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quinta-feira, 22 de março de 2012

CURSOS TÉCNICOS: Últimos dias para se inscrever nos cursos técnicos de EAD São oferecidas 4 mil vagas, distribuídas em 18 polos de ensino

22.03.2012
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO 
Com informações da assessoria


As inscrições para os cursos técnicos à distância seguem até o próximo sábado (24). Eles são oferecidos pela Secretaria Estadual de Educação, as vagas são destinadas aos estudantes da rede pública ou particular que já concluíram o Ensino Médio ou que estão cursando o ensino médio a partir do segundo ano, em todas as modalidades.

São oferecidas vagas para os cursos técnicos gratuitos em Administração, Segurança do Trabalho, Informática, Logística, Hospedagem e Biblioteconomia. As inscrições são exclusivas pela internet através do site www.seep.com.br. A Escola Estadual de Referência Confederação do Equador funcionará como pólo para as aulas e está realizando inscrições nos horários da manhã, tarde e noite. Para mais informações: (81) 3636-2950.

Estão sendo oferecidas 4 mil vagas para todo o Estado. Os cursos fazem parte de uma parceria com o Governo Federal, por meio do programa Rede e-Tec, do Ministério de Educação (MEC). A duração é de um ano e meio, as aulas iniciam no dia 9 de abril. Os inscritos farão uma prova online classificatória no período de 26 de março a 03 de abril, conforme agendamento durante a inscrição. 

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Acidente de Thor Batista é mais comum do que se imagina

22.03.2012
Do BLOG MOBILIDADE URBANA
Postado por Tânia Passos

 
Centenas de condutores se envolvem em acidentes com consequências geralmente graves durante a noite em todo o país, como no caso do acidente envolvendo o filho de Eike Batista,Thor.

Imediatamente procura-se incessantemente uma causa para o acidente, excesso de velocidade, embriaguez ao volante, condições do veículo, histórico do motorista, e etc…Mas o que geralmente os motoristas, ciclistas e pedestres não sabem é que durante a noite nossa visibilidade diminui para 18% em relação ao que enxergamos durante o dia, ou seja, temos uma perda de 82% em nossa visibilidade.

Dessa forma, a noção de profundidade diminui, o que contribui para que pedestres e ciclistas geralmente não sejam vistos, por isso a percepção dos movimentos também é muito prejudicada. Por outro lado, é muito comum, pedestres e ciclistas à noite, usarem roupas com a cor preta, também não tendo a noção que isso contribui para que não sejam vistos à noite.

Este é mais um motivo que ciclistas e pedestres surpreendem os condutores e, por isso, os motoristas devem ficar atentos a mínimos movimentos que podem denunciar presença de pessoas que se lançam na via, repentinamente, saindo de lugares pouco iluminados.

Tenho certeza que muitos condutores não tem ideia do porque necessitam diminuir a velocidade após o anoitecer. Pelo contrário, normalmente, os condutores nesse horário têm as pistas menos congestionadas, e então não sabem do agravante de que com as pistas livres, correm mais, enxergando menos.

Também acredito que todos os motoristas envolvidos em acidentes com vítima, assim como Thor também não desejavam ou gostariam de, a partir de agora, carregar o peso para o resto de suas vidas de ter matado alguém. Na verdade, em um acidente como este, todos se tornam vítimas da falta de informação, de conhecimento e da educação que deveriam ser fatores fundamentais para nossa formação como participantes do trânsito.

O fato ocorrido deve servir, pelo menos, para que percebamos que todos os condutores de veículos automotores não recebem informações necessárias ao conquistarem sua Carteira Nacional de Habilitação e consequentemente evitarem um problema como esse; mas os pedestres e ciclistas deveriam receber essas informações ainda com maior prioridade, pois nesse conflito que o trânsito gera, estes são os mais frágeis e, naturalmente, os mais prejudicados.

*Salete Romero é Especialista em Psicologia e Segurança no Trânsito (via Portal do Trânsito)
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Crianças descem 1.500 metros dentro de “gaiola” para irem à escola na Colômbia


22.03.2012
Do portal OPERA MUNDI
Por  William Maia | Redação

Teleférico improvisado fica nas montanhas de El Quebradón, na Cordilheira dos Andes

Reprodução/El Mundo
 

Uma gaiola de dois metros quadrados suspensa a mais de 1,5 quilometro de altura. É esse o meio de transporte que leva três crianças colombianas, entre seis e nove anos, à escola em uma vila no interior da Colômbia.

O teleférico improvisado deveria transportar apenas cargas, mas acabou sendo a única alternativa encontrada pelo pai das crianças, o lavrador Luis Alberto Castro Quintero, para que elas atravessem as montanhas de El Qubradón, encravadas na Cordilheira dos Andes, nos dias de frio intenso.

O risco da aventura à beira do abismo, no entanto, não parecer assustar os passageiros. "Eu não tenho medo, eu gosto", disse Alejandra Quintero, 9, ao repórter do jornal espanhol El Mundo, que não quis subir no “bondinho”.

“Temos lutado por dois quilômetros de estrada, mas até agora não conseguimos, disse Quintero. Segundo ele, para as crianças é melhor pagar 1.500 pesos (R$ 1,50) pela viagem na gaiola do que enfrentar mais de uma hora de caminhada pelas colinas, atravessando à pé rios gelados.

A gaiola de transporte foi construída por uma petroleira que atua próxima da região, e que não se responsabiliza pelo transporte das crianças. Este é feito “por conta e risco” do pai.

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Após Folha e Estadão, entidade de democratização da mídia cobra espaço na TV Cultura

22.03.2012
Da Rede Brasil Atual, 20.03.12
Por  Redação da Rede Brasil Atual

São Paulo – O Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé encaminhou ofício ao diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, solicitando audiência para discutir um espaço na programação da TV Cultura, a emissora pública do estado de São Paulo.
“É missão inalienável da TV pública garantir a diversidade e a pluralidade informativa e cultural, abordando temas de interesse social e local, garantindo a projeção da comunidade em que está inserida para dar visibilidade a questões que, na maioria das vezes, não têm espaço nos veículos comerciais”, defende a entidade, que apresenta o pedido após decisão da Fundação Padre Anchieta de ceder espaços em sua programação aos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo e à revista Veja.
Para o Barão de Itararé, é importante que a entidade adote critérios transparentes para dar espaço à produção independente que consiga refletir a experiência de grupos sociais. “As entidades/movimentos/produtoras interessadas – entres as quais o Barão de Itararé já se apresenta –, que manifestarem interesse, poderiam pleitear um espaço na programação da emissora, a ser concedido a partir de métodos e critérios transparentes. O Barão e estas entidades seriam inscritas por edital público”, diz o documento.
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The Economist Intelligence Unit: Brasil: uma crise em fermentação

22.03.2012
Do site da Revista CartaCapital

Dilma fala duro no exterior, reluta em conceder favores a políticos da coalizão e não aceita críticas quando o orgulho nacional é ofendido. Foto: Wilson Dias/ABr
Enquanto a presidente Dilma Rousseff mostrava os músculos em uma visita à Europa no início deste mês, sua posição política em casa sofria uma pressão crescente. Ela fez alterações em importantes cargos de liderança no Congresso, apostando em retomar a iniciativa e conter uma rebelião nas fileiras de sua coalizão. No entanto, as relações com os legisladores e partidos aliados provavelmente serão frágeis durante todo o seu mandato, o que vai retardar ou desviar completamente parte de sua agenda legislativa.
Rousseff vem falando duro no exterior. Ela criticou o que chamou de “guerra monetária” e “tsunami financeiro” desfechados por países desenvolvidos através de suas políticas monetárias brandas. Ela também adotou uma posição firme contra a Fifa — Federação Internacional de Futebol — durante uma forte polêmica, depois que uma autoridade da Fifa fez comentários desfavoráveis sobre os preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de 2004. O incidente sem dúvida vai atrasar a votação no Congresso da Lei Geral da Copa (que define os regulamentos a ser aplicados na Copa das Confederações em 2013, assim como na Copa do Mundo), que deveria estar concluída em março. No entanto, mostra que o governo de Rousseff não aceita as críticas com leveza, especialmente quando o orgulho nacional é ofendido.
Internamente, porém, Rousseff enfrentou um crescente descontentamento dentro de sua grande coalizão de governo, que beirou a rebelião aberta no Congresso. O estilo de governar às vezes abrasivo da presidente não a ajudou a cimentar sua base de apoio frágil e fragmentada. Na tradição política brasileira, ela dirige uma coalizão de mais de uma dúzia de partidos políticos, o que exige uma constante barganha para manter a coesão e a submete a grande instabilidade.
Outro estilo de administração
O antecessor de Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva, negociava com seus aliados e concedia vantagens e prerrogativas para mantê-los satisfeitos. Rousseff, por sua vez, é inclinada a concentrar o poder na presidência e reluta em conceder favores políticos a membros dos partidos da coalizão. Diante de sua própria agenda para melhorar a eficiência do governo e acelerar a execução do programa, ela tem dificuldade para satisfazer os diferentes grupos, desde o grande e central Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) a pequenos, como o Partido Republicano Brasileiro (PRB).
Rousseff tentou diminuir as tensões com o influente PMDB, o partido de seu vice-presidente, Michel Temer, e de vários ministros de gabinete. No entanto, líderes do PMDB no Congresso e de outros aliados (como o Partido Socialista Brasileiro, PSB, e o Partido Democrático Trabalhista, PDT) tornaram-se irrequietos, considerando Rousseff distante demais e não receptiva a seus pedidos de indicação para o governo. No final de fevereiro, a maioria dos deputados do PMDB na Câmara (45 de 76) assinou um manifesto queixando-se de que eram tratados como um “partido de segunda classe” pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Rousseff.
As tensões no Congresso se aguçaram no início de março, quando o Senado rejeitou o nomeado pela presidente para dirigir uma agência reguladora dos transportes. Isso também sugere que a ministra das Relações Institucionais, Idely Salvatti, foi ineficaz em seu papel de coordenar a presidência com o Congresso.
 Gestão da crise
Rousseff está tentando conter a rebelião e recuperar a iniciativa no Congresso para impor sua agenda legislativa. Em meados de março, ela indicou novos líderes do governo em cada casa do Congresso — um do PT (Arlindo Chinaglia) na Câmara e um do PMDB (Eduardo Braga) no Senado — na tentativa de melhorar as relações com os legisladores. Isso poderá ajudar a acalmar as coisas, pelo menos por enquanto.
Braga pertence à facção do PMDB que se sentia distante de Rousseff, portanto vai ajudar a diminuir as tensões. Mas a indicação de Chinaglia levantou especulações de que Rousseff poderia apoiar sua candidatura ao cargo de presidente da Câmara. Este é ocupado atualmente por um membro do PT, e o PMDB espera consegui-lo. Se não o fizer, o atrito entre Rousseff e o PMDB poderá reacender.
Desempenho legislativo misto
Essa situação teve consequências para o desempenho legislativo do governo. Ele sofreu um revés no ano passado sobre o Código Florestal, quando a Câmara dos Deputados aprovou uma versão da lei com emendas às quais a presidente se opunha. O novo texto está em negociação no Senado, mas a crise política em fermentação complica os esforços do Executivo para adaptar a lei de volta ao que era.
Antes que seus problemas políticos começassem a crescer, o governo fez algum progresso em uma importante reforma estrutural. A Câmara aprovou (por grande maioria) a reforma da aposentadoria dos funcionários públicos, conhecida como Funpresp, o que ajudará a controlar a futura carga de pensões pagas pelo Estado. Esta reforma foi na verdade votada pela primeira vez em 2003, mas nunca foi implementada por Lula e é um importante marco político. A reforma seguiu para o Senado, onde deverá ser aprovada com o apoio da oposição — mas somente depois que se dissipar a recente atmosfera rebelde.
Novos debates sobre o Código Florestal (que trata da propriedade da terra e de reflorestamento, e tem a oposição de ambientalistas) e sobre a Lei Geral da Copa poderão sofrer atrasos. A Lei da Copa foi inicialmente aprovada por uma comissão especial da Câmara, mas teve de voltar à estaca zero devido a um erro de procedimento no Congresso. Outras leis pendentes de votação são um novo código de mineração, um projeto de propriedade da terra e legislação que determina como serão distribuídas as receitas do petróleo do pré-sal.
 Situação em fluxo
Os fatos dos próximos dias e semanas vão determinar se Rousseff conseguirá recuperar o controle e os votos legislativos de que precisa, talvez cedendo mais às exigências de seus parceiros, ou se a inquietação se agravará, talvez com alguns partidos desertando (os senadores do pequeno Partido da República romperam fileiras com a coalizão de governo há uma semana). A aproximação das eleições de meio de mandato, em outubro, vão complicar as coisas, por isso Rousseff gostaria de ver progresso bem antes delas, se possível. Existem até conversas sobre trazer Lula, que acaba de ser liberado do hospital depois de uma última rodada de tratamento contra o câncer, para tentar remendar as relações com membros da coalizão.
Mesmo que a atual rebelião seja contida, porém, as difíceis relações de Rousseff com o Congresso provavelmente se estenderão por toda a sua presidência. Isto se deve tanto à natureza complexa da formação de coalizões quanto à política de benesses do fragmentado sistema político brasileiro, e também à falta de disposição geral da presidente a distribuir os privilégios e cargos-prêmio esperados por seus parceiros. Enquanto ela tiver um alto índice de popularidade, como agora, poderá se manter no comando e conquistar alguns êxitos. No entanto, se sua posição junto ao público em geral deteriorar, seus parceiros de coalizão, farejando sangue, poderão intensificar suas exigências, mesmo sob o risco de deflagrar uma crise política em grande escala.
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Mídia e mensalão: A busca do linchamento

22.03.2012
Do site da Revista CartaCapital, 20.03.12
Por Pedro Estevam Serrano*


A cidadania brasileira carece de cautela na formulação de juízos a respeito do chamado caso do mensalão a partir de fatos noticiados pela mídia comercial. O que se observa é um comportamento não saudável em termos dos valores democráticos que devem nortear a atividade midiática. Notícias editorializadas, fatos distorcidos por exagerada proporção ou pelo uso de adjetivos de opinião intuitiva como se fossem substantivos fáticos.
Processos contra os 40 réus do chamado mensalão. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
O uso, por exemplo, de expressões como “esquema” para definir atos comerciais correntes espanta a quem tem juízo critico e mínimo conhecimento do mundo negocial e jurídico, pelo evidente pré-julgamento que induz, procurando conformar uma opinião geral por manipulações um tanto grosseiras.
Até que a integral documentação do processo seja efetivamente conhecida pela comunidade especializada é difícil formular uma posição pela inocência ou não dos réus. Apenas a verificação detalhada e rigorosa do que consta dos autos pode auxiliar a formação de um juízo cidadão critico que acompanhe a decisão do processo pelo STF, apontando nela eventuais acertos ou desatinos
Condenar os réus “a priori” é tão equivocado quanto inocentá-los. Ocorre que os órgãos midiáticos, que deveriam manter um mínimo de distancia crítica para preservar seu papel social mais relevante, tem demonstrado querer produzir um determinado julgamento – de condenação – ao invés de apenas relatá-lo e criticá-lo.
O Partido dos Trabalhadores quitou, após alguns anos pagando as respectivas prestações, um dos principais empréstimos relacionados ao caso, o do Banco Rural.
Tal fato foi noticiado por réus do caso, então dirigentes do partido, com o evidente intuito de demonstrar que tratou-se o contrato de avença negocial comum e não de forma de maquiagem de um “esquema” de quadrilha e corrupção como alega o Procurador Geral da Republica em sua denúncia.
Se tal contrato é forma de maquiar esquema de corrupção de deputados é alegação que incumbe a quem acusa provar. O que se tem visto no âmbito midiático são alegações sem qualquer prova no tocante ao tema.
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O que surpreende é que a notícia do pagamento é dada em muitos veículos com evidente juízo subliminar, como se tal pagamento tivesse evidente intuito fraudatório. Adotam-se as alegações de acusação como fatos incontestes no correr das notícias. Anuncia-se a noticia do pagamento do contrato como “quitação do esquema do mensalão” como se a existência de tal esquema fosse fato incontroverso nos autos e mesmo na realidade do que a própria mídia apurou até o presente.
Há poucas semanas vimos a ampla polêmica travada em torno da questão da eventual prescrição de alguns crimes imputados.
A hipótese foi de plano aventada já como produto da conduta dos réus e seus advogados. Reproduziu-se algo muito forte no imaginário popular com relação a casos desta espécie: advogados regiamente pagos procuram delongar o processo pela pratica de atos de defesa de forma a levar os crimes à prescrição.
Se é verdade que em alguns casos a conduta da defesa pode auxiliar a prescrição de crimes imputados, por outro há que se observar que no mais das vezes a ocorrência da prescrição se dá por outros fatores mais complexos e não conhecidos da opinião publica.
Ao noticiar a hipótese os órgãos midiáticos se esqueceram de rememorar que, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu, apontado como chefe da suposta “quadrilha”, tem constantemente insistido que deseja ser julgado logo, de pronto.
O mais relevante é que se esqueceram de aventar o fato de que a decisão adotada anteriormente pelo STF de julgar 40 réus em um único processo dificulta e torna absurdamente morosa a apuração, por maiores que sejam os esforços da Corte em sentido contrário.
Além do fato de que tal decisão, distinta totalmente de determinações da própria corte em processos análogos, dificulta imensamente a individualização das condutas, não favorece o isenção técnica do juízo e forma o tablado para o espetáculo em detrimento de valores fundamentais de nossa Constituição. Quarenta réus julgados num único processo agregam em espetáculo, mas desfavorecem a Justiça da decisão e a eficiência da apuração.
Por último, deve-se destacar a atuação despudorada de alguns veículos em querer às abertas interferir na participação de juízes no julgamento, procurando levá-los ao impedimento de sua participação. O desconforto que tal posição busca causar é evidente: ou o julgador, “a priori” e sem ter em conta o processo, julga pela condenação dos réus ou se considera impedido de participar – caso contrário será, certamente, acusado de formular um juízo pautado em seus interesses particularistas e não na adequada aplicação da ordem jurídica a luz do que consta no processo.
O que vai se evidenciando é que qualquer fato relativo ao processo do mensalão vem sendo tratado pela maioria dos veículos de forma a manipular a opinião pública, sem qualquer preocupação com o que consta dos autos e com a realização de um juízo imparcial e justo.
*Pedro Estevam Serrano é advogado e professor de Direito Constitucional da PUC-SP,mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC-SP.

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Em entrevista, deputado do DEM admite comprar votos e roubar cofre público

22.03.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 21.03.12


Em entrevista ao programa Custe o Que Custar (CQC), da TV Bandeirantes, o deputado estadual de Alagoas, Temóteo Correia (DEM), admitiu comprar votos para se eleger e que os políticos de seu Estado roubam verba pública tanto quanto os de São Paulo. A entrevista foi ao novo repórter do programa Ronald Rios e deve ir ao ar na próxima segunda-feira.

"Eu compro voto sim e, em São Paulo, os políticos roubam mais do que a gente em Alagoas. Onde se tem mais dinheiro, rouba-se mais, isso é até lógico. E o roubo acontece no País inteiro, não só aqui no Estado", disse Correia.

"Você deve roubar muito mais do que eu e, ainda por cima, trabalha para ladrão que explora a miséria do povo. A imprensa é corrupta e leva o dinheiro da gente, ela é pior que político. Parte do que ganhamos vai para vocês jornalistas. Mas, apesar disso, quero dizer que pessoas desonestas existem em todos os lugares e de todo tipo, tem políticos, jornalistas, empresários. A corrupção é generalizada no Brasil", contou o parlamentar, na entrevista.

A chegada do CQC à Assembleia Legislativa movimentou funcionários e seguranças. Os policiais militares que vigiam o Legislativo monitoravam a ação da equipe do programa. Eles receberam via rádio, ordens para evitar que a equipe importunasse os deputados.

Questionado sobre o desvio de R$ 5 milhões da verba para uma biblioteca, que não existe, na Assembleia, o deputado Olavo Calheiros (PMDB) tentou agredir o repórter. A ação foi filmada pela equipe. O presidente da Assembleia Legislativa Fernando Toledo (PSDB) saiu escoltado do prédio, enquanto o repórter perguntava sobre o desvio de R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia além de gastos, sem licitação, na compra de papel e conserto de elevadores - em dois anos, foram R$ 300 mil - além da nomeação de 125 pessoas exclusivamente para trabalhar na Mesa Diretora, todas sem função. No Terra

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Thor deve ter o tratamento que Wanderson teria se o matasse

22.03.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Li e ouvi todo tipo de análise sobre o acidente envolvendo Thor, de vinte anos, filho de Eike Batista, e um cidadão sobre o qual pouco se sabe além do nome, Wanderson Pereira dos Santos, de trinta anos. Algumas dessas análises se inclinaram pela culpa da vítima, outras pela de quem atropelou, algumas poucas tentaram ficar em cima do muro e houve até politização do caso ao dizerem que estariam tentando atingir o atropelador devido às ligações políticas de seu pai.
Uma dessas opiniões causou-me espécie. Alguém escreveu – não exatamente com estas palavras, mas neste sentido – que “toda vez” que um rico ou famoso é acusado de algum crime logo se levanta uma onda de linchamento contra ele. Dito assim, a gente logo pensa em uma caça às bruxas que haveria contra os ricos, quando o que há de fato, no Brasil, é uma plutocracia em que ricos jamais respondem por seus crimes.
A menos que tenham prejudicado a outro rico.
Uma quadrilha de jovens de classe média alta, com pais “influentes”, ateou fogo ao corpo adormecido de um índio, há pouco mais, pouco menos de uma década. Nada de muito severo aconteceu com eles. Ficaram alguns poucos anos em prisão domiciliar, que as notícias mostram que jamais cumpriram direito, e seguiram com suas vidas, apesar de terem sido autores de uma cena de filme de terror.
Esses assassinos hediondos estão soltos na sociedade, hoje, sem que se saiba se não continuam sendo os sociopatas que eram. E, além disso, a impunidade relativa com que foram brindados vem estimulando novas fogueiras humanas de moradores de rua.
Ah, eram jovens, certo? Bem, se quiserem um exemplo de impunidade de gente sem a desculpa da juventude, vejamos o caso de Pimenta Neves, ex-diretor de Redação do jornal O Estado de São Paulo que assassinou uma ex-namorada pelas costas e, ao fim e ao cabo, deverá ficar não mais do que dois anos, dois anos e pouco na cadeia. E ninguém falou mais do assunto.
Ou vejamos o caso do juiz Nicolau dos Santos, o Lalau, que ficou alguns anos “preso” em sua mansão pelo  roubo desbragado de dinheiro público que pôde praticar usando como instrumento a magistratura, em um caso bizarro que debocha da sociedade e que encerra uma significação cinematográfica.
Ainda assim, o Estado de Direito obriga o cidadão cioso de seus deveres a não se esquecer de que nada de bom resulta dos linchamentos. Nem quando a culpa do acusado é altamente verossímil as turbas enfurecidas servem para alguma coisa, pois só servem para conferir ao condenado uma aura de possível inocência e para gerar em setores da sociedade a sensação de que a justiça pode não ter sido feita.
O mais correto, se os ritos legais e a severidade exigível nesse caso fossem seguidos à risca, seria deixar que se assentasse, de maneira que as investigações pudessem transcorrer em clima de isenção e, assim, produzissem um resultado confiável para a sociedade. Seria muito melhor do que as pessoas ficarem produzindo laudos e acusações sem um só elemento além do próprio achismo.
Todavia, há indícios de que há uma movimentação para abafar o caso todo, o que gera a justificável suspeita de que a boa e velha plutocracia brasileira entrou de novo em campo.
Há elementos de sobra para que as pessoas possam supor que esse abafamento pode estar em curso, tais como a perícia malfeita no carro que atropelou o ciclista, a própria liberação do bólido pela polícia, quando deveria ter sido apreendido e mantido até o esclarecimento do caso, e, por fim, existe a não-cassação da carteira de motorista de Thor, cheia de infrações de trânsito causadas por nada mais, nada menos do que excesso de velocidade, o que se explica pelo fato de que o rapaz dirige carros que atingem a velocidade de um Fórmula 1 em um país em que não se pode dirigir a mais de 120 km/h.
Diante dessas defesas apressadas ou exóticas que, compreensivelmente, fez o pai de Thor, quase criminalizando a vítima ao acusá-la de ter dirigido a sua “perigosa” bicicleta de uma forma que poderia ter causado ao seu filho o que foi ele quem causou, ou diante da benevolência e liberalidade de autoridades que deixaram a única fonte de provas escapar por entre seus dedos, só resta pedir respeito aos direitos do ciclista sem rosto e nome, bem como aos de sua família.
O que se pede para Thor não é nada mais do que teria recebido o falecido Wanderson caso, por exemplo, estivesse dirigindo um caminhão, atingisse o carro do filho do bilionário e lhe tirasse a vida. Será que um pobre ou seu veículo seriam liberados da mesma forma? Será que tantos se levantariam em sua defesa? Sua família teria a voz tonitruante que Eike exibe em defesa do filho? Quem acha que a palavra “não” responde a tais questões, entende meu ponto de vista.

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NÁUFRAGO DA UTOPIA: FEIOS, SUJOS E MALVADOS

22.03.2012
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA, 21.03.12
Por Celso Lungaretti


O papelão do Serra é o sarcástico título do artigo (vide aqui) em que o jornalista Gilberto Dimenstein relembra como arrancou de José Serra, em 2004, a promessa de não renunciar à Prefeitura de São Paulo para disputar cargo mais elevado adiante. Como todos sabem, Serra acaba de minimizar o episódio, fazendo uma declaração das mais infelizes:
"Assinei um papelzinho, não era nada oficial".
Dimenstein rebate que, embora Serra agora chame o documento de papelzinho, tratou-se, isto sim, de "um papelão, por desrespeitar a palavra empenhada e o valor de uma promessa".

O jornalista pegou Serra no pulo durante uma daquelas sabatinas a que a Folha de S. Paulo submetia os candidatos a prefeito. É óbvio que, naquele momento da campanha, seria desastroso para Serra não rechaçar categoricamente a hipótese de renúncia no meio do mandato.

Mas, se sua assinatura lhe facilitou a conquista do objetivo imediato --vencer a eleição--, tornou-se um bumerangue que a toda hora o atinge, deixando em cacos a sua imagem.

O ato em si, de ter governado meros 15 meses ao invés dos 48 que os paulistanos lhe concederam, já repercutiu pessimamente. Numa pesquisa que o DataFolha realizou três semanas atrás, 76% dos paulistanos disseram lembrar-se do episódio; 66%, que ele agiu mal; 70%, que ele não deveria fazer isso novamente; e 66% afirmaram acreditar que ele repetirá a dose em 2014, desertando para disputar a Presidência da República.

Quanto a firmar um compromisso e não honrá-lo, isto vai contra os princípios de todas as pessoas dignas.

Lembro-me do meu saudoso avô, fabricante de móveis, que mandava desembalar a mercadoria já pronta para entrega se via um risquinho ínfimo: "É o meu nome que está nesta mesa. E o meu nome não pode circular riscado por aí", disse certa vez.

E, como minha avó o aporrinhasse com pesadelos malucos de que o mar invadiria Santos, certa vez ele desabafou na barbearia que, por certa quantia (bem abaixo do valor real), ele venderia o apartamento que lá possuía. Alguém ouviu e disse que fechava o negócio. Pesaroso, o velho preferiu perder dinheiro do que perder a dignidade.

Enfim, Serra viajou na maionese ao referir-se com tamanha leviandade ao que a maioria --felizmente!-- considera uma falha de caráter.

Mais um tiro na mosca de Dimenstein foi lembrar que outros políticos tiveram o mesmo comportamento de Serra, embora não chegassem ao cúmulo de desprezar a posição de prefeito da maior cidade brasileira:
"Gabriel Chalita foi eleito vereador e logo foi embora, antes de acabar seu mandato - exatamente como fizeram José Aníbal e Soninha".
A última é aquela apresentadora que tanto defendemos quando foi injustiçada pela TV Cultura e que tanto atacamos quando fez acusação igualmente injusta aos coitadezas do Pinheirinho.

Quando o filme Feios, Sujos e Malvados (d. Ettore Scola, 1976) estava em certa evidência, uma piada pronta era designar desta forma os políticos profissionais. Eles mereciam... e continuam merecendo.

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