quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Site usa software da polícia para criar retratos de personagens famosos de ficção


22.02.2012
Da BBC BRASIL

Um site na internet está publicando imagens de personagens famosos da ficção produzidas por um software da polícia para a construção de retrato falado.

Lisbeth Salander, personagem de Stieg Larsson. Foto: cortesia de Brian Joseph Davis
Retrato falado de Lisbeth Salander, da obra de Stieg Larsson. 
Fotos: cortesia de Brian Joseph Davis

O site Clique The Composites, , do escritor e artista Brian Joseph Davis, de Nova York, virou uma sensação na internet, atraindo mais de seis mil seguidores em apenas três dias no ar.

Os internautas podem sugerir personagens a serem recriados com o software policial.

Com ajuda da tecnologia, Brian Joseph Davis já desenhou os rostos tanto de personagens clássicos – por exemplo, Humbert Humbert de Lolita, do escritor Vladimir Nabokov, ou Emma Bovary, de Madame Bovary, de Gustave Flaubert – como protagonistas de obras mais recentes – como Lisbeth Salander, da trilogia Millennium, de Stieg Larsson.

Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Foto: cortesia de Brian Joseph Davis
Artista disse que muitos esperavam que sua versão de Madame Bovary estaria usando um chapéu

Lisbeth Salander é descrita por Larsson como "uma pálida e magra jovem, com cabelo curto como um pavio, piercing no nariz e na sobrancelha. Ela tem uma tatuagem de uma vespa de uma polegada no seu pescoço, um arco tatuado no seu bíceps esquerdo e outro no seu tornozelo esquerdo".

Críticas

Davis afirma que, além de sugestões, ele também recebe muitas críticas pelo seu trabalho.
"Os leitores imaginam estes personagens a partir das versões cinematográficas das obras", diz Davis. "Muitas pessoas reclamaram, por exemplo, que o meu Rochester [personagem do romance Jane Eyre, de Charlotte Brontë] não se parece com Michael Fassbender [ator que viveu Rochester na versão de 2011 para o cinema]."No entanto, nem todos os personagens de ficção podem ser recriados.

Humbert Humbert, personagem de Nabokov. Foto: cortesia de Brian Joseph Davis
Humbert Humbert é protagonista do romance Lolita, de Vladimir Nabokov

Apesar dos apelos de internautas, Davis não conseguiu produzir imagens dos rostos de Holden Caulfield – o protagonista de O Atirador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger – ou de Kilgore Trout – personagem recorrente na obra do americano Kurt Vonnegut.

Segundo Davis, não há descrições físicas suficientes dos personagens nos livros de Salinger e Vonnegut.

O escritor, que também edita uma revista literária, acredita que a internet pode ajudar a resgatar o interesse em literatura, ao oferecer novas formas de engajamento do público leitor com as obras.

"A resposta das pessoas a esse projeto por parte de fãs em literatura prova, de certa forma, que as pessoas querem ter experiências em literatura de formas completamente novas, e que existem várias ferramentas para se fazer isso.
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A sentença de morte da Grécia

22.02.2012
Do site da Revista Fórum,15.02.12
Por Mike Whitney*, no CounterPunch, 13.02.12
Publicado por Viomundo
Tradução de Heloisa Villela

No domingo, o Parlamento grego aprovou uma nova rodada de medidas de austeridade que vão aprofundar ainda mais os cinco anos de depressão e dilacerar as últimas fibras da coesão social
“Nós estamos diante da destruição. Nosso país, nossas casas, estão a ponto de pegar fogo. O centro de Atenas está em chamas”. (Costis Hatzidakis, parlamentar conservador)
No domingo, o Parlamento grego aprovou uma nova rodada de medidas de austeridade que vão aprofundar ainda mais os cinco anos de depressão e dilacerar as últimas fibras da coesão social. Para assegurar um empréstimo de 130 bilhões de euros, os líderes políticos gregos concordaram em se dobrar ao “Memorando de Entendimento” (MOU) que não somente vai intensificar os sacrifícios dos trabalhadores comuns mas também vai, efetivamente, entregar o controle da economia da nação aos bancos e corporações estrangeiros.
O Memorando é um documento calculado e mercenário como jamais algo foi escrito. E enquanto o foco está  nos cortes profundos nas pensões, no salário mínimo e nos salários do setor privado; existe muito mais nesse mandado oneroso do que se enxerga à primeira vista. O documento de 43 páginas deve ser lido do começo ao fim para que se possa compreender todo o vácuo moral das pessoas que ditam a política na zona do Euro.
A Grécia terá de provar que atingiu todas as metas antes de receber um centavo do dinheiro alocado no programa de socorro financeiro. O Memorando destaca, com muitos detalhes, todas as metas – de redução de gastos com remédios que salvam vidas a “remoção de barreiras à venda de produtos restritos, como comida de bebê”.
Isso mesmo; de acordo com os autores do memorando obscuro, a única maneira através da qual a Grécia poderá sair do buraco é envenenando as crianças com alimentos banidos.
O MOU exige um corte de 10% nos salários do funcionalismo público, cortes nos “fundos de seguro social e nos hospitais”, e mais privatização dos bens públicos. Tudo isso vai reduzir ainda mais o PIB.
Sobre a privatização: “O governo está pronto para oferecer à venda o que ainda possui de controle em empreendimentos estatais, se necessário para atingir os objetivos da privatização. O controle público será limitado a casos de redes críticas de infraestrutura.”
No lugar de fornecer auxílio fiscal para que a Grécia possa cumprir suas metas orçamentárias e se reerguer, a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) está usando a crise para tomar bens vitais do estado e entregá-los às corporações amigas. O MOU está abrindo novas avenidas de exploração e pilhagem. E tem mais:
“O governo não vai propor nem implementar medidas que possam infringir as regras de livre movimentação de capitais. Nem o estado ou entidades públicas fecharão acordos com acionistas com a intenção ou efeito de barrar a livre movimentação de capitais ou influenciar a administração ou o controle das empresas. O governo não vai dar início nem apresentar qualquer proposta de teto de votação ou aquisição, e não vai estabelecer qualquer direito de veto desproporcional e não justificável ou qualquer forma de direito especial nas empresas privatizadas.”
Bem, fica muito claro: o capital manda. Os interesses das corporações e dos bancos terão precedência sobre os das pessoas. A proclamação dos limites do papel do governo a um aprovador das ações predatórias dos especuladores, cujo interesse exclusivo é engordar a carteira de seus acionistas.
Também existe um longo capítulo sobre “Reformas Estruturais para Incentivar o Crescimento” que nunca explica como a economia deve se expandir quando as medidas de austeridade estão reduzindo o consumo e os investimentos. Ao contrário, o Memo foca com precisão na remoção de barreiras alfandegárias e no corte de salários. Aqui vai um exemplo:
“Dado que o resultado do diálogo social para promover o emprego e a competitividade deixou a desejar, o governo vai tomar medidas para rapidamente ajustar o custo da mão-de-obra para combater o desemprego e restabelecer o custo de competitividade, assegurar a eficácia das recentes reformas do mercado de trabalho, alinhar as condições trabalhistas das empresas que pertenciam ao estado às condições do restante do setor privado e tornar os acordos sobre a jornada de trabalho mais flexíveis. Esta estratégia deve ter como meta a redução nominal do custo da unidade de mão de obra na economia em 15% entre 2012-2014. Ao mesmo tempo, o governo deve promover suaves negociações trabalhistas em vários níveis e combater a economia informal.”
Você não acha, querido leitor, que se você tivesse recomendado políticas que resultassem em dois anos de recessão severa e desemprego recorde (o desemprego na Grécia, agora, está no pico, em 20,6%), que você ficaria caladinho e admitiria que você decididamente não sabe do que está falando?
Não se você fosse ministro das finanças da União Europeia. Você prescreveria as mesmas políticas que falharam em toda parte; as políticas que reduziram o consumo, encolheram a arrecadação do governo, incrementaram o desemprego e aprofundaram a crise. Esse é o tipo de idiotice que se passa como política na zona do euro.
O Memorando também contém uma seção esclarecedora sobre “ambiente de negócios”, que vai de todas as benesses para a indústria ao livre comércio. Aqui, um exemplo típico:
“…[que o governo grego] pare de destinar as cobranças não recíprocas calculadas sobre o preço do combustível em favor do Fundo Mútuo de Distribuição dos Operadores de Prospecção de Combustíveis Líquidos”.
Tilim! Mais boquinhas para os empresários. O documento todo é, assim, um favor às corporações atrás do outro.
“Implementação da lei 3982/2011 sobre a aprovação rápida de licenças para profissões técnicas, atividades manufatureiras e parques de negócios e outras provisões”.
O que isso tem a ver, você perguntaria?
Não tem. Simplesmente mostra o que o MOU realmente é. Uma “lista de desejos” das corporações; uma mistura de políticas punitivas de aperto de cinto para a classe trabalhadora e benesses para as grandes empresas de petróleo, gás, eletricidade, aviação, estradas, comunicações, etc. “Autorização rápida de licenças” e “comida de bebê” não tem nada a ver com ajudar a Grécia a atingir suas metas orçamentárias. É uma piada. Olhe isso:
Memo: “De acordo com os objetivos da política expressa na lei 3919/2011 sobre a regulamentação das profissões, o governo remove todas as barreiras do mercado de táxis… de acordo com as práticas internacionais.”
Então, até mesmo os motoristas de táxi ganham um lugar no balaio? Isso não parece um pouco irrelevante?
Nada disso tem algo a ver com ajudar a Grécia. É apenas pilhagem corporativa desvairada. A Grécia é uma grande piñata que rachou e abriu e todo mundo está se acotovelando para encher a mão de balas.
Memo: “O governo cria uma força tarefa (para) rever a …a administração judicial, incluindo a possibilidade de remover casos inativos dos registros dos tribunais…Seguindo a entrega do plano de trabalho para a redução do acúmulo de casos relativos à cobrança de impostos em todos os tribunais administrativos e tribunais de apelação em janeiro de 2012, o que providencia alvos intermediários para a redução do acúmulo de até 50% até o fim de junho de 2012, ao menos 80% até o fim deSeria melhor para todo mundo se o país declarasse uma moratória rapidamente e começasse o processo de sair do buraco agora — e não mais tarde dezembro de 2012; para acabar com todo o acúmulo de casos até o fim de julho de 2013, o governo apresenta seu plano até o fim de maio de 2012.”
Se a Grécia quer incrementar a arrecadação, por que restringir a caça à sonegação de impostos? Isso não é contraproducente? Esse é apenas mais um sinal de que o Memo foi desenhado por homens poderosos que operam por trás da capa de seus lacaios políticos.
Memo: “O governo lança o Decreto Presidencial da reforma dos magistrados da justiça criando uma nova estrutura, ocupando postos vagos com formandos da Escola Nacional de Juízes e realocando juízes e pessoal administrativo com base em recursos existentes disponíveis no judiciário grego e na administração pública. [Q4-2012] O governo lança, em conjunto com o corpo de especialistas externos, um estudo dos custos de litígios civis, seu aumento recente e seu efeito no volume de trabalho dos tribunais civis, com recomendações devidas até o fim de Dezembro de 2013.”
Claro; simplesmente deixe grandes financeiras e a elite corporativa “enxugar” o acúmulo de trabalho dos tribunais com seus machados e os processos serão cortados pela metade. O que isso diz a respeito dos homens autores deste texto?
Você pode perceber a farsa que esse chamado Memorando de entendimento realmente é. Ele não vai ajudar a Grécia a sair da depressão em que se encontra, e não vai levar a uma maior integração da zona do Euro. É apenas mais uma refeição para as hienas corporativas.
O que a Grécia precisa é de uma reestruturação radical de suas dívidas. Precisa dar calote nos credores privados, recapitalizar seus bancos e incrementar o auxílio fiscal até que a economia se recupere. Outro pacote de empréstimo não vai ajudar a atingir essas metas. Simplesmente vai adiar o dia do acerto de contas. .
Mike Whitney mora no estado de Washington. Ele contribuiu para o livro “Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion”, que sairá pela AK  Press
Foto por http://www.flickr.com/photos/26040773@N07/5758834027/in/photostream/
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Acidente de trem deixa centenas de feridos na Argentina

22.02.2012
Do portal ÚLTIMO SEGUNDO
Por  iG São Paulo |

Colisão com plataforma de embarque em estação de Buenos Aires deixa cerca de 300 feridos, segundo imprensa local 


Um trem lotado descarrilou e bateu na plataforma de embarque de uma estação de Buenos Aires, capital da Argentina, nesta quarta-feira. O acidente deixou cerca de 300 feridos, segundo a imprensa local.
O trem chegava à estação terminal Once, no oeste da cidade, quando aparentemente não conseguiu frear. Em alta velocidade, o trem saiu dos trilhos e bateu na barreira localizada no fim da plataforma, amassando a parte da frente do motor e danificando o primeiro vagão, onde passageiros costumam carregar bicicletas.
Passageiros disseram que as janelas dos trens explodiram após a colisão. Muitos passageiros que estavam de pé caíram no chão por causa do impacto. Imagens de TV mostraram o resgate do condutor do trem, que ficou preso entre ferros retorcidos.
"O trem estava muito cheio. O impacto foi tremendo. Eu vinha no vagão em que se pode viajar com bicicleta. As pessoas estavam desesperadas para sair", contou Ezequiel, um passageiro.
O último grande acidente ferroviário da Argentina aconteceu em 18 de dezembro, quando uma locomotiva se chocou contra um trem repleto de passageiros parado numa estação da periferia sul da capital, deixando 17 feridos.
Em 13 de setembro de 2011, nove pessoas morreram e 212 ficaram feridas no choque de dois trense um ônibus numa passagem de nível do bairro metropolitano de Flores, a oeste, em um dos episódios mais graves dos últimos anos.
Com AP e AFP

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A MÍDIA DEMOTUCANA VAI DAR AMPLA DIVULGAÇÃO? :Senador tucano tem assessora fantasma no gabinete

22.02.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 20.02.12

O gabinete do senador Cícero Lucena (PSDB-PB), primeiro secretário do Senado, emprega desde junho de 2011 uma funcionária que não aparece para trabalhar praticamente desde que foi nomeada. A assessoria do senador confirmou que ela não vai ao trabalho, e informou que abrirá um processo interno para a demissão da servidora. As informações são do jornal O Globo.

Lucena nomeou Jacquelyne de Lucena Aguiar, empresária e sócia de uma rádio em Guarabira, no interior da Paraíba, em 22 de junho do ano passado. Ela ocupa o cargo comissionado de assistente parlamentar, com salário de R$ 2.042 mensais. A nomeação da empresária foi quase um presente de casamento, já que ela se casou no mesmo mês com o espanhol Isaac Perez, em um evento que contou com a presença do senador. Apesar do sobrenome, a funcionária não é parente de Cícero Lucena. 

Leia também:

PF aponta o tucano Cícero Lucena como chefe de uma quadrilha que roubou R$ 20,4 milhões

Procuradores revelam no Senado provas contra Cícero Lucena PSDB, ex-prefeito de João Pessoa, amigo e aliado de Efraim Morais.

Senado paga spa para servidor


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João da Costa diz ser quase um Dom Quixote


22.02.2012
Do BLOG DE JAMILDO, 21.02.12
Postado por Jamildo Melo


De muito bom humor, com a casa cheia, o prefeito do Recife, João da Costa, não se furtou a usar de uma fina ironia ao comentar o quadro de sucessão no Recife. O Blog de Jamildo perguntou ao prefeito de ele se sentiria mais consolidado, depois do sucesso da organização do Carnaval deste ano. Antes da resposta, o blog acrescentou uma manifestação de caráter pessoal. “O senhor está indo aos trancos e barrancos”, disse-lhe. João da Costa, então, fez o aparte. “Aos trancos e barrancos, não! Contra tudo e contra todos! Sou quase um Dom Quixote!”, afirmou.

Animado com a festa de Carnaval, João da Costa gabava-se de ter reunido, nesta segunda-feira, com Nação Zumbi e Seu Jorge, o maior público do carnaval do Recife nos últimos 10 anos. Quem aferiu isto, quis saber eu. A polícia?

“A polícia não! Eu mesmo! Estou ali (na organização, como secretário antes) há mais de 10 anos”, afirmou.
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RENATO JANINE RIBEIRO: O orgulho de nossos Estados

22.02.2012
Do blog REN
Por Renato Janine Ribeiro
Valor Econômico, 30/1/2012

Há um traço curioso na sociedade brasileira: a maior parte das pessoas se orgulha de seus Estados. Num passado recente, passamos por um período de sérias crises econômicas e políticas, no qual se alternavam o orgulho e a vergonha de ser brasileiro. Ele findou graças em parte ao fim da inflação (governo FHC) e em parte ao avanço da inclusão social (governo Lula). 

Orgulhávamo-nos do país no futebol e nos envergonhávamos da inflação e muitas outras mazelas, a começar pela corrupção que, aliás, disputa com a miséria o título de maior vergonha nacional. Mas esse movimento ciclotímico, como era chamado, reduziu-se. Com a estabilidade monetária e os avanços sociais, ficamos mais estáveis em nossa nacionalidade, que hoje vivemos melhor do que na fase de inflação recrudescida, digamos, os quinze anos de 1979 a 1994. Tivemos um forte pessimismo em relação ao Brasil. Mas o curioso é que mesmo nos períodos máximos de instabilidade em escala nacional, no plano que os militares denominavam “psicossocial” (palavra que felizmente sumiu do vocabulário!) não foi ameaçado esse orgulho de que falei acima – um orgulho estadual. O Brasil podia gerar otimismo ou, em maior dose, pessimismo, a partir de suas realizações ou fracassos, mas os Estados passavam – e passam – incólumes por seu sucesso ou insucesso. Gostamos deles como são.

Isso é ainda mais curioso porque os Estados significam pouco, do ponto de vista do poder, num país cada vez menos federalista e mais unitário. Na verdade, a tradição que a colônia nos legou foi a da autonomia dos municípios, não das – então – capitanias. Pouco após a independência, foram criadas assembleias legislativas nas províncias, mas o poder executivo, nelas, era exercido por nomeação do governo sediado na Corte. Só com a República tivemos autonomia dos Estados – e, por razões difíceis de entender, talvez por importação de costumes norte-americanos, talvez para se contrapor ao centralismo imperial, ela foi exagerada. Basta ler o que Erico Veríssimo escreve sobre as guerras civis gaúchas da República Velha: enquanto tropas de um lado e outro se matam, as guarnições federais permanecem neutras. Hoje, é impossível imaginar que haja uma rebelião contra um governador e o Exército apenas assista, impassível, aos combates.

Desde 1930, vemos um gradual mas constante fortalecimento do poder federal às custas dos Estados. Nos períodos ditatoriais, com Getúlio Vargas ou sob o regime militar, obviamente foram afastados os governantes estaduais que divergissem do poder central. Mas mesmo nos períodos democráticos, como o que vivemos ininterruptamente desde 1985, as competências dos Estados diminuem. Enquanto o controle central se exercia, nas ditaduras, pela força, hoje ele passa pelo papel predominante da política econômica. Esta é competência da União, e determina quase tudo o que se pode fazer na Federação. Daí que a situação dos Estados se torne paradoxal. Por um lado, ser governador ou senador é importante. Aliás, uns e outros, escolhidos em eleições majoritárias, costumam trocar de posições. O Senado é uma casa de ex- ou futuros governadores – ou, pelo menos, eles assim se veem. Não é fortuito que o Senado seja tão mais importante que a Câmara. Lá, os Estados ou seus imaginários futuros ou passados governantes falam alto. 

Mas, por outro lado, no poder legislativo brasileiro, haverá órgão menos importante do que as assembleias estaduais, justamente as únicas que portam “legislativo” no nome mas, estranhamente, têm menos assuntos para regular sob forma de lei? O Congresso legisla sobre praticamente todos os assuntos. As Câmaras Municipais decidem o plano diretor e podem regular qualquer tema que afete a vida cotidiana, o que é muita coisa. 

Aos deputados estaduais, pouco resta. Algumas assembleias fazem esforços enormes de imaginação para ocupar um espaço político. É digno de nota que a assembleia do Rio de Janeiro seja, das 28 que há no Brasil, a que maior presença tem; realiza eventos e até dispõe de uma sigla conhecida de todos os fluminenses, Alerj. 

Nos demais Estados, a sigla é só para iniciados; no Rio, todos sabem o que é. É curioso que a popularidade da Alerj – onde foram, em junho de 2011, se manifestar os bombeiros revoltados contra o governo local – subsista embora o governador, como mostrou o “Valor”, tenha reduzido a oposição a menos de 15% das cadeiras. A Câmara Distrital de Brasília é outra exceção, pois soma às competências estaduais as municipais e por isso conta com muitos assuntos para legislar. É só. Um vereador de capital perde em importância ao se tornar deputado estadual, a não ser que mostre, como os verdes Carlos Minc e Aspásia Camargo (não por acaso, ambos verdes, ambos do Rio), muita criatividade.

Então, por que o orgulho? Um Estado como o Rio Grande do Sul, que há anos enfrenta uma crise econômica e fiscal, é um dos mais altivos quanto a seu modo de ser. E eu, que já estive em praticamente todas as Unidades da Federação, senti em todas elas o orgulho de sua comida, de seu falar, de sua alegria – ou de sua seriedade. Evidentemente, há quem não compartilhe esse orgulho, mas falo de um sentimento majoritário. O curioso é que esse nativismo tardio mal tenha tradução política. É um fenômeno social forte, mas que não resulta em união pelo Estado, em posição única ante os problemas que enfrente, em nada disso – salvo em casos extremos, como o dos royalties que alguns Estados recebem pelo petróleo no mar. Por que será? Será justamente porque, do Estado, não esperamos política econômica e então podemos ser, gostosamente, bairristas?
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BLOG DA CIDADANIA: Uso político da PM faz crimes com morte dispararem em SP

22.02.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 20.02.12
Por Eduardo Guimarães

Você já se acostumou a ler ou ouvir na grande imprensa que estaria ocorrendo uma diminuição na criminalidade em São Paulo. E também já está se acostumando a ações espetaculosas da Polícia Militar paulista que utilizam efetivos com milhares de homens, helicópteros, veículos blindados etc.
As imagens da tropa de choque high tech da PM, com suas indumentárias que lembram as de astronautas, parecendo que enfrentará monstros espaciais, vêm infestando as mídias. Essas imagens e o noticiário dando conta de “redução de homicídios” no Estado buscam induzir os mais crédulos a pensarem que uma coisa e a outra têm relação.
Quem prestar atenção nos fatos e se der ao trabalho de se informar corretamente, porém, descobrirá que a relação entre as ações hollywoodianas da PM e os índices de criminalidade é inversa ao que dizem a imprensa e o governo paulista.
A sensação de insegurança nas ruas de São Paulo (capital e Estado) é crescente. Nem os simpatizantes do regime de ultradireita que governa o Estado mais rico da Federação têm coragem de sair despreocupadamente à rua. No entanto, a propaganda diz que há mais segurança.
Análise dos dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública e das constantes ações espetaculosas da PM permite entender por que a insegurança aumenta em São Paulo. Ocupada em ações contra inimigos políticos do governo do Estado, a polícia desguarneceu as ruas.
No último domingo, por exemplo, um efetivo da PM invadiu novamente a Universidade de São Paulo. De novo, expressivo aparato policial foi usado para reprimir críticos do governo do Estado. É só para ações desse tipo que a força de repressão comandada pelo PSDB tem servido.
Repressão a manifestações de movimentos sociais, operações de reintegração de posse contra famílias pobres e opressão do movimento estudantil vêm despendendo fortunas dos nossos impostos com repressão aos inimigos políticos do PSDB e da grande mídia.
Se tais recursos fossem usados contra bandidos de verdade, a situação de insegurança em São Paulo não estaria se agravando tanto, como mostram as estatísticas que governo e mídia escondem.
É revoltante a manipulação das estatísticas pelo governo de São Paulo, mas a da mídia é pior porque aceita uma farsa facilmente detectável. A imprensa diz que os homicídios estão caindo, mas esconde que não estão caindo porque estão ocorrendo em menor número e, sim, porque o índice desse tipo de crime foi desidratado.
É o que diz a presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), Marilda Pinheiro, sobre os dados da Secretaria de Segurança Pública que indicam queda nos homicídios.
A SSP-SP anuncia queda de homicídios em 2011, em comparação com o ano anterior, mas o fato é que quando a criminalidade em São Paulo começou a fugir ao controle a metodologia empregada foi alterada pelo governo do Estado e passou a registrar latrocínio (roubo seguido de morte) como “crime contra o patrimônio”.
Explico: o bandido salta na sua frente em uma das milhões de ruas de São Paulo em que a polícia não aparece porque está ocupada batendo em estudantes e expulsando pobres de suas casas, aponta uma arma e sugere que você escolha entre a sua bolsa (ou carteira) e a própria vida. Você, valentão, decide bancar o super-herói, reage e leva uma bala na testa.
Isso que descrevi foi homicídio ou crime contra o patrimônio? Antigamente, em São Paulo, homicídio era quando uma pessoa matava com intenção deliberada – como no caso fictício acima – ou por ter assumido o risco de causar a morte da vítima. Então, um espertalhão chamado Geraldo Alckmin passou a descaracterizar esse tipo de crime.
Mas se você, leitor, souber procurar, a própria Secretaria de Segurança Pública de São Paulo revela que, ao contrário do que diz a imprensa, a criminalidade está cada vez pior no Estado. Os homicídios que dizem que diminuíram, repito, na verdade mudaram de endereço e estão inscritos nas estatísticas oficiais como “crimes contra o patrimônio”.
Veja o que diz “nota explicativa” no site da SSP-SP:
Os roubos seguidos de morte subiram 20,9% [em 2011], com 53 casos a mais que no ano anterior [2010]. Foram registrados 306 roubos seguidos de morte em 2011, e 253 em 2010.
Os homicídios que ameaçam os paulistas por decorrerem de criminalidade e não de confrontos passionais entre cidadãos que não são bandidos, portanto, estão aumentando. Os homicídios que SSP-SP chama pelo nome resultam de brigas entre vizinhos, entre parentes e de brigas de trânsito, entre outros.
A bandidagem, portanto, ameaça cada vez mais os paulistas, mata cada vez mais os paulistas e estes, enganados por imprensa e governo, acreditam que estão mais seguros.
O problema de Segurança em São Paulo – bem como todos os outros – tem origem no uso político da PM pelo governo do Estado, que usa a tropa para impedir que opositores saiam às ruas para denunciar um governo feito por ricos e para ricos, enquanto a população pobre vai sendo massacrada pelo crime e até pelo Estado.
A mais nova ação espetacular da PM, que ocorreu (de novo) na USP no último domingo, é outro capítulo dessa novela em que a Polícia oprime pobres, movimentos sociais e estudantes para não ter que enfrentar bandidos, pois estes reagem quando são atacados – e, geralmente, reagem à bala.

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BLOG DO MIRO:Mata de jet ski e foge de helicóptero

22.02.2012
Do BLOG DO MIRO, 21.02.12
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:


Uma das primeiras reportagens que produzi como jornalista foi sobre atropelamentos por jet ski em praias do litoral de São Paulo no final de 1995. Conversei com famílias que haviam perdido seus entes queridos depois que condutores irresponsáveis não respeitaram a distância mínima de 200 metros da areia e ficaram se exibindo onde os banhistas se divertiam. Ou estavam mamados de cerveja e caipirinha e foram dar uma voltinha de jet mesmo assim. Afinal, água não machuca, né?

Havia ainda outros que não faziam ideia de como pilotar a embarcação (é necessário habilitação de arrais amador concedida pela Marinha e ter, no mínimo, 18 anos), mas seus pais provavelmente achavam bonito o filhão montado em tantos cavalos de potência e incentivaram a maluquice. Os mesmos pais não dariam o carro para que seu filho ou filha dirigisse, mas entregam um jet. Ou até dariam, vai saber o que esse pessoal com cérebro de camarão ao alho e óleo não faz…

Como o jet ski não tem leme, é necessário acelerar para virar. Ou seja, se você vê um obstáculo à sua frente, por instinto, para de acelerar. Se fizer isso com um jet, ele ignora o comando e segue a trajetória. Dessa forma, muita gente já perdeu a vida.

Em diversas histórias que colhi, houve o padrão básico dos covardes: atropelamento e fuga, tanto para tentar se livrar de um flagrante quanto para dar tempo aos advogados da família de constituírem uma defesa ou encontrar alguém com carteira de arrais para assumir a culpa.

Para não dizer que nada mudou nos últimos 17 anos (ai, tô me sentindo velho com essa…), o número de jets aumentou nas praias e a quantidade de pessoas com recurso para alugá-los também. Apesar de ações do poder público, as regras continuam a ser sistematicamente desrespeitadas e pessoas vem morrendo por causa disso.

Retomei o tema porque fiquei surpreso com uma morte ocorrida neste domingo (19) de carnaval, no mesmo litoral de São Paulo. Uma menina de três anos foi atingida na cabeça, em Bertioga, por um jet ski pilotado, segundo testemunhas, por um adolescente de 14 anos. Chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

O que me surpreendeu foi a notícia, veiculada pela Folha de S. Paulo, de que a família do jovem infrator, que fugiu do local sem ajudar no atendimento, teria saído de helicóptero do condomínio onde estava. Quando procurada pela polícia, ela não foi encontrada. Outra versão diz que carros de luxo deixaram o condomínio logo após o ocorrido. Por terra ou por ar, o que importa é que a escapada parece ter sido com estilo, confirmadas qualquer uma das versões.

A menina teria esperado 40 minutos pelo helicóptero da Polícia Militar que fez o resgate. Segundo parentes, era a primeira vez que via o mar.

(Abro um parênteses: li as matérias a respeito e encontrei poucas que o tratassem pela alcunha de “menor”, o que – a meu ver – não é o melhor tratamento para se referir a um jovem que infringiu a lei. Se fosse pobre e tivesse atropelado alguém com um Fusca 73, a história poderia ser diferente. Por aqui, rico é jovem, pobre é menor. Um é criança que fez coisa errada, o outro um monstro que deve ser encarcerado. Nós, jornalistas, precisamos ficar de olho para não propagarmos determinados preconceitos com as palavras que escolhemos.)

É duro constatar que certas coisas não mudam. Apenas ganham contornos cinematográficos.

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BLOG DA FOLHA: Almoço reúne petistas e aliados de João da Costa

22.02.2012
Do BLOG DA FOLHA, 21.02.12
Publicado por Valdecarlos Alves


Milton Coelho acredita que haverá unidade em torno de João da Costa (Foto: Blog da Folha)
















O prefeito João da Costa disse ao Blog da Folha que a sua agenda carnavalesca esteve “pesada” nos últimos dias, percorrendo alguns polos de animação na cidade. O petista fez uma pausa na tarde desta terça-feira para receber correligionários, politicos aliados, artistas e jornalistas para um almoço em sua bela residência próxima ao Açude de Apipucos.
Descontraído e conversando bastante com todos os convidados, o gestor mostrou empolgação ao falar que a noite desta segunda-feira (20) no Marco Zero reuniu cerca de 600 mil pessoas no show de Seu Jorge e Nação Zumbi. Aliados e petistas que bateram ponto no evento de hoje foram unânimes em afirmar que o partido do prefeito não terá outro caminho a não ser referendar a sua candidatura à reeleição. Um dos mais confiantes é o vice-prefeito Milton Coelho. “Ele tem cumprido com d=firmeza todo esse legado deixado pelo PT”, defendeu o socialista.

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ELEIÇÕES 2012: Serra tem medo da rejeição

22.02.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 20.02.12


Em 2006, Aécio Neves, Tasso Jereissati e FHC jantaram com Serra para discutir sucessão presidencial, mas não chamaram Alckmin, que acabou sendo o candidato


O ex-governador José Serra (PSDB) já começou a discutir com antigos colaboradores pesquisas para avaliar a viabilidade de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano.

Com base em pesquisas qualitativas feitas com pequenos grupos de eleitores, assessores de Serra disseram que é possível reduzir os altos índices de rejeição do eleitorado que ele enfrenta hoje.

Mas isso vai depender de quanto tempo ele terá para fazer propaganda na televisão, e, portanto, da capacidade que os tucanos terão de atrair outros partidos para a campanha do ex-governador.

Segundo a sondagem mais recente do Datafolha, concluída em janeiro, 33% dos eleitores de São Paulo dizem que não votariam de jeito nenhum em Serra. No cenário mais favorável para sua candidatura, ele tinha 21% das intenções de voto em janeiro.

Serra está sob forte pressão do PSDB para concorrer à prefeitura, mas ainda condiciona o lançamento de seu nome à construção de um cenário que lhe dê conforto para lidar com os riscos que a eleição deste ano oferece para sua carreira política.

Colaboradores do ex-governador sugeriram que ele acompanhasse a evolução das pesquisas por mais tempo antes de tomar uma decisão. Até lá, ele tentaria manter seu nome em evidência, como favorito do PSDB, para começar a aplacar a avaliação negativa do eleitorado.

Mas os tucanos temem perder o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD) se Serra demorar muito para se definir, o que romperia a coalizão que controla a capital desde que Serra se elegeu prefeito com Kassab como vice, em 2004.

A indefinição dos tucanos levou Kassab a abrir negociações com o PT no início deste ano para apoiar o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, mas as conversas foram interrompidas nos últimos dias, depois que Serra indicou que estava reconsiderando sua candidatura.

Apesar do esforço do governador Geraldo Alckmin para manter seus tradicionais aliados, a costura da coligação que poderia sustentar Serra não está alinhavada.

Serra teme a repetição de problemas ocorridos na eleição de 2008, quando o PSDB se dividiu em dois grupos. Uma ala aderiu à campanha de Kassab à reeleição e outra apoiou o lançamento de Alckmin como candidato.

Alckmin não conseguiu nem chegar ao segundo turno, e agora Serra teme que algo parecido ocorra com ele. "Serra quer a garantia de que não será abandonado pelo PSDB. Ele não vai. É o nosso candidato", afirma o presidente nacional da sigla, Sérgio Guerra.

Serra espera que Alckmin encontre uma solução para evitar que o desfecho das prévias para escolher o candidato a prefeito não vire um obstáculo a sua candidatura.

Quatro pré-candidatos se inscreveram para as prévias, que estão marcadas para o dia 4 de março. Quando elas foram convocadas, Serra dizia que não tinha interesse na eleição, e por isso outros candidatos se apresentaram.

HESITAÇÃO

O lançamento da candidatura de Serra ainda divide seus principais aliados. Uns defendem que ele concorra mesmo se houver risco de derrota, com o argumento de que ele manterá assim seu nome em evidência.

Outros acham que Serra só deveria concorrer se as condições forem favoráveis. Para outros, ele deveria se preservar para a eleição presidencial de 2014, quando poderia concorrer pelo PPS se o PSDB preferir lançar o senador Aécio Neves (MG).

Hoje, a maior pressão pela candidatura de Serra parte do Palácio dos Bandeirantes. Uma vitória do PT pode comprometer os planos de Alckmin para se reeleger governador nas eleições de 2014.

Para tucanos, a discussão pública da candidatura de Serra serviu para atrair aliados e impedir que avançasse o namoro de Kassab com os petistas. Mas a volta de Serra ao palco acabou valorizando o passe de Kassab para Haddad e o PT.Na Folh

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