terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dizer que você é saudável e ter pensamentos positivos pode alongar sua vida

14.02.2012
Do JORNAL CIÊNCIA, 11.02.12
Do OSMAIRO VALVERDE
DA REDAÇÃO DE BRASÍLIA

Os cientistas estão afirmando que promover o bem-estar pode alongar, e muito, seus anos de vida.

Uma nova pesquisa com pessoas que sempre declararam sentirem-se “muito bem” em relação à saúde indicou que estes indivíduos possuem menos riscos de morrer com doenças e complicações comparado com as pessoas que respondem “mais ou menos”.
Outros fatores foram encarados e levados em consideração na pesquisa, como por exemplo, cigarro, a existência de alguma doença crônica e pressão arterial. Algumas pesquisas anteriores já mostram que pessoas otimistas podem promover sua própria cura. Em 1970, 8.000 pessoas foram convidadasa realizarem um check-up médico para avaliar o estado geral da saúde.
Após 30 anos, todas essas pessoas foram reavaliadas novamente. Os cientistas constataram que os pacientes que respondiam as perguntas dos questionários de modo positivo, tiveram uma melhorar na qualidade de vida.
Um dos responsáveis pela pesquisa, David Fah da Universidade de Zurique, declarou em entrevista ao DailyMail: “Nossos resultados indicam que pessoas que classificaram seu estado de saúde como excelente têm atributos que melhoram sua própria saúde. Estes podem incluir atitude positiva, uma visão otimista e um nível fundamental de satisfação com a própria vida”.
O estudo mostrou que os homens que declararam ter o estado de saúde “mais ou menos” tinham 3,3 mais chances de morte do que os que responderam a pergunta positivamente. Entre as mulheres este índice ficou em 1,9.
Os responsáveis pela pesquisa comentam que o conceito de saúde é muito amplo de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Ter saúde não significa necessariamente ausência de doenças, mas sim o completo desenvolvimento físico, mental e bem-estar social.


Fah declara: “Bons médicos não devem, portanto, olhar só a presença de fatores de riscos ou doenças, devem também verificar a saúde dos pacientes em outros âmbitos, se necessário”.
O Dr. James Coyne, professor de psicologia da University of Pennsylvania School of Medicine, constatou que não existiam estudos anteriormente de boa qualidade e grande abrangência sobre a “psicologia positiva” e seus efeitos na saúde física. Outra pesquisa do Dr. James mostrou que o sentimento de bem-estar em pacientes com câncer, não demonstrou ter qualquer efeito sobre o tempo de vida.

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Iniciativa foi engavetada Prefeitura tinha planos para urbanizar o Pinheirinho. O que aconteceu?

13.02.2012
Do blog de Rodrigo Vianna,
Por Moriti Neto, do Nota de Rodapé

Documento: intenção era urbanizar o Pinheirinho


Aproximadamente 17h do dia 22 de janeiro deste ano. Com a reintegração de posse do Pinheirinho em curso no município de São José dos Campos, o juiz assessor da presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo, Rodrigo Capez, concedeu entrevista coletiva.

Um dos coordenadores da operação policial ele afirma que a Prefeitura da cidade – fornecedora de apoio estrutural na desocupação, inclusive com uso da Guarda Civil Municipal, muito denunciada por abusos pelos ex-moradores e entidades de direitos humanos – nunca teve interesse em regularizar o terreno.


Contudo, um documento obtido pelo Nota de Rodapé comprova iniciativas envolvendo a Prefeitura para instalação de projeto destinado ao local.

Um ofício (imagem acima) datado de 16 de dezembro de 2010, encaminhado pela secretária de Governo do município, Claude Mary de Moura, à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) endereçado ao assessor da presidência da empresa, Antonio de Jesus Sanches Lajarin, contém um levantamento socioeconômico da comunidade, objetivando a regularização e urbanização da área.

Já na abertura, o relatório evidencia contatos anteriores que solicitaram a pesquisa e descreve que “esses dados poderão ser usados para desenvolver o projeto de urbanização pelo Governo do Estado de São Paulo/CDHU e financiamento pelo Governo Federal/Ministério das Cidades, em parceria com a entidade criada pela ocupação”.

Esse estudo foi realizado em quatro finais de semana do mês de agosto de 2010 e utilizou 74 funcionários públicos da Prefeitura. Na época, o registro oficial visitou 1658 casas, cadastrou 1577 famílias, num total de 5488 pessoas (somente 82 famílias não atenderam ao cadastramento).

Também foram encontrados 81 pontos comerciais, seis templos religiosos e um galpão comunitário. Além disso, a pesquisa detectou faixa etária predominante entre 0 e 18 anos (57,7%), 415 pessoas inscritas em programas sociais, como Bolsa Família, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Bolsa Auxílio Qualificação e Renda Mínima, e, de 1536 crianças e adolescentes, verificou 1490 frequentando a escola.

Um dos líderes da comunidade que habitava o Pinheirinho, Sérgio Pires, do Movimento Urbano dos Sem Teto (MUST) questiona a situação. “Se o Capez estiver certo e a Prefeitura nunca teve interesse em buscar a regularização, por qual motivo fez-se um levantamento socioeconômico que utilizou força de trabalho dos servidores da cidade, com óbvio gasto de dinheiro público, e que dava sinais de acordo entres as esferas municipal, estadual e federal? Mudaram de ideia ou foi tudo jogo de cena? ”, indaga.

Outro lado

Procurada pela reportagem do NR, nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, para falar sobre o documento oficial que menciona a urbanização da área do Pinheirinho, a Prefeitura de São José dos Campos confirmou o envio à CDHU, informando sobre um relatório socioeconômico realizado na área que, inicialmente, seria um pedido da Vara da Infância e Juventude da cidade, feito em 2005, com o objetivo de levantar o número de crianças da comunidade.

Questionada se o documento seria um reaproveitamento do solicitado pela Vara da Infância e Juventude, a Prefeitura respondeu afirmativamente, dizendo que a pesquisa teve atualizações em 2008 e 2010.


Porém, algumas dúvidas permanecem sobre o objetivo real do estudo. Matérias publicadas pelo jornal O Vale, de São José dos Campos, em 2 de agosto e 17 de dezembro de 2010, que somente anunciava a pesquisa, mostram declarações da diretora de Desenvolvimento Social, Maria Quitéria de Freitas, e da secretária de Habitação, Irene Marttinen, que destacam a visão macro que viria a ter o levantamento, além da meta de pesquisar quantas pessoas moravam no Pinheirinho, o que contradiz a versão de algo dirigido apenas às crianças.

Também em O Vale, o assessor executivo da presidência da CDHU, Antonio de Jesus Sanches Lajarin, declara que, com o relatório em mãos, poderia haver o início de um planejamento de urbanização e regularização da área. Ele ressaltava o papel da Prefeitura na iniciativa. “Para encontrarmos uma solução para essas pessoas, é preciso o apoio da Prefeitura. São eles quem devem nos passar diretrizes antes de começarmos o projeto”, afirmou.

Você sabia?

Nahas teve desconto no IPTU após reintegração. Para vereador do PT de São José dos Campos decisão abre precedente.


Quando se imagina que terminaram as vantagens obtidas por Naji Nahas e a Selecta junto à Justiça Paulista, surge alguém com novas informações. É o caso de Wagner Balieiro, vereador pelo PT de São José Campos.

Ele conta que apenas seis dias depois da reintegração de posse do Pinheirinho, a Prefeitura de São José dos Campos revisou a dívida de Imposto Predial Territorial e Urbano (IPTU) da massa falida, dos anos de 2004 e 2005, por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, e fala em abertura de precedente para que o total da dívida com o município também caia.

“Essa medida, realizada em 28 de janeiro, diminuiu o valor da dívida de cerca de R$ 15 milhões para R$ 13,4 milhões, redução aproximada de R$ 1,6 milhão”, explica Balieiro.

Inicialmente, a revisão ocorreu por conta de uma decisão judicial de 2009, da 2ª Vara da Fazenda Pública de São José dos Campos. Na época, a Selecta conseguiu reduzir a alíquota do imposto cobrado de 8% para 1,5%. “O que ocasionou o abatimento foi a diminuição da alíquota que atrela o valor do imposto ao valor venal do terreno”, conta o vereador.

Agora, a sentença do juiz José Henrique Fortes Júnior, da 15ª Câmara de Direito Público do TJ-SP, de segunda instância, confirma a redução, proporcionando descontos aproximados de R$ 777 mil do IPTU de 2004 e R$ 835 mil no de 2005. Os valores antes da decisão eram R$ 972,9 mil e R$ 1,04 milhão, diminuídos a respectivos R$ 195,7 mil e R$ 210,3 mil.

“É uma injustiça sob muitos aspectos a concessão de uma benesse dessas a um mau pagador. Quantos cidadãos que pagam o IPTU têm diminuições na mesma porcentagem? Além disso, a decisão abre um precedente para que Nahas consiga redução nos outros tantos anos de dívida. Sei que a Prefeitura vai recorrer, mas cabe aos vereadores de São José fiscalizarem e exigir uma postura jurídica adequada por parte do município”, ressalta Balieiro”.

Leia outros textos de Outras Palavras

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Empresas nos EUA processam clientes que reclamam do serviço em sites


14.02.2012
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Jamildo Melo
No site Consultor Jurídico

A popularização dos sites de reclamação na internet está inundando a Justiça americana de processos. Muitas empresas estão reagindo a críticas, feitas em websites por consumidores descontentes com seus produtos ou serviços, com ações judiciais por danos. Mas tanto empresas quanto consumidores têm se saído mal nos tribunais, por causa da dificuldade de se distinguir o que é informação e o que é crítica ou avaliar se é calúnia e difamação. Por isso, publicações jurídicas e advogados, através de seus blogues, estão se esforçando para explicar aos consumidores e às empresas as diferenças entre uma coisa e outra.

De acordo com o FindLaw.com, há sempre uma dificuldade em diferenciar uma avaliação pessoal, escrita de forma apropriada, da crítica escrita em um estilo que entra em conflito com a legislação que define calúnia e difamação. Da mesma forma que há uma linha muito tênue que separa o que é liberdade de expressão do que é direito de outra pessoa ou entidade de proteger seu bom nome.

No caso de entrar em conflito com a lei, nos EUA, tudo o que pode ser visto, tal como textos, impressos, ilustrações, imagens e estátuas, é definido como calúnia; tudo o que é falado e ouvido, é difamação, como explica artigo publicado pelo LawBrain. Entretanto, mesmo que caracterizada a calúnia ou difamação, um juiz não pode condenar uma pessoa à prisão, porque isso não é crime. É um dano causado a outra pessoa ou entidade, que é julgado na esfera da Justiça Civil.

Acusação

Segundo as publicações, para conseguir indenização por danos, a parte demandante deve apresentar provas de cinco elementos: 1) que a parte demandada fez uma calúnia; 2) que a calúnia foi publicada — isto é, chegou ao conhecimento de mais pessoas e não apenas do demandante; 3) que a calúnia causou dano à parte demandante; 4) que a parte demandante foi identificada por terceiros como a citada no material calunioso; 5) que a calúnia se caracteriza pelo fato de as declarações serem falsas.

Para provar que uma declaração foi caluniosa ou difamatória, a parte demandante deve demonstrar que pelo menos mais uma pessoa que a viu ou ouviu — além da parte demandante — percebeu nela um conteúdo calunioso ou difamatório. Dessa forma, mesmo que a parte demandada argumente que tudo não passou de uma piada ou brincadeira, se uma testemunha levou a forma de expressão da demandada a sério, a comunicação é considerada caluniosa ou difamatória.

Defesa

Em geral, há quatro linhas de defesa contra acusações de calúnia e difamação: verdade, consentimento, acidente e privilégio. 

1) a comprovação de que a alegada comunicação caluniosa ou difamatória (objeto da ação) é verdadeira é a melhor defesa; a parte demandada não precisa defender cada detalhe da comunicação, se a sua substância pode ser estabelecida; a verdade, por mais dura que seja, não é considerada caluniosa ou difamatória; 

2) se a parte demandada consentiu com a publicação do material, mesmo que ele venha a ser considerado calunioso, a indenização por danos é negada; 

3) divulgação acidental de uma declaração caluniosa não constitui publicação — e, portanto, não caracteriza calúnia; 

4) o instituto do privilégio confere imunidade a algumas pessoas, envolvidas diretamente com a promoção dos negócios públicos — por exemplo, advogados, promotores, juízes, jurados e testemunhas não podem ser processados por declarações consideradas caluniosas ou difamatórias. O mesmo vale para parlamentares, quando em trabalho.

Meios de comunicação

A responsabilização pela republicação de material considerado calunioso ou difamatório é a mesma da publicação original nos Estados Unidos. Assim, jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, editoras e websites podem ser responsabilizados pela republicação de calúnia ou difamação, porque têm controle editorial sobre suas comunicações. Publicação não significa que o material foi impresso ou expresso em qualquer meio de comunicação. Um panfleto ou um pedaço de papel, escrito à mão e fixado em um lugar onde pode ser visto por mais pessoas que a demandante, é o suficiente.

Livrarias, bibliotecas e outros distribuidores de material impresso ou visual não são responsabilizados, a não ser que saibam — ou tenham razões para saber — que o material é calunioso ou difamatório. Operadoras de comunicações, como companhias telefônicas, também não são responsabilizadas por material calunioso ou difamatório que transmitem, mesmo que saibam que esse é o caso do conteúdo da comunicação, a não ser que saibam — ou tenham razões para saber — que a pessoa que faz a comunicação não tem o privilégio de fazer tal comunicação. Fornecedoras de equipamentos de comunicações nunca são responsabilizadas pelo conteúdo calunioso ou difamatório das mensagens que transmitem.

Políticos e celebridades

Todas as pessoas que são consideradas figuras públicas, como políticos e celebridades de qualquer área, devem apresentar todas as provas requeridas de uma pessoa comum, para ter sucesso em uma ação judicial por danos, e, além disso, comprovar que houve uma "malícia real" na calúnia ou difamação. Isto é, têm de comprovar que a parte demandada sabia que suas declarações eram falsas ou que não deu a menor importância sobre a possível falsidade delas. E que só a fez com a intenção de prejudicá-las pessoalmente. Isso não se aplica a uma pessoa comum.

Empresas versus consumidores

Em artigo no FindLaw, o autor Jason Beahm sugere aos advogados que recomendem a seus clientes empresariais não processar os consumidores, mesmo que escrevam críticas ácidas contra sua empresa, produtos ou serviços, como primeiro ato. Antes disso, as empresas devem negociar com o consumidor frustrado, às vezes com a ajuda do advogado, para lhe oferecer uma reparação ou compensação pelos desgostos que passou. 

Algumas vezes, a emenda pode ser melhor que o soneto: o consumidor, então satisfeito, pode escrever outro comentário — uma espécie de "contracrítica" — que pode ter um grande valor para a empresa. O autor diz que vale a pena fazer um esforço nesse sentido. Mas não um esforço exagerado.
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Barões do amianto condenados a 16 anos de prisão na Itália

14.02.2012
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 13.02.12
Por Conceição Lemes

Sala do Palácio de Justiça de Turim lotada para ouvir a decisão histórica contra os ex-proprietários da Eternit
Os procuradores de Justiça da Itália acabam de anunciar em Turim a condenação a 16 anos de  prisão dos ex-proprietários da Eternit, o barão belga Louis de Cartier de Marchienne e o magnata suíço Stephan Schmidheiny. É o maior processo criminal de todos os tempos por danos a trabalhadores e ao meio ambiente.  O processo diz respeito à morte de 2.500 trabalhadores, vítimas do cancerígeno amianto.
A engenheira Fernanda Giannasi, o maior símbolo da luta contra o amianto no Brasil, está em Turim, no Palácio da Justiça, acompanhando a leitura da decisão histórica:
“Há uma hora em pé estamos ouvindo o nome dos mortos pelo amianto na Itália e a condenação de indenizar toda esta população sofrida e heróica 30 anos de espera. Estou na sala principal em lágrimas.  Para a Prefeitura de Casale Monferrato, 25 milhões de euros”.

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NOVO BRASIL, MAS VELHO URBANO

14.02.2012
Do blog FAZENDO MEDIA, 02.02.12
Por Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro*



Há poucas semanas os jornais noticiavam que o Brasil havia se tornado a sexta maior economia mundial, deixando para trás a Inglaterra. Anos seguidos de crescimento econômico permitiram que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro alcançasse tal posição – com a ajuda, é verdade, da crise econômica que vem derrubando as economias dos países desenvolvidos -, reforçando a percepção do bom momento que vive a nossa economia, com geração de empregos e aumento da renda.
Pegando carona nesse crescimento econômico, aliado à redução das desigualdades de renda ocorrida nos últimos anos, milhares de brasileiros vêm conseguindo entrar na tão falada “Nova Classe Média” – ou seja, suas famílias atingiram um extrato de renda intermediário, deixando a pobreza para trás. Relacionado a isso observamos também a diminuição do desemprego, a expansão do número de postos com carteira de trabalho assinada, o maior acesso ao crédito e, como consequência desses movimentos, o aumento do poder de consumo da população. Nesse sentido, podemos dizer que nos últimos anos observamos um grande processo de inclusão social via mercado – aliado aos programas de transferência de renda.
Ao mesmo tempo, nas primeiras semanas do ano os moradores do Rio de Janeiro têm acompanhado, mais uma vez, notícias a respeito de uma série de “desastres naturais” que deixam muitas pessoas desabrigadas, feridas ou mesmo mortas. E o mais grave é que essas tragédias têm se repetido ano após ano, quase que com local e data marcados. Um ano após a tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro, que deixou 918 mortos e 8.900 desabrigados, vemos notícias de que já temos quase vinte vítimas fatais em Sapucaia, Centro-Sul Fluminense, onde no dia 9 de janeiro ocorrera um grande deslizamento de terra. Já no Norte e Noroeste Fluminense, enchentes provocadas pela chuva deixaram mais de seis mil desabrigados e desalojados em dez municípios do estado – alguns em situação de emergência.
Assim, ao mesmo tempo em que políticas direcionadas ao mercado têm sido capazes de sustentar a inclusão social de um novo contingente, as cidades continuam a excluir parte de sua população das condições de vida civilizada.  Quando consideramos apenas as dez principais regiões metropolitanas do país (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e DF) vemos que, se por um lado a média do rendimento domiciliar saltou de R$ 1.745,85 em 2004 para R$ 2.607,63 em 2009, o percentual de domicílios em áreas de aglomerado subnormal (uma aproximação do que chamamos de favelas) ficou estável, em torno de 8,5% – o que representava mais de um milhão e meio de domicílios em 2009. Já o percentual de domicílios que contavam com aparelho celular saíra de 61,8% em 2004 e chegou a 86,6% em 2009. Em se tratando da posse de microcomputador o salto foi de 24,9% em 2004 para 46,8% em 2008. No entanto, em 2009 o percentual de domicílios não ligados, direta ou indiretamente, à rede coletora de esgoto continuava estagnado em torno de 18% – o que representava mais de três milhões de domicílios.
Nossas cidades não têm sido capazes de acompanhar as melhoras que temos verificado no mercado de trabalho e no poder de consumo da população, e ainda excluem uma parcela nada desprezível de seus moradores – moradores de favelas, em domicílios não ligados à rede coletora de esgoto, e com uma densidade domiciliar média que, ainda em 2009, se encontrava acima de 2,6 moradores por banheiro -, sem nenhum sinal claro de evolução nos últimos anos – e também sem perspectivas de melhoras para os próximos.
Em 2009 quase 85% dos domicílios brasileiros se localizavam em áreas urbanas e, desses, mais de 36% se encontravam em uma das dez principais regiões metropolitanas do país.  Tendo nossas cidades a importância que possuem dentro do cenário nacional, fica difícil garantir um padrão de vida mínimo para a população sem a elaboração de políticas que visem combater exclusão social promovida pela (des) organização de nossas áreas urbanas. Por mais que o PIB continue a crescer, que a economia nacional alcance posições mais altas no ranking mundial, e que, como consequência, uma parcela cada vez mais larga da população alcance níveis de renda intermediários, sem que uma maior atenção seja dada à gestão e planejamento de nossas cidades é bem provável que continuemos a testemunhar a exclusão cotidiana de uma parcela considerável de brasileiros e a lamentar anualmente as vidas perdidas nas tragédias “naturais”.
(*) Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro é Professor Titular do Instituto de Planejamento Urbano e Regional – IPPUR/UFRJ e Coordenador Nacional do Observatório das Metrópoles. A elaboração artigo contou com a colaboração dos pesquisadores André Salata e Marcelo Gomes Ribeiro. Texto reproduzido do Boletim do Observatório das Metrópoles.

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Aeroportos: Dirceu quer a CPI da Privataria, já !

14.02.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 09.02.12
Por Paulo Henrique Amorim

Este ansioso blogueiro, desde o primeiro momento, observou que a principal diferença entre a privatização dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas, no Governo Dilma, e a Privataria no Governo do Privatizador-Mor, Cerra e seu presidente-mentor, o Farol de Alexandria, era exatamente essa: a Privataria Tucana.

Cabe observar, agora, que José Dirceu (o mensalão ainda está por provar-se diz o Mino Carta), ainda líder do PT, pela primeira vez põe a tropa na rua e pede a CPI da Privataria.

Por falar nisso, deputado Marco Maia, é bom ser deputado federal ?

E ser ex-deputado – será que dói ?

O Conversa Afiada foi ao Blog do José Dirceu e o transcreve: CPI da Privataria, já !

Gritaria contra as concessões tem duas boas razões


Os tucanos estão inquietos, desarvorados diante do sucesso do leilão dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas, do qual participaram 11 consórcios e se chegou a um ágio médio de 348% acima do preço inicial.


Foi o suficiente para várias estrelas de plumagem colorida tucana saírem do ninho para criticar as concessões dos aeroportos. Fazem de tudo para passar à opinião pública a ideia de que elas são a retomada do processo de privatização que eles promoveram durante os oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso.


O agora – e de novo – presidenciável senador Aécio Neves (PSDB-MG), por exemplo, acusa o PT de copiar iniciativas econômicas da gestão tucana. “Há um software pirata em execução no Brasil. Porque o original é nosso”, afirmou. Outro senador tucano, Aloysio Nunes Ferreira Ferreira Filho (PSDB-SP) prefere a ironia: “Quero saudar esse reposicionamento do PT em relação às privatizações. Vamos ficar livres da cantilena do PT que a cada eleição as demoniza”.


E o mais destacado editorial do principal reforço tucano nessa linha, o Estadão de hoje, tem o título “A primeira privatização petista”.  Entre os tucanos, a mais entusiasmada com a estratégia de passar a opinião pública que o PT também privatiza, a economista Elena Landau, em entrevista à Folha de S.Paulo pontifica: “passei o bastão, a musa das privatizações agora é a presidenta”. E fulmina: as concessões agora igualam o PT ao PSDB.


Desatinos da gestão tucana


Luiz Carlos Mendonca de Barros – presidente do BNDES e ministro das Comunicações no governo FHC até faz reparos. O modelo das concessões dos aeroportos, confessa, “não é o meu modelo ideal”. Realmente, concordo, não é o mesmo modelo que deu de presente a Vale e retirou o Estado da telefonia desnacionalizando o setor.


Toda essa orquestração não passa de desespero do tucanato frente ao sucesso das concessões feitas pelos governos do PT. Aliás, há que se diferenciar concessão de privatização, como bem pontua, hoje, o nosso colaborador José Augusto Valente, em seu artigo “Governo faz gol de placa em licitação de aeroportos ”.


Com estas concessões de agora, apenas repete-se o bom desempenho dos governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff no setor de rodovias – concedidas mediante exigências completamente diferentes das estabelecidas nesta área pelo tucanato. E vêm aí as concessões dos portos e as revisões dos contratos das ferrovias, onde nunca o poder público investiu tanto.


É bom que se diga, ainda, que boa parte das ações do governo é feita para consertar desatinos da gestão tucana. É por isso que hoje assistimos a ampliação dos investimentos públicos na infraestrutura, em energia, petróleo e gás, que praticamente não existiram nos oito anos da era FHC.


Arrogância e desespero


Quando os tucanos apresentam as concessões como “privatizações” –  e eles sabem a diferença – e com apoio de parte da mídia, as consideram prova de que não temos “capacidade administrativa” e de investir, na verdade apenas externam seu nervosismo e arrogância.


Comparando-se os dois períodos (oito anos de tucanato e nove de petismo) os dados e números os desmentem tranquilamente. No caso dos aeroportos, indicam exatamente o contrário: foi o governo Lula quem mais investiu na área.

A percepção pode até ser outra – também, devidamente auxiliada pela mídia – mas porque vivemos um boom de crescimento do setor com o aumento do número de passageiros. O total de pessoas que viajam de avião mais do que dobrou na era Lula.


Passaram recibo


Na era tucana o cenário era outro. O país parou, não crescia, e quebrou duas vezes. O Brasil foi de pires na mão pedir dinheiro ao FMI. Não investia quase nada em infraestrutura, e nada em petróleo e gás. Em energia, nem vale a pena mencionar. O apagão de 2001 fala por si.


Tanto alarde feito pelo PSDB comprova apenas uma coisa: os tucanos passaram recibo, estão com ciúmes! Como vemos, o motivo para tanto nervoso é que… o Brasil está dando certo!


Mas há, ainda, uma outra razão oculta para os tucanos baterem tanto nos contratos de concessões. Eles estão de olho é no livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., publicado pela Geração Editorial. Toda essa gritaria é para esconder a privataria tucana denunciada no livro. Com documentos. Esta, sim, precisa ser investigada e sua história contada…

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