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quinta-feira, 14 de junho de 2012

MÍDIA GOLPISTA DERROTADA: Agnelo na CPI: derrota da oposição

14.06.2012
Do BLOG DO MIRO, 
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:


Já perto do fim da sessão desta quarta-feira, Cássio Cunha Lima, senador pelo PSDB, admitiu que o governador Agnelo Queiroz conseguiu provar sua inocência em relação ao esquema Cachoeira. Aproveitou, contudo, numa jogada esperta, ou supostamente esperta, para inocentar igualmente Marconi Perillo. Lembrou um advogado que tentasse inocentar Fernandinho Beira-Mar dizendo que não há provas contra Bin Laden. Ou seja, uma coisa não tem nada a ver com outra.

Marconi Perillo era um membro do clube Cachoeira. Era amigo pessoal do bandido (telefonou-lhe pessoalmente para lhe desejar feliz aniversário) e tinha com ele íntimas ligações financeiras (Cachoeira foi preso na casa que Perillo lhe vendeu).

Ficou provado que o esquema Cachoeira tentou derrubar Agnelo. Há gravações que mostram o próprio Cachoeira xingando o governador por não conseguir arrancar o que queria de sua administração, ameaçando botar o “gordinho” (apelido de Demóstenes Torres) e a revista Época para prejudicá-lo. Dias depois Demóstenes subiu à tribuna para pedir o impeachment do governador do Distrito Federal. E a revista Época iniciou ataques sistemáticos contra Agnelo. Ou seja, mais uma vez observamos a mídia aliada ao crime organizado.

O fato é que o depoimento de Agnelo resultou numa estrondosa derrota da oposição. Alguns parlamentares falaram em “xeque-mate” de Agnelo, ao abrir a sessão oferecendo seus sigilos bancários, fiscal e telefônico. Parlamantares do PSDB, DEM e PPS não conseguiram sequer encontrar acusações consistentes contra o governador e começaram a levantar fatos totalmente desconectados do foco da CPI.

Os sigilos de Agnelo já tinham sido quebrados pela Justiça ao final do ano passado, num daqueles escândalos que, agora sabemos, tinham o dedo do esquema Cachoeira-Veja, mas somente os fiscais e bancários. Agnelo acrescentou agora seus sigilos telefônicos e de email.

Com isso, criou-se uma enorme onda nas redes sociais e na própria comissão para quebrar o sigilo de Marconi. O governador de Goiás, vendo o fato consumado, procurou-se adiantar-se e também ofereceu seus sigilos.

Estou muito curioso para ver como a imprensa repercutirá o dia de hoje. Certamente os colunistas continuarão desqualificando a CPI, mas todas acusações que se fazia contra ela já caíram por terra.

Falaram que havia interesse de blindar a Delta. Pois bem, o sigilo nacional da empresa foi quebrado, a Controladoria Geral da União declarou-a inidônea e todos seus contratos com o governo federal estão disponíveis na internet.

Falaram que havia acordo para blindar governadores: pois bem, ambos foram convocados pela CPI, prestaram esclarecimenots e seus sigilos serão quebrados e suas vidas devassadas.

A CPI engrenou de vez.

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DENÚNCIAS:Justiça autoriza exumação do corpo de aposentado espancado por PMs no Pinheirinho

14.06.2012
Do  blog VI O MUNDO, 12.06.12


 
Após a primeira sessão de espancamentos, o senhor Ivo Teles chama os PMs de covardes e mostra-lhes os machucados. As imagens são do dia 22 de janeiro de 2012, data do “massacre de Pinheirinho”. Horas depois, ele foi internado no Hospital Municipal de São José dos Campos. Fotos: Blog do Gusmão

No dia 22 de janeiro deste ano, os moradores de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), foram expulsos de suas residências por uma força policial que uniu dois mil homens da PM paulista, mais um contingente ignorado da guarda civil do município.

A ação obedeceu a uma ordem da juíza Márcia Loureiro, que determinou a reintegração de posse, com aprovação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, ambos do PSDB.

A área onde estavam os moradores de Pinheirinho possui mais de um milhão de metros quadrados, e pertence ao especulador financeiro, Naji Nahas, preso em 2008 pela polícia federal (operação Satiagraha), por crimes contra o sistema financeiro.

Cerca de 1600 famílias (aproximadamente 8000 pessoas) foram expulsas violentamente. Segundo a jornalista Conceição Lemes (do site Viomundo), “trabalhadores foram espancados, um baleado nas costas, dois óbitos de alguma forma relacionados à reintegração de posse, pais barbarizados (tiveram armas apontadas para a cabeça) na frente dos filhos, animais mortos a tiros. Tudo o que tinham – de moradia, móveis, geladeiras, computadores, TV a brinquedos, livros, fotos, filmes, documentos – foi destruído. Gente que ficou sem passado, vive um presente miserável (há pessoas morando na rua) e não sabe qual será o futuro”.

Entre os flagelados, se encontrava Ivo Teles dos Santos, um ilheense de 69 anos, aposentado, suspeito de ter sido barbaramente espancado pelos policiais.

No mesmo dia da expulsão, 22 de janeiro, Ivo Teles deu entrada no Hospital Municipal de São José dos Campos, onde ficou internado por dois meses. O aposentado, que morava só em Pinheirinho num lugar chamado “Cracolândia”, só foi encontrado no dia 03 de fevereiro, por sua ex-companheira, Osorina Ferreira de Souza, com quem viveu durante 20 anos. A ex-mulher afirma ter encontrado Ivo Teles entubado e em pleno estado de coma.

PROMOTOR CONSEGUIU QUE O CORPO FOSSE EXUMADO NA BAHIA

Ivo Teles saiu de Ilhéus nos anos 80, para buscar emprego em São Paulo. Deixou uma filha de sete anos, Ivanilda Jesus dos Santos.

O Blog do Gusmão conversou com a filha do aposentado, hoje com 34 anos. Ivanilda, camareira de um hotel da zona sul de Ilhéus, afirmou que teve pouco contato com o pai. “Passei quase toda a minha vida procurando ele. 

Depois que foi para São Paulo, só veio aqui quando eu tinha nove anos. Sofri muito pela falta de meu pai. Certa vez, quando eu tinha 13 anos, fiquei sabendo que ele estava em Itabuna (a 26 km de Ilhéus). Fugi de casa, sem avisar a ninguém e voltei triste, pois não achei ele. Depois de um tempo, fiquei sabendo que ele já estava aposentado e morava em São José dos Campos, com uma senhora. Eu não sabia que ele morava naquele lugar, em condições tão ruins. Só fui descobrir quando ele estava internado no hospital, em coma. Fui avisada por Osorina no início de março, e fui para São Paulo cuidar dele”.

Ivanilda não quis ser fotografada, mas relatou seu sofrimento durante duas horas a este blog. Ela conta que foi para São José dos Campos no dia 16 de março desse ano. Custeou a passagem área (ida) com dinheiro do próprio bolso, parcelada no cartão de crédito.

Em São José, depois de muitos anos sem vê-lo, ela encontrou o pai internado, com vários hematomas espalhados pelo corpo, pernas paralisadas, muitos pontos na cabeça e com um furo no pescoço (devido à traqueostomia: infiltração de um tubo para passagem de ar).

No dia 21 de março, o pai teve alta médica, entretanto, não conseguia falar, e só podia se locomover em cadeira de rodas. Com todas as dificuldades, Ivanilda trouxe o pai de volta a Ilhéus. “Apesar dos problemas, enfim consegui ver meu pai. Eu estava disposta a cuidar dele. Ele estava doente, mesmo assim, ele me reconhecia e me abraçava. Mesmo sofrendo, ele queria carinho e não queria que eu saísse de perto dele”.

Quando cuidou do pai, Ivanilda teve a ajuda da tia paterna, Roseneide Santos Barreto, 47 anos. Apesar dos cuidados da família, Ivo Teles não suportou as complicações. No dia 08 de abril, deu entrada no Hospital Regional de Ilhéus em estado grave.

Segundo Ivanilda, o médico plantonista não o atendeu. Alegou não ser especialista no tipo de atendimento necessário, e recomendou que o aposentado fosse levado para casa. O nome do médico não foi revelado.

No dia 10 de abril, Ivo Teles dos Santos faleceu, aos 70 anos, diante dos prantos da filha desgarrada que pouco conviveu. O sepultamento ocorreu no dia 11, no cemitério São João Batista, no bairro do Pontal, Ilhéus.

As causas da morte de Ivo Teles são alvo de intensa discussão entre a Defensoria Pública Estadual de São Paulo e representantes da Polícia Militar paulista.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE) acusa a Polícia Militar de ter espancado o aposentado, diante dos olhares de várias testemunhas. O caso tem o acompanhamento do defensor público Jairo Salvador.

O Hospital Municipal de São José dos Campos afirma que o senhor Ivo Teles sofreu um acidente vascular hemorrágico (AVCH). Parlamentares e integrantes do Condepe questionam, pois o aposentado apanhou muito e foi visto, mal conseguindo andar, cheio de hematomas. O hospital não divulgou o boletim de atendimento de urgência (BAU), documento que descreve as condições de Ivo Teles quando recebeu os primeiros cuidados.

A filha, Ivanilda, tem sido procurada pela imprensa paulista, incluindo a Folha de São Paulo e a apresentadora Sonia Abrão. Entretanto, prefere a discrição do que atender os apelos da mídia. Apenas o Blog do Gusmão, graças às informações do blogprog SP, conseguiu manter um contato mais duradouro.

Wilker dos Santos Lopes e Luis Magda Nascimento, oficiais da polícia militar paulista, procuraram Ivanilda duas vezes no hotel em que ela trabalha. Queriam saber se Ivo Teles foi bem tratado em Ilhéus e acompanharam um depoimento dela na Defensoria Pública da cidade. Os pms disseram que o aposentado não deveria ter saído de São José dos Campos.

Aos policiais, Ivanilda questionou os hematomas encontrados no corpo do pai. Segundo ela, um homem de 70 anos não deveria ter sido tratado com violência. Os policiais teriam dito: “quando seu pai ofereceu resistência, ele não se comportou como um velho”. Eles levaram uma cópia do atestado de óbito. No documento, consta como causa da morte “falta de atendimento médico”.

O defensor público Jairo Salvador, por meio da justiça baiana, solicitou a exumação do corpo de Ivo Teles. O juiz Antônio Alberto Faiçal Júnior, da 2° Vara Criminal de Ilhéus, determinou a realização do procedimento no dia 14 de junho, na próxima quinta-feira.

Após a exumação, Ivanilda pretende voltar a São José dos Campos, para retirar uma cópia do boletim de atendimento de urgência, do hospital municipal.

O Blog do Gusmão conseguiu imagens exclusivas do aposentado Ivo Teles, gravadas no dia do “Massacre de Pinheirinho”.


Leia também:



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MANIPULAÇÃO DA GLOBO: Daniel na cova dos leões

14.06.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 12.06.12
Por Eduardo Guimarães

Daniel  foi um profeta cristão retratado no Antigo Testamento. Tudo o que se atribui a esse personagem figura no “Livro de Daniel”. O profeta mergulhava em visões apocalípticas que se transformaram em contos e se eternizaram. Entre tais contos, “Daniel na cova dos leões”. Uma metáfora perfeita.
O Daniel bíblico foi homem de virtudes, pensador emérito que obscurecia a todos e que desagradou ao rei dos Sátrapas (povo de uma província da Pérsia, hoje Irã) louvando a Deus, o que era proibido. Só o rei poderia ser louvado, pelo que Daniel foi punido sendo atirado em uma cova de leões fechada com uma pedra.  O fim da história é que Deus impediu os leões de jantarem Daniel.
Louvar a Deus e desagradar a um rei mortal pode ser uma metáfora para o confronto entre o livre arbítrio concedido aos mortais pelo Criador e a tirania que pretende impor como cada um deve pensar, falar e agir.
Lembrei-me do conto bíblico por conta de um Daniel contemporâneo que não desafiou a tirania, mas que foi vítima da própria crença no livre arbítrio. Daniel  Echaniz participou da edição 2012 do Big Brother Brasil, da Globo. Acreditando-se protegido pelas regras do jogo que conhecia, manteve um relacionamento tórrido com uma das beldades da “Casa” e, por irresponsabilidade da emissora, acabou tendo sua vida destruída.
Em busca de audiência a qualquer preço, a Globo instiga os “brothers” à bebedeira, ao sexo e à desinteligência entre si; a brigalhadas de baixo nível para despertar os instintos mais baixos do público. Nesse processo, era imperdível a cena que o Daniel contemporâneo e a modelo Monique Amin protagonizariam após se embebedarem até cair.
Daniel foi se deitar e Monique, mais bêbada do que ele, o procurou. Deitou-se ao seu lado, engalfinharam-se sexualmente sob o edredon. Enquanto isso, a câmera indiscreta do Big Brother transmitia tudo para o resto do país. Daniel e Monique fizeram sexo. Os movimentos sob o tecido mostraram isso, mas, como ela parecesse inerte durante o ato, as redes sociais foram tomadas por “denúncias” de que ele a teria “estuprado”.
A tese, que investigação policial posterior desmontou, é a de que Daniel teria tido o sexo negado por Monique e, após ela adormecer sob efeito da bebedeira, teria se aproveitado da situação para copular consigo sem que soubesse, praticando “abuso de vulnerável”. Os depoimentos dela e dele à polícia e à Justiça, porém, encerraram o caso. Foi tudo consensual.
Ainda que tenha estimulado Daniel, a Globo, assustada com as pressões da Polícia, do Ministério Público e de outras autoridades jogou Daniel aos leões ao defenestrá-lo do programa. Saiu sob afirmação da emissora de que teve “conduta imprópria”, ou seja, a Globo acusou o rapaz negro pelo que ele e a loira filha de eminente família de Santa Catarina fizeram consensualmente sob as cobertas.
No domingo, o UOL publicou entrevista de Daniel em que ele demonstrou ter descoberto sozinho tudo o que se diz sobre a Globo na blogosfera, que se trata de um poder opressivo que não hesita em destruir vidas.
A ironia que esse episódio encerra, é descomunal.  O mesmo Daniel, na estréia da edição deste ano do BBB, foi confrontado pelo apresentador Pedro Bial com uma questão que aludiu às reclamações de movimentos sociais contrários à discriminação racial, isto é, sobre o fato de que ele era o único negro em meio a quase duas dezenas de “brothers”.
Bial perguntou a Daniel, capciosamente, se achava que deveriam existir “cotas” para negros no programa, ao que o perguntado respondeu que não, pois, sob a pele, todos temos sangue vermelho. Foi mel na chupeta para o racialismo contido na escolha dos participantes do Big Brother Brasil.
Daniel foi comportado. Fez o que a Globo esperava dele, ou seja, que não criticasse que em um país em que, segundo o IBGE, mais da metade da população é negra ou descendente de negros, uma emissora selecione só um homem negro. O aval de um negro era essencial para coonestar o racialismo do programa.
Na hora em que a chapa esquentou, porém, o negro foi tratado como a elite branca trata a todos os outros. Atiraram nele primeiro e perguntaram depois. Daniel não teve “comportamento impróprio” algum no âmbito das regras do jogo que disputava. Não foi a primeira vez que um casal fez sexo naquela tevê para o país todo ver.
A entrevista do modelo ao UOL é imperdível porque mostra ele dizendo tudo que é dito em espaços como este sobre a Globo. Estão lá todas as premissas, de que a Globo se porta como o rei que atirou o profeta aos leões, que todos temem a emissora como temiam o rei persa. Leia, abaixo, a entrevista e, em seguida, as conclusões do blogueiro.
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UOL – Como está sendo sua relação com as pessoas na rua? Você sofreu algum tipo de represália ou as pessoas estão te tratando bem?
Daniel Echaniz – As opiniões são sempre divididas. Por enquanto, boa parte das pessoas está do meu lado, indignada com a situação. Muitas pessoas falam para eu processar a TV Globo, dizem que tudo o que aconteceu foi culpa dela. Mas quando as pessoas não sabem do fato em si, tiram opiniões precipitadas. Depois que fui inocentado, com o andar da carruagem, as pessoas viram que não era bem assim. Se eu fui inocentado, não tem mais o que falar. Tudo caiu por terra. Não fui inocentado por um achismo. Fui inocentado por um juiz, que avaliou as provas. O cara viu que eu não fiz nada. Então a opinião das pessoas mudou um pouco de figura. Muitas pessoas que me julgaram na ocasião estão arrependidas. É o que eu sempre digo: ‘quando você aponta o dedo para alguém tem três apontados para você’. Agora as coisas estão se acalmando.
E a sua mãe? Ela ficou bem abalada na época. Como ela está atualmente?
Minha mãe e minha mulher [a modelo Mônica Silva] ficaram muito impressionadas e na época não podiam falar nada. Até por tudo o que aconteceu. Minha mãe e a Mônica estavam muito expostas. Venho de uma família muito humilde, independentemente de ser modelo e viajar o mundo inteiro. Não sou só um cara bonitinho. Fiz por onde para chegar onde cheguei na minha carreira. E todo mundo sabe que minha mãe vende jornal no sinal. Na época, ela teve que vender jornal comigo na capa, como estuprador.  E as pessoas compravam o jornal falando mal de mim. E ela tinha que dizer: ‘Ele não é safado, é o meu filho’. Então para ela foi muito sofrido. Julgar é muito fácil. Se falassem só de mim, tudo bem. Mas envolveu toda a minha família.
Sua família foi afetada por conta do episódio?
Minha irmã é professora e teve problema na escola. Meu irmão que trabalha com informática também teve problema no trabalho.
Você ficou com mais raiva da TV Globo por ter afetado a sua família também?
Não tenho raiva porque opinião todo mundo pode ter. Acho que as pessoas só podiam ter um pouco mais de respeito. A Deborah Secco, a Fernanda Paes Leme, a Carolina Dieckmann e a Preta Gil, por exemplo, tinham que ter noção da força da palavra delas. O movimento que elas começaram na internet, quando aconteceu o episódio, tomou força porque elas abraçaram a palavra estupro. É a mesma coisa que eu chegar e falar que você é uma mentirosa, que nada do que você escreve é verdade. Você dificilmente vai ter crédito no seu trabalho. Você vai ter que começar do zero e provar tudo o que você é e já conquistou no seu trabalho de novo. Elas não tiveram essa consideração com a pessoa Daniel. Não pensaram que tenho família, sentimentos. Elas não pensaram na força da mídia.
Você vai processar a TV Globo?
Vou processar a TV Globo e a Endemol por danos morais e materiais. Ainda não entrei com o processo. Pretendo processar toda e qualquer pessoa que denegriu a minha imagem. O que aconteceu comigo no “Big Brother Brasil” virou tese de mestrado em faculdade de direito. Na tese, foi mostrado que eu não tinha culpa. Até porque tem N elementos. O simples fato de a Monique deitar na cama comigo já quebra o ato do estupro, porque ela me procurou. Tem coisas pelas quais as pessoas me condenaram e não sabem. Em momento nenhum fiquei na posição de réu, tampouco na posição de vítima. Eu e a Monique demos os nossos depoimentos na posição de testemunhas. Não tinha uma vítima e um réu de fato.
Você acha que foi retirado do programa e julgado por preconceito, por ser negro?
O que eu acho é que houve um equívoco muito grande por parte do diretor do programa [Boninho]. Eles já tinham feito a besteira e não deu para voltar atrás. Se foi preconceito não sei.
Como você foi selecionado para entrar no programa?
Diferentemente do que muitos pensam, eu tinha negado participar do programa quatro vezes. A equipe do programa me procurou e insistiu para que eu participasse. Em momento algum mandei material. Eles me acharam no camarote da Skol Sensation e me convidaram para participar. Eu não procurei a direção do programa. Já tinha um contrato fechado para ir para a África do Sul. Mas parei para analisar e pensei que com o dinheiro poderia ajudar a minha família e abrir uma ONG para deficientes físicos.
Você se arrepende de ter entrado, então?
Não sei se me arrependo de ter entrado. O que me deixou chateado foi que eles me tiraram o direito de concorrer ao prêmio em dinheiro e à aventura de estar enclausurado. Queria ver como eu lidaria com o confinamento. Eles me tiraram esse direito. Depois de tudo o que aconteceu, fiquei muito triste. Perdi trabalhos que provavelmente eu não vou mais fazer. E isso tomou proporções internacionais. Saíram matérias no Japão, na África do Sul… Diferentemente do que a TV Globo acha, tenho uma potência a meu favor que é a internet. Ao mesmo tempo que ela te coloca como Deus, ela te coloca como diabo em dois segundos. Tenho tudo isso documentado. Eles acabaram com a minha carreira de 12 anos.
Você não quis aceitar o convite do Faustão para falar sobre o caso. Por quê?
Mentira. O Faustão me convidou para ir e a TV Globo me proibiu de ir. Em momento nenhum eu me neguei a ir ao programa dele. Pelo contrário. Queria ir. Mas a direção da TV Globo me proibiu. O horário em que é exibido o “Domingão” é do Faustão. Por isso ele convida e fala o que quer. A TV Globo tinha medo que eu fosse e falasse algo que a colocasse em alguma saia justa.
Você conversou com o Boninho e o Bial após o caso? O que eles te disseram?
Não houve uma conversa. Eles não me procuraram para se retratar nem para falar nada.
O que a Globo te ofereceu em troca após te eliminar do programa? E qual seria o valor dessa ajuda de custo que a Globo ficou de pagar e não cumpriu?
Estávamos em negociação para chegar a um denominador comum, que fosse legal e viável para os dois lados para que eu não tomasse a atitude de ir para frente com o processo. Afinal, um processo demora anos. E a lei no nosso país é muito lenta. E a TV Globo tem força e pode usar dessa força para o seu bem próprio. Acredito na Justiça e espero que ela seja feita. O quanto ela vai ser lenta nós não podemos saber. Tenho um filho para criar, estou sem trabalho e com o filme queimado.
Você espera algum tipo de retratação da Globo pelo ocorrido?
Claro. Mas isso nunca vai acontecer. Na história da TV Globo você já viu ela pedir desculpa para alguém? Por isso, enquanto eu puder lutar e fazer Justiça para que num país como o nosso não sejamos reféns de uma emissora, eu vou lutar. Todo mundo tem medo da TV Globo. Qual é o segredo de tanto poder? Já se perguntaram, já pararam para pensar nisso? Da mesma forma que ela fez isso comigo, pode fazer com outras pessoas. Até quando vamos dar poder a uma emissora para falar o que pode ser feito? O brasileiro tem o direito de pensar livremente.
Você está morando no Rio ou em São Paulo? Ainda está andando de carro blindado e mudando de endereço?
Estou morando em São Paulo e andando de ônibus e metrô, como sempre andei. Tenho uma vida normal. Mas várias vezes ainda me sinto privado de algumas coisas pela situação que a TV Globo me deixou. Vou ter um filho e ele vai sofrer com isso. Vai sofrer bullying no colégio. ‘Sabia que você tem um coleguinha que o pai é estuprador?’. A TV Globo foi tão cruel que não pensou na consequência do que fez comigo. Não tenho por que me calar e ter medo. Claro que eu tenho que saber o que falar porque tudo pode ser usado contra mim. Estou totalmente livre, leve e solto.
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A diferença entre o Daniel bíblico e o contemporâneo é que não haverá nenhum Deus para salvar a este dos “leões”. Ele foi e continuará devorado. Está processando a Globo. Passará décadas nesse processo. Enquanto isso, estará na lista negra global, ou seja, pode esquecer a carreira de modelo. No resto do mercado de trabalho, a versão da Globo prevalecerá.
Esse rapaz vai trabalhar em quê? Como sobreviverá? Se tiver economias, talvez fosse bom refazer a vida em outro país.
Não haverá Deus ou Justiça para Daniel. Nenhum juiz lhe devolverá o que a Globo lhe tirou simplesmente por ter feito o que ela esperava que fizesse. E, enquanto o negro é confinado ao canto mais sombrio da senzala, a branca ruma ao estrelato. Obviamente que começando por posar pelada para uma revista masculina.

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Álvaro Dias, José Agripino, Onix abrem seus sigilos ou são da bancada do Cachoeira?

14.06.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Em 9 de novembro de 2011, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), o senadorÁlvaro Dias (PSDB-PR), o senador José Agripino Maia (DEM-RN), o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) e outros foram até a Câmara Distrital, realizar um dos serviços sujos desejados pela turma do bicheiro Carlinhos Cachoeira: pedir o impeachment do governador Agnelo Queiroz (PT-DF).

O episódio ficou registrado nesta foto exibida durante a CPI:

Onix Lorenzoni, Demóstenes Torres, José Agripino Maia, Alvaro Dias
na Câmara Distrital para pedir o impeachment de Agnelo Queiroz,
conforme interessava ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Agora, todos estes parlamentes precisam abrir seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos para provarem que não eram da bancada do bicheiro Cachoeira, como era Demóstenes Torres.

Leia também:
- Onix, Francischini, Sampaio e Sávio substituem Demóstenes na defesa de Cachoeira. Abrem seus sigilos?

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Onix, Francischini, Sampaio e Sávio substituem Demóstenes na defesa de Cachoeira. Abrem seus sigilos?

14.06.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA,13.06.12

Os deputados Onix Lorenzoni (DEM-RS), Francischini (PSDB-PR), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Domingos Sávio (PSDB-MG), topam oferecer à CPI do Cachoeira, seus sigilos bancários, fiscal e telefônico?

O motivo é muito simples: Em plena CPI do Cachoeira, em vez de investigarem o esquema do bicheiro, os quatro agiram na direção dos interesses do esquema Cachoeira, ou seja, agiram para derrubar quem representou obstáculo aos objetivos do bicheiro, como o governador Agnelo Queiroz (PT-DF).

Os quatro aparecem exercendo o papel que era do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), o principal braço parlamentar do esquema.

Os quatro blindaram Cachoeira, tirando o bicheiro de foco e atacando Agnelo (inimigo do esquema) com acusações da campanha eleitoral do DF em 2010, abastecidas a partir de dois outros esquemas barra pesada: de Joaquim Roriz, e do mensalão do DEM (de José Roberto Arruda). Os quatro fizeram o mesmo que Cachoeira estava fazendo via Demóstenes.

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Depoimento de Agnelo à CPI põe Perillo e mídia sob suspeita

14.06.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 13.06.12
Por Eduardo Guimarães
Os depoimentos à CPI do Cachoeira dados pelos governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, materializaram a percepção que se tinha neste blog e que tantas vezes foi externada, isto é, a de que o primeiro governador ainda tem muito a explicar e de que o segundo talvez nem devesse ter sido convocado por absoluta falta de motivos.
A diferença de desempenho dos dois governadores foi gritante. Perillo se esquivou de perguntas, não soube explicar sua relação com Carlos Cachoeira e, mais importante, além de não ter oferecido a quebra de seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático (e-mails, SMS’s) como fez Agnelo, recusou o pedido do relator da Comissão, Odair Cunha, nesse sentido.
O resultado da suspeitíssima recusa de Perillo em permitir, por moto próprio, que a CPI pudesse aferir em seus sigilos se é verdadeiro o pouco que afirmou peremptoriamente em um depoimento marcado pela dubiedade, foi o de que o relator anunciou requerimento de votação para quebra de sigilo dos dois governadores à revelia do que desejem.
Para Agnelo, não haverá diferença. Antes mesmo da votação sobre quebra de seu sigilo e do de Perillo já aceitou que fosse quebrado em qualquer período que se deseje. Para Perillo, porém, será um constrangimento. E será, porque ficará extremamente suspeito se a bancada da oposição na CPI votar contra.
Além de Perillo, a mídia também ficou mal na foto. Agnelo revelou um fato que só os muito informados sobre o caso sabiam e que Globo, Folha, Estadão, Veja e companhia limitada esconderam: só há um contrato entre o governo do Distrito Federal e a empreiteira Delta e esse contrato foi firmado na administração anterior da capital brasileira.
Mais além ainda, Agnelo citou escutas da Polícia Federal que jamais saíram na imprensa e que mostram que a quadrilha reclamava de si, que fazia ameaças de derrubá-lo por combatê-la e que chegava a insultá-lo pesadamente por atrapalhar seus planos. Além disso, Agnelo revelou que as mesmas escutas mostram a mesma quadrilha comemorando reportagens da Veja que o atacavam.
Por fim, Agnelo apresentou uma pilha de documentos incontestáveis, emitidos por órgãos oficiais, que o isentam de acusações da mídia sobre “aumento inexplicável” de seu patrimônio e de ações de seu governo em favor da Delta, que restou caracterizada como alvo de uma verdadeira ofensiva do governo de Brasília contra si, com medidas que lhe causaram prejuízo.
Um detalhe: o senador Randolfe Rodrigues, do PSOL, um oposicionista renhido, reconheceu o bom desempenho de Agnelo e, no dia anterior, mostrou enorme descontentamento com o desempenho de Perillo.
A ocultação de fatos e informações por parte de Perillo e da mídia, portanto, reforçam a percepção de que esses agentes têm o que esconder. O caso de Perillo, porém, é mais grave. Sua recusa em oferecer seus sigilos à investigação sugere que teme o que possam revelar.
A estratégia de Perillo, aliás, foi feita com base nos discursos de seus aliados na CPI que trataram de tentar encerrar o assunto fazendo-lhe ovações por um desempenho dúbio, até suspeito. E mostra que ele e seus aliados não contavam com a atitude de Agnelo de oferecer o que negou.
Está claro que Perillo teme o que possa advir da quebra de seus sigilos. Sua recusa em colocá-los à disposição da CPI, portanto, foi uma jogada de risco. Achava que após o noticiário falso da mídia sobre seu “bom” desempenho no depoimento que prestou, não se tocaria mais no assunto. Foi surpreendido pela transparência de Agnelo.
Por fim, apesar da dubiedade do depoimento de Perillo, algumas afirmações ele não conseguiu escapar de fazer. E é aí que mora o perigo, pois tudo o que os dois governadores fizeram em termos de afirmação poderá vir a comprometê-los conforme caminhem os trabalhos da CPI. Se um diz que nunca conversou com este ou aquele, se tal conversa surgir estará frito.
É só um exemplo para explicar que todos os depoentes poderão ser vitimados pelas próprias palavras. Até mesmo as afirmações dúbias poderão encrencá-los. Bastará que surjam elementos que comprovem que o depoente omitiu, mentiu ou fugiu de dizer o que pode vir a ser comprovado.
A oposição demo-tucana e a mídia a ela aliada apostam alto na condenação de petistas pelo julgamento do mensalão e na premissa de que a CPI do Cachoeira não chegará a nada. Tratam-se de apostas de risco tão alto quanto o que correu Perillo ao recusar a quebra do próprio sigilo. Pode haver absolvições no julgamento e a CPI pode avançar mais do que pensam.
O clichê, portanto, torna-se inevitável: a esperteza, quando é muito grande, acaba engolindo o espertalhão.
ATUALIZAÇÃO
No meio da tarde desta quarta-feira, após a CPI ter aprovado a quebra dos sigilos de Perillo, ele mandou avisar que abriria mão desse sigilos
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TERROR DO NORDESTE: Três equívocos do PiG

14.06.2012
Do blog TERROR DO NORDESTE, 13.06.12

A cobertura de nossa “grande -imprensa” da atualidade política gira em torno de três equívocos. Por isso, mais confunde que esclarece. Os três decorrem da implicância com que olha o governo Dilma Rousseff, o PT e seus dirigentes. A mesma que tinha em relação a Lula quando era presidente.

Há, nessa mídia, quem ache bonito – e até heroico – ser contra o governo. E quem o hostilize apenas por simpatizar com outros partidos. Imagina-se em uma espécie de cruzada para combater o “lulopetismo”, o inimigo que inventaram. Alguns até sinceramente acreditam que têm a missão de erradicá-lo.

Não é estranho que exista em jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio, e nos portais de internet, quem pense assim, pois o mundo está cheio deles. E seria improvável que os empresários que os controlam fossem procurar funcionários entre quem discorda de suas ideias.

Até aí, nada demais. Jornalismo ideológico continua a ser jornalismo. Desde que bem-feito e enquanto preserve a capacidade de compreender o que acontece e -informar o público. O problema da “grande imprensa” é que suas antipatias costumam levá-la a equívocos. Como os três de agora. Vejamos:

O desespero de Lula

Pode haver suposição mais sem sentido do que a de que Lula esteja “desesperado” com o julgamento do mensalão?

Ele venceu as três últimas eleições presidenciais, tendo tido na última uma vitória extraordinária. Só ele se proporia um desafio do tamanho de eleger Dilma Rousseff.

Hoje, em qualquer pesquisa sobre a eleição de 2014, atinge mais de 70% das intenções de voto, independentemente dos adversários.

Seu governo é considerado o melhor que o Brasil já teve por quase três quartos do eleitorado, em todos os quesitos: economia, atuação social, política externa, ecologia etc. (sem excluir o combate à corrupção).

O mensalão já aconteceu e foi antes que galvanizasse a imagem que possui. Lula tem, portanto, esse conceito depois de passar pelo escândalo. O ex-presidente não tem nenhuma razão para se importar pessoalmente com o julgamento do mensalão. Muito menos para estar “desesperado”.

O que ele parece estar é preocupado com alguns companheiros, pois sabe que existe o risco de que sejam punidos, especialmente se o Supremo Tribunal Federal for pressionado a condená-los. Solidarizar-se com eles – e fazer o possível para evitar injustiças – não revela qualquer “desespero”.

A batalha paulista

Não haverá um “enfrentamento decisivo” na eleição para prefeito de São Paulo. Nada vai mudar, a não ser a gestão local, se José Serra, ou Fernando Haddad, ou Gabriel Chalita sair vitorioso.

Como a “grande imprensa” está convencida de que Serra vai ganhar – o que pode ser tudo, menos certo –, a eleição está sendo transformada em um “teste” para Lula, o PT e o governo Dilma. Ou seja, quem “nacionaliza” a disputa é a mídia. Apenas porque acha que Haddad vai perder. Se Serra vencer, o PSDB não aumenta as chances de derrotar Dilma (ou Lula) em 2014. Caso contrário, terá sua merecida aposentadoria.

O melhor que os tucanos podem tirar da eleição paulista é a confirmação da candidatura de Aécio Neves. Quanto ao PT e ao PMDB, vencendo ou perdendo, saem renovados. No médio e no longo prazo, ganham. Por enquanto, a mídia está feliz. Cada pesquisa em que Haddad se sai mal é motivo de júbilo, às vezes escancarado. Quando subir, veremos o que vai dizer.

É a economia, estúpido!

Sempre que pode, essa mídia repete reverentemente a trivialidade que consagrou James Carville, o marqueteiro que cuidou da campanha à reeleição de Bill Clinton.

Lá, naquele momento, foi uma frase boa. Aqui, não passa de um mantra usado para desmerecer o apoio popular que Lula teve e Dilma tem. Com ela, pretende-se dizer que “a economia é tudo”. Que, em outras palavras, a população, especialmente os pobres, pensa com o bolso. Que gosta de Lula e Dilma por estar de barriga cheia.

Com base nesse equívoco, torce para que a “crise internacional” ponha tudo a perder. Mas se engana. É só porque não compreende o País que acha que a economia é a origem, única ou mais importante, da popularidade dos governos petistas.

Nos últimos meses, a avaliação de Dilma tem subido, apesar de aumentarem as preocupações com a inflação, o emprego e o consumo. E nada indica que cairá se atravessarmos dificuldades no futuro próximo.

Lula não está desesperado com o julgamento do mensalão. Se Serra for prefeito de São Paulo, nada vai mudar na eleição de 2014. As pessoas gostam de Dilma por muitas e variadas razões, o que permite imaginar que continuarão a admirá-la mesmo se tiverem de adiar a compra de uma televisão. Pode ser chato para quem não simpatiza com o PT, mas é assim que as coisas são.

Marcos Coimbra, CartaCapital

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Ivo Teles, uma vítima do Pinheirinho


14.06.2012
Do BLOG DO MIRO, 13.06.12


No dia 22 de janeiro desse ano, os moradores de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), foram expulsos de suas residências por uma força policial que uniu dois mil homens da PM paulista, mais um contingente ignorado da guarda civil do município.


A ação obedeceu a uma ordem da juíza Márcia Loureiro, que determinou a reintegração de posse, com aprovação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, ambos do PSDB.

A área onde estavam os moradores de Pinheirinho possui mais de um milhão de metros quadrados, e pertence ao especulador financeiro, Naji Nahas, preso em 2008 pela polícia federal (operação Satiagraha), por crimes contra o sistema financeiro.

Cerca de 1600 famílias (aproximadamente 8000 pessoas) foram expulsas violentamente. Segundo a jornalista Conceição Lemes (do site Vi o Mundo), “trabalhadores foram espancados, um baleado nas costas, dois óbitos de alguma forma relacionados à reintegração de posse, pais barbarizados (tiveram armas apontadas para a cabeça) na frente dos filhos, animais mortos a tiros. Tudo o que tinham – de moradia, móveis, geladeiras, computadores, TV a brinquedos, livros, fotos, filmes, documentos – foi destruído. Gente que ficou sem passado, vive um presente miserável (há pessoas morando na rua) e não sabe qual será o futuro”.

Entre os flagelados, se encontrava Ivo Teles dos Santos, um ilheense de 69 anos, aposentado, suspeito de ter sido barbaramente espancado pelos policiais.

No mesmo dia da expulsão, 22 de janeiro, Ivo Teles deu entrada no Hospital Municipal de São José dos Campos, onde ficou internado por dois meses. O aposentado, que morava só em Pinheirinho num lugar chamado “Cracolândia”, só foi encontrado no dia 03 de fevereiro, por sua ex-companheira, Osorina Ferreira de Souza, com quem viveu durante 20 anos. A ex-mulher afirma ter encontrado Ivo Teles entubado e em pleno estado de coma.

Ivo Teles chama os pms de covardes, após a primeira sessão de espancamentos. Horas depois, foi internado no hospital municipal de São Jose dos Campos. Imagem do Blog do Gusmão.

Ivo Teles saiu de Ilhéus nos anos 80, para buscar emprego em São Paulo. Deixou uma filha de sete anos, Ivanilda Jesus dos Santos.

O Blog do Gusmão conversou com a filha do aposentado, hoje com 34 anos. Ivanilda, camareira de um hotel da zona sul de Ilhéus, afirmou que teve pouco contato com o pai. “Passei quase toda a minha vida procurando ele. Depois que foi para São Paulo, só veio aqui quando eu tinha nove anos. Sofri muito pela falta de meu pai. Certa vez, quando eu tinha 13 anos, fiquei sabendo que ele estava em Itabuna (a 26 km de Ilhéus). Fugi de casa, sem avisar a ninguém e voltei triste, pois não achei ele. Depois de um tempo, fiquei sabendo que ele já estava aposentado e morava em São José dos Campos, com uma senhora. Eu não sabia que ele morava naquele lugar, em condições tão ruins. Só fui descobrir quando ele estava internado no hospital, em coma. Fui avisada por Onorina no início de março, e fui para São Paulo cuidar dele”.

Ivanilda não quis ser fotografada, mas relatou seu sofrimento durante duas horas a este blog. Ela conta que foi para São José dos Campos no dia 16 de março desse ano. Custeou a passagem área (ida) com dinheiro do próprio bolso, parcelada no cartão de crédito.

Em São José, depois de muitos anos sem vê-lo, ela encontrou o pai internado, com vários hematomas espalhados pelo corpo, pernas paralisadas, muitos pontos na cabeça e com um furo no pescoço (devido à traqueostomia: infiltração de um tubo para passagem de ar).

No dia 21 de março, o pai teve alta médica, entretanto, não conseguia falar, e só podia se locomover em cadeira de rodas. Com todas as dificuldades, Ivanilda trouxe o pai de volta a Ilhéus. “Apesar dos problemas, enfim consegui ver meu pai. Eu estava disposta a cuidar dele. Ele estava doente, mesmo assim, ele me reconhecia e me abraçava. Mesmo sofrendo, ele queria carinho e não queria que eu saísse de perto dele”.

Quando cuidou do pai, Ivanilda teve a ajuda da tia paterna, Roseneide Santos Barreto, 47 anos. Apesar dos cuidados da família, Ivo Teles não suportou as complicações. No dia 08 de abril, deu entrada no Hospital Regional de Ilhéus em estado grave.

Segundo Ivanilda, o médico plantonista não o atendeu. Alegou não ser especialista no tipo de atendimento necessário, e recomendou que o aposentado fosse levado para casa. O nome do médico não foi revelado.

No dia 10 de abril, Ivo Teles dos Santos faleceu, aos 70 anos, diante dos prantos da filha desgarrada que pouco conviveu. O sepultamento ocorreu no dia 11, no cemitério São João Batista, no bairro do Pontal, Ilhéus.
As causas da morte de Ivo Teles são alvo de intensa discussão entre a Defensoria Pública Estadual de São Paulo e representantes da Polícia Militar paulista.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE) acusa a Polícia Militar de ter espancado o aposentado, diante dos olhares de várias testemunhas. O caso tem o acompanhamento do defensor público Jairo Salvador.

O Hospital Municipal de São José dos Campos afirma que o senhor Ivo Teles sofreu um acidente vascular hemorrágico (AVCH). Parlamentares e integrantes do Condepe questionam, pois o aposentado apanhou muito e foi visto, mal conseguindo andar, cheio de hematomas. O hospital não divulgou o boletim de atendimento de urgência (BAU), documento que descreve as condições de Ivo Teles quando recebeu os primeiros cuidados.

A filha, Ivanilda, tem sido procurada pela imprensa paulista, incluindo a Folha de São Paulo e a apresentadora Sonia Abrão. Entretanto, prefere a discrição do que atender os apelos da mídia. Apenas o Blog do Gusmão, graças às informações doblogprog SP, conseguiu manter um contato mais duradouro.
Wilker dos Santos Lopes e Luis Magda Nascimento, oficiais da polícia militar paulista procuraram Ivanilda duas vezes, no hotel em que ela trabalha. Queriam saber se Ivo Teles foi bem tratado em Ilhéus e acompanharam um depoimento dela na Defensoria Pública da cidade. Os pms disseram que o aposentado não deveria ter saído de São José dos Campos.

Aos policiais, Ivanilda questionou os hematomas encontrados no corpo do pai. Segundo ela, um homem de 70 anos não deveria ter sido tratado com violência. Os policiais teriam dito: “quando seu pai ofereceu resistência, ele não se comportou como um velho”. Eles levaram uma cópia do atestado de óbito. No documento, consta como causa da morte “falta de atendimento médico”.

O defensor público, Jairo Salvador, por meio da justiça baiana, solicitou a exumação do corpo de Ivo Teles. O juiz Antônio Alberto Faiçal Júnior, da 2° Vara Criminal de Ilhéus, determinou a realização do procedimento no dia 14 de junho, na próxima quinta-feira.

Após a exumação, Ivanilda pretende voltar a São José dos Campos, para retirar uma cópia do boletim de atendimento de urgência, do hospital municipal.

O Blog do Gusmão conseguiu imagens exclusivas do aposentado Ivo Teles, gravadas no dia do “Massacre de Pinheirinho”.

* Reportagem do Blog do Gusmão em parceria com os Blogueiros Progressistas de São Paulo.
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Agnelo assina documento liberando sigilos


14.06.2012
Do BLOG DA FOLHA, 13.06.12
Publicado por José Accioly

O governador do DF garantiu que permitirá a quebra de seus sigilosos bancário, fiscal e telefônico durante as investigações. (Foto: José Cruz/Agência Senado)

AE – Sob aplausos de aliados, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), assinou nesta quarta (13) na CPI do Cachoeira um documento no qual se libera a abertura dos seus sigilos bancário fiscal e telefônico. A decisão foi motivada a partir de questionamentos do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Mais cedo, Agnelo havia se comprometido verbalmente a ceder à comissão seus dados sigilosos.

Onyx disse que queria uma concordância formal ao pedido para não ocorrer o que considera como “propaganda enganosa”. Inicialmente o governador do DF disse que apenas a sua palavra já tinha validade sobre a decisão. “Não tem como chegar ao Banco Central com a palavra do senhor”, rebateu o parlamentar gaúcho.

O deputado do Democratas lembrou que outro depoente, o empresário Walter Paulo Santiago, assinou um pedido formulado pela CPI para também liberar seus sigilos, por conta própria. 

Postado por Tatiane Accioly
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