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quinta-feira, 5 de abril de 2012

A mídia, o jornalismo brasiliense e o caso Cachoeira

05.04.2012
Do blog TUDO EM CIMA
Por Luis Nassif, em seu blog

Vai ser uma oportunidade única de desvencilhar a imagem da mídia brasileira do esquema que foi montado por Roberto Civita, em parceria com o crime organizado.




Aparentemente rompeu-se o longo pacto político de 2005, dos grandes grupos de mídia.


Conforme adiantei na série "O caso de Veja", a revista escondeu-se no macartismo mais primário para montar suas jogadas. Cada loucura da revista, por mais inverossímil que fosse, era repercutida pelos demais jornais e pelo Jornal Nacional, porque havia um objetivo maior, de derrubar o governo. Esse pacto espúrio acabou conferindo à Veja um poder quase ilimitado.

E aí se entra no papel de personagens públicos. Na era do espetáculo, há personagens midiáticos, fabricados e que ganham visibilidade à custa de doses maciças de divulgação.

No período mais escabroso do jornalismo brasileiro, o pacto midiático tentou transformar figuras menores do jornalismo da Veja em personalidades com enorme visibilidade, exclusivamente para conferir-lhes maior poder de fogo no fuzilamento de reputações dos que ousassem denunciar os métodos criminosos da revista. Depois de usados, voltaram ao esgoto.

E como foi fácil esse aliciamento da mídia, valendo-se da transição no comando dos três principais grupos jornalísticos! De nada adiantaram alertas sobre a fria em que estavam entrando. O despreparo os fazia acreditar que se estava ingressando em uma nova fase do jornalismo, em que se aboliam totalmente as divisórias entre o fato e a ficção, ignorava-se a lei, os poderes constituídos, envolvia-se o Supremo nas suas manipulações, tentava se desacreditar a Polícia Federal, como se pairassem acima das instituições.

Agora, a ficha começa a cair. Apesar das enormes pressões sofridas, o Correio Braziliense rompeu o pacto de silêncio em torno de Demóstenes. O Globo, finalmente, começa a dar espaço para seus jornalistas entrarem no tema.

Vai ser uma oportunidade única de desvencilhar a imagem da mídia brasileira do esquema que foi montado por Roberto Civita, em parceria com o crime organizado.
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MAURÍCIO RANDS: Otimismo e planos para governar o Recife


05.04.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO,04.04.12
Por Cláudia Elói

Rands foi recebido porGuilherme Machado (E), vice-presidente dos Diários Associados. Imagem: BERNARDO DANTAS/DP/D.A PRESS
Otimista quanto ao resultado das prévias que disputará com o prefeito do Recife, João da Costa (PT), no próximo mês, o secretário estadual de Governo, Maurício Rands (PT), já pensa em voos maiores e faz planos para comandar a cidade, caso seja eleito em outubro. Ele já pensa, inclusive, em chamar integrantes que atuam na atual gestão para trabalhar em seu futuro governo. “Os quadros que tiverem experiência poderão participar de nossa gestão. Não se trata de um divórcio”, garantiu o petista ontem, em visita ao vice-presidente executivo dos Diários Associados do Nordeste, Guilherme Machado. 

O secretário afirmou que terá atenção redobrada com a questão da mobilidade urbana e que vai procurar os melhores especialistas em trânsito, até no exterior se for preciso. “Não sou contra ninguém, mas a favor da cidade. Nada é estático. É preciso acelerar”, destacou. Falando como um dos pré-candidatos do PT, Rands voltou a dizer que vai atualizar o “modo petista de governar”. 

Ele reconheceu avanços na gestão de João da Costa, mas não deixou de apresentar um olhar crítico para o que considerou ato falho do correligionário quando o assunto é agregar forças. “Vamos reconstruir as relações no partido e na Frente Popular, participar da concepção e não apenas da execução com ocupação apenas de cargos”, condenou. 

Procurando amenizar o confronto direto com o prefeito, Rands disse que era preciso deixar claro que não está lançando uma candidatura contra João da Costa, mas a favor do projeto popular do PT. “Se eu perder a prévia, não terei problema algum em apoiá-lo e vice-versa. Não me lancei candidato, mas convidado a participar da disputa, já que o prefeito não estava reunindo as condições necessárias para se recandidatar”, justificou.

Em sua avaliação, a realização de prévia não é algo de outro mundo como alguns integrantes da legenda tentam passar. “Prévia não é bicho de sete cabeças e não terá o desgaste que estão dizendo. Já foi realizada em vários lugares neste ano, como Aracaju (SE), Niterói (RJ) e Belém, do Pará”, afirmou Rands. De acordo com ele, o momento agora é de preparar o diálogo para os 30 mil filiados. 

Rands ainda tem esperança de contar com o apoio do ex-prefeito João Paulo (PT) na disputa interna do partido. “Se João Paulo vier nos apoiar teremos o apoio do político mais popular do Recife. Se ele lançar candidatura, de qualquer forma terá um diálogo com a minha”, garantiu. (Cláudia Eloi) 
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Fonte:05.04.2012
Do
Por

Otimista quanto ao resultado das prévias que disputará com o prefeito do Recife, João da Costa (PT), no próximo mês, o secretário estadual de Governo, Maurício Rands (PT), já pensa em voos maiores e faz planos para comandar a cidade, caso seja eleito em outubro. Ele já pensa, inclusive, em chamar integrantes que atuam na atual gestão para trabalhar em seu futuro governo. “Os quadros que tiverem experiência poderão participar de nossa gestão. Não se trata de um divórcio”, garantiu o petista ontem, em visita ao vice-presidente executivo dos Diários Associados do Nordeste, Guilherme Machado. 

O secretário afirmou que terá atenção redobrada com a questão da mobilidade urbana e que vai procurar os melhores especialistas em trânsito, até no exterior se for preciso. “Não sou contra ninguém, mas a favor da cidade. Nada é estático. É preciso acelerar”, destacou. Falando como um dos pré-candidatos do PT, Rands voltou a dizer que vai atualizar o “modo petista de governar”. 

Ele reconheceu avanços na gestão de João da Costa, mas não deixou de apresentar um olhar crítico para o que considerou ato falho do correligionário quando o assunto é agregar forças. “Vamos reconstruir as relações no partido e na Frente Popular, participar da concepção e não apenas da execução com ocupação apenas de cargos”, condenou. 

Procurando amenizar o confronto direto com o prefeito, Rands disse que era preciso deixar claro que não está lançando uma candidatura contra João da Costa, mas a favor do projeto popular do PT. “Se eu perder a prévia, não terei problema algum em apoiá-lo e vice-versa. Não me lancei candidato, mas convidado a participar da disputa, já que o prefeito não estava reunindo as condições necessárias para se recandidatar”, justificou.

Em sua avaliação, a realização de prévia não é algo de outro mundo como alguns integrantes da legenda tentam passar. “Prévia não é bicho de sete cabeças e não terá o desgaste que estão dizendo. Já foi realizada em vários lugares neste ano, como Aracaju (SE), Niterói (RJ) e Belém, do Pará”, afirmou Rands. De acordo com ele, o momento agora é de preparar o diálogo para os 30 mil filiados. 

Rands ainda tem esperança de contar com o apoio do ex-prefeito João Paulo (PT) na disputa interna do partido. “Se João Paulo vier nos apoiar teremos o apoio do político mais popular do Recife. Se ele lançar candidatura, de qualquer forma terá um diálogo com a minha”, garantiu. (Cláudia Eloi) 
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Fonte:05.04.2012
Do
Por

Otimista quanto ao resultado das prévias que disputará com o prefeito do Recife, João da Costa (PT), no próximo mês, o secretário estadual de Governo, Maurício Rands (PT), já pensa em voos maiores e faz planos para comandar a cidade, caso seja eleito em outubro. Ele já pensa, inclusive, em chamar integrantes que atuam na atual gestão para trabalhar em seu futuro governo. “Os quadros que tiverem experiência poderão participar de nossa gestão. Não se trata de um divórcio”, garantiu o petista ontem, em visita ao vice-presidente executivo dos Diários Associados do Nordeste, Guilherme Machado. 

O secretário afirmou que terá atenção redobrada com a questão da mobilidade urbana e que vai procurar os melhores especialistas em trânsito, até no exterior se for preciso. “Não sou contra ninguém, mas a favor da cidade. Nada é estático. É preciso acelerar”, destacou. Falando como um dos pré-candidatos do PT, Rands voltou a dizer que vai atualizar o “modo petista de governar”. 

Ele reconheceu avanços na gestão de João da Costa, mas não deixou de apresentar um olhar crítico para o que considerou ato falho do correligionário quando o assunto é agregar forças. “Vamos reconstruir as relações no partido e na Frente Popular, participar da concepção e não apenas da execução com ocupação apenas de cargos”, condenou. 

Procurando amenizar o confronto direto com o prefeito, Rands disse que era preciso deixar claro que não está lançando uma candidatura contra João da Costa, mas a favor do projeto popular do PT. “Se eu perder a prévia, não terei problema algum em apoiá-lo e vice-versa. Não me lancei candidato, mas convidado a participar da disputa, já que o prefeito não estava reunindo as condições necessárias para se recandidatar”, justificou.

Em sua avaliação, a realização de prévia não é algo de outro mundo como alguns integrantes da legenda tentam passar. “Prévia não é bicho de sete cabeças e não terá o desgaste que estão dizendo. Já foi realizada em vários lugares neste ano, como Aracaju (SE), Niterói (RJ) e Belém, do Pará”, afirmou Rands. De acordo com ele, o momento agora é de preparar o diálogo para os 30 mil filiados. 

Rands ainda tem esperança de contar com o apoio do ex-prefeito João Paulo (PT) na disputa interna do partido. “Se João Paulo vier nos apoiar teremos o apoio do político mais popular do Recife. Se ele lançar candidatura, de qualquer forma terá um diálogo com a minha”, garantiu. (Cláudia Eloi) 
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Espanhol é barrado em aeroporto de Brasília


05.04.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO,04.04.12
Por Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR 
Reciprocidade
    
Um médico espanhol foi repatriado nesta terça-feira após tentar ingressar no Brasil pelo Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília. Segundo a Polícia Federal, ele viria à capital federal para participar de um curso em sua área, mas não atendia alguns requisitos para a entrada no país. O espanhol embarcou em um voo da companhia portuguesa TAP, em Madri, e aterrissou em Brasília por volta das 6h da manhã de ontem. No início da tarde, o médico foi enviado de volta à Espanha, também em um voo da TAP.

A repatriação foi o primeiro episódio derivado do endurecimento das regras de ingresso no Brasil para turistas espanhóis. Desde o início deste mês, o governo brasileiro passou a adotar a reciprocidade de critérios para a entrada no país, uma decisão que, segundo o Ministério das Relações Exteriores, é baseada no chamado “princípio diplomático da reciprocidade”.

Por meio da assessoria de imprensa, o Itamaraty afirmou que já era esperado que, em algum momento, uma repatriação viesse a ocorrer devido às novas regras que passaram a valer. Desde a última segunda-feira, passaram a ser exigidos dos espanhóis que vêm ao Brasil passaporte válido por no mínimo seis meses, passagem de volta com data marcada e comprovantes de hospedagem, além de no mínimo R$ 170 por dia para gastos no Brasil.

A medida vinha sendo discutida devido ao alto número de turistas brasileiros barrados em aeroportos da Espanha. Em 2010, mais de 1,5 mil brasileiros foram impedidos de entrar no país ibérico sob a alegação de que os documentos que portavam eram insuficientes para comprovar que a estadia seria legal. No ano passado, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, admitiu que as discussões com o governo espanhol, que já duravam quatro anos, não avançavam, pois a média de brasileiros barrados ainda era alta — cerca de 140 pessoas por mês. A avaliação do governo brasileiro é de que o Brasil não recebe o mesmo tratamento que países da América Latina pelo governo espanhol.

Na segunda-feira, primeiro dia em que passaram a valer as regras, o embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de la Cámara, afirmou que o governo de seu país quer negociar com as autoridades brasileiras um acordo para facilitar o acesso de jovens profissionais de seu país ao mercado de trabalho no Brasil. A diretora do Departamento de Comunidades Brasileiras do Ministério das Relações Exteriores, Luiza Lopes da Silva, afirmou que o Brasil estaria “aberto a voltar à estaca zero, como era antes”, referindo-se ao período em que era exigido apenas o passaporte do espanhol para entrar no Brasil.

Júnia Gama e Edson Luiz, do Correio Braziliense

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Jornalista critica bancada evangélica: proíbem bebidas, mas não a corrupção


04.04.2012
Do portal GOSPEL PRIME, 25.03.12

As atitudes dos parlamentares evangélicos voltam a gerar críticas entre os estudiosos políticos  

O colunista da revista Veja, Augusto Nunes, escreveu em seu blog uma critica à bancada evangélica, pois para ele o moralismo e conservadorismo só alcançam assuntos como kit anti-homofobia, aborto e a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a copa de 2014, sem atingir temas ligados a corrupção.

O texto foi escrito na quinta-feira (22) e se refere ao fato dos parlamentares evangélicos terem abortado a votação para a Lei da Copa, pois eles se opõem a venda de bebidas alcoólicas como pede a FIFA.

Além disso, a Frente Parlamentar Evangélica tem feito pressão para diversos assuntos como a legalização do aborto, tanto que quando Eleonora Menicucci assumiu a pasta de Secretaria de Políticas para Mulheres os deputados e senadores tentaram protestar e fazer com que a presidente Dilma demitisse a ministra recém-empossada.

“A extensa lista de pecados só não inclui os cometidos de meia em meia hora pelos congressistas associados ao poder central”, escreve. Augusto Nunes comenta também sobre a compra de votos e outras atitudes que acontecem em Brasília, coisas que “até Deus duvida”, pondera o jornalista.

Leia o texto na íntegra:

A bancada evangélica no Congresso não perde chance de mostrar que é muito mais temente a Deus que qualquer papa. No momento, com o ânimo beligerante de quem se alistou nas hostes do Senhor antes de deixar o berçário, senadores e deputados federais combatem o consumo de bebida alcoólica durante os jogos da Copa de 2014.

Simultaneamente, mantêm sob intenso bombardeio a legalização do aborto, os jogos de azar, os símbolos religiosos e outros sintomas de idolatria, os comerciais de cigarro, o kit gay, o casamento homossexual, o adultério, os decotes ousados e outras perfídias tramadas por Satanás.
A extensa lista de pecados só não inclui os cometidos de meia em meia hora pelos congressistas associados ao poder central.

O assalto aos cofres públicos, a corrupção institucionalizada e impune, a gula das quadrilhas federais, a compra e venda de votos, os contratos de aluguel, as coalizões cafajestes e outras delinquências de que até Deus duvida são contemplados pelos evangélicos governistas com a tolerância dos cúmplices por ação ou omissão. Não é por falta de tempo que jamais combateram a ladroagem. O que falta é vergonha.
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A origem: quem transformou Demóstenes Torres em autoridade ética?

04.04.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

O rumoroso caso é uma chance única de reavaliar o que foi a política brasileira na última década, e de como ela – venal, hipócrita e manipuladora – foi viabilizada por um estilo de cobertura política irresponsável

demóstenes corrupto DEM mídia
Charge: Pelicano
O rumoroso caso Demóstenes Torres (DEM-GO) não é apenas mais um caso de corrupção denunciado pelo Ministério Público. É uma chance única de reavaliar o que foi a política brasileira na última década, e de como ela – venal, hipócrita e manipuladora – foi viabilizada por um estilo de cobertura política irresponsável, manipuladora e, em alguns casos, venal. E hipócrita também.
Teoricamente, todos os jornais e jornalistas sabiam quem foram os arautos da moralidade por eles eleitos nos últimos anos: representantes da política tradicional, que fizeram suas carreiras políticas à base de dominação da política local, que ocuparam cargos de governos passados sem nenhuma honra, que construíram seus impérios políticos e suas riquezas pessoais com favores de Estado, que estabeleceram relações profícuas e férteis com setores do empresariado com interesses diretos em assuntos de governo.

Leia mais

Foram políticos com esse perfil os escolhidos pelos meios de comunicação para vigiar a lisura de governos. Botaram raposas no galinheiro.
Nesse período, algumas denúncias eram verdadeiras, outras, não. Mas os mecanismos de produção de sensos comuns foram acionados independentemente da realidade dos fatos. Demóstenes Torres, o amigo íntimo do bicheiro, tornou-se autoridade máxima em assuntos éticos. Produziu os escândalos que quis, divulgou-os com estardalhaço. Sem ir muito longe, basta lembrar a “denúncia” de grampo supostamente feita pelo Poder Executivo no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, então presidente da mais alta Corte do país. Era inverossímil: jamais alguém ouviu a escuta supostamente feita de uma conversa telefônica entre Demóstenes, o amigo do bicheiro, e Mendes, o amigo de Demóstenes.
Os meios de comunicação receberam a suposta transcrição de um grampo, onde Demóstenes elogia o amigo Mendes, e Mendes elogia o amigo Demóstenes, e ambos se auto-elegem os guardiões da moralidade contra um governo ditatorial e corrupto. Contando a história depois de tanto tempo, e depois de tantos escândalos Demóstenes correndo por baixo da ponte, parece piada. Mas os meios de comunicação engoliram a estória sem precisar de água. O show midiático produzido em torno do episódio transformou uma ridícula encenação em verdade.
A estratégia do show midiático é conhecida desde os primórdios da imprensa. Joga-se uma notícia de forma sensacionalista (já dizia isso Antonio Gramsci, no início do século passado, atribuindo essa prática a uma “ imprensa marrom”), que é alimentada durante o período seguinte com novos pequenos fatos que não dizem nada, mas tornam-se um show à parte; são escolhidos personagens e lhes é conferida a credibilidade de oráculos, e cada frase de um deles é apresentada como prova da venalidade alheia. No final de uma explosão de pânico como essa, o consumo de uma tapioca torna-se crime contra o Estado, e é colocado no mesmo nível do que uma licitação fraudulenta. A mentira torna-se verdade pela repetição. E a verdade é o segredo que Demóstenes – aquele que decide, com seus amigos, quem vai ser o alvo da vez – não revela.
Convenha-se que, nos últimos anos, no mínimo ficou confusa a medida de gravidade dos fatos; no outro limite, tornou-se duvidosa a veracidade das denúncias. A participação da mídia na construção e destruição de reputações foi imensa. Demóstenes não seria Demóstenes se não tivesse tanto espaço para divulgação de suas armações. Os jornais, tevês e revistas não teriam construído um Demóstenes se não tivessem caído em todas as armadilhas construídas por ele para destruir inimigos, favorecer amigos ou chantagear governos. Os interesses econômicos e ideológicos da mídia construíram relações de cumplicidade onde a última coisa que contou foi a verdade.
Ao final dos fatos, constata-se, ao longo de um mandato de oito anos, mais um ano do segundo mandato, uma sólida relação entre Demóstenes e a mídia que, com ou sem consciência dos profissionais de imprensa, conseguiu curvar um país inteiro aos interesses de uma quadrilha sediada em Goiás.
Interesses da máfia dos jogos transitaram por esse esquema de poder. E os interesses abarcavam os mais variados negócios que se possa fazer com governos, parlamentos e Justiça: aprovação de leis, regras de licitação, empregos públicos, acompanhamento de ações no Judiciário. Por conta de um interesse político da grande mídia, o Brasil tornou-se refém de Demóstenes, do bicheiro e dos amigos de ambos no poder.
Não foi a mídia que desmascarou Demóstenes: a investigação sobre ele acontece há um bom tempo no âmbito da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Nesse meio tempo, os meios de comunicação foram reféns de um desconhecido personagem de Goiás, que se tornou em pouco tempo o porta-voz da moralidade. A criatura depõe contra seus criadores.

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