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quinta-feira, 10 de maio de 2012

PRÉVIAS DO PT RECIFE: Rands critica João da Costa e diz que vai ganhar de lavada


10.05.2012
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Jamildo Melo


O pré-candidato petista Maurício Rands(foto acima) fez uma série de críticas ao prefeito João da Costa, em visita ao Blog de Jamildo, nesta tarde. Em entrevista exclusiva, com a participação de Paulo Sérgio Scarpa e do repórter Gilvan Oliveira, Rands também afirmou que vai ganhar as prévias “de lavada”.

“A turma de João da Costa apresentou sete mil inscritos, não foi? Pois eu tenho 16 mil militantes que já regularizaram a situação e estão aptos a votar. Vai ser um banho”

“Só um apagão na militãncia para que eu possa perder, mas não vai dar apagão”

O petista demonstrou especial desagrado com as críticas que vem recebendo nos bastidores da disputa.

“Acho injusto o pessoal dele estar me atacando. Deixar que eles me ataquem é injusto. Eu ajudei João da Costa enviando recursos para a saúde como deputado federal, sempre dando apoio. Não estou fazendo-lhe ataques pessoais”

Quando o nome da empresa Datamétrica é citada, Rands também reage, sem citar o nome do irmão. “Isto é má fé, é inveja, de pessoas que querem me derrubar”, ataca.

“Fui convidado para salvar o PT”

Sobre a oposição, Rands previu dificuldades. “Depois das prévias, não vai ter briga interna. Ganhou, acabou”, respondeu, quando quyestionado se seria possível juntar os cacos, depois das prévias.

“Não é justo que sua vontade pessoal ou de seu grupo se imponha. João da Costa não tem o direito de empurrar goela abaixo sua candidatura ao Recife”, reclamou. “Por isto, como ele não melhorou o suficiente, temos que derrotá-lo democraticamente, no voto”

Críticas

Nas críticas, Rands repetiu que, na sua avaliação, Costa era lerdo e concentrador, na hora de tomar decisões.

“Ele demora meses, centraliza demais. Na adminstração moderna, só pode dar certo delegando. O papel da administração é funcionar como catalizador (e não retardar)”

Nesta hora, Rands fez uma crítica muito dura.

“O problema de João da Costa é que ele é internista, só conversa com o seu grupo ao redor. Como eu respeito os autistas, não vou dizer que ele é autista, mas João da Costa é meio caramujo. Para que se tenha uma ideia, ele não conversa com o presidente da Câmara dos Vereadores. Quando eu for prefeito do Recife, vou conversar com Renildo, em Olinda, com o prefeito de Paulista, de Jaboatão. Sou da política, dialogar é como beber água de coco para mim”.

Na sua avaliação, João da Costa também poderia ter destinado mais recursos para a saúde. “Nós o aconselhamos a melhorar, ele poderia fazer mais”
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Especial Química: Tântalo; um elemento tão importante que poucos conhecem

10.05.2012
Do JORNAL CIÊNCIA, 08.05.12
Por  AUDENIZE ENGRACIA

Você provavelmente nunca prestou atenção ao tântalo quando olhou para a tabela periódica. “Sentado” ali, no meio de um mar de metais de transição.
E, no entanto, o tântalo é cada vez mais importante no século 21, porque ele desempenha um grande papel na tomada de dispositivos eletrônicos portáteis combatendo naturalmente a corrosão. Junto com o aumento da demanda por tântalo vem um preço humano: recurso de tântalo financiou porções da Segunda Guerra do Congo, o conflito mais sangrento desde a Segunda Guerra Mundial.
À prova de corrosão
Tântalo tem número atômico 73, aconchegando entre os elementos háfnio, nióbio e tungstênio. Descoberto no século 19 foi nomeado Tântalo, uma figura da mitologia grega, que se viu condenado a passar a eternidade em um esquema de tortura após a morte. Uma força desconhecida exigiu que Tantalusficasse em águas profundas de joelhos, com uma fruta deliciosa acima, mas fora o alcance. O nome refere-se à própria capacidade do tântalo ser submerso em substâncias sem sofrer danos.
Na verdade, características incomuns do tântalo, levaram a sua utilização crescente no final do século 20 e início do século 21. O elemento é extremamente estável a temperaturas inferiores a 150 graus Celsius, e precisa de exposição ao ácido fluorídrico, um dos mais fortes ácidos que existem, para provocar a corrosão. Esta proteção contra a corrosão é devida a uma camada protetora natural criada por óxidos de tântalo na superfície do metal, fazendo com que o elemento tenha uma combinação prefeita para utilização em estruturas expostas aos elementos, como pontes e tanques de água.
Mina brasileira de extração de Tântalo O Brasil possui cerca de 20% da demanda mundial deste metal. Foto: Reprodução
Usado no Século 21
O uso do tântalo no século 21 veio primeiro na criação de capacitores. Condensadores de tântalo tem capacidade extremamente alta, embalados em um volume pequeno – perfeito para diminuir os nossos dispositivos eletrônicos, ou abrindo espaço adicional neles para processadores maiores ou alto-falantes.
O tântalo é encontrado em telefones celulares, tocadores de DVD, discos rígidos, computadores portáteis e PS3 – essencialmente qualquer peça de casa ou equipamentos eletrônicos industriais. Tântalo também é usado para criar filtros de ondas acústicas de superfície, aparelhos usados em telefones celulares e televisores para melhorar a qualidade de áudio. O telefone celular tem em média 40 miligramas de tântalo em seu interior – não é uma quantidade considerável, mas que se somarmos aos milhões e milhões de celulares usados no mundo...
Condensadores de tântalo apresentam uma taxa de falha extremamente baixa, tornando-os ideais para uso em equipamentos médicos, incluindo aparelhos auditivos e dispositivos como marca-passos. Tântalo não é prejudicado por fluídos corporais e não irrita a pele, tornando-se um metal perfeito para criar implantes como quadril, joelho e outros.
Como ele é encontrado?
Mineradores do Congo mostrando o mineral rico em Tântalo. Foto: Reprodução/WildlifeDirect
O tântalo é raramente encontrado em sua forma elementar – o elemento é encontrado frequentemente com nióbio e tório e elementos radioativos como o urânio. Processos industriais são obrigatórios para extrair tântalo puro. A América do Sul e a Austrália contam com mais de dois terços da produção mundial de tântalo, com uma única mina do Brasil representando 20% da oferta anual do mundo.
O uso crescente de tântalo em dispositivos eletrônicos tem aumentado o custo de capacitores de grau na última década, com a forma refinada atualmente oscilando em torno de 661 dólares o quilo, enquanto as formas menos puras são vendidas por 220 dólares, um pouco mais que um quilo.
Financiamento de uma guerra civil


“Coltan” é outro nome usado para acolumbita-tantalita, um minério contendo uma mistura de nióbio e tântalo. A República Democrática do Congo (anteriormente Zaire) é extremamente rica em reservas de coltan, com a maioria de coltan extraída ilegalmente e vendida para a China. A segunda Guerra do Congo já custou mais de 5,4 milhões de vidas, o conflito interno mais sangrento desde a Segunda Guerra Mundial.
O Kahuzi-Biega National Park e o Okapi Wildlife Reserve são fontes extremamente férteis de coltan com atividades de mineração que expulsam os gorilas nessas áreas protegidas. A mineração de coltan no Congo também traz outro problema – devido à distância de supermercados e abrigos, os mineradores acabam matando os gorilas para sua alimentação, contribuindo para extinção de várias espécies.
Os moradores também procuram coltan bem conscientes dos ganhosfinanceiros que se encontram na área circundante à medida que peneiram a pedra nos leitos dos rios e removem os pedaços que sobram das minas abandonadas. No Congo, 1/3 das crianças abandonam as escolas visando as minas de coltan, o que tem um impacto negativo na região por gerações.
As pessoas recebem cerca de 10 dólares por um quilo de coltan bruto, uma quantidade de dinheiro que faz diferença na vida de famílias miseráveis que procuram uma maneira de alimentar suas famílias.

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SDS confirma que tenente-coronel se matou devido a problemas financeiros


10.05.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Por  Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

Polícia confirmou que o tenente-coronel Marinaldo Silva estava muito endividado. Ele deu um tiro na cabeça dentro da Seplag. 
 Secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, confirmou na tarde desta quinta-feira (10), em uma coletiva de imprensa na sede da Secretaria de Defesa Social, em Santo Amaro, que o tenente-coronel Marinaldo de Lima e Silva, comandante do 13º Batalhão da Policia Militar realmente se matou devido a problemas financeiros. O valor da dívida não foi informado.


Tenente-coronel da PM, Marinaldo de Lima e Silva, morre durante reunião do Pacto pela Vida. O corpo acaba de ser retirado do prédio da Seplag. Imagem: Wagner Oliveira/DP/D.

O oficial teria atirado na própria cabeça após pedir um copo d′água. Três pessoas presenciaram o suicídio.

Ainda de acordo com Wilson Damázio, nas áreas em que o comandante era o responsável pelo patrulhamento ostensivo, os índices de Crimes Violentos Letais Intencionais caíram 48%, era uma das menos violentas da capital pernambucana.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, soube há pouco o ocorrido e determinou apoio para a família. Por sua vez, o comandante da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Tavares Lira, também lamentou a morte do oficial Marinaldo de Lima e Silva e disse desconhecer os problemas financeiros do militar. "O tenente-coronel estava à frente do 13º BPM há nove meses. Era um profissional exemplar", disse o comandante da PM
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PARA LEMBRAR O DENUNCISMO SELETIVO DE UM JAGUNÇO MIDIÁTICO: MERVAL PEREIRA DÁ UM PETI POR DIA – PERDE A LINHA E A CREDIBILIDADE.

10.05.2012
Do blog 007BONDEBLOG, 01.07.2010
A beira de um ataque de nervos. Assim deixa transparecer que se encontra o jornalista Merval Pereira, para os leitores de sua coluna. Além de nervosinho, tem se mostrado um pouco mais agressivo do que o costumeiro e empregado termos pouco usuais e até mesmo cabíveis para alguém que assina uma coluna no jornalão que se intitula o maior do país.

É sabido que Merval é tucano (não sei se possui carteirinha), e isso é um direito dele, pois falta de gosto não se discute. É sabido que Merval odeia o PT e os “petistas”, mas, isso também é um direito dele, afinal, a Constituição não proíbe ninguém de ser um pote de mágoas e fel, embora possa proibir algumas conseqüências e atos decorrentes desses sentimentos menores.

Causa estranheza, porém, que sendo Merval um velho jornalista, acostumado com campanhas eleitorais, organização e edição de debates entre candidatos e conhecedor das estranhas entranhas que encerram articulações políticas e os desdobramentos dos votos que dirão quem venceu e quem perdeu, esteja ele nessa eleição, principalmente, tão irritadiço, virulento e parcial, ao ponto de perder a noção entre a sua condição de jornalista e torcedor de José Serra e do PSDB.

Entrelinhas, Merval Pereira já chamou o Presidente Lula de “criminoso” (Disse que a posição de Dilma é fruto das ilegalidades cometidas por Lula, o que prova que o crime compensa), já chamou a própria candidata Dilma de “laranja’ de Lula, e, abusa do “verbo” para atacar os internautas que se opõe a José Serra. Quem ontem trouxe à baila a questão do envolvimento de Índio da Costa com possíveis fraudes na merenda escolar do Rio, foi taxado por Merval Pereira de “energúmeno”. (a Vereadora Andrea Gouvêa seria então nesse caso uma “energúmena”) Quanto à questão das irregularidades na merenda, Merval saiu em defesa de Índio, e disse que o caso está sendo objeto de apreciação no Ministério Público. Fosse Índio um “petista”, pelo gosto de Merval, já estaria condenado. Lá no finalzinho da coluna, Merval relembra o termo aloprados, com o enfoque de que são os “aloprados de Dilma”. Merval não gostou nem um pouco da indicação de Índio, e isso lhe deixou muito aborrecido. Índio não traz na opinião de Merval, os votos, que Serra tanto precisa e que Merval deseja ardentemente, que ele receba.

Vergonhosa a postura desse senhor, que de jornalista com credibilidade declinante, vai caindo na vala da parcialidade e manipulação afrontosa dos fatos, escrevendo com o fígado e deixando à mostra na janela, sua cara raivosa e inconformada com os blogueiros independentes, que já não lhe permitem mais falar o que quer sem ser contestado.
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O Globo ataca a blogosfera

10.05.2012
Do BLOG DO MIRO, 09.05.12
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:


Não é a primeira nem será a última vez que o jornal Globo ataca frontalmente a blogosfera. Tanto é que já estamos com casco duro e nem damos bola. Vale a pena analisar, porém, detidamente o editorial desta terça-feira do jornal O Globo, onde os platinados tentam matar dois coelhos de uma vez: blindar a revista Veja e desqualificar o pensamento que diverge da mídia corporativa em geral.


Usemos aquele método de fazer comentários intercalados. O editorial está em negrito, meus comentários em fonte normal:


O Globo – 08/05/2012

Comecemos pelo título. Evidentemente, Civita não é Murdoch. É pior. Murdoch queria só ganhar mais dinheiro. Civita queria ganhar mais dinheiro e derrubar governos. Murdoch espezinhava celebridades, divulgando fofocas e intimidades. Civita aliou-se a um mafioso para espionar autoridades com objetivo de chantageá-las e obter vantagens financeiras e políticas. É como se descobrissem que a Fox aliou-se a Bin Laden para tentar derrubar Obama, ou que o Times aliou-se à máfia chinesa, que lhe fornecia vídeos oriundos de grampos ilegais, com objetivo de derrubar o primeiro-ministro inglês.

Blogs e veículos de imprensa chapa-branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista “Veja”, na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta.

Globo inicia o texto através de uma desqualificação grosseira. Baixou o nível. Blogs não tem obrigação de ser neutros, nem de apoiar, nem de ser críticos. Blogs políticos nascem do desejo pessoal de cidadãos brasileiros de expressarem sua opinião. Chamá-los de chapa branca é aplicar-lhes um conceito já meio anacrônico do jornalismo comercial. É ofensivo e equivocado. O Globo jamais chamou o blog da Veja, ou a própria Veja, que são notoriamente pró-tucanos, de chapa-brancas em relação ao governo de São Paulo. Na verdade, com o aumento do poder da mídia, somado às circunstâncias políticas e históricas da democracia brasileira, de repente ficou muito conveniente para a imprensa corporativa alardear sua ideologia de que “jornalismo é oposição”. Pena que não fez isso durante a ditadura brasileira, quando serviu à esta com submissão voluntária.

Além disso, Globo difunde uma inverdade ao atribuir a postura dos blogs a uma estratégia de “linha auxiliar de setores radicais do PT”. A indignação pública contra os desmandos de Rupert Murdoch não veio de setores esquerdistas radicais, assim como a indignação contra a Veja também funciona num diapasão muito acima do PT, quanto mais de suas alas radicais. É um movimento popular autêntico. O PT é que se identifica com ele, e não o contrário. E a campanha não é organizada, como são as campanhas “anti-corrupção” patrocinadas pela mídia e setores do conservadorismo. Aí sim, há dinheiro e espaço nos jornais, em ações coordenadas que usam oportunisticamente a luta contra a corrupção para fazer proselitismo ideológico barato.

A operação tem todas as características de retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas, e de denúncias de esquemas de corrupção urdidos em Brasília por partidos da base aliada do governo. É indisfarçável, ainda, a tentativa de atemorização da imprensa profissional como um todo, algo que esses mesmos setores radicais do PT têm tentado transformar em rotina nos últimos nove anos, sem sucesso, graças ao compromisso, antes do presidente Lula e agora da presidente Dilma Rousseff, com a liberdade de expressão.

O que o Globo chama de retaliação, seria mais apropriado chamar de reação natural. Reação não apenas de petistas, mas de amplos setores da intelectualidade, e da esquerda em geral, e não só do Brasil, mas de todas as Américas (incluindo aí os EUA), às consequências nocivas da concentração da mídia ao processo democrático. Esta é uma crítica que se faz desde Cidadão Kane, de Orson Welles, filmado em 1941. É uma crítica democrática, saudável. Ou o Globo acha que devemos achar muito normal que uma revista use, ao longo de vários anos, grampos clandestinos fornecidos por uma máfia sinistra, fazendo matérias que beneficiam financeiramente este grupo e a própria revista?

A mídia omite a si mesma de suas análises políticas. Ela se trata como uma espécie de deidade intocável, a “imprensa independente”, ou “imprensa livre”, quando na verdade sabemos que são empresas com interesses econômicos muito específicos. A Veja, por exemplo, tem empresas que vendem livros didáticos para o Estado, e tem faturado milhões com esse negócio, onde há uma relação promíscua entre política, imprensa e, como agora está claro, máfia.

A manobra se baseia em fragmentos de grampos legais feitos pela Polícia Federal na investigação das atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pela qual se descobriu a verdadeira face do senador Demóstenes Torres, outrora bastião da moralidade, e, entre outros achados, ligações espúrias de Cachoeira com a construtora Delta. As gravações registraram vários contatos entre o diretor da sucursal de “Veja” em Brasília, Policarpo Jr., e Cachoeira. O bicheiro municiou a reportagem da revista com informações e material de vídeo/gravações sobre o baixo mundo da política, de que alguns políticos petistas e aliados fazem parte.

Exatamente, a “manobra” se baseia em grampos legais. Quer dizer que o Globo defende que apenas ele pode “manobrar” grampos, de preferência ilegais?


A constatação animou alas radicais do partido a dar o troco. O presidente petista, Rui Falcão, chegou a declarar formalmente que a CPI do Cachoeira iria “desmascarar o mensalão”. Aos poucos, os tais blogs começaram a soltar notas sobre uma suposta conspiração de “Veja” com o bicheiro. E, no fim de semana, reportagens de TV e na mídia impressa chapas-brancas, devidamente replicadas na internet, compararam Roberto Civita, da Abril, editora da revista, a Rupert Murdoch, o australiano-americano sob cerrada pressão na Inglaterra, devido aos crimes cometidos pelo seu jornal “News of the World”, fechado pelo próprio Murdoch.

Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia. Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento – sem o qual não existe notícia – têm destaque, pela sua importância. Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato. Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de “Veja” estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca.A comparação é válida, e Civita leva a pior, como já expliquei acima. Murdoch espionou a privacidade alheia. Civita aliou-se à uma máfia política. Há várias gravações que mostram uma relação promíscua entre a revista e o bicheiro sim. Globo quer tapar o sol com peneira. Além disso, há muitas gravações que ainda não chegaram ao conhecimento do público. Há sim uma indignação muito grande de amplos setores da sociedade contra a ética jornalística da Veja. E contra o Globo também. Os platinados tentam blindar a Veja porque tem medo que sejam atingidos por algum petardo similar, visto que as reportagens que Civita publicava, a mando de Cachoeira, repercutiam imediatamente no Globo, em especial no temível Jornal Nacional. Na verdade, a Veja era apenas a porta de entrada para o noticiário televisivo, onde, aí sim, os estragos políticos contra os inimigos do esquema Cachoeira (honestos ou não) eram quase sempre fatais. Eu não engulo aqueles 7 a 8 minutos que o Globo deu a Rubnei Quicoli, bandidinho de terceira categoria, ex-presidiário, no Jornal Nacional, às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, com base em matérias da… Veja.

Estabelecem as Organizações Globo em um dos itens de seus Princípios Editoriais: “(…) é altamente recomendável que a relação com a fonte, por mais próxima que seja, não se transforme em relação de amizade. A lealdade do jornalista é com a notícia.” E em busca da notícia o repórter não pode escolher fontes. Mas as informações que vêm delas devem ser analisadas e confirmadas, antes da publicação. E nada pode ser oferecido em troca, com a óbvia exceção do anonimato, quando necessário.Os princípios editoriais do Globo são uma piada de mau gosto. O grupo Globo se transformou numa empresa que oprime ideologicamente seus jornalistas, violentando-lhes a liberdade de se manifestarem politicamente. O Globo é inimigo da liberdade de expressão de seus próprios empregados. Princípios não valem nada, além disso, se não correspondem à prática. O Globo escolhe despudoradamente suas fontes de acordo com seus interesses políticos, e sua lealdade não é com a notícia e sim com a ideologia dos patrões, mesmo que para isso precise sacrificar a notícia.

O próprio braço sindical do PT, durante a CPI de PC/Collor, abasteceu a imprensa com informações vazadas ilegalmente, a partir da quebra do sigilo bancário e fiscal de PC e outros. O “Washington Post” só pôde elucidar a invasão de um escritório democrata no conjunto Watergate porque um alto funcionário do FBI, o Garganta Profunda, repassou a seus jornalistas, ilegalmente, informações sigilosas. Só alguém de dentro do esquema do mensalão poderia denunciá-lo. Coube a Roberto Jefferson esta tarefa.Uma coisa é o vazamento ilegal de grampos realizados com autorização judicial. Não é um crime tão grave, embora também tenhamos aí uma situação muito irregular e, às vezes, perigosa, já que se formam conluios interessados entre setores da polícia e imprensa. Outra coisa é o vazamento de dados sigilosos bancários e fiscais. Aí temos um crime grave contra a privacidade, que tem sido muito raro nos últimos anos. O vazamento dos dados do caseiro Francenildo, por exemplo, derrubou um ministro da Fazenda. O Globo sempre atacou com muita virulência esse tipo de prática, então fica incongruente pregar o “locupletemo-nos todos” apenas para defender o uso de grampos clandestinos pela revista Veja.

Uma terceira coisa, porém, totalmente distinta, é usar grampos ilegais, pagos e realizados por uma máfia política, que tem naturalmente interesses financeiros escusos em divulgá-los. É um crime infinitamente mais grave. A comparação com o caso Watergate é descabida também por causa disso. A fonte era um alto funcionário do FBI, ou seja, alguém do Estado, não era um membro do esquema Cachoeira, um bandido corrupto, com interesses partidários, como eram as fontes de Veja.

A questão é como processar as informações obtidas da fonte, a partir do interesse público que elas tenham. E não houve desmentidos das reportagens de “Veja” que irritaram alas do PT. Ao contrário, a maior parte delas resultou em atitudes firmes da presidente Dilma Rousseff, que demitiu ministros e funcionários, no que ficou conhecido no início do governo como uma faxina ética.

Mais uma vez a mídia omite seu próprio poder, além de mentir. Houve sim desmentidos, fortes, dos envolvidos. A presidenta Dilma demitiu alguns ministros sem prova, por conta da instabilidade política provocada pela própria mídia. Alguns talvez tivessem culpa no cartório, como aliás quase todo ser humano tem, mas sua maior culpa consistia em serem ministros de um governo trabalhista. As crises ministeriais tinham início através de uma denúncia, mas depois nem importava que essas denúncias não fossem verdadeiras: iniciava-se uma campanha maciça, organizada, para derrubar aquele alvo específico, atacando membros do partido, mesmo que nada tivessem a ver com o acusado. Foi o caso de Orlando Silva, em que a mídia começou a atacar o PCdoB de forma generalizada, inclusive Manuela D’Ávila, quadro importante do partido e ao mesmo tempo vulnerável por ser candidata à prefeitura de Porto Alegre, disputando um eleitorado fortemente politizado e, por isso, sensível a campanhas de imprensa. A mídia não perdoa nem a família. No caso do Sarney, não escapou nem uma neta de menos de 20 anos, que cometeu o crime terrível de ligar para o avô e pedir emprego para o namorado. Quando os envolvidos são aliados da mídia, aí a blindagem é completa. Demóstenes Torres ligou para Aécio para pedir emprego para a prima de Cachoeira, foi atendido, e não se criou escândalo nenhum. Ou seja, os Princípios do Globo me parecem bem flexíveis.

O editorial do Globo, por outro lado, corresponde a mais um atestado de que a blogosfera vem se tornando cada vez mais influente. É um contrapeso importante à mídia corporativa. É um verdadeiro ombudsman coletivo e independente do trabalho da imprensa brasileira. Em nome da liberdade de expressão, da democracia, do jornalismo, o Globo deveria agradecer a blogosfera, que lhe presta um serviço, gratuitamente, permitindo-lhe aprimorar-se. A imprensa, pressionada pela blogosfera, se vê obrigada a frear um pouco o conservadorismo doentio, fanático e partidário para o qual parece eventualmente enveredar.

Nem sempre a blogosfera está certa. Mas ela não se pretende infalível. A blogosfera é, na maioria dos casos, assumidamente tendenciosa, ideológica, partidária, ou seja, totalmente oposta à neutralidade higiênica e hipócrita da imprensa corporativa. A blogosfera, todavia, é bem mais livre das amarras que prendem jornais a uma série de interesses econômicos. Blogueiros e comentaristas não são amordaçados pelos “códigos de conduta” que alguns meios impõem – tiranicamente – a seus empregados. Como blogueiro, observo às vezes até meio estupefato como as mesmas massas que apoiavam a Dilma, de repente passam a criticá-la ferozmente no dia seguinte, para voltar a apoiá-la posteriormente, tendo como base sempre e exclusivamente a independência de seu juízo. As massas blogosféricas (hoje integradas em redes sociais) são instáveis, anárquicas, imprevisíveis e livres, como jamais a imprensa, ou a velha mídia, será. Ao detratá-la, portanto, o Globo ataca o próprio símbolo da contemporaneidade, e dá recibo de sua insegurança perante um novo mundo.

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O efeito pedagógico do Cachoeiraduto

10.05.2012
Do blog TERROR DO NORDESTE, 09.05.12

A eclosão do Escândalo de Cachoeira teve um enorme efeito pedagógico em relação ao PiG.

Antes do Caso Cachoeira, qualquer acusação contra um membro do governo Lula-Dilma, contra um membro do PT a Veja, na maior fúria denuncista, fazia questão de publicar a matéria em letras garrafais.

Após a denúncia da Veja, o efeito cascata no PiG era devastador.
A Veja fazia a denúncia no sábado, a TV Globo repercutia no JN e, na segunda, a Folha, o Estadão, Correio Brasiliense e afins faziam a festa.A matéria publicada na Veja era pisada e repisada a semana inteira no PiG.

Hoje, felizmente, isso já não ocorre mais.A mídia não vive mais pautada pela Veja.
Como a Veja não tem mais credibilidade, as denúncias de suposta corrupção no governo Dilma estancaram.Ninguém vê Veja publicando matéria sobre corrupção, nem do governo Dilma nem de outros governos ligados ao PT e aliados.Ninguém vê o Jornal Nacional repercutindo matéria da Veja.Ninguém vê Estadão, Folha e afins repercutindo matéria do Jornal Nacional e da Veja.O tema corrupção saiu das páginas do PiG.O PiG publica, atualmente, matéria ligada a corrupção de seu aliados demotucanos porque não pode mais esconder da sociedade brasileira. O PiG sabe que hoje existe os blogs sujos e as redes sociais para repercutirem denúncias de corrupção contra seus aliados demotucanos.
 
Ao PiG restou fazer a defesa de jornalistas bandidos que vivem incrustados no seio do crime organizado e de contravenção, como ocorreu com Policarpo Quaresma, Mino Pedrosa, o repórter G do Fantástico.
 
A defesa da Veja feita pela Folha, pelo Globo, pelo Estadão não é gratuita.Esses meios de comunicação não se conformam com o fato de sua maior fonte de informação está metida até o talo com o crime organizado, com a contravenção e com a corrupção.

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A Solidariedade das famílias. Globo e Abril Veja: menino malcriado não aguenta briga e pede ajuda pro irmão mais velho

10.05.2012
Do blog ESCREVINHADOR, 09.05.12
Por Rodrigo Vianna


Não vou perder tempo aqui debatendo os argumento de ”O Globo”. Até porque, dois blogueiros já fizeram a análise minuciosa do editorial em que o jornal da família Marinho tenta fazer a defesa de Bob Civita – o dono da Abril.

Miguel do Rosário e Eduardo Guimarães deram uma surra de bons argumentos no diário carioca. O texto do Miguel você pode ler aqui. E o do Eduardo você encontra aqui.
O que me interessa não é o editorial em si. Mas sua motivação.

Primeiro ponto. Chama atenção que Bob Civita tenha ido pedir socorro à turma da Globo. A Abril lembra-me aquele menino malcriado que quebra o vidro da vizinha, corta o rabo do gato, cospe no garoto menor da casa ao lado. Aí, quando recebe o troco, sai chorando e pede ajuda pro irmão mais velho. A revista mais vendida do país não consegue se defender sozinha?

A Abril espalha por aí que a “Veja” tem um milhão de tiragem! Isso não é suficiente pra encarar a briga com meia dúzia de “blogueiros chapa-branca a serviço de setores radicais do PT?”. Por si só, esse já é um fato a demonstrar a mudança na “correlação de forças” da comunicação.

O velho jornalismo não se conforma com o “contraditório”. Dez anos atrás, não havia uma ferramenta para rebater um editorial de “O Globo”. Hoje, os editorialistas escrevem besteiras e, no dia seguinte, lá estão os Migueís e Eduardos a dar o troco na internet. Com categoria.

Não é a primeira vez que as Organizações Globo passam recibo do incômodo. Em 2010, depois da segunda derrota de Ali Kamel (a primeira ocorrera em 2006, com a reeleição de Lula, e a terceira aconteceria em 2012, no julgamento das quotas, como se pode ler aqui), “O Globo” passou recibo destacando em primeira página a entrevista de Lula aos blogueiros. Destilou ódio. Tentou nos atacar. Mas, sem perceber, revelou a força dos blogs. Foi até engraçado. Agora, a história se repete.

Mas há um fato novo. Dessa vez, os blogs não falaram sozinhos. A Record levou o caso “Veja-Cachoeira” para a TV aberta. E a “Carta Capital” estampou a foto de Bob “Murdoch” Civita pelas bancas de jornal de todo o país. A reportagem da Record e o texto de “CartaCapital”  também passaram a ser reproduzidos pelas redes sociais. Atingiram, com isso, um público distante do debate sobre as comunicações. Soube de um caso ontem. Uma pessoa da família ligou pra  perguntar: “afinal por que estão falando tão mal da “Veja? A revista é tão boa, todo mundo aqui no prédio assina, será verdade isso tudo?”.

Ou seja, o ataque à “Veja” dessa vez chegou ao público leitor da revista, provocando certo mal estar. Isso deve ter apavorado Bob Civita. Ontem mesmo, circularam informações de que Fabio Barbosa, executivo da Abril, teria pedido demissão por causa da crise. Civita está fragilizado. Correu pro colo do irmão mais velho.  

E há um terceiro ponto. ”O Globo” age só como irmão mais velho protetor? Ou tem algum outro temor?

O site 247 acaba de publicar na internet um imenso arquivo digital com transcrições e grampos da Polícia Federal, que eram guardados em sigilo. O que haveria nesses arquivos? Nos próximos dias, blogueiros e tuiteiros vão decifrar os arquivos, enquanto “Globo” e “Veja” tentarão escondê-los.

Até agora, não há nenhum indício de que a Globo, institucionalmente, tenha-se comprometido com a rede criminosa de Cachoeira. Tenho dito isso a blogueiros e comentaristas mais afoitos: “muita calma, minha gente; uma coisa é ser conservador ou manipulador; e outra coisa é se associar à bandidagem”.

A Globo, até onde se sabe, não se associou a Cachoeira diretamente. Mas a Globo e o JN são “sócios” das “reportagens investigativas” policarpianas. Isso desde 2005. Ali Kamel adotou a estratégia do telejornalismo por escrito. Semanos a fio, o JN fazia a “leitura” das páginas de “Veja”, repercutindo para o grande público as “apurações” de “Veja”. Sobre isso, já escrevi aqui.

Ou seja, desmascarar a “Veja” é também desmascarar o jornalismo de araque praticado por Ali Kamel nos últimos anos, à frente da emissora da familia Marinho. 

A Globo pode ser acusada de muita coisa, mas jamais de ”abandonar um companheiro ferido na estrada” (copyright: Paulo Preto). “Globo” e “Veja” jogaram juntas anos a fio. Na hora do aperto, os irmãos Marinho não se recusariam a oferecer colo ao irmãozinho mais novo com fama de traquinas. Ou fascista.

É a solidariedade das famílias.

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