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sábado, 26 de maio de 2012

DITADURA MILITAR: As memórias de uma guerra suja

26.05.2012
Do portal do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 25.05.12
Por Lilia Diniz, na edição 695

CONFISSÕES DE UM CARRASCO - Parte 1 de 4

Enquanto a mídia volta-se para a recém-instalada Comissão da Verdade, chega às livrarias um bombástico livro que pode esclarecer o desaparecimento de militantes da esquerda durante a ditadura militar.Memórias de uma guerra suja é o relato em primeira pessoa do ex-delegado capixaba Cláudio Guerra para os jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto. Em 15 anos, Guerra teria participado de uma centena de mortes como matador e estrategista do Serviço Nacional de Informações (SNI). O Observatório da Imprensaexibido ao vivo pela TV Brasil na terça-feira [22/5] discutiu o papel dos meios de comunicação no resgate da memória dos crimes cometidos pelo Estado entre 1964 e 1985 e a pouca repercussão das revelações deste livro.

Memórias de uma guerra sujalança luz sobre os bastidores das Operações Condor e Bandeirantes e traz novas informações sobre episódios marcantes como o caso Riocentro, o assassinato do jornalista Alexandre von Baumgarten e a morte do temido delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) Sérgio Paranhos Fleury. O livro narra como a equipe de Cláudio Guerra tentou dificultar a abertura política com uma série de atentados a bomba. O ex-delegado comandou uma explosão no prédio do jornalO Estado de S.Paulo e arquitetou um ataque ao Jornal do Brasil que foi desarticulado por ordem do general Golbery do Couto e Silva.

O programa contou com a presença dos dois autores do livro. Rogério Medeiros é fundador do jornal eletrônico Século Diário e trabalhou no Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo, A Tribuna e A Gazeta. Escreveu vários livros, entre eles Um Novo Espírito Santo – onde a corrupção veste toga. Marcelo Netto estudou Medicina até o final do quarto ano, quando foi preso pelo regime militar por 13 meses, nove deles em solitária. Foi repórter e editor no Correio Brasiliense, Folha de S.Paulo, O Globo, Veja e na TV Globo. Em São Paulo, o programa recebeu a jornalista Rose Nogueira, presidente do grupo Tortura Nunca Mais-SP. Durante a ditadura militar, Rose foi presa e torturada durante nove meses, quando seu bebê era recém-nascido. Desde os anos 1970, pauta sua vida pela luta contra o autoritarismo.

Luz no período de trevas

Antes do debate no estúdio, em editorial, Dines comentou que o livro não pode ficar esquecido porque é “um tremendo safanão” naqueles que acham que a Comissão da Verdade é inútil. “Deste livro sai um Brasil irreconhecível, que só se reconhecerá quando for devidamente apurado o que está contado com tantos detalhes neste livro terrível. É possível que a prioridade da Comissão da Verdade seja desvendar o que aconteceu com os desaparecidos. Mas os corpos incinerados por Cláudio Guerra em uma usina de açúcar em Campos, estado do Rio, jamais serão resgatados. Cabe a nós, e a todos os buscadores da verdade, o resgate de suas histórias”, avaliou Dines. Para Dines, mesmo que parte dos dados seja inventada, esta é uma pauta que precisa ser verificada.

Um dos pontos mais chocantes do livro é o relato da incineração de dez corpos de presos políticos em uma usina de açúcar em Campos, no Norte Fluminense. Entre as vítimas estariam Ana Rosa Kucisnky e seu marido, Wilson Silva. Bernardo Kucisnky, irmão de Ana Rosa, revelou ter receio de que os resultados da Comissão da Verdade não sejam efetivos:“Eu tenho um temor de que, devido àslimitações do estatuto da Comissão, de como ela foi definida, suas atribuições, e àslimitações do meio circundante – a mídia convencional, que não tem muito interesse em fazer disso um assunto – essa Comissão acabe emitindo um relatório por si só importante e, por sua vez, pelo fato de ela ter emitido esse relatório, ter trabalhado dois anos, três anos, nunca mais vá se falar no assunto”.

O programa entrevistou a colunista social Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel. Militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Stuart foi barbaramente torturado e morto em 1971. Sua mãe empreendeu uma busca para enterrá-lo dignamente e chegou a ganhar apoio internacional. Cinco anos depois, Zuzu morreu em um mal explicado acidente de carro. Guerra afirma que a morte da estilista foi forjada. Em um emocionado depoimento, Hildegard contou que as informações do livro podem levar a novos dados:

“Esse livro, sobre a minha mãe, não conta grandes novidades. Mas tem uma coisa que abre uma linha de investigação, se for real. É que nas fotos do inquérito tem um coronel Perdigão, que era da repressão; quando se matava, tinha o hábito de os próprios assassinos depois periciarem, fazerem as autópsias dos pseudo acidentes, e isso teria acontecido com a minha mãe. Para mim, que achava tão improvável, tão duro, tão terrível que a minha mãe tivesse sido mesmo assassinada, quando a gente desperta para a realidade... E a maldade não é só de quem pratica, mas da psicopatia generalizada daqueles que apoiaram aquilo”.

O primeiro passo para a verdade

A Comissão da Verdade irá apurar violações aos Direitos Humanos durante a ditadura militar e tem como um dos focos os desaparecidos, como o deputado Rubens Paiva. Em 1971, a casa do deputado foi invadida por um grupo de militares. Rubens passou pelos porões do Exército e da Marinha, onde foi brutalmente torturado para revelar o paradeiro de Carlos Lamarca, líder do MR-8, organização com a qual não tinha ligações.

Vera Paiva, filha do deputado, acredita que os trabalhos da Comissão levarão muitas pessoas a revelar novos fatos. No entanto, parte dos crimes pode permanecer sem esclarecimentos por falta de documentação física:“O Brasil é capaz de encontrar essa verdade, de reconstruir essa memória que nos permita dizer: ‘tortura, nunca mais’”. Na opinião de Vera, corpos podem ser encontrados a partir da história oral.

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, é necessário investigar com profundidade as informações contidas no livro: “Esses relatos podem vir a dar alguma pista sobre o que mais queremos, que é o paradeiro dos desaparecidos, uma ferida ainda não cicatrizada na história da democracia brasileira. E também não se deve aceitar de plano tudo o que está sendo relatado. Temos a Polícia Federal, o Ministério Público Federal. Esses órgãos devem, a partir de relatos como esse, iniciar uma investigação”. O jornalista Fritz Utzeri, autor de diversas reportagens sobre a repressão, destacou que os desaparecidos políticos da época da ditadura militar são “uma ferida que não quer fechar” e que as famílias têm o direito de saber em que circunstâncias seus parentes foram mortos.

No debate ao vivo, Dines perguntou a Rogério Medeiros como foram os primeiros contatos com Cláudio Guerra. O jornalista contou que, há 30 anos, havia publicado uma reportagem no Jornal do Brasil que acabou com a aura de combatente do crime organizado que Guerra mantinha no Espírito Santo. Em 2009, um advogado do ex-delegado procurou Medeiros e o levou ao hospital onde Guerra estava internado. Logo recebeu o convite para escrever o livro. Os autores consideraram que o livro só seria verdadeiro se fosse narrado na primeira pessoa e precisaram convencer Guerra a aceitar este formato. Eles chegaram a alertar o ex-matador de que, com a publicação do livro, ele poderia morrer ou voltar para a cadeia, onde cumpria pena pela acusação de ter matado um bicheiro.

Bombas por todo o Brasil

“[Guerra] tinha vontade de mostrar o interior da comunidade de informações. Tinha o oficial e tinha o secreto. Ele era conhecido por um codinome”, sublinhou Rogério Medeiros. Em um primeiro momento, Guerra atuou como matador de integrantes de grupos de extrema-esquerda. Medeiros explicou que, em seguida, o ex-delegado engajou-se em um movimento que queria prolongar a vida do regime militar e precisava de um bode-expiatório: “Para fazer esta passagem, eles precisaram criminalizar alguém. Então, pegaram o Partido Comunista, que não era dessa área que eles mataram antes, e transformaram eles em um grande perigo para o país”.

Os autores do livro contaram que o ex-delegado já sofreu duas ameaças, uma delas há poucos dias. A primeira ocorreu em novembro do ano passado, quando um ex-companheiro mandou um recado a Guerra de que ele “já estaria fedendo”. “A partir daí, nós informamos ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal, que o livro estava ainda em elaboração. Nós aceleramos a elaboração do livro com medo de acontecer alguma coisa. Muitos dados ainda precisam ser acrescentados à edição do livro”, disse Marcelo Netto.

Por falta de tempo, não foi possível inserir nesta primeira edição o vasto material fotográfico colhido pela equipe de pesquisa, por exemplo. Netto alertou que as autoridades precisam agilizar a investigação sobre as informações de Guerra porque, além de ameaçado, o ex-delegado está com problemas de saúde. “Olhando nos olhos dele esses anos eu cheguei à conclusão de que ele está dizendo a verdade”, disse Netto.

Convertido na prisão à igreja Assembleia de Deus, Guerra hoje é pastor. “Ele tem consciência de que vai viver uma vida muito complicada a partir do que ele contou no livro, vai ter um resto de vida cheio de polêmicas, acusações. Mas ele está tranquilo, consciente de que o papel dele é ajudar a esclarecer o que se passou. Ele quer ajudar aComissão da Verdade, ele quer se colocar àdisposição”, contou o jornalista. Netto diz que Guerra quer “ficar em paz consigo mesmo” e que relatou que seu maior objetivo de vida é visitar Israel.

Disputa interna

Dines perguntou sobre a rivalidade mostrada no livro entre os grupos de extermínio civis e militares. Marcelo Netto contou que, quando os militares passaram a combater a guerrilha urbana, não eram capacitados para este tipo de combate. “As técnicas novas exigiam investigação, que é uma coisa própria do trabalho policial”, disse o jornalista. Competentes investigadores, como Guerra e Fleury, foram procurados para prestar serviço como agentes secretos. “Houve momentos em que houve conflitos”, confirmou.

Para Rose Nogueira, Cláudio Guerra é assassino contumaz e réu confesso. “Ele cometeu crimes permanentes, de sequestro e de desaparecimento de corpos. Ele cometeu crime de tortura, de execução sumária. Esses crimes são de lesa-humanidade, são imprescritíveis. 

Esse livro muda toda a história. Tem muitos fatos aqui que são congruentes, que batem com aquilo que a gente sabia”, sublinhou Rose. A representante do Tortura Nunca Mais ponderou que o relato de Guerra situa a esquerda como uma quadrilha que se aproveitava do dinheiro dos empresários, visão afinada com a política de Estado dos anos de chumbo. Rose ponderou que o direito à resistência é um dos Direitos Humanos: “Quando se fala em luta armada, eu penso que quem fez contra o povo brasileiro foi a ditadura militar. Nós fizemos a luta de resistência”. 

[Lilia Diniz é jornalista] 

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Mapa a ser seguido, verificado e chorado

Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 640, no ar em 22/5/2012

Um livro para não ficar fechado nem esquecido. Um tremendo safanão naqueles que acham que a Comissão da Verdade é inútil e o passado, passou.

Memórias de uma guerra sujaé a confissão de um carrasco a serviço da repressão política – Cláudio Guerra, ex-delegado do Dops – a dois jornalistas experimentados, Marcelo Netto e Rogério Medeiros. Um documento cuja veracidade ainda precisa ser comprovada. Porém, mesmo que seja inventado no todo ou em parte, é uma pauta minuciosa, mapa da casa de horrores para ser seguido, verificado e chorado.

Trata-se de um dos relatórios mais tenebrosos já aparecidos sobre o período final do regime militar, quando a linha dura manifestava tanto ódio à distensão prometida pelo general Geisel quanto àqueles que pegaram em armas contra o regime.

Deste livro sai um Brasil irreconhecível que só se reconhecerá quando for devidamente apurado o que está contado com tantos detalhes. É possível que a prioridade da Comissão da Verdade seja desvendar o que aconteceu com os desaparecidos. Mas os corpos incinerados por Cláudio Guerra numa usina de açúcar em Campos, estado do Rio, jamais serão resgatados. Cabe a nós, e a todos os buscadores da verdade, o resgate de suas histórias.

Este Observatório da Imprensa compromete-se em levar esta busca até o fim.

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A mídia na semana

** Enquanto a CPI do Cachoeira tenta incriminar jornalistas, os jornalistas revelam como os parlamentares estão preparando as pizzas. O repórter-cinegrafista do SBT, Joaquim Alves dos Santos, deveria gravar imagens da CPI, mas preferiu mostrar textos: com a teleobjetiva registrou a troca telefônica de mensagens de texto nas quais o deputado Cândido Vaccarezza promete blindar o governador Sérgio Cabral Filho. Vaccarezza agrediu o decoro, a gramática e a busca da verdade.

** O olho vivo de cinegrafistas e fotógrafos de Brasília não vem de hoje. Em 2007, um fotógrafo do Globo, Roberto Stuckert, registrou uma troca de mensagens entre os ministros do STF, Carmen Lucia e Ricardo Lewandowski. Nos textos, os dois comentavam, inclusive, os seus votos. Em 1985, durante uma sessão na Câmara dos Deputados, o fotógrafo Luciano Andrade flagrou alguns políticos votando por colegas que não estavam no plenário e ficaram conhecidos como “os pianistas do Congresso”. A punição pela quebra de decoro foi uma censura, por escrito, nada mais.

** Um dos principais vilões da conferência Rio+20 será certamente o automóvel, que congestiona as cidades, polui a atmosfera e prejudica o transporte público. Mas a indústria automobilística é uma das maiores financiadoras da mídia. Este comercial estrelado pelo técnico Bernardinho está se tornando um clássico sobre as contradições dos meios de comunicação. Depois disso, como explicar que a mídia é a favor do controle das emissões de gás carbônico?

** Nossa agenda de preocupações foi enriquecida no domingo (20/5) com as revelações da apresentadora Xuxa Meneghel sobre os abusos sexuais que sofreu quando criança por parte de adultos próximos da sua família. Quase meia hora no Fantástico, oito minutos no Jornal Nacional de segunda-feira (21), apoio da ministra de Políticas para Mulheres, as confissões de Xuxa tomaram conta do país. Logo surgiram os críticos contumazes da Globo alegando que foi uma jogada para aumentar a audiência. Mas foi um dramático alerta para a violência que campeia não apenas nas ruas, mas também no recesso dos lares da classe média.
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Janio de Freitas quer devassa nos cartórios da terra

26.05.2012
Do blog  de GILSON SAMPAIO, 24.08.2010
Por GilsonSampaio

Mauro Santayana, em 15/10/09, escreveu sobre o mesmo assunto um esclarecedor artigo, cujo título já era uma denúncia: A CPI do MST e as terras roubadas.

Sabemos que Mauro Santayana e Janio de Freitas não são comunistas de carteirinha, mas, de forma transversa, concordam que o MST sempre teve razão na luta pela terra.
Os dois texto são devastadores para Kátia demo feudal Abreu, CNA e ruralistas trogloditas.
Alguém desconfia porque a fazenda de Daniel Dantas, no Pará, foi invadida?

Via MST
Posse ilegal de terras, um mal brasileiro

Por Janio de Freitas
Na Folha de S. Paulo
Do ponto de vista da legalidade de seu solo, o Pará, por exemplo, não é um Estado: é uma grande e desmedida grilagem. Com clareiras de legitimidade.


DUAS INICIATIVAS que nunca esperei ver aí estão, ao menos nos primeiros passos. Quase Concomitantes, a primeira vem com a investida do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o cancelamento da posse de 5,5 mil áreas e respectivos registros irregulares no Pará.


A outra, na decisão do Incra de invocar a medida do CNJ para pedir aos tribunais o cancelamento das posses, e respectivos registros irregulares, em 432 ações suas que já transitam, ou dormitam, em seis Estados amazônicos.

A importância das duas iniciativas, a partir da decisão do ministro Gilson Dipp, corregedor do CNJ, não se encerra no valor que têm por si mesmas. Com elas abrem-se várias perspectivas.
A atitude do CNJ tem repercussão direta sobre os Judiciários estaduais, pela demonstração da relevância enfim reconhecida ao problema. Além disso, é uma advertência implícita aos juizados que agravam, por diferentes modos e fins, a parcela de responsabilidade do Judiciário brasileiro na aberração de ilegalidades que é, em grande parte, a posse de terras no Brasil.

Do ponto de vista da legalidade de seu solo, o Pará, por exemplo, não é um Estado: é uma grande e desmedida grilagem. Com clareiras de legitimidade.

O Incra, nascido sob o ônus do nome de Instituto Nacional de Colonização e reforma agrária, em seu meio século mostrou-se mais como objeto de polêmica que de interesse e apoio dos governos. Ou repudiado pelos defensores de suas finalidades legais, por traí-las, ou pelos poderosos adversários delas e pelos militares, por pretender cumpri-las, o Incra não poderia fazer um bom histórico.

Em relação à grilagem, nunca esteve dotado de mais recursos do que entrar com ação judicial, como qualquer um, e ficar pendurado nos anos de espera infinita, como continua. Nem quando quis, pôde ser eficaz. A decisão do CNJ significa para o Incra a possibilidade de obter meios de ação de que jamais dispôs.

Não só Estados do Norte são territórios deformados por posses ilegais e registros irregulares. Esse é um mal brasileiro, ainda marcante no Centro e no Oeste. A decisão do CNJ é dirigida ao Pará, mas seu futuro não se prende a esse Estado, como não precisa prender-se à história brasileira. Se isso ocorrer, o Brasil ganha nova cara. E vida nova. Como se deu com os Estados Unidos a partir de sua reforma agrária, pelo Homestead Act.

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Avança obra de implantação e pavimentação da PE-88

26.05.2012
Do blog ESTRADAS DE PERNAMBUCO, 21.05.12
Por Thiago Santos



A implantação e pavimentação dos 11 km da PE-88, realizada pela Secretaria de Transportes (Setra), através do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), têm previsão de término para o mês de outubro. A obra na rodovia, que liga os municípios de Salgadinho e João Alfredo, no Agreste, tem investimento no valor de R$ 9.996.093,66.
As equipes que trabalham na obra se encontram no km 2 da estrada. Até o momento, 20% dos serviços previstos já foram realizados, incluindo a terraplenagem e escavação da área. De acordo com chefe do 2º Distrito do DER, Fernando Lins, os próximos serviços são: dar continuidade a implantação dos bueiros e fazer a drenagem para em seguida iniciar a pavimentação do local.
A pavimentação da rodovia trará benefícios socioeconômicos para população dos dois municípios, bem como permitirá o melhor escoamento da produção agrícola da região. As obras na estrada tiveram inicio no segundo semestre de 2011.

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Merval tentou melar a CPMI do Cachoeira, mas deu um tiro no pé

26.05.2012
Do blog LIMPINHO E CHEIROSO, 25.05.12
Por Miguel do Rosário, via O Cafezinho

Vamos à análise de coluna do Merval escrita esta semana. Ela faz parte da estratégia da mídia de melar a CPI antes que esta comece a esquentar. O texto de Merval segue em negrito, o meu em fonte normal.

Tiro no pé

Merval, um dos porta-vozes da imprensa corporativa, continua apostando na técnica de chantagem e amedrontamento. A CPI foi um erro porque vai respingar no governo. Ora, Merval se trai com essa tese. Se a CPI respingar no governo e derrubar corruptos do PT, então será ótimo para o Brasil e para a população, não?

Por Merval Pereira, no Globo
20.05.2012 12h08m

O flagrante da mensagem do deputado petista Cândido Vacarezza garantindo imunidade ao governador do Rio Sérgio Cabral é mais uma confirmação de que essa CPI do Cachoeira está se revelando o maior erro dos últimos tempos do grupo político que está no poder.

O tropeço de um petista era o que a mídia queria para melar a CPI. O Noblat também dedica sua coluna desta segunda-feira ao SMS de Vacarezza. Ora, é um recado baixo nível de um petista aloprado, mas não indica crime algum, nem sequer menciona blindagem. Ao contrário, a mensagem tem um tom até meio ameaçador.

“A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)”

Ora, quantas toneladas de ilações será possível fazer com uma mensagem assim? Vacarezza não fala precisamente em blindar, embora seja possível interpretar assim, mas sim que PT continuará sendo aliado de Cabral mesmo se a relação entre os dois partidos azedarem.

Convocada estranhamente pela maioria governista, a CPI tinha objetivos definidos pelo ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu: apanhar a oposição com a boca na botija nas figuras do senador Demóstenes Torres e do governador de Goiás Marconi Perillo, e desestabilizar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação dos mensaleiros no julgamento do Supremo Tribunal Federal.

De passagem, queriam certos petistas criminalizar a revista Veja para criar um clima político que favorecesse a aprovação de uma legislação de controle da mídia, como vêm tentando sem sucesso desde o início do governo Lula.

Convocada “estranhamente”? Que tipo de análise é essa? Merval omite um ponto fundamental. A CPI do Cachoeira foi a que recebeu o maior número de adesões da história da República. Vamos dar esse pequeno crédito ao parlamento brasileiro, por favor. Lula pode ter incentivado, mas Lula não é deputado. Quem instalou a CPI foi o povo brasileiro, através de seus representantes políticos. Os motivos que os levaram a criar a CPI são vários; certamente cada parlamentar poderá apresentar um motivo, uma interpretação pessoal. Mas estamos lidando com um fato de extrema gravidade. Um mafioso possuía lacaios na esfera mais alta da República: um senador da República, um governador, vários parlamentares, prefeitos, policiais federais; a revista de maior tiragem no país manteve relações íntimas com esse mafioso, publicando matérias de seu interesse. Enfim, era um esquema grandioso, e os parlamentares tem obrigação de esclarecer esse imbróglio para o país. Como o caso envolve altos nomes da política, não pode ser um trabalho exclusivamente técnico da Polícia Federal. É preciso fazer uma investigação e um debate em termos políticos também. O delegado da PF não tem condições intelectuais ou políticas de saber que Policarpo Jr., por exemplo, ou o editor da Veja, cometeu crimes ao se relacionar de maneira tão espúria com Carlinhos Cachoeira. Isso é uma conclusão que somente uma CPI pode apontar.

Merval podia ler o próprio jornal. Avançando um pouco as páginas, encontraria artigo de Elio Gaspari, que senta o pau no procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Gaspari, colunista de O Globo, também estaria mancomunado ao PT?

Por enquanto está dando tudo errado. A tentativa de constranger os ministros do Supremo resultou numa reação do Judiciário, que se viu impelido a não deixar dúvidas sobre sua independência.

É prematuro falar que “está dando tudo errado”. Não houve tentativa nenhuma de constranger ministros do Supremo. Aliás, de que diabos Merval está falando? Ele está maluco? Quem tentou constranger ministros do Supremo?

A vontade de procrastinar o julgamento, quem sabe deixando-o para o próximo ano, quando dois novos ministros estarão no plenário para substituir Cezar Peluso e Ayres Britto, ficou tão explícita que o revisor do processo, o ministro Ricardo Lewandowski, viu-se na obrigação de anunciar que pretende apresentar seu voto ainda no primeiro semestre, permitindo que o julgamento comece logo em seguida.

Os imbróglios do “mensalão” dizem respeito aos vinte e pouco réus, o Brasil tem 200 milhões de habitantes, 99,99% dos quais não está nem aí para eles. O “mensalão” é um processo acabado. Será votado e ponto final. A CPI do Cachoeira é uma investigação que acabou de começar. Há pontos de interseção entre os crimes de Cachoeira e o “mensalão”, alguns importantes, mas em essência eles tratam de duas coisas completamente distintas.

Até mesmo uma frase banal, que queria dizer outra coisa, teve o efeito de levantar suspeitas. Quando Lewandowski disse que o julgamento ocorreria “ainda este ano” sabe-se agora que não estava pensando em outubro ou novembro, mas a partir de junho, como fez questão de esclarecer.

Paranoia besta de direitistas doidos. Só meia dúzia de alucinados fica vendo mensaleiro dentro do armário do quarto, embaixo da cama, no elevador. A maioria do povo, inclusive a maioria que deseja a CPI quer que os mensaleiros se explodam. A direita trata o tema como se o PT ou o governo fossem acabar se os réus forem condenados. Ora, mesmo que fossem todos condenados à prisão perpétua, em que isso afetaria o governo? Nem a Dilma nem nenhum de seus ministros não tem relação nenhuma com “mensalão”. O “mervismo pigal”, para usar a divertida expressão de PHA, atingiu o clímax da insanidade conspiratória.

Com relação à imprensa, todos os esforços do senador Collor de Mello, o “laranja” da tramoia petista, têm sido em vão, e as relações do PT com o PMDB estão azedando, na definição de Vacarezza, por que o PMDB não está disposto a embarcar nessa aventura petista de tolher a liberdade de imprensa.

Que mané tramoia petista, Merval! O PT está sendo puxado a fórceps para dentro desse debate. Se fôssemos depender do PT, não haveria nem CPI! A sociedade brasileira é que está por trás da pressão para investigar a imprensa, e não toda a imprensa, mas setores mafiosos, ou setores que mantinham relações com máfias políticas. Para de choramingar, Merval! Nos EUA, na Europa, jornalista apanha que nem adulto quando faz merda. Não perdoaram nem o bilionário Rupert Murdoch. A troco de que os jornalistas do Brasil devem ser tratados como representantes sagrados da “imprensa livre”? Quer dizer que não existe jornalista safado, jornalista bandido? O vice do Agnelo pagava 100 mil reais por mês ao Mino Pedrosa para ele plantar matérias que derrubassem ou enfraquecessem o governador, tudo mancomunado com o esquema Cachoeira. Há gravações que revelam que Cláudio Humberto também levava grana do esquema. E Cachoeira plantava o que queria na Veja. Tem que investigar sim, Merval. Não é tramoia petista. É vontade soberana do povo. A ditadura acabou, meu filho. Numa democracia, todo mundo é igual. Todo mundo pode ser preso. Jornalista ou não.

Por fim, a blindagem explícita do governador do Rio pode se transformar em uma faca de dois gumes, tornando inevitável sua convocação.

Que blindagem explícita? A mídia é muito esperta. Não há uma só gravação envolvendo Sérgio Cabral no esquema Cachoeira, e olha que são milhões de telefonemas sobre Deus e o mundo. A Delta tinha contrato com o governo do Rio assim como tinha com o governo de São Paulo. Se chamar Cabral então tem que chamar o Alckmin, o Serra e o Kassab. Ora, a CPI tem que investigar os nomes que aparecem nas investigações, e não virar palco para salafrários como Garotinho fazerem proselitismo partidário. Festejar em Paris pode parecer uma coisa terrível para a classe média lacerdista, mas felizmente ainda não foi tipificado como crime. Melhor festejar em Paris do que nas ilhas Cayman, como Serra e os tucanos fizeram, conforme se pode comprovar lendo o livro A Privataria Tucana.
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“Tchutchucas” e “tigrões” vão ao enfrentamento na terça-feira

26.05.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 25.05.12
Por Eduardo Guimarães

A TV Senado transmitiu a sessão da CPMI do Cachoeira da última quinta-feira. O que gritou aos ouvidos e saltou aos olhos não foram as recusas de colaboração dos membros da quadrilha do bicheiro, mas o comportamento da oposição, que, grandiloqüência à parte, parece uma fera acuada.
Qualquer um que assista a um desses “espetáculos” parlamentares e tiver capacidade mínima de julgamento reconhecerá na postura oposicionista o discurso que enlameia as colunas, editoriais e artigos da grande imprensa.
Oposicionistas desqualificam os trabalhos da Comissão, põem governistas sob suspeita de manipulação e falam em “despolitizar” os trabalhos enquanto agem como se o governo e o PT estivessem no banco dos réus a despeito de que, até agora, os principais envolvidos no escândalo são demos e tucanos.
Os governistas se portavam com uma fleuma britânica até que, sob uma saraivada de acusações oposicionistas, ensaiaram reação.
As tevês se aproveitaram ontem e os jornais se aproveitam hoje do showzinho do deputado Fernando Fracischini (PSDB-PR), que acusou o sóbrio relator petista, Odair Cunha (PT-MG), de ser “tchutchuca” para fazer perguntas aos depoentes sobre petistas e “tigrão” para fazê-las sobre tucanos, ao que o deputado Doutor Rosinha (PT-PR) reagiu pedindo comedimento nos termos e acusando o adversário e outros membros oposicionistas da Comissão de se portarem de uma forma diante das câmeras nas sessões abertas e de outra nas sessões fechadas.
Todavia, existiram vários outros momentos polêmicos.
O Deputado Paulo Teixeira disse, sem meias palavras, o que tem sido dito aqui, que querem desmoralizar a CPMI do Cachoeira.
O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) desandou a falar em “mensalão”.
O senador Pedro Taques (PDT-MT) veio falar em “pizza” e desmoralizar os trabalhos da CPMI.
Deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) falou em membros da CPMI que quereriam “aparecer” e afirmou que tentam desmoralizar a investigação dizendo que terminará em “pizza”.
Deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF) insinuou que a oposição estaria tentando intimidar o relator, Odair Cunha (PT-MG), por ter feito perguntas aos depoentes silentes sobre o governador Marconi Perillo.
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) encampou a parte do discurso da oposição que pedia  investigação das operações da empreiteira Delta em nível nacional apesar de o presidente da CPMI ter avisado que haveria votação para decidir a questão.
O deputado Paulo Teixeira, então, visivelmente irritado, requereu a convocação do governador Marconi Perillo, ao que a senadora katia Abreu (PSD-TO) propôs convocar os governadores Sergio Cabral e Agnelo Queiroz.
Quem será ou não convocado vai ser decidido na terça-feira no braço, ou seja, em votação.
Apesar de ser minoria – em tese –, a oposição deixa claro que nem sob uma confissão escrita do governador Marconi Perillo aceitará que este seja convocado sem que os governadores aliados do governo federal também sejam, pouco importando a robustez das evidências contra o tucano.
Todavia – sempre em tese –, os governistas têm maioria que lhes permitiria mandarem a oposição lamber sabão folgadamente e convocarem só o governador pelo PSDB de Goiás. As defecções no campo governista, porém, ainda não podem ser dimensionadas.
Essa que foi a sessão mais acalorada da CPMI, até agora, mostrou que um acordo para abafar tudo ficou mais difícil. As negativas de acordos para impedir convocações incômodas foram comuns a todos os parlamentares. Na semana que entra, veremos muito menos “tchutchucas” e muito mais “tigrões”.

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ELITE ECONÔMICA APOIOU A DITADURA MILITAR: Ditadura militar: Empresários financiaram a repressão

26.05.2012
Do blog LIMPINHO E CHEIROSO, 25.05.12

O depoimento de Cláudio Guerra, em Memórias de uma guerra suja, detalha o envolvimento de empresários com a ditadura. Esse é o aspecto que mais impressionou ao escritor e jornalista Bernardo Kucinski. Sua irmã, Ana Rosa Kucinski, e o cunhado, Wilson Silva, foram sequestrados em 1974 e integram a lista dos desaparecidos. Bernardo atesta: “Está tudo lá: empresas como Gasbras, White Martins, Itapemirim, grupo Folha e o banco Sudameris; o dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar bandidos com bonificações generosas”.

Saul Leblon, via Carta Maior

O livro Memórias de uma guerra suja, depoimento do ex-delegado do Dops, Cláudio Guerra, a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, foi recebido inicialmente com certa incredulidade até por setores progressistas. Há revelações ali que causam uma rejeição visceral de autodefesa. Repugna imaginar que em troca de créditos e facilidades junto à ditadura, uma usina de açúcar do Rio de Janeiro tenha cedido seu forno para incinerar cadáveres de presos políticos mortos nas mãos do aparato repressivo.

O acordo que teria sido feito no final de 1973, se comprovado, pode se tornar o símbolo mais abjeto de uma faceta sempre omitida nas investigações sobre a ditadura: a colaboração funcional, direta, não apenas cumplicidade ideológica e política, mas operacional, entre corporações privadas, empresários e a repressão política. Um caso conhecido é o da ‘Folha da Tarde’, jornal da família Frias, que cedeu viaturas ao aparato repressivo para camuflar operações policiais.

Todavia, o depoimento de Guerra mostra que nem o caso da usina dantesca, nem o repasse de viaturas da Folha foram exceção. Esse é o aspecto do relato que mais impressionou ao escritor e jornalista Bernardo Kucinski, que acaba de ler o livro. Sua irmã, Ana Rosa Kucinski, e o cunhado, Wilson Silva, foram sequestrados em 1974 e desde então integram a lista dos desaparecidos políticos brasileiros. Bernardo atesta: “Esta tudo lá: empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; o dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas.”

No livro, Cláudio Guerra afirma que Ana Rosa e Wilson Campos – a exemplo do que teria ocorrido com mais outros oito ou nove presos políticos – tiveram seus corpos incinerados no imenso forno da Usina Cambahyba, localizada no município fluminense de Campos.

A incredulidade inicial começa a cair por terra. Familiares de desaparecidos políticos têm feito algumas checagens de dados e descrições contidas no livro. Batem com informações e pistas anteriores. Consta ainda que o próprio governo teve acesso antecipado aos relatos e teria conferido algumas versões, confirmando-as. Tampouco o livro seria propriamente uma novidade para militantes dos direitos humanos que trabalham junto ao governo.

O depoimento de Guerra, de acordo com alguns desses militantes, teria sido negociado há mais de dois anos, com a participação direta de ativistas no Espírito Santo. A escolha dos jornalistas que assinam o trabalho – um progressista e Marcelo Netto, ex-Globo simpático ao golpe de 1964 – teria sido deliberada para afastar suspeitas de manipulação. Um pedido de proteção para Cláudio Guerra já teria sido encaminhado ao governo. Sem dúvida, o teor de suas revelações, e a lista de envolvimentos importantes, recomenda que o ex-delegado seja ouvido o mais rapidamente possível pela Comissão da Verdade.

Bernardo Kucinski, autor de um romance, K – na segunda edição –, que narra a angustiante procura de um pai pela filha engolida no sumidouro do aparato de repressão, respondeu a quatro perguntas de Carta Maior sobre as Memórias de uma guerra suja:

Carta Maior – Depois de ler a obra na íntegra, qual é a sua avaliação sobre a veracidade dos relatos?

Kucinski – As confissões são congruentes e não contradizem informações isoladas que já possuíamos. Considero o relato basicamente veraz, embora claramente incompleto e talvez prejudicado pelos mecanismos da rememoração, já que se trata da confissão de uma pessoa diretamente envolvida nas atrocidades que relata.

CM – Por que um depoimento com tal gravidade continua a receber uma cobertura tão rala da mídia? Por exemplo, não mereceu capa em nenhuma revista semanal “investigativa”.

Kucinski – Pelo mesmo motivo de não termos até hoje um Museu da Escravatura, não termos um memorial nacional aos mortos e desaparecidos da ditadura militar, e ainda ensinarmos nas escolas que os bandeirantes foram heróis; uma questão de hegemonia de uma elite de formação escravocrata.

CM – Do conjunto dos relatos contidos no livro, quais lhe chamaram mais a atenção?

Kucinski – O episódio específico que mais me chamou a atenção foi a participação direta do mesmo grupo de extermínio no golpe organizado pela CIA para derrubar o governo do MPLA em Angola, com viagem secreta em avião da FAB.

CM – O que mais ele revela de novo sobre a natureza da estrutura repressiva montada no País, depois de 1964?

Kucinski – Fica claro que as Forças Armadas montaram grupos de captura e extermínio reunindo matadores de aluguel, chefes de esquadrões da morte, banqueiros do jogo do bicho, contrabandistas e narcotraficantes. Chamaram esses bandidos e seus métodos para dentro de si. Esses criminosos, muitos já condenados pela justiça, dirigidos e controlados por oficiais das Forças Armadas, a partir de uma estratégia traçada em nível de Estado Maior, executavam operações de liquidação e desaparecimento dos presos políticos, o que talvez explique o barbarismo das ações. Também me chamou a atenção a participação ampla de empresários no financiamento dessa repressão, empresas importantes como a Gasbras, a White Martins, a Itapemirim, o grupo Folha – que emprestou suas peruas de entrega para sequestro de ativistas políticos –, e o banco Sudameris, que era o banco da repressão; dinheiro dos empresários jorrava para custear as operações clandestinas e premiar os bandidos com bonificações generosas. Está tudo lá no livro.
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Dinheiro é tudo: Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG) não mostra!

26.05.2012
Do blog SINTONIA FINA, 25.05.12

Geraldo Brindeiro e Roberto Gurgel - Algumas pessoas acreditam que existe a "maldição da gaveta" na PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA.  

A matéria é do JB

Senador vai aprofundar denúncias contra ex-procurador-geral de FHC





Para aprofundar as denúncias feitas ao escritório de advocacia do ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, de envolvimento com o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Pedro Taques (PDT-MT) cancelou a sua participação nesta sexta-feira, no X Simpósio Nacional de Direito Constitucional, no Teatro Guaíra, em Curitiba (PR), promovido pela Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst). 


A quebra de sigilo do contador da quadrilha de Carlinhos Cachoeira mostra que o escritório de Brindeiro recebeu R$ 161,2 mil das contas de Geovani Pereira da Silva, procurador de empresas fantasmas utilizadas para lavar dinheiro do esquema criminoso. 

De acordo com o senador Pedro Taques (PDT-MT), que analisou laudo de perícia financeira constante no inquérito que investiga o contraventor e seus comparsas, o escritório Morais, Castilho e Brindeiro Sociedade de Advogados recebeu o montante em cinco parcelas, a maior delas de R$ 76 mil. 

Brindeiro foi procurador-geral da República durante o governo Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2003. Criticado por não dar sequência a investigações de grande repercussão, ganhou o apelido de "engavetador-geral da República".


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Caiu a casa da Rede Glogo: Cachoeira também plantou notícias na revista Época

26.05.2012
Do blog TUDO EM CIMA, 25.05.12
Postado por 


Reportagem da edição desta semana de CartaCapital, nas bancas a partir de sexta-feira 25, revela como o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira plantou notícias também em veículos das Organizações Globo para fragilizar adversários. É um exemplo de como a quadrilha abastecia jornalistas investigativos por meio de arapongas para sedimentar seus interesses. Assinada por Leandro Fortes, a reportagem mostra também como o vice-presidente Michel Temer se tornou, desde o início da crise, interlocutor do Planalto com cúpula das Organizações Globo.

CartaCapital mostra como Idalberto Matias Araújo, o Dadá, considerado o braço direito de Cachoeira, negociou com o diretor da sucursal da revista Época em Brasília, Eumano Silva, a publicação de informações contra a empresa Warre Engenharia, uma concorrente da empreiteira Delta em Goiás. Por causa da reportagem plantada pelo grupo (“O ministro entrou na festa”), a Warre figurou na lista de suspeitas da Operação Voucher da Polícia Federal, que mais tarde resultou na queda do então ministro Pedro Novais (Turismo). A Warre acabou sendo inocentada.

Cachoeira era uma espécie de sócio oculto da construtora Delta, empresa para a qual seu grupo fazia lobby.

A revelação sobre as relações entre o grupo do bicheiro e a revista acontece na mesma semana em que Leonardo Gagno, advogado de Dadá, informou à CPI do Cachoeira que o trabalho do araponga (e de seu colega Jairo Martins de Souza) consistia em “abastecer veículos de comunicação”, e que “é notório que o interesse de Cachoeira era usar essas informações no mundo dos negócios”.

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A negociação entre Dadá e o jornalista da Época para a publicação de textos de interesse da Delta foi flagrada em interceptações telefônicas da Polícia Federal. CartaCapital teve acesso a cinco ligações telefônicas entre os dois.

Na primeira delas, Eumano Silva diz para Dadá “muito boa, aquela história”, se referindo às informações sobre a Warre. Pertencente ao empresário Paulo Daher, a Warre atropelou os interesses da Delta em Goiânia (GO). Silva adianta, naquele dia, que o Jornal Nacional iria falar dos grampos da Operação Voucher. Ele estava com medo que a história da Warre, passada com exclusividade para a Época, vazasse no telejornal da TV Globo, o que não ocorreu. No quarto áudios, Eumano Silva liga para Dadá avisando-o da possibilidade de a Delta aparecer no escândalo do Ministério do Turismo, o que comprova que o jornalista sabia exatamente a quem interessava a divulgação das denúncias contra a Warre.

Procurada, a direção da revista Época disse não saber que os emissários integravam a quadrilha de Cachoeira. A PF interceptou também conversas do grupo com o repórter Eduardo Faustini, da TV Globo, para uma reportagem sobre compra de votos para prefeito numa cidade do interior. A reportagem não foi ao ar, segundo Faustini.

Confira as gravações no site de CartaCapital.

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O conservadorismo matreiro da mídia

26.05.2012
Do BLOG DO MIRO, 24.05.12
Por Rodrigo Vianna, no blogEscrevinhador:


Durante essa semana, ouvi os maiores absurdos sobre a greve dos metroviários e ferroviários de São Paulo. Claro que ninguém gosta de chegar à estação e encontrar os trens parados. Claro que o bom jornalismo precisa mostrar as dificuldades que uma greve desse tipo gera para os cidadãos. Tudo isso está ok.

Mas o grau de conservadorismo embutido nas coberturas da chamda grande mídia é algo assustador. Já não sei se a cobertura reflete o conservadorismo de certo público, ou se é o contrário. Na internet, li comentários absurdos: “a culpa é do molusco de nove dedos”, ou “sindicalista pra mim devia morrer”. Essas pessoas existem, não são ficção. Nas ruas, também ouvi coisas parecidas, mas sem a mesma agressividade que a internet costuma estimular…

Quase não se discutiu – na cobertura midiática – a situação lamentável dos transportes na maior metrópole sul-americana. Uma greve como essa não seria gancho para um debate sério? Seria… Mas é esperar demais desse jornalismo trôpego…

Em parte, a cobertura midiática que criminaliza sindicalistas e grevistas (aliás, vale ressaltar que os sindicatos que comandaram a greve em São Paulo não são cutistas, não tem ligação com Lula nem o PT, por isso esse discurso de culpar “petistas” é, além de tudo, obtuso) alimenta-se de um conservadorismo tosco, que costuma enxergar ”conflito” como “desordem”. Conflito não é visto como sintoma de que algo não vai bem. Conflito não é visto como um momento de inovação criativa. Conflito é baderna. Greve é baderna.

Mas há um outro conservadorismo, mais sofisticado, a alimentar essas coberturas. E o cartaz que reproduzo acima reflete exatamente isso. Qualquer cidadão medianamente informado sabe que a História da Humanidade se fez – e ainda se faz- a partir das contradições e dos interesses conflitantes. O moderno Estado liberal, por exemplo, é filho de uma Revolução sangrenta, ocorrida na França, em 1789. Nossa imprensa, duzentos anos atrasada, talves visse Danton e Robespierre como “baderneiros” e “vândalos”…

Claro, não quero comparar grevista de transporte em São Paulo com jacobino francês… Mas não é preciso ir tão longe… 

O jornalismo conservador trata manifestantes franceses por esse nome: “manifestantes”. É só no Brasil que manifestante vira “vândalo”. Conservadorismo matreiro, que por vezes se traveste de “moderno”, se recicla, mas está sempre lá – a frear as mudanças, transformando qualquer ameaça de rompimento em reforma tênue e limitada, evitando os “arroubos”, os “exageros”, os “radicalismos”.

Dia desses, o Igor Felippe escreveu aqui um belo artigo, lembrando exatamente essa tradição brasileira – tão bem estudada por Florestan Fernandes: a cooptação que esvazia conflitos, que finge dissolver as diferenças.

Ontem mesmo, assistia eu a uma sessão da CPI do Trabalho Escravo, pela TV, quando vi dois deputados ruralistas esbravejando contra os “exageros” embutidos nessa campanha pela erradicação do trabalho escravo no Brasil. “Veja, agora querem que toda fazenda tenha pelo menos um banheiro pra 40 pessoas! Se isso for trabalho escravo, aqui na Câmara mesmo somos escravos, falta banheiro pros deputados”.

É uma cara de pau sem fim. E o sujeito (deputado do PMDB-SC) dizia isso ressaltando que “respeita muito” o Ivan Valente (PSOL-SP) – deputado que cobrava mais ações contra o trabalho escravo. Respeita, mas acha que é preciso encontrar um “equilíbrio”. Equilibrio entre escravo e dono do escravo? Esse é o Brasilsão de meu Deus…

Quem tem o desplante de não se ajeitar na grande conciliação, é tratado como “vândalo”, “radical”. E expelido, feito um caroço de jabuticaba.

É um tipo de mentalidade fortíssima na sociedade brasileira, e que tem defensores de alto a baixo. Conservadorismo matreiro. Eu poderia escrever muito mais , mas nem precisa: o cartaz lá em cima já diz tudo. 

Nota: recebi a imagem reproduzida acima pelo facebook; já não lembro mais quem mandou, peço desculpas por não citar o autor da didática montagem. Se ele aparecer por aqui, darei o devido crédito…

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A repercussão da “cassação” de Paulo Freire

26.05.2012
Do blog VI O MUNDO, 21.05.12


Este post nasceu de uma sugestão do leitor Cássio Muniz, que estuda Ciências Políticas em Wisconsin e pediu que acompanhassemos o assunto. Começamos com a tradução do editorial do New York Timespublicado em janeiro deste ano:
Arizona, na sala de aula

O serviço memorial da semana passada em Tucson [referência ao ataque que matou seis pessoas e feriu a deputada democrata Gabrielle Giffords], que começou com uma oração feita por um professor de ancestrais indígenas e mexicanos, demonstrou a rica diversidade do Arizona, bem como o amor e a tolerância de muitos dos cidadãos do estado.

Infelizmente existe outro Arizona, no qual o governo estadual frequentemente promove a discórdia e a intolerância. Isso ficou dolorosamente claro na lei estadual de imigração, que dá poder à polícia para exigir documentos de imigrantes suspeitos de viver ilegalmente nos Estados Unidos. E está dolorosamente claro na nova lei de educação, que injeta temores nativistas diretamente nas salas-de-aula públicas.

A lei, que entrou em vigor no dia 31 de dezembro, bane qualquer discurso ou aula que “promova ressentimento contra raça ou classe de pessoas” ou que “advogue solidariedade étnica em vez de tratar os pupilos como indivíduos”. O procurador-geral do Arizona, Tom Horne, usou a lei imediatamente para declarar ilegais os programas de estudos mexicano-americanos no distrito escolar unificado de Tucson.

O sr. Horne, que escreveu a lei quando era superintendente de instrução pública, acusou o programa de “lavagem cerebral” em estudantes latinos, ao ensinar “chauvinismo étnico” por usar os trabalhos de autores que são críticos da relação histórica dos Estados Unidos com a América Latina e do tratamento passado dos Estados Unidos aos latinos. O sr. Horne ainda não fez o mesmo em relação a programas similares para estudantes negros, asiáticos e indígenas.

É difícil discordar das porções da lei que desencorajam a derrubada do governo. Mas o sr. Horne vai muito além dos termos da lei ao tentar evitar que estudantes colegiais estudem trabalhos como “A Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire, um texto educacional clássico, ou ao tentar evitar que os estudantes aprofundem seu conhecimento de História ou de seu lugar no mundo. Autoridades escolares de Tucson dizem que, longe de promover o ressentimento dos adolescentes, o programa ajudou estudantes latinos a manter boas notas e a continuar na escola.

O distrito foi colocado numa posição difícil: extinguir o programa ou perder o financiamento estadual. Onze professores foram à Justiça para bloquear a lei. O comitê que dirige as escolas, infelizmente, não se juntou a eles.

Educadores e pais de todo o estado deveriam resistir às tentativas de atacar a educação. A Justiça exige isso. E mesmo o texto de uma lei ruim demonstra que o sr. Horne foi além do permitido. Um trecho da lei diz: “Nada deste parágrafo pode ser interpretado como tentativa de restringir ou proibir instrução sobre o Holocausto ou qualquer outro caso de genocídio ou sobre a opressão histórica de um povo baseada em etnicidade, raça ou classe”.

Arizona foi criticada com justeza nos anos 80 e início dos anos 9o quando negou-se a aderir ao país na declaração da data de nascimento de Martin Luther King como feriado. O estado finalmente concordou em 1992 e o país desde então caminhou em direção a maior harmonia racial. Os líderes políticos do Arizona envergonham a si mesmos e aos cidadãos do estado quando pregam e promovem o contrário.

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