sábado, 10 de março de 2012

Policiais torturam jovem negro com choques nos genitais e na língua; OAB denuncia barbárie

10.03.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 09.03.12
Por Henry Milléo, Gazeta do Povo


Jovem de 19 anos foi submetido a choques no peito, nos genitais, na língua e teve um saco colocado na cabeça para não respirar. “Vamos levar ele para a desova”, teria dito um dos homens. Ismael começou a rezar. Comando admite culpa e afasta dois suspeitos

jovem negro torturado polícia uberaba
Ismael da Conceição é servente de pedreiro
Desde que foi liberado da delegacia, na madrugada de domingo, o servente de pedreiro Ismael Ferreira da Conceição se limita a andar do quarto para a sala. O jovem de 19 anos, que tem um problema na perna esquerda, passou a caminhar com ainda mais dificuldade. Ele se queixa de dores causadas por uma sessão de agressões e choques que durou cerca de cinco horas.
Em um relato corroborado pela família, vizinhos e advogada, Ismael diz ter sido seguidamente torturado por policiais militares – após supostamente ser confundido com um assaltante – dois dias depois da ocupação de 12 comunidades do Uberaba (PR), ocorrida na última quinta-feira, na capital. O caso foi denunciado ontem pela Comissão de Direitos Hu­­manos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná. O Comando da Polícia Militar reconheceu o fato e informou que dois PMs foram afastados preventivamente.
Ismael conta que às 17 horas do último sábado recebeu um telefonema de um amigo convidando-o para sair. Ele havia acabado de chegar em casa após o fim da jornada de trabalho. De banho tomado, montou na bicicleta e foi em direção ao ponto de encontro, na casa de um deles.

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Após pedalar por algumas quadras, foi avistado por uma viatura da PM que participa da Unidade do Paraná Seguro (UPS). Segundo ele, o veículo fez a volta e bloqueou a passagem. “Passou por nós, azar o seu. Cadê a arma?”, perguntou um dos policiais saindo da viatura. Ismael disse que não tinha qualquer arma. Outro policial o derrubou da bicicleta e, com o servente no chão, apertou-lhe a garganta. Outro deu um chute nas costelas e perguntou mais uma vez sobre uma arma.
Ismael respondeu pedindo para que os policiais o acompanhassem até em casa, onde poderia apresentar documentos. Foi então colocado no camburão. Segundo ele, xingamentos racistas começaram a pipocar, e se tornaram a forma-padrão de tratamento até o fim do cativeiro. O rapaz demonstrou preocupação com a bicicleta, que permanecia tombada na rua. “Tua bike já era. Tu tá preso”, comunicou um policial.
Dez minutos depois, a viatura chegou à casa de Ismael. A família do jovem vive em Piraquara, no entanto ele mora com os patrões. Cinco anos atrás, Ismael conheceu Cristiano, o filho cadeirante de Lairi Inez Campiol, 52 anos, e Celso Luís Pereira, de 36 anos, proprietários de uma pequena empresa de acabamentos em construção civil. Cristiano convidou Ismael para participar do time de basquete em cadeira de rodas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Quando os pais se mudaram para a região metropolitana, o que impossibilitaria a rotina de treinamentos, os pais do amigo o acolheram. E lhe deram um emprego.
Segundo Lairi, os policiais entraram na casa e começaram a vasculhar os cômodos, abrindo armários e jogando objetos no chão. Disseram que estavam procurando armas. “Temos um flagrante. Ele confessou que fez um assalto e a vítima já o reconheceu”, disse um PM. Enquanto isso, Ismael permanecia trancado na viatura estacionada do outro lado da rua. Ninguém podia vê-lo. Celso perguntou pelo funcionário. Os policiais foram até o camburão e retiraram o rapaz. Levaram-no até o quintal, mas não deixaram ninguém tocá-lo ou conversar com ele.

“Fui espancado, sufocado e levei choques”, diz vítima

Após a busca no imóvel, que se revelou infrutífera, a patrulha foi embora levando Ismael. Os donos da casa perguntaram o que seria feito do garoto. Os policiais informaram que ele estava preso, mas não revelaram para qual delegacia seria levado.
abuso polícia dona casa
A dona de casa Lairi Inez Campiol, que dá abrigo a Ismael, mostra a casa no Uberaba revirada depois da passagem da polícia
No meio da confusão que se formou na rua, um vizinho passou para o casal o número de telefone de uma advogada. “Nunca precisamos de um profissional da área criminalística, então não sabíamos o que fazer”, lembra Lairi Inez Campiol.
A advogada Raquel Farah, 46 anos, atendeu à ligação de Lairi enquanto se preparava para atender a uma ocorrência no 8º Distrito Policial. Ao ouvir a história, se comprometeu a tentar descobrir o paradeiro de Ismael.
O jovem, entretanto, não foi levado a uma delegacia. A primeira parada foi em um descampado. O servente diz ter identificado cinco policiais, que se alternaram distribuindo chutes, socos e estrangulamento. “Se você contar onde é a boca, a gente te solta”, teria dito um deles.
Após um tempo que o agredido é incapaz de estimar, foi mais uma vez trancado no carro. Ele lembra que ficou um bom período na viatura parada, dentro do porta-malas, como se os policiais tivessem retornado ao posto.
A próxima parada foi em uma construção pequena, com duas camas, três armários e um computador. Ismael supõe que se trata de um posto policial. Ali, segundo ele, voltou a ser agredido. Alguns rostos eram novos. Também foi submetido a choques no peito, nos genitais e na língua. “Vamos levar ele para a desova”, teria dito um dos homens. Ismael começou a rezar.

Na delegacia: “Eles desistiram de você”

Eram 21 horas quando Ismael da Conceição foi levado algemado até o Hospital Cajuru para tratar dos ferimentos. “Não diga que você está sentindo dor”, ameaçou o homem que o escoltava. Às 22h30, foi finalmente entregue ao 8º DP. A advogada Raquel Farah havia sido informada da chegada apenas 15 minutos antes.
Na delegacia, os PMs apresentaram uma arma de brinquedo como pertencente a Ismael. O que se seguiu, segundo a advogada, foi uma discussão entre policiais civis e militares, ouvida ao longe também por Lairi Campiol e Celso, que haviam acabado de chegar. Os agentes da delegacia apontavam a inconsistência da prova.
A vítima do assalto chegou para fazer o reconhecimento. Ismael foi colocado ao lado de dois outros detidos. Apesar de a roupa ser semelhante à do autor do roubo (tênis branco, calça jeans e camisa xadrez), o biotipo não batia. O assaltante era alto e magro, Ismael é mediano e troncudo.
A delegada de plantão o liberou às 4 horas da madrugada de domingo. Ismael não conseguia andar sozinho e estava zonzo. Foi embora carregado. “Eles simplesmente desistiram de você”, justificou um policial civil.

OAB afirma que caso arranha credibilidade do programa UPS

Para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a tortura sofrida por Ismael da Conceição tira a credibilidade da primeira Unidade do Paraná Seguro (UPS) instalada no estado. “Esse episódio coloca em dúvida se esse programa, que era necessário na cidade, terá condições de diminuir a violência nos bairros. Ainda mais quando os acusados são policiais militares”, afirma a vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da seção Paraná da OAB, Isabel Mendes.
De acordo com ela, a denúncia partiu dos próprios moradores do bairro, que viram o jovem sendo levado pela polícia. “Acompa­­nhamos o exame de corpo delito no Instituto Médico Legal e foi confirmado que o rapaz foi torturado. Ele apanhou e levou choques elétricos. Os policiais ainda colocaram um saco plástico em sua cabeça para ele ficar sem respirar por algum tempo”, relata Isabel.
A Comissão de Direitos Hu­­ma­­­nos da OAB comunicou oficialmente o fato à Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) na manhã de ontem. A secretária Maria Tereza Uille Gomes determinou que uma equipe da Seju acompanhasse Isabel até o Uberaba. (DA)

Pânico e revolta

Ao longo das 36 horas seguintes, Ismael e Lairi não voltaram a sair para a rua. A dona da casa não acredita que eles possam ser ameaçados novamente, mas Ismael está em pânico. Sua conversa é calma, mas os olhos permanecem sempre arregalados. Lairi entoa indignação. “A gente não pode aceitar isso. Senão vai ter mais vítimas”, avalia.
Ela lembra que na quinta-feira, dia da ocupação, a família ficou feliz ao ver a polícia no bairro. Imaginava que aquele seria o começo de um prolongado período de tranquilidade. “Nos tornamos vítimas, quando deveríamos estar recebendo proteção.” Na manhã de domingo, dois policiais da Unidade do Paraná Seguro – que nada têm a ver com o ocorrido – visitaram cada uma das casas da rua para perguntar aos moradores como eles avaliavam a atuação do destacamento. Lairi discorreu longamente sobre o que se passou com seu protegido. “Isso nós não estamos sabendo”, ponderou o patrulheiro.

Porta-voz da PM reconhece que houve excesso

A Polícia Militar confirmou no fim da tarde de ontem que identificou dois policiais suspeitos de ser os responsáveis pela tortura do servente de pedreiro Ismael da Conceição no Uberaba. Se­­gundo o major Antônio Zanata Neto, porta-voz da PM, será instaurado um inquérito policial para apurar de fato o que aconteceu. Se confirmada a culpa, os PMs envolvidos podem até ser expulsos da corporação.
“Um oficial da Polícia Militar foi até o Instituo Médico Legal e acompanhou o exame de corpo delito. Foi confirmado que houve tortura por parte da Polícia Militar”, admitiu o major. Para acompanhar o inquérito será solicitado o acompanhamento de um promotor público.

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MANIPULAÇÃO DA MÍDIA: Revista Época produz reporcagem contra Mercadante

10.03.2012
Do blog ESQUERDOPATA, 09.03.12
Má-fé, sem Distinção 

A revista Época publicou, na semana passada, matéria intitulada Louvor e Distinção, que trata da obtenção, por Aloizio Mercadante, do título de doutor em ciências econômicas pela Unicamp.

A “reportagem”, digamos assim, tem um texto longo, repleto de insinuações maliciosas combinadas com informações requentadas que são de domínio público há mais de 15 meses. Trata-se, sobretudo, de texto profuso e inconsistente, no qual ilações fantasiosas substituem os fatos, algo pouco apropriado à comunicação jornalística. Parece mais um pastiche de algum imitador pouco talentoso de Cervantes tentando escrever uma novela policial.

O subtexto, contudo, é bastante claro. Mercadante teria obtido seu título de doutor indevidamente, já que a tese é baseada em livro anteriormente publicado e sua aprovação foi facilitada por uma banca “banguela”, composta basicamente por “amigos”.
Pois bem, o fato da tese apresentada estar baseada no livro “Brasil: A Construção Retomada”, publicado meses antes, é um segredo da carochinha, ao contrário de ser uma “revelação”, como chegou a ser divulgado. Isso foi devidamente registrado, como a própria reportagem reconhece, na introdução da tese de Mercadante. O orientador sabia, a banca sabia, a Unicamp sabia e os que assistiram à defesa da tese, inclusive os jornalistas, sabiam. O próprio Aloizio Mercadante levou um exemplar do livro para a sua arguição, como demonstra, aliás, foto que consta da reportagem. No dia seguinte à defesa, 18 de dezembro de 2010, o Brasil inteiro soube. Aparentemente, só o autor da “reportagem” ainda não dispunha dessa informação.

Todos os envolvidos também sabiam que apresentar tese baseada em livro é perfeitamente condizente com as regras acadêmicas.  A Unicamp exige somente que o trabalho tenha “contribuição original em campo de conhecimento determinado”. No entanto, a matéria pontifica que a tese foi aceita mesmo “sem uma contribuição ao conhecimento que pudesse ser considerada original”.

Bem, uma afirmação desse tipo, pedante e peremptória, demanda, normalmente, um cuidado essencial: a leitura da tese. Evidentemente, o autor da matéria não se deu ao trabalho de ler uma única vírgula, nem do livro publicado, nem da tese. Se o tivesse feito, teria verificado que a tese se debruça sobre temas teóricos e análises econômicas, políticas e sociais que estão ausentes do livro publicado, cumprindo, assim, com as exigências acadêmicas pertinentes. A sua estrutura é bem diferente da estrutura do livro. Ela tem seções teóricas que não existem no livro, e, por outro lado, a obra publicada tem capítulos que não estão na tese. Até mesmo as séries históricas dos dados empíricos utilizados são diferentes. Uma simples, rápida e descomplicada consulta aos índices de ambas as obras permitiria verificar essas diferenças.

Caso o autor da “reportagem” tivesse lido a tese, teria verificado também que a versão definitiva que foi publicada no site da Unicamp incorpora várias das sugestões feitas pela banca, na árdua arguição. Com efeito, a banca supostamente “banguela” fez, como a própria reportagem menciona, muitos questionamentos, alguns bastante duros, que foram levados em consideração, na elaboração do texto definitivo da tese. Aliás, a reportagem se compraz em mencionar, um por um, todos esses questionamentos, sem, no entanto, mostrar as respostas de Mercadante, as quais foram levadas em consideração para a obtenção do título de doutor, tal como ocorre em qualquer defesa de tese.

Mas não são somente as respostas que estão ausentes da reportagem. Na realidade, o grande ausente da matéria é seu suposto objeto: a tese de Mercadante.  No melhor estilo “não li, e não gostei”, a reportagem fala sobre tudo, menos sobre o conteúdo real da tese. Nela, a única informação relevante sobre a tese de Mercadante é de que ela elogia o governo Lula. Isso é o suficiente. Isso é o suficiente para desqualificá-la. Isso é o suficiente para retirá-la do debate público. Isso é o suficiente para agredir pessoalmente o autor, o orientador da tese e os membros da banca.

De fato, no afã de desqualificar tudo o que cheire a um mínimo reconhecimento do governo Lula, a “reportagem” não teve sequer o cuidado de poupar grandes intelectuais do Brasil, figuras de projeção nacional e internacional como Maria da Conceição Tavares, Delfim Neto, Luiz Carlos Bresser Pereira e José Manuel Cardoso de Melo. Todos dispensam apresentações. O autor da matéria, no entanto, parece não conhecê-los, pois supõe, em seu delírio, que eles poderiam comprometer seu enorme prestígio intelectual e pessoal apenas para agradar Mercadante.

Ricardo Abramovay, um dos grandes sociólogos do país, cuja tese de doutorado foi escolhida pela ANPOCs como a melhor tese de ciências sociais de 1991, é apresentado simplesmente como “o pai de Pedro Abramovay”, que foi secretário nacional de Justiça no governo Lula. Mariano Francisco Laplane, o orientador, que concluiu seu mestrado em Berkeley sob a orientação de ninguém menos que Manuel Castells, obteve o título de doutor na Unicamp e fez um prestigioso pós-doutorado em Oxford, aparece, no libretto giocoso elaborado pelo autor da matéria, fundamentalmente como um mero “amigo” de Mercadante. No caso de Laplane, a “reportagem” rompe com qualquer resquício de decência e insinua que a aprovação da tese de Mercadante teria sido recompensada por um cargo no Centro de Gestão e Estados Estratégicos (CGEE), embora tenha recebido todas as informações que comprovam que o nome de Laplane foi selecionado por um Comité de Busca e aprovado, de forma unânime, por um colegiado composto por membros de várias instituições, como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências. A tentativa de, levianamente, envolver essas instituições no complô fabricado pelo autor da peça “literária” é inaceitável.

Na ópera-bufa encenada na “reportagem”, todos esses respeitados intelectuais, de matizes ideológicos muito diferentes, aparecem como personagens duvidosos de um enredo caviloso destinado a conceder, de forma imprópria, o título de doutor a Mercadante. Como “provas”, se mencionam algumas amizades comuns e simpatias políticas. O fato concreto é que, da banca examinadora, apenas Ricardo Abramovay, suplente de Maria da Conceição Tavares, que não conseguiu comparecer, pode ser considerado “amigo” de Mercadante. Delfim Neto e Luiz Carlos Bresser Pereira, que também aprovaram a tese, jamais foram amigos de Mercadante. Por outro lado, não temos conhecimento de bancas examinadoras compostas por desafetos pessoais e políticos. Se Mercadante é amigo ou conta com a aprovação de alguns grandes intelectuais, ponto para ele. Observe-se que, à exceção de Maria da Conceição Tavares, que não participou da banca, nenhum desses intelectuais jamais foi membro ou militou pelo PT. Luiz Carlos Bresser Pereira, diga-se de passagem, foi um dos fundadores do PSDB. É inacreditável que a “reportagem”, na ânsia de desqualificar a tese não lida de Mercadante tenha procurado atacar, de forma tão baixa, pessoas tão qualificadas.

Talvez se Mercadante tivesse apresentado uma tese apenas com severas críticas ao governo Lula, a matéria fora de outro cariz, possivelmente com rasgados encômios ao autor, ao orientador e aos membros da banca.

A bem da verdade, a tese de Mercadante também analisa alguns gargalos, não suficientemente enfrentados pelo governo Lula, ao crescimento brasileiro e faz severas advertências sobre a possibilidade da interrupção do novo ciclo de desenvolvimento do país. O autor, caso tivesse lido a tese, poderia, ao menos, ter salientado esses pontos da obra, conforme as suas conveniências políticas.

É pena que revistas como Época não tenham se empenhado em promover um debate público sobre a tese. Debater idéias e argumentos é sempre uma boa forma de promover a democracia e nos engrandecer como cidadãos. Já atacar, em nível pessoal, quem tem posições discordantes, como faz o autor da “reportagem”, não engrandece ninguém. Como bem disse Gore Vidal a respeito de alguns republicanos, eles são pequenos, eles só são competentes para difamar pessoas.

Época e seu público mereciam algo melhor. Não custava muito. Bastava ter lido um dos parágrafos finais da obra, o qual afirma que:

....um dos objetivos desta tese é se contrapor à má-fé intelectual que se apoderou de alguns meios conservadores. Esperamos ter tido êxito, pelo menos nesse aspecto.

Pelo visto, Mercadante fracassou. Ainda tem gente que prefere a má-fé. Sem distinção.
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Prefeitura do Recife oferece curso gratuito sobre cotidiano e costumes da cidade

10.09.2012
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Diogo Menezes 

No mês do aniversário do Recife, a Casa do Carnaval, equipamento cultural da Prefeitura do Recife, promove o curso Cidade, Cultura e Cotidiano: o Recife em interpretação. A iniciativa acontece no período de 20 a 26 de março, das 13h30 às 16h30, no Pátio de São Pedro, Casa 52. Com aulas teóricas e práticas pelas ruas, becos e pátios do centro histórico, o curso pretende estimular um outro olhar a respeito da cidade, um Recife como lugar de práticas, representações, costumes e tradições em processo.


As inscrições gratuitas serão feitas na Casa do Carnaval, no período de 13 a 16 de março, no horário das 10h às 16h. Os interessados devem estar munidos de RG e CPF. O enfoque será nas reflexões em torno do cotidiano, da cultura e da memória. As festas, os rituais nos diferentes grupos sociais, os modos de viver, referências culturais e patrimoniais são alguns dos assuntos a serem abordados nas aulas.

O curso, que dispõe de 40 vagas, terá carga-horária total de 18 h/a e será ministrado pelos historiadores doutorandos Carlos André Moura (PPGH- UNICAMP) e Mário Ribeiro (PPGH- UFPE) e destina-se a estudantes do Ensino Médio, dos cursos técnicos e superiores das áreas de História, Turismo, Arquitetura, Pedagogia, Ciências Sociais, Relações Públicas e demais interessados.

Cronograma

Inscrições: de 13 a 16 de março, das 10h às 16 horas, na Casa do Carnaval (Pátio de São Pedro, Casa 52)

20 e 21/03 Aulas teóricas – CASA DO CARNAVAL

22/03 Aula prática – VISITA TÉCNICA NO BAIRRO DO RECIFE E SANTO ANTÔNIO

23/03 – Aula teórica - CASA DO CARNAVAL

24/03 – VISITA TÉCNICA BECOS E PÁTIOS DE SÃO JOSÉ / BAIRRO DA BOA VISTA

26/03 AVALIAÇÃO E ENCERRAMENTO DO CURSO

Informações: 3355-3303/3302

Número de vagas limitado: 40


Roteiro Bairro do Recife: Shopping Paço Alfândega / Rua da Madre de Deus / Av. Marquês de Olinda / Praça Barão do Rio Branco (Marco Zero) / Rua do Bom Jesus / Sinagoga Kahal Zur Israel / Museu à Céu Aberto / Torre Malakoffe / Praça do Arsenal da Marinha (Praça Artur Oscar) / Teatro Apolo.


Roteiro Bairro de Santo Antônio: Rua do Imperador / Igreja do Divino Espírito Santo / 1ª Residência do Conde Maurício de Nassau / Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano / Gabinete Real Português de Leitura / Complexo Franciscano de Santo Antônio (Museu de Arte Sacra e Capela Dourada) / Prédios do Jornal do Commercio e Folha da Manhã / Praça da República / Teatro de Santa Isabel e Palácio do Campo das Princesas.


Roteiro Bairro de São José: Pátio de São Pedro /  Beco do Veado / Pátio do Terço / Beco do Sirigado / Pátio de São José do Ribamar / Mercado de São José / Beco do Marroquim / Pátio do Livramento.


Roteiro Bairro da Boa Vista: Rua Velha / Rua da Glória / Rua Leão Coroado / Mercado da Boa Vista / Pátio de Santa Cruz / Praça Maciel Pinheiro / Rua do Hospício / Faculdade de Direito do Recife / Rua da Aurora
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Diario lança projeto multimídia sobre uso da internet no NE

10.03.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Por Sílvia Bessa
Confira os bastidores da produção do especial multimídia #NordesteEmRede, sobre o acesso e o uso da internet nas áreas rurais do Nordeste, que será lançado neste domingo

O Diario de Pernambuco lança domingo especial multimídia sobre o acesso e o uso da internet nas áreas rurais do Nordeste. A região teve o maior aumento percentual do número de internautas nos últimos cinco anos, segundo o IBGE. Seu crescimento foi de 213% no número de usuários , enquanto a média nacional ficou em 112%.
A reportagem é de autoria da repórter especial Silvia Bessa; com fotos de Teresa Maia e Blenda Souto Maior. Terá quatro versões distintas: uma impressa; outra no site diariodepernambuco.com.br; a terceira no Ipad e a última na TV Clube – nesta será exibida em formato de série, de segunda a sexta-feira.

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Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?Materia=20120309090354

Miriam Belchior e Paulo Sérgio Passos vistoriam obra da BR 408


10.03.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Por  TÉRCIO AMARAL
 tercioamaral.pe@dabr.com.br

Miriam Belchior e Paulo Sérgio Passos cobraram pressa de empresas responsáveis por obras. Imagem: TERESA MAIA/DP/D.A PRESS
O governo federal está apostando na agenda da fiscalização de grandes obras para fortalecer a imagem da gestão neste ano eleitoral. Depois da visita da presidente Dilma Rousseff (PT), no mês passado, aos estados de Pernambuco e Ceará, para a observação do andamento das obras da Transposição do Rio São Francisco e da Ferrovia Transnordestina, parece que o governo acertou em cheio na “fórmula” para atrair os holofotes e os olhares da base aliada. As ações, apelidadas pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, de “blitz” do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foram iniciadas na manhã de ontem com visitas aos canteiros de obras das rodovias BR-101 e BR-408, nos estados de Pernambuco, Sergipe e Alagoas.

Acompanhada pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, Míriam Belchior começou a agenda às 7h. Os dois visitaram o canteiro de obras da BR-408, que será uma das rotas de acesso da capital à Arena da Copa de 2014, no município de São Lourenço da Mata, no Grande Recife. Ao lado do governador em exercício de Pernambuco, Guilherme Uchôa (PDT), os dois anunciaram que o primeiro trecho do empreendimento, no entorno do estádio, será concluído ainda no mês de maio. 

Saindo de Pernambuco, os dois ministros seguiram de helicóptero para a cidade de Novo Lino, no interior de Alagoas. Lá, houve uma reunião a portas fechadas com técnicos e representantes de construtoras, que terminou durando mais que o esperado. 

Mesmo com mais de uma hora de atraso, os dois foram in loco a um trecho da rodovia na BR-101. O espaço, como não poderia deixar de ser, foi concorrido. A ministra, que é reconhecida em Brasília como um dos braços direitos da presidente Dilma Rousseff, chamou todas as atenções. Simpática, sugeriu fotos com trabalhadores, engenheiros e demais “curiosos”. 

Depois da vistoria, houve uma coletiva à imprensa. Durante um momento do encontro, o ministro Paulo Sérgio teve que intervir, discretamente, para participar da “blitz”. “Deixa eu responder esta pergunta”, pediu, para emendar diversas explicações dos projetos de duplicação das duas rodovias federais fiscalizadas. “Hoje tivemos a satisfação de sobrevoar 8 quilômetros (BR-101, em Alagoas) já entregues. Este lote (em Novo Lindo) deve ser entregue em maio”, argumentou.

A partir daí, o ministro se “empolgou” e chegou a mencionar que esta é a hora do governo “pisar no acelerador”. “Neste momento de crises na Europa, temos que minimizar estes efeitos com obras, gerando empregos. Um programa como o PAC não deve ter restrição orçamentária”, defendeu. O vice-governador de Alagoas, Tomaz Nonô (DEM), também acompanhou os ministros. De lá, eles seguiram para outro trecho da BR-101, na cidade de Aracaju, em Sergipe. Porém, antes da saída, anunciaram que a próxima “blitz” já tem os locais e obra definida: Goiás e Tocantins, na fiscalização da Ferrovia Norte-Sul. 
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VI O MUNDO:Ivan Seixas: É preciso resgatar a história das Divisões de Segurança e Informações

10.03.2012
Do blog VI O MUNDO
Por Luiz Carlos Azenha

Ivan Seixas foi preso com o pai, Joaquim, em 1971, quando tinha 16 anos de idade. Joaquim, mecânico, era militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Foi morto sob tortura, pela Operação Bandeirante. Financiada por empresários paulistas, a OBAN abrigou o mais famoso centro de torturas do Brasil, na rua Tutóia, bairro do Paraíso, em São Paulo.
A morte de Joaquim foi noticiada em primeira página pelo jornal paulistano Folha da Tarde, do grupo Folha. O jornal foi entregue pela família Frias a gente ligada ao regime. Dizia-se que tinha a maior “tiragem”, não pelo número de exemplares impressos, mas pelo grande número de “tiras”em seus quadros.
A notícia da Folha da Tarde dizia que Joaquim tinha sido morto depois de resistir à prisão.
Ivan Seixas viu a notícia da morte do pai estampada na manchete do jornal. Ele tinha sido tirado da sede da OBAN para uma simulação de fuzilamento, perto do Parque do Estado. Viu o jornal pendurado em uma banca de jornal, quando os policiais pararam numa padaria para tomar café.
Só que, ao voltar à OBAN, Ivan viu o pai, ainda vivo, na sala de torturas.
Hoje, Ivan é integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e um dos apoiadores daComissão Estadual da Verdade, já instalada em São Paulo.
Ele acredita que a Comissão Nacional da Verdade, proposta pelo Executivo e aprovada pelo Congresso Nacional, não dará conta de apurar toda a história da repressão, “tenha sete ou sete mil integrantes”.
Ivan diz que é necessário estadualizar e municipalizar o trabalho, para chegar aos órgãos que abasteciam o Serviço Nacional de Informações (SNI), as Divisões de Segurança e Informações (DSIs).
Eram, no dizer do Ivan, “os olhos e os braços” da repressão, que atuavam em faculdades e locais de trabalho para produzir as listas de estudantes, professores e operários que seriam vigiados e punidos.
“Foi muito pior do que a gente imagina”, diz Ivan, certo de que há milhares de casos espalhados pelo Brasil que nunca foram relatados.
Ivan não dá muita importância aos manifestos lançados por militares reformados nas últimas semanas, dizendo que são “manifestos de torturadores”.
“Militar não é torturador. Torturador pode ser militar ou civil”, ele diz.
Antes de mais nada, ele argumenta, é preciso resgatar toda a História do aparato repressivo, inclusive dos empresários que ajudaram a financiá-lo.
Para ouvir a entrevista, clique abaixo:
Veja também:

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EDUARDO GUIMARÃES: Governistas e oposicionistas se unem para abafar escândalos

10.03.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
Em dezembro do ano passado, imensa mobilização nas redes sociais converteu o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, no maior best-seller político do século XXI no Brasil, com mais de cem mil exemplares vendidos – até a última divulgação da tiragem, feita há mais ou menos um mês. Esse êxito editorial foi logrado sem a menor participação da grande imprensa.
O livro apresentou provas irrefutáveis de que o ex-governador José Serra, parentes e amigos receberam verdadeiras fortunas do exterior, dinheiro que jamais teve comprovação de origem. Diante disso, o deputado comunista Protógenes Queiroz (SP) formulou um requerimento de CPI que obteve mais assinaturas do que o mínimo exigido. Esperava-se que fosse instalada logo após o fim do recesso parlamentar de fim de ano.
À época, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), dera declarações ambíguas sobre a instalação da CPI e, na volta dos trabalhos do Congresso, continuou na mesma toada. O tempo foi passando, já vai para um mês que o Congresso retomou seus trabalhos e a CPI da Privataria vai tendo o mesmo destino da CPI do Banestado, em 2003: o abafamento.
Ninguém nega que aquela CPI foi abafada por governistas e oposicionistas. O máximo que os governistas dizem é que estávamos no primeiro ano do governo Lula, quando o país vivia uma crise econômica muito séria após o desastre FHC e o governo ainda estava sendo ”testado” pela comunidade financeira internacional, de maneira que não seria interesse do país estabelecer uma “guerra política”.
Agora, como não há desculpa para não instalar a CPI da Privataria, no Congresso não se fala mais do assunto. Só o autor do requerimento de investigação e alguns raros deputados ainda tentam manter o assunto vivo.
Durante a semana que finda, mais um acordão de impunidade uniu petistas, tucanos, demos e companhia limitada. Veio à tona que o senador pelo PSDB goiano, Demóstenes Torres, durante seis meses do ano passado conversou por telefone duas vezes por dia, todo dia, com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, além de ter sido presenteado pelo contraventor com uma cozinha importada no valor 30 mil dólares.
O nome de Carlinhos Cachoeira ganhou repercussão nacional em 2004, após a divulgação de um vídeo que o flagrou oferecendo propina a Waldomiro Diniz, o que gerou a CPI dos Correios, que seria o começo do ataque da imprensa ao governo Lula, que duraria até o fim de seus dois mandatos.
Em 29 de fevereiro deste ano, Cachoeira foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, que desarticulou organização que explorava máquinas de caça-níqueis no Estado de Goiás. A notícia de que Demóstenes conversava duas vezes por dia, todo dia, com o senador do DEM goiano foi minimizada ou ocultada pela mídia oposicionista (Veja, Folha, Estadão e Globo).
Não satisfeito com o acobertamento da mídia, Demóstenes, indignado por acharem estranho que um senador, durante longo período, conversasse por telefone duas vezes a dia, todo dia, com um criminoso e recebesse dele presentes caros, foi à tribuna do Senado manifestar a sua “indignação”. A reação esperável de seus pares seria que o interrogassem duramente, mas nem mesmo os seus adversários fizeram isso.
O pronunciamento de Demóstenes recebeu 44 apartes de representantes de todas as bancadas, do DEM ao PT. Os senadores Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Romero Jucá, Lobão Filho, Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, Alfredo Nascimento, Eduardo Suplicy e Marta Suplicy, entre muitos outros, derramaram-se em elogios ao colega e o disseram “injustiçado”.
A conclusão que se impõe é a de que governistas e oposicionistas podem ter feito um acordo de leniência mútua, explicável, em parte, pelo ano eleitoral. A CPI da Privataria, por exemplo, parece que ficará como uma carta na manga dos governistas caso a oposição decida explorar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá ocorrer ainda neste semestre.
O mais interessante, para usar um eufemismo, é que simpatizantes do governo e da oposição se engalfinham na internet todo dia e, enquanto isso, os políticos das duas vertentes se lambem, protegem-se, elogiam-se, acobertam-se mutuamente. Para os que temos simpatias políticas e nada mais, talvez seja hora de começarmos a entender que estamos fazendo papéis de idiotas.
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Demóstenes, política e contravenção

10.03.2012
Do BLOG DO MIRO, 09.03.12
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:


Após subir à tribuna do Senado na terça-feira para explicar suas relações com o notório contraventor Carlinhos Cacheira, preso na semana passada pela Polícia Federal, Demóstenes Torres (DEM-GO) recebeu 44 apartes de seus colegas de vários partidos, todos se solidarizando com ele. Nenhum o questionou.

Em resumo, Torres negou que tivesse negócios com Cachoeira, a quem chama de empresário, e justificou as 298 ligações telefônicas entre os dois gravadas pela PF no ano passado apenas por cultivarem uma grande amizade.

"É meu amigo. É uma figura conhecida em Goiás, simpática com todo mundo, é um empresário daqui. Carlinhos não era conhecido entre nós por explorar jogos de azar. Ele tinha explorado, lá atrás, jogos legais em Goiás. Para os amigos, dizia que não mexia com nada ilegal", explicou Torres à revista Veja antes de falar no Senado.

Procurador do Estado e ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, 51 anos, o senador do DEM, que já teve seu nome cogitado pelo partido para disputar a presidência da República, acreditou nas palavras do amigo e garantiu não saber que ele comandava o jogo do bicho na região Centro-Oeste, além de integrar uma quadrilha acusada de explorar máquinas caça-níqueis e pagar propina a agentes públicos.

Também não estranhou nada quando ganhou do amigo como presente de casamento uma cozinha, avaliada em R$ 50 mil, de uma marca americana conhecida por equipar a Casa Branca.

O escândalo sobre as ligações de Cachoeira com políticos e policiais de Goiás investigada durante a Operação Monte Carlo estourou na semana passada e já levou 34 pessoas para a cadeia.

Mas Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, agora hospedado no presídio de segurança máxima em Mossoró, no Rio Grande do Norte, ficou nacionalmente famoso muitos anos antes. Em 2004, após a divulgação de um vídeo em que foi flagrado ao pagar propina para Valdomiro Diniz, amigo de José Dirceu e assessor do ministro-chefe da Casa Civil no início do governo Lula, deixou de ser um contraventor anônimo.

Por uma ironia da vida, Cachoeira (10 anos) e Diniz (15 anos) foram condenados na semana passada, oito anos depois, dois dias antes do início da Operação Monte Carlo, que levou o nome do senador Demóstenes Torres para o noticiário, desta vez sem ser para denunciar malfeitos de ministros do governo petista, como costuma acontecer com frequência.

As ligações entre a política e a contravenção vêm dos tempos em que campanhas eleitorais eram financiadas por cafetões e bicheiros, muito antes dos bancos e das empreiteiras, quando ainda não se tinha conhecimento de personagens como Marcos Valério, que começou trabalhando para os tucanos em Minas e acabou se tornando famoso no caso do mensalão do PT que abalou o governo Lula.

Cachoeira fez o caminho inverso ao de Valério: depois de surgir no cenário pagando propina a pessoas do PT, agora tem seu nome ligado a políticos do DEM e do PSDB do governador Marconi Perillo, o que prova apenas uma obviedade: a contravenção, tal qual a política partidária de hoje em dia, não é movida por qualquer pudor ideológico.

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