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domingo, 15 de abril de 2012

Nassif: Fatos exigem a reabertura do inquérito do grampo sem áudio

15.04.2012
Do blog VI O MUNDO, 11.04.12
Por  Luis Nassif, no seu blog

Em 1º de julho de 2009, a Polícia Federal concluiu  o inquérito do grampo sem áudio. Depois de dez meses de investigação, os delegados William Morad e Rômulo Berredo não encontraram qualquer registro gravado de uma conversa entre o ex-presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demostenes Torres, do DEM de Goiás. Ninguém apresentou fita, CD ou dragão para comprovar o suposto grampo de uma conversa inócua.
Não foram encontrados indícios de que a Abin ou a PF estivessem ouvindo os telefonemas do presidente do STF – ao contrário do que alardeou a revista Veja em agosto de 2008, com ampla repercussão na imprensa, no Congresso e na Corte Suprema. Não se incriminou a Abin, como queriam a revista, o senador e o ministro, nem se chegou às origens da farsa, seus autores e suas motivações.
As investigações da operação Monte Carlo e suas predecessoras na Polícia Federal, agora de conhecimento público, trazem novos elementos para iluminar aquele episódio. O mais importante desses fatos novos é a revelação de que o bicheiro Carlinhos Cacheira detinha informantes bem posicionados na Polícia Federal, incluindo os delegados (hoje presos) Deuselino Valadares dos Santos e Fernando Byron, além dos arapongas “autônomos” Idalino Matias, o Dadá, e Jairo Martins, ambos associados à sucursal da revistaVeja em Brasília.
O inquérito da Monte Carlo demonstrou que o delegado Deuselino Valadares foi cooptado pela quadrilha de Cachoeira depois de ter produzido, em meados de 2006, três relatórios para a PF sobre as atividades do bicheiro e suas ligações políticas, incluindo Demostenes Torres. Deuselino, a quem o bicheiro chama de Neguinho, abriu a empresa Ideal Segurança, com participação oculta de Cachoeira.
Em 2008, a Polícia Federal voltou a investigar Cachoeira e sua rede, por meio da Operação Las Vegas. Aqui, na reportagem da Carta Capital:
A participação do senador Demóstenes Torres só foi novamente levantada pela PF em 2008, quando uma operação também voltada à repressão de jogo ilegal, batizada de “Las Vegas”, o flagrou em grampos telefônicos em tratativas com Carlinhos Cachoeira.”
O relatório final da Operação Las Vegas foi encaminhado ao procurador-geral da república, Roberto Gurgel, em setembro de 2009, e estranhamente engavetado, como demonstrou reportagem de Jailton de Carvalho, no Globo.
O que a Polícia Federal não sabia em 2008 nem em 2009 é que o delegado Deuselino Valadares era informante de Cachoeira e seu bando , e poderia tê-los deixado a par das investigações. Provavelmente a PF não conhecia também a profunda infiltração dos arapongas Dadá e Jairo no aparato policial, fatos que só se tornaram evidentes e comprovados agora, na Operação Monte Carlo.
Estão aí os novos elementos para que seja reaberto Inquérito do Grampo sem Áudio: a descoberta da infiltração na Polícia, a conexão entre os agentes de Cachoeira e a revista que bancou o grampo e, por fim, uma nova motivação para a farsa: desqualificar a Operação Las Vegas.
O Ministério Público e a PF precisam apurar se Demostenes e Cachoeira sabiam que estavam sendo investigados e seus telefonemas, grampeados. Se de fato sabiam, é preciso apurar se eles engendraram um plano para desqualificar e embaralhar as investigações. Nesta hipótese, o senador disparou o conhecido golpe do pega-ladrão: espalhou aos quatro ventos, com a ajuda da revista Veja, que estaria sendo grampeado, não por policiais com autorização judicial, mas por arapongas a serviço do governo. De quebra, mas não menos importante, ajudou a desqualificar a Operação Satiagraha.
Leia também:
 

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/nassif-fatos-exigem-a-reabertura-do-inquerito-do-grampo-sem-audio.html

6 meses depois de patrocinar 'Marcha contra corrupção', ela volta-se contra Marconi Perillo


15.04.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 14.04.12
Hoje, deu no Goiás247:

O povo sai das redes e ocupa as ruas de Goiânia

Mais de dois mil goianos, em sua maioria jovens, saíram às ruas em protesto contra a administração do governador Marconi Perillo (PSDB). A concentração se deu no entorno da Praça Cívica e seguiu pelas avenidas Goiás, Araguaia e ruas paralelas no Centro de Goiânia, voltando depois à Praça Cívica, onde fica o Palácio das Esmeraldas, sede do governo. Os manifestantes deram um abraço simbólico no anel interno da praça. Ao som de “Que Pais É Esse’, os jovens gritaram frases de protesto e empunharam cartazes e faixas endereçadas ao governador.

A mobilização teve início no mundo virtual, em especial no Facebook, e se tornou uma demonstração clara de que é possível até segurar o conteúdo de veículos tradicionais, mas não a internet.

O FORAMARCONI, segundo os organizadores, foi estimulado pelo que definem como “descaso” e “falta de honestidade na administração estadual”. “Nas últimas semanas, fomos destaque nacional pela quantidade de corruptos que comandam nosso Estado. Goiás está a serviço do crime organizado, e não podemos aceitar o silêncio diante de tamanho descompromisso”, desabafou o estudante Artur Borges, da equipe organizadora, ao Goiás247. (A íntegra da matéria está aqui)
Há 6 meses atrás:


Assesor Especial do governador Marconi Perillo (PSDB), o ex-deputado Leandro Sena (PRTB) comanda a marcha em Goiânia com a máquina de sua ONG. A TV Globo de Goiânia o está entrevistando, mas não levou ao ar a entrevista, dando a entender que seria "apartidária".

O povo quer saber se tem Caixa-2 de campanha financiando a "marcha contra a corrupção".
 Em Goiânia, a marcha teve no comando o ex-deputado estadual Leandro Sena (PRTB/GO), atual Assessor Especial do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB/GO).

Sena mobilizou a máquina de sua ONG +Ação, para colocar um caminhão de trio-elétrico na rua, e levar manifestantes, devidamente uniformizados e com cartazes e fazendo panfletagem. 
(A íntegra desta notícia está aqui i)
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Lula retorna à atividade política após tratamento contra câncer

15.04.2012
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO, 14,04.12
Por  Agência EFE

Ex-presidente foi ovacionado por centenas de pessoas durante ato

Lula reapareceu publicamente na inauguração de uma escola técnica em São Bernardo do Campo

São Paulo - O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva retomou neste sábado suas atividades políticas após concluir o tratamento contra o câncer de laringe. Ele reapareceu publicamente na inauguração de uma escola técnica em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo, seu principal reduto político. Lula foi ovacionado durante o ato por centenas de pessoas que participaram da inauguração da escola, que levará o nome de Regina Rocco, em homenagem à sogra do ex-governante.

Estavam presentes na solenidade, entre outros, a ministra de Cultura, Ana de Hollanda; a ex-ministra de Turismo e senadora Marta Suplicy; o ex-ministro do Trabalho e prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e o ex-ministro da Educação e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, apoiado por Lula. O ex-governante, de 66 anos, tinha interrompido sua vida pública para submeter-se ao tratamento de quimioterapia e radioterapia para combater o câncer diagnosticado em outubro. Em 28 de março, os médicos do Hospital Sírio Libanês de São Paulo anunciaram que o tumor de três centímetros havia desaparecido totalmente.
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Marcos Coimbra também mela o mensalão

15.04.2012
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim




Na Carta Capital na seção “Vox Populi”, Marcos Coimbra descreve as reações dos conservadores à queda do Muro do Demóstenes.

Para não desfalcar a audiência da Carta, aqui vai o trecho do excelente artigo em que descreve o terceiro tipo de reação.

E, ao fazer isso, mela o mensalão:

A terceira foi uma clássica manobra de luta ideológica: passar para o ataque. Se a defesa é insustentável e se não interessa protelar, o jogo tem de ser mudado.

Era preciso embaralhar as culpas do Demóstenes oposicionista com aquelas de políticos governistas. E era óbvio com quais: os acusados pelo “mensalão”. Eles e Demóstenes tinham de ser igualados. Se esse diversionismo fosse bem sucedido, o escândalo terminaria por ser positivo: aumentaria as pressões para que o STF julgasse logo o caso.

Quem conhece o funcionamento do Supremo sabe, no entanto, que a chance de que ele se pronuncie nos próximos meses é pequena. A complexidade das questões que suscita, sua sensibilidade, seus efeitos na dinâmica interna do Tribunal, tudo sugere que o julgamento não vá começar de imediato.

Essa perspectiva não agrada a quem quer utilizá-lo para atingir o PT e suas lideranças. Por extensão, para fragilizar o governo.

Tudo o que esses setores desejam é que o País fique meses a discutir o episódio. Sonham recriar os dias em que a TV Câmara disputava audiência, transmitindo ao vivo as sessões da CPMI dos Correios.

É uma aposta com pequena possibilidade de sucesso. Acreditar que o retorno do “mensalão” pela via judiciária terá o mesmo efeito na opinião pública que a sua revelação original é imaginar muito.

Para a vasta maioria das pessoas, será igual a ler o jornal de anteontem. Tudo é conhecido, não há qualquer fato novo.

Sem falar que a discussão no Supremo dificilmente terá a teatralidade do Legislativo. A leitura de um voto – que pode durar horas – costuma fazer dormir até especialistas. Mas quem não tem cão, caça com gato. Confusa em seu discurso, dividida por conflitos internos, a oposição partidária avalia que a volta do assunto às manchetes é uma oportunidade para adquirir novo fôlego. O mesmo vale para os veículos da mídia conservadora, que acreditam que assim poderão fazer seu acerto de contas com o “lulopetismo”.

O problema é que o escândalo Demóstenes e o “mensalão” são completamente diferentes. No primeiro, um político é suspeito de fazer o que os bandidos fazem. No segundo, alguns políticos são acusados de fazer o que todos fazem.

Não são, portanto, nem de longe, a mesma coisa.

A maior parte dos que serão julgados pelo “mensalão” fez, apenas, aquilo que as regras não escritas da política sempre admitiram. E que, por essa razão, seus colegas praticaram – e continuam a praticar. Ou alguém acha que, agora, tudo é feito de maneira ortodoxa?

Ninguém os acusa de advocacia de interesses escusos ou de conluio com os fora da lei. Suspeitar que receberam uma espécie de mesada para votar com o governo é uma simples história de carochinha: petistas ganhando para isso?

No fundo, o esforço de igualar o que é flagrantemente diferente, talvez acabe sendo positivo na hora em que o Supremo julgar. Deixa nítido que o inaceitável é Demóstenes.


Clique aqui para ler “Veja, Dantas, Gilmar Ley de Medios, mensalão, brindeiro Gurgel, Ley de Medios – é o todo que está em jogo”.

Clique aqui para ler “TV Record mela o mensalão”.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/04/15/marcos-coimbra-tambem-mela-o-mensalao/

TÂNIA PASSOS: Idosos no trânsito: velozes e furiosos?

15.04.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Por Tânia Passos*

Segundo o Detran-PE, eles representam cerca de 20% dos condutores, mas cometem apenas 6% das infrações       


Quando o assunto é trânsito, os idosos conhecem bem o assunto. Antônio Nicolau da Silva, 71 anos: "Me sinto útil e vivo".  Imagens: Tânia Passos/DP/D.A Press 

Eles têm fama de serem lentos no trânsito, mudar de faixa sem dar a seta, frear sem motivo, estacionar em qualquer lugar e ainda acreditar que a rua é livre para eles. 

Não é bem assim. Os números mostram que os idosos não têm nada de lentos no trânsito. De acordo com a estatística do Detran-PE, no topo das infrações de trânsito, mais cometidas por eles, está o excesso de velocidade. Em 2011, foram registradas 13.371 multas por velocidade superior à permitida e em segundo está o avanço do sinal vermelho com 3.509 infrações. 

Embora, possa parecer, agora, que eles são velozes e furiosos no trânsito, o fato é que respondem apenas por 6,2% das infrações e proporcionalmente cometem menos erros do que os mais jovens. Nas ruas respondem por cerca de 20% dos condutores cadastrados. 

Foi em pleno horário de pico que encontramos o motorista Antônio Nicolau da Silva, 71 anos, saindo do estacionamento de um supermercado, no Parque Amorim, para enfrentar a Agamenon Magalhães em direção a Boa Viagem. Com bom humor e disposição, ele contou as dificuldades que têm no trânsito. “Os motoristas dirigem muito mal e há carro demais na cidade”, reclamou. Ao lado dele, a mulher Francisca do Nascimento Silva, 63 anos, dona do carro, co-pilota e sem habilitação. 

Atenta a qualquer deslize do marido nas ruas, ela é dura nas críticas. “Ele já bateu cinco vezes e este último carro já está todo arranhado”, reclamou. Mas é com ele que Dona Francisca conta para se deslocar pelo Recife. “Nunca quis aprender a dirigir e ele me leva para onde eu preciso ir”, admitiu. Autonomia de locomoção é um direito que ninguém quer abrir mão. Não é diferente com os idosos. Aposentado há 18 anos, Antônio Nicolau dirige com prazer. “Eu me sinto útil e vivo”, afirmou. Qual o momento de parar? “Não pretendo parar de dirigir, enquanto estiver com saúde”. 

De acordo com o orientador educacional do Detran-PE, Ari Felipe Brito, a renovação da carteira do idoso é a cada três anos, mas esse prazo pode ser reduzido caso a junta médica identifique limitações de doenças senis que possam comprometer a direção. “É muito importante para o idoso ter autonomia para se deslocar. E a discussão do momento certo de deixar de dirigir tem que ser conversado, para que ele entenda as limitações”. Ainda, segundo o orientador educacional é preciso oferecer outras opções. “O pedestre idoso que tem dificuldade de andar pode usar uma muleta, o que dirige pode ter a opção de usar outro tipo de transporte ou ter alguém que dirija por ele”. Ele explica que o idoso não pode ficar preso em casa, pois corre o risco de se isolar.

SAIBA MAIS

Os idosos no trânsito

1,6 milhão 
é o número de motoristas 
habilitados em PE

319.669 
são os motoristas 
com 65 anos ou mais

19,23% 
é o percentual de motoristas 
idosos no estado 

Infrações

627.517 
é o total de infrações de trânsito no estado em 2011

39.337 
é o total de infrações cometidas pelos idosos

6,2% 
é o percentual de infrações 
dos idosos no estado

* Tânia Passos é também editora do BLOG MOBILIDADE URBANA e escreve a coluna MOBILIDADE URBANA,  no DIARIO DE PERNAMBUCO, às segundas-feiras
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Investigar Cachoeira, uma ameaça à liberdade de expressão

15.04.2012
Do blog VI O MUNDO, 14.04.12
Por  Luiz Carlos Azenha

Por dever de ofício, li o texto de capa de revista que tenta provar que investigar os crimes do Carlinhos Cachoeira, no Congresso, é um atentado à liberdade de expressão.
O que chamou minha atenção foi a frase abaixo, que interpretei como defesa do uso de fontes-bandidas:
Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é básico. Disso sabem os promotores que, valendo-se do mecanismo da delação premiada, obtêm informações valiosas de um criminoso, oferecendo-lhe em troca recompensas como o abrandamento da pena.
Registre-se, inicialmente, a tentativa dos autores de usar os promotores de Justiça como escada. Tentam sugerir ao leitor que o esforço da revista, ao dar espaço em suas páginas a fontes-bandidas, equivale ao dos promotores de Justiça.
Sonegam que existe uma diferença brutal: os promotores de Justiça usam a delação premiada para combater o crime. Os criminosos que optam pela delação premiada têm as penas reduzidas, mas não são perdoados. E a ação ajuda a combater um mal maior. Um resultado que pode ser quantificado. O peixe pequeno entregou o peixe grande. Ambos serão punidos.
O mesmo não se pode dizer da relação de um jornalista com uma fonte-bandida. Se um jornalista sabe que sua fonte é bandida, divulgar informações obtidas dela não significa, necessariamente, que algum crime maior será evitado. Parece-me justamente o contrário.
O raciocínio que qualquer jornalista faria, ao divulgar informações obtidas de uma fonte que ele sabe ser bandida, é: será que não estou ajudando este sujeito a aumentar seu poder, a ser um bandido ainda maior, a corromper muito mais?
Leiam de novo esta frase: As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido.
Não necessariamente. Ele não tem qualquer garantia de que as informações são verdadeiras se vieram de um corrupto. Que lógica é esta?
O policial que não estava lá mas gravou a conversa que se deu durante um ato de corrupção provavelmente vai fornecer uma versão muito mais honesta sobre a conversa do que os corruptos envolvidos nela.
O repórter que lida com alguém envolvido em um ato de corrupção sabe, antecipadamente e sem qualquer dúvida, que a informação passada por alguém que cometeu um ato de corrupção atende aos interesses de quem cometeu o ato de corrupção. Isso, sim, é claro, não que as informações sejam necessariamente verdadeiras.
O repórter sabe também que, se os leitores souberem que a informação vem de alguém que cometeu um ato de corrupção, imediatamente perde parte de sua credibilidade. Não é por acaso que Carlinhos Cachoeira, o bicheiro, se transformou em “empresário do ramo de jogos”.
É por saber que ele era um “mau cidadão” que a revista escondeu de seus leitores que usava informações vindas dele. Era uma fonte inconfessável.
Não foi por acaso que Rubnei Quicoli, o ex-presidiário, foi apresentado como “empresário” pela mídia corporativa quando atendia a determinados interesses políticos em plena campanha eleitoral. A mídia corporativa pode torturar a lógica, mas jamais vai confessar que atende a determinados interesses políticos.
Carlinhos Cachoeira não é, convenhamos, nenhum desconhecido no submundo do crime. Vamos admitir que um repórter seja usado por ele uma vez. Mas o que dizer de um repórter usado durante dez anos, por uma fonte que ele sabe ser bandida?
Sim, porque o texto, sem querer, é também uma confissão de culpa: admite que a revista se baseou em informações de um “mau cidadão”. Ora, se a revista sabia tratar-se de um “mau cidadão” e se acreditava envolvida em uma cruzada moral para “limpar a sociedade” de “maus cidadãos”, não teria a obrigação de denunciá-lo?
Concordo que jornalistas não têm obrigação de dar atestado de bons antecedentes a todas as suas fontes.
Mas onde fica a minha obrigação de transparência com meus leitores se divulgo seguidamente informações que sei serem provenientes de um “mau cidadão”? Qual é o limite para que eu seja considerado parceiro ou facilitador do “mau cidadão”?
Se imperar, a lógica da revista será muito conveniente para aqueles policiais presos por associação ao crime.
Tudo o que terão de dizer, diante do juiz: “Ajudei a quadrilha de assaltantes de bancos, sim, doutor, matando e prendendo os inimigos deles. Mas foi para evitar um mal maior, meritíssimo: uma quadrilha que era muito mais bandida”.
À CPI, pois.
Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/humor/investigar-cachoeira-um-atentado-a-liberdade-de-expressao.html