segunda-feira, 4 de junho de 2012

Jornalismo de Esgoto da Veja faz seus leitores de bobos: Control C + Control Veja

04.06.2012
Do portal da Revista CartaCapital
Por  Cynara Menezes

No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.
O tiro no pé de Veja. Foto: Reprodução
Confira neste link (clique AQUI) os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.
Segundo a revista, os trechos que exibe fariam parte de um “documento preparado por petistas para guiar as ações dos companheiros que integram a CPI do Cachoeira”. Mas são na realidade pedaços copiados e colados diretamente (o manjado recurso Ctrl C+ Ctrl V dos computadores) de reportagens de terceiros, sem mudar nem uma vírgula. O primeiro deles: “Uma ala poderosa da Polícia Federal, com diversos simpatizantes nos meios de comunicação, não engole há muito tempo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal” saiu de uma reportagem de 6 de abril do site Brasil 247, um dos portais de notícia, aliás, que os colunistas online de Veja vivem atacando com o apelido de “171″ (número do estelionato no código penal). Mas quem é que está praticando estelionato com os leitores, no caso? (confira clicando AQUI).
Outro trecho do “documento exclusivo” de Veja é um “copiar e colar” da coluna painel da Folha de S.Paulo do dia 14 de abril: “Gurgel optou por engavetar temporariamente o caso. Membros do próprio Ministério Público contestam essa decisão em privado. Acham que, com as informações em mãos, o procurador-geral tinha de arquivar, denunciar citados sem foro privilegiado ou pedir abertura de inquérito no STF”. (Confira AQUI)
Mais um trecho do trabalho de jornalismo “investigativo” com que a Veja brinda seus leitores esta semana: “Em uma conversa entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira, gravada pela Polícia Federal (…)”, é o lead de uma reportagem do jornalO Estado de S.Paulo do dia 28 de abril (leia AQUI).
Pelo visto, os espiões da central Cachoeira de arapongagem, que grampeavam pessoas clandestinamente para fornecer “furos” à Veja, estão fazendo falta à semanal da editora Abril…
Leia também:


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Lamentavelmente, Lula não morreu

04.06.2012
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim


Amiga navegante baiana liga, aflita: “querem matar o Lula !”

Como assim ?

Ela explica.

O editorial do Estadão, no domingo, considerou o programa do Ratinho “um espetáculo de endeusamento”.

O Estadão fica horrorizado porque o Lula comeu rabada na casa do Ratinho.

Rabada ?

Onde já se viu ?

Se fosse “canard à l’orange”…

Pior: o Estadão ficou uma fera, porque o Nunca Dantes foi logo ao “programa de um dos animadores preferidos das classes pobres”.

Onde já se viu !

Os editorialistas do Estadão preferem a BBC ou o “Roda Presa”, antigo “Roda Morta”, antigo “Roda Viva”.

(Sim, porque “Roda Viva” se tornou um símbolo da resistência ao regime militar e o programa, hoje, passa a mão na cabeça dos torturadores. Qualquer dia desses chamam o Coronel Ustra para entrevistar.)

O Estadão, como se sabe, é aquele jornal da província de São Paulo, dos tempos do PRP, quechamou a Dilma e o presidente do Supremo de mentirosos.

No Globo, domingo, alertou a amiga navegante, o “Merval Global e o Melhor do Carnaval”, diria o Boni, considera que Lula está “emocionalmente desestabilizado”.

Que Lula se coloca no centro do universo e tem a “alma autoritária”.

Lula assumiu uma postura “despótica, quase ditatorial”, porque anunciou “tucano nunca mais” !

Merval volta à tecla do “mensalão”, que está por provar-se, agora que parece desvanecer-se o sonho de o Peluso condenar o Dirceu.

Não vai dar tempo.

E mesmo se desse, este ansioso blogueiro queria ver o Ministro Peluso condenar o Dirceu sem provas.

Inexplicavelmente, o Merval não trata da Privataria.

Considera o “mensalão” (que está por provar-se) um conjunto maior que os Pecados Capitais, juntos.

Este ansioso blogueiro prefere a Privataria.

Nesta segunda-feira, a amiga navegante, chegou ao PiG (*) chic: o Valor.

É o PiG (*) travestido de “jornalismo de economia” que, como disse o Delfim (e depois desmentiu) no Brasil não é um nem outro.

O editorial do Valor desta segunda-feira diz que houve um “bate boca” entre Lula e Gilmar.

Até onde a vista alcança, não houve “bate” nenhum.

A única “boca” que bateu – contra si mesma – foi a do Gilmar Dantas (**).

Clique aqui para ler “as dez perguntas que o Charles fez ao Gilmar Dantas (**), lá do Recôncavo”.

aqui para ler “Blogueiro sujo vai ao Supremo contra Gilmar Dantas (**)”.

O Valor defende a tese de que Lula “debochou” da legislação eleitoral, porque foi ao programa do Ratinho.

E que a “movimentação de Lula enfraquece a Dilma”.

Ah, que inveja !

Que pena que o Farol de Alexandria, aquele que fugiu de Ley de Medios, não “enfraqueça” o Cerra igualmente.

O PiG (*) comprou a versão do Gilmar Dantas (**).

E ignorou que a única testemunha, o Nelson Johnbim, desmentiu categoricamente o Gilmar Dantas (**).

De repente, o Nelson Johnbim perdeu a credibilidade no PiG (*).

(Este ansioso blogueiro aguarda ansiosamente a entrevista que a Eliane Catanhêde fará com o Nelson Johnbim, ela que, sempre, fez tantas entrevistas com o então Ministro da Defesa.) 

O PiG matou o Johnbim.

Agora, diz a amiga navegante, o PiG (*) lamenta que o Lula não tenha morrido.

Lamenta que o Lula não perdeu a voz.

E lamenta profundamente que o Lula tenha nascido.

Porque, enquanto for vivo e tiver voz, nenhum tucano subirá a rampa.


Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para vercomo outra eminente colonista da GloboNews  e da CBN se refere a Ele.

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Gilmar Mentes não consegue conviver com a Liberdade de expressão

04.06.2012
Do blog ESQUERDOPATA


A conexão goiana 

Gilmar Mendes está demonstrando dificuldade em entender a realidade, em aceitar o jogo democrático que exige, como fundamento maior, a liberdade de expressão, que se concretiza na pluralidade da informação e de opinião. Essa dificuldade, se não for logo vencida, dará suspeição às decisões que ele tomar como juiz do STF.

Mauro Santayana

Os meses a vir pedem aos homens públicos responsáveis, de todos os partidos, a combinação da firmeza com a paciência, a fim de conduzir a campanha e o pleito municipal deste ano. A oposição, instigada pelo julgamento do processo conhecido como mensalão, se encontra açulada por alguns de seus líderes menos sensatos. O presidente Lula, acossado pelos inimigos e em convalescença de um tratamento penoso, não se tem contido diante dos ataques que recebe e fez algumas declarações apressadas, como ocorreu em recente programa de televisão. Na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os negócios de Carlos Cachoeira, parlamentares perdem a compostura, e usam de linguagem chula e repulsiva, provocados pelo soberbo silêncio dos depoentes, entre eles o Senador Demóstenes Torres.

Os diálogos ásperos são normais nas casas parlamentares, desde que elas existem. Os registros do Senado Romano mostram como os debates já se valiam, naquele tempo, da ironia e do insulto – que deviam soar mais ferinos no latim republicano. A Câmara dos Comuns, a partir do confronto com os Stuarts, na primeira metade do século 17, reproduzia a linguagem vulgar dos pubs e das margens do Tâmisa. No século seguinte, principalmente durante o reinado de George III, os insultos faziam parte habitual dos debates na Câmara dos plebeus. Entre os lordes, é claro, a coisa era outra: estavam todos de acordo contra o povo.

Em uma comissão parlamentar de inquérito, os ânimos são mais acesos. Mas conviria, tendo em vista a conjuntura política e econômica mundial, que os membros do comitê investigatório se contivessem em sua linguagem, na mesma medida em que se empenhassem, seriamente, na busca da verdade. O momento pede a coesão nacional, mas ela não pode ser construída na tolerância com o crime. 

Estamos diante de uma oportunidade singular, a de separar o que é público do que é privado na sociedade brasileira. Ainda que não consigamos tudo, alguma coisa que se consiga irá contribuir para a evolução positiva da democracia republicana em nosso país. 

O Sr. Gilmar Mendes continua arrostando a paciência nacional. A ligeireza com que acusa e com que retifica suas versões demonstra que o Ministro não está segurando as rédeas do raciocínio – e, em seu caso, não existe a atenuante de um agressivo tratamento de saúde.

Ainda agora ele mesmo revela que interferiu na autonomia do poder executivo, ao solicitar do Ministro da Fazenda que proiba a Caixa Econômica de anunciar em blogs independentes na internet. Como tive a oportunidade de escrever, em minha coluna no JB – reproduzida pelos blogs que ele quer silenciar – o ministro Gilmar Mendes não é uma instituição, não é o STF. E sua visita ao Ministro da Fazenda, com esse objetivo, é, sim, intromissão em outro poder e pode ser vista como intimidação. Todos os grandes veículos de comunicação do país recebem anúncios – e em valor e volume muito maiores do que a totalidade dos blogs – e exercem forte oposição ao governo. Tanto é assim que a presidente da Associação Nacional dos Jornais, Judith Brito, disse que a imprensa – os jornais que ela representa – desempenha o papel de um partido de oposição que, em seu juízo, não existe no Brasil. 

Gilmar Mendes está demonstrando dificuldade em entender a realidade, em aceitar o jogo democrático que exige, como fundamento maior, a liberdade de expressão, que se concretiza na pluralidade da informação e de opinião. É claro que essa dificuldade, se não for logo vencida, dará suspeição às decisões que ele tomar como juiz do STF. 

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

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Vazou mais um vídeo secreto da mídia!

04.06.2012
Do blog TERROR DO NORDESTE, 03.06.12

A blogosfera e a imprensa adentraram o fim de semana disputando quem revela mais escândalos bombásticos. A CPI do Cachoeira engrenou de vez, e já se tornou uma generosa fornecedora de denúncias. O governador Marconi Perillo, ao que parece, foi rifado pelas principais forças políticas, incluindo o último bastião que o blindava: a mídia e seu próprio partido, o PSDB.

O caso Gilmar versus Lula criou uma quase unanimidade, no caso negativa, contra o ministro. Nem os jornalões aguentaram seu destempero histérico. Suas catilinárias contra blogs que o criticam varreram para longe a credibilidade que ele já não possuía.

Entretanto, o Cafezinho conseguiu mais um vídeo secreto. Trata-se de um comício realizado às escondidas entre o Líder Supremo do PUM (Partido Unificado da Mídia) com representantes da classe média tradicional (também conhecidos como “homens e mulheres bons”), vindos de várias partes do Brasil. Eles falam em alemão porque não gostam da língua portuguesa, considerada subdesenvolvida, o que me obrigou a um duro trabalho de tradução e legendagem.

Vale a pena conferir:




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BLOG MOBILIDADE URBANA: Montadoras deixarão de vender carros para vender mobilidade. Essa é boa!

04.06.2012
Do blog MOBILIDADE URBANA
Postado por Tânia Passos

Diretor da PwC afirma que automóvel é solução de transporte para parcela da população, e que trânsito caótico das grandes cidades se deve mais à infraestrutura deficiente do que à quantidade de veículos

Fabricantes de veículos se reuniram na capital paulista na segunda-feira (28) para discutir a sustentabilidade do automóvel. Representantes da Fiat, Volkswagen, Honda e GM, entre outras, demonstraram em números e slides como as montadoras estão se esforçando para aumentar a eficiência dos motores, reduzir emissões de gases estufa, melhorar processos industriais, minimizar resíduos e ampliar a reciclagem dos veículos.

No entanto, o impacto do carro sobre o trânsito das grandes cidades não fez parte do debate. Por isso, a Rede Brasil Atual conversou com Ernesto Cavasin, diretor da empresa de consultoria PwC, que abriu o seminário da indústria automobilística lembrando a importância da sustentabilidade e apontando tendências do mercado. “No futuro, as montadoras deixarão de vender veículos para vender mobilidade”, diz o analista. “Há limites no quanto você pode crescer.” Só que no curto prazo, segundo ele, dificilmente as empresas deixarão de mirar o volume de vendas como objetivo a ser alcançado.

Ernesto Cavasin acredita que combater o trânsito caótico das metrópoles brasileiras dificultando a produção de automóveis é “tampar o sol com a peneira”. Por isso, elogia a recente desoneração fiscal concedida pelo governo federal à compra de veículos. O problema da mobilidade descansa sobre a infraestrutura e o sistema de transportes públicos, que devem ser melhorados independentemente do desempenho da indústria automobilística. “A mobilidade é uma necessidade das pessoas”, lembra. “Elas devem ter o direito e condições de escolher como satisfazê-la, individual ou coletivamente.”

Você propõe que, no futuro, as montadoras deixem de vender veículos para vender mobilidade. Na prática, o que você quer dizer?

A indústria do automóvel passará por mudanças. Uma das soluções de transporte que pode ser um bom negócio é a mobilidade. Há limites no quanto você pode vender e crescer. Esse limite está longe de ser alcançado, mas existe. Não acredito que vamos deixar de vender carros, até porque o carro, em diversas sociedades, é um símbolo de status. Mas soluções diferenciadas e serviços serão agregados ao negócio. Um dos nichos que está surgindo é o que se chama de zipcar: você pega o carro num ponto da cidade, deixa em outro ponto duas horas depois e, ali, outra pessoa vai pegar o carro, levar pra outro canto e assim por diante. O próprio carro tem uma mobilidade e você buscará o mais próximo de você.

Isso supõe uma mudança no modelo de negócios das montadoras? Deixar de pautar-se por vendas cada vez maiores?

Não acredito que no curto prazo migraremos para um modelo diferenciado, mas parte do crescimento das montadoras e da indústria virá de soluções diferenciadas. As montadoras continuarão produzindo e vendendo e tendo seus consumidores fiéis. O que vai agregar valor são novos tipos de serviços que façam crescer o negócio. Isso vai depender da estratégia de cada empresa.

As montadoras têm se dedicado a reduzir o impacto ambiental de seus veículos, mas evitam discutir o impacto da venda cada vez maior de carros no trânsito das cidades.

Você não vai resolver o problema do engarrafamento tentando não vender mais carros. Pode até ajudar, mas não é a melhor maneira. A mobilidade é uma necessidade do ser humano, e o usuário irá buscá-la de uma maneira ou de outra. Daí que o problema esteja na falta de políticas públicas para sanar os problemas de mobilidade, e não na venda de carros. Há dez anos, Londres teve de restringir o acesso de veículos e cobrar taxas altas de pedágio. Em Berlim e Munique, se reduziu a oferta de estacionamentos no centro. Mas, ao mesmo tempo, elaboraram políticas eficientes de transporte público.

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a venda de carros não acabará piorando o trânsito?

Com mais carros, há mais problemas. Mas a questão principal é a infraestrutura. O que o governo está fazendo ao reduzir o IPI é estimular a economia, e com a economia estimulada você consegue recursos para melhor executar políticas públicas. A mobilidade urbana é resultado de melhores estrutura viária e transporte público. Não adianta achar que a solução é diminuir ou restringir o acesso da população ao carro. Isso é tampar o sol com a pereira. O que se tem de fazer é dar condições para a população ter acesso a bens de consumo e a uma melhor qualidade de vida, ao mesmo tempo criando infraestrutura para que o bem comum seja preservado.

Como a indústria encara o desinteresse dos jovens pelo carro, que já é realidade em alguns países desenvolvidos?

O gosto vai de cada pessoa. Já o transporte e a mobilidade são necessidades básicas da sociedades, em qualquer lugar do mundo. Quando você traz um sistema público eficiente, você resolve parte do problema da mobilidade. Quando o transporte público não é eficiente, a pessoa tem de buscar soluções para sua mobilidade. É o caso do Brasil. Em São Paulo, temos uma malha de transporte público razoável, mas que necessita melhorias. Enquanto elas não vêm, as pessoas buscam alternativas. As motos, por exemplo. É um veículo automotor mais barato, mais acessível e que atende às necessidades de muita gente. Para algumas pessoas, o veículo acaba se tornando uma necessidade. A indústria automobilística acaba exercendo um papel importante ao viabilizar a mobilidade. E o governo facilita reduzindo impostos.

É equivocado o uso diário que se faz do carro em São Paulo?

O dono do carro tem toda a liberdade para escolher se usará seu veículo semanalmente ou diariamente. Em geral, quando a pessoa opta por um veículo próprio, ela leva em conta diversas questões. Primeiro, conforto e facilidade. É mais confortável você ir no seu carro do que, por ventura, num ônibus lotado. Depois, tem a economia de tempo e a praticidade. Mesmo com os problemas de trânsito que temos em São Paulo, ainda é mais rápido e confortável ir de carro na maioria dos casos. Porém, há pessoas que acham mais confortável ir de ônibus ou metrô, tranquilo, lendo um livro. A pessoa tem direito a optar, e deve haver infraestrutura para que ela possa exercer esse direito.

É sustentável todo mundo ter um carro em São Paulo?

Não podemos misturar sustentabilidade com praticidade. Não é prático e aplicável todo mundo ter um carro em São Paulo, porque não temos infraestrutura pra isso. Sustentabilidade é outra coisa. Pra saber se não é sustentável precisaríamos fazer análises maiores. O carro traz problemas hoje por falta de infraestrutura. Mas, o carro é um problema? Não. As decisões, a infraestrutura, o modelo de crescimento e desenvolvimento sem planejamento adequado é o que traz um problema – não o produto.

Fonte: Rede Brasil Atual
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O FACTÓIDE DE GILMAR MENDES CONTRA LULA SIGNIFICA “ELEMENTO” EM CAMPANHA

04.06.2012
Do BLOG DO SARAIVA, 01.06.12

“Quarto elemento - Há alguns dias, José Serra ligou para o ex-ministro Nelson Jobim. Pediu a ele que falasse com a revista “Veja”. Jobim atendeu ao pedido do amigo – e só então soube da reportagem sobre Lula e o ministro Gilmar Mendes. Escaldado, Jobim disse não ter presenciado nada beligerante na conversa entre os dois, que ocorreu em seu escritório, em Brasília”
A nota acima foi publicada ontem (31/5) na coluna da jornalista Monica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo. Sem ser direta, joga luz sobre o quarto elemento que participou do caso Gilmar Mendes x Lula, o pré-candidato a prefeitura de São Paulo, José Serra. Ele, sempre ele.
Entre marqueteiros e estrategistas de campanha todos sabem que uma coisa é certa quando Serra está na disputa: não há possibilidade de a eleição ser tranqüila e limpa.
O episódio narrado por Bergamo ontem merece ser analisado num contexto maior. Serra quer Lula mais fraco no processo eleitoral deste ano. E além disso quer muitíssimo que o julgamento do mensalão aconteça entre agosto e setembro para que o debate sobre as questões municipais seja diluído do ponto de vista midiático. Ou alguém acha que com o julgamento do mensalão acontecendo no STF neste período os veículos de comunicação tradicionais vão tratar de qualquer coisa relacionada à gestão Kassab, por exemplo? Nas contas que fez não havia nada melhor para embananar o jogo do que dar publicidade a este factóide de Gilmar Mendes, que também tem muito interesse em desviar os holofotes midiáticos da CPI do Cachoeira.
Para quem acha que isso é coisa de blogueiro sujo, que tal relembrar algumas histórias. 
Caso Roseana Sarney

O dossiê mais conhecido contra um adversário de Serra teve como alvo a então candidata a presidente da República, Roseana Sarney, em 2002.
O jurista Saulo Ramos, que até onde consta não é um “blogueiro sujo”, no livro Código da Vida, revela que o dossiê foi motivado pelo crescimento de Roseana nas pesquisas. “E de repente, sem que estivesse previsto, o PFL lançou Roseana Sarney. Seu nome foi um impacto. Subiu nas pesquisas, Serra ficou para trás e, em todas as simulações de segundo turno, era a única capaz de derrotar Lula”.  A partir daí ocorreu a investigação contra Roseana. “Uma das mais cínicas maroteiras da história republicana”, na opinião do autor.
O jurista descreve o que aconteceu: “Fernando Henrique Cardoso mandou montar um grupo especializado e treinado para fazer espionagem. A justificativa: vigiar o controle dos preços dos remédios, o cartel dos laboratórios. José Serra, então Ministro da Saúde, havia sido perseguido pelos militares. Sabia bem como os governos eram poderosos nessa especialidade. Fernando Henrique o convenceu a aceitar a maquinação porque dizia ser em favor de sua candidatura a Presidente da República. Serra caiu na conversa”. Saulo Ramos acrescenta: “O objetivo era montar a estratégia política da candidatura de Serra à Presidência da República e desenvolver ações de espionagem e denúncias contra possíveis opositores. 
Para tanto, Aloysio Nunes Ferreira, Ministro da Justiça [o mesmo do dossiê Tasso] mandou instalar uma estação de escuta em São Luís.
De acordo com Ramos, “essa “estação” foi descoberta, e o Ministro da Justiça justificou que se destinava a combater o narcotráfico. (…) São Luís nunca esteve na rota da cocaína. Nem no Rio de Janeiro havia uma estação como aquela”.
Depois que a revista Época, da editora Globo, publicou edição com o escândalo que envolvia Roseana, ela desistiu da candidatura à Presidência, apoiou Lula e candidatou-se ao Senado, sendo eleita.
Caso Tasso Jereissati
Tasso Jereissati sofreu perseguição do governo FHC e Serra
No dia 12 de junho de 2010, a jornalista Christiane Samarco revelou, em reportagem do Estado de S.Paulo, que o então governador Mário Covas, já adoentado, recebeu em 2000 a visita de Tasso Jereissati, na época governador do Ceará, comunicando-lhe que estava impedido de ser candidato a Presidência e o apoiava para o cargo, dizendo que “essa disputa vai ficar entre você e o Serra. E meu candidato é você”.
Além de Mário Covas, o ex-governador do Ceará tinha também o apoio do PFL de Antônio Carlos Magalhães, mas mesmo assim desistiu da candidatura.
A reclamação de Jereissati foi a de que “setores do PSDB no governo” estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e investigando sua vida.
De acordo com a reportagem, ao chegar ao palácio da Alvorada para comunicar sua desistência a FHC, Tasso se encontrou com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, a quem o ex-governador do Ceará atribuía uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço numa investigação de lavagem de dinheiro.
Nesse encontro, segundo o Estado de S. Paulo, houve um bate-boca entre Jereissati e Aloysio Nunes. Leia o trecho publicado e entenda melhor como se movimenta o quarto elemento.
“Vocês jogam sujo!”, disse Tasso. (…) “Vocês quem?”, quis saber Aloysio. (…) “Você…o Serra… Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você que está me fodendo nesse governo” reagiu Tasso. (…) “Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora do controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que o governador do Pará, Almir Gabriel, apartasse a briga, enquanto FHC, incrédulo, pedia calma. 
Caso Paulo Renato de Souza
Quando Serra era ministro da Saúde e o ex-delegado da Polícia Federal e deputado, Marcelo Itagiba, cuidava da “inteligência” da pasta, circulou um dossiê contra Paulo Renato de Souza, então ministro da Educação. À época, Souza planejava disputar com Serra a indicação do PSDB à presidência. Serra levou a melhor e foi candidato em 2002.
Ou seja, o elemento está em ação. A campanha de São Paulo vai ser a mais suja dos últimos tempos, anotem. Serra sabe que se vier a perder, será o fim de sua carreira política.
A nota de ontem de Mônica Bergamo é um aperitivo do que vem por aí.
(Colaborou: Felipe Rousselet)

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Fonte:http://saraiva13.blogspot.com.br/2012/06/factoide-de-campanha.html

FALSOS DEMOCRATAS ATACAM LIBERDADE DE EXPRESSÃO:Gilmar Mendes quer censurar a mídia

04.06.2012
Do BLOG DO MIRO, 03.06.12
Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:


Segundo o colunista Jorge Moreno, do jornal "O Globo", o ministro do STF Gilmar Mendes o informou que acionará a Procuradoria Geral da República, solicitando a relação de empresas estatais que anunciam em blogs que "atacam as instituições".



"É inadmissível que esses blogueiros sujos recebam dinheiro público para atacar as instituições e seus representantes. Num caso específico de um desses, eu já ponderei ao ministro da Fazenda que a Caixa Econômica Federal, que subsidia o blog, não pode patrocinar ataques às instituições.(...) O direito de crítica, de opinião, deve ser respeitado. Mas o ataque às instituições é intolerável" disse o ministro, segundo o colunista.

Ora, ora, um ministro do STF quer proibir propaganda estatal em blogs, conforme o conteúdo. Se ele aprovar, pode. Se não aprovar o conteúdo, proíbe anúncios. Isso é a mais descarada censura, em sua forma econômica, totalmente inconstitucional. Além disso, abrem-se as portas para uma forma velada de corrupção institucionalizada, uma vez que entra na fronteira do suborno à imprensa para comprar viés favorável na linha editorial.

Anúncios republicanos devem obedecer critérios técnicos comerciais de audiência quantitativa e qualitativa (foco em públicos alvos segmentados), além de questões ligadas a imagem institucional, como por exemplo, apoiar a diversidade, projetos alternativos, culturais, comunitários etc., sem interferir no conteúdo editorial ao gosto dos poderosos.

Além disso, quem disse que criticar um ministro do STF é criticar toda a instituição? E mesmo que haja quem faça críticas ao órgão como um todo, qual é o problema, se há liberdade de expressão assegurada na Constituição? O cidadão ou jornalista vai voltar à época das trevas, onde pensa uma coisa e não pode dizer, dentro do regramento legal vigente?

Existem críticas ácidas, irônicas, recorrendo ao humor, usando diversas maneiras de expressar o pensamento, que são contundentes, mas não é não nenhum "ataque às instituições".

Aliás causa estranheza o ministro só perseguir blogs "sujos", cujo apelido foi cunhado por José Serra (PSDB-SP) na campanha eleitoral de 2010, justamente os que denunciavam práticas, digamos, pouco leais da estratégia demotucana, e adotado carinhosamente pelos blogueiros como equivalente à voz das ruas, do povão, da periferia e à margem da imprensa corporativa. A voz do que os mais favorecidos chamam de "ralé".

Por que o ministro também não pediu ao Procurador-Geral para dar uma olhada nos blogs situados no portal da revista Veja e das organizações Globo, para conferir o quanto atacam a instituição da Presidência da República, há anos? O quanto achincalham as instituições partidárias.

Há partidos com décadas de história de lutas, com centenas de milhares ou milhões de filiados, e com os quais aquelas empresas de mídia escolheram tornarem-se inimigas declaradas. Mas partidos existem com pleno respeito e submissão à justiça eleitoral, e precisam existir como instituições legítimas para a democracia representativa funcionar.

Além de tudo, se há dinheiro mal gasto de estatal é em publicações de linha neoliberal. E não é por questão de ideologia, é por motivo comercial mesmo. Do que adianta uma estatal anunciar em uma revista neoliberal que toda semana fala a seu público-alvo cobras e lagartos das estatais e que elas seriam um mal ao país?

Qualquer empresa estatal tem muito mais chances de captar clientes em publicações à margem da grande mídia, simplesmente porque seus leitores, ouvintes ou telespectadores via de regra têm simpatia pela maior presença do Estado na economia, e são mais inclinados a dar preferência a produtos e serviços de estatais.

A que ponto chegamos. Quando a gente pensa que já viu de tudo, ainda vê logo um ministro do STF – quem mais deveria garantir os direitos fundamentais – querendo regular a mídia através de regras de exceção totalitárias, pela asfixia econômica a profissionais ou pequenas empresas de comunicação que contrapõem à linha editorial da velha imprensa reacionária. Atitudes tresloucadas como estas é que são um verdadeiro auto-ataque às instituições.


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A onda que se volta contra Gilmar Mendes

04.06.2012
Do blog ONIPRESENTE
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa

Em lugar das manchetes ruidosas, os jornais publicam sobre o assunto, além de uma frase de FHC, dita durante palestra a empresários na China, apenas uma declaração de Lula, feita em entrevista a um programa popular de televisão, segundo a qual “quem inventou a história que prove”. Aquilo que era manchete desde a segunda-feira, a partir de uma declaração de Gilmar Mendes à revista Veja, se desvanece no ar.

Os jornais teriam se convencido, de uma hora para outra, de que o ministro da Suprema Corte mentiu, exagerou, equivocou-se? Essa possibilidade transparece no editorial publicado nesta sexta-feira pela Folha de S. Paulo, no qual há uma clara condenação da atitude de Gilmar Mendes.

Criticando genericamente alguns episódios que provocaram crises no Supremo Tribunal Federal ao longo da última década, o jornal paulista afirma que a reunião cujo teor suscitou a controvérsia da semana foi uma impropriedade cometida pelos três protagonistas: o ex-presidente Lula da Silva, o ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-ministro Nelson Jobim, anfitrião do encontro.

Mas as palavras mais pesadas caem do lado de Gilmar Mendes: o jornal pondera que ele não deveria ter buscado essa exposição, “em face da conjuntura politicamente aquecida pela vizinhança da CPI do caso Cachoeira, centrada na figura de um senador com quem o ministro Gilmar mantinha relacionamento próximo o bastante para aceitar caronas de avião”.

O que a Folha está declarando, implicitamente, é que o ministro do Supremo Tribunal Federal tem explicações a dar sobre suas relações diretas ou indiretas com o bicheiro e que o entrevero que provocou ao acusar o ex-presidente Lula não o exime dessa responsabilidade.

O jogo virou

Não se pode adivinhar o que a Folha tem em seus arquivos que possa comprometer um ministro do Supremo Tribunal Federal e se sua direção vai ou não autorizar a publicação. Mas, a julgar pelo tom do editorial, pode-se afirmar que essa decisão saiu das mãos do editor de Política do jornal, se é que ele algum dia teve autonomia para tratar desse tipo de assunto.

Como afirmou este observador durante a semana, trata-se de mais um episódio patético que começa em crise e termina em anedota (ver aqui e aqui). Mas, ao contrário de alguns casos anteriores, a imprensa não pode agora simplesmente virar as costas e fingir que nada aconteceu.

O ministro Gilmar Mendes colecionou desafetos em número e valor suficientes dentro do próprio Supremo Tribunal Federal para poder escapar da “insinuação escrachada” no editorial da Folha de S. Paulo sobre suas relações com o senador Demóstenes Torres.

Observe agora o leitor a mudança de rumo na lógica do episódio: se de fato o ex-presidente Lula da Silva tentou negociar um adiamento no julgamento do caso chamado “mensalão” em troca de blindar o ministro do Supremo com relação ao caso Demóstenes-Cachoeira, a própria imprensa tratou de romper o véu e acusar diretamente o ministro Gilmar Mendes – não em declarações de terceiros, mas em editorial! – de manter com o senador acusado “relacionamento próximo o suficiente para aceitar caronas de avião”. Se houve, como disse o ministro do STF, uma chantagem para mantê-lo fora do caso Demóstenes-Cachoeira, o episódio acaba por lança-lo diretamente no fogo.

Virado o jogo, o que fazer, então, dos dias anteriores, que o leitor revisita quando resolve folhear os jornais para trás? Onde foram parar todas aquelas fichas apostadas na versão do ministro, agora que o seu movimento acaba por colocá-lo oficialmente entre os suspeitos de “relacionamento inapropriado” com alguém que é acusado de corrupção, formação de quadrilha e outras delinquências?

Já não se trata agora da credibilidade da imprensa, mas do respeito que se deve à Suprema Corte de Justiça.

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VEJA, LULA E GILMAR: Jornalismo desencapado

04.06.2012
Do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA , 29.05.12
Por Washington Araújo,  na edição 696


A reportagem de Veja desta semana é um primor de fios desencapados, mas inofensivos, uma vez que nestes não transita eletricidade real, capaz de impactar ou dar um choque. Informa que Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, teria recebido pressão do ex-presidente Lula, em reunião realizada no dia 26 de abril de 2012, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, também ex-presidente do STF, para adiar o julgamento do processo do chamado mensalão. Mas deixa de informar que o anfitrião do encontro, Nelson Jobim, nega o conteúdo da conversa. Em frases curtas, em bom português, sem uso de metáforas, condicionais ou figuras de linguagem, Jobim colocou uma pá de cal no mais novo escândalo levado às bancas pela revista carro-chefe da Editora Abril, a mesma que, pelo andar da carruagem, deverá ter seu proprietário, Roberto Civita, e seu preposto na sucursal de Brasília, Policarpo Junior, como depoentes na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o submundo do crime comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
O que diz Jobim, em notícia publicada no insuspeito O Estado de S.Paulo?
1. “O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso.”
2. “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão.”
3. “Tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala, o Lula saiu antes, durante todo o tempo nós ficamos juntos.”
4. “Na conversa foram tratadas apenas questões genéricas, institucionais. Em nenhum momento Gilmar e o ex-presidente estiveram sozinhos ou falaram na cozinha do escritório.”
Qual foi a parte desses quatro tópicos que o leitor medianamente informado não conseguiria entender? Nenhuma. Todas são claras, assertivas, afirmativas, peremptórias.
Condições normais
A revista faz uso das habituais tintas do escândalo para alcançar seu maior intento: desqualificar a CPMI do Cachoeira, retirando sua legitimidade para investigar a fundo o teor de mais de 200 grampos conseguidos de forma legal e que têm como interlocutores próceres do esquema Cachoeira (bicheiro, arapongas, chantagistas, delinquentes) e o principal executivo de sua sucursal em Brasília, o jornalista Policarpo Junior. E, em assim procedendo, requentar a curiosa tese esposada na capa de sua edição nº 2271, de 18/4/2012, com o seguinte texto: “Mensalão – A cortina de fumaça do PT para encobrir o maior escândalo de corrupção da história do país”.
A revista informa o que seria um encontro de três pessoas, três personalidades com currículos vistosos: Nelson Jobim, o anfitrião do encontro, ex-deputado federal, ex-ministro do STF, ex-ministro da Defesa; Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical, ex-deputado federal e ex-presidente da República; Gilmar Mendes, ministro e ex-presidente do STF. Não soa no mínimo estranho que dos três presentes ao encontro, a revista haja encampado como verdade única e inatacável, beirando a infalibilidade, o relato do ministro Gilmar Mendes? Por que optou por omitir a seus leitores o relato da mesma reunião feito pelos dois outros personagens? E o que ganha Gilmar Mendes, salvo se “vacinar” contra possíveis descobertas de grampos comprometedores envolvendo sua pessoa, o senador Demóstenes Torres e os personagens que vicejam no lodaçal criado por Cachoeira?
A resposta é simples: os relatos de Jobim e de Lula contradizem frontalmente a versão de Mendes. Não seria sensato esperar que uma publicação semanal, tradicional e com a tiragem de Veja, antes de alçar o assunto à sua editoria de escândalos tivesse o cuidado de ouvir os outros dois personagens? Falta de tempo não foi: a reunião ocorreu em 26 de abril e a revista passou a circular exatamente um mês depois, em 26 de maio. O que a revista da Abril não conseguiu apurar em 30 dias, O Estado de S.Paulo conseguiu em menos de 48 horas. O que nos leva a concluir que existe aqui um descompasso muito gritante para ser descartado sumariamente se nos propomos a produzir crítica da mídia. É o que chamo de jornalismo fundado em “informação desinformada”, aquele tipo de jornalismo que privilegia apenas a tese que deseja defender, independente se esta é fundada na verdade ou não passa de manobra diversionista, dessas que se impõem como contraponto a assunto incômodo.
E o assunto incômodo não é outro: a CPMI do Cachoeira não pode ofuscar o chamado escândalo do mensalão. Chega a ser patético imaginar que os assuntos possam interagir em condições normais de temperatura e pressão.
Debate milenar
A temperatura do mensalão se encaminha para seu ato final, dentro dos próximos meses – no mais tardar, no primeiro semestre de 2013. A temperatura da CPMI ainda tem muito espaço para entrar em ebulição: faltam os depoimentos dos governadores Marconi Perillo, Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral, dos empresários Fernando Cavendish e Roberto Civita, do jornalista Policarpo Junior, do senador Demóstenes Torres e dos procuradores da República Roberto Gurgel e Claudia Sampaio Isto apenas para começar, porque até o momento a CPMI não conseguiu agregar nada de valor investigativo ao que já foi produzido pela Polícia Federal antes da instalação da Comissão.
A pressão sobre o mensalão, segundo a visão do ministro Gilmar Mendes potencializada por Veja, provém do ex-presidente Lula em favor dos 38 personagens a serem julgados pela Corte Suprema. A pressão sobre a CPMI provém da revista Veja, mas não é bem sobre a CPMI – antes, é sobre alguns dos ministros do Supremo Tribunal Federal em sua tarefa de julgar o mensalão. A reportagem da revista apresenta de forma inusitada suspeitas quanto à isenção dos seguintes ministros:
1. José Antonio Dias Toffoli, quando afirma que o ex-presidente Lula está convencido de que Toffoli “tem de participar do julgamento”. Para a revista, Toffoli deveria se declarar impedido por já ter advogado para o Partido dos Trabalhadores no passado;
2. Carmem Lúcia, quando afirma que o ex-presidente Lula falaria para o ex-ministro Sepúlveda Pertence “cuidar dela”, pois segundo Veja Pertence teria sido o responsável por sua indicação para o STF;
3. Ricardo Lewandowski, quando a revista atribuiu a seguinte frase ao ex-presidente Lula: “Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão”. Fica claro, óbvio, que ao atribuir tal frase ao ex-presidente da República, Veja assume seu papel de contrapressão, bem ao estilo: se Lula pressiona Lewandowski a não entregar seu relatório este ano, Veja o pressiona a fazê-lo já.
Aguardemos, nas edições subsequentes, quais os próximos ministros do STF a serem pressionados porVeja. Enquanto isso, nossa grande imprensa sempre tão pródiga em elogiar ritos e costumes europeus, seja em questões de política, comportamento, cultura ou de jornalismo, parece esquecer que o jornal inglês News of The World foi obrigado a encerrar suas atividades empresariais e jornalísticas por denúncias bem menos graves do que as que envolvem Carlinhos Cachoeira e o chefe da sucursal de Veja em Brasília. E que seu chefe, o capo midiático Rupert Murdoch, mesmo contando mais de 80 anos de idade, tem sido chamado a depor em várias instâncias investigativas. E por assim proceder não se ouviu uma única frase condenando a convocação de Murdoch ou invocando qualquer arranhão à liberdade de imprensa na velha Albion.
A diferença entre os casos é que, aqui, embora exista profusão de grampos conectando o esquema de Carlinhos Cachoeira com o jornalista de Veja Policarpo Junior, não existe, ao menos até o momento, qualquer jornalista da Abril indiciado em crimes. A revista alega em sua defesa que “até o delegado da Polícia Federal viu nos grampos não mais que relações entre jornalista e sua fonte”. Pois bem, a pergunta inescapável é: “Será o policial a pessoa mais qualificada para discernir entre o que seria uma ‘relação criminosa’ e uma ‘relação entre jornalista e sua fonte’?”
O debate milenar sobre a validade da máxima “os fins não justificam os meios” não pode ser interditado. É que, não importa a atividade humana, continua vedado o uso de meios espúrios para se atingir objetivos, sejam estes de natureza empresarial, política ou... jornalística.
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[Washington Araújo é jornalista e escritor; mantém o blog http://www.cidadaodomundo.org]

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OS FALSOS DEFENSORES DA VERDADEIRA LIBERDADE DE EXPRESSÃO: FHC enrola, mas no fim defende a "Ley dos Médios" do Gilmar Mendes

04.06.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 03.06.12

Em geral artigos de FHC não valem a pena perder tempo lendo, mas esse revela, nas entrelinhas, as aflições da oposição demotucana e do PIG (Partido da Imprensa Golpista), diante da perda de controle de ambos sobre a opinião publicada.

O artigo dá voltas de um lado para outro, mas acaba por apoiar a "Ley dos Médios" na versão sugerida pelo ministro Gilmar Mendes, que deseja proibir anúncios de estatais fora do PIG (leia a nota "Gilmar Mendes quer regular a mídia a seu modo... só de blogs que o criticam"). Ambos quem, não o "controle social da mídia", mas o "controle da mídia pelo poder econômico".

No artigo de FHC, primeiro ele puxa a orelha do PIG por não saber mais convencer o povo a votar em demotucanos:

... a internet permite que um sem-número de opiniões divergentescircule sem que os leitores ou ouvintes da grande mídia se deem conta. 
(...) o acesso de opiniões divergentes aos meios de comunicaçãopoderia criar um ambiente mais favorável à veracidade das informações.
(...) Nos países europeus ou nos Estados Unidos, por mais que haja partidarismo nos meios de comunicação ou que por lá prevaleça o mesmismo das notícias que refletem o statu quo, sempre há espaço para o outro lado, para o contraponto. Mal termina de falar o primeiro-ministro da Inglaterra e já a voz da oposição, como tal, é transmitida. O mesmo ocorre quando o presidente dos Estados Unidos faz sua apresentação anual ao Congresso. - escreveu FHC
Uau! Esses trechos pinçados até nós poderíamos ter escrito.

Deixa eu ver se entendi. FHC quer garantir espaço a João Pedro Stedile (do MST), no Jornal Nacional, quando a Globo faz "reporcagens" só mostrando a versão da Cutrale e da Monsanto? Será?

Quer garantir às lideranças comunitárias do Pinheirinho, o mesmo espaço generoso no Jornal Nacional, garantido ao governador tucano Geraldo Alckmin e ao porta-voz da PM que baixou o porrete. É isso?

Quer garantir aos presidentes dos Sindicatos de Professores, o mesmo espaço generoso no Jornal Nacional, concedido aos governadores, após mandarem bater nos professores quando protestam por salários minimamente dignos. Será isso?

FHC quer dar voz na "grande" mídia a quem prova que José Serra deve ser convocado antes de Sérgio Cabral na CPI do Cachoeira, devido aos contratos de Paulo Preto com o diretor da Delta que está preso?

Pois não é nada disso o que FHC defende, se ler o texto todo.

Ele apenas está puxando a orelha da velha imprensa pela incompetência na perda da credibilidade, e sugerindo "sutilmente" que alguém como ele seja entrevistado toda vez que colocarem a Presidenta da República em alguma notícia, para fazer o "contraponto" .

No fim, o texto entra no estilo "esqueçam o que escrevi" nas frases acima, e volta à defesa do velho coronelismo eletrônico do ACM avô.

FHC passa a se contradizer, ao falar que o PIG "corajosamente" seria a verdadeira imprensa "independente", e estaria sofrendo desgaste e perda de credibilidade, pela tibieza da oposição partidária:
autenticidade das informações escapa das deformações advindas da influência das forças estatais (inclusive do setor produtivo estatal) e das empresas privadas precisamente pela voz crítica dos setores da mídia independente, por meio de seus repórteres, editorialistas e mesmo dos proprietários que têm coragem de expor opiniões. Não por acaso, é contra estes que os donos do poder político e os partidos que os sustentam se movem: denunciam que é a imprensa que faz o papel da oposiçãoAté certo ponto isso é verdade. Mais por deficiência dos partidos de oposição, cujas vozes se perdem nos corredores dos Parlamentos, do que por desejo de protagonismo da mídia crítica. - escreveu FHC
E FHC entrega o jogo, quando revela seu temor: os demotucanos, com todo o aparato do PIG, estão perdendo a guerra da comunicação para blogueiros "sujos" e a imprensa alternativa:
Nos dias que correm, sobretudo nos regimes democráticos, não há política sem comunicação; logo, é melhor tomar coragem para ler e ouvir tudo o que se diz, mesmo quando partindo de fontes suspeitas.  - escreveu FHC
Aí vem a ofensiva final do grão tucano, onde entra a "jurisprudência" proposta por Gilmar Mendes, e pelo lobby do Instituto Millenium, para asfixiar economicamente qualquer imprensa alternativa que não siga a cartilha do PIG, proibindo anúncios públicos nos pequenos:
Por exemplo: será que é democrático deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? E que dizer do tom invariavelmente otimista das declarações sobre a superação da crise financeira global oriundas de setores empresariais interessados ou, em nosso caso, da marcha contínua para o êxito econômico reiterada pelos governos? O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.  - escreveu FHC
Ou seja, FHC quer ser dono da "verdade publicada". Ninguém pode expressar uma visão crítica da economia diferente dos urubólogos do PIG e dos demotucanos, que seria "chapa branca", se esquecendo que os indicadores sociais de emprego, renda, são todos positivos e, por isso, a marolinha foi marolinha mesmo, e quem disse isso, como nós, acertou. E hoje, o Brasil tem ferramentas para enfrentar a atual crise européia, e quem está dizendo isso tem grandes chances de acertar.

Ninguém esconde os problemas reais, a começar pelo próprio governo, com cada vez mais dados transparentes à disposição de todos. Mas nós, quando nos debruçamos sobre estas informações para analisá-las, não vemos razão para transformar em tempestade inexistente, como quer FHC, através dos urubólogos do PIG.

Não é  a "pequena" mídia (locais, regionais e na internet), cuja opinião é desdenhada por FHC, quem "faz a cabeça" do povo, como o sociólogo ainda imagina. É o povo que tem acesso a tudo, e escolhe onde e como quer se informar, pela sua própria cabeça, pela sede de saber, de receber informações que considerem úteis para si e mais fiéis à realidade.

A "pequena" mídia que FHC critica é a que está mais sintonizada com o pensamento da maioria da população brasileira e, portanto, com a realidade brasileira. É ela quem "toma o pulso" da alma popular. Até porque a maioria dos jornalistas locais, regionais, blogueiros, são povão também, e sentem na própria pele, de seus amigos e familiares, quando a vida melhora e quando piora.  Sabem quando marolinha foi marolinha, sabem perfeitamente que a poupança não foi "tungada" (como alguns imbecis do PIG chegaram a dizer) e que a queda de juros vai acabar melhorando sua vida, sua renda, seu poder aquisitivo.

Com informações na internet, lei da transparência, todos sabem pesquisar, ler números, e mostrar o que PIG esconde ou deturpa, sem precisar impressionar incautos, dizendo ter "fontes" dentro do Banco Central ou do Ministério da Fazenda, da Febraban, como o PIG faz até hoje.

Hoje todos ficam sabendo que as previsões da urubóloga Miriam Leitão são mais furadas do que peneira, e por aí vai.

A "pequena" mídia tem mais contato com a vida real do brasileiro comum, para ter uma visão diferente da economia daquela que os urubólogos do PIG querem impor. Diferente daqueles que só tem como "fontes" banqueiros, empresários arcaicos, e políticos demotucanos interessados em mamar nas tetas do governo, às custas dos trabalhadores e dos mais pobres.

Somos nós, blogueiros "sujos", jornalistas alternativos, quem informamos, desde a primeira hora, as virtudes dos programas de distribuição de renda, do aumento real do salário mínimo, do PAC, do "Minha Casa, Minha Vida"; da Petrobrás encomendando plataformas e navios no Brasil para desenvolver a economia e tecnologia nacional e gerar empregos; do incentivo ao mercado interno para gerar empregos e desenvolvimento; da abertura de concursos nas áreas necessárias para termos educação, saúde e serviços públicos decentes; do alarmismo do PIG na marolinha; defendemos como acertada a atuação da Caixa e o Banco do Brasil concorrendo com banqueiros privados para forçar baixar os juros. Tudo isso deu certo. Fomos só "otimistas", ou informamos corretamente?

Enquanto isso, o PIG junto aos demotucanos, informavam como se fosse o caminho "certo" a ser seguido o neoliberalismo terceiro-mundista onde só o banquete mais farto na casa grande, seria solução para sobrar mais migalhas para a senzala, E nem isso funcionou. Quebraram o país 3 vezes, e ainda disseram que com Lula, o Brasil não ia dar certo. Tudo que Lula fez e que Dilma faz, quando atinge interesses dos milionários, lá vem urubólogos e "especialistas escolhidos a dedo em entrevistas" para dizerem que não dará certo. Depois os fatos desmentem as "análises" do PIG. Será que eles informaram corretamente? É claro que não, e é por isso que perderam a credibilidade, enquanto nós ganhamos.

Triste fim de FHC, até como "pensador". Quem diria, a esta altura da vida, em pleno século XXI, continuar a defender um conceito de "liberdade de imprensa" e regulação da mídia, praticado em seu governo, via política dos 3 metais: Ouro para os amigos, prata para os sócios, e chumbo grosso para os inimigos.

Quem quiser ler a íntegra do artigo do tucanão, está aqui no Estadão.

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