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sábado, 4 de fevereiro de 2012

EDUARDO CAMPOS SOB ATAQUE DA IMPRENSA GOLPISTA :Época bombardeia Eduardo Campos

04.02.2012
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges


Apesar das ilusões ainda existentes sobre o papel da mídia partidarizada, ninguém está imune aos seus ataques. A revista Época desta semana resolveu concentrar a sua artilharia contra o governador de Pernambuco e presidente PSB, Eduardo Campos. Não se sabe ainda as razões do tiroteio: se políticas, visando desgastá-lo ou enquadrá-lo, ou comerciais. Mas a bordoada foi dura e implacável!


A publicação da famiglia Marinho, que até agora não se dignou a tratar do escândalo da privataria tucana, documentado no livro de Amaury Ribeiro e alvo do pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), simplesmente decidiu requentar velhas denúncias contra o líder do PSB, um dos principais partidos da base de sustentação da presidenta Dilma Rousseff.


Motivo de cobiça política


Nas entrelinhas, porém, a reportagem de Andrei Meirelles deixa implícitos os motivos do ataque. A revista está atenta à crescente influência política do governador pernambucano e já afia suas garras. Eduardo Campos é alvo de cobiça política e os “pauteiros” da Época estão monitorando os seus passos. O tratamento dispensado a ele dependerá de suas futuras escolhas, indica a matéria:


“Eduardo Campos é hoje um curinga no jogo da sucessão presidencial de 2014. Depois de virar protagonista da política nacional, ele é cortejado tanto por petistas como por tucanos – os adversários de sempre – como uma possível opção de candidato a vice-presidente numa chapa para o Palácio do Planalto. Campos é visto ainda como uma possível terceira via na disputa pelo Palácio do Planalto, sustentada numa eventual aliança da esquerda não petista com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab”.


O retorno dos precatórios


Para mostrar que tem bala na agulha, a revista então resgata uma denúncia da década de 1990, época em que o hoje governador era secretário de governo do seu avô, Miguel Arraes, e foi acusado por realizar operações ilegais com títulos públicos, no famoso escândalo dos precatórios. Época afirma que o caso ainda está em aberto e que pode ter conseqüências desastrosas para as pretensões do líder do PSB.


O tom da matéria é ameaçador. Lembra que Eduardo Campos foi eleito governador de Pernambuco em 2006 e reeleito em 2010, “com mais de 80% dos votos, numa campanha em que o escândalo dos precatórios deixou de ser relevante. Seus adversários na campanha de 2010 dormiram no ponto”. A revista, então, trata de dar munição pesada aos seus atuais e futuros "adversários” políticos.


Aplainando o terreno para 2014


Eduardo Campos já foi absolvido no caso dos precatórios pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo assim, a revista alerta que “ele não conseguiu a mesma certidão de ‘nada consta’ em outro julgamento, de natureza administrativa”. Época, sempre atenta às movimentações de lideranças de centro-esquerda, relata que teve acesso a documentos inéditos que revelam que, cinco anos depois da decisão do STF, o atual governador foi condenado neste quesito. Esse seria o ponto fraco do líder do PSB.


Procurado pela revista, o governador emitiu nota afirmando que a condenação de natureza administrativa “não é definitiva, além de contrariar frontalmente o posicionamento de todas as outras instâncias”. Mesmo assim, a revista dispensou farto espaço para fustigar Eduardo Campos. Chega a insinuar que ele poderia ser incluído entre os políticos “fichas sujas”. Como se observa, o jogo será pesado para a disputa presidencial de 2014, que terá o seu primeiro round nas eleições municipais deste ano.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2012/02/epoca-bombardeia-eduardo-campos.html

ANDERSON SILVA NO XINGU

04.02.2012
Do site da Revista Trip, 03.02.12
Texto por Caio Ferretti 
Fotos Luís Maximiano


O lutador foi até o Alto Xingu para aprender uma luta indígena, a huka huka  

Anderson Silva e os seus adversários indígenas
Anderson Silva e os seus adversários indígenas

Quem disse que Anderson Silva é imbatível? O campeão do UFC foi até uma aldeia indígena no Alto Xingu para aprender uma nova luta, a huka huka, e teve que rolar na terra para segurar os guerreiros camaiurá

Anderson Silva olha fixamente pela janela do pequeno avião monomotor que acaba de parar na pista de terra. Está pensativo, sorri e sem desviar o olhar por nem um segundo diz: “Cara, que emocionante isso aqui”. Do lado de fora do avião ele vê dezenas de crianças indígenas se aproximarem correndo, com cabelos e corpos pintados de vermelho, aglomerando-se ao lado da aeronave a sua espera. Há dias anuncia-se que um grande guerreiro mundialmente conhecido chegaria à aldeia, onde ninguém sabe quem é Anderson Silva. Em silêncio, ele desembarca, dirige-se ao grande grupo de crianças e, rodeado, pergunta: “E aí, quem aqui é lutador?”. Várias levantam o braço. Ali, na terra dos índios camaiurá, às margens do rio Xingu, no Mato Grosso, luta é coisa séria. E é por isso que o campeão mundial de MMA trocou o octógono pelo chão de terra batida. Foi aprender uma luta local, o huka-huka, para descobrir se pode aplicar seus golpes em combates do UFC.
“É outra arte que vou conhecer, quero saber como eles conduzem a filosofia desse esporte”, disse ele, que aproveitou a experiência para gravar um vídeo comercial para a marca de açaí Amazoo. Logo que chega, além das crianças, Anderson também é recebido por Were. O rapaz jovem e bastante forte é respeitado por todos na aldeia. Carrega amarrado na cintura um cordão que tem pendurado na parte de trás a carcaça de um pássaro xexéu, preto e amarelo, com as asas abertas. É uma espécie de cinturão do huka-huka, só usam os lutadores campeões difíceis de derrubar. “Se eu perco um duelo, meu adversário pode arrancar esse cinturão de mim, jogar no chão e pisar em cima do pássaro. É como se eu não tivesse o direito de usar aquilo”, explica Were.

“Quero saber como eles conduzem a filosofia desse esporte”

Luís Maximiano
Anderson Silva, devidamente pintado para o combate
Sentado em um tronco de madeira ao lado de Anderson é Were quem explica as tradições do huka-huka ao campeão do UFC. Falando sempre com um tom baixo, quase sussurrando, ele conta que por volta dos 14 anos de idade os meninos passam por um confinamento que pode durar anos. Durante a reclusão, na oca, são preparados para a vida adulta e principalmente para lutar. “Nesse tempo raspamos a pele com a ranhadeira, feita com espinhas de peixe. Passamos nas costas, nas pernas, nos braços... Depois passamos algumas raízes em cima, aí arde muito. Temos que aguentar pela nossa tradição, significa força. Também tomamos algumas raízes que fazem a gente vomitar. Eu tive que provar muitas, umas dez diferentes.” No alto dos braços e nos calcanhares são amarrados barbantes para engrossar o bíceps e a batata da perna. De casa, só saem para lutar com outros índios mais experientes no centro da aldeia. “Depois voltamos ao confinamento pra ficar pensando só sobre o huka-huka.”
E como determinar o fim da reclusão? “Nós sabemos a hora. Quando vamos lutar no centro da aldeia vemos se a pessoa ganha dos mais velhos. Aí está provado que já tem força. Se vier e perder tem que voltar pro confinamento, continuar com a ranhadeira, ficar pensando na luta, tentando conversar com os espíritos.” Were, no caso, precisou “só de um ano e meio” para ser liberado e se tornar um campeão. Agora ele terá a oportunidade de ensinar suas técnicas a outro vencedor dos ringues. E, por que não, poderá aprender algo também, para nunca perder a honraria do pássaro xexéu na cintura. Basta seguir vencendo, principalmente durante o Kuarup, festa de homenagem aos parentes mortos, na qual o huka-huka é uma das grandes atrações.

Preparado pra apanhar

Mas, antes que qualquer combate levante a fina terra que cobre o chão da aldeia, Anderson precisa ser devidamente pintado e preparado. Dois índios estampam bolas pretas e vermelhas em todo seu tórax. “É a pintura da onça, todo lutador tem que ter”, explica um deles. Em seus joelhos são amarrados grossos panos, já que no huka-huka essa parte do corpo quase sempre está em contato com o solo. Na cintura vai uma tira de pele de onça e no pescoço, um colar de placas de caramujos (pedaços lixados do casco), outro adereço exclusivo de guerreiros. Quase pronto, Anderson assume: “Estou um pouco tenso. Tenho certeza de que vou ser jogado pra lá e pra cá”.
Tarde demais para considerar a real possibilidade. Uma roda está formada no centro da aldeia à espera do campeão do UFC. A maioria dos índios nem sequer dormiu a última noite. É tradição para eles: em madrugadas que antecedem dias de luta não se prega o olho. “Ficamos na concentração pensando na luta até amanhecer o dia. Lá pelas quatro da manhã passamos óleo de pequi no corpo pra aquecer e massagear os músculos e pra evitar que o outro consiga te agarrar”, explica Were. Uma rápida demonstração de como funciona o huka-huka é feita para Anderson. Explica-se que a luta começa com os dois ajoelhados, segurando na nuca ou nos braços um do outro. Para vencer é preciso derrubar o adversário de costas, de peito ou agarrar a parte de trás da coxa. Aparentemente simples. Preparado, Anderson? “Sim. Preparado pra apanhar!”

“Estou um pouco tenso. Tenho certeza de que vou ser jogado pra lá e pra cá”


O desafiante já está no meio da roda à espera. Os dois pegam um punhado de terra no chão e esfregam na palma das mãos. A luta começa – e não dura nem 15 segundos até o campeão de MMA estar caído de costas no solo. Foi só levantar e outro índio já estava pronto para um próximo combate. E pensar que na noite anterior Anderson havia dito que não lutaria, que seria apenas uma troca de experiências. Balela, os índios não iam perder essa oportunidade. A segunda luta também foi rápida, questão de segundos até a nova derrota do discípulo de Steven Seagal. Quando o terceiro indígena pediu a vez Anderson não se conteve: “Espera aí! Já apanhei demais! Agora vamos lutar na minha regra”. “E como é?”, pergunta um deles. “É um pouco mais violenta que a de vocês. Quando o oponente está no chão nós podemos continuar batendo. Ou podemos imobilizar também”, respondeu.
Pronto, não perdeu nenhuma das lutas seguintes – mesmo sem disparar nenhum de seus potentes chutes ou socos contra os índios. Resolveu com chaves de braço, finalizações ou simplesmente cansando o adversário até ele pedir pra parar, como aconteceu no largo combate com Were. Bufando, depois de minutos rolando na terra, o campeão do huka-huka ainda foi pedir pra que Anderson o ensinasse um movimento que havia feito durante a peleja. Calmamente a técnica foi explicada diversas vezes. “É um triângulo de mão. Uma técnica boa, eficaz. Espero que eles consigam usar no tipo de luta que fazem, que é quase semelhante ao estilo de solo do MMA”, disse o professor.


Anderson em luta com o campeão de huka-huka Were, que carrega como cinturão um pássaro Xexéu na cintura
Anderson em luta com o campeão de huka-huka Were, que carrega como cinturão um pássaro Xexéu na cintura

Cabeça paraquedas

Anderson, aliás, está acostumado a ensinar. Em sua casa a luta é passada de pai pra filho (são três meninos e duas meninas), assim como acontece no huka-huka. “É tradição dentro da família. Todos eles têm que treinar, têm que se formar faixa preta, saber arte marcial. Sempre que estamos juntos dou treino, tento passar a filosofia da luta. Valorizo muito isso. Aqui na aldeia, achei muito interessante a forma como eles conduzem o huka-huka, os preparativos e as tradições.” Mais um aprendizado para sua já extensa lista de artes marciais, que inclui jiu-jítsu, tae kwon do, boxe, wing chun e boxe tailandês.
Da rápida passagem pela arena dos camaiurá, Anderson saiu com duas coisas na cabeça: uma leve dor – “Numa luta alguém me jogou de cabeça no chão!” – e a sensação de ter agregado mais do que algumas técnicas – “Toda experiência em que absorvemos algo é boa. A pessoa que tem a mente aberta pra novos conhecimentos sempre consegue aprender novas coisas. Eu tenho a possibilidade de treinar com pessoas de diversos países, de várias modalidades... Tento juntar tudo e criar meu próprio estilo, onde me sinto mais confortável.” –, e finaliza com a frase que repetiu diversas vezes na aldeia: “A mente tem que ser igual a um paraquedas: sempre aberta”.
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Fonte:http://revistatrip.uol.com.br/so-no-site/reportagens/anderson-silva-no-xingu.html

JUDICIÁRIO TENDECIOSO: Não bastasse a destruição de famílias, dono do Pinheirinho tem dívida milionária perdoada

04.02.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 03.02.12
Por Fernando Porfírio, Brasil 247


A corte paulista decidiu dar um “bombom” para adocicar a vida dos credores de Nahas que devem estar em situação "muito difícil"
Naji Nahas

Aos amigos sempre um empurrão, aos inimigos a lei e, se for preciso, a força, por meio de cassetetes, tiros e bombas. Em decisão mais recente o Tribunal de Justiça comprovou a validade da sabedoria popular.A corte paulista resolveu dar uma “colher de chá” para a massa falida da Selecta Comércio e Indústria S/A – empresa do megainvestidor Naji Nahas – e dona terreno que abrigava a comunidade do Pinheirinho.

A corte paulista decidiu dar um “bombom” para adocicar a vida dos credores de Nahas que devem estar em situação muito difícil: reduziu R$ 1,6 milhão da dívida que a empresa contraiu junto à prefeitura de São José dos Campos por não pagamento de IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano). Mau pagador merece um perdão.

Leia também:

A dívida total da massa falida com a prefeitura é de R$ 14,6 milhões. O valor abatido refere-se ao IPTU de 2004 e 2005. Os advogados da Selecta, empresa do investidor Naji Nahas, entraram com ação em 2006 solicitando alteração da alíquota de cobrança do imposto nos dois anos.

Com a decisão favorável, a Selecta conseguiu reduzir R$ 777 mil do IPTU em 2004 e R$ 835 mil em 2005. A decisão, de segunda instância, foi do juiz José Henrique Fortes Júnior, da 15ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, e ocorreu na última sexta-feira (28), seis dias após a reintegração do terreno.

A Prefeitura de São José afirmou que já recorreu de decisão. A vitória da Selecta na Justiça abre precedente para a massa falida pedir redução da alíquota do IPTU também nos anos seguintes, o que reduziria sensivelmente as dívidas da massa falida com o terreno do Pinheirinho.

Nahas foi preso em 2008 durante a operação Satiagraha, acusado pela Polícia Federal de cometer crimes no mercado financeiro. Em 1989, o investidor foi apontado como o responsável pela quebra da bolsa do Rio de Janeiro, ao comprar e vender ações para si mesmo, utilizando laranjas, para controlar os preços do mercado.

Maus tratos de animais

Nesta sexta-feira (3), o Ministério Público paulista mandou abrir inquérito no 2º Distrito Policial de São José dos Campos. O inusitado na determinação do MP é que a investigação não é para saber as consequências da ação policial contra os moradores, mas para apurar e definir responsabilidades sobre supostos crimes de abuso e maus tratos a animais ocorridos por ocasião da reintegração de posse na comunidade do Pinheirinho, no dia 15 de janeiro.

Leia mais:

De acordo com notícias veiculadas pela Agência de Noticias sobre Direitos Animais, durante a operação de reintegração de posse executores da medida judicial teriam disparado balas de borracha e usado retroescavadeiras sobre animais domésticos, conduta que caracteriza crime.

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Dois motivos para a atrocidade cometida pelo empresário que matou procuradora

04.02.2012
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR 
Policial segura documento da perícia que indica pontos de perfuração no corpo de Djalma Veloso: ele foi para motel logo depois de sair da casa onde Ana Alice foi morta a facadas. Imagem: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

Ciúme, desespero, medo de perder o patrimônio em um processo de separação litigiosa ou problemas emocionais? Quais foram os motivos que levaram o empresário Djalma Brugnara Veloso, de 49 anos, a matar a ex-mulher, a procuradora da União Ana Alice Moreira de Melo, de 35, e depois se matar? Uma pessoa próxima da família revelou ao Estado de Minas que uma das causas mais prováveis para o crime que chocou Belo Horizonte seriam os documentos que Ana Alice tinha em mãos e que comprovariam casos extraconjugais do empresário, além de irregularidades nos negócios que ele mantinha.

"Ele não tinha nada em seu nome. Ana Alice descobriu isso e o confrontou, pedindo explicações, pois eles estavam casados desde 2001 e tinham um patrimônio em comum. Quanto ao adultério, posso assegurar que ela recolheu evidências de muitos relacionamentos fora do casamento, e não apenas um", disse a pessoa, que pediu para não ser identificada.
Acrescentou que não sabia informar que documentos estavam no dossiê que Ana Alice havia montado, se eram fotografias, relatórios ou certidões, mas reafirmou que o levantamento feito pela procuradora teria motivado a tragédia familiar que resultou no assassinato dela, na madrugada de quinta-feira, no Condomínio Villa Alpina, em Nova Lima, e no suicídio de Djalma, cujo corpo foi encontrado no começo da madrugada dessa sexta-feira, no Motel Capri.

As revelações reforçam a tese de que a briga ocorrida no dia 22, quando Djalma quebrou o celular e o notebook da mulher, além de ter se apropriado de um modem e de um pen drive de propriedade dela, seria uma tentativa desesperada do empresário de destruir as provas coletadas por ela. A discussão começou no clube do condomínio onde o casal morava e terminou à noite, na residência deles, e onde ela foi morta alguns dias depois.
No processo que tramitava no Fórum de Nova Lima, no qual a procuradora denunciava o ex-marido por ameaças de morte e pedia a adoção de medidas protetivas, para preservar a sua integridade física, o Auto 188.12.000.552-8J mostra que um dos pedidos apresentados à Justiça pelo advogado da procuradora era justamente a devolução dos equipamentos em poder de Djalma.

Patrimônio - As complicações decorrentes da citação na Lei Maria da Penha, o que poderia fazer o empresário perder parte do patrimônio, também podem ter levado ao crime. “Normalmente, um homem da posição de Djalma tenta fazer um acordo com a ex-mulher no momento da separação. Quando o juiz protege a parte mais fraca no processo, aplicando as medidas protetivas da Lei Maria da Penha, o marido fica furioso, porque a lei bloqueia todos os bens que estejam em nome dele e da empresa. Isso desestrutura completamente um homem, especialmente se ele já tiver propensão para a violência, mas não justifica a atitude de matar a mulher e acabar com a própria vida”, afirma o advogado Fernando Ramos, especializado em direito de família.
Com mais de 30 anos de experiência em psiquiatria forense, Guido Palomba, autor de mais de 10 mil laudos psiquiátricos sobre criminosos e referência no assunto no Brasil, analisou a pedido do EM o perfil de Djalma. Para o especialista, Veloso estava em “estado anormal de consciência, em estado de doença mental”. O especialista, que já estudou casos como o do casal Nardoni e do atirador Wellington Oliveira, que matou 12 crianças em uma escola do Rio, avalia que houve um estopim, que pode ser tanto uma revelação quanto uma ameaça, como a de abandono. Esse estopim seria resultado de brigas violentas, não necessariamente físicas, mas possivelmente psicológicas desencadeadas, entre os componentes de uma trágica fórmula, pelo ciúme.

“Todos nós temos uma esfera chamada pensamento e outra chamada sentimento. Quanto mais pensamos, menos sentimos. E quanto mais sentimos, menos pensamos. Ele entrou em um estado crepuscular, ou seja, de estreitamento de consciência. E a partir desse estopim, de uma possível briga, o sentimento invadiu o pensamento e ele ficou irracional”. Esse quadro explicaria, conforme Palomba, a entrada nesse estado crepuscular, em que a pessoa não enxerga nada ao lado, como um cabresto para a mente.

O comportamento de Veloso, conforme descrito nos autos policiais e nas declarações já divulgadas, é típico de acusados por crimes passionais. “Pela minha experiência, as tragédias resultantes de brigas entre marido e mulher normalmente têm o mesmo percurso. Morte violenta de forma intempestiva, sem premeditação, feroz e seguida de suicídio”, diz Palomba, que exerce a psiquiatria forense desde 1974 e é autor do Tratado de psiquiatria forense, civil e penal (Atheneu, 2003), o primeiro em língua portuguesa.
Do Estado de Minas
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