorne ao poder. Segundo seus integrantes, não há possibilidade de diálogo com o novo presidente. Por outro lado, Franco reiterou hoje que pretende formar um governo de coalizão com o apoio de todos os partidos políticos.
Edição: Graça Adjuto e Juliana Andrade
****

Países sul-americanos não reconhecem novo governo do Paraguai

24.06.2012
Do blogo ESQUERDOPATA, 23.06.12


iG (Reuters) - Equador, Argentina, Bolívia e Venezuela afirmaram nesta sexta-feira que não reconhecem o novo governo do Paraguai porque consideram ilegítimo o processo de impeachment ocorrido no Congresso que destituiu Fernando Lugo.

Em um processo que durou dois dias, Lugo foi considerado culpado de não cumprir suas funções ao deixar que crescesse um conflito social no Paraguai. Poucos minutos após a destituição, o então vice-presidente Federico Franco jurou como novo chefe de Estado.

Os quatro países, governados por mandatários de esquerda, se manifestaram de forma independente à posição da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que antes da decisão do Congresso havia advertido que a democracia corria riscos no Paraguai e que poderia aplicar sanções.

"A decisão do governo equatoriano é de não reconhecer o novo governo paraguaio", disse Rafael Correa a uma emissora de TV do Equador. "O que aconteceu é absolutamente ilegítimo."

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, declarou que seu país não reconhecerá o novo governo de Federico Franco, ao considerar que foi consumado um golpe de Estado no Paraguai.

"A Argentina não vai validar o golpe de Estado que se acaba de consumar na República do Paraguai", disse a jornalistas na Casa do Governo.

Na Bolívia, o presidente Evo Morales afirmou à agência oficial ABI que o novo governo do Paraguai "não surge das urnas" e convocou "os governos da América Latina a fazer uma única frente e a se unir para defender a democracia no Paraguai e o presidente Lugo."

O mandatário venezuelano, Hugo Chávez, também se juntou aos líderes sul-americanos e disse durante um evento público em Caracas que o impeachment foi um "golpe da burguesia paraguaia... uma farsa para toda a nossa América."

Procurado, o Itamaraty informou que qualquer ação a ser tomada pelo governo brasileiro será realizada no âmbito da Unasul.

O presidente equatoriano disse ainda que na próxima semana poderá ocorrer uma reunião da Unasul para tratar da situação.

(Reportagem de Magdalena Morales, em Buenos Aires; de Carlos Quiroga, em La Paz; de Eduardo García, em Quito; de Deisy Buitrago e Juan José Lagorio, em Caracas; e de Eduardo Simões, em São Paulo)

****

GOLPE DE ESTADO EM 30 HORAS. QUEM SABE FAZER ISSO ? A resposta a essa pergunta é: a CIA.

24.06.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 23.06.12
Por Paulo Henrique Amorim

Stroessner e (Federico) Franco: quem presidirá a Unasul ?

A resposta a essa pergunta é: a CIA.

O Mauro Santayana, autor de artigo primoroso  sobre a queda de Lugo, talvez concorde.

Assim foi em Honduras.

Assim seria na Venezuela de Chávez, no Equador de Correa e assim será em outros países latino-americanos, onde se pratica a chamada “democracia formal”.

Assim pode ser no Brasil, onde a “democracia formal” convive com o PiG (*) e anistia torturadores pela mão do Supremo Tribunal Federal e o Congresso.

O Golpe de 30 horas no quadro de uma “democracia formal” pode ser uma nova contribuição da Direita Latino Americana à História Universal.

O que espanta na suave saída do Presidente Lugo – ah, que saudades do Brizola ! – foi a singeleza com que cedeu ao Golpe de Estado.

Foi como se tivesse sido transferido de paróquia.

E elogiar o PiG (*) no momento em que sobe ao cadafalso, francamente.

Agora, cabe esperar pelos outros presidentes da Unasul.

Vamos ver se eles aceitam ser presididos pelo sucessor de Stroessner.

Em tempo: saiu na Carta Maior:

LUGO: EXCEÇÃO OU O  GOLPISMO LATEJA NA AL?

O Senado paraguaio concluiu nesta sexta-feira o enredo do golpe iniciado no dia anterior e aprovou, por 39 votos a favor e quatro contra, o impeachment do presidente da República, Fernando Lugo. De olho nas eleições de abril de 2013, a oligarquia, a Igreja e a mídia (…)queriam a destituição do ex-bispo eleito em 2008, cuja base de apoio é maior no interior (40% da população vive no campo), sendo porém pouco organizada e pobre (30% está  abaixo da linha da pobreza). A pressa evidenciada no rito sumário da votação, questionável até do ponto de vista jurídico, tinha como objetivo impedir a mobilização desses contingentes dispersos, pouco contemplados por um Estado fraco e acossado por interesses poderosos. O torniquete  histórico que levou à destituição de Lugo ainda expressa a realidade estrutural de boa parte da América Latina.


Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
****