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segunda-feira, 5 de março de 2012

As razões da subordinação de Kassab a Serra

05.03.2012
Do blog de Luís Nassiff, 02.03.12
Por ff


Lideranças do PSD estão imersas em elucubrações sobre os motivos que levaram o prefeito paulistano Gilberto Kassab a apoiar José Serra. Politicamente é um desastre para o PSD e, dentro do partido, para Kassab.
Chegou-se a aventar a possibilidade de Kassab estar nas mãos de Serra devido a algum segredo recôndito. A explicação é muito mais simples do que parece e pode ser buscada nas origens políticas de Serra, ainda no governo Montoro.
A carreira de Serra foi montada em cima de dois Serra, o 1 e o 2

Seu lado mais eficiente foi o Serra 2, da gestão financeira informal do partido. No governo Montoro indicou os financeiros das principais estatais paulistas; controlou a liberação dos precatórios; monitorou ferreamente a importação de equipamentos médicos. Mais tarde, comnandou a ala tucana do Banespa, através de seu sócio Vladimir Riolli; foi o tucano mais influente no Banco do Brasil, através de Ricardo Sérgio; no Planejamento, controlou as privatizações e foi o mais ferreo defensor (para dentro), embora se poupasse (para fora). Na Saúde, meteu-se na encrenca das ambulâncias. Eleito prefeito, trouxe para a prefeitura um conjunto enorme de prestadores de serviços que atuavam principalmente no Distrito Federal.  No Estado, teve o Rodoanel e Paulo Preto.
Serra 2 foi blindado pelo seu alter ego público, o Serra 1, suposto intelectual, economista desenvolvimentista etc. Foi uma blindagem esperta, porque contou, durante anos, com o aval de intelectuais de peso - como Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa e Luiz Gonzaga Beluzzo - iludiu políticos ladinos - como FHC e Lula -, sem contar os jornalistas que caimos nesse conto.
Depois que colocou o pescoço para fora, como governador e como candidato a presidente, constatou-se que o Serra 1, se algum dia existiu, morreu nos anos 80. Já o Serra 2 tornou-se cada vez mais explícito e dominante. A campanha abjeta que desenvolveu desnudou-o de vez, matando resquícios do Serra 1.
Hoje creio estarmos quase todos - jornalistas que o conheceram e o apoiaram no início, economistas desenvolvimentistas, intelectuais tucanos, os próprios FHC e Lula - convencidos de que o estilo Serra, que extravasou nos últimos anos, não se deve a burrice política, desequilíbrio ou quetais. Para consumo externo, Serra era Gianotti; no âmago, sempre foi Itagiba, Gesner, Paulo Preto. O verdadeiro Serra era o Serra 2.
Fez a mais cara campanha de deputado federal em 1989. Para impor sua candidatura presidencial ao partido, o grande trunfo foi seu caixa de campanha, suficientemente robusto para financiar aliados em outros estados. O grande trunfo de Kassab para montar o PSD, sem nunca ter tido atuação nacional, foi o caixa proporcionado pelo terceiro maior orçamento do país - a prefeitura de São Paulo.
O livro "A Privataria Tucana" mostra que Serra montou todo seu universo em torno da família, os únicos a merecerem sua confiança irrestrita. É crível supor que, impondo Kassab ao partido, nas eleições para prefeito, deixasse em suas mãos o controle da caixinha partidária? É evidente que não.
Eleito governador, a primeira coisa que Geraldo Alckmin fez foi nomear seu homem para a área de transportes - Saulo de Castro Abreu. A primeira declaração de Saulo foi ameaçar mudar os cálculos dos pedágios paulistas. Chegou até a estimar as perdas das empreiteiras. Dado o aviso sobre quem era o novo rei, quedou em silêncio obsequioso de quem já reconquistou o terreno.
É evidente que, surgindo através das mãos de Serra, Kassab não teve a mesma oportunidade de romper o cordão umbilical. É possível que Serra consiga o recorde de sepultar dois partidos de uma vez.
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MANIPULAÇÃO DA MÍDIA: Folha de S.Paulo; Um jornal a serviço do PSDB

05.03.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 04.03.12

Jornal Folha de São Paulo; 20/02/2012: Serra busca estratégia para vencer rejeição

Segundo a sondagem mais recente do Datafolha, concluída em janeiro, 33% dos eleitores de São Paulo dizem que não votariam de jeito nenhum em Serra. No cenário mais favorável para sua candidatura, ele tinha 21% das intenções de voto em janeiro.
Folha de São Paulo; Domingo, 04 de março de 2012 - 13 dias depois:  “Serra sobe nove pontos e lidera disputa em SP

Levantamento feito pelo Datafolha entre quinta e sexta-feira mostra Serra com 30% dos votos num cenário em que estão os principais postulantes ao cargo.No fim do mês de janeiro, ele tinha 21%.Serra lidera em todos os cenários em que participa.

Alguém sabe informar o que José Serra fez de relevante nesses 13 dias para subir 9 pontos?

DataSerra em ação

Entre titulo e matéria, a briga costuma ser feia, principalmente na chamada "grande imprensa". O leitor que lê a manchete na capa do jornal pendurado na frente da banca, pensa que o Serra já ganhou.

Folha partidária

Se depender da Folha, panfleto do PSDB, o tucano José Serra não vai precisar gastar com marqueteiro.No jornal, a propaganda extemporanea do candidato Serra, já começou.

O jornal, não está fazendo uma cobertura dos candidatos a prefeitura de São Paulo.Está fazendo uma campanha para o candidato à presidência ou prefeito, José Serra (PSDB). Não é de hoje que a Folha se tornou um panfleto oficial de propaganda e cabo eleitoral do PSDB.

José Serra nem precisa se preocupar em gastar com propagandas e panfletos do partido para exaltar suas obras e análises apenas positivas de seus ex governos. Basta ler a Folha de São Paulo. E se o PSDB estiver disposto a fazer um acordo direto com o Otavinho, pode distribuir o jornal nas casas dos seus eleitores durante a campanha....

Do jeito que a coisa vai, a Folha ainda chama seu ex-repórter Márcio Aith, atual assessor de José Serra de volta para ampliar o leque de opções na sua campanha contra Haddad. É o modelo de Veja está fazendo escola.
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SERRA, O "PREPARADO", NÃO TERMINOU NEM A FACULDADE

05.03.2012
Do blog ANAIS POLÍTICOS, 03.03.12


Serra, como todos já sabem, é o senhor que nunca concluiu o mandato de Prefeito de São Paulo, pra se candidatar a Governador. Quando eleito no Governo, não concluiu pra se candidatar a Presidente.

Serra também não concluiu seu mandato de presidente da UNE. Nem de Senador. 

Detalhe é que ele assinou em cartório um papelete dizendo que ficaria até o final. Não cumpriu, óbvio.

Fuçando na vida deste homem, descobre-se que não só isso ele não concluiu. Serra que se diz engenheiro e economista, na verdade não é uma coisa, nem outra.

Bem feio isso pra um homem da idade dele, que almeja cargos públicos tão importantes.

A direitona claro, reclamava que o Lula não tinha faculdade. Só o Lula?

Veja Mercadante desmascarando o amado da mídia e depois, José de Abreu falando muitas verdades sobre ele. 

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Clique aqui para ver outro militante tucano detonando o sem faculdade, Serra.
Clique aqui para ver um tucano cem por cento.
Clique aqui para ver Magnoli falando o que os patrões mandam falar.
Clique aqui para ver que ano de eleição é uma maravilha.

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PAULO HENRIQUE AMORIM: Acharam o áudio do grampo ? Não era o Protógenes !

05.03.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 04.03.12
Por Paulo Henrique Amorim


Dr Corrêa, Dr Corrêa, que feio, Dr Corrêa ...

Extraído do Blog do Nassif:

As conexões de Cachoeira e a “surpresa” de Demostenes


Autor:


Época

com comentário de Wilson Rebello

no Contraponto Marabá


Por José Carlos Lima


Investigação da PF revela fonte do poder de Carlinhos Cachoeira. Contraventor é íntimo de tucanos e demos de Goiás


Isoladamente, nenhum desses casos configura crime. Mas, quando a fonte dos favores é Carlos Augusto Ramos, o conhecido Carlinhos Cachoeira, um dos maiores contraventores do País, personagem para lá de controversa e condenado pela Justiça por diversos crimes, a coisa muda de figura. É este o enredo que ameaça sujar de vez a biografia de alguns dos mais destacados políticos tucanos e democratas de Goiás, como demonstra a reportagem da revista época.


O ex-procurador do Ministério Público e atual senador Demóstenes Torres (DEM/GO) confirma que recebeu de Cachoeira uma cozinha completa como presente de casamento.


Argumenta a) que é amigo de longa data do condenado e b) que acreditava que Cachoeira já tinha se “regenerado”. Sendo amigo por tanto tempo é de estranhar que Demóstenes, sempre tão pronto a reparar nos defeitos de petistas e aliados do Governo Federal, não prestasse atenção ao que fazia seu “amigão” ou que acreditasse na “regeneração” do “amigo”!


Estaríamos diante de um político “tonto”? Nunca vi tal espécie de político! Marconi, pilhado trocando dezenas de torpedos com Cachoeira, diz que valeu-se dos préstimos do sócio de Cachoeira, Wladimir Garcez seu correligionário (sim, Garcez, que já foi vereador, é tucano) e também preso na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, “para vender uma casa”.


Por quê, diabos, o governador de Goiás precisaria de um contraventor para intermediar um negócio imobiliário, ninguém explica. Por outro lado, o deputado Jovair Arantes (PTB), líder do partido na Câmara Federal e pré-candidato da legenda à prefeito de Goiânia é um pouco mais sincero. Reconhece que conversa mesmo com Cachoeira e que inclusive lhe pediu ajuda financeira para a campanha que se aproxima. “Tudo dentro da legalidade”, disse Jovair. Claro, claro, dizemos nó, não é queridos?Metade da bancada federal de Goiás é “mui amiga’ de Cachoeira. Torpedos e telefonemas são trocados com habitualidade e demonstram uma intimidade desconcertante entre o crime organizado e as autoridades goianas. O que eles não contavam é que a PF estivesse a escutar e gravar tudo o que diziam. Um escândalo.  Fica confirmado que vivemos em uma República na qual as autoridades parecem não cansar em decepcionar seus eleitores.


Veja a seguir trechos da reportagem da revista Época:


Na quarta-feira (29), a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo, com a prisão do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e dezenas de policiais civis e militares, acusados de envolvimento na exploração ilegal de máquinas caça-níqueis em Goiás e na periferia de Brasília. Foram presos também dois delegados da Polícia Federal e o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. Cachoeira e Dadá foram personagens de alguns dos principais escândalos políticos, como o Caso Waldomiro Diniz.


Segundo a apuração da PF, Carlinhos Cachoeira mantinha forte influência na política goiana. Nas cerca de 200 horas de gravações telefônicas, captadas com ordem judicial, Cachoeira conversa com freqüência e intimidade com deputados federais de vários partidos e com o senador goiano Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado Federal.


De acordo com os investigadores, em julho do ano passado Carlinhos Cachoeira deu um generoso presente de casamento para o senador goiano: uma cozinha completa. ÉPOCA ouviu Demóstenes. O senador confirma ter recebido, em seu casamento, um fogão e uma geladeira do casal Cachoeira. “Sou amigo dele há anos. A Andressa, mulher dele, também é muito amiga da minha mulher”, diz Demóstenes.


Segundo o senador, Cachoeira mantém conversa também com políticos de todas as tendências em Goiás. “Depois do escândalo Waldomiro Diniz, eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”, afirma Demóstenes. “Para mim, foi uma surpresa as revelações feitas por essa operação da Polícia Federal”.


Entre os presos na Operação Monte Carlo, o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladmir Garcez, era interlocutor freqüente do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo investigadores, Garcez trocou dezenas de torpedos pelo celular com o governador. Depois, segundo a polícia, o ex-vereador repassava as informações para Cachoeira. Por intermédio de sua assessoria, o governador Perillo disse que há anos mantém relações políticas com Garcez, com quem fala com frequência e troca mensagens eletrônicas. “Não me lembro bem sobre o que a gente falava, só que ele me ajudou a vender uma casa”, diz Perillo por meio da assessoria.


Nas escutas telefônicas, metade da bancada de Goiás na Câmara conversava habitualmente com Cachoeira. Entre eles, o deputado Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara. “Eu sempre falei com o Cachoeira, mas não tenho negócios com ele”, afirma Arantes. “Ele sempre foi ligado à política. Eu liguei recentemente para ele, por exemplo, para pedir apoio porque sou candidato à prefeitura de Goiânia. Mas era uma ajuda legal”.


Outro interlocutor habitual de Carlinhos Cachoeira é o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. “Nossas famílias são amigas há muitos anos. Nunca escondi nossa amizade, sempre freqüentei a casa dele. Mas nunca tive negócios com ele”, afirma o deputado Leréia.


http://contrapontomaraba.blogspot.com/2012/03/investigacao-da-pf-revela-fonte-do.html

O bicheiro, o senador e o grampo falso da Veja


Autor:

Luis Nassif


A revelação das relações entre o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira reabre as feridas da Operação Satiagraha e do grampo falso plantado pela revista Veja para reavivar a CPI do Grampo e matar as investigações.


Na série “O Caso de Veja”, que escrevi em 2008, um dos capítulos tem por título “O araponga e o repórter” (clique aqui).


Nele, se mostram as relações incestuosas entre Carlinhos Cachoeira e a sucursal brasiliense da revista. Coube a Carlinhos indicar o araponga que, contratado pelo chefe de uma das gangues que dominava os Correios, em aliança com o repórter da revista, deflagrou o escândalo da propina dos R$ 3 mil. O escândalo derrubou o esquema comandado pelo deputado Roberto Jefferson, permitindo a retomada do controle das negociatas pelos parceiros de Carlinhos. Tempos depois, a Policia Federal deflagrou a operação que desarticulou a quadrilha e a revista não deu uma linha sobre o ocorrido.


A cumplicidade era total. O araponga grampeava, o jornalista analisava se o grampo estava bom ou não. Depois, dava um tempo para que, de posse do grampo, o sujeito que contratou o araponga pudesse agir.


Tem-se, portanto, a ligação entre os grampos da revista e Carlinhos Cachoeira.


Tem-se, também, Demóstenes Torres se prestando ao grampo armado, naquela conversa com o presidente do STF Gilmar Mendes. O arquivo de som jamais apareceu para não revelar as fontes. A atuação de Demóstenes no grampo parece com a de uma senhora que, sabendo de antemão que será filmada, trata de vestir sua melhor roupa. A conversa é estudada e consagradora para Demóstenes, que se apresenta como um senador defensor dos bons costumes. É o primeiro caso de grampo a favor da vítima.


Agora, aparecem as relações entre Demóstenes e Carlinhos Cachoeira.


É mais um capítulo sobre as relações terríveis entre crime organizado, jogo político e mídia.


No caso do grampo, houve a tentativa (bem sucedida) de envolver a mais alta instância do Poder Judiciário.

Navalha
Com um grampo sem áudio da Veja, Gilmar Dantas (*) e Nelson Johnbim deram um Golpe de Mestre: demitiram Protógenes Queiroz da Satiagraha, removeram Paulo Lacerda para Lisboa e deram alforria ao banqueiro apanhado no ato de passar bola, Daniel Dantas, flagrado no ato do suborno em vídeo exibido pelo jornal nacional.
Salvaram mais do que Dantas.
Salvaram o pescoço da Privataria Tucana.
Por algum tempo, apenas, porque o Amaury contou tudo.
Será por isso que o Luiz Fernando Correa, o diretor geral da PF que substituiu Lacerda e passou a perseguir Protógenes, tinha tanta dificuldade para achar o áudio do grampo ?
Porque, se achasse, macularia supremas reputações ?
Viva o Brasil !
Nem Al Capone !



Paulo Henrique Amorim


(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

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MOBILIDADE URBANA: Quinze minutos para se livrar do caos

06.03.2012
Do Diario de Pernambuco
Por Tânia Passos
Colaborou Filipe Falcão

        

Não são os 15 minutos de “fama” que irão mudar a sua vida. Mas, talvez, os 15 minutos que você poderá aprender a usar na hora de programar seus deslocamentos. O tempo pode parecer pequeno, mas faz toda a diferença entre encontrar uma janela de escape nos horários de pico ou ficar preso nos engarrafamentos gastando até o triplo do tempo que levaria, se os tais 15 minutos tivessem sido levados em conta. Entender essa lógica é fazer a leitura do comportamento das vias. Cada uma tem o seu próprio tempo e fluidez e precisamos mais do que nunca conhecer a nossa janela de “salvação”.

O principal termômetro para avaliar a fluidez de uma via é a velocidade dos carros. A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) registra o volume de tráfego e velocidade nos principais corredores e os números mostram o que os motoristas conhecem na prática. Para se ter uma idéia, às 6h na Avenida Boa Viagem, a velocidade chega a 60 km/h. Nesse mesmo horário, a Avenida Rui Barbosa apresenta uma velocidade média de 28km/h. A variação em minutos nas duas vias é mais perceptível antes das 7h. No caso de Boa Viagem, a diferença de 15 minutos faz uma diferença enorme. Na Rui Barbosa, a variação dos 15 minutos, entre 7h e 10h significa um ganho de velocidade que varia de 6km/h a 16km/h. Um caos, sem muita trégua.

Já na Avenida Boa Viagem, as chances de encontrar janelas de fuga são maiores. A advogada Maria Paula Magalhães, 29 anos, sabe bem que sair quinze ou vinte minutos mais tarde pode fazê-la passar menos tempo no trânsito. Moradora do bairro de Boa Viagem, ela trabalha na Ilha do Leite, no centro expandido, e deve bater o ponto às 9h. A princípio, ela saía de casa por volta das 7h40, 7h45. “Era terrível, pois eu perdia muito tempo no engarrafamento e acabava chegando no trabalho faltando quinze minutos para às 9h”, explica Paula.

Foi por acaso, que ela descobriu a janela de escape. Por causa de um atraso, saiu de casa às 8h15 e chegou ao trabalho 35 minutos depois. “Eu achei que fosse chegar ao trabalho quase às 9h20, mas para minha surpresa, cheguei quase no mesmo horário, por volta das 8h50”, revelou. Paula ficou curiosa com o bom resultado e decidiu tentar uma segunda vez sair de casa para o trabalho às 8h15. Novamente, ela levou cerca de 35 minutos.

Na janela do tempo não é apenas o horário que deve ser levado em conta, mas também a faixa. Algumas são mais velozes que outras. Para se ter uma ideia, às 8h15, a maioria dos carros está a uma velocidade entre 20km/h e 30kms/h, mas nesse horário é maior a quantidade de carros que chegam a 40km/h. “É importante que as pessoas conheçam bem como funciona o trânsito dos seus bairros. Dez ou quinze minutos é o tempo necessário para que um engarrafamento se forme ou desapareça”, afirma Marcos Araújo, gerente de fiscalização da CTTU. Segundo ele, em alguns casos, sair de casa às 7h40 ou às 8h faz uma grande diferença no percurso.
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MANIPULAÇÃO DA MÍDIA: Os novos cães de guarda


05.03.2012
Do BLOG DO EMIR, 13.02.12
Por Emir Sader



Por que os jornalistas não deveriam responder por suas palavras, dado que eles exercem um poder sobre o mundo social e sobre o próprio mundo do poder?” Assim o atual diretor do Le Monde Diplomatique francês, Sege Halimi, abre o seu livro “Os novos cães de guarda”. O livro retoma, no seu titulo, o livro de Paul Nizan, “Os cães de guarda”, publicado originalmente em 1932, e tornado famoso pela sua reedição em 1960, quando Sartre prefacia um outro livro de Nizan, Aden Arabie, relançando sua obra.

Nizan dizia que os intelectuais não devem ser os taquígrafos da ordem, mas aqueles que saibam a necessidade de superá-la, isto é, de subvertê-la. “O homem jamais produziu nada que testemunhasse a seu favor, senão com atos de cólera: seu sonho mais singular é sua principal grandeza, reverter o irreversível.” Recusar “esconder os mistérios da época, o vazio espiritual dos homens, a divisão fundamental de sua consciencia, e esta separação cada dia mais angustiante entre seus poderes e o limite real de sua realização”. 

Halimi escreveu “Os novos cães de guarda” (Jorge Zahar, no Brasil), na coleção de combate dirigida por Pierre Bourdieu, para atualizar o fenômeno, que tornou-se um fenômenos essencialmente midiático nos nossos dias. A mercantilização neoliberal arrasou o campo midiático: “A informação tornou-se um produto como outro qualquer, comprável e destinado a ser vendido...”

Halmim faz um livro devastador, porque simplesmente retrata como são produzidas as informações e as interpretações a favor do poder e da riqueza. “Reverência diante do poder, prudência diante do dinheiro...”- resume ele, que revela as tramas de cumplicidade e de promiscuidade entre a velha mídia e os poderes economicos e políticos. E, também, como esses empregados das empresas de comunicação se promovem a si mesmos, alegremente, numa farsa de fabricação de opinião publica – expressão de Chomsky – de forma oligárquica e elitista.

Quem ousa romper com o consenso dominante é desqualificado como “populista”, “demagogo” pelos “cardeais do pensamento único”, que nos venderam suas mercadorias como a única via possível de “governos responsáveis”, afirmações pelas quais nao respondem hoje, quando essas certezas revelam suas misérias e os sofrimentos que causam para os povos cujos governos ainda se guiam por esses dogmas. 

“Mídias cada vez mais concentradas, jornalistas cada vez mais dóceis, uma informação cada vez mais medíocre”, conclui Halimi. Perguntado pela razão de que a velha mídia não se reforma, não se renova, o ex-ministro da educação da França, Claude Alegre, político de direita, respondeu com franqueza: “Eu vou lhes dar uma resposta estritamente marxista, eu que nunca fui marxista: porque eles não têm interesse... Por que os beneficiários dessas situação não têm o menor interesse em mudá-la.”

O livro de Halimi foi transformado em documentário e é o filme mais interessante para se ver em Paris atualmente, com o mesmo titulo do livro: “Os novos cães de guarda”. Dirigido por Gilles Balbastre e Yannick Kergoat, com a participação do próprio Halimi no roteiro, o filme poderia ser transporto mecanicamente para o Brasil, a Argentina, a Venezuela, o México, qualquer país latino-americano, apenas mudando os nomes dos jornalistas, dos donos das empresas midiáticas e dos supostos especialistas entrevistados, representantes da riqueza e do poder nas nossas sociedades.

Entre outras informações sonegadas pela velha mídia, cada vez que alguém é entrevistado ou chamado para alguma reunião na velha mídia, aparecem os créditos da pessoa: seu cargo nas empresas privadas, sua participação em outras, as ações que dispõem, etc. Para que se saiba quem está falando, sem disfarçá-lo na qualidade de “especialista”, grande economista, etc, etc.

Mais informações sobre o filme podem ser obtidas em www.lesnouveauxchiensdegarde.com .
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Terceira Guerra Mundial deve iniciar este ano, alerta líder russo

05.03.2012
Do portal GOSPEL PRIME, 03.03.12

Neste final de semana, cerca de 110 milhões de russos votarão para escolher quem comandará o destino da Rússia pelos próximos seis anos, novo prazo de mandato presidencial russo.

Segundo o maior centro de estudos da Rússia, 59,5% dos eleitores apoiam a reeleição de Vladimir Putin. O líder comunista Gennady Zyuganov tem 16,3% da intenção de votos; o bilionário Mikhail Prokhorov 8,6%; o nacionalista Vladimir Zhirinovsky 8,3%, e o social-democrata Sergey Mironov 5,6%.

Durante a campanha, algumas declarações surpreenderam, pois lembravam mais a Rússia do tempo da Guerra Fria do que o país que vive uma democracia desde 1989. A maior dificuldade hoje parece ser a política externa, por conta dos apoios à China e alguns países árabes.

Vladimir Zhirinovsky, líder do Partido Liberal-Democrático e candidato presidencial da Rússia assustou seus eleitores ao advertir que a Terceira Guerra Mundial pode começar ainda este ano, durante o verão europeu (entre junho e setembro). De acordo com o político, o foco do próximo conflito será no Oriente Médio, especificamente o Irã e a Síria.

De acordo com o plano dos EUA, insiste Zhirinovsky, o conflito será desenvolvido da seguinte forma: após a queda de Bashar al-Assad na Síria, os norte-americanos apoiarão um golpe militar no Irã. Por sua vez, isso aumentará  as tensões entre outros países da região. ”Após dominar a Síria durante o verão,  os EUA vão atacar o Irã. Azerbaijão vai aproveitar para anexar novamente a região de Nagorno-Karabakh.

Isso causaria revolta na Armênia, mas a Turquia apoia o governo do Azerbaijão. Cria-se assim um conflito entre Armênia, Azerbaijão e deverá envolver o país vizinho da Geórgia. A Rússia  será obrigada a proteger as suas fronteiras do sul e  haverá uma “luta em várias frentes ao mesmo tempo”, disse  Zhirinovsky durante uma entrevista à estação de rádio Mayak.

Analisando a situação atual, o candidato nacionalista disse que o conflito internacional foi iniciado pela EUA há 20 anos atrás, e desde então só cresce.

“Na verdade, a Terceira Guerra Mundial começou em janeiro de 1991, quando eles fizeram o Iraque atacar o Kuwait. Até agora, os Estados Unidos e seus aliados já tentaram ocupar sete países árabes. Em seguida, eles devem tentar controlar a Rússia e a China através de todos estes territórios do sul”, disse ele.

A justificativa para isso tudo seriam objetivos econômicos, disse  Zhirinovsky. “Petróleo e energia são a base de tudo. Mas hoje [os EUA] não produzem o suficiente, por isso pretendem controlar todas as nações geradoras da energia do mundo. Já ocuparam os árabes e a Ásia Central. Vão tentar assumir o Irã, que exporta 20% do petróleo mundial . Em seguida, controlarão quase 70% das exportações, excetuando a Rússia e outros países como a Venezuela”.

Em seu programa presidencial, Vladimir Zhirinovski define os Estados Unidos como “a única fonte de agressão que possui uma política incompatível com os modelos de segurança global”.

Ele é famoso por difamar seus adversários políticos, instigando brigas físicas no parlamento e fazer discursos inflamados contra o Ocidente em geral e os judeus em particular. Seu ódio por Israel é bastante  conhecido. No passado, ele defendeu o uso de armas nucleares contra os rebeldes chechenos e para  retomar o  Alaska dos EUA.

Traduzido e adaptado de Rússia News e Acontecer Cristiano
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Pelo menos tá dando emprego: Indiana foi escravizada por ricaça norte-americana durante cinco anos


05.03.2012
Do blog O CORREIO DA ELITE, 03.03.12

Indiana escravizada cinco anos por milionários de Nova Iorque

Dormia num armário e trabalhava 17 horas por dia

Uma milionária norte-americana vai ser julgada por ter escravizado durante cinco anos e meio uma imigrante ilegal indiana, que trabalhava 17 horas por dia na sua mansão de 34 quartos e era forçada a dormir num armário.

Segundo o site norte-americano Smoking Gun [ see here... ] , especializado em casos de crime, a milionária Annie George e o seu falecido marido Mathai Kolath George aliciaram a mulher, cujo nome não foi divulgado e residia no estado indiano de Kerala, com a promessa de receber um salário mensal de mil dólares.

Além de tomar conta das quatro crianças do casal, tinha que fazer trabalhos domésticos na mansão, à qual nem faltava um heliporto, situada a poucos quilómetros de Albany, capital do estado de Nova Iorque.

Apesar de a remuneração mensal combinada ser inferior ao salário mínimo nesse estado, a imigrante acabou por receber apenas 29 mil dólares ao longo dos 67 meses em que trabalhou sete dias por semana, 17 horas por dia, numa média de 68 cêntimos por hora.

Isto só deixou de acontecer graças à denúncia de um filho da vítima, tendo o Departamento de Emprego retirado a indiana da mansão no ano passado. Agora as autoridades dizem que lhe são devidos 206 mil dólares em salários.

Depois de o marido ter morrido num acidente de avião em 2009, a milionária Annie George telefonou para o filho da empregada, residente na Índia, pedindo para instruir a mãe a dizer às autoridades "que estava na casa como convidada", visto que era parente do seu falecido proprietário. ( CM )
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SERRA E KASSAB: Quem manipula quem?

05.03.2012
Do blog CRÔNICAS DO MOTTA, 28.02.12


É interessante essa relação entre Serra e Kassab, o criador e a criatura, o artista e a marionete.

Ela me intriga, principalmente porque, quando todo mundo esperava que o boneco tivesse criado vida própria, eis que ele parece ter uma recaída que o faz voltar a se mover apenas sob o comando de seu mestre, aquele demiurgo de feições tristonhas, olheiras profundas, calvície pronunciada e palidez incriminadora.

Mas tudo pode ser apenas um jogo de espelhos.

O mamulengo desengonçado - quem não se lembra do Kassabão que nos espreitava pelas esquinas da metrópole? - mostrou que seus passos podem, quando querem, levá-lo em direção ao pote de ouro, não o intangível que fica no fim do arco-íris, mas aquele negociado nas mais finas mercearias.

É difícil, muito difícil mesmo, saber quem controla quem, qual fio invisível se presta a mexer os lábios de um ou a boca do outro, as mãos delicadas do alcaide ou as sempre higiênicas do eterno candidato a tudo que se preza.

Triste missão para os nossos estudiosos e sapientes cientistas políticos que abundam nas páginas dos jornalões, nos horários nobres ou nem tanto das televisões abertas e fechadas que fazem a festa da informação - livre! - deste glorioso país.

E como tristeza não paga imposto, como muita água há de rolar sob a frágil pinguela que liga as margens  direita e esquerda do caudaloso rio da democracia, nada melhor que buscar na sabedoria popular algo que encerre essa questão, profunda e inescrutável, envolvendo manipuladores e títeres.

Só uma boa anedota para esclarecer de vez esse dilema. Pinçada na maior fonte, inesgotável fonte, de conhecimento - para o bem ou para o mal - que existe, esta nossa internet.

Na íntegra, via Google, para aqueles que já conhecem relembrá-la, e para o deleite dos marinheiros de primeira viagem, eis aí a imbatível piada da 
loira e o ventríloquo.


Durante uma apresentação, um ventríloquo estava contando todo o seu repertório de piadas de loiras com o seu marionete Zequinha. 

De repente uma loiraça se levantou e começou a discursar:

 - Já ouvi o suficiente das suas piadas denegrindo as loiras, seu idiota. O que o faz pensar que pode estereotipar as mulheres desse jeito? O que tem a ver os atributos físicos de uma pessoa com o seu valor como ser humano? São caras como você que impedem que mulheres como eu sejam respeitadas no trabalho e na comunidade, que nos impedem de alcançar o nosso pleno potencial como pessoa. Por sua causa e por causa das pessoas da sua laia, perpetua-se a discriminação, não só contra as loiras, mas contra as mulheres em geral...tudo em nome desse pseudo-humor!  

Perplexo e envergonhado, o ventríloquo começou a se desculpar: 

 - Minha senhora, não foi essa a minha intenção... 

 E a loira, em tom raivoso, interrompe: 

 - Fique fora disso, meu senhor! Eu estou falando com esse rapazinho desprezível que está sentado no seu colo!

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FOLHA DE SÃO PAULO E O GOLPE DE 64: VALE A PENA LER DE NOVO: "MINHA LUTA SEM FIM CONTRA A FOLHA DE S. PAULO"

05.03.2012
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA, 15.10.2011
Por Celso Lungaretti

(artigo publicado em abril/2009, mas que permanece bem atual, pois a Folha de S. Paulo continua incidindo nas mesmas heresias jornalísticas que eu criticava então  -- e eu continuo convocando-a para responder por suas infâmias no tribunal das consciências) 

Há alguns dias, dois companheiros que eu respeito criticaram a minha insistência em esmiuçar o episódioFolha de S. Paulo x Dilma Rousseff, alegando que já estava superado e havia novos assuntos a serem abordados.

Respondi que, desde que confronto o maior jornal brasileiro, nunca ele se colocou em posição tão indefensável, daí minha determinação em aproveitar ao máximo a fraude desmascarada para expor as entranhas da Folha.

No meu caso, a briga vem de longe.

Em 1994, Marcelo Rubens Paiva utilizou a capa da Ilustrada para abordar um filmeco de propaganda anticomunista realizado, se bem me lembro, pela Polícia Militar. Havia referências ao cerco que Carlos Lamarca e um pequeno grupo de resistentes romperam no Vale do Ribeira, em abril/1970, naquela que foi uma das maiores proezas militares da História brasileira (mas, claro, jamais será reconhecida como tal pelas Forças Armadas...).

Então, sem quê nem pra quê, Paiva me citou como responsável pela delação do campo de treinamento guerrilheiro ali instalado pela VPR, que deu origem à operação mobilizando cinco mil militares contra uma mísera dezena de combatentes revolucionários.

Reivindiquei direito de resposta, que foi imediatamente concedido. Esclareci o meu lado da questão, principalmente o fato de que, no dia da minha prisão (16/04/1970), após ser torturado várias horas, indiquei, como despiste, a área da VPR em que eu estivera como integrante da equipe precursora.

Tendo essa área inicial (vamos chamá-la de área 1) sido desativada por inadequação aos nossos propósitos, eu avaliei que nenhum mal resultaria de tal revelação, que me daria tempo para respirar. Havia informações verdadeiramente importantes a preservar, custasse o que custasse.

Para minha surpresa, Paiva retrucou, citando um torturador que não estivera envolvido no meu caso, mas  ouvira falarem (!) que eu delatara a área. E levantou a hipótese de que, mesmo não tendo entregue a área ativa (vamos chamá-la de área 2), a repressão a teria descoberto a partir da prisão de aliados da região que mediaram a aquisição de ambas. A minha responsabilidade passaria, então, a ser indireta, por ter propiciado um caminho para investigações.

Preparei a resposta final a que tinha direito segundo o próprio Manual de Redação daFolha. Tanto a editora da Ilustrada quanto a ombudsman tentaram negar-me tal direito, alegando falta de espaço e outras desculpas esfarrapadas.

Mandei carta ao próprio diretor de Redação Otavio Frias Filho exigindo que o jornal respeitasse suas normas. Ele ordenou que a polêmica fosse encerrada exatamente como estabelecia o Manual, com a publicação, lado a lado, do último texto de cada um de nós.

No entanto, isto me valeu a antipatia eterna do tal Otavinho. Nunca mais recebi tratamento equânime por parte da Folha.

No final de 2004, encontrei na web um relatório secreto do II Exército que esclarecia definitivamente a questão: a repressão soubera por meu intermédio da existência da área 1, enviara duas equipes lá e elas voltaram de mãos abanando, pois constataram que estava abandonada há meses; mas, a prisão de outra pessoa no Rio de Janeiro, em 18/04/1970, colocara a repressão na pista certa da área 2.

Ou seja, ficava claro que eu não tinha nada a ver com a descoberta da área 2: não indicara sua localização (mesmo porque a desconhecia); e ela também não havia sido revelada por aliados da região, os quais, na verdade, só foram presos quando a Operação Registro já havia sido desencadeada pelos militares.

Embora tivesse me saído razoavelmente bem na polêmica de 1994, ela não havia terminado de forma conclusiva. Acabara sendo minha palavra contra a de Paiva, sem que ninguém provasse categoricamente suas afirmações.

Em 2004 eu tinha a prova e a submeti à Folha que, evasiva, designou o responsável pela sucursal do RJ para colher meu depoimento e redigir uma matéria esclarecedora. O tempo foi passando e eu, depois de enviar farta documentação ao jornalista designado, comecei a cobrar o cumprimento da promessa.

Foi quando o grande historiador Jacob Gorender encaminhou à Folha carta fazendo uma espécie de autocrítica por haver-me atribuído a delação da área guerrilheira no seu clássico Combate nas Trevas. Ele relatou honestamente que, face aos documentos que eu lhe encaminhara e a outros que ele pesquisara, concluíra pela minha inocência no episódio.

Folha publicou a carta do Gorender, na íntegra, noPainel do Leitor. E me comunicou que, com isto, considerava ter-me concedido satisfação suficiente, dando, portanto, a questão por encerrada.

É claro que não o fizera! A acusação injusta havia sido lançada por um jornalista da Folha. A carta do Gorender representava tão-somente a retratação do Gorender; sua publicação na seção de leitores nem sequer implicava concordância com seus termos por parte do jornal.

Folha ficou devendo desculpas por me haver estigmatizado levianamente. Até hoje.

E, desse ano de 2004 em diante, houve um sem-número de episódios nos quais, defendendo a memória da luta armada e dos resistentes que a travaram, tive de contestar as versões capciosas da Folha.

Para não entediar os leitores, citarei só os principais.

Quando a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça atendeu a reivindicação dos herdeiros de Carlos Lamarca, o jornal fez coro, inclusive num editorial, à grita histérica da direita contra essa decisão.

Embora tenha sido companheiro de armas do Lamarca, a Folha não me concedeu o direito de responder às suas adjetivações levianas, salvo em breve carta no Painel do Leitor. Os erros que o jornal cometera e eu pus a nu só ficaram mesmo conhecidos dos internautas(e a difusão dos meus artigos era bem menor então).

Depois houve o episódio algoz x vítima: Élio Gaspari trombeteou que o autor de um atentado da VPR estava recebendo reparação bem maior do que o arquiteto atingido pelo petardo, o qual tivera de colocar uma protese na perna.

Desde o primeiro momento eu adverti que Gaspari estava se baseando nas versões dos antigos verdugos, inconfiáveis como informação histórica e nulas em termos legais, já que contaminadas pela prática generalizada da tortura.

Folha novamente me negou o direito de contrapor minha versão à do seu colaborador. E a evolução dos acontecimentos novamente provou que era eu quem estava certo: o único sobrevivente, dentre os que realmente colocaram a bomba no consulado dos EUA, revelou que Diógenes de Carvalho, o dito algoz, não participara dessa ação -- a qual, aliás, nem sequer havia sido de autoria da VPR, mas sim da ALN.

E, mais recentemente, minha condição de porta-voz do Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti não foi suficiente para que a Folha me permitisse repor a verdade dos fatos, quando flagrei várias afirmações distorcidas sobre o escritor e perseguido político italiano.

Nem mesmo no Painel do Leitor a Folha me fornece espaço atualmente. E as críticas submetidas ao ombudsman, um homem decente (1), esbarram na sua falta de autoridade para modificar as decisões da Redação.

Foi uma inovação que a Folha alardeou ao implantar e com a qual, por ser intrinsecamente autoritária, não consegue mais conviver, só esquivando-se de sepultá-la de vez para evitar que todos percebam o óbvio: o rabo do jornal hoje está preso com todo tipo de interesse, menos o do leitor.

Para quem acompanhava há muito o processo de direitização da Folha, não foram nem um pouco surpreendentes os episódios da ditabranda e da fraude contra Dilma. Afinal, que mais se poderia esperar de um jornal que vinha abrindo sua página de opinião para  figurinhas carimbadas como Reinaldo Azevedo, Jarbas Passarinho, Ali Kamel e Walter Fanganniello Maierovitch?

Mas, ao distorcer grosseiramente a verdade histórica para implicar Dilma Roussef com um sequestro que não era de sua esfera de competência e nem sequer foi tentado, bem como ao utilizar como elemento ilustrativo uma ficha suspeitíssima que circulava na internet, a Folha passou como um rolo compressor sobre as boas práticas e a ética jornalísticas. Até leigos percebem isto.

Então, temos mais é de dar o máximo de quilometragem a tais fraturas expostas -- seja como tentativa de reverter o processo de direitização da Folha (2), seja para imunizar os leitores contra sua tendenciosidade (caso mantenha o rumo atual).

Veja começou assim, perdendo credibilidade junto aos formadores de opinião. Hoje está despencando ladeira abaixo e poderá arrastar consigo a Folha, se esta insistir em copiar-lhe os erros e em importar seus profissionais com viés direitista. 
1 Carlos Eduardo Lins da Silva é mesmo um homem decente... mas não tem espinha suficientemente flexível para ser ombudsman na Folha. Seu mandato não foi renovado.
2 A tentativa fracassou, como logo ficaria evidenciado: no final do mesmo ano a Folha chegou ao fundo do poço, com o benjamingate...

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