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domingo, 10 de junho de 2012

Ex-agente da ditadura, Cláudio Guerra se torna presbítero da Assembleia de Deus

10.06.2012
Do portal GOSPEL PRIME, 
Por  Leiliane Roberta Lopes

O próprio pastor o temia diante da fama do ex-delegado condenado por dois homicídios


Ex-agente da ditadura se torna presbítero da Assembleia de DeusCláudio Guerra foi agente e delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) na época da Ditadura Militar e chegou a ser condenado por dois homicídios. Mas ao lançar sua biografia, “Memórias da Guerra Suja” escrita pelos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto ele lembra de outros crimes que cometeu, como sua participação na execução de desaparecidos de opositores do regime.
Mas o Cláudio de antes não se parece como o homem que hoje é presbítero na Igreja Assembleia de Deus Ministério da Serra, em Vitória (ES), segundo o próprio pastor, Délio Nascimento, 66 anos, que confessa já ter sentido medo do ex-delegado.
“Eu temia e tremia de vê-lo passar perto. Era assustador, quando passava com aquela barba preta”, disse. “A postura, a fama, o que a imprensa falava dele, tudo era aterrorizante, assustador. Ele quebrava qualquer limite em nome do que tinha de cumprir. Talvez nem ele tenha noção do que ele era no Estado. Ele era o braço da polícia violenta, era o terror.”
Depois de cumprir dez anos de prisão, ele foi condenado a 42 anos, Guerra que hoje cumpre prisão domiciliar teve problemas de saúde e recebeu cura na igreja e acabou se convertendo. Nos últimos três anos ele passou a ser respeitado na igreja e chegou até a se tornar membro do Conselho Fiscal.
“É uma pessoa de confiança da igreja e que usufrui de credibilidade”, diz o pastor Délio que atesta que hoje Cláudio Guerra é outro homem. “Em termos de transformação, de metamorfose, o Cláudio Guerra delegado é um homem morto. Hoje existe um outro Cláudio Guerra: pacato, humilde, submisso e simples. Sem dúvida, é um dos casos mais impressionantes que já vi”.
Com informações IG

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CORRUPÇÃO TUCANA: PSDB tenta evitar que "Caixa Preta" do Mineirão seja aberta

10.06.2012
Do BLOG DO SARAIVA, 09.06.12





“PSDB tenta desqualificar decisão do MPF com receio que revisão das contas das obras do Mineirão traga a tona esquema criminoso montado
Novojornal

“O tradicional comportamento adotado pela alta direção do PSDB mineiro de tentar desqualificar os denunciantes em vez de aguardar e contribuir com as apurações das denúncias poderão render ao PSDB mineiro um tremendo desgaste. O posicionamento oficial, através de seu presidente, 

torna inevitável a conclusão do consentimento e omissão diante da comprovação das irregularidades que vem ocorrendo na PPP do Mineirão. Utilizando as palavras de um líder tucano mineiro ao referir-se ao governo da presidente Dilma: O PSDB de minas "navega impassível e equidistante em meio às trovoadas e à verdadeira tempestade que se forma à sua volta e, aos poucos, engolfa seu governo".

Na tentativa de levar a questão para o campo político,  Pestana qualificou como um movimento familiar do “quanto pior melhor”, a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não libere mais recursos para a reforma do Mineirão até que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) comprove a ausência de irregularidades na obra. O procurador que tomou a decisão, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, é irmão do deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB), oposição ao governo de Antonio Anastasia (PSDB).

Para Pestana, o objetivo é criar obstáculos para que Minas não tenha um dos primeiros estádios prontos para receber a Copa do Mundo de 2014. “Foi uma atitude estranha. Há estádios que sequer deram os primeiros passos para abrigar os jogos”, disse. Omitindo que a decisão foi tomada pelo procurador na terça-feira, em obediência ao acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), e diante de comprovadas irregularidades cometidas na gestão dos recursos destinados ao Mineirão.”

Matéria Completa, ::Aqui::

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MORTE DE JK EM 1976: Motorista do ônibus que teria fechado o carro de JK fala pela primeira vez

10.06.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO, 08.06.12

OAB mineira entregará dossiê à Comissão da Verdade pedindo acesso a relatórios militares sobre o acidente . Motorista de ônibus acusado de fechar o carro de JK quebra o silêncio

Josias nunes de Oliveira , de 68 anos Josias é um personagem fundamental da história do Brasil (Jackson Romaneli/EM/D.A Press)

Indaiatuba (SP) — Josias é um personagem fundamental da história do Brasil, mas se pudesse apagaria para sempre o 22 de agosto de 1976, data em que, por acidente, deixou de ser um anônimo motorista da Viação Cometa para se tornar protagonista de um mistério que ainda assombra o país após 35 anos. Como morreu o ex-presidente Juscelino Kubitschek? A morte de JK ficou para a história oficial como um acidente de carro. O Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, teria sido fechado por um ônibus da Viação Cometa, perdido o controle, atravessado a pista — no Km165 da Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende (RJ) — e atingido por uma carreta. Josias Nunes de Oliveira, de 68 anos, o motorista do ônibus, é a principal testemunha. Já foi indiciado como culpado e considerado inocente pela Justiça, mas carrega o peso de estar no lugar errado, na hora errada e ser a testemunha mais importante de um episódio com nuanças políticas, que engendram uma grande conspiração.

Se ocorreu apenas um acidente ou se existem fatores que provocaram a tragédia será uma pergunta que deverá ser respondida pela recém-criada Comissão da Verdade, escolhida a dedo pela presidente Dilma Rousseff para elucidar as questões cabais, principalmente dos anos de chumbo, quando o Brasil foi governado por uma ditadura militar. A Comissão de Direitos Humanos da Seção Mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) conclui um dossiê, que contabiliza quase mil páginas, e será entregue à Comissão da Verdade ainda neste mês pedindo a investigação da morte de JK. "O mais importante são os relatórios militares sobre o acidente, pois as perícias foram comandadas pelos militares, que também impediram o acesso ao local do acidente, aos veículos e aos corpos", afirma o presidente da comissão da OAB-MG, Willian Santos. A entidade quer ter, com o apoio da Comissão da Verdade, o acesso a esses documentos e elucidar definitivamente as circunstâncias da morte do ex-presidente nascido em Diamantina (MG).

Josias não fala com a imprensa desde o acidente. Considera-se uma vítima da história e de reportagens da época. Mas o Correio conseguiu convencê-lo a desabafar: "Se eu fosse fraco, teria feito bobagem. É duro pagar sem dever", afirma. Há alguns anos, separou-se da mulher e vive em um asilo em Indaiatuba (SP). Divide o quarto com outro idoso. São duas camas, um banheiro e nada mais. Paga 70% da aposentadoria para viver na casa de repouso e com o restante do dinheiro ajuda a ex-mulher e tenta fazer uma poupança para sua paixão: ir à praia. "Não gosto de sinuca nem de farra. Gosto mesmo é de beira de mar", diz Josias, que visitou Recife há dois anos.

No dia do acidente, ele fazia o trecho Rio-São Paulo. A memória é precisa e Josias lembra o número do carro: "Ônibus 1.348, com 33 passageiros". Um Opala com capota de vime seguia, segundo ele, cerca de 30m a 40m à frente, quando o automóvel perdeu o controle na curva, atravessou a pista e foi atingido em cheio por uma carreta. "Não teve nenhuma explosão antes. Também se alguém atirou no motorista eu não vi, mas acredito que é muito difícil", lembra Josias, descartando hipóteses de atentado. "Foi acidente. Acidente mesmo. O duro é que ele (JK) estava com a passagem de avião no bolso", lembra.

"Ficha caiu"

O ex-presidente estava em São Paulo. Tinha uma passagem comprada para voltar para Brasília e ir para fazenda onde morava, em Luziânia (GO), mas recebeu um telefonema para uma reunião no Rio de Janeiro e convocou seu motorista, Geraldo, que trabalhava com ele havia 36 anos. Assim, seguiu viagem, dispensando o bilhete aéreo. Relutante, Josias evita relembrar os dias mais tensos de sua vida. Voltar ao passado é como despertar para um pesadelo, quando frequentava as manchetes dos jornais e chegou a ocupar a cadeira de réu por exatas 12 horas e 20 minutos, como recorda em detalhes.

Josias diz que a "ficha caiu" e percebeu quem estava no Opala quando abriu a pasta, estilo 007, com diversos documentos dentro. Havia também três livros, sendo um deles As musas se levantam (Editora Olímpica, 1976), de Joaquim F. de Almeida. Josias não se esquece da dedicatória: "Ao insigne ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, leia as páginas 33 e 34 que refletem sobre sua vida". Quem assinava o texto era um nome estrangeiro, que Josias não recorda. "Procurei em muitas livrarias. Até em Belo Horizonte tentei encontrar, em uma loja na Avenida Amazonas", ressalta o motorista, que não teve sucesso na busca. 

"Eu já tinha visto muito acidente, cheguei a ver desastre na Rio-Bahia com mais de 20 pessoas mortas. À época, não tinha essa coisa de Samu, resgate, ambulância. O pessoal pegava um pedaço do corpo e colocava no acostamento para os carros poderem passar", recorda o motorista.

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HONESTIDADE PUNIDA: Um brasileiro que não desiste nunca

10.06.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO, 09.06.12

A menos de quatro meses de se aposentar, funcionário terceirizado que ficou conhecido por encontrar e devolver maleta com mais de US$ 10 mil é rebaixado de função e tem salário reduzido

 (Monique Renne/CB/D.A Press)

Enquanto observava aviões levantarem voo do Aeroporto Internacional de Brasília, o funcionário da limpeza Francisco Bazílio Cavalcante tinha a sensação de que todos podiam alcançar o céu, menos ele. Gente chegava e partia e Francisco permanecia no mesmo lugar. Esperava pelo dia no qual entraria pela primeira vez em uma daquelas aeronaves, rumo à sua cidade natal, Sobral, no Ceará, ou a qualquer outro destino que lhe permitisse conhecer o mundo, que girava tão rápido sem lhe deixar sair do mesmo ponto.

Em uma tarde de trabalho de março de 2004, a vida de Francisco mudou. Ele, que mora no Céu Azul (GO) e ganhava R$ 370 mensais, encontrou uma maleta com mais de US$ 10 mil, equivalentes, à época, a R$ 30 mil, esquecida em um banheiro. Francisco não hesitou. Usou o sistema de som do saguão para anunciar o achado. Momentos depois, o dono do dinheiro, um turista suíço, apareceu.

Antes quase invisível aos olhos dos passageiros e de quem mais circulasse por ali — raramente ganhava um bom dia, a não ser dos colegas de trabalho — o servente virou celebridade. Exemplo a ser seguido. Foi apresentado ao país como alguém que andava preocupado por não ter R$ 28 para quitar a conta de luz, mas, ainda assim, retornou a mala cheia de dólares ao proprietário. “Não quero nada que não seja meu”, justificou.

O homem de rosto simpático e sotaque carregado, hoje tem 64 anos. Há oito, estampou a capa do Correio, o primeiro veículo a publicar a sua história. Apareceu na tevê, deu entrevistas a rádios e realizou um de seus maiores desejos: conhecer pessoalmente o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nordestino como ele. Lula o recebeu no Palácio do Planalto. Educado, Francisco levou uma caneta para presenteá-lo.

Ouviu de Lula a promessa de promoção no emprego. Tornou-se garoto-propaganda do governo federal, popularizando o slogan Sou brasileiro e não desisto nunca, repetido por Francisco em vários canais de televisão, inclusive em horário nobre. Francisco ainda tem a fita VHS com o comercial gravado guardada em casa. Ele não recebeu cachê em troca das aparições públicas. “Só quis mostrar como valia a pena ser honesto no ambiente de trabalho. Só ganhei a chance de dizer isso para as pessoas”, disse Francisco.

Promoção

A promoção veio tempos depois. O servente terceirizado ganhava R$ 370 mensais. Passou a receber R$ 1,2 mil, como supervisor-geral. Com reajustes, chegou a ganhar R$ 1,9 mil, até este ano. Em 21 de setembro próximo, Francisco poderá se aposentar. Já fazia planos e contas para ter o merecido descanso, após 34 anos com carteira assinada, todos no Aeroporto Internacional de Brasília. Uma mudança no contrato das empresas que prestam serviços gerais no local, entretanto, atrapalhou os planos de Francisco.

A Rufollo foi substituída pela Unirio, em 2012, após quebra de contrato da primeira, de acordo com a Infraero. Os 200 funcionários antigos puderam continuar trabalhando. Francisco, porém, retornou ao cargo de faxineiro. Em lugar de terno e gravata, voltou a vestir o uniforme da limpeza. Passou a ganhar R$ 622. A aposentadoria, daqui a quase quatro meses, pode ser prejudicada. Ontem, no primeiro dia de volta à faxina, os colegas de serviço paravam Francisco no corredor. Queriam saber o porquê da perda de função. Francisco não soube explicar.

Em 2004, graças à honestidade, Francisco andou pela primeira vez de avião. Ganhou três anos de passagens grátis para o Ceará. Quando chegava ao aeroporto de Fortaleza era tratado como “doutor”, como ele mesmo diz. “Tinha carro da Infraero e tudo esperando eu e a minha mulher para levar para Sobral (cidade de origem de Francisco, a 400km de Fortaleza)”, lembrou. Reformou a casa em que mora com a mulher Raimunda Nonata, 61 anos. Colocou forro no teto e piso de cerâmica. Passou a ajudar financeiramente os cinco filhos, os oito netos e os pais, que ainda moram no Ceará e puderam comprar o primeiro aparelho de televisão com o dinheiro enviado mensalmente pelo filho.

O supervisor recebeu medalha de honra ao mérito do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e tornou-se cidadão honorário de Brasília, nomeado pela Câmara Legislativa. Jamais imaginou tanta pompa. Logo ele, filho de agricultores, o mais velho entre 12 irmãos, que estudou apenas até o segundo ano do ensino fundamental. Logo ele, que jamais teve a chance de sonhar com uma profissão que exigisse diploma, mas dedicou-se ao ofício de limpar as dependências do aeroporto com o cuidado de quem sabe que aquela é tarefa essencial. “Quando era menino, lidava na roça. Depois, casei e tinha de sustentar a família. Não deu tempo de querer muito, só de trabalhar mesmo”, disse Francisco.

Inconformado

O Correio entrou em contato com a direção da Unirio, empresa responsável pelos serviços gerais no aeroporto para saber a razão da mudança de cargo. O diretor Alexandre Fernandes afirmou que Francisco não fazia parte do contrato assumido com a empresa anterior. “A Rufollo não o incluiu, no contrato, esse cargo de supervisor-geral não existe no acordo que assumimos. Por isso, oferecemos a vaga de serviços gerais, para não deixá-lo desempregado. Não temos como mantê-lo com o salário anterior”, informou Fernandes.

Francisco não se conforma. “Não é que eu pense que a faxina é menos, sabe? Eu só acho que não mereço perder os meus direitos, depois desse tempo todo. Não tem tanta justiça assim neste mundo. Às vezes, acho que estou sonhando de novo, mas, desta vez, é um pesadelo”, desabafou. Francisco garante: jamais se arrependeu de ter devolvido o dinheiro encontrado. Ele se lembra das palavras sobre persistência que disse a outros brasileiros, no comercial de tevê. Já não sabe no que acreditar. Por enquanto, só consegue achar que acordou de um sonho bom.

"Não é que eu pense que a faxina é menos, sabe? Eu só acho que não mereço perder meus direitos, depois desse tempo todo. Não tem tanta justiça assim neste mundo. Às vezes acho que tô sonhando de novo, mas, desta vez, é um pesadelo”

Francisco Bazílio Cavalcante

Palavra de especialista:

“Para ser rebaixado de função, Francisco teria de ser demitido, ficar três meses afastado e, depois, ser recontratado. Isso vale mesmo com a troca de empresas, a concessão coletiva entre elas deixa isso claro. Se uma companhia sucede a outra, assume ônus e bônus; se absorve os funcionários, deve mantê-los no mesmo cargo. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) veta a diminuição salarial. Seu Francisco pode perder valor na aposentadoria, por ter contribuído menos.”

Mário Thiago Padilha, advogado trabalhista

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Humberto se fecha e João da Costa aproveita o dia para falar à Imprensa

10.06.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO, 09.06.12
Humberto se fecha e João da Costa aproveita o dia para falar à Imprensa

Após decisão do partido, senador e prefeito do Recife reúnem seus grupos políticos para decidir próximos passos

O senador e pré-candidato do PT à Prefeitura do Recife, Humberto Costa, passou o dia de hoje em reuniões com seus aliados para discutir sobre as possíveis estratégias que possam adotar para unir a Frente Popular e sua própria sigla, rachada desde o anúncio das prévias, anuladas, feitas para definir o candidato petista. 


Por outro lado, o prefeito do Recife, João da Costa (PT), permanece irredutível em seu projeto de disputar a reeleição. Hoje, em entrevista a uma rádio local, ele declarou que ainda pretende forçar o partido a aceitar sua candidatura, primeiro em âmbito interno e depois, se for necessário, recorrendo à justiça. “Quero resolver com o partido, dentro do partido. A outra possibilidade, que também é um direito, depois será analisada", declarou.

João da Costa passou o restante do dia na prefeitura, em reuniões administrativas, e também visitou obras nos bairros de Santo Amaro e Pina. Nesta noite ele participou da abertura do São João, no Sítio da Trindade, Casa Amarela, mas preferiu não comentar sobre a polêmica disputa interna do PT pela candidatura à Prefeitura do Recife.
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BLOG DA MOBILIDADE URBANA:Passado, presente e futuro da Agamenon Magalhães


10.06.2012
Do BLOG MOBILIDADE URBANA
Por Por Tânia Passos, no Diario de Pernambuco


Uma pesquisa nos arquivos do Diario trouxe-nos à tona o que se pensava sobre a Avenida Agamenon Magalhães na década de 1970. Há mais de 40 anos, a solução apontada por arquitetos e urbanistas para acabar com os pontos de conflitos na via eram os viadutos. Hoje, não há mais unanimidade. Até quem defendeu a construção de elevados tem dúvidas. Na edição de hoje, fazemos um resgate das ideias do passado e mostramos o que elas podem significar para o futuro da primeira perimetral da cidade.

No início da década de 1970, o Recife tinha uma frota de cerca de 50 mil veículos. Já naquela época, havia uma preocupação com pontos críticos da Avenida Agamenon Magalhães. No governo de Geraldo Magalhães foram projetadas soluções de tráfego nas imediações da antiga fábrica Tacaruna e nos cruzamentos da Rua Odorico Mendes, da Avenida Norte, da Avenida João de Barros, da Rua do Paissandu e do Parque Amorim. O então prefeito, que comandou a abertura da avenida, cujas obras tiveram continuidade nos governos seguintes, chegou a deixar uma maquete com a previsão de construção de sete viadutos e a ponte da Ilha Joana Bezerra. Em nossa pesquisa, encontramos registros jornalísticos e relatos como o do arquiteto e assessor de planejamento do governo Geraldo Magalhães, Waldecy Fernandes Pinto, que participou das soluções viárias para acabar com os engarrafamentos.

Hoje, a nossa frota é 10 vezes maior, mas as ideias do passado estão sendo resgatadas com o objetivo de resolver conflitos viários e aumentar a velocidade da via. No governo de Geraldo Magalhães estavam previstos sete viadutos e mais o viaduto-ponte da Ilha Joana Bezerra. Dos sete previstos, foram erguidos quatro: o viaduto-ponte da Ilha Joana Bezerra e os viadutos Capitão Temudo, Avenida Norte e João de Barros. Na época, já se desenhava a construção dos elevados da Paissandu, Parque Amorim e Odorico Mendes, além de outro na altura da fábrica Tacaruna. Quatro décadas depois, os viadutos ressurgem para acabar com os conflitos em quatro cruzamentos. O cruzamento da Odorico Mendes, que até hoje é problemático, ficou de fora. Dessa vez, foram incluídos os cruzamentos do Parque Amorim, Paissandu, Rui Barbosa e Bandeira Filho.

De acordo com o historiador Luís Manuel Domingues, que abordou as obras viárias da Agamenon na sua tese de doutorado, foi a partir de Geraldo Magalhães que se elaborou um plano urbanístico para a via, contendo jardins, áreas de parqueamento e outras destinadas à instalação de equipamentos urbanos como área de lazer, esportes e postos de combustíveis. “Todo o conjunto de obras estava previsto para ser executado ao longo da década de 1970, durante a gestão de três prefeitos”, relatou o historiador.

Uma avenida expressa com ares de modernidade. Era assim que o prefeito Geraldo Magalhães queria que seu legado fosse lembrado. A via, no entanto, tem hoje trechos com velocidade média de 5 km/h no rush, como o cruzamento da Rua do Paissandu.

Ao final da década de 1970, a Agamenon estava praticamente concluída, no governo do prefeito Antônio Farias (1975 a 1979), que construiu o elevado do Cabanga e a segunda ponte sobre o Rio Pina. Coube ao prefeito Augusto Lucena fazer a abertura, a pavimentação e alargamento até o Derby, além do viaduto da Avenida Norte.

De acordo com o historiador, o objetivo principal era dotar a cidade de um sistema viário capaz de viabilizar o fluxo nos diversos sentidos e evitar retenções. Hoje sabe-se que o alargamento de vias e construção de elevados, somente, não resolvem os deslocamentos a longo prazo.
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MANIPULAÇÃO DA MÍDIA...PERNAMBUCANA:A última pérola de Jamildo Melo

10.06.2012
Do blog TERROR DO NORDESTE, 09.06.12
Jamildo é essa toupeira à esquerda da foto

O blogueiro Jamildo Melo, do Jornal do Comércio, só não é mais estúpido, mais vagabundo do que  já é por falta de espaço.Segundo o sabujo Jamildo, que é financiado majoritariamente por verbas publicitárias do governo do Estado de Pernambuco e da Prefeitura do Recife, Rands deve deixar secretaria de Eduardo e retomar mandato, para ajudar na defesa do Mensalão.Veja a que ponto chegou a imbecilidade desse escroque.Sinceramente, só uma pessoa estúpida e desonesta intelectualmente para dizer que um deputado federal vai reassumir o mandato com o fim de fazer defesa de acusados em processo que corre no Poder Judiciário.Pior:seus leitores burros enchem a caixa de comentário acreditando no que Jamildo escreve.Chega a dar dó ler os comentários das toupeiras que comentam no Blog do Jamildo.São uns verdadeiros analfabetos de pai, mãe, avó, avô e tio, sogra, cunhado, padrasto.
Veja os tipos de comentários:(veja que são os mesmos leitores de Reinaldo de Azevedo)

Por - André Lima

Que verbo é esse "reberberar"? Que eu saiba, berbere é aquele povo do deserto africano. Ah, deve ser isso: a luta dos mensaleiros pelo indefensável será como uma voz reverberando no deserto.


Por - Marcelão | Junho 07, 2012

 

Já dizia o meu avõ o velho Ambrózio: "Ninguém é tão ruim - que não preste, nem tão bom - que seja santo". O papel de um um político, hoje, é de total subserviência aos seus apaniguados e, também, falta total de compromisso com quem o elegeu: O POVO. E com o deputado Rands, acontece o mesmo. êle só se lembra deste povo, agora, que vai haver eleições. O nobre deputado, como dizem os áulicos de lá, estão até a alma vendidos e presos a compromissos e a interesses escusos de campanha, que nada fazem pelo povo. Pois até as "migalhas" os interesseiros escondem. Só vai com muita reza.
Por - Só Deus | Junho 07, 2012


 Deixar uma secretaria estadual, voltar pra Brasilia pra defender uma quadrilha de corruPTos petralhas? Que horror!. Só Deus salva esse País.      

Por- observador | Junho 07, 2012

Defender bandidos não é a missão de bons políticos. Rands parece que sabe muito bem prejudicar aposentados e defender quem não presta, tudo em nome de um partido que se diz democrata e justiceiro.

 

Por - bartolomeu | Junho 07, 201


Vai continuar a fazer o que sabe de melhor: defender ladrão! Foi exatamente o que fez na CPI do mensalão, chegando a ficar conhecido como o "papagaio de pirata" dos mensaleiros. Deve ser mais uma "tarefa" atribuida por King-Jon-Il-Lulalibabá (o verdadeiro chefe dos quarenta do mensalão). Vai, Rands, (ex-quase-futuro-quem sabe-talvez) candidato a prefeito do Recife. Cumpre a tua sina de de chefe dele.Cumpre a tua sina de defender bandido cumpanhêro...        
Por - Paulo | Junho 07, 2012         
Vai voltar pra Brasília pra ajudar a defender a quadrilha do chefe dele.  

NOTA DO BLOG IRINEU MESSIAS:

Embora não concorde com os adjetivos pejorativos do Blog TERROR DO NORDESTE dirigido a Jamildo Melo, concordo com ele no que diz respeito a manipulação  feita por Jamildo quanto a acusação feita a Maurício Rands, este nobre deputado que todo Pernambuco conhece e reconhece seu trabalho em defesa  do povo pernambucanos e  de todos os brasileiros. 

Não sei porque Jamildo Melo, não usuou seu espaço dar ampla divulgação aos escãndalos perpretados pela OPOSIÇÃO ao governo DILMA, entre eles, a Privataria Tucana e todos aliados do Carlinhos Cachoeira. Quanto ao Mensalão, o STF está para julgar com os rigores da Lei. Só lembrando quem denunciou "mensalão" o primeiro a dizer que o mesmo  nao existe,  Roberto Jeferson, em sua recente defesa jurídica, junto ao mesmo STF..
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FHC VENDEU O BRASIL: “A ALIENAÇÃO, A SUBMISSÃO DO PAÍS AO ESTRANGEIRO É CRIME DE CONSEQUÊNCIAS INCALCULÁVEIS”

10.06.2012
Do blog SINTONIA FINA, 09.06.12
Por  Renato Godoy Toledo 


Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!

Fernando Henrique Cardoso sob o comando de Tio Sam    

A OFENSIVA NEOLIBERAL E O DESMONTE DO ESTADO BRASILEIRO 

“Para o jurista Fábio Konder Comparato, a submissão do país ao estrangeiro é crime de consequências incalculáveis. É indispensável que todos esses homens sejam processados perante tribunal popular e condenados à indignidade nacional.

A partir da década de 1990, o Brasil iniciou o processo de “ diminuição do papel do Estado” na economia. O plano de privatizações foi a principal marca do período, inspirado fortemente as ações da dupla Ronald Reagan (presidente dos EUA entre 1984 e 1988) e Margareth Tatcher (primeira-ministra da Inglaterra entre 1979 e 1990).

Com o predomínio de governos conservadores na América Latina, alinhados às políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI), Fernando Collor iniciou o processo de desestatização. Porém, o auge da política privatista se deu sob o comando de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). 

Os anos de governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) foram marcados por vendas de empresas estatais a preços [muito] abaixo do mercado. Logo no início do governo, FHC nomeou o seu ministro, José Serra (PSDB), para a função de chefe do Programa Nacional de Desestatização, que comandou a venda de empresas estatais ao capital privado estrangeiro. 

Ao todo, dez empresas brasileiras foram vendidas. Somadas as empresas privatizadas em parceria com governos estaduais pró-FHC, foram mais de 25 desestatizações.

 
A Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, foi vendida em 1997 por 3,3 bilhões de dólares, em um leilão marcado por obscuridades e questionamentos na Justiça. Os compradores ainda contaram com empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os movimentos sociais denunciam que a venda da mineradora foi feita por valor muito abaixo do que o mercado estima. Atualmente, calcula-se que o valor da empresa seja de quase 200 bilhões de dólares.

O governo FHC também sinalizou que pretendia privatizar a Petrobras. O então ministro das Comunicações e homem forte do governo, Sérgio Motta, afirmou que a gestão tucana planejava desmontar a petroleira “ osso por osso”. O nome da empresa chegou a ser mudado para “Petrobrax”, para tornar a marca mais atrativa para uma possível venda. Após as críticas dos petroleiros e da sociedade, o governo voltou atrás.

Para o jurista e professor da Universidade de São Paulo, Fábio Konder Comparato, os tucanos deveriam responder judicialmente pelas privatizações que realizaram. “A grande responsabilidade do governo FHC não é ter levado a uma piora da situação econômica e social do país. Outros governos, no passado, também fizeram isso. O que é imperdoável é a entrega do país ao estrangeiro, de pés e mãos atados. Essa é ação infinitamente mais danosa do que todas as corrupções. A alienação, a submissão do país ao estrangeiro é crime de consequências incalculáveis. É indispensável que todos esses homens sejam processados perante tribunal popular e condenados à indignidade nacional”, disse o jurista em entrevista ao jornalista Nilton Viana, na época do governo FHC.”

FONTE: jornal “Brasil de Fato”. Transcrito no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=185295&id_secao=1) [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

Sintonia Fina

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MANIPULAÇÃO DA DIREITA REACIONÁRIA: Três equívocos da direita

10.06.2012
Do blog ESQUERDOPATA, 09.06.12
Por Marcos Coimbra, em CartaCapital, através do Vi O Mundo 

A cobertura de nossa “grande imprensa” da atualidade política gira em torno de três equívocos. Por isso, mais confunde que esclarece.

Os três decorrem da implicância com que olha o governo Dilma Rousseff, o PT e seus dirigentes. A mesma que tinha em relação a Lula quando era presidente.

Há, nessa mídia, quem ache bonito – e até heróico – ser contra o governo. E quem o hostilize apenas por simpatizar com outros partidos. Imagina-se uma espécie de cruzada para combater o “lulopetismo”, o inimigo que inventaram. Alguns até sinceramente acreditam que têm a missão de erradicá-lo.

Não é estranho que exista em jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio, e nos portais de internet, quem pense assim, pois o mundo está cheio deles. E seria improvável que os empresários que os controlam fossem procurar funcionários entre quem discorda de suas ideias.

Até aí, nada demais. Jornalismo ideológico continua a ser jornalismo. Desde que bem-feito e enquanto preserve a capacidade de compreender o que acontece e informar o público. O problema da “grande imprensa” é que suas antipatias costumam levá-la a equívocos. Como os três de agora. Vejamos:

O Desespero de Lula

Pode haver suposição mais sem sentido do que a de que Lula esteja “desesperado” com o julgamento do mensalão?

Ele venceu as três últimas eleições presidenciais, tendo tido na última uma vitória extraordinária. Só ele se proporia um desafio do tamanho de eleger Dilma Rousseff.

Hoje, em qualquer pesquisa sobre a eleição de 2014, atinge mais de 70% das intenções de voto, independentemente dos adversários.

Seu governo é considerado o melhor que o Brasil já teve por quase três quartos do eleitorado, em todos os quesitos: economia, atuação social, política externa, ecologia etc. (sem excluir o combate à corrupção).

O mensalão já aconteceu e foi antes que galvanizasse a imagem que possui. Lula tem, portanto, esse conceito depois de passar pelo escândalo. O ex-presidente não tem nenhuma razão para se importar pessoalmente com o julgamento do mensalão. Muito menos para estar “desesperado”.

O que ele parece estar é preocupado com alguns companheiros, pois sabe que existe o risco de que sejam punidos, especialmente se o Supremo Tribunal Federal for pressionado a condená-los. Solidarizar-se com eles – e fazer o possível para evitar injustiças – não revela qualquer “desespero”.

A Batalha Paulista

Não haverá um “enfrentamento decisivo” na eleição para prefeito de São Paulo. Nada vai mudar, a não ser se a gestão local, se José Serra, ou Fernando Haddad, ou Gabriel Chalita sair vitorioso.

Como a “grande imprensa” está convencida de que José Serra vai ganhar – o que pode ser tudo, menos certo -, a eleição está sendo transformada em um “teste” para Lula, o PT e o governo Dilma. Ou seja, quem “nacionaliza”a disputa é a mídia. Apenas porque acha que Haddad vai perder. Se Serra vencer, o PSDB não aumenta as chances de derrotar Dilma (ou Lula) em 2014. Caso contrário, terá sua merecida aposentadoria. O melhor que os tucanos podem tirar da eleição paulista é a confirmação da candidatura de Aécio Neves.

Quanto ao PT e ao PMDB, vencendo ou perdendo, saem renovados. No médio e no longo prazo, ganham. Por enquanto, a mídia está feliz. Cada pesquisa em que Haddad se sai mal é motivo de júbilo, às vezes escancarado. Quando subir, veremos o que vai dizer.

É a Economia, Estúpido

Sempre que pode, essa mídia repete reverentemente a trivialidade que consagrou James Carville, o marqueteiro que cuidou da campanha à reeleição de Bill Clinton.

Lá, naquele momento, foi uma frase boa.

Aqui, não passa de um mantra usado para desmerecer o apoio popular que Lula teve e Dilma tem. Com ela, pretende-se dizer que “a economia é tudo”. Que, em outras palavras, a população, especialmente os pobres, pensa com o bolso. Que gosta de Lula e Dilma por estar de barriga cheia.

Com base nesse equívoco, torce para que a “crise internacional”ponha tudo a perder. Mas se engana. É só porque não compreende o País que acha que a economia é a origem, única ou mais importante, da popularidade dos governos petistas.

Nos últimos meses, a avaliação de Dilma tem subido, apesar de aumentarem as preocupações com a inflação, o emprego e o consumo. E nada indica que cairá se atravessarmos dificuldade no futuro próximo.

Lula não está desesperado com o julgamento do mensalão. Se Serra for prefeito de São Paulo, nada vai mudar na eleição de 2014. As pessoas gostam de Dilma por muitas e variadas razões, o que permite imaginar que continuarão a admirá-la mesmo se tiverem de adiar a compra de uma televisão.

Pode ser chato para quem não simpatiza com o PT, mas é assim que as coisas são.
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Narcotráfico é o menor problema do México, diz pesquisador

10.06.2012
Do blog OPERA MUNDI, 09.06.12
Por Federico Mastrogiovanni | Cidade do México

Para Eduardo Buscaglia, crime organizado se associa e se apodera de partes do Estado e funciona como empresas transnacionais  

Grandes multinacionais dedicadas a cometer uma ampla gama de crimes, de roubos e sequestros até o tráfico de pessoas, passando pelo comércio de drogas. Isso tudo com a indispensável participação e cumplicidade de porções do Estado mexicano. É assim que o professor Eduardo Buscaglia enxerga o estágio atual de organização dos cartéis de drogas no México.
Reprodução

Considerado um dos maiores especialistas em crime organizado na América Latina, Buscaglia é um crítico da política de “Guerra às Drogas” conduzida pelo governo de Felipe Calderón, que chama de “jogo midiático”. “Quem pode negar o apelo midiático de enviar milhares de soldados às ruas? Parece uma excelente medida, mas a verdade é que o presidente Calderón não está mexendo nos interesses políticos e econômicos que são a essência da atividade criminosa.”
Nesta entrevista a Opera Mundi, ele diz que não há soluções mágicas para enfrentar a criminalidade, nem mesmo a legalização das drogas, porque o problema se tornou muito mais profundo. “Sem confiscar o aparato logístico, operacional e econômico – e não me refiro a lavagem de dinheiro, dinheiro no banco ou debaixo do colchão, mas a imensas frotas de transporte, prédios e galpões de armazenamento – que estão sendo usados diariamente pelos grupos criminosos em nome de empresários. Se isso não for afetado, nenhuma experiência internacional será eficaz”.
Buscaglia acredita que o fim da violência organizada no México só virá por meio de um pacto político, que parece distante, porque “políticos mexicanos não sentem a dor e o desespero de estar entre cruz e a espada”.
Opera Mundi: Qual é o papel do governo mexicano diante da atual espiral de violência e violação dos direitos humanos?
Eduardo Buscaglia: Desde os anos 1970 até hoje, a violação dos direitos humanos foi concebida e promovida por agentes não-governamentais, que se apoderam de partes do Estado. O governo permanece sendo o problema, mas são os agentes não-governamentais os estrategistas dessas violações. Por exemplo: chegam os Zetas e dominam a polícia municipal de Durango, em seguida, o Cartel do Golfo controla a polícia estadual de Durango e o Cartel de Sinaloa controla os federais de Durango. Há três níveis do Estado mexicano nas mãos de três diferentes grupos criminosos. Os policiais municipais dos Zetas começam a assassinar os policiais estaduais que trabalham para o Golfo, que começam a assassinar os federais de Sinaloa. O governo faz parte da violência, porque são seus funcionários e policiais que sequestram as mulheres, homens, migrantes, pessoas sem recursos ou conexões políticas, que desaparecem e são vítimas do tráfico de pessoas.
E isso hoje é parte de um fenômeno que acontece em todo o continente. Existem franquias locais dos Zetas, que sequestram jovens bolivianos na região da fronteira entre a Bolívia e a Argentina e os enviam ao México para trabalhar no turismo sexual de Cancun ou de Acapulco. Por isso, muitos desaparecimentos hoje em dia estão ligados a fatores econômicos. Então, não é correto referir-se simplesmente ao “narco”. O menor problema é o narcotráfico, o problema mais grave é que milhares de pessoas estão sendo negociadas no atacado por esses grupos criminosos que tanto traficam drogas como praticam extorsão, sequestram, contrabandeiam bens e serviços e pirateiam mercadorias. São empresas multinacionais muito diversificadas e os desaparecimentos têm uma motivação econômica que abastece os crimes sexuais em várias partes do mundo e hoje o México é um centro de consumo que está entre os cinco primeiros do planeta.
OM: As elites tiram proveito dessa situação, em grande parte economicamente, ou ao menos contribuem para gerá-la. Então, qual poderia ser o ponto de inflexão?
EB: Vou dar um exemplo que vivenciei. Quando trabalhava na Colômbia como funcionário das Nações Unidas, estávamos em um dos poucos lugares seguros que naquele momento existiam em Bogotá, o “Club el Nogal”. Este lugar abrigava as elites empresariais, um bunker enorme, com piscinas, saunas de luxo e lá estavam eles, refugiados, isolados da realidade. O Club el Nogal foi destruído por um carro-bomba, desmoronou como as torres gêmeas de Nova York, com todos os empresários dentro. Para que algo comece a mudar, a violência coletiva terá de chegar às elites.
FM: O sr. diz então que é uma condição indispensável?
EB: Não é que eu queira, não quero que aconteça. Quero deixar claro para que depois não me acusem de incitar a violência. Mas lamentavelmente todos os casos internacionais examinados, o da Itália, da Colômbia e da Nigéria, ultimamente, demonstram que as elites começam realmente a aplicar medidas somente quando são ameaçadas. Então, dá-se prosseguimento à desapropriação das frotas de transporte, dos milhares de caminhões, dos centros de produção de efedrina, dos centros de distribuição de contrabando, pirataria de pessoas. Todas essas atividades são de propriedade real, não são dinheiro no banco. Têm um papel operacional diário para a criminalidade organizada, que lhes permite sobreviver, transportar, produzir. Esses recursos estão em nome de empresas legalizadas (de fachada), legitimadas pelo registro nas juntas comerciais.
Quando essas empresas são identificadas e desmanteladas, seus bens são confiscados, e geralmente se descobre o motivo pelo qual hoje são intocáveis: essas mesmas empresas financiam campanhas políticas para se proteger, esta é a razão pela qual não se interfere com estas empresas. As grandes organizações multinacionais, oligopólios e monopólios, que obtém lucros obscenos no México, também não querem que esta medida seja implementada, porque perderiam seus interlocutores, aqueles que permitiram a sua entrada no México sob condições de pouca concorrência. Há uma compatibilidade de interesses internacionais e domésticos muito nocivos, que tornaram possível que a situação chegasse a este nível de violência.
Sem confiscar o aparato logístico, operacional e econômico – e não me refiro a lavagem de dinheiro, dinheiro no banco ou debaixo do colchão, mas a imensas frotas de transporte, prédios e galpões de armazenamento – que estão sendo usados diariamente pelos grupos criminosos em nome de empresários. Se isso não for afetado, nenhuma experiência internacional será eficaz. Não é possível resolver o problema da criminalidade, da violência, do tráfico de armas, drogas e pessoas, com panacéias ou paliativos, legalizando todos os químicos que apareçam por aí. Não vai resolver com soluções mágicas, com fórmulas mágicas, tem de ser resolvido com medidas duras, que qualquer pessoa sem um doutorado em criminologia sabe que devem ser aplicadas para que esses grupos criminosos sejam reprimidos em sua dimensão operacional.
FM: Então a “guerra ao narco” de Calderón não é efetiva?
EB: É uma boa medida midiática, convence o público dos Estados Unidos, que vê um presidente que parece fazer muitas coisas, que parece ser agressivo contra grupos criminosos, que envia o exército. Quem pode negar o apelo midiático de enviar milhares de soldados às ruas? Parece uma excelente medida, mas a verdade é que o presidente Calderón não está mexendo nos interesses políticos e econômicos que são a essência da atividade criminosa. Nada além de levar adiante um jogo midiático.
Não estamos vendo estruturas desmanteladas, estamos vendo “mafiositos” detidos em grandes operações e que são substituídos com grande facilidade. Até mesmo o “El Chapo” Guzmán pode ser substituído com enorme facilidade a esta altura, pois ele nada mais é que um gerente operacional. E as elites sempre reagem da mesma forma: obviamente não querem chegar à essência de seu próprio sistema e de sua própria corrupção. Para poder abordar este problema e contê-lo, os governos têm de chegar à essência de sua própria corrupção, à essência de suas próprias fraquezas, de seus abusos de poder e isso é muito difícil de fazer.
Os grandes mafiosos no México não são conhecidos, são funcionários que ocuparam os mais altos cargos públicos. Os detidos são “gerentes operacionais”. É preciso chegar aos seus coordenadores políticos, aos seus coordenadores empresariais, aos que realmente estão exercendo o poder. E isso obviamente não se consegue enviando o exército às ruas. O exército em nenhum lugar do mundo foi projetado para isso.
FM: Como se pode explicar o aumento da violência no México durante o governo de Calderón? E quais são as medidas necessárias para acabar com ela?
EB: A violência em geral aumenta quando os grupos criminosos competem entre si para infiltrar-se no governo com o objetivo de consolidar seu domínio econômico. Em 22 tipos de mercado, onde o tráfico de drogas é somente um dos crimes, porque há tráfico de pessoas e de órgãos, contrabando, pirataria, extorsão, sequestro, fraude eletrônica, venda de armas. Quando os grupos criminosos, após concorrer pelo domínio se consolidam em uma aliança com outros grupos e se consolida o mercado do crime, por intervenção do Estado corrupto ou não, os homicídios organizados caem para zero.
Quando os processos de transição política não são concluídos como no caso mexicano, o que acontece é que o estado, com o conflito e a corrupção, vai se desintegrando, se “somalizando” e “afeganizando”, e isso gera instabilidade política, ilegitimidade dos presidentes em exercício, questionamentos à legitimidade e à própria existência do presidente. É quando começam a ocorrer assassinatos de políticos do mais alto nível e essa instabilidade política resulta em falta de controle, que é o que temos hoje.
Os políticos sabem, porém, que essa violência está chegando a eles, e tratam de negociar com as máfias, cuidam para que a máfia baixe os níveis de homicídios para que eles obtenham crédito político e sejam reeleitos e que a dor não chegue aos mais altos níveis das elites, para continuar este proceso sem mudar as regras do jogo. Mas, lamentavelmente, este processo envolve a deterioração da legitimidade do estado, passa-se a ver policiais que trabalham como guardas pretorianos privados, fiscais que ajudam empresários em investigações, o estado vai se decompondo.
A solução política para esta grande orgia de corrupção, para esta grande orgia de criminalidade organizada, deve ser abordada no âmbito internacional e nacional através de um pacto político mexicano, que ainda não se vê no horizonte porque os políticos mexicanos não sentem a dor e o desespero de estar entre cruz e a espada, e, até que isso não aconteça, não veremos o princípio do fim.

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