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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Presidente e diretor do BNB são exonerados


20.06.2012
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO
Por  MARCELO MONTANINI

Banco afirma que Paulo Sério Rebouças Ferraro assumirá interinamente a presidência

Elza Fiúza/ABr
Santiago pediu exoneração nesta quarta-feira

O presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Jurandir Santiago, e o diretor de Gestão do Desenvolvimento do Banco do Nordeste (BNB), José Sydrião de Alencar Júnior, foram exonerados nesta quarta-feira (20). Santiago tinha o nome envolvido nas investigações do “Escândalo dos banheiros”.

Horas após Santiago pedir afastamento do cargo, o diretor Alencar recebeu uma ligação do Ministério da Fazendo informando a sua exoneração. Em entrevista ao jornal O Povo, Alencar disse estar tranquilo e que já esperava a exoneração. Ele afirmou que vai cumprir a quarentena determinada pelo Banco Central para gestores da área financeira fora do cotidiano do BNB, onde é funcionário há 36 anos.

Em nota, o Banco afirma que Paulo Sério Rebouças Ferraro, diretor de Negócios, assumirá interinamente a presidência do Banco, acumulando assim os dois cargos.

Escândalo dos Banheiros

Em 2009, parte do dinheiro que seria destinado à construção de kits sanitários para famílias carentes do município de Ipu, no Ceará, foi parar na conta de um posto de gasolina em Fortaleza, cujos sócios eram o atual presidente do Banco do Nordeste, Jurandir Santiago, a então mulher, Silvia Marta Rubens Bezerra, e o engenheiro civil do município de Ipu, Tácito Guimarães de Carvalho. Este último preso na última sexta-feira (15).

O procurador-geral de Justiça do Estado do Ceará, Ricardo Machado, decidiu, na terça-feira (19), incluir o nome do atual presidente do Banco do Nordeste (BNB) Jurandir Santiago na lista dos denunciados no escândalo.

Machado foi notificado às 11 horas desta terça-feira da decisão do desembargador Francisco Darival Beserra Pinto sobre o processo relativo ao caso dos “kits sanitários” do município do Ipu. Contudo, desde segunda-feira (18) segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público, os órgãos responsáveis pelo caso estão analisando, também, provas complementares (Relatório de Inspeção) remetidas pelo Tribunal de Contas do Ceará (TCE). Com informações do O Povo Online.
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A coerência de Erundina


20.06.2012
Do blog ESQUERDOPATA


 

SÃO PAULO (Reuters) - PMDB e PSB formalizaram nesta quarta-feira uma coligação para disputar a prefeitura de São Paulo com a desistência de Michel Temer, que ocupará o posto de vice na chapa da socialista Luiza Erundina. Apesar de pertencerem a partidos da base governista, os dois políticos prevêem críticas ao Executivo federal na campanha.

"É um gesto inovador, revolucionário e ousado do PMDB", disse a ex-prefeita, durante entrevista coletiva para anunciar a nova chapa. Erundina reiterou sua autocrítica de considerar um "equívoco" ter governado São Paulo entre 1989 e 1992 com um partido só, então o PT
Temer admitiu que os resultados das últimas pesquisas de opinião influenciaram na formação da chapa, mas que, além disso, a decisão se deveu a um "consenso partidário". O acordo foi costurado por Orestes Quércia, presidente estadual do PMDB.
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Luis Nassif: Luiza Erundina foi egoísta ao renunciar candidatura à vice de Haddad

20.06.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO 


Erundina abriu mão de suas responsabilidades em relação aos movimentos sociais, devido ao simbolismo de uma foto. Ela sabia que, eleito Haddad, seria mínima a participação do malufismo na gestão da prefeitura; seria máxima a intervenção de Erundina nas políticas sociais

Fernando Haddad Luiza Erundina
Erundina se sentiu preterida, não por Haddad, mas por Lula, que deixou-se fotografar com Maluf e não com Erundina
Luis Nassif, em seu sítio
Tenho um carinho histórico por Luiza Erundina.
Quando foi alvo de uma tentativa de golpe por parte do Tribunal de Contas do Município (TCM) devo ter sido o único jornalista a sair em sua defesa. Tinha o programa Dinheiro Vivo, na TV Gazeta, de público majoritariamente empresarial. Externei minha indignação que teve ter tido algum peso na decisão do presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Mário Amato, de visitá-la com uma comitiva de empresários, hipotecando-lhe solidariedade.
Defendia-a também quando operadores do PT criaram o caso Lubeca. E, recentemente, o Blog conduziu uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar Erundina a pagar uma condenação injusta dos tempos em que foi prefeita.

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Sempre admirei sua luta pelos movimentos sociais, das quais sou periodicamente informado por irmãs lutadoras.
Por tudo isso, digo sem pestanejar: ao pedir demissão da candidatura de vice-prefeita de Fernando Haddad, Erundina errou, pensou só em si, não nas suas bandeiras políticas nem nos seus movimentos sociais. Foi terrivelmente individualista
À luz das entrevistas que concedeu ontem, constata-se que os motivos foram fúteis. Estava informada da aliança do PT com Paulo Maluf; chocou-se com a foto de Lula e Haddad com ele. Foi a foto, não a aliança, que a chocou.
A foto tem uma simbologia negativa, de fato. Aqui mesmo critiquei o lance. Mas apenas simbologia. Não se tenha dúvida de que, eleito Haddad, Erundina seria a vice-prefeita plena para a periferia, seria os movimentos sociais assumindo uma função relevante na administração municipal.
No entanto, Erundina abdicou dessa missão, abriu mão de suas responsabilidades em relação aos movimentos sociais, devido ao simbolismo de uma foto. Ela sabia que, eleito Haddad, seria mínima a participação do malufismo na gestão da prefeitura; seria máxima a intervenção de Erundina nas políticas sociais.
Poderia ter dado uma entrevista distinguindo essas posições, externando sua repulsa do malufismo, mas ressaltando a diferença de poder entre ambos.
Mas Erundina se sentiu preterida, não por Haddad, mas por Lula, que deixou-se fotografar com Maluf e não com Erundina.
Seu gesto foi para punir Lula, pouco importando o quanto prejudicaria seus próprios seguidores, os movimentos sociais. Ela abriu mão de um cargo que não era seu, mas de seus representados, para punir Lula.
E quem ela procura para a retaliação? Justamente os órgãos de imprensa que mais criminalizam os movimentos sociais, que tratam questão social como caso de polícia. Coloca a bala no revólver e o entrega à revista Veja. A quem ela fortaleceu? Ao herdeiro direto do malufismo na repulsa aos movimentos sociais: Serra.
Saiu bem na foto da mídia, melhor do que Lula com Maluf, mas a um preço muito superior. E quem vai pagar a conta são os movimentos sociais, pelo fato de sua líder ter abdicado de um cargo que a eles pertencia.

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Serra demagogo, que já cortejou Maluf, agora critica PT

20.06.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra,criticou o ex minitro da educação e pré candidato a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmando que não vale tudo para aumentar o tempo de TV:

Serra disse que a população e a imprensa-- que faz campanha para ele-- e que devem julgar a política de alianças . Serra não disse que tanto ele como seu partido PSDB também vinhma cortejando o PP de Maluf

Quem não lembra da bronca pública que José Serra deu no governador Geraldo Alckmin? o José Serra culpou Alckmin por ter, "deixado Maluf escapar".

No Terra
Segundo aliados,  Serra está "muito irritado" com o governador, que havia garantido o apoio do PP à candidatura tucana. "Serra acha que Alckmin acertou com Maluf para 2014 e não se esforçou muito, digamos assim, para este ano", explica um dirigente do PSDB paulistano. "Ele (Serra) acredita que Alckmin deixou Maluf escapar, não segurou o PSB, e ainda teve a história do PR… o PR foi Kassab que trouxe", completa.

O grupo paulista do PP estava muito próximo de fechar com Serra, já que integra a base de Alckmin. Essas negociações, porém, começaram a azedar nas últimas semanas, depois que o governador se recusou a ceder a Secretaria de Habitação do Estado ao PP. Por outro lado, Maluf conseguiu emplacar um de seus aliados na Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, cargo negociado com a presidente Dilma pelo ministro da pasta, Aguinaldo Ribeiro (PP)

E para quem não sabe...

Maluf  já controla a CDHU, a companhia de Habitação do Estado de São Paulo...

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OPOSIÇÃO ENTREGUISTA E ALIADA DOS EUA: Documentos vazados pelo Wikileaks revelam que EUA treinam oposicionistas pelo mundo

20.06.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 19.06.12
PorNatália Viana, Agência Pública

Revolução à americana: Documentos vazados pelo WikiLeaks mostram como age uma organização que treina oposicionistas pelo mundo afora – do Egito à Venezuela

No canto superior do documento, um punho cerrado estampa a marca da organização. No corpo do texto lê-se: “Há uma tendência presidencialista forte na Venezuela. Como podemos mudar isso? Como podemos trabalhar isso?”. Mais abaixo, o leitor encontra as seguintes frases: “Economia: o petróleo é da Venezuela, não do governo. É o seu dinheiro, é o seu direito… A mensagem precisa ser adaptada para os jovens, não só para estudantes universitários… E as mães, o que querem? Controle da lei, a polícia agindo sob autoridades locais. Nós iremos prover os recursos necessários para isso”.

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wikileaks chavez venezuela
Análise da Canvas sobre a Venezuela: “Há uma forte tendência presidencialista na Venezuela. Como podemos mudar isso?”
O texto não está em espanhol nem foi escrito por algum membro da oposição venezuelana; escrito em inglês, foi produzido por um grupo de jovens baseados em outro lado do mundo – na Sérvia.
documento “Análise da situação na Venezuela, Janeiro de 2010”, produzido pela organização Canvas, cuja sede fica em Belgrado, está entre os documentos da empresa de inteligência Stratfor vazados pelo WikiLeaks.
O último vazamento do WikiLeaks – ao qual a Pública teve acesso – mostra que o fundador desta organização se correspondia sempre com os analistas da Stratfor, empresa que mistura jornalismo, análise política e métodos de espionagem para vender “análise de inteligência” a clientes que incluem corporações como a Lockheed Martin, Raytheon, Coca-Cola e Dow Chemical – para quem monitorava as atividades de ambientalistas que se opunham a elas – além da Marinha americana.
O Canvas (sigla em inglês para “centro para conflito e estratégias não-violentas”) foi fundado por dois líderes estudantis da Sérvia, que participaram da bem-sucedida revolta que derrubou o ditador Slobodan Milosevic em 2000. Durante dois anos, os estudantes organizaram protestos criativos, marchas e atos que acabaram desestabilizando o regime. Depois, juntaram o cabedal de conhecimento em manuais e começaram a dar aulas a grupos oposicionistas de diversos países sobre como se organizar para derrotar o governo. Foi assim que chegaram à Venezuela, onde começaram a treinar líderes da oposição em 2005. Em seu programa de TV, Hugo Chávez acusou o grupo de golpista e de estar a serviço dos Estados Unidos. “É o chamado golpe suave”, disse.
Os novos documentos analisados pela Pública mostram que se Chávez não estava totalmente certo – mas também não estava totalmente errado.

O começo, na Sérvia

“Foram dez anos de organização estudantil durante os anos 90”, diz Ivan Marovic, um dos estudantes que participaram dos protestos contra Milosevic. “No final, o apoio do exterior finalmente veio. Seria bobo eu negar isso. Eles tiveram um papel importante na etapa final. Sim, os Estados Unidos deram dinheiro, mas todo mundo deu dinheiro: alemães, franceses, espanhóis, italianos. Todos estavam colaborando porque ninguém mais apoiava o Milosevic”, disse ele em entrevista à Pública.
“Dependendo do país, eles doavam de um determinado jeito. Os americanos têm um ‘braço’ formado por ONGs muito ativo no apoio a certos grupos, outros países como a Espanha não têm e nos apoiavam através do ministério do exterior”. Entre as ONGs citadas por Marovic estão o National Endowment for Democracy (NED), uma organização financiada pelo congresso americano, a Freedom House e o International Republican Institute, ligado ao partido republicano – ambos contam polpudos financiamentos da USAID, a agência de desenvolvimento americana que capitaneou movimentos golpistas na América Latina nos anos 60, inclusive no Brasil.
Todas essas ONGs são velhas conhecidas dos governos latinoamericanos, incluindo os mais recentes.
Foi o IRI, por exemplo, que ministrou “cursos de treinamento político” para 600 líderes da oposição haitiana na República Dominicana durante os anos de 2002 e 2003. O golpe contra Jean-Baptiste Aristide, presidente democraticamente eleito, aconteceu em 2004. Investigado pelo Congresso dos Estados Unidos, o IRI foi acusado de estar por trás de duas organizações que conspiraram para derrubar Aristide. Na Venezuela, o NED enviou US$ 877 mil para grupos de oposição nos meses anteriores ao golpe de Estado fracassado em 2002, segundo revelou o New York Times. Na Bolívia, segundo documentos do governo americano obtidos pelo jornalista Jeremy Bigwood, parceiro da Pública, a USAID manteve um “Escritório para Iniciativas de Transição”, que investiu US$ 97 milhões em projetos de “descentralização” e “autonomias regionais” desde 2002, fortalecendo os governos estaduais que se opõem a Evo Morales.
Procurado pela Pública, o líder do Canvas, Srdja Popovic, diz que a organização não recebe fundos governamentais de nenhum país e que seu maior financiador é o empresário sérvio Slobodan Djinovic, que também foi líder estudantil.
Porém, um PowerPoint de apresentação da organização, vazado pelo WikiLeaks, aponta como parceiros do Canvas o IRI e a Freedom House, que recebem vultosas quantias da USAID.
Para o pesquisador Mark Weisbrot, do instituto Center for Economic and Policy Research, de Washington, organizações como a IRI e Freedom House “não estão promovendo a democracia”. “Na maior parte do tempo, estão promovendo exatamente o oposto. Geralmente promovem as políticas americanas em outros países, e isto significa oposição a governos de esquerda, por exemplo, ou a governos dos quais os Estados Unidos não gostam”.

Fase dois: da Bolívia ao Egito

Vista através do mesmo PowerPoint de apresentação, a atuação do Canvas impressiona. Entre 2002 e 2009, realizou 106 workshops, alcançando 1800 participantes de 59 países. Nem todos são desafetos americanos – o Canvas treinou ativistas por exemplo na Espanha, no Marrocos e no Azerbaijão – mas a lista inclui muitos deles: Cuba, Venezuela, Bolívia, Zimbabue, Bielorrussia, Coreia do Norte, Siria e Irã.
Segundo o próprio Canvas, sua atuação foi importante em todas as chamadas “revoluções coloridas” que se espalharam por ex-países da União Soviética nos anos 2000.
O documento aponta como “casos bem sucedidos” a transferência de conhecimento para o movimento Kmara em 2003 na Geórgia, grupo que lançou a Revolução Rosas e derrubou o presidente; uma ajudinha para a Revolução Laranja, em 2004, na Ucrânia; treinamento de grupos que fizeram a Revolução dos Cedros em 2005, no Líbano; diversos projetos com ONGs no Zimbabue e a coalizão de oposição a Robert Mugabe; treinamento de ativistas do Vietnã, Tibete e Burma, além de projetos na Síria e no Iraque com “grupos pró-democracia”. E, na Bolívia, “preparação das eleições de 2009 com grupos de Santa Cruz” – conhecidos como o mais ferrenho grupo de adversários de Evo Morales.
Até 2009, o principal manual do grupo, “Luta não violenta – 50 pontos cruciais” já havia sido traduzido para 5 línguas, incluindo o árabe e o farsi.
Um das ações do Canvas que ganhou maior visibilidade foi o treinamento de uma liderança do movimento 6 de Abril, considerado o embrião da primavera egípcia. O movimento começou a ser organizado pelo Facebook para protestar em solidariedade a trabalhadores têxteis da cidade de Mahalla al Kubra, no Delta do Nilo. Foi a primeira vez que a rede social foi usada para este fim no Egito. Em meados de 2009, Mohammed Adel, um dos líderes do 6 de Abril viajou até Belgrado para ser treinado por Popovic.
Nos emails aos analistas da Stratfor, Popovic se gaba de manter relações com os líderes daquele movimento, em especial com Mohammed Adel – que se tornou uma das principais fontes de informação a respeito do levante no Egito em 2011. Na comunicação interna da Stratfor, ele é mencionado sob o codinome RS501.
“Acabamos de falar com alguns dos nossos amigos no Egito e descobrimos algumas coisas”, informa eleno dia 27 de janeiro de 2011. “Amanhã a irmadade muçulmana irá levar sua força às ruas, então pode ser ainda mais dramático… Nós obtivemos informações melhores sobre estes grupos e como eles têm se organizado nos últimos dias, mas ainda estamos tentando mapeá-los”.

Documentos da Stratfor

Os documentos vazados pelo WikiLeaks mostram que o Canvas age de maneira menos independente do que deseja aparentar. Em pelo menos duas ocasiões, Srdja Popovic contou por email ter participado de reuniões no National Securiy Council, o conselho de segurança do governo americano.
A primeira reunião mencionada aconteceu no dia 18 de dezembro de 2009 e o tema em pauta era Russia e a Geórgia. Na época, integrava o NSC o “grande amigo” de Popovic – nas suas próprias palavras – o conselheiro sênior de Obama para a Rússia, Michael McFaul, que hoje é embaixador americano naquele país.
No mesmo encontro, segundo Popovic relatou mais tarde, tratou-se do financiamento de oposicionistas no Irã através de grupos pró-democracia, tema de especial interesse para ele. “A política para o Irã é feita no NSC por Dennis Ross. Há uma função crescent sobre o Irã no Departamento de Estado sob o Secretário Assistente John Limbert. As verbas para programas pró-democracia no Irã aumentaram de US$ 1,5 milhão em 2004 para US$ 60 milhões em 2008 (…) Depois de 12 de junho de 2009, o NSC decidiu neutralizar os efeitos dos programas existentes, que começaram com Bush. Aparentemente a lógica era que os EUA não queriam ser vistos tentando interferir na política interna do Irã. Os EUA não querem dar ao regime iraniano uma desculpa para rejeitar as negociações sobre o programa nuclear”, reclama o sérvio, para quem o governo Obama estaria agindo como “um elefante numa loja de louça” com a nova política. “Como resultado, o Iran Human Rights Documentation Center, Freedom House, IFES e IRI tiveram seus pedidos de recursos rejeitados”, descreve em um email no início de janeiro de 2010.
A outra reunião de Popovic no NSC teria ocorrido às 17 horas do dia 27 de julho de 2011, conforme Popovic relatou à analista Reva Bhalla.
“Esses caras são impressionantes”, comentou, em um email entusiasmado, o analista da Stratfor para o leste europeu, Marko Papic. “Eles abrem usa lojinha em um país e tentam derrubar o governo. Quando bem usados são uma arma mais poderosa que um batalhão de combate da força aérea”.
Marko explica aos seus colegas da Stratfor que o Canvas – nas suas palavras, um grupo tipo “exporte-uma-revolução” –  “ainda depende do financiamento dos EUA e basicamente roda o mundo tentando derrubar ditadores e governos autocráticos (aqueles de quem os Estados Unidos não gostam)”. O primeiro contato com o líder do grupo, que se tornaria sua fonte contumaz, se deu em 2007. “Desde então eles têm passado inteligência sobre a Venezuela, a Georgia, a Sérvia, etc”.
Em todos os emails, Popovic demonstra grande interesse em trocar informações com a Strtafor, a quem chama de “CIA de Austin”. Para isso, vale-se dos seus contatos entre ativistas em diferentes países. Além de manter relação com uma empresa do mesmo filão idológico, se estabelece uma proveitosa troca de informações. Por exemplo, em maio de 2008 Marko diz a ele que soube que a inteligência chinesa estaria considerando atacar a organização pelo seu trabalho com ativistas tibetanos. “Isso já era esperado”, responde Srdja. Em 23 de maio de 2011, ele pede informações sobre a autonomia regional dos curdos no Iraque.

Venezuela

Um dos temas mais frequentes na conversa com analistas da Stratfor é a Venezuela; Srdja ajuda os analistas a entenderem o que a oposição está pensando. Toda a comunicação, escreve Marko Papic, é feita por um email seguro e criptografado. Além disso, em 2010, o líder do Canvas foi até a sede da Stratfor em Austin para dar um briefing sobre a situação venezuelana.
wikileaks eua venezuela
Popovic: “A cultura de segurança na Venezuela não existe. Eles são retardados e falam mais que a própria bunda". Natalia Viana/Agência Publica
“Este ano vamos definitivamente aumentar nossas atividades na Venezuela”, explica o sérvio no email de apresentação da sua “Análise da situação na Venezuela”, em 12 de janeiro de 2010. Para as eleições de setembro daquele ano, relata que “estamos em contato próximo com ativistas e pessoas que estão tentando ajudá-los”, pedindo que o analista não espalhe ou publique esta informação. O documento, enviado por email, seria a “fundação da nossa análise do que planejamos fazer na Venezuela”. No dia seguinte, ele reitera em outro email: “Para explicar o plano de ação que enviamos, é um guia de como fazer uma revolução, obviamente”.
O documento, ao qual a Pública teve acesso, foi escrito no início de 2010 pelo “departamento analítico” da organização e relata, além dos pilares de suporte de Chávez, listando as principais instituições e organizações que servem de respaldo ao governo (entre elas, os militares, polícia, judiciário, setores nacionalizados da economia, professores e o conselho eleitoral), os principais líderes com potencial para formarem uma coalizão eficiente e seus “aliados potenciais” (entre eles, estudantes, a imprensa independente e internacional, sindicatos, a federação venezuelana de professores, o Rotary Club e a igreja católica).
A indicação do Canvas parece, no final, bem acertada. Entre os principais líderes da oposição que teriam capacidade de unificá-la estão Henrique Capriles Radonski, governador do Estado de Miranda e candidato de oposição nas eleições presidenciais de outubro pela coalizão Mesa de Unidade Democrática, além do prefeito do distrito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e do ex-prefeito do município de Chacao, Leopoldo Lopez Mendoza. Dois líderes estudantis, Alexandra Belandria, do grupo Cambio, e Yon Goicochea, do Movimiento Estudiantil Venezolano, também são listados.
O objetivo da estratégia, relata o documento, é “fornecer a base para um planejamento mais detalhado potencialmente realizado por atores interessados e pelo Canvas”. Esse plano “mais detalhado” seria desenvolvido posteriormente com “partes interessadas”.
Em outro email Popovic explica:“Quando alguém pede a nossa ajuda, como é o caso da Venezuela, nós normalmente perguntamos ‘como você faria?’ (…) Neste caso nós temos três campanhas: unificação da oposição, campanha para a eleição de setembro (…). Em circunstâncias NORMAIS, os ativistas vêm até nós e trabalham exatamente neste tipo de formato em um workshop. Nós apenas os guiamos, e por isso o plano acaba sendo tão eficiente, pois são os ativistas que os criam, é totalmente deles, ou seja, é autêntico. Nós apenas fornecemos as ferramentas”.
Mas, com a Venezuela, a coisa foi diferente, explica Popovic: “No caso da Venezuela, por causa do completo desastre que o lugar está, por causa da suspeita entre grupos de oposição e da desorganização, nós tivemos que fazer esta análise inicial. Se eles irão realizar os próximos passos depende deles, ou seja, se eles vão entender que por causa da falta de UNIDADE eles podem perder a corrida eleitoral antes mesmo que ela comece”.
Aqueles que receberam a análise (como o pessoal da Strartfor, por exemplo) aprenderam que segunda a lógica do Canvas os principais temas a serem explorados em uma campanha de oposição na Venezuela são:
- Crime e falta de segurança: “A situação deteriorou tremendamente e dramaticamente desde 2006. Motivo para mudança”
- Educação: “O governo está tomando conta do sistema educacional: os professores precisam ser atiçados. Eles vão ter que perder seus empregos ou se submeter! Eles precisam ser encorajados e haverá um risco. Nós temos que convencê-los de que os temos como alta esfera da sociedade; eles detêm uma responsabilidade que valorizamos muito. Os professores vão motivar os estudantes. Quem irá influenciá-los? Como nós vamos tocá-los?”
- Jovens: “A mensagem precisa ser dirigida para os jovens em geral, não só para os estudantes universitários”.
-Economia: “O petróleo é da Venezuela, não do governo, é o seu dinheiro, é o seu direito!  Programas de bem-estar social”.
- Mulheres: “O que as mães querem? Controle da lei, a polícia agindo sob as autoridades locais. Nós iremos prover os recursos necessários para isso. Nós não queremos mais brutamontes”.
- Transporte: “Trabalhadores precisam conseguir chegar aos seus empregos. É o seu dinheiro.  Nós precisamos exigir que o governo preste contas, e da maneira que está não conseguimos fazer isso”.
- Governo: “Redistribuição da riqueza, todos devem ter uma oportunidade”.
- “Há uma forte tendência presidencialista na Venezuela. Como podemos mudar isso? Como podemos trabalhar com isso?”
No final do email, Popovic termina com uma crítica grosseira aos venezuelanos que procura articular: “Aliás, a cultura de segurança na Venezuela não existe. Eles são retardados e falam mais que a própria bunda. É uma piada completa”.
Procurado pela Pública, o líder do Canvas negou que a organização elabore análises e planos de ação revolucionária sob encomenda. E foi bem menos entusiasta com relação ao seu “guia” elaborado para a Venezuela.
“Nós ensinamos as pessoas a analisarem e entenderem conflitos não-violentos – e durante o processo de aprendizagem pedimos a estudantes e participantes que utilizem as ferramentas que apresentam no curso. E nós também aprendemos com eles! Depois usamos o trabalho que eles realizaram e combinamos com informações públicas para criar estudos de caso”, afirmou. “E isso é transformado em análises mais longas por dois estagiários. Usamos estas análises nas nossas pesquisas e compartilhamos com estudantes, ativistas, pesquisadores, professores, organizações e jornalistas com os quais cooperamos – que estão interessados em entender o fenômeno do poder popular”.
Questionado, Popovic também respondeu às criticas feitas por Hugo Chávez no seu programa de TV: “É uma fórmula bem conhecida… Por décadas os regimes autoritários de todo o mundo fazem acusações do tipo ‘revoluções exportadas’ como sendo a principal causa dos levantes em seus países. O movimento pró-democracia na Sérvia foi, claro, acusado de ser uma ‘ferramenta dos EUA’ pela TV estatal e por Milosevic, antes dos estudantes derrubarem o seu regime. Isso também aconteceu no Zimbabue, Bielorrusia, Irã…”
O ex-colega de movimento estudantil, Ivan Marovic – que ainda hoje dá palestras sobre como aconteceu a revolta contra Milosevic – concorda com ele: “É impossível  exportar uma revolução. Eu sempre digo em minhas palestras que a coisa mais importante para uma mudança social bem-sucedida é ter a maioria da população ao seu lado. Se o presidente tem a maioria da população ao lado dele, nada vai acontecer”.
Marovic avalia, no entanto, que houve uma mudança de percepção do “braço de ONGs” dos governos ocidentais, em especial dos Estados Unidos, depois da revolução na Sérvia em 2000 e as “revoluções coloridas” que se seguiram no leste europeu. “Um mês depois de derrubarmos o Milosevic, o New York Times publicou um artigo dizendo que quem realmente derrubou o Milosevic foi a assistência financeira americana. Eles estão aumentando o seu papel. E agora acreditam que a grana dos Estados Unidos pode derrubar um governo. Eles tentaram a mesma coisa na Bielorrusia, deram um monte de dinheiro para ONGs, e não funcionou”.
O pesquisador Mark Weisbrot concorda, em termos. É claro que nenhum grupo estrangeiro, ainda mais um grupo pequeno, pode causar uma revolução em um país. Para ele, não é o dinheiro do governo americano – seja através de ONGs pagas pelo National Security Council, pela USAID ou pelo Departamento de Estado – que faz a diferença. “A elite venezuelana, por exemplo, não precisa deste dinheiro. O que estes grupos financiados pelos EUA, antigamente e hoje, agregam são duas coisas: uma é habilidade e o conhecimento necessário em subverter regimes. E a segunda coisa é que esse apoio tem um papel unificador. A oposição pode estar dividida e eles ajudam a oposição a se unificar”. Para ele, muitas vezes o patrocínio americano tem uma “influência perniciosa” em movimentos legítimos. “Sempre tem pessoas grupos lutando pela democracia nestes países, com uma variedade de demandas, reforma agrária, proteções sociais, empregos… E o que acontece é que eles capitaneiam todo o movimento com muito dinheiro, inspirado pelas políticas que interessam aos EUA. Muitas vezes, os grupos democráticos que recebem o dinheiro acabam caindo em descrédito”.
Clique aqui para ver todos os documentos no site do WikiLeaks.
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VI O MUNDO: Erundina: A vice que pode nunca ter sido

20.06.2012
Do blog VI O MUNDO, 18.06.12
Por Marcelo Mora, Roney Domingos e Rafael Sampaio

Haddad diz que irá conversar com Erundina sobre posto de vice

Deputada federal deu declarações sobre eventual desistência. 
Motivo seria aliança que PT fechou com partido de Paulo Maluf.

O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse na noite desta segunda-feira (18) que irá conversar com a deputada federal Luiza Erundina (PSB) sobre as declarações dela de uma eventual desistência da candidatura de vice na chapa. Em entrevista ao jornal “O Globo”, ela disse que “não aceita” o apoio de Paulo Maluf (PP), anunciado nesta manhã em encontro na capital paulista. “É uma situação muito constrangedora. Tenho que rever essa situação. Vou conversar com o meu partido. Meu partido tem outros nomes, não tem problema nenhum”, disse ela ao jornal.

Haddad comentou a declaração na noite desta segunda-feira. “Estamos procurando alianças com partidos da base de sustentação do governo Dilma. Fazemos alianças com partidos, não com pessoas. Estamos procurando os partidos sem restrição ou veto para trabalhar em cima do nosso projeto político para São Paulo. Vou procurar a Erundina para conversar. O que eu quero agora é ouvir as respostas dela, quero ouvi-la pessoalmente e confortá-la”, disse ele ao G1 após a gravação de um programa de TV. “Eu tenho o maior apreço pela companheira Erundina. As perspectivas estão colocadas. Ela [Erundina] é uma pessoa admirada, adorada dentro do PT, no PSB, muito prestigiada. Então vamos conversar pessoalmente”, completou.

O deputado federal Paulo Maluf realizou encontro nesta segunda-feira (18) para oficializar a adesão do Partido Progressista (PP) à chapa do pré-candidato Fernando Haddad (PT). Tanto o candidato petista quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram do encontro, que começou por volta das 13h e durou cerca de 30 minutos. O evento foi realizado na residência de Maluf, no Jardim Europa, região nobre da capital paulista.

Haddad afirmou ainda que irá submeter as preocupações com a aliança à coordenação da campanha. “Algumas pessoas manifestaram preocupação com essa aliança [com Maluf]. Vou submeter essa preocupação à coordenação da campanha. Desde janeiro que o Conselho Político [da campanha] deixou claro que iria buscar apoio em todos os partidos da base aliada.”

Diretório municipal

O presidente do diretório municipal do PSB em São Paulo, Eliseu Gabriel, afirmou que o partido não vai recuar da decisão de apoiar o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. “O PSB não vai desistir. Não sei as razões que a levaram a esta decisão. Precisamos ainda conversar. Vamos avaliar o que fazer. O apoio a Haddad é uma decisão política que nós tomamos”, disse.

“Acho que a Erundina é insubstituível. É difícil arrumar outro nome à altura dela. Está havendo intensa mobilização para falar com a Erundina. É provável que amanhã [terça-feira] tenhamos uma decisão.” O presidente do diretório municipal disse, por volta das 20h, que ainda não havia conversado com Erundina.

“Ainda não tive contato com ela. A gente espera fazer isso até amanhã. Não se sabe se é uma manifestação emocional. Falei com o presidente estadual e com o primeiro-secretário nacional. Tentei entrar em contato com ela. Ainda não tenho a menor ideia de com vai ser. 

Como a direção nacional está em Brasília, provavelmente eles se encontrem com ela”, afirmou.
Gabriel afirma que em sua avaliação a aliança entre o PT e o PP não vai além do tempo de televisão. “Essa aliança foi feita do PT como PP. Imagino que seja tempo de exposição do candidato. Não imagino que seja uma aliança que vá além de uma coisa circunstancial, de profundidade programática”, afirmou.

Repercussão


Para o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a reação de Luiza Erundina é compreensível. “Ao longo de nossa história em comum, em geral tivemos diferenças muito fortes com Paulo Maluf”, disse ele, que está no Rio de Janeiro para participar da conferência Rio+20.

“É uma perda grande” se Erundina deixar a candidatura à vice na chapa de Haddad, na avaliação do senador. “Acho que o Fernando Haddad precisa ter um diálogo de profundidade com a Luiza Erundina, até por uma questão de respeito a tudo o que ela representa e o que ela falou na cerimônia em que ambos selaram o entendimento”, disse Suplicy.

“Para ela ser candidata à vice [de Haddad], precisa haver uma relação de total abertura, conhecimento e confiança no candidato a prefeito”, ponderou o senador.

Suplicy também criticou a aliança de seu partido com Maluf. “Dependendo dos termos em que foram feitos a aliança, ela pode ter um efeito não saudável para o PT, para a nossa história”, ressaltou. “Soa estranho para mim [essa aliança], sinceramente soa estranho.”

O vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, disse que o partido está com Haddad independente da aliança com o PP, partido de Maluf. “O candidato do PSB à Prefeitura de São Paulo é Fernando Haddad, e a vaga de vice é do PSB”, afirmou, por meio de sua assessoria. OG1 apurou que o PSB sabia da irritação de Erundina com o apoio de Maluf, e que não foi surpresa que ela anunciasse a intenção de deixar a vaga na chapa do PT.

PS do Viomundo: O engraçado é ver Luiza Erundina chorando no colo de O Globo e da Veja como se eles fossem neutros na campanha eleitoral. Todos, na mídia, simulando estupefação com a aliança, o que não fariam se Maluf levasse seus 90 segundos de tempo de TV para José Serra. Vai entender…

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Datafolha mostra fragilidades de Serra

20.06.2012
Do BLOG DO MIRO, 19.06.12


Por Altamiro Borges

A pesquisa Datafolha divulgada neste final de semana deve ter feito soar o sinal de alerta no comando da campanha de José Serra à prefeitura da capital paulista. Ela mostra que o tucano empacou nos 30% das intenções de voto, o mesmo índice da sondagem anterior, o que é um péssimo sinal após a intensa exposição da sua imagem na mídia. Ela confirma ainda que o caudilho do PSDB mantém-se como um dos campeões em rejeição junto ao eleitorado, com 32% dos entrevistados afirmando que não votarão nele.


Para piorar o clima no ninho tucano, a pesquisa indica um leve crescimento da candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, que subiu de 3% para 8% nas intenções de voto. O petista ainda terá que suar muito a camisa para viabilizar a sua ida ao segundo turno. Mas ele tem alguns trunfos. Celso Russomanno, do PRB, continua no segundo lugar nas sondagens, com 21%, mas não conta com tempo de televisão e estrutura para manter esta dianteira. A tendência é de queda. O mesmo ocorre com os demais postulantes.

A influência de Lula

O Datafolha também confirmou o prestígio de Lula, o que reaviva o debate sobre a sua capacidade de transferência de votos – já comprovada na eleição da presidenta Dilma Rousseff. O esforço do comando da campanha de Haddad, explicitado no “Programa do Ratinho”, do SBT, é colar a sua imagem junto à do ex-presidente. Apenas 19% dos entrevistados dizem saber que o petista é o candidato de Lula. Com o horário eleitoral gratuito de rádio e tevê, esta lacuna será superada rapidamente.

Segundo a própria Folha tucana, “Lula continua a ser o melhor cabo eleitoral entre os nomes pesquisados pelo Datafolha. Depois vêm o governador Geraldo Alckmin (PSDB), com 29%, e a presidente Dilma Rousseff (28%). Já o prefeito Gilberto Kassab (PSB) se mostra um ‘anticabo eleitoral’. Questionados, 43% dos entrevistados dizem que não votariam no candidato que tivesse o apoio do prefeito... Isso se reflete em outro dado pesquisado: 80% dos eleitores querem o próximo governo diferente do atual”.

Serra é Kassab; Kassab é Serra 

Neste ponto é que se encontra a pior notícia para o eterno candidato. O tucano não terá como se descolar da péssima imagem do atual prefeito. Como ironiza o blogueiro Antônio Mello, “Serra é Kassab e Kassab é Serra”. Ele até relembra o discurso do ex-demo que poderá ser usado na campanha eleitoral. “Aprendi como governar São Paulo ao seu lado nos 15 meses em que você deixou sua marca na cidade e deixou as linhas mestras para os sete anos seguintes”, disse Kassab no ato que formalizou o apoio do PSD ao PSDB.

Se a estratégia de carimbar Kassab na testa careca de Serra der certo, o tucano terá enormes dificuldades na disputa. Ele ainda é o candidato com mais chances de vitória. Mas, é bom lembrar, a campanha ainda nem começou e suas fragilidades já são evidentes. Há sinais de fadiga no eleitorado paulistano, sempre tão conservador, mas que agora procura "algo novo". A batalha promete fortes emoções e muitas escaramuças.

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ELEIÇÕES RECIFE: Após polêmica, Maurício Romão comenta resultados da pesquisa Nassau

20.06.2012
Do BLOG DO JAMILDO, 19.06.12
Por Maurício Costa Romão, especial para o Blog de Jamildo


PESQUISAS IPMN PARA PREFEITO DO RECIFE: CONSTATAÇÕES

O Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), em parceria com o portal LeiaJá e o Jornal do Commercio, já realizou cinco rodadas de pesquisa de intenções de voto para prefeito do Recife, no período de dezembro de 2011 a junho deste ano. Os levantamentos, sempre com as mesmas concepções estatísticas e características metodológicas, têm margem de erro de 3,5 pontos de percentagem, para mais ou para menos, nível de confiança de 95%, e aplicaram, em média, 812 questionários por enquete. 

Algumas constatações extraídas desses levantamentos: 

1. A avaliação da administração do prefeito João da Costa piorou ao longo do período dezembro-junho: no último levantamento 46% disseram que a gestão da prefeitura é ruim ou péssima e apenas 17% afirmaram ser boa ou ótima;

2. A admiração dos eleitores pelo atual prefeito vem diminuindo: na última pesquisa apenas 14% dos eleitores disseram que o admiram, enquanto que 84% afirmaram que não o admiram;

3. De (1) e (2) acima, depreende-se que as recentes manifestações de solidariedade recebidas pelo prefeito, pela forma como foi tratado pelo seu próprio partido, não redundaram em mudanças de percepção do eleitorado sobre suas gestão e imagem;

4. A categoria de votos brancos, nulos e indecisos vem caindo sistematicamente à medida que o pleito se vai aproximando: de abril para junho houve uma queda de 8 a 10 pontos de percentagem, situando essa categoria, hoje, no entorno de 35%;

5. O recifense, em sua grande maioria, ainda não despertou para a eleição majoritária para prefeito da capital, tanto assim é que 67% dos eleitores, na média das cinco pesquisas, afirmaram que não se interessam ou estão pouco interessados no pleito [este fato influencia o item (4)];

5. O PT continua sendo muito forte e admirado junto ao eleitorado recifense: na última pesquisa, 53% dos eleitores disseram que o partido merece continuar à frente da prefeitura independentemente do candidato que o represente;

6. Os 36% de intenção de votos recebidos pelo senador Humberto Costa na última pesquisa são fruto de seu próprio recall, da grande exposição que teve na mídia recentemente, da força eleitoral do seu partido, da apropriação das intenções de voto de João da Costa e da absorção do contingente de votos brancos, nulos e indecisos, que diminuiu de abril para junho. Há que se considerar, também, uma possível associação do nome de Humberto ao do governador Eduardo Campos, induzindo uma parcela do eleitorado a identificar o senador como ainda candidato do governador; 

7. O deputado federal Mendonça Filho continua sempre postado entre os dois primeiros lugares nas pesquisas e aparecendo como o pré-candidato mais competitivo da oposição. No levantamento de junho pontuou 17% de intenções de voto;

8. Dos pré-candidatos da oposição, Mendonça Filho é crescentemente identificado pelo eleitor como sendo o mais preparado para ser prefeito, atingindo em junho um índice de 19% de menções;

9. A oposição vem perdendo terreno no período dezembro-junho. A soma das intenções de voto dos seus componentes alcança apenas 28% agora em junho, percentual menor do que o atingido pelo senador Humberto Costa; 

10. Para haver segundo turno é necessário que a soma dos votos de todos os candidatos seja maior do que a pontuação da candidatura líder. Caso contrário, a postulação que se encontra na liderança atingirá 50% mais um dos votos válidos e aí o desfecho dar-se-á no primeiro escrutínio; 

11. Os eleitores têm a percepção, cada vez mais nítida, de que João Paulo não é candidato a prefeito, tanto assim é que suas menções espontâneas vêm caindo vertiginosamente ao longo do período considerado, atingindo agora em junho apenas 2% de referências;

12. Os eleitores apontaram em todas as cinco pesquisas, em primeiro e segundo lugares, respectivamente, segurança e saúde/hospitais como os dois principais problemas do município. Saneamento/esgoto, trânsito e desemprego alternam-se nas terceira, quarta e quinta colocações; 

13. O lançamento de uma candidatura alternativa pelos socialistas vai acarretar a necessidade de a oposição restringir-se a uma candidatura, sob pena de não o fazendo ser completamente eclipsada pela polarização PT/PSB, partidos que tendem a ser protagônicos na disputa deste ano, no Recife. 


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Foto publicada em reportagem leva cigana do Recife a reencontrar o pai

20.06.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Por Agência Brasil

Com o uso de ferramentas de busca pela internet e das redes sociais, Daiane reviu o pai 12 anos depois  

 (Elza Fiúza/ ABr)


Longe do lar há 12 anos, Daiane da Rocha, 23 anos, moradora de Recife, é o exemplo de como a mobilização de parentes e amigos pôde realizar o sonho de reencontrar a família nessa segunda-feira (18). Com o uso de ferramentas de busca pela internet e das redes sociais, Daiane identificou seu pai há 15 dias em fotografia publicada pela Agência Brasil (ABr) como personagem da reportagem especial Ciganos: Um Povo Invisível, divulgada em 2011.

Daiane é cigana, nascida em Belo Horizonte, mas, ainda criança, foi com a família morar na cidade goiana Jardim Ingá. Após a fuga da mãe, ela se viu com a responsabilidade de cuidar de cinco irmãs. Teve de largar a escola e passou a morar em assentamentos com outros ciganos. A pressão de parentes e o preconceito com o fato de a mãe não ser cigana levaram a então pré-adolescente a fugir de casa.

Eu sentia muita dor, ficava muito triste. Sentia muita raiva dela [da mãe], porque era muita humilhação ver minhas irmãs sem roupa e dependendo de um prato de comida da família ao lado. Minha mãe não era cigana, por isso, [parentes] diziam que eu era diferente e isso me forçou a sair de lá, disse Daiane.

Com a ajuda de uma tia, Daiane conseguiu deixar a vida cigana, com a promessa de que retomaria os estudos, e seguiu rumo a Pernambuco. Chegando a Garanhuns, ela se deparou com uma situação bem diferente, pois foi obrigada a pedir esmola na rua. No entanto, em menos de um mês conseguiu fugir novamente, com a ajuda de um caminhoneiro e, após muita procura, conseguiu trabalho como empregada doméstica em casa de família. Eu trabalhava em troca de comida e abrigo. Tinha 15 anos e ela [a dona da casa] não me deixava estudar.

Após ser dispensada, a cozinheira da casa a acolheu como filha. Daiane passou a morar no bairro Nova Descoberta, em Recife. Lá, apesar das dificuldades, profissionalizou-se cabeleireira e manicure pelo Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem), do governo federal. Hoje, Daiane exerce a profissão com carteira assinada, é casada e tem dois filhos. Mesmo tendo fugido de casa, ela garante que nunca deixou de procurar o pai.

Nunca desisti de procurar. Eu imaginava o pior, achava que meu pai tinha muito ódio de mim. A minha tia ficava colocando na minha cabeça que ele não me queria mais, porque tinha saído de lá [da casa]. Eu disse que queria voltar, mas ela me botava muito medo, relembra a jovem.

A dona do salão de beleza onde Daiane trabalha, Virgínia Campello, se comprometeu a ajudar a moça. Desde então, usou as redes sociais como instrumento de divulgação da história da cigana. No início de junho, uma amiga enviou a foto do comerciante Wanderlei da Rocha, tirada pelo fotógrafo da ABr Marcello Casal Júnior. Na mesma hora em que vi [a fotografia], descobri que era meu pai, disse Daiane.

Com a ajuda da patroa e das colegas do salão, Daiane chegou a Brasília na manhã de ontem (18). Saiu do aeroporto em direção a Planaltina de Goiás, onde mora o pai. Após uma hora de viagem, ela finalmente reencontrou o pai e as irmãs. Emocionada, Daiane desmaiou assim que abraçou Wanderlei. O choro tomou conta de toda a família. A cigana teve a oportunidade de rever tios, primos e sobrinhos. Se eu tivesse alguma coisa para completar a minha vida, foi preenchida hoje. Qualquer palavra é pouco para dizer o que estou sentindo agora, declarou Wanderlei.

Cerca de 20 pessoas, entre filhos, irmãos e sobrinhos, moram com Wanderlei em uma pequena chácara na zona rural de Planaltina de Goiás. Apesar de ter uma casa de alvenaria, pelo terreno há ainda três barracas de lona. Segundo o comerciante, o objetivo é manter a tradição cigana.

Para Virgínia Campello, o fato de estar presente em uma casa simples de uma área rural faz com que as pessoas repensem os valores. No meio dessa simplicidade todinha, olha só o que aconteceu. Realmente, a gente tem de aprender a viver do essencial, porque o essencial é a família. O resto é acessório.A chegada de Daiane foi festejada com danças típicas, além de um churrasco. A cabeleireira deve ficar uma semana com a família e depois retorna para Recife para reencontrar o marido e os filhos. Agora que encontrei meu pai vou manter contato. Quero levá-lo para lá [Recife], para conhecer minhas filhas e meu marido.

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