quarta-feira, 28 de março de 2012

BLOG DA CIDADANIA: Cachoeira e o clube dos 15

28.03.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 26.03.12
Por Eduardo Guimarães

O bicheiro goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o “Carlinhos Cachoeira”, adquiriu da provedora de telefonia norte-americana Nextel 15 aparelhos, os quais cedeu a pessoas de sua confiança. Segundo as investigações da Operação Monte Carlo, levada a cabo pela Policia Federal, um policial corrupto dessa corporação orientou o bicheiro a habilitar os aparelhos nos Estados Unidos de forma a que ficassem imunes a grampos legais e ilegais.
Há três semanas, a Polícia Federal prendeu Cachoeira durante a Operação Monte Carlo, sob acusação de liderar uma quadrilha que operava máquinas caça-níqueis em Brasília e Goiás. E descobriu que, dentre os 15 telefones que ele distribuíra, um fora entregue ao líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), promotor de carreira que ficou conhecido por acusar seguidamente de corrupção o governo do PT, seus membros e aliados.
Em um primeiro momento, de jornalistas a políticos (do governo e da oposição) saíram em defesa do líder do DEM no Senado – que, até o momento, ainda ocupa o cargo, apesar das denúncias arrasadoras.
Logo após a revelação de que o bicheiro havia dado presentes caríssimos a Demóstenes, este subiu à tribuna do Senado para dar suas explicações, ao que 43 senadores o apartearam prestando solidariedade e apoio. Quatro adversários petistas – Eduardo Suplicy (SP), Paulo Paim (RS), Jorge Viana (AC) e Marta Suplicy (SP) – foram à tribuna defendê-lo.
Em seguida, jornalistas como Reinaldo Azevedo, da revista Veja, também fizeram questão de lembrar ao distinto público a “gloriosa” trajetória de Demóstenes, que, até poucos dias atrás, dispunha de grande espaço na grande mídia para acusar os adversários de envolvimento com corrupção (!).
Como se fosse pouco, no fim de semana vieram à tona denúncias como a da Carta Capital, de que Demóstenes teria faturado incríveis 50 milhões de reais no esquema de Cachoeira. E, para coroar tudo, o jornalista Luis Nassif denunciou no domingo, em seu blog, que a operação Montecarlo, da Polícia Federal, teria encontrado mais de 200 ligações entre o bicheiro e pessoas da direção da revista Veja.
O silêncio ensurdecedor da classe política em relação a Demóstenes, seu possível envolvimento até com meios de comunicação, tudo isso é afetado por um número cabalístico: o número 15.
O trabalho que o criminoso teve para habilitar os aparelhos fora do país de forma a imunizá-los contra escutas e o fato de um desses aparelhos ter ido parar nas mãos – ou nos ouvidos – de um político do peso do senador do DEM de Goiás, sugerem que os outros 14 aparelhos não devem ter ido parar nas mãos de qualquer um.
A Operação Monte Carlo flagrou ligações de Cachoeira para autoridades do governo de Goiás, sob comando do tucano Marconi Perillo, e detectou que, ano passado, um relatório de quase 500 páginas com endereços e nomes de integrantes da quadrilha que explorava jogos ilegais fora entregue ao então diretor-geral da polícia do governo do Estado. E nada aconteceu. Se não fosse a Polícia Federal, Cachoeira continuaria livre.A polícia de Perillo sentou sobre o caso.
A PF também captou conversa telefônica em que Cachoeira pede ao ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Wladimir Garcez (PSDB) que interfira em operações da Polícia Civil para combater jogos ilegais. De acordo com a Polícia Federal, o ex-vereador Garcez intermediava os contatos entre Carlinhos Cachoeira e o governador Perillo. A PF apurou que Garcez trocava torpedos com Perillo.
Ainda não foram divulgados os nomes dos outros beneficiados – ou, agora, amaldiçoados – pelos outros 14 aparelhos Nextel. Não parece difícil intuir, no entanto, que Cachoeira deve ter dado a pessoas que de forma alguma poderiam ser flagradas conversando consigo por ocuparem posições de importância análoga à do senador da República Demóstenes Torres.
Assim como se descobriu que o ex-publicitário Marcos Valério estendeu tentáculos por PT, PSDB, DEM etc., supõe-se que o silêncio da classe política em relação a Cachoeira pode decorrer de situação parecida com a do pivô do escândalo do mensalão, mas não só. A notícia divulgada ontem por Luis Nassif, de que membros da direção da Veja teriam mantido centenas de contatos com o bicheiro, dá a dimensão daquilo em que esse escândalo pode se converter.
Após a descoberta das relações de Cachoeira com um senador e um grande meio de comunicação, não parece exagero suspeitar de que um dos 14 celulares pode ter ido parar em mãos impensáveis como, por exemplo, a de um importantíssimo membro do Judiciário. Ou que tenha sido usado para ligar para essa pessoa. Enquanto isso, iniciativas no Congresso para abrir uma CPI encontram resistência em quase todos os partidos.

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Emir Sader: O golpe de 64 e a ditadura militar

28.03.2012
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 27.03.12

O Brasil não era um país feliz antes do golpe de 1964. Mas era um país que dava sequência a um ciclo longo de crescimento econômico, impulsionado por Getúlio, como reação à crise de 1929. Nos anos prévios ao golpe era um país que começava a acreditar em si mesmo. Quem toma com naturalidade agora a Copa do Mundo de 1958 não sabe o quanto ela foi importante para elevar a auto-estima dos brasileiros, que carregavam, desde o fatídico 16 de julho de 1950, o trauma do complexo de inferioridade.
Mas isso veio junto com a bossa nova, o cinema novo, o novo teatro brasileiro, um clima de expansão intelectual por grandes debates nacionais, pela articulação com grandes temas teóricos e culturais que começavam a preparar o clima da década de 1960.
O país não foi surpreendido pelo golpe. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial militares que tinham ido à Italia se articulavam estreitamente com os EUA. Na sua volta, liderados por Golbery do Couto e Silva e por Humberto Castelo Branco, fundaram a Escola Superior de Guerra e passaram, a partir dali, a pregar os fundamentos da Doutrina de Segurança Nacional – concepção norteamericana para a guerra fria. A Doutrina de Segurança Nacional cruzou a história brasileira ao longo de toda a década de 1950 até, depois de várias tentativas, desembocar no golpe de 1964 que, não por acaso, teve naqueles oficiais da FFAA seus principais líderes.
Durante a década de 1950, o Clube Militar foi o antro a partir do qual articulavam golpes contra o Getúlio – seu inimigo fundamental, pelo nacionalismo e por suas políticas populares e articulação com o movimento sindical. O suicídio do Getúlio brecou um golpe pronto e permitiu as eleições de 1955, em que novamente os golpistas foram derrotados.
Fizeram duas intentonas militares fracassadas contra JK e elegeram Jânio, com a velha e surrada – mas sempre sobrevivente, até hoje – bandeira da corrupção. Se frustraram com a renúncia deste e naquele momento tentaram novo golpe, valendo-se do vazio da presidência e da ausência do Jango, em viagem para a China. A mobilização popular e a atitude do Brizola de levantar em armas o Rio Grande do Sul na defesa da legalidade  impediram e adiaram o golpe.
Mas os planos golpistas não se detiveram e acabaram desembocando em primeiro de abril de 1964 no golpe, que contou com amplo processo de mobilizações da classe média contra o governo, com participação ativa da IgrejaC atólica, da mídia, das entidades empresariais, que desembocou na ação da alta oficialidade das FFAA, que liquidou a democracia que o Brasil vinha construindo e instaurou o regime do terror que passou a vigorar.
Foi o momento mais grave de virada regressiva da história brasileira. Interrompeu-se o processo de democratização social, de afirmação econômica e política do pais, para impor a opressão econômica e politica, a subordinação externa, mediante uma ditadura brutal. O país, sob o comando dos militares, da Doutrina de Segurança Nacional, do grande empresariado nacional e internacional, do governo dos EUA, optou por um caminho que aprofundou suas desigualdades sociais, colocando o acento no mercado externo e na esfera de alto consumo do mercado, no arrocho salarial, na desnacionalização da economia e na opressão militar.
Completam-se 48 anos do golpe militar. Continua sendo hora de perguntarmos a todos: Onde você estava no momento mais grave de enfrentamento entre democracia e ditadura? Cada um, cada força política, cada empresário, cada órgão da imprensa, cada igreja, cada militar. Os temas continuam atuais: denuncismo moralista a serviço do enfraquecimento do Estado, abertura escancarada da economia, resistência às políticas sociais e aos direitos do povo, uso da religião contra a democracia republicana e o caráter laico do Estado, uso da mídia como força política da direita, etc. etc.
Que seja, uma semana de reflexão e de ação política. Que o governo finalmente nomeie os membros da Comissão da Verdade e que não passemos mais um primeiro de abril sem apurar tudo o que o regime de terror impôs pela força das botas e das baionetas ao país e que a democracia faça triunfar a verdade.
Leia também:

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Internauta preso por racismo e homofobia já havia espancado a própria mãe

28.03.2012
Do blogo PRAGMATISMO POLÍTICO,26.03.12

Mãe de Marcelo Silveira apanhou por não concordar com a mudança da TV para o quarto dele. Jovem é um dos responsáveis pela página que estimulava ódio contra negros, nordestinos, homossexuais e mulheres

Marcelo Valle Silveira racismo
Marcelo Valle Silveira
O brasiliense e ex-estudante da Uniban Marcelo Silveira já tinha três queixas registradas contra ele na polícia, no ano passado. Duas delas, de difamação e ameaça, aconteceu depois de ele publicar mensagens racistas em um site de relacionamentos na internet. 
A outra denúncia foi feita por ele atacar a própria mãe com socos e pontapés. A agressão teria acontecido porque a vítima não concordou com a mudança da TV para o quarto dele.
Silveira e Emerson Rodrigues foram detidos, na última quinta-feira (22), durante uma operação da Polícia Federal em Curitiba (PR). Eles são suspeitos de manter uma página na internet com mensagens de ódio contra negros, nordestinos, comunistas, mulheres e homossexuais. Eles também estimulam o sexo com menores de idade.
De acordo com a polícia, a dupla planejava ataques a estudantes de Ciências Sociais da UnB (Universidade Federal de Brasília). Eles ainda são suspeitos de fazerem parte de uma seita que seria a mesma seguida pelo assassinado de Realengo.
Uma denunciante do caso, que não quis se identificar, disse que conheceu Rodrigues e ele sempre foi um homem muito violento. Segundo a mulher, ele afirmava constantemente que não gostava de negros, homossexuais e judeus.
- Ele é um homem extremamente inteligente, porém muito violento, descontrolado, agressivo e racista.
Nos perfis de Rodrigues nas redes sociais, ele se descrevia como engenheiro que já havia atuado em diversos países do mundo, mas afirmava que não tinha diploma.
Ele dizia também que queria ir embora do Brasil e conseguir a cidadania italiana, onde a maioria das pessoas é loira e as mulheres “não tomam o espaço de trabalho dos homens”. Segundo suas publicações, as mulheres que tivessem relação sexual com negros deveriam morrer
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Brasil e Hungria assinam acordo de cooperação técnica nas áreas de café, soja e avicultura

28.03.2012
Da Agência Brasil, 
Por Danilo Macedo

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Brasil e a Hungria vão aumentar suas trocas comerciais a partir da cooperação técnica nas áreas de café, soja e avicultura. Hoje (2), em Budapeste, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, assinou acordos, durante reunião da comitiva brasileira, com dez importadores e representantes húngaros de processamento de matéria-prima.
Também foram apresentados projetos do setor de aquicultura e, segundo o Ministério da Agricultura, estão ainda em negociação acordos de cooperação para a pesquisa de solo e produção graneleira em sementes. “Não há nenhuma área mais forte na Hungria do que a agricultura para estabelecer uma plataforma de fomento entre os dois países”, disse Mendes Ribeiro em nota.
O ministro também vai se reunir com o ministro do Desenvolvimento Rural, Sándor Fazekas, e visitará o Centro de Biotecnologia Agrícola e o Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade de Santo Estevão. Amanhã (28), ele chega a Inglaterra, onde cumpre agenda diplomática até quinta-feira (29). Depois, Mendes Ribeiro vai a Rússia, onde tentará resolver o embargo do país à carne brasileira.
Edição: Lana Cristina

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O Procurador Geral, o Senador e o bicheiro

28.03.2012
Do blog de Luís Nassif, 27.03.12
A revelação das ligações do senador Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira lança uma sombra de suspeita sobre o procurador geral Roberto Gurgel.
Demóstenes foi elemento central na recondução de Gurgel ao cargo de Procurador Geral, desempenhando papel bastante conhecido em assembléias de acionistas.
Nessas assembléias há um estratagema corporativo que consiste em canalizar as insatisfações dos minoritários para um deles. O sujeito esbraveja, fala alto e torna-se o líder da resistência contra os controladores. Depois, à medida em que a AGE avança, ele cede rapidamente aos argumentos dos controladores, esvaziando a reação dos demais.
Demóstenes desempenhou esse papel no processo de recondução de Gurgel ao cargo de Procurador Geral.
Primeiro esbravejou, exigindo de Gurgel a abertura de processo contra Antonio Palocci, ameaçando não votar a favor da sua recondução ao cargo. Depois, recuou, disse que, infelizmente, as alegações de Gurgel - de que não havia nenhum elemento que comprovasse origem ilícita dos recursos de Palocci - eram corretas e só lhe restava acatar a lei.

Independentemente do mérito dos argumentos de Gurgel, os movimentos iniciais de Demóstenes lhe conferiram o papel de líder dos minoritários; e seu convencimento final matou toda a reação contra a indicação do Procurador Geral.
Poderia ser apenas um caso de um Senador procurador reconhecendo o mérito da alegação de outro, não fosse a circunstância de que Gurgel há dois anos estava sentado em cima de um inquérito que denunciava as ligações espúrias de Demóstenes com Cachoeira.
Demóstenes só chegou a essa posição de destaque no Senado, a ponto de ser figura chave na aprovação do Procurador Geral, graças à cobertura que recebia da revista Veja - que, por sua vez, se associou ao bicheiro Carlinhos Cachoeira em diversas denúncias. E foi graças a essa posição de destaque que Demóstenes tornou-se suspeito da mais grave armação contra as instituições desde o Plano Cohen: a farsa do grampo sem áudio.
É importante entender que essa promiscuidade mídia-político-criminoso - que não é generalizada na velha mídia, mas específica da revista Veja - não é apenas um caso de exorbitância jornalística: é algo que ameaça a própria normalidade institucional do país, abrindo espaço inédito para que o crime organizado ascenda aos mais altos escalões da República, constrangendo autoridades diversas. No caso Daniel Dantas, a revista fuzilou reputação de Ministro do STJ que havia confirmado uma liminar contra o banqueiro.
Até agora, apenas alguns blogs, isoladamente, têm atuado como contrapeso a esse poder avassalador de um jornalismo sem limites. Mas somos vítimas de uma judicialização da discussão - com torrentes de ações desabando sobre nós. Em nome de uma visão equivocada sobre os limites da liberdade de imprensa, o Judiciário é condescendente. Quando age, sempre é com enorme atraso, devido aos problemas processuais conhecidos. Os demais veículos se calam ante os abusos da Veja.
Gurgel terá que provar, daqui para diante, sua independência - e não propriamente em relação ao Executivo. E os poderes públicos - especialmente o Judiciário - terão que acordar para a realidade de que, hoje em dia, são reféns da escandalização praticada pelo mau jornalismo. E que a melhor maneira de defender a liberdade de imprensa é expurgar as práticas criminosas que se escondem debaixo do seu manto.
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Fernando Henrique visita Lula no hospital

28.03.2012
Da Agência Brasil, 27.03.12
Por Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso visitou hoje (27) de manhã o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Hospital Sírio-Libanês. Segundo a assessoria de Lula, o encontro durou cerca de 50 minutos.
Lula foi ao hospital para uma sessão de fonoaudiologia e, em seguida, voltou para sua casa em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
O ex-presidente Lula ficou internado no Sírio-Libanês do dia 4 a 11 deste mês para tratar de uma pneumonia. Ele havia encerrado no dia 17 de fevereiro o tratamento contra um câncer na laringe.
Edição: Fábio Massalli
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Dilma chega à Índia para uma semana de atividades intensas

28.03.2012
Da Agência Brasil, 27.03.12
Por Renata Giraldi*, Repórter da Agência Brasil

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff chegou hoje (27), por volta das 5h30 (13h30 - horário da Índia), a Nova Delhi, na Índia, onde participa da 4ª Cúpula do Brics – grupo que reúne o Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul. Ela descansa nesta terça-feira e amanhã começa uma agenda lotada, que inclui uma homenagem na Universidade de Nova Delhi, onde receberá o título de doutora honoris causa e dois jantares. A presidenta deve retornar ao Brasil no dia 31.
Dilma desembarcou na Índia acompanhada por cinco ministros - Antonio Patriota (Relações Exteriores), Aloizio Mercadante (Educação), Marco Antonio Raupp (Ciência, Tecnologia e Inovação), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Helena Chagas (Comunicação Social), além do governador de Sergipe, Marcelo Déda, e 110 empresários.

  
Durante a cúpula, cuja principal reunião será na quinta-feira (29), o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, apresentará a proposta de criação do banco do desenvolvimento do Brics. A ideia é que a instituição se dedique aos investimentos em projetos de infraestrutura e desenvolvimento em nações pobres. O processo de criação do banco deve ocorrer a longo prazo.

Além de Dilma e Singh, participarão da cúpula os presidentes Dmitri Medvedev (Rússia), Hu Jintao (China) e Jacob Zuma (África do Sul). Nas discussões, os líderes se esforçarão para mostrar à comunidade internacional que o bloco pode ser referência no cenário econômico e político.
O objetivo do Brics é ampliar as relações comerciais internas e externas, incentivando a expansão dos mercados exportadores e importadores. Para o Brasil, é fundamental indicar que o mercado exportador do país não se limita apenas aos produtos agrícolas. Os empresários que integram a comitiva presidencial participarão do Fórum Empresarial, que reúne representantes dos países que integram o bloco.      
A intenção é que os presidentes e o primeiro-ministro da Índia assinem uma declaração que fixa a determinação do Brics de ampliar os acordos bilaterais, por intermédio de suas instituições bancárias de desenvolvimento econômico, utilizando moedas locais.
Os presidentes e o primeiro-ministro também devem discutir propostas para a defesa da paz e da segurança no Oriente Médio e Norte da África. Os destaques deverão ser a Síria, devido à onda de violência que dura mais de um ano, e o Afeganistão, que vive momento de apreensão depois do massacre de civis por um sargento  norte-americano.
*Colaborou Karla Wathier, da NBR//Edição: Graça Adjuto
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BRIGAS TUCANAS: Serra e a esfinge das prévias tucanas

28.03.2012
Do BLOG DO MIRO, 27.03.12
Por Por Renato Rovai, em seu blog:

O ex-governador José Serra obteve uma vitória raquítica nas prévias deste domingo do PSDB que definiu o candidato a prefeito do partido em São Paulo. Ele sai um candidato mais fraco desse processo. E o PSDB também, ao contrário do que seus líderes têm anunciado.
Dos 20 mil filiados aptos a votar numa cidade de 11 milhões de habitantes, apenas 6.229 saíram de suas casas para cumprir o ritual partidário, mesmo com o prometido churrasco para quem fizesse a lição de casa. Desses, pouco mais de 3 mil votaram em Serra, que fez 52,1% dos votos, contra 47,9% de José Aníbal (31,2%) e Ricardo Trípoli (16,7%).

Alckmin apóia Serra?

Serra e seus aliados devem ter perdido a noite analisando o mapa das prévias do partido. O ex-governador certamente vai querer saber o quanto Geraldo Alckmin o apoiou. E isso é fácil de identificar. Basta verificar em que áreas da cidade ele obteve mais ou menos votos, quais eram as lideranças desses lugares e com quem elas são comprometidas no espectro partidário.

O recado das prévias pode ser um indicativo do quanto o atual governador vai fazer força para eleger seu principal adversário interno no estado.

Alckmin vai apoiar Serra de verdade ou vai fazer de tudo para que seu ex-pupilo, Gabriel Chalita, agora no PMDB, dê o troco pelo que passou em 2008, quando foi derrotado por Kassab e nem foi ao segundo turno?

Essa pergunta ainda não foi respondida. Ao lançar Serra, Alckmin preferiu entregar os anéis aos dedos. Mas não fechou questão na candidatura do governador. Como tem as cartas do baralho. Ele é quem vai mandar no jogo a partir de agora.

Kassab ficou menor

Quando Kassab trucou e ameaçou apoiar Haddad (PT), o governador percebeu que teria pouca margem de manobra e pouco tempo para construir uma candidatura alternativa. Temeu pela vitória do petista no primeiro turno, o que colocaria sua reeleição na marca do pênalti e viu que Serra era a única opção para não tomar um novo olé do atual prefeito.

Deu um passo atrás, olhou para frente e vislumbrou que um “suposto recuo” poderia levá-lo a encurralar Kassab. A tática até o momento parece ter dado certo.

Kassab não tem como pular do barco de Serra, mas ao mesmo tempo não está com a popularidade alta o suficiente para empinar sua candidatura.

Serra também tem uma rejeição pesada e vai ter que ficar explicando se terminará o mandato em todos os debates e entrevistas coletivas.

A história do papelzinho de Dimenstein vai ser uma enorme dor de cabeça para o tucano que já foi inclusive internado por conta de outro papelzinho.

O grande eleitor do campo de Serra neste momento é Alckmin. Essa é a esfinge da candidatura Serra. Que pode devorá-la.

Alianças, o primeiro teste

Quem conhece o jogo político sabe que as primeiras pedras de uma eleição se movimentam na construção das alianças partidárias. Em cidades com programa eleitoral nos meios eletrônicos, significam tempo maior para apresentar o candidato e seus programas.

E significam principalmente mais vinhetas durante a programação normal. O que atualmente rende mais dividendos aos candidatos do que o programa eleitoral em si.

Em cidades sem TV e Rádio, mais partidos significam mais candidatos a vereador. E mais gente na rua para a campanha.

Caso Alckmin esteja de fato de corpo e alma na candidatura Serra, vai jogar pesado para compor com o maior número de partidos para desidratar outras candidaturas. Em especial a de Gabriel Chalita (PMDB), que poderia ser um risco ao governador.

A partir de agora é que será possível saber se isso vai acontecer.

Mas de qualquer forma, com a votação raquítica que teve nas prévias de ontem, o apoio a Serra ficou mais caro. Líderes de outros partidos vão tentar entender o porquê desse resultado pífio. Principalmente se isso significa um recado de Alckmin.

A força de Lula e Dilma

Esses mesmos partidos sabem que Lula apostará seu prestígio eleitoral em São Paulo para eleger Haddad. Também sabem que Dilma também vai trabalhar para eleger seu ex-ministro da Educação. Arriscando-se menos, ela também vai fazer o que estiver ao seu alcance.

Claro que os problemas com a base aliada terão importância na construção do arco de alianças petistas tanto em São Paulo como em outras cidades, mas não é só isso que conta.

As seccionais locais olham para a realidade local sempre em primeiro lugar.

Até ontem havia uma sensação de que a candidatura de Serra seria forte porque teria o apoio de Kassab e de Alckmin. Hoje muita gente já não tem tanta certeza disso em relação ao segundo.

Agregue-se a isso o fato de Eduardo Campos ter anunciado que o PSB não apoiará Serra, o que também pode influenciar outras legendas.

Por que Chalita é melhor para Alckmin

A eleição de Serra para prefeito de São Paulo ficou muito mais difícil para Serra depois das prévias, como já se disse aqui, mas será que Alckmin já não sabia disso?

Se quisesse não poderia passar o trator e acabar com as prévias num partido que nunca as teve? Por que Alckmin fez Serra passar por este constrangimento?

Essas perguntas serão respondidas durante o processo eleitoral. Este blogue, porém, com os elementos de hoje arrisca dizer que Serra é o candidato de Alckmin até a terceira página.

Se sua candidatura decolar e encantar São Paulo, o que parece difícil, Alckmin estará junto. Se tropeçar e Chalita vier a crescer, o governador não terá problema algum em botar mais remadores na canoa do peemedebista.

Com Chalita prefeito, Alckmin poderia se aproximar do PMDB e garantir sua reeleição. Além disso, teria um amigo na prefeitura de São Paulo. Um amigo da família. Não teria alguém disposto a deixar o cargo para disputar outros. E neste caso concorrer com ele.

Com Serra eleito, teria um adversário à frente da capital. Um aliado do seu principal inimigo, Kassab. Teria alguém que o fez ser humilhado em 2008. E que não teria problema algum em fortalecer Kassab para enfrentá-lo se achar que isso é conveniente para o seu projeto político.

Alckmin conhece Serra. E sabe que fortalecê-lo é um risco. Isso não pode ser desprezado.

O simbólico dos minguados 3 mil votos que Serra teve ontem podem ter sido o começo do fim de sua liderança em São Paulo. Se perder a eleição, dificilmente, inclusive por conta da idade, terá condições de dar a volta por cima.

Será o fim da sua trajetória política o que levará Alckmin a reinar sozinho no PSDB de São Paulo.

Será que o governador não sabe disso?
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De atleta rebelde a pastora, conheça a história da levantadora Fabíola

28.03.2012
Do portal GOSPEL PRIME, 27.03.12

Fabíola era uma atleta rebelde até se converter e passar a se dedicar muito mais à carreira ganhando destaque 

De atleta rebelde a pastora, conheça a história da levantadora Fabíola

A levantadora de Vôlei Fabíola está na lista do técnico José Roberto Guimarães e pode ser chamada para representar o Brasil na seleção feminina de Vôlei nos Jogos Olímpicos de Londres. A atleta divide os treinos e sua vida pessoal com um ministério, ela é pastora da Igreja Batista Palavra Profética, uma conversão que marcou sua mudança profissional.

Antes de se converter Fabíola era uma atleta rebelde até que foi evangelizada por Ciça, ponteira do time de São Bernardo, sua amiga desde os 15 anos. Foi ai que a jovem se tornou evangélica e passou a conquistar destaque no Vôlei, hoje atuando no time Sollys de Osasco.

Josefa Fabíola Almeida de Souza, 29 anos, teve sua rotina acompanhada pela equipe do canal ESPN Brasil durante a época de Carnaval, mostrando o treino, a vitória de seu time sobre o time de Ciça, a inauguração de uma igreja em Anápolis (GO) e o retiro de Carnaval da igreja que lidera em Minas Gerais.

Além disso, Fabíola faz uma reunião todas às segundas-feiras para evangelizar e acompanhar outras jogadoras de vôlei. Ciça, Karine e Paula também participam não só com palavras, mas conselhos e até mesmo ajuda financeira.

Veja a reportagem da ESPN:


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Jornalista analisa briga Record x Mundial do Poder de Deus

28.03.2012
Do site do jornal MUNDO CRISTÃO, 23.03.12
Por Publicado por  

Magali do Nascimento Cunha (foto), jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Faculdade de Teologia e Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação) e autora do livro “A Explosão Gospel. Um Olhar das Ciências Humanas sobre o cenário evangélico contemporâneo” (Ed. Mauad) faz uma oportuna reflexão sobre a disputa Rede Record x Apóstolo Valdemiro Santiago.

Em artigo, Magali, além de apontar que denúncias e ataques que envolvem lideranças religiosas que têm presença nas mídias não são novidades a autora faz uma importante reflexão sobre ética na imprensa e a ética religiosa.
Leio o texto na íntegra:
Estamos assistindo, nesta semana, a mais um capítulo não-inédito do espetáculo da religião nas mídias: a reportagem de Marcelo Rezende (e toda a repercussão dela), veiculada no programa Domingo Espetacular, da Rede Record, na noite do último 18 de março, que denunciou supostas práticas de uso ilícito das arrecadações financeiras da Igreja Mundial do Poder de Deus, especialmente da parte do líder maior, o apóstolo Valdemiro Santiago.
Explicar o porquê dos termos-chave da frase que abre este pequeno artigo – capítulo não-inédito, espetáculo, religião nas mídias – é, ao mesmo tempo, buscar compreender o significado deste componente do cenário evangélico no Brasil.
Capítulo não-inédito


Denúncias e ataques que envolvem lideranças religiosas que têm presença nas mídias não são novidade: no rádio são muitos os exemplos de pregadores referindo-se negativamente a outros, há várias décadas; na TV, exposição pública mais destacada por conta das imagens, o fato considerado mais marcante aconteceu em 1995: o desencadeamento de uma série de ataques, da Rede Globo contra o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). O bispo Macedo e a IURD já haviam sido alvo reportagens-denúncia em 1989, pouco tempo depois da aquisição da TV Record (1987), no programa Documento Especial, da Rede Manchete, e de uma série de matérias no mesmo teor em vários veículos, com acusações de desvio e lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito com arrecadações financeiras da igreja.

Quando, em 1992, o bispo Macedo foi preso com acusações de charlatanismo, curanderismo e envolvimento com o tráfico de drogas, as mídias deram farta cobertura. Em1995 aRede Globo dá início aos ataques à IURD e ao bispo com reportagem-denúncia no Jornal Nacional sobre a exploração dos fieis com os dízimos e ofertas da igreja, processo que culmina coma veiculação da minissérie de ficção “Decadência”, sobre a vida de um pastor evangélico corrupto e devasso, identificado explicitamente com Edir Macedo. Esse foi também o ano doepisódio do “chute na santa”, que rendeu novas matérias críticas à IURD e ao bispo: durante a edição do programa de TV O Despertar da Fé, pela Rede Record, no ar no feriado de 12 de outubro, um dos bispos, de nome Sergio von Helder falou contra a figura de Nossa Senhora e deu chutes numa imagem da santa colocada no estúdio. A Globo se torna a “inimiga número um” da IURD e do bispo Macedo, e a programação da Rede Record tornou-se espaço de contra-ataque. Em2009, aGlobo desfere novos ataques contra a IURD, com matéria no Jornal Nacional que classifica seus líderes como máfia. O duelo ganhou terreno com repercussão em outras mídias.
Em 2002, foi a Igreja Renascer em Cristo o alvo de críticas nas mídias, especialmente das mesmas Organizações Globo. A partir de matérias-denúncia, de capa, publicadas na Revista Época, da Editora Globo, em duas semanas consecutivas, com repercussão em jornais, no rádioe na TV, a Renascer e seus fundadores, o casal Estevam e Sônia Hernandes, passam a ser alvo de matérias-denúncia quanto a desvio dos fundos arrecadados pela igreja e pela fundação que leva o mesmo nome. Em 2006, aJustiça bloqueou os bens do casal com acusações de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Os episódios culminaram, no ano seguinte, com a prisão do casal Hernandes nos Estados Unidos, para onde viajaram com valores em espécie não declarados. Houve ampla cobertura das mídias ao fato. Eles foram julgados pela acusação de contrabando de divisas, conspiração e falso testemunho e ficaram presos por 140 dias, passaram cinco meses em prisão domiciliar e mais um períodoem liberdade condicional. Estevam e Sônia Hernandes foram liberados e voltaram ao Brasil em2009, mas continuam respondendo a processos no Brasil por ilegalidade na gestão financeirada igreja.

O capítulo desta semana, portanto, não é inédito, como também não é inédito que personagens religiosos midiáticos protagonizem combates entre si. Em 2010, entrando por 2011, os embates entre o bispo Macedo e o pastor da Assembleia de Deus Vitóriaem Cristo Silas Malafaiase intensificaram e tiveram espaço na TV, no rádio e na internet por meio dos sites e blogs dos religiosos, de vídeos no Youtube e das redes sociais com manifestações de partidários. Em2011, aRecord reforçou a disputa com matéria no programa Domingo Espetacular, de 13 de novembro, com crítica à prática de “cair no Espírito”, ou “Bênção de Toronto”, respeitada e adotada por vários grupos evangélicos. Nessa etapa de confrontos, outros religiosos midiáticos também foram envolvidos, como o pastor do Ministério Tempo de Avivamento e deputado federal Marcos Feliciano, até os cantores gospel, classificados por Edir Macedo como “endemoniados”. Não é surpresa que o pastor Silas Malafaia tenha se pronunciado, de imediato, pela Internet, sobre a matéria deste domingo, 18 de março, não isentando Valdemiro Santiago, mas acusando o bispo da IURD com a seguinte frase: “O resumo da historia é este: o sujo falando do mal lavado. Todos farinha do mesmo saco”.
A matéria do Domingo Espetacular contra a Igreja Mundial deixa claro que o apóstolo Valdemiro Santiago, pastor dissidente da IURD, tem por prática pregar contra a IURD e fazer acusações contra o bispo Edir Macedo em seus programas na TV. Durante os dias posteriores ao programa da Rede Record, Valdemiro Santiago tem apresentado sua defesa, garantido aos fieis da igreja que já entrou com processo contra a Rede Record para obter direito de resposta e desferido novos ataques à IURD e ao bispo Macedo, a quem trata como “eles”.
A lógica do espetáculo 


Estas constatações nos levam a um outro termo usado na primeira frase deste texto:espetáculo. Não se pode assistir a estes acontecimentos sem ter a compreensão de que eles são um espetáculo, uma demonstração pública, o sentido mais lato do termo. O filósofo Guy Debord chama atenção para isto em sua análise da sociedade contemporânea: o espetáculo é a aparência que confere integridade e sentido a uma sociedade esfacelada e dividida. Dessa maneira, por meio da ação das mídias, as relações entre as pessoas transformam-se em imagens e espetáculos. O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.

Segundo Debord, tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação. Por exemplo, a violência, uma das faces mais cruas do relacionamento humano, entra nas casas por meio de imagens-espetáculo, assim como a sexualidade ou o convite ao consumo de bens e serviços e as pessoas-espetáculo (as celebridades). Dar espetáculo é provocar, convidar ao consumo de conteúdos; por vezes, o escândalo é uma forma espetacular de atrair audiência e consumidores de conteúdos. Programas que expõem brigas de família ou fatos inusitados que envolvem a vida de celebridades atraem um público significativo.
Com a religião nas mídias não é diferente: esta presença se consolida na trilha culturadas mídias, que é a lógica do espetáculo: os milagres , os exorcismos, os cultos-imagem, a exposição dos religiosos espetaculares, e… as brigas e os fatos inusitados… Tudo isto em torno da lógica midiática que passa pela visibilidade dos emissores e a captação de receptores, e, consequentemente, de consumidores. Afinal, as mídias são veículos da “indústria cultural”, termo nascido em meados do século XX para denominar a lógica que rege o lugar social das mídias. Nos tempos de hoje, mais coerente é nomear o fenômeno como “mercado cultural”, já que ele não passa somente pela indústria e a venda de produtos mas também de serviços etodos os derivados.
A religião de mercado
Religião midiática é mercado cultural, é religião de mercado. A fé, nesse caso, é uma produção ao redor da qual circulam produtos, bens e serviços, oferecidos para financiar a presença dos grupos que têm poder financeiro nas mídias, e as consequentes ampliação de visibilidade e busca de hegemonia no cenário religioso. No sentido estabelecido pela sociedade do espetáculo em que para ser visto, conhecido e acreditado é preciso estar nas mídias, grupos religiosos já são formados com esta compreensão e com este projeto pastoral de visibilidade social e ocupação de espaços, tendo seus públicos-alvo previamente determinados. Não é difícil visualizar, no crescimento da presença midiática da Igreja Mundial, que Valdemiro Santiago é discípulo de Edir Macedo e dos outros líderes da IURD e, na prática, segue seus passos.
Na lógica do mercado cultural cabe a concorrência, o uso do espaço para minar concorrentes e ganhar a apoio do público (audiência). Não é preciso recordar as análises sobre os casos Globo-IURD e Globo-Renascer que classificaram os embates como de concorrentes. Não foi à toa que, no caso Renascer, em 2002, oSBTabriu imediato espaço no Programa de Gugu, no mesmo domingo 20 de maio, para Estevam Hernandes apresentar sua defesa. Concorrência é valor do mercado.
Discernindo…


O que assistimos nesta semana é nada menos do que mais um episódio da prática da concorrência de mercado tanto midiático quanto religioso. O que parece ser um duelo entre líderes e preceitos religiosos é, de fato, um duelo pela conquista de visibilidade, de espaço, em busca do público consumidor. E isto coloca a religião num patamar que, talvez, não estivesse na sua razão de ser (o re-ligar o ser humano ao divino), mas que é construído socialmente a partir dos sentidos estabelecidos pela sociedade do espetáculo: religião torna-se bem de mercado, elemento de barganha, estratégia de marketing. E assim, como se diz no popular, tudo isto “torna-se briga de cachorro grande” pois extrapola o espaço do estritamente religioso, uma disputa entre grupos religiosos, no caso, pentecostais, e ganha dimensões mais amplas.

Por exemplo, quando um personagem por vezes protagonista, por vezes coadjuvante, como o pastor Silas Malafaia, que assume o papel da pessoa controvertida em todo este contexto e constrói sua imagem midiática como “aquele que diz as verdades”, é convidado para uma conversa com o vice-diretor das Organizações Globo, João Roberto Marinho, temos um sinal do patamar em que se encontra a religião nas mídias. Segundo depoimento do pastor depois da conversa (Revista Piauí, 66, set 2011), Marinho teria alegado precisar conhecer mais o mundo dos evangélicos já que a emissora teria percebido que Edir Macedo não seria “a voz” dos protestantes no Brasil. O pastor Malafaia ganhou, então, trânsito e já teve cinco aparições no programa de maior audiência da Rede Globo, o Jornal Nacional. Além do contato com Malafaia, as Organizações Globo, por meio da gravadora Som Livre, já contrataram grandes nomes do mercado da música evangélica que têm, a partir daí, espaço garantido na programação da Rede Globo, e tiraram da Rede Recordo evento de premiação dos melhores da música evangélica, o Troféu Promessas (o que talvez explique a referida classificação de “endemoniados” aos cantores, incluída a popular Ana Paula Valadão). Vamos estar atentos agora aos próximos passos neste interessante embate pela hegemonia nas mídias, tendo como barganha a religião.
Criticar Edir Macedo e Valdemiro Santiago e classificar de “baixaria” ou de “falso testemunho”o que assistimos nesta semana, com prorrogação certa por outras tantas, e inserir novas denúncias a uma ou a outra parte do duelo, é muito pouco e é desviar do ponto que dá sentido a este capítulo não-inédito, que não é isolado, como vimos, dentro deste processo da relação entre religião e sociedade. Quem se interessa por este cenário social, por motivações religiosas ou acadêmicas, é desafiado a desenvolver uma visão macro e reivindicar atitudes dos produtores midiáticos, religiosos ou não, que passem pelo campo da ética – a ética nas mídias e a ética na religião – senão estaremos fadados a ver cumprida “a profecia” de Dostoievski, registrada no conto “O Grade Inquisidor” (no livro Os Irmãos Karamazov).
Na história, Cristo volta à terra e é interpelado por um líder cristão com críticas: Cristo não deveria ter voltado trazendo de novo aqueles valores de misericórdia e justiça e andando no meio do povo apregoando-lhe a liberdade. O líder pergunta a Cristo por que voltou para atrapalhar o que a igreja estava fazendo: “Fica sabendo que jamais os homens se acreditaram tão livres como agora, e, no entanto, eles depositaram a liberdade humildemente a nossos pés”. O líder religioso, então, acusa Cristo de haver fracassado na sua missão por ter recusado a tentação do deserto: não distribuiu pão (milagres) para atrair público, não realizou espetáculos (jogar-se do pináculo do templo para ser aparado por anjos) e não aceitou as riquezas do mundo que lhe dariam glória e poder facilmente. No conto, o líder religioso diz que agora a igreja estava consertando esse erro que Cristo cometeu porque era perda de tempo esperar discípulos por amor: as pessoas querem mesmo é encontrar Deus por meio do pão, dos milagres, das maravilhas e do poder econômico. Por isso, no conto, Cristo é preso novamente.
Ética nas mídias e ética na religião: quem se habilita?
Magali do Nascimento Cunha, jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Faculdade de Teologia e Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação), autora do livro “A Explosão Gospel. Um Olhar das Ciências Humanas sobre o cenário evangélico contemporâneo” (Ed. Mauad).
Fonte: Guia-me
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