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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

REVISTA CARTA MAIOR: Protesto anti-Globo cobra novo marco da mídia, que Dilma segura

20.01.2012
Do site da Revista Carta Maior
Por André Barrocal e Najla Passos

Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já recebeu da equipe proposta de consulta pública sobre novo marco regulatório para emissoras de rádio e TV, mas projeto não anda por falta de priorização da própria presidenta Dilma Rousseff. Nesta sexta-feira (20), militantes da democratização da mídia vão cobrar nova lei durante protesto contra Globo pelo 'caso BBB'.

BRASÍLIA – Mesmo sem comprovação de que de fato tenha havido estupro, a polêmica levantada pelo programa Big Brother Brasil (BBB) serviu até agora para reacender, em setores da sociedade, um sentimento anti-Globo e o debate sobre a necessidade ou não de um novo marco regulatório para TVs e rádios, regidas hoje por uma legislação que, em agosto, vai completar 50 anos.

Nesta sexta-feira (20), entidades que lutam pela democratização da comunicação no país vão promover um protesto contra a Globo, em frente a sede dela em São Paulo, a partir das 12 horas. Além de criticar a conduta da emissora, a manifestação vai cobrar do ministério das Comunicações que tire da gaveta e discuta publicamente a proposta de regras mais atuais na radiodifusão.

A proposta de um novo marco regulatório começou a ser elaborada na reta final do governo Lula, depois que, em dezembro de 2009, houve a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Conduzido na época pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o trabalho resultou em uma proposta que, no governo Dilma Rousseff, foi encaminhada ao ministério das Comunicações.

Em 2011, o ministério decidiu refazer o trabalho, com o objetivo de ampliar seu escopo – em vez de englobar apenas a radiodifusão e o Código Brasileiro de Telecomunicações, o plano foi avançar até a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que em 2012 completa 15 anos.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernando, pretende colocar o novo regulatório em consulta pública, antes de fechá-lo para envio ao Congresso. Ele recebeu uma proposta de marco e consulta pública no fim de 2011. Segundo Carta Maior apurou, o texto ainda não andou por falta de vontade política da presidenta Dilma Rousseff. Ela não cobra o projeto de Bernardo e, ao menos por ora, não o considera uma prioridade.

Na convocação do ato contra a Globo, a Frente Paulista pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação (Frentex), o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e Rede Mulher e Mídia afirmam, porém, que há necessidade de aprovação de “um novo marco regulatório do setor com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos”.

No cenário vislumbrado pelos defensores do novo marco, o país teria uma agência de regulação de conteúdo de rádio e TV com poderes para, de forma mais ágil, julgar casos como o do BBB, em que se suspeitou de sexo não consentido – em depoimento à polícia, porém, a vítima não apresentou queixa e disse que, ao menos enquanto esteve acordada, concordou com o que acontecia.

Independentemente disso, no entanto, o grupo que vai protestar contra a Globo pois considera a emissora culpada por não contar à suposta vítima que ela poderia ter sido estuprada, por prejudicar as investigações da polícia e por, via BBB, enviar ao país uma mensagem de permissividade feminina. Além de responsabilizar a emissora, pressiona para que os patrocinadores do BBB parem de anunciar, sob pena de boicote do público.

Nesta quinta-feira (19), o grupo que organiza o protesto, formado por diversas entidades de defesa dos direitos da mulher, entrou com uma denúncua no Ministério Público Federal em São Paulo cobrando a responsabilização da Globo e um direito de resposta coletivo em nome das mulheres que se sentiram ofendidas, agredidas e que tiveram seus direitos violados.

Em nota, o Ministério Público informou que vai investigar o caso do ponto de vista dos direitos da mulher. “O objetivo do procedimento é que a Rede Globo, emissora de alcance nacional, não contribua para o processo de estigmatização da mulher, mas para a promoção do respeito à mulher e a desconstrução de ideias que estabelecem papéis estereotipados para o homem e a mulher”, afirma o MP.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados encaminhou ao diretor do BBB, Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho, pedido de informações sobre providências tomadas. Segundo o ofício assinado pela presidente da Comissão, Manuela d’Ávila (PCdoB-RS), o colegiado quer ter informações suficientes para “formar opinião qualificada sobre episódio que possa, ou não, se caracterizar como violação da dignidade humana num veículo com ampla influência na formação da população brasileira”.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19414

BLOG DA CIDADANIA: Baixaria na TV há em toda parte, mas no Brasil fica impune

20.01.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 19.01.12
Por Eduardo Guimarães


Do último domingo (15/01) para cá, vêm crescendo as reações à baixaria deste ano no Big Brother. Desta vez é uma suspeita de “estupro de vulnerável”, uma hipótese que, segundo a mãe do “brother” acusado, foi lançada na internet pela mãe da “sister” supostamente abusada ao ver sua filha naquelas condições em rede nacional.

A reação começou no mesmo domingo com providência da ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, que, “a pedido de cidadãs”, oficiou ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro para que investigasse o caso. Em seguida, foi a vez do Ministério Público Federal de São Paulo abrir procedimento para apurar “violação aos direitos da mulher”.

Na segunda-feira, a “sister” supostamente abusada diz, em depoimento à polícia civil, que não foi bem assim e que a bolinação entre o casal rolou consensualmente sob o edredon midiático, descartando a hipótese levantada por sua mãe, a qual fora prontamente acolhida pela sociedade devido ao que encerraria de hediondo caso fosse verdadeira.

Só a partir dali é que as providências tomaram o rumo correto. O MPF-SP anunciou que também irá investigar se a safadeza “subedredônica” constituiu violação dos princípios constitucionais da comunicação social, agressão à criança e ao adolescente – até porque, a classificação indicativa do programa é para 14 anos em vez de 18 – e, por fim, afronta à imagem da mulher, a verdadeira estuprada nesse caso.

Essas providências quase me fizeram ter que engolir o fecho de crônica que escrevi no mesmo domingo em que os fatos vieram à tona, no qual lamentei a impotência da sociedade diante da agressão que a emissora carioca praticara contra si. Disse eu: “Como não há regulamentação da mídia no Brasil, não há a quem reclamar”.

Então, ó crédulo leitor, você dirá que todas essas providências de autoridades me desmentem, certo? Penso que não. Providências têm que gerar efeitos. Do contrário, estimulam a reincidência.

Os efeitos cabíveis que os reiterados abusos da Globo e de outras emissoras – que levam ao ar esse e outros programas que afrontam a cidadania – deveriam gerar seriam multa, suspensão da programação e até cassação da concessão da emissora. Do contrário, não adianta nada o Ministério Público e instâncias do Poder Executivo abrirem procedimentos investigativos.

Eis, aí, o problema. As estripulias da Globo e congêneres não geram nada disso. Os procedimentos abertos em anos anteriores jamais produziram nada.

Em 2011, o Ministério Público Federal recomendou à Globo medidas para “evitar a veiculação de práticas de violação aos direitos humanos, como homofobia, preconceito e racismo”. O órgão tomou aquela decisão após receber mais de 400 reclamações de telespectadores que citavam o baixo nível do apelo sexual do programa.

De nada adiantou. Em uma das festas dos “brothers” que a emissora levou ao ar no ano passado, um rapaz e duas moças protagonizaram uma cena que beirou o sexo grupal, o que fez o MP se manifestar pedindo comedimento quando deveria ter tomado providências mais efetivas já que nos anos anteriores já avisara a emissora sobre tais excessos.

Em 2010, entre as 400 denúncias de abusos do BBB que não produziram qualquer efeito, um caso bizarro. O Ministério Público de São Paulo teve que pedir à Justiça que a Rede Globo orientasse seu público sobre as formas de contágio do vírus HIV após comentário de um dos “brothers” de que “Heterossexuais não contraem Aids”.

Além de as centenas de denúncias de telespectadores naquele ano não terem acarretado conseqüência nenhuma para a Globo, mesmo essa absurda desinformação tendo sido retificada (mas só após pedido do MP à Justiça) não houve penalização da reincidente infratora.

Em 2009, além das cenas de sexo e outras que agridem igualmente a sociedade – ainda que boa parte dela não saiba disso –, o mesmo Ministério Público recebeu denúncias pedindo investigação sobre tortura após três participantes terem sido confinados por longo período em um cômodo sem janelas, com paredes acolchoadas e a luz sempre acesa.

Os casos de tortura consentida pelo torturado são muitos. Esse, em particular, foi no sentido de que, após 18 horas de confinamento, um dos confinados pediu para sair durante um surto psicótico que sofreu. Também daquela vez, cópias das imagens foram requisitadas pelo MP.

Se fosse retrocedendo até edições ainda mais antigas, o material reunido daria um livro.

O que esses casos todos têm em comum? A impunidade dos infratores, claro. Ou seja: não deram em nada. Nem multa, nem suspensão da programação. Nada. Um grande estímulo a que a cada edição do programa os abusos só façam piorar, como de fato aconteceu neste ano.

E nem podemos culpar o Ministério Público, a Secretaria de Políticas para Mulheres ou o Judiciário, onde todas as iniciativas sempre fracassam. Sabe por que, leitor? Porque não há um marco regulatório da mídia e os artigos da Constituição que tratam da comunicação social jamais foram regulamentados.

As pessoas confundem a inevitabilidade de a guerra pela audiência gerar baixaria em qualquer país, mesmo nos mais desenvolvidos, com a ausência de instrumentos para que as autoridades e a Justiça possam punir, de forma até educativa, emissoras que ultrapassarem a linha da legalidade.

Toda vez que digo que o que acontece na televisão brasileira não aconteceria em países desenvolvidos aparece alguém para refutar a afirmação dizendo que esses países também têm reality shows, por exemplo, nos quais também acontecem baixarias como as que temos visto. No post que escrevi no último domingo, aliás, um leitor relatou as baixarias no BBB britânico.

É um erro de avaliação que providencial matéria da BBC Brasil publicada hoje ajuda a reparar. Trata-se de entrevista com o jornalista Torin Douglas, “especialista em mídia da BBC”, na qual ele explica a quilométrica diferença que há entre um país sem regulação da mídia, como o Brasil, e um país como a Inglaterra, onde o rigoroso Ofcom não deixa passar nada.

A entrevista é importante para reflexão da própria Globo, já que a baixaria do BBB fez a audiência do programa disparar também neste ano assim como vem fazendo a cada uma de suas edições. Dos 20 pontos no Ibope registrados no domingo, conforme foi crescendo a dimensão do escândalo a audiência subiu a 36 pontos –80% de acréscimo.

O “especialista em mídia” inglês explica que, no curto prazo, quem apela para a baixaria aumenta a própria audiência, mas, no longo prazo, a reputação da emissora acaba prejudicada.

Segundo o especialista, isso aconteceu com o Channel 4 no caso de Shilpa Shetty, “sister” que teria sido alvo de racismo de outra participante do programa Celebrity Big Brother, em 2007. Depois do incidente, o programa acabou sendo descontinuado.

Além disso, o órgão regulador das telecomunicações na Inglaterra, o Ofcom, considerou válidas as queixas contra a emissora. Depois das reclamações contra o Big Brother, o Channel 4 teve que mudar procedimentos, melhorar processos e criar regras mais rígidas. E vale lembrar, ainda, que a Inglaterra é o país europeu mais liberal nessas questões.

Essas providências (bem) tomadas pelo Ministério Público e pelo governo do Brasil, portanto, só fazem confirmar o que providências idênticas tomadas em edições anteriores do BBB mostraram, que sem um marco regulatório real para as comunicações os procuradores e a ministra continuarão enxugando gelo ano após ano.
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2012/01/baixaria-na-tv-ha-em-toda-parte-mas-no-brasil-fica-impune-2/

BLOG DO MIRO:TV Globo a serviço da treva

20.01.2012
Do BLOG DE MIRO, 00.01.12
Por Mino Carta, na revista CartaCapital:

Âncora do Jornal Nacional da Globo, William Bonner espera ser assistido por um cidadão o mais possível parecido com Homer Simpson, aquele beócio americano. Arrisco-me a crer que Pedro Bial, âncora do Big Brother, espere a audiência da classe média nativa. Ou por outra, ele apostaria desabridamente no Brasil, ao contrário do colega do JN. Se assim for, receio que não se engane.

Houve nos últimos tempos progressos em termos de inclusão social de sorte a sugerir aos sedentos por frases feitas o surgimento de uma “nova classe média”. Não ouso aconselhar-me com meus carentes botões a respeito da validade dos critérios pelos quais alguém saído da pobreza se torna pequeno burguês. Tanto eles quanto eu sabemos que para atingir certos níveis no Brasil de hoje basta alcançar uma renda familiar de cerca de 3 mil reais, ou possuir celular e microcomputador.

Tampouco pergunto aos botões o que há de “médio” neste gênero de situações econômicas entre quem ganha salário mínimo, e até menos, e, digamos, os donos de apartamentos de mil metros quadrados de construção, e mais ainda. Poupo-os e poupo-me. Que venha a inclusão, e que se aprofunde, mas est modus in rebus. Se, de um lado, o desequilíbrio social ainda é espantoso, do outro cabe discutir o que significa exatamente figurar nesta ou naquela classe. Quer dizer, que implicações acarreta, ou deveria acarretar.

Aí está uma das peculiaridades do País, a par do egoísmo feroz da chamada elite, da ausência de um verdadeiro Estado de Bem-Estar Social etc. etc. Insisto em um tema recorrente neste espaço, o fato de que os efeitos da revolução burguesa de 1789 não transpuseram a barreira dos Pireneus e não chegaram até nós. E não chegou à percepção de consequências de outros momentos históricos também importantes. Por exemplo. Alastrou-se a crença no irremediável fracasso do dito socialismo real. Ocorre, porém, que a presença do império soviético condicionou o mundo décadas a fio, fortaleceu a esquerda ocidental e gerou mudanças profundas e benéficas, sublinho benéficas, em matéria de inclusão social. No período, muitos anéis desprenderam-se de inúmeros dedos graúdos.

A ampliação da nossa “classe média”, ou seja, a razoável multiplicação dos consumidores, é benfazeja do ponto de vista estritamente econômico, mas cultural não é, pelo menos por enquanto, ao contrário do que se deu nos países europeus e nos Estados Unidos depois da Revolução Francesa. De vários ângulos, ainda estacionamos na Idade Média e não nos faltam os castelões e os servos da gleba, e quem se julga cidadão acredita nos editoriais dos jornalões, nas invenções de Veja, no noticiário do Jornal Nacional. Ah, sim, muitos assistem ao Big Brother.

Estes não sabem da sua própria terra e dos seus patrícios, neste país de uma classe média que não está no meio e passivamente digere versões e encenações midiáticas. Desde as colunas sociais há mais de um século extintas pela imprensa do mundo contemporâneo até programas como Mulheres Ricas, da TV Bandeirantes. Ali as damas protagonistas substituíram a Coca e o Guaraná pelo champanhe Cristal. Quanto ao Big Brother, é de fonte excelente a informação de que a produção queria um “negro bem-sucedido”, crítico das cotas previstas pelas políticas de ação afirmativa contra o racismo. Submetido no ar a uma veloz sabatina no dia da estreia, Daniel Echaniz, o negro desejado, declarou-se contrário às cotas e ganhou as palmas febris dos parceiros brancos e do âncora Pedro Bial.

A Globo, em todas as suas manifestações, condena as cotas e não hesita em estender sua oposição às telenovelas e até ao Big Brother. E não é que este Daniel, talvez negro da alma branca, é expulso do programa do nosso inefável Bial? Por não ter cumprido algum procedimento-padrão, como a emissora comunica, de fato acusado de estuprar supostamente uma colega de aventura global, como a concorrência divulga. Há quem se preocupe com a legislação que no Brasil contempla o específico tema do estupro. Convém, contudo, atentar também para outro aspecto.

A questão das cotas é coisa séria, e quem gostaria de saber mais a respeito, inteire-se com proveito dos trabalhos da GEMAA, coordenados pelo professor João Feres Jr., da Universidade do Estado do Rio de Janeiro: o site deste Grupo de Estudos oferece conteúdo sobre políticas de ação afirmativa contra o racismo. Seria lamentável se Daniel tivesse cometido o crime hediondo. Ainda assim, o programa é altamente representativo do nível cultural da velha e da nova classe média, e nem se fale dos nababos. Já a organização do nosso colega Roberto Marinho e seu Grande Irmão não são menos representativos de uma mídia a serviço da treva
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2012/01/tv-globo-servico-da-treva.html

Monsanto é denunciada na Argentina por tráfico de pessoas

20.01.2012
Do blog LIMPINHO E CHEIROSO


Camponeses foram levados para uma área a 200 quilômetros de Buenos Aires, e, então, enganados, endividados e impedidos de deixar o local


A Administração Federação de Receitas Públicas (Afip, da sigla em espanhol), da Argentina, denunciou a Monsanto por tráfico de pessoas e exploração de 65 trabalhadores em condições degradantes com base em uma fiscalização realizada no final do ano passado. A informação é do jornal argentinoPágina 12, que publicou reportagem sobre o assunto na edição de terça-feira, dia 17. O flagrante aconteceu em um dos campos da Rural Power, empresa contratada pela Monsanto, que também acabou sendo denunciada.

De acordo com a publicação, os camponeses contratados para trabalhar na lavoura de milho foram levados para uma área a 200 km de Buenos Aires, e, então, enganados, endividados e impedidos de deixar o local. À fiscalização, eles disseram, ainda segundo o jornal, cumprir jornadas de até 14 horas seguidas no processo de desfloração do milho.

Na produção de sementes transgênicas, trabalhadores rurais têm de separar manualmente as flores de algumas das espigas para tentar controlar o processo de reprodução e as características desejadas na nova safra. Na Argentina, as denúncias de violações trabalhistas no cultivo de milho transgênico têm sido constantes.

Procurados pelo Página 12, os representantes da empresa no país afirmaram que realmente o campo foi inspecionado, mas que a multinacional não foi informada sobre a denúncia. Eles ressaltaram que a Monsanto mantém “os padrões mais altos para os trabalhadores” e forte preocupação em relação a “direitos humanos”, e que a Rural Power também se adequa às normas da companhia e à lei argentina.

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DIÁRIO DE PERNAMBUCO: Mulher foi morta pelo inquilino

20.01.2012
Do jornal DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por  Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR 


O despachante Bruno José Alves confirmou em depoimento ao delegado de Casa Amarela, Gilmar Rodrigues, que matou Ademair Rodrigues Sales, de 61 anos, com um tiro na cabeça. O acusado era inquilino de Ademair, que possuía vários imóveis no Vasco da Gama. Ele alegou que cometeu o crime porque “cansou de ser humilhado” pela vítima quando ela ia cobrar o aluguel a Bruno. 

Bruno José Alves vai ser indiciado por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e sem chance de defesa pra vítima). Ele será encaminhado ao Cotel. Pela manhã, antes de matá-la, Bruno disctutiu com Ademair quando ela foi até a casa dele para cobrar o aluguel. Ao delegado, Bruno contou que todas as vezes que ela ia cobrar o aluguel costumava de dizer que ele era mau pagador. “Ele era inquilino dela há quatro anos”, contou Gilmar Rodrigues.

Ademair foi assassinada dentro do carro dela, na Estrada do Arraial, nas imediações da agência do Bradesco, em Casa Amarela, por volta das 11h. . O carro dela, um Logan, teve uma perfuração à bala no vidro do passageiro. Bruno estava no carro dele, um modelo Palio na cor cinza, quando teria abordou Ademair.

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Ancestrais do BBB: Saló ou os 120 dias de Gomorra (e o Marquês de Sade)

20.01.12
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE, 18.01.12


Em 1975 o provocador diretor italiano Pier Paolo Passolini fez um filme perturbador, daqueles que provoca a ira de muitos que o assiste (ou começam a assistir, pois muita gente não vai até o fim): "Saló ou os 120 dias de Gomorra".

A obra é uma livre adaptação de histórias de outro autor tido como maldito: o Marquês de Sade (“Círculo de Manias”, “Círculo da Merda” e “Círculo do Sangue”).

O filme tem incríveis coincidências com o formato do programa Big Brother Brasil, da TV Globo.

No filme, cuja história se passa no fim da II Guerra Mundial, quatro nazi-fascistas recrutam 16 jovens, modelos de beleza humana, e os confinam em uma mansão.

Alguém notou alguma semelhança com o BBB? O programa da Globo também recruta 16 jovens (a maioria sarados), e também os confina em uma casa.

No filme, os jovens servem para saciar as piores depravações sexuais de seus raptores: orgias, sadomasoquismo, depravações, violências, degradação humana.

O BBB pega mais leve do que o filme. Mas permite traçar um paralelo, guardando as devidas proporções, tais como as provas de resistência, incluindo resistência a necessidades fisiológicas, teste dos limites da tentação, com um ambiente todo preparado para ocorrência de orgias, mas cercado por câmeras, as provas dos limites de comportamento após porres com bebidas alcoólicas e outras coisa mais.

Não faço a menor idéia se Boninho, Bial, os Marinho e os executivos dos patrocinadores do programa são fãs do filme "Saló", nem se o livro do Marquês de Sade é o livro de cabeceira deles. Mas sobram evidências de que há no DNA do BBB traços do sadomasoquismo do filme "Saló ou os 120 dias de Gomorra".

Isso só reforça o que já dissemos aqui: o formato do programa é uma orgia romantizada, bem comportada para se adequar à TV aberta.

Leia também: Devassa, Fiat, Omo, Antarctica, Niely: Quem financia a baixaria, é contra a cidadania.

Assine a petição para tirar o BBB12 do ar e investigar a Rede Globo, dirigida ao Ministério Público:

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N19260

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Churrascão aponta saída para beco da cracolândia

20.01.2012
Do portal BRASIL247.14.01.12
Por  Agência Estado

Churrascão aponta saída para beco da cracolândia

O QUE ERA PARA SER UM PROTESTO, TORNOU-SE, HOJE, EM SÃO PAULO, UMA MOSTRA DE SOLIDARIEDADE; COLETIVO ‘DESENTORPECENDO A RAZÃO’ ASSA CARNES PARA A POPULAÇÃO DESASSISTIDA DA REGIÃO CENTRAL; EM LUGAR DE BORRACHADAS, COMIDA, CARINHO E ALEGRIA; FÓRMULA DÁ CERTO

247 – Em lugar de segregação, assimilação. Para quem só viu, até agora, do poder público, pouca assistência social e muitas borrachadas, hoje está sendo um dia para comer e relaxar. Tudo porque um coletivo chamado DAR – Desentorpecendo A Razão – resolveu, como se fosse brincadeira, prestar solidariedade aos centenas de desvalidos da cracolândia – e em atenção a eles oferecer uma grande churrascada em plena rua Helvética, no coração da problemática região. O resultado, como se vê até aqui, quando a atividade ainda se desenrola (18h00), é o melhor possível: adesão total da população exposta ao vício, nenhum incidente e horas sem usar o nefasto crack. Um golaço de cunho social.

Abaixo, notíciário da Agência Estado a respeito:

Grupos, entidades e coletivos realizam na tarde deste sábado uma manifestação contra a Operação Cracolândia. O "Churrascão da Gente Diferenciada versão Cracolândia", na Rua Helvétia, local tradicionalmente ocupado por usuários de droga na região central de São Paulo e um dos principais alvos da operação policial.

O intuito da manifestação, segundo o coletivo Dar (Desentorpecendo a Razão), um dos responsáveis pela mobilização de hoje, é protestar contra o tratamento dado aos dependentes do crack, alvo da operação policial. "Higienismo, preconceito, segregação, violência, intolerância, tortura, abuso de autoridade e mesmo suspeitas de assassinato passaram a ser ainda mais constantes nos dias e principalmente nas madrugadas do bairro", diz o grupo em página sobre o evento divulgado pelo coletivo no Facebook, por meio do qual cerca de 4 mil pessoas confirmaram presença.

O nome do evento faz alusão a uma manifestação realizada no ano passado em Higienópolis, em protesto a moradores do bairro que se declararam contrários à construção de uma estação de metrô na região, uma das mais valorizadas da capital paulista. O coletivo diz que o "churrascão difereciado" é um tipo de evento que ficou marcado na cidade como forma de combater, de maneira bem humorada e crítica, o preconceito e o racismo dos políticos e das elites paulistanas. "Na cracolândia todo mundo é gente como a gente", diz.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse que soube da manifestação por redes sociais e não tem maiores informações.
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VI O MUNDO: Quando os líderes falam muito mas não mandam nada

20.01.2012
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 08.02.2005
Quando os líderes falam muito mas não mandam nada
Presidentes que não presidem
Por Serge Hailimi
Encontros de cúpula europeus vem e vão e a Casa Branca e o Congresso dos Estados Unidos se bicam eternamente, sem resultado.
“Os mercados” sabem muito bem disso, eles vêem os representantes eleitos do povo norte-americano correndo em círculos, como galinhas sem cabeça, à mercê de forças que ajudaram a criar mas agora não conseguem controlar.
Ainda assim, em breve haverá eleições presidenciais nos Estados Unidos, França, Rússia e em outros lugares. A mídia está focada nisso, criando uma sensação surreal de desconexão entre palavras e ações.
As pessoas comuns podem não esperar que os candidatos façam muita coisa, ou nada, mas pelo menos conhecem os currículos dos candidatos, seus defeitos, seus amigos, sócios e redes de contato. A atenção está voltada para Barack Obama e Newt Gingrich, Nicolas Sarkozy e François Hollande, ao invés de para os fundos hedge e as instituições de crédito.
Mas para que servem os candidatos? Sarkozy, cuja política monetária reflete os interesses do BNP Paribas(1), acusou o primeiro ministro britânico, David Cameron, de tentar transformar o Reino Unidos em “uma zona off-shore no coração da Europa”.
O ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, atacou raivosamente “a ganância sem limites, a busca de lucros cada vez maiores nos mercados financeiros, que é a grande culpada pelas crises econômica e bancária que enfrentamos desde 2008, uma crise que afeta países inteiros”.
Isso não o impediu de expor nações europeias, arruinadas e sem um centavo, a essa “ganância sem limites”.
Como presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, explicou a essas nações: “Seria fatal remover completamente os efeitos disciplinadores das taxas de juros crescentes. Quando o crédito se torna caro demais para os estados, o apelo à contração de novos empréstimos despenca”.
Se os países mais endividados não conseguirem mais controlar o “impulso” de emprestar, ou se a recessão impedir o retorno ao equilíbrio financeiro, ou se os “lucros cada vez maiores” dos credores finalmente estrangularem os paises devedores, então a União Européia ajudará, através da imposição de uma multa contra eles…
Os bancos privados continuarão a receber todo o crédito que pedirem, a um custo baixo ou quase de graça. Então, eles poderão emprestar aos estados endividados, com um belo lucro.
O futuro confortável preparado para o capital não o livra de receber abusos verbais.
Esse, agora, é o paradoxo que marca o período pré-eleitoral. No mês passado, Obama alertou seus concidadãos para as ameaças à mobilidade social e à  democracia: “A desigualdade distorce nossa democracia. Dá mais voz aos pouco que podem arcar com os altos custos dos lobistas… Os americanos mais ricos estão pagando os impostos mais baixos do último meio século… Alguns bilionários pagam uma alíquota de apenas 1%. One per cent!”.
Ele também insisitiu que “o livre mercado nunca foi uma licença para tomar o que se quer de quem você quer” e disse que considera essencial “reconstruir a classe média”.
Ninguém acredita que Obama alcançará  este objetivo, ou que reduzirá o poder que o dinheiro tem sobre o sistema político, ou que imporá uma reforma progressiva do imposto de renda. Ele não fez nada disso nos últimos três anos e não disse como pretende fazer agora, se for reeleito.
Nesse ponto, Obama personifica exatamente o que o sistema passou a ser:  uma jangada vagando no oceano, com um capitão demovido gritando ordens enquanto o furacão vai se formando. Se este ano eleitoral não produzir a vontade política e os meios necessários para retomar o poder das mãos das finanças, todas as eleições futuras serão inúteis.
Tradução do francês para o inglês de Barbara Wilson
Tradução para o português de Heloisa Villela
(1) Michel Pébereau, que acaba de deixar o cargo de chairman do BNP Paribas, se sentou em conselhos de governo para discutir assistência pública ao setor bancário e as propostas de Paris para a dívida soberana, que favoreceram o banco dele. O BNP Paribas foi um grande comprador de dívida soberana da Grécia e da Itália. Ver “Michel Pébereau, le banquier dans le coulisses de l’Elysée”, Le Monde, Paris, 2 December 2011.

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EDUARDO GUIMARÃES: O sociopata mora ao lado

20.01.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 18.01.12
Por Eduardo Guimarães

Sabe aquele internauta que o deixou horrorizado com o comentário desumano que fez sobre aquele assunto triste? Lembra-se de como se chocou com comemoração que o viu fazer quando foi divulgada a doença ou a morte de alguma figura pública? Você já refletiu se aquela pessoa – provavelmente anônima – não pode ser seu vizinho, parente ou colega de trabalho?
Ainda está sendo avaliada a interminável revelação que a internet vai fazendo sobre a natureza humana, para o bem ou para o mal. Estudiosos vêm se surpreendendo com a quantidade de sociopatas clássicos que existe por aí. Estão descobrindo que essa é uma ameaça maior do que se imaginava.
Essa é a tese, por exemplo, de um membro da Associação Brasileira de Psiquiatra, o doutor Helio Laudar, que afirma que “A internet favorece o engano em qualquer situação” por ser “Um mundo paralelo, distorcido da realidade, no qual o sujeito está livre para assumir qualquer identidade e escolher as suas vítimas”.
Isso, porém, não significa que a tecnologia crie psicopatas – ela apenas os faz sair das sombras.
Estimativas sobre a incidência de sociopatia, assim, vêm sendo revistas, por mais que seja difícil mensurar que percentual da humanidade tende ao comportamento sociopata, que nada mais é do que um estágio do comportamento psicótico clássico, ainda que o psicopata em potencial nem sempre acabe sendo tomado pela doença.
Vai ganhando força, pois, a teoria de que todos devem ter algum sociopata fazendo parte de suas vidas, independentemente do grau de relação social. Pode ser um colega de trabalho, seu chefe, seu subordinado, um cunhado, um primo, um vizinho e até um irmão, pai ou mãe. Você pode ter relação próxima com ele sem imaginar que aquele comportamento reprovável que exibe de vez em quando é mais do que mera falha de caráter.
O que isso muda nas relações sociais? Elas mudam para pior porque as pessoas estão sendo obrigadas a refletir cada vez mais sobre os cuidados que se deve ter não só com estranhos, mas com seu próprio entorno social.
Todavia, outra tese que vai ganhando força serve de alento. A internet pode estar funcionando como uma válvula de escape para a necessidade do sociopata de praticar o mal contra aqueles que lhe despertam a fúria pelas próprias idéias, pela aparência física, pela etnia ou até pela sexualidade. Fartando-se na internet, portanto, pode diminuir a pressão para agir no mundo real.
Recentemente, com a exposição da doença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os comentários de leitores sobre as matérias que trataram do assunto nos portais de internet, em blogs, sites ou nas redes sociais deixaram ver um nível de ódio inexplicável por ser dirigido a quem a quase totalidade de tais comentaristas jamais viu de perto.
O nível de ódio que o ex-presidente desperta, assim, não se deve exatamente ao indivíduo Lula. É ódio a uma classe social ou até a pessoas específicas do entorno social do sociopata. Há uma transferência de ódios reais, portanto.
Contudo, sempre é bom esclarecer que sociopatia não tem ideologia, religião, preferência sexual ou política. Eventual doença ou o sofrimento da antítese de Lula, que hoje é José Serra, possivelmente despertaria reações análogas. A compulsão do sociopata é a de tripudiar contra aquele objeto de ódio imaginário em um momento em que imagina que pode lhe infligir maior sofrimento ao demonstrar insensibilidade.
Por que, então, é importante abordar a sociopatia latente da sociedade? Não porque esteja crescendo, mas por ir se mostrando mais comum do que se supunha e pelo efetivo potencial que tem de provocar tragédias ou dramas sociais terríveis.
É assustador imaginar que exista tanta gente por aí que extrai prazer de provocar sofrimento, e que essa ânsia por fazer sofrer muitas vezes não se contenta com o sofrimento emocional.
Mas o aspecto mais aterrador do sociopata pode nem ser esse. O que o torna perigoso é o seu egoísmo psicótico e a total ignorância da própria doença. Essas pessoas nem sonham que estão doentes e estão convencidas de que buscar o próprio bem-estar e prazer em detrimento de qualquer valor humanista, é perfeitamente justificável.
E é nesse ponto que a internet vem contribuindo para desnudar o comportamento sociopata devido ao seu poder de unir os que pensam da mesma forma. Estimulados por assistirem congêneres dando vazão aos mais baixos sentimentos, outros sociopatas perdem os últimos freios e se entregam ao vício na maldade.
Vai passando da hora, pois, de o Estado se aprofundar na questão criando grupos de trabalho para planejarem políticas públicas que estimulem o sociopata a buscar tratamento. Poderiam ser feitas campanhas de conscientização daquele que está doente, campanhas que demonstrassem que extrair prazer ao agir das formas aqui descritas, não é normal.
Assim, os crimes de ódio e intolerância que vêm ocorrendo mais amiúde, com agressões a homossexuais e a nordestinos, entre outras minorias, decorrem da banalização do comportamento sociopata que a internet vem expondo e que estimula os mentalmente enfermos a “sair do armário”, por assim dizer.
Seria impróprio, no entanto, afirmar que a sociedade brasileira está doente. Mas é mais do que apropriado dizer que a doença que aflige qualquer sociedade ameaça sair do controle no Brasil. Não só pela banalização desses comportamentos semipsicóticos que se vê na internet cada vez mais amiúde, mas por não haver uma  ampla reprovação pública a eles.
Nesse aspecto, meios de comunicação e classe política só colaboram para o agravamento do surto de sociopatia que vem ocorrendo, pois, no calor das disputas políticas e ideológicas, aquele que agride inimigos políticos e ideológicos torna-se aliado dos que não odeiam e que apenas têm objetivos que se vêem favorecidos pelo fanatismo.
Fanatismo político, ideológico, sexual, étnico ou de classe social, portanto, é apenas um pretexto para aqueles que têm necessidade de agredir os semelhantes de uma ou de todas as formas possíveis e imagináveis. Dessa maneira, enquanto não surge uma política pública para enfrentar esse problema é bom que você se cuide, pois o sociopata mora ao lado.

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OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA: A Inquisição existiu. E provocou tremendo atraso

20.01.2012
Do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 10.01.12
Por Alberto Dines, na edição 676

HIPÓLITO DA COSTA REABILITADO


No 21º fascículo quinzenal, o mais prestigioso e fleumático veículo da grande imprensa brasileira, Valor Econômico, afinal reconheceu que o Correio Braziliense foi decisivo para criar uma imprensa livre no Brasil.
Com cerca de 10 meses de atraso, as duas empresas jornalísticas que se associaram para formar o mais importante diário econômico brasileiro (os grupos Globo e Folha) admitiram que o Santo Ofício da Inquisição foi o principal instrumento da monarquia absolutista portuguesa para barrar a circulação de informações e ideias em seu território e colônias (ver "Pelos reis, com limites").
A série “Jornais em Pauta”, conduzida com diligência pelo jornalista-historiador Matías M. Molina, recusara até a quinzena anterior a concessão do título de protojornalista e mencionou Hipólito da Costa de raspão uma vez. Por que era um mau jornalista? Não: porque era maçom e porque a maçonaria estava proibida pela igreja católica, razão pela qual ele ficou preso três anos nos cárceres da Inquisição em Lisboa.
A série sequer incluiu na galeria de grandes títulos da nossa imprensa o primeiro veículo a circular sem censura em Portugal e colônias e, ao contrário do que agora reconhece, chegou a afirmar que a censura imposta à colônia ao longo de 308 anos foi obra exclusiva de uma monarquia tirânica sem qualquer alusão à sua submissão ao poder religioso (tese prontamente contestada por este observador: ver debate em “A Inquisição não existiu, é invenção dos leigos”, “Resposta a Alberto Dines” e “Embargo suspenso: a imprensa já pode discutir seu passado”)
Evidência histórica
Esta “batalha” poderia ter sido evitada, também os vexames produzidos pela revelação de um voluntarismo grosseiro, para dizer o mínimo, na tentativa de manipulação histórica. A mesma competência agora empregada para registrar – embora tardiamente – o papel seminal de Hipólito da Costa e do seu mensário na veloz modernização da colônia teria contribuído para conferir à nossa imprensa o merecido diploma de maturidade. E de credibilidade.
Em plena Era da Transparência, conseguimos o milagre de manter sob embargo o bicentenário da instituição-símbolo da transparência. Enquanto déspotas nos quatro cantos do mundo – inclusive na América Latina – empenham-se em liquidar a imprensa, no Brasil ela se autoimolou negando a sua história e, portanto, sua razão de ser.
A importância de 1808 na cronologia brasileira não advém da simples transferência da corte portuguesa para a Bahia e depois para o Rio de Janeiro; o fato produziu um extraordinário salto, materializado 14 anos depois graças justamente à existência de uma imprensa libertada das amarras da censura. Censura clerical, diga-se. Vencida por Hipólito da Costa, acrescente-se.
“Ao Correio é atribuída uma importante participação na queda do absolutismo e no advento das liberdades e instituições civis”, afirma Valor, citando o biógrafo de Hipólito, Carlos Rizzini.
“Hipólito José da Costa fez do seu Correio Braziliense uma voz vigorosa e influente a serviço de ideais éticos e do racionalismo político”, proclama o jornal no subtítulo da matéria.
Rasgada a mordaça que escondeu a evidência histórica e resgatada a verdade, indispensável complementá-la lembrando que não foi acidental o embargo às rememorações e comemorações relativas ao bicentenário da fundação da nossa imprensa. O embargo foi imposto pela Grande Irmã, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), ou por alguma confraria que utilizou indevidamente os seus canais. Tudo indica que tenha sido o Opus Dei.

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