Pesquisar este blog

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA: Gilberto Carvalho pede desculpas pelo que não disse


17.02.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 16.02.12

Em reunião com a Frente Parlamentar Evangélica, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência da República) pediu ontem "perdão" pelos "sentimentos" provocados por declarações atribuídas a ele defendendo uma disputa ideológica do governo com os líderes dessas igrejas. No mesmo encontro, reafirmou o compromisso da presidente Dilma Rousseff contra a descriminalização do aborto. E, diante das queixas de falta de interlocução com o governo, prometeu mais diálogo com o setor.

Carvalho foi ao Congresso para tentar pacificar os evangélicos, que vinham protestando contra o governo nos últimos dias, por causa dos dois temas. Houve até ameaças isoladas de troco nas eleições, como uma mobilização contra Fernando Haddad na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A frente é suprapartidária, integrada por 76 deputados e 3 senadores.

No Fórum Social de Porto Alegre, no dia 27, o ministro defendeu disputa ideológica do governo com os líderes evangélicos pelos setores conservadores. Na versão dos evangélicos, teria dito que a ideia é criar uma mídia estatal para a classe C, para disputar esse público com evangélicos, que controlam meios de comunicação.

"Vim aqui dizer que isso não é verdade. Que nós não temos, de maneira nenhuma, essa intenção. Pelo contrário, o governo considera as igrejas evangélicas parceiras, muito importantes, sobretudo, nesse grande programa Brasil Sem Miséria. Não temos nenhuma intenção e seria uma loucura fazer uma rede para combater as igrejas evangélicas", disse Carvalho, após a reunião.

Carvalho manifestou "o respeito e o carinho" do governo com as igrejas evangélicas e disse que o governo quer "aprofundar" a "parceria" com esse grupo religioso. "Me dispus a trabalhar para que esse diálogo melhore entre nós. Está resolvido o problema. O pedido de desculpas que fiz, de perdão, não foi pelas minhas palavras e sim pelo sentimento que provocaram em alguns dos deputados e senadores, em função das interpretações que surgiram a partir de Porto Alegre."

O áudio da palestra  mostra que Gilberto  Carvalho  não mente

 Em Porto Alegre ele limitou-se a dizer o seguinte: "É muito importante que nós façamos nosso trabalho social pensando nesse novo Brasil, conhecendo essa nova realidade, não tendo ciúmes daquelas políticas de governo que atingem as nossas clientelas, que não batem mais às nossas portas muitas vezes, porque já caminharam por outros caminhos. E aí [vem] uma necessidade importantíssima de uma disputa ideológica, de uma disputa de projeto frente a esse nosso público. Que nós sabemos, quem conhece a periferia desse país, que é um público hegemonizado muitas vezes por setores conservadores. Lembro aqui, sem nenhum preconceito, o papel e a hegemonia das igrejas evangélicas, das seitas pentecostais que são a grande presença nesse (mundo)".
*****

CARTACAPITAL: A descoberta do paraíso terrestre

17.02.2012
Do site da Revista CARTACAPITAL
Por Mino Carta*

Que diria hoje Americo?
Quando em 1501 Americo Vespucci chegou ao deslumbrante recanto em que anos depois seria fundada São Sebastião do Rio de Janeiro, ficou extasiado. Mais tarde escreveria: “É o paraíso terrestre”. Há quem considere Vespucci mais importante do que Colombo, certo é que foi o florentino quem desfez a crença do genovês: a terra alcançada não era a Ásia, as Índias, mas um novo, inesperado continente. O qual, por isso, se chamou América.
Vespucci, aliás, é o verdadeiro descobridor do Brasil, Cabral foi quem tomou posse da terra “onde tudo, em se plantando, dá”. O navegador toscano fez -duas viagens americanas. A primeira em 1497, a serviço dos reis da Espanha repetiu a rota de Colombo para estender-se às costas da Venezuela e, a partir delas, descer até as do Maranhão. A segunda três anos depois, ao deixar a Espanha para servir a Portugal.
Graças a Vespucci, na certeza de encontrar o Brasil Cabral saiu da rota que oficialmente repetiria Vasco da Gama para dobrar o Cabo da Boa Esperança e chegar às colônias indianas. Burlar o -Tratado de Tordesilhas recomendava subterfúgios e artimanhas, cuidou-se, portanto, de atribuir o desvio a um vento -imprevisto. Resta o êxtase do primeiro europeu a se -defrontar com o cenário guanabarino. Ali estava o paraíso terrestre.
Como sabemos, a natureza esmerou-se ao contemplar o Brasil, e o benefício vai muito além dos panoramas. O Brasil é único. Incomparável de muitos pontos de vista, e se não conseguiu desempenhar o papel que o destino lhe reservou foi por causa de quem aqui mandou desde a colonização predatória dos portugueses, a vincar o caráter nacional.
Ao perceber o paraíso terrestre, o cristão Vespucci poderia perceber a possibilidade da súbita intrusão do demônio, a serpente descida da árvore do bem e do mal. Apresso-me a esclarecer que o demônio, na minha visão, não é o carnaval. É, sim, o tráfico, o crime à solta, ou o Morro do Alemão, a Rocinha. Não hesitaria em incluir certos delitos arquitetônicos, como os da Barra. Mas o Brasil todo foi, e talvez seja ainda, a promessa de um imenso -paraíso terrestre, e nesta dimensão demoníacos foram e são os próprios homens, conscientes ou não do seu papel daninho.
Falo dos inesgotáveis herdeiros da casa-grande e da senzala. Para aqueles, o sol ainda não se pôs, para estes ainda não surgiu. O governo Lula representou uma mudança de rota sem artimanhas e subterfúgios, abriu o caminho para uma sociedade menos injusta, e o governo da presidenta Dilma lhe segue as pegadas modernizantes. E o Brasil cresce, torna-se até um exemplo de resistência em meio à crise mundial, e nem por isso se desvencilha de alguns grilhões medievais, tradições, hábitos, vezos. Prepotências e descasos. Se há luz para todos, finalmente, não há saneamento básico para 50% da população. Elevam-se os números do consumo ao sabor do aumento da porcentagem dos incluídos. Os quais, contudo, não ganham automaticamente a consciência da cidadania.
Mais uma vez recomendei a leitura da coluna de Marcos Coimbra. Volto à carga, leiam a desta semana. Como sempre, muito aguda acerta o alvo, a Copa do Mundo à brasileira, assunto-chave na perspectiva das eleições de 2014. A reeleição de Dilma Rousseff, diz Coimbra, dependerá do êxito do Brasil como organizador do torneio bem mais do que o resultado esportivo. Como torcer por este específico futuro, se dentro dele são determinantes as figuras de Ricardo Teixeira e Joseph Blatter? Como desconhecer a ganância feroz e irresponsável dos herdeiros da casa-grande? Como deixar de perceber as carências profundas de uma infraestrutura inadequada, dificilmente reparável em menos de dois anos e meio?
Gasta-se a rodo na construção de estádios inúteis, por exemplo, e tão pouco em educação, saúde e transporte públicos. De nada adiantou o trágico balanço dos Jogos Pan-Americanos do Rio, gastou-se dez vezes mais que a previsão, para alegria de um grupelho de senhores, encabeçado pela família Nuzman. Voltasse hoje, Americo Vespucci ficaria entre o susto e o espanto diante do estrago provocado pela passagem da serpente.

*Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br.
****
Fonte:http://www.cartacapital.com.br/politica/a-descoberta-do-paraiso-terrestre/?autor=42

A MÍDIA GOLPISTA E A VENEZUELA: Chávez ainda enterrará Merval e o resto da mídia moribunda

17.02.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Não faz muito tempo, li no portal do jornal O Estado de São Paulo na internet um artigo de uma das marionetes dos barões da imprensa atacando o que chamou de “jornalismo cidadão”. O sujeito dizia que blogs como este não teriam qualidade jornalística, não checariam informações como a grande imprensa, e que, portanto, não seriam confiáveis.
Naquele momento, a primeira coisa que me veio à mente foi a ficha policial falsa que o jornal Folha de São Paulo recebeu por e-mail de fonte anônima há alguns anos e publicou no alto de sua primeira página, com o maior destaque possível. Fiquei me perguntando como alguém pode ser tão cara-de-pau a ponto de dizer que uma imprensa que faz isso seria mais confiável.
Para fortalecer sua teoria, o teleguiado da família Mesquita usou como “exemplo” de sua tese notícias veiculadas por blogs sobre desaparecidos durante o massacre do Pinheirinho. O tal “blogueiro” do Estadão mentiu dizendo que blogs anunciaram mortes, quando anunciaram desaparecimentos.
O fato é que a blogosfera tem sido um exemplo de bom jornalismo, pois quando erra faz suas reparações e permite espaço ao contraditório de suas diversas linhas editoriais, contraditório esse que a grande imprensa nega a quem dela diverge.
Se checagem rigorosa de informações for evidência de bom jornalismo – e é, apesar de não ser a única –, a mídia da ficha falsa da Dilma ou do grampo sem áudio no STF agora tem mais um passivo, a morte iminente de Hugo Chávez que começou a ser anunciada em janeiro e que na última quinta-feira (16) foi endossada, sem checagem, pelo “imortal” Merval Pereira.
Leia, abaixo, post de Merval em seu blog no qual “mata” Hugo Chávez.
—–
16.02.12
Quadro grave
A saúde do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, pode afetar a eleição presidencial. Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação.
Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem em Henrique Capriles um candidato de união.
O ex-embaixador dos Estados Unidos na OEA, Roger Noriega, invocando informações de dentro do governo venezuelano, escreveu artigo recentemente no portal de internet da InterAmerican Security Watch intitulado “A Grande mentira de Hugo Chávez e a Grande Apatia de Washington”.
Nesse artigo ele dizia que o câncer está se propagando mais rapidamente do que o esperado e poderia causar-lhe a morte antes mesmo das eleições presidenciais.
—–
Em primeiro lugar, que “Exames analisados por médicos brasileiros” são esses? Quem são os tais “médicos brasileiros”? Como os tais “exames” foram obtidos? A mídia que acusa blogs de não checarem informações, ignora cuidados mínimos ao divulgar uma notícia dessa gravidade, que, sendo verdadeira, teria implicações estrondosas na geopolítica das Américas.
Merval não checou nada e ainda trocou as bolas. Confundiu matérias que saíram em órgãos de imprensa espanhóis e norte-americanos que fazem oposição cerrada a Chávez com uma notícia divulgada pela “Folha.com” em julho do ano passado. Veja a matéria, abaixo:
—–
19/07/2011
Exames mostram que Chávez tem câncer de próstata, dizem médicos
Profissionais brasileiros que tiveram acesso aos exames de Hugo Chávez dizem que o presidente venezuelano tem câncer de próstata.
A informação é da coluna de Mônica Bérgamo publicada nesta terça-feira na Folha e cuja íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.
A informação, contudo, não foi confirmada pelo urologista Miguel Srougi, especialista em câncer de próstata que foi chamado para a reunião com os diplomatas venezuelanos.
Ele prefere manter o silêncio para evitar falhas e diz que Chávez “fez muito bem” de ir para Cuba, onde terá a intimidade preservada.
Chávez revelou ter câncer em 30 de junho, após semanas de especulação, em uma mensagem lida em rede nacional em Havana, onde deveria encerrar uma turnê de visitas iniciada no Brasil no começo do mês.
Menos de quatro dias depois do anúncio da doença, Chávez retornaria de surpresa a Caracas, às vésperas do aniversário de 200 anos do país.
Naquele momento, ele anunciou ter feito duas cirurgias em Cuba –uma delas para a retirada de um tumor. Chávez não informa que órgãos ou tecidos foram atingidos pelo câncer nem qual seu estágio. Negou, porém, que a doença tenha atingido o cólon ou o estômago.
A coluna de Bergamo de sábado (16) já apontava indícios de lesão na próstata do presidente venezuelano, mas ressaltava que mais exames eram necessários.
Até semana passada, tudo indicava que Chávez viria ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para fazer sessões de quimioterapia contra seu câncer, como fez seu colega paraguaio, Fernando Lugo, que sofreu de câncer linfático no ano passado.
No sábado (16), contudo, Chávez chegou à Cuba, onde informou que deseja seguir o tratamento quimioterápico para câncer. Ele não descartou uma visita futura ao Brasil, no entanto.
—–
Além de preguiçoso – ou mal-intencionado – ao checar informações, Merval nem soube identificar a origem de boatos que pretendem apenas desestabilizar, tanto na Venezuela quanto no exterior, a candidatura de Chávez à reeleição.
Quem saiu primeiro com essa história de metástase do câncer de próstata do líder venezuelano foi o diário norte-americano Wall Street Journal, em novembro do ano passado. Diz o “journal”:
—–
Os relatórios, com base em entrevistas com pessoas que tiveram acesso à equipe médica de Chávez, alimentam rumores recentes de que o homem que governa a Venezuela desde 1999 não será saudável o suficiente para disputar a reeleição em outubro, potencialmente jogando o futuro político do país em dúvida.
—–
No final do mês passado, o diário espanhol “ABC”, que faz oposição a Chávez – bastando, para comprovar, fazer busca de seu nome no sítio do veículo, onde se constatará uma impressionante artilharia contra ele –, publicou matéria anunciando que o venezuelano teria Um ano de vida a menos que aceite um tratamento intensivo.
O artigo do ex-embaixador dos Estados Unidos na OEA Roger Noriega, invocado por Merval, baseia-se nas mesmas invenções sobre “médicos” que teriam “analisado exames” de Chávez e concluído que seu câncer estaria se espalhando rapidamente.
Chega a ser ridículo achar que médicos brasileiros, espanhóis e americanos teriam tido acesso livre a exames de um Chávez que nega peremptoriamente que sua doença tenha se agravado e que certamente toma todos os cuidados com informações sobre a própria saúde.
Aliás, não se entende de que adiantaria um homem que tem menos de um ano de vida disputar uma eleição. Sendo eleito em outubro, se seu estado de saúde moribundo fosse real ele não viveria para assumir o cargo. Teria que estar louco para se meter em tal empreitada sabendo que mesmo vencendo a eleição seria derrotado.
A estratégia da direita midiática internacional é óbvia: acha que pode fazer o povo venezuelano deixar de votar em Chávez com medo de que ele morra e deixe o país acéfalo.
Chávez praticamente não deu bola a uma notícia que já corre o mundo há semanas e que chega atrasada ao Brasil. Aliás, fez troça. Mas os mervais e os PIGs espalhados pelo mundo mergulharam de cabeça no que julgam um filão, cheios de esperança que estão no candidato com que a direita venezuelana deve tentar retomar o poder, o tal de Henrique Capriles.
Se essa direita midiática não fosse tão preguiçosa e tivesse se dado ao trabalho de fazer o que este blogueiro fez muitas vezes ao incursionar nos “cerros” (morros) de Caracas, desjejuando arepa (espécie de pão sírio), suero (coalhada) e té (chá) enquanto ouvia o verdadeiro povo venezuelano, entenderia o que jamais entendeu.
Chávez não é causa, é consequência. Assim como Evo Morales, Rafael Correa, Lula e outros presidentes progressistas que decorreram da onda de governos de esquerda que na década passada varreu a América Latina, ele é o braço político do povo. Se morresse, o povo acharia um substituto.
Essa gente não entende que a morte de Chávez o transformaria em um mártir e permitiria ao seu partido eleger qualquer poste, sem falar na fúria que seria desencadeada entre a imensa maioria de venezuelanos que o apóia com a alma não por ele mesmo, mas porque é o campeão que aquele povo encontrou para reverter a concentração de renda que esmagou a Venezuela por décadas.
O povo venezuelano já está escolado. Em cada uma das sucessivas eleições que Chávez venceu sem que houvesse um único questionamento sério e reconhecido, até a antevéspera de cada um daqueles pleitos a direita midiática sempre disse que daquela vez ele estaria derrotado por antecipação.
Chávez não está moribundo, quem está é essa direita demente que jamais entendeu que ao menos nesta parte do mundo os povos já sabem que não podem permitir que ela volte a governar até que o mal que perpetrou ao longo de séculos seja desfeito. Chávez, portanto, viverá para assistir ao enterro político dessa gente.

*****

Greve da PM:Incitação ao terror na greve baiana

17.02.2012
Do site da Revista CartaCapital, 11.02.12
Por Wálter Maierovitch


A greve dos militares baianos ficou desmoralizada quando se descobriu, por legais interceptações telefônicas, a ordem do seu líder, Marco Prisco, para a execução de ações de matriz terrorista.
Cerca de 2,6 mil soldados do Exército fazem a segurança nas ruas de Salvador durante greve da Polícia Militar, que se espalhou para o Rio de Janeiro. Foto: Carla Ornelas/Governo da Bahia
Também pelo solar conflito de interesse a envolver o seu líder maior, que perseguia em benéfico próprio, pois expulso há anos da corporação militar, uma anistia ampla, com recolhimento de mandados de prisão expedidos pela Justiça.
Desmoralizado e preso, a solidariedade, por meio de greves em outros estados federados, jamais contará com apoio popular.
No Brasil, foi lento o reconhecimento da importância das greves como fator fundamental de equilíbrio nas relações trabalhistas.
Nossa história recente aponta períodos de criminalizações e de proibições de paredes durante os regimes de exceção. Com a Constituição de 1988, a greve firmou-se como direito social relativo.
Os constitucionalistas estenderam aos policiais militares as mesmas restrições estabelecidas para os integrantes das Forças Armadas, ou seja, existem para eles proibições de greve, de se organizarem em sindicatos e de se filiarem a partidos políticos.
Quanto à greve, seguiu-se o modelo europeu de o interesse público suplantar o corporativo, tudo de modo a preservar a tranquilidade do cidadão.
Leia também:

A Constituição, sobre greves como a baiana, criou instrumentos de intervenção federal, como, por exemplo, os estados de Defesa e de Sítio. Apesar das restrições constitucionais, o emprego da arte de Procusto sempre esteve presente nas paredes de militares estaduais. Esse ladrão e assassino da mitologia grega agia na estrada que conduzia a Atenas.
Ele preparava armadilhas para confundir viajantes e obrigá-los a pedir-lhe guarida. Procusto, então, partia para adaptações e moldava o corpo do viajante ao leito de morte ofertado. Para tanto, cortava cabeças e membros do viajante, no caso de a cama ser pequena. Caso fosse uma king-size, ele esticava e destroçava o corpo.
Com efeito, com artes de Procusto, policiais militares fundam associações esportivas, culturais e de mútuo auxílio. No fundo e sem o rótulo de sindicatos, elas fazem lobby no Parlamento, promovem greves e arregimentam crianças e mulheres como escudos humanos, como assistido na Bahia.
Ao se afastar por licença da corporação, o militar pode se filiar a partido político e concorrer a eleições. Volta à corporação se perder ou, se ganhar, prorroga a licença pelo tempo de mandato, com direito a optar pela remuneração e vantagens de parlamentar.
Só para lembrar, no dia 31 de janeiro deste ano foi a Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares (-Aspra) a organizar, pelo seu líder filiado ao partido político PSDB e ex-bombeiro Marco Prisco, a greve baiana e -fornecer o s-inal verde que resultou uma escalada de crimes de homicídio e contra o patrimônio. Diferentemente do feito por policiais em países civilizados, os agentes baianos partiram para a ilegitimidade (violação à Constituição) e a ilegalidade (violação às leis ordinárias).
Em tempo de redes sociais e infovias, preferiram a violência quando à disposição existiam outros mecanismos para sensibilizar a sociedade civil e obter apoio por justa reivindicação salarial.
O movimento paredista baiano e os recentes episódios paulistas do Pinheirinho, da Cracolândia e do campus da USP representam a prova provada de termos em função pública de segurança policiais militares não educados à legalidade democrática. Como revelam pesquisas de opinião anteriores à parede baiana e realizadas em vários estados, os policiais militares são temidos pela violência no trato com o comum do povo.
A militarização mantida pela Constituição de 1988, o uso populista das corporações por governadores estaduais com discursos enganosos de tolerância zero e o recurso à doutrina da Lei e da Ordem, reforçaram, no meio policial militar, a cultura da violência.
Na verdade, ao Brasil falta uma política nacional de segurança pública e os policiais militares auferem remunerações baixas, inadequadas em face de atuarem na linha de frente. A Emenda Constitucional 300, voltada a unificar o piso salarial, tramita desde 2008.
Muitos parlamentares preferem, para empurrar a PEC 300, o discurso míope das diferenças regionais. Ora, o crime organizado é transnacional e não observa fronteiras estaduais. As redes operadas pelas internacionais criminosas, em qualquer ponto do território nacional, ofertam armas, munições, drogas e subornam policiais. Além disso, existe o interesse das chamadas “Ecomáfias”.
O Congresso deveria priorizar o exame da Emenda 300 e o governo federal debruçar-se sobre uma política de segurança pública. Por seu turno, os partidos políticos deveriam abandonar a ética ambígua de explorar greves para minar a figura do governador. A propósito, os partidos PT e PSDB já experimentaram, na Bahia, da mesma peçonha.
*Walter Maierovitch é jurista e professor, foi desembargador no TJ-SP

*****

TIJOLAÇO: FHC manda recado a Serra, via Merval

17.02.2012
Do blog TIJOLAÇO,15.02.12
Por BRIZOLA NETO


A fábula do "quem vai colocar o guizo no pescoço do 

gato". A metáfora sobre ter sido FHC é de Merval, 

não minha.
O acadêmico Merval Pereira, o homem que debate a candidatura Aécio Neves nos cafés de Paris - que seria o seu interlocutor? – é portador de um longo bilhete de Fernando Henrique Cardoso, publicado em sua coluna em O Globo.
O recado é, porem, bem direto.
Avisa a Serra que ele tem “horizonte limitado”: a Prefeitura de São Paulo, e não a Presidência.
“Se Serra se convencer de que seu sonho de disputar pela terceira vez a Presidência da República não passa disso, e cair na realidade, ele terá uma disputa difícil, mas viável, para encerrar sua carreira(…)”
Direta também é a advertência:
“Caso fique de fora, tentando ainda impor seu nome a um partido que já se definiu pela busca de alternativa nova representada pelo senador mineiro Aécio Neves, correrá o risco de se frustrar ou de, se sair vencedor de uma disputa sangrenta, não ter mais uma vez o partido a seu lado, inviabilizando uma eventual vitória.”
Loas, só a FHC, o homem que “colocou o guizo no gato” , ao estabelecer que Aécio é o candidato a Presidente e que, generoso, ainda serviu um “sossega, leão” ao próprio Serra, segundo Merval, “obrigando-o a lidar melhor com a realidade que o cerca”.
Que tratamento gentil ao homem que queria ser rei, não é?
Foram-se os amigos, não é senhor Serra? E essa turma aí não joga bolinhas de papel, não.  Veja que praga de urubu tucano o acadêmico lhe roga:
“Se insistir em permanecer à espera de mudança do quadro político que o favoreça a longo prazo, pode ficar exposto a ter que terminar a vida pública como senador, na hipótese não tão certa assim de ser eleito em 2014″.
Nem senador? Será que isso teria a var com as informações do “A privataria tucana”. Sabe como é, Merval pode ter ouvidos boatos sobre isso nos cafés de Paris, nunca se sabe…

****

CONVERSA AFIADA: Gilmar e a “tal opinião pública”

17.02.2012
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim


Saiu na Folha (*), na pág. 4, um resumo do voto inesquecível de Gilmar Dantas (**) na Ficha Limpa (leia, por favor, “Gilmar ignora a “turba”):

“Não se deve esquecer, ademais (sic) que essa tal opinião pública (que quer a lei) é a mesma que elege os chamados candidatos fichas sujas.”

Formidável.

Designado por Fernando Henrique Cardoso – sua mais desditosa herança – só poderia ser assim: essa “tal” de opinião pública.

Deve ser a “tal” opinião pública que elegeu o Fernando Henrique duas vezes, no primeiro turno.

“Tal”!

Na mesma Folha (*) está o mestre Joaquim Falcão, que merecia ter ido ao Supremo e que se  notabilizou no Conselho Nacional de Justiça, ao aposentar um Juiz de Goiás que acumulava as funções de administrador da Lei com a administração de seus negócios particulares – na área da Educação.

Bateu na trave, não foi isso, Ministro Gilmar Dantas (**) ?

Vamos ao que disse o mestre Falcão, nesta quinta feira, depois de a “tal “opinião prevalecer e aprovar a Ficha Limpa:

Peso da vontade popular está no centro do debate no STF


Aprovação da Lei da Ficha Limpa dá início a uma nova forma de democracia


JOAQUIM FALCÃO

ESPECIAL PARA A FOLHA


Até que ponto o Supremo Tribunal Federal deve ir contra a vontade do povo? Vontade do povo, concretizada em emenda popular, votada, aprovada e transformada na Lei da Ficha Limpa pelo Congresso Nacional?


Lei que obteve o consenso da mídia, redes sociais, demonstrado por pesquisas? Este foi o debate principal da decisão do STF de ontem.


Quem oportunamente levantou essa questão foi o ministro Luiz Fux. Não viu motivos para o Supremo ir contra a vontade do povo constitucionalmente fundamentada na moralidade da vida política e socialmente sustentada. Logo apoiado pelos ministros Joaquim Barbosa, Lewandoski, Cármen Lúcia, Ayres Brito e Rosa Weber.


O ministro Gilmar Mendes, porém, foi contra. Tentou, sem êxito, minimizar a influência da opinião do povo, mídia e congressistas, na decisão de um ministro da corte.


O Supremo teria função, em alguns casos, de limitar a vontade da maioria popular e congressual. Declarar a ficha limpa constitucional.


O debate clássico no direito é este. Quem influencia uma decisão do Supremo? Em nome de quê um ilustre autor estrangeiro deve influenciar o voto de um ministro do Supremo, mais do que a opinião da maioria de seus cidadãos?


Esta discussão aparentemente teórica tem importância vital para o Brasil de hoje e amanhã. A maneira pela qual a Lei da Ficha Limpa foi feita -mobilização popular, apoio da mídia, mobilização tecnológica, emenda popular, transparência na votação do Congresso- aponta para um novo tipo de democracia.


É uma democracia além de eleitoral, participativa também das grandes e cotidianas decisões nacionais.


A liberdade de imprensa, a tecnologia das redes sociais e a maturidade educacional dos cidadãos, tudo conduz a uma maior demanda de participação popular. Este é futuro democrático inevitável.


A maioria dos ministros entendeu que não havia justificativa para desprezar a vontade popular e dos congressistas. A maioria do povo não pede o holocausto nem a crucificação de Jesus. Pede só mais moralidade pública.


Como disse a ministra Rosa Weber, a Constituição não assegura o direito adquirido à elegibilidade. Ao contrário, a Constituição a condiciona à moralidade e à probidade.


Em que momentos, muitos especiais, o Supremo deve assumir o que se chama de posição contramajoritária? O debate sobre os limites de um Supremo acima da vontade popular está colocado.


JOAQUIM FALCÃO é professor de direito constitucional da FGV Direito-Rio.

Navalha
Permita o mestre Falcão um pitaco.
Nessa nova democracia, Gilmar Dantas e Marco Aurélio (Collor de) Melo, o que se refere à “turba”, não tem mais espaço.
Sobreviverão num opulento escritório de advocacia – o de Sergio Bermudes, quem sabe ? -, como parece ser o destino de Gilmar Dantas (**).
Ou na pedante obscuridade, que é o que parece estar destinado a (Collo de) Melo.
Conversa Afiada faz questão de ressaltar que o conservadorismo de Celso de Mello e de Cezar Peluzo – que também votaram contra a Ficha Limpa – se manifesta em termos elevados e compatíveis com a batalha das ideias que deve prevalecer numa Democrcia.
Democracia que só se legitima na soberania da “tal” opinião pública.

Em tempo: a charge do Bessinha sobre o grampo sem áudio se ilustra com Luiz Fernando Corrêa, que acaba de ser defenestrado da elevada função de Responsável pela Segurança da Copa de Mr. Teixeira, embora, até hoje, não tenha achado o áudio do grampo da conversa de Gilmar Dantas com o senador Demóstenes Torres. Aquela conversa que resultou na degola do ínclito delegado Paulo Lacerda e o consequente torpedeamento da Operação Satiagraha, que sobreviverá. Inclusive na blogosfera, onde está mais viva do que nunca !




Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para vercomo outra eminente colonista da GloboNews  e da CBN se refere a Ele.

****