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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Teresópolis ainda tem mais de 230 desabrigados por causa da chuva

12.04.2012
Da Agência Brasil, 11.04.12
Por Cristiane Ribeiro

Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - Pelo menos 232 pessoas continuam desabrigadas em Teresópolis, na região serrana do estado, por causa do temporal que atingiu o município na última sexta-feira (6). Em boletim divulgado na manhã de hoje (11), a prefeitura informa que as vistorias técnicas em imóveis em áreas de risco continuam e que, das 641 casas avaliadas, 509 foram interditadas. A forte chuva que caiu no município provocou deslizamentos de encostas e desabamentos de casas, deixando cinco mortos e 24 feridos.
Nos bairros Pimentel, Rosário, Santa Cecília, Bom Retiro e Prata, 26 casas foram destruídas. Segundo a prefeitura, as famílias desabrigadas foram levadas para escolas públicas que funcionam como pontos de apoio e lá estão recebendo roupas e alimentos. Os alunos dessas unidades e de outras que ficaram danificadas pelo temporal estão tendo aulas em escolas próximas.
Ontem (10), em ato publicado no Diário Oficial do município, a prefeitura decretou situação de emergência por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado por até 180 dias. O decreto autoriza a prefeitura a fazer contratações, sem licitações, para socorrer os desabrigados e recuperar as áreas atingidas, por meio de ações como a aquisição de veículos, máquinas e equipamentos, e o recrutamento de pessoal para a compra de alimentos, medicamentos, vacinas, roupas e materiais de construção.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o tempo na região está parcialmente nublado, com possibilidade de chuva isolada. Equipes da Defesa Civil de Teresópolis permanecerem em atenção.
Edição: Juliana Andrade

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CONVERSA AFIADA: Globo instala CPI para salvar tucano

12.04.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 11.04.12
Por Paulo Henrique Amorim



Como previsto, o jornal nacional do Ali Kamel desta quarta feira não aceitou a sugestão do Cloaca.


O jornal nacional do Ali Kamel continuou a honrar aquela frase inesquecível do Caetano (quando ele ainda não era do Globo): assisto ao jornal nacional não para saber o que aconteceu, mas para saber o que o jornal nacional quer que eu ache que aconteceu.

Antes que se instale a CPI em que vai voar pena de tucano para todo lado, o Ali Kamel montou um jornal nacional em que tenta crucificar o inclito delegado Protógenes Queiroz, aquele que ousou reunir as assinaturas necessárias para criar a CPI do Demóstenes e a da Privataria (que vem por aí).

Clique aqui para ler “Estadão tenta desqualificar a Satiagraha”.

Porque é disso que se trata: salvar a pele dos Privatas Tucanos, heróis do Amaury.

Clique aqui para votar na trepidante enquete” o que a CPI do Ali Kamel vai provar”?

Depois, um trepidante repórter de Brasília demonstra que toda a corrupção do Carlinhos Cachoeira, do Demóstenes, da Privataria, do Al Capone, do Ali Babá e de Cayman se instalou num Governo petista de Brasilia.

O Ali Kamel vai tentar.

É provável que consiga instalar a CPI dele antes da CPI do Demóstenes.

E é provavel que no PiG (*), na Abert (ela vai defender o Robert(o) Civita ?) e na ANJ consiga as assinaturas nessárias.

Mas, não tem importância.

Como diria o Cala a Boca Galvão, depois do empate da Holanda: a coisa já esteve melhor para a Globo.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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ERNANI DE PAULA(ex-DEM): "Eu existo, Merval"

12.04.2012
Do blog ESQUERDOPATA, 11.04.12




Ontem à noite, quando assistia à Globonews, o empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, quase caiu da cadeira quando ouviu o comentário do jornalista (?) Merval Pereira, que denunciava à editora de política Renata Lo Prete uma possível ficção criada pelo PT para melar o processo do mensalão. Segundo Merval, “inventaram” um certo Ernani de Paula para tumultuar o caso. Através do 247, Ernani mandou um recado ao comentarista da Globo. “Merval, eu existo”, disse ele. “Fui testemunha ocular da história e conheci de perto todos os personagens”.


Ernani, de fato, conhece de perto a realidade de goiana. Foi prefeito de Anápolis, cidade natal de Carlos Cachoeira, e conviveu com o contraventor. Mais: sua ex-mulher, Sandra Melon, foi suplente de Demóstenes Torres na sua primeira eleição para o Senado, em 2002. “Eu o ajudei muito e os votos de Anápolis foram cruciais para ele”, diz Ernani. Em 2004, um ano após a posse de Lula, havia um projeto de poder, que envolvia Demóstenes, o governador Marconi Perillo e o bicheiro Carlos Cachoeira. Demóstenes migraria do DEM para o PMDB e seria Secretário Nacional de Justiça. Assim, Sandra Melon, ex-mulher de Ernani se tornaria senadora. “É por isso que eu sabia de tudo que se passava na política goiana”.

Ernani era uma testemunha tão próxima do que ocorria naquelas bandas que chegou até a figurar na famosa fita em que Waldomiro Diniz, ex-secretário da Casa Civil, é filmado pedindo propina a Carlos Cachoeira. “Antes da conversa filmada com o Waldomiro, o Cachoeira atende um telefonema, meu, e tenta me convencer a trabalhar para o PT. Em seguida, ele desliga, me xinga e diz que eu era pior do que o Waldomiro. Ou seja: ali fica claro que ele tinha a intenção de filmá-lo para comprometê-lo. Isso está na fita, que inclusive a Globo tem. O Cachoeira tinha uma estratégia padrão. Ele atraía as pessoas para o seu big brother, prometia dinheiro e acabava comprometendo um monte de gente.”

A denúncia do mensalão

Com a fita de Waldomiro Diniz, Cachoeira pretendia constranger o governo a fazer do senador Demóstenes secretário Nacional de Justiça. “E a pressão quase surtiu efeito. No início do governo Lula, foi feita sim uma comissão de estudos para legalizar o jogo no Brasil e federalizar o que já era permitido em Goiás”, diz Ernani de Paula. Só que, como o plano não surtiu efeito, Cachoeira partiu para uma segunda denúncia. E foi assim, segundo Ernani de Paula, que nasceu a fita de Maurício Marinho, apadrinhado de Roberto Jefferson, recebendo uma propina de R$ 3 mil nos Correios. Ela foi filmada pelo araponga Jairo Martins, que a repassou à revista Veja. E foi assim que se desencadeou o maior escândalo política da história recente no Brasil. “Isso não quer dizer que o esquema do Marcos Valério não existiu”, diz ele. “O Marcos Valério existe, a Fernanda Karina existe, o Merval existe e eu também existo”, diz Ernani de Paula, que oferece ao articulista da Globonews seu email (ernanidepaula@uol.com.br) e seu telefone (011-89555671).
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RENATO ROVAI: Dez anos depois: a Venezuela e o golpe midiático que o povo derrotou

12.04.2012
Do BLOG DO ROVAI, 11.04.12
Por Renato Rovai


O 11 de abril de 2002, dia do golpe contra Chávez que hoje faz 10 anos, aconteceu numa quinta-feira. No dia 8, Carolina, minha filha, tinha feito 11 anos. No sábado, 13, haveria festa dela em casa. Foram longos aqueles dias e noites que antecederam aquele sábado.
Desde quinta eu praticamente não dormia porque acompanhava a história da queda de Chávez pela internet. E no sábado já tinha convicções e versões diferentes das que as TVs, rádios, jornais, e revistas daqui anunciavam.
Antes de voltar ao aniversário de Carolina, um parêntese para falar da mídia brazuca.
Na sexta, 12, o Jornal Nacional dedicou mais da metade de sua edição para tratar da manifestação pacífica que havia derrubado o ditador. O altamente qualificado em política internacional,  Arnaldo Jabor, segurando uma banana, fez o comentário da noite.
“Eu ia dizer que a América Latina estava se “rebananizando” com o Hugo Chávez no seu delírio fidelista, com a Colômbia, misturando guerrilha e pó, abrindo a Amazônia para ações militares e com a Argentina legitimando o preconceito de que latino que não consegue se organizar”
(…)
Por isso acho boa a notícia da queda de Chávez. Acordamos mais fortes hoje e eu já posso “desbananizar” a América Latina. Para termos respeito da América (atentem para esse detalhe, respeito da América, ou seja, dos EUA…) temos de ser democráticos. Tendo moral pra dizer não.”
Mas não foi só Jabor que saiu em defesa do golpe. Boris Casoy quase “bateu” no então senador José Alencar, por ele ter dito que o que ocorrera na Venezuela fora um golpe militar.
Veja deu capa anunciando “a queda do presidente fanfarrão”. Época colocou Chávez  numa foto junto com ex-presidentes golpistas como Fujimori.
A mídia brasileira fez parte do golpe contra Chávez.
Digo isso sem a menor sombra de dúvida depois de dez anos.
Voltando a festa de 11 anos de Carolina, quando contava aos amigos e principalmente a alguns familiares o que de fato ocorrera no país vizinho, ouvi do Nilo Rovai, um tio que já partiu, a seguinte frase: “Então por que você não vai para lá? Você é jovem, deveria ir atrás dessa história”.
A festa acabou, entrei no computador e comprei a passagem para Caracas. No dia seguinte estava embarcando. Com o fotógrafo Satoru Takaesu, cheguei quando o povo já comemorava a reviravolta. E tivemos o “prazer” de entrevista o golpista Pedro Carmona em sua prisão domiciliar.
Essa história acabou sendo base da minha dissertação de mestrado e posteriormente o livro Midiático Poder, o Caso Venezuela e a Guerrilha Informativa, que o amigo pode adquirir aqui.
A história do livro é a história da mídia comercial tradicional daqui, de lá e um pouco dos EUA, que liderou todo esse processo. De uma mídia que articulou, patrocinou e tentou dar o golpe num governo legitimamente eleito.
Dez anos depois, tenho críticas ao processo venezuelano. Acho-o muito centralizado na figura do presidente. E temo por isso. Mas não posso deixar de comemorar as muitas conquistas daquele povo. E celebrar 10 anos de um golpe enterrado pelo povo. Onde a mídia golpista foi a grande derrotada.

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Próceres da Veja querem apressar o MENSALÃO

12.04.2012
Do blog ONIPRESENTE, 10.04.12

O Objetivo é jogar cortina de fumaça na "cachoeira" de escândalos na qual se viram metidos.

Gilmar Mendes quer que STF priorize mensalão

Ministro lembra que trocas na corte e eleições municipais prejudicarão o calendário no segundo semestre, o que pode atrasar julgamento

Mendes reconhece que pressão pelo julgamento é grande e sugere suspender pauta do STF
Mendes reconhece que pressão pelo julgamento é grande e sugere suspender pauta do STF (Nelson Jr/SCO/STF)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, defendeu nesta terça-feira que a corte inicie o julgamento do mensalão ainda no primeiro semestre deste ano, para evitar o risco de prescrição de penas. "Se se quiser votar até este ano, tem que ser no primeiro semestre", disse ele, na Câmara dos Deputados.

Mendes reconheceu que a pressão pelo julgamento é "muito grande" e sugeriu que, para agilizar a apreciação do tema, a pauta do Supremo seja suspensa. Ele admitiu também que o STF já está atrasado: "De certa forma, sim. Precisa haver algum cuidado, mas tudo depende do relator (Joaquim Barbosa) e do revisor (Ricardo Lewandowski), que está preocupado com o Tribunal Superior Eleitoral", disse Mendes. Revisor do caso do mensalão, Ricardo Lewandowski está perto de deixar o comando do TSE. Será sucedido pela ministra Cármen Lúcia.

Segurança - O ministro Ayres Britto, que também esteve no Congresso nesta terça, reforçou o coro de Gilmar Mendes: "Como é ano eleitoral e há o risco de prescrição de algumas imputações, o conveniente seria apressar o julgamento sem perda da segurança", defendeu o ministro, que disse confiar no trabalho de Lewandowski.

A preocupação dos ministros se dá porque a corte perderá dois ministros neste ano: Cezar Peluso e o próprio Ayres Britto, que deixarão a corte no segundo semestre por causa da idade-limite de 70 anos. Essas lacunas, somadas à influência das eleições municipais de 2012, podem prejudicar o andamento do processo. A existência de 38 réus também obrigaria a corte a realizar ao menos 38 sessões da corte, que normalmente se reúne duas vezes por semana. Uma das soluções seria convocar sessões extraordinárias para apressar a tramitação do processo.

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O que tira camelô da rua é progresso, não o “rapa”

12.04.2012
Do blog TIJOLAÇO, 10.04.12
Por Brizola Neto

O jornal Valor Econômico publica hoje uma pesquisa que deveria estar na cabeça dos governantes que acham que o comércio ambulante se combate apenas com fiscalização e repressão, o famoso “rapa”.

Feita pelo Diiese, ela mostra que em três anos – de 2009 a 2011 – o número de pessoas ganhando a vida assim em São Paulo  se reduziu em 25%: 41 mil camelôs a menos.
Pessoas como  Jéssica Karina Rodrigues, 21 anos, que perdera o emprego e foi para o comércio ambulante.
Se o caso fosse apenas de polícia, sem poder trabalhar no centro, Jéssica teria ido para um centrinho de bairro ou mesmo para a periferia, onde o policiamento é menor. Mas, agora, há emprego, e foi isso que a tirou da rua:
- Entrei na loja e falei que já tinha experiência em vendas. A gerente me contratou na hora – e com carteira assinada.
O número de nordestinos entre os camelôs de São Paulo também baixou: de 41 para 32%, nos mesmos três anos. E segundo Alexandre loloian, coordenador do Dieese para a pesquisa, isso acontece porque muitos estão voltando para seus estados de origem, porque passou a haver oferta de emprego por lá.
Uma boa lição de como o progresso econômico com um mínimo de justiça social é muito mais eficiente para defender a tal “ordem urbana” que se quer acreditar ser possível á base do cassetete e dos programas de “limpeza étnica” que anda nas cabeças de parte da nossa elite.
Camelô sempre haverá, aqui e em toda parte do mundo. Eles são parte de nossa cultura e do desejo de muitos de comerciar, mascatear sem vínculo com empresas. Há espaço para todos e a repressão indiscriminada não ajuda nem mesmo o próprio comércio legalmente estabelecido nas áreas populares. Maria Denise Lima, gerente de uma loja de bijouterias na famosa 25 de março, o maior shopping popular de São Paulo, até lamenta a repressão excessiva aos ambulantes:
- Depois que a polícia começou a expulsar os camelôs, as vendas caíram pela metade. Se eles voltassem, acho que recuperaríamos o movimento.

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Capital mundial do estupro: na África do Sul, uma mulher é violentada a cada 27 segundos

12.04.2012
Do portal OPERA MUNDI, 08.04.12
Por Gleyma Lima e Polyanna Rocha | Cidade do Cabo


No país da última Copa do Mundo, uma menina tem mais chances de ser estuprada do que aprender a ler; Aids é epidemia nacional

Women For Women International
Questão cultural: 62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a fazer sexo não é um ato de violência

A cada 27 segundos uma mulher é abusada sexualmente na África do Sul. Uma em cada três sul-africanas será violentada pelo menos uma vez na vida. Um em cada três sul-africanos irá estuprar uma mulher. Estes dados são da Rape Crisis, uma organização sem fins lucrativos (ONG) que combate a violência contra a mulher, localizada na Cidade do Cabo.  A associação ainda aponta que, na maioria do casos, a violência sexual é realizada por um homem que participa do cotidiano da vítima.
Este é o caso da Eliane, 30 anos. “Conheci o meu primeiro namorado numa casa de dança, foi amor à primeira vista. Cerca de oito meses depois que nos casamos ele começou a usar drogas, beber e consequentemente a me tratar mal”. Ela conta que a violência aumentou gradativamente.  “Um dia ele  levou uma prostituta para casa. Eles deitaram na minha cama para ter relações sexuais e fui obrigada a participar de tudo.  Depois, ele me esfaqueou e me disse que tinha de fazer isso porque era inferior. E assim continuou por muitas noites. Hoje estamos separados".
A África do Sul é a capital do estupro no mundo. Uma menina nascida no país tem mais chances de ser estuprada do que aprender a ler. Um quarto delas é abusada sexualmente antes de completar 16 anos. Este problema tem muitas raízes, segundo a Rape Crisis: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a fazer sexo não é um ato de violência), pobreza, desemprego, homens marginalizados, indiferença da comunidade, e mais do que tudo, a impunidade:  os poucos casos que são denunciados às autoridades se perdem no descaso da polícia e acabam impunes. Nos últimos 10 anos, de 25 homens acusados de estupro no país, 24 saem livres de punição, segundo os levantamentos da entidade.
De acordo com Marieta de Vos, diretora-executiva da Mosaic Training, Service and Healing Centre for Woman, uma organização que fornece suporte às vítimas de violência doméstica e estupro, a África do Sul registra 50 mil estupros por ano e as ONG’s existentes na Cidade do Cabo protegem atualmente cerca de 25 mil pessoas, desde bebês, passando por adolescentes até idosas.
O trabalho de organizações não-governamentais é fundamental para se ter uma noção do tamanho da crise de estupros na África do Sul. Procurado pela reportagem, o órgão do governo responsável pelo tema alegou não ter dados atualizados sobre violência sexual. Segundo as estatísticas da polícia de 2007, os incidentes de estupro notificados decresceram 4,2 pontos percentuais nos seis anos anteriores. No entanto, em um ano foram registrados 52.617 estupros. Também foram registrados 9.327 casos de "atentado ao pudor" - incluindo violação anal e outros tipos de ataque sexual que não se enquadravam na definição de estupro. Em dezembro, novas estatísticas criminais referentes ao período de abril a setembro de 2007 incluíam o registro de 22.887 estupros.
Barreira cultural
Ida Jacobs, 37 anos é colaboradora da associação Labour Rights Programme Officer - Women on Farms Project, uma ONG que protege mulheres que sofrem qualquer tipo de abuso nas fazendas da África do Sul. Ela também foi vitima de violência doméstica e estupro, que muitas vezes estão relacionados.  Ela conta que várias mulheres não denunciam os agressores porque geralmente existe uma dependência emocional e financeira e também por conta da  falta de aceitação da família em relação ao divórcio.
Thassio Borges

“Conheci meu marido aos 17 anos e durante o namoro ele era perfeito, mas depois do casamento começou a falar alto, mas minha mãe me dizia que isso era normal, pois ele era homem e eu precisava obedecer. Até que ele começou a me bater e me obrigar a ter relações sexuais com ele. Depois de tudo ele me pedia desculpas e dizia que iria mudar, mas as cenas se repetiam. Meu corpo é todo marcado”. Ida conta ainda que após 13 casados ela pediu o divórcio, porém, não foi fácil, pois não tinha emprego, casa e muito menos apoio da família. Para superar tudo isso, ela contou com a ajuda da entidade Women on Farms.
“Há sete anos estou divorciada e sem contato com minha família, mas consegui refazer a minha vida. Hoje tenho casa, carro, trabalho e, por meio dele, oriento outras mulheres a saírem dessa condição miserável”. Mas, afirma que o abuso está cada vez pior no país, pois, infelizmente, o machismo ainda supera as leis. “A situação das mulheres que trabalham nas fazendas na África do Sul é muito parecida com a maneira com que viviam os escravos antigamente. Essas mulheres sofrem diariamente abusos físicos, psicológicos e sexuais e quando reclamam para o dono da fazenda ele diz que a fazenda não tem nada a ver com isso”,  explica.
Segundo outra entidade sem fins lucrativos chamada Reach,  as mulheres brancas que são vítimas de estupro também têm mais dificuldade em efetuar a denúncia. “Elas acreditam que isso só acontece com as negras e se sentem envergonhadas. No caso de violência doméstica o pensamento é o mesmo”, disse a presidente da entidade, Claudia Lopes.
Ela ainda comenta que, recentemente na África do Sul,  uma mulher tentou se separar do marido,  após ter sofrido violência doméstica e sexual, porém, ele não aceitou e a chamou para conversar. “Neste dia, ele levou mais alguns colegas para violentar sexualmente a mulher na frente dele e depois chamou o filho para ver também. O marido ainda introduziu uma chave de fenda na vagina da esposa, após tudo isso ele matou a esposa e o filho”, conta Claudia.
Já Sharon Kouta, diretora do UNODC VEP (United Nations Office on Drugs and Crime Victim Empowerment Programme, na sigla em inglês) - um programa do governo em parceria com a ONU para o fortalecimento dos Direitos Humanos, na província oeste da Cidade do Cabo, afirma que a razão do estupro é cultural. “As pessoas costumam dizer que a razão do estupro é droga ou álcool, mas na realidade não importa a condicão social, econômica, cor da pele, o problema é a cultura, o estupro é uma mecanismo usado para controlar e manipular”, revela.
Presidente acusado
O atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, foi acusado em 2005 (na época ele era vice-presidente de Thabo Mbeki) pela corte suprema, em Johanesburgo, de estuprar uma mulher de 31 anos, amiga da família. Zuma alegou, durante o julgamento em 2006, que praticou sexo com a mulher, mas de forma consensual. Além disso, ele sabia que a vítima era portadora do vírus HIV e não usou nenhum tipo de proteção. Zuma declarou também que tomou banho depois da relação sexual para evitar a contaminação. O caso chocou também ativistas da AIDS, que desenvolvem um árduo trabalho educativo e de prevencão no país, e ainda mais porque sua esposa é médica e era Ministra da Saúde. Entretanto, Zuma foi absolvido do caso.
A representante do setor Acting Head, do Departamento de Desenvolvimento Social da província oeste da Cidade do Cabo, Sharon Follentine, descreve como a violência contra a mulher é difícil de ser combatida quando a vítima passa também a acreditar que o estupro é natural e, por isso, não busca auxílio ou demora muito tempo, quando já há traumas profundos.
 “A vítima, após danos psicológicos e emocionais, passa a acreditar que tudo isso acontece porque é destino ou porque ela fez algo errado. Ela começa a internalizar que seus pais estavam sempre discutindo, ele sempre tinha argumentos para bater na sua mãe ou estuprá-la e a vítima começa a transmitir esse pensamento para os filhos. Se por acaso os filhos vivenciarem a mesma situação da mãe ou avó começarão a achar tudo natural e o ciclo se repetirá”, comenta Follentine, que aposta nos programas educacionais e informativos em comunidades com maior índice de violência doméstica e estupro para combater as práticas.
A ONG Philisa Abafazi Bethu, que atua com a prevenção dos abusos sexuais por meio de orientação nas escolas, igrejas das periferias e favelas, concorda que a mulher precisa de mais informação e saber que existem outros meios de recomeçar a vida. “Nosso foco é mostrar para as mulheres e crianças vítimas de abuso sexual e violência doméstica que isso é errado.  Elas, na maioria das vezes, nem sabem que isso não é correto, apenas tem noção que é ruim. Depois que reconhecem que o estupro é crime, a dificuldade das mães é sair de casa com filhos, aprender inglês porque muitas vezes falam outros dialetos, buscar uma casa,  ofício e isso demora, mas é possível”, acrescenta Mabel Martn, representante da entidade.
Meta
Segundo dados mais otimistas da entidade All Africa House, ligada à Universidade de Cidade do Cabo, a África do Sul espera acabar com a violência contra a mulher em 2015 por meio de programas sociais que o país desenvolve no momento. Entretanto, a representante da entidade Reach acredita que a situação ainda deve piorar.  “Os incidentes vão ficar mais graves. Temos um grande número de drogas e álcool relacionados com estupro”, explica Claudia.
Thassio Borges

Quem concorda com Claudia é a professora da Universidade da Cidade do Cabo, Lilian Artz. “Hoje é muito complicado transformar esta meta em realidade, principalmente, quando nos deparamos com a falta dos equipamentos ou procedimentos mais simples nos hospitais públicos da África do Sul. Atualmente, a vítima de estupro espera mais de horas para fazer o exame pericial e comprovar a violência. Após isso, muitas vezes ela sai do hospital sem o kit com a medicação para prevencão do HIV”, detalha.
Ela ainda conta que quatro mulheres são assasssinadas todos os dias na África do Sul vítimas de algum tipo de violência. “O governo possui metas, porém, não propõe soluções suficientes para amenizar o problema que cresce na mesma medida que aumenta o número de mulheres que contraem HIV/AIDS nestes casos”, acrescenta.
As sul-africanas vítimas de violência doméstica e estupro contam com órgãos públicos de proteção, Comissão de Direitos Humanos,  outra comissão que promove a igualdade entre sexos e até mesmo várias organizações sem fins lucrativos existentes no país. É comum encontrar anúncios, folhetos  e campanhas em lugares públicos ou em comerciais na televisão, rádio que reforçam o compromisso das entidades em oferecer o suporte necessário.
A lei que combate a violência doméstica e estupro existe na África do Sul desde 1998, mas a dificuldade das vítimas consiste na junção de provas e dados necessários para incriminar o agressor. De acordo com o Departamento de Polícia sul-africano, a mulher precisa, no caso de estupro, realizar o exame de DNA entre quatro e seis horas após o incidente, manter as roupas e não tomar banho, preservar a cena do crime com o maior número de detalhes possíveis, passar por um exame médico pericial, fazer uma denúncia na polícia para fornecer o máximo de informações. Existe um banco de dados de DNA, mas a polícia só consegue provas quando há quantidade suficiente de material genético (sangue, esperma e saliva, por exemplo) para análise após o estupro.
“Pela lei o estupro é considerado um ato grave e quem comete pode ficar preso até 20 anos, mas na prática isso raramente acontece e tudo aqui vira papel arquivado na gaveta”, lamenta Claudia Lopes.

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