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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CARTA MAIOR: Narcoguerra no México: 27 pessoas mortas por dia


19.01.2012
Do site da Revista Carta Maior, 1301.12
Por Eduardo Febbro


A Procuradoria Geral da República do México divulgou esta semana os índices oficiais das vítimas da guerra envolvendo o narcotráfico no país. As estatísticas do ano passado são as seguintes: 27 pessoas mortas por dia, 819 por mês e 9.830 por ano, em um total de 47.515 homicídios contabilizados até o dia 30 de setembro de 2011. Senador da oposição diz que governo de Felipe Calderón vai chegar ao fim com mais vítimas dessa guerra do que os EUA tiveram no Vietnã.

Mais dois decapitados na porta de uma loja, uma média de 48 executados por dia ao longo de 2011 e um total de 12.903 mortos na chamada “narcoguerra” nos últimos nove meses. As cifras da violência que assola o México desde que o presidente Felipe Calderón lançou em 2006 a ofensiva contra os cartéis da droga revelam a amplitude permanente da narcoviolência. 

A Procuradoria Geral da República (PGR) divulgou esta semana os índices oficiais dos “narcomortos”. As estatísticas globais podem ser assim traduzidas: 27 pessoas mortas por dia, 819 por mês e 9.830 por ano, em um total de 47.515 homicídios contabilizados até o dia 30 de setembro de 2011. As ONGs e os analistas estimam que os cálculos forem ampliados até dezembro de 2011 e se forem incorporadas às estatísticas a violência que impera em estados como o de Sinaloa e Morelos, onde os assassinatos aumentaram em 84 e 44%, respectivamente, o ano terminará com 17 mil vítimas da guerra cruzada entre os cartéis da droga e do Estado contra estes.

Segunda dados da mesma Procuradoria Geral da República, o narcotráfico está controlado por dois poderosos grupos: o de Joaquim Guzmán, El Chapo, chefe do Cartel de Sinaloa, e o de Osiel Cárdenas, chefe do Cartel do Golfo, para quem trabalha outra rede de assassinos chamados de “Zetas” que se converteram em um protagonista da narcoviolência. Mas essas são apenas as duas principais organizações criminosas. A PGR contabiliza sete cartéis operando no país: o Cartel do Golfo, o de Tijuana, o de Ciudad Juárez, o de Sinalou, o de Colima, o de Milenio e o de Oaxaca. A DEA norteamericana estima que existem 30 organizações criminosas de peso e a Subprocuradoria de Investigação Especializada contra o Crime Organizado do México (SIEDO) calcula que há mais 130 células de delinquentes estruturadas em território mexicano.

A DEA, obviamente, incorre nas hipocrisias de sempre. As estatísticas norte-americanas quase sempre excluem a enorme responsabilidade dos Estados Unidos no drama mexicano. Washington não só é o principal consumidor da droga que sai do México, como também é o país onde os “narcos” adquirem todas as armas que usam na guerra. As supostas “ajudas” dos EUA são ridículas comparadas com os números dos negócios do narcotráfico. A chamada Iniciativa Mérida, ativada pelo ex-presidente George W. Bush em 2008 para combater o narcotráfico e o crime organizado no México e América Central chega a 1,5 bilhões de dólares. É uma lágrima lançada em um incêndio perto dos 20 bilhões de dólares anuais que representa o narconegócio.

A grande maioria das vítimas está ligada ao conflito envolvendo o tráfico de drogas. Os dados do Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública (SESNSP), acrescidos aos da PRG permitem estabelecer que cerca de 75% dos homicídios estão relacionados com os narcos. Outro dado oficial desenha a geografia do crime: grande parte das execuções se concentra em 8 Estados dos 32 que compõem o México: Chihuahua, Coahuila, Durango, Nuevo León, Veracruz, Sinaloa, Tamaulipas e Estado do México. A PRG estima que nestes 8 Estados estão espalhados e enfrentando-se entre si os cartéis de Sinaloa, Juárez, Beltrán Levya, do Golgo, Zetas, La Familia e Los Caballeros Templarios (Cavaleiros Templários). O organismo oficial assegura em seu resumo que 2011 foi o ano no qual o percentual de homicídios resultou menos importante. No entanto, cabe observar que se trata somente de dados preliminares, faltando os números do último trimestre. Comparativamente, em 2010 ocorreram 15.273 homicídios.

A publicação desses números ocorre no contexto de uma dura polêmica entre os meios de comunicação e o Executivo. O jornal Milênio e o portal animipolitico.com sustentaram que o governo federal estava encobrindo os homicídios relacionados com o narcotráfico. O informe da Procuradoria é mais leve que os cálculos extraoficiais: estes falavam de 55 mil mortos nos seis anos de mandato de Felipe Calderón. Os dois partidos de oposição ao governista PAN, PRI e PRD, estimaram que o grande volume de vítimas expõe o fracasso da política de segurança implementada pelo chefe do Estado. O senador do PRI, Francisco Labastida Ochoa declarou que quando terminar “o mandato de Felipe Calderón, o país vai contar com um número de pessoas mortas na estratégia adotada contra o crime organizado superior às baixas que os Estados Unidos tiveram na Guerra do Vietnã”.

Trata-se, além disso, de mortos sem justiça. A justiça mexicana é praticamente incapaz de investigar e prender os responsáveis. Em novembro passado, a ONG Human Rights Watch denunciou o fato de que o aumento da violência não significou um incremento da quantidade de julgamentos. Muito pelo contrário, apenas “em uma fração desses casos foram iniciadas investigações”. 2011 terminou com um morto a cada meia hora e uma justiça que, embora tenha prendido milhares de pessoas, pronunciou muito poucas sentenças. Ciudad Juárez foi o município onde se registrou o maior número de vítimas em 2011. Não é um acaso geográfico. Ciudad Juárez é a plataforma estratégica de onde parte a droga para os Estados Unidos e, por conseguinte, uma zona de disputa central pelo controle desse território entre os cartéis da droga.

Tradução: Katarina Peixoto
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OS AMIGOS DOPRESIDENTE LULA: Por que só Eliana Calmon enxergou os R$ 283 milhões no Tribunal do primo de Marco Aurélio?

19.01.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 14.01.12

O Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda) identificou 3.426 magistrados e servidores do Judiciário que fizeram movimentações fora do normal no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010.

O auge foi em 2002, quando uma única pessoa movimentou R$ 282,9 milhões. O nome sob sigilo está ligado ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª região, no Rio de Janeiro ( TRT-RJ), segundo o COAF.

Esse Tribunal ocupou as páginas policiais durante a CPI do Judiciário, no Senado, em 1999, assim como aconteceu com o Tribunal equivalente paulista, onde presidiu o juiz Nicolau dos Santos Neto.


http://goo.gl/AQoZf e http://goo.gl/MEqz2 e http://goo.gl/QZYm9
Sobre o TRT-RJ pesou graves denúncias, desde licitações fraudadas, passando por venda de sentenças e venda de nomeações, nepotismo, tráfico de influência, uso da máquina para campanha eleitoral do governador tucano, abuso de autoridade, quando o Juiz José Maria de Mello Porto o presidiu, entre 1993 e 1994. Há gravações envolvendo outros membros do Tribunal e onde ele era citado.

Em 2007, o TRT/RJ aparece em denúncias envolvendo o irmão de outro magistrado do STJ (Paulo Medida).

Mello Porto era primo do ministro do STF Marco Aurélio de Mello e do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Morreu assassinado durante um suposto assalto em 2006, como desembargador deste Tribunal, sem qualquer condenação (que se saiba). Processou diversos jornais e jornalistas e até procuradores da República que fizeram denúncias contra ele, e ganhou indenização em muitos casos, pelo menos nos tribunais cariocas (não sei o que aconteceu nos recursos).

Agora, coincidentemente, aparece a notícia da movimentação atípica de R$ 283 milhões por uma única pessoa neste tribunal em 2002. Não cabe fazer ilações sobre nomes, sem provas, como costuma fazer a revista Veja. Mas alguém movimentou essa fortuna de forma atípica lá, onde choveram denúncias de irregularidades pelo menos desde 1994.

E a pergunta que fica ao Dr. Gurgel, Procurador Geral da República é: por que o Ministério Público Federal não fez o dever de casa, e não investigou desde 2002 um alerta do COAF deste tamanho?

Será que é porque não saiu na revista Veja?

Não fosse a resistência e coragem da corregedora do CNJ, Eliana Calmon, a impunidade estaria garantida.

Detalhe: Durante a CPI do Judiciário, Mello Porto era corregedor do TRT/RJ.


O fato recomenda ao Dr. Peluso (presidente do STF) repensar sobre sua insistência em deixar as investigações sobre malfeitos para as corregedorias dos próprios tribunais.

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/01/por-que-so-eliana-calmon-enxergou-os-r.html

CONVERSA AFIADA: Proteste em frente à Globo

19.01.12
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim





O Conversa Afiada publica convocação para protestar contra o Big Brothel Brasil:

Entidades realizam protesto contra a Globo nesta sexta, em São Paulo

A Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão (Frentex), a Rede Mulher e Mídia e o Fórum Nacional pela Democratização na Comunicação (FNDC) realizam um ato contra a Rede Globo por causa da postura da emissora diante da suspeita de estupro no programa Big Brother Brasil 12, e contra todas as formas de violência contra a mulher. A manifestação será na sexta-feira (20), a partir das 12h, em frente à emissora, em São Paulo.

Segundo as redes que convocam o ato, a Globo deveria ser responsabilizada por quatro motivos: ocultar um fato que pode constituir crime; prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de vulnerável; atrapalhar as investigações de um suposto crime e ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava desacordada.

As entidades questionam também a naturalização da violência contra a mulher pela emissora, que transformou um possível abuso sexual em “caso de amor”. Para elas, o próprio formato do programa se alimenta da exploração dos desejos e das cizânias provocadas entre os participantes e busca explorar situações limite para conquistar mais audiência.

O protesto também co-responsabilizará os anunciantes do programa (OMO, Niely, Devassa, Guaraná Antarctica e Fiat), cobrando que eles se pronunciem, retirem seus anúncios do programa ou que os consumidores boicotem os produtos.

As entidades reforçam ainda a necessidade de o Ministério das Comunicações colocar em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões.

Protesto contra a postura da Globo no caso BBB


Sexta-feira, dia 20, 12h às 14h


Av. Dr. Chucri Zaidan, esquina da Av. Roberto Marinho

Contatos:


Renata Mielli (Barão de Itararé/FNDC) – 9327-1747


João Brant (Intervozes/FNDC) – 8635-9825


Terezinha Ferreira (Rede Mulher e Mídia) – 9629-4892


Victor Zacharias (Ciranda/Frentex) – 9288-8909


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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/01/19/proteste-em-frente-a-globo/

Retrospectiva 2011: Kassab ressucita o PFL

18.01.2012
Do BLOG DO ROVAI, 07.01.12
Por Renato Rovai


Segue mais um texto da retrospectiva que acaba na terça, quando já estarei em SP.
A eleição de Lula em 2002 fez com que boa parte das oligarquias que se organizavam em torno do PFL tivesse de ir para a oposição. Algo inédito, pelo menos desde 1964. Afinal, o PFL saiu da costela do PDS para criar a Aliança Liberal, que construiu a vitória de Tancredo Neves contra Paulo Maluf.
Antes disso, durante toda a ditadura, os pefelistas estiveram no poder,como Arena e depois PDS. Quando o governo Sarney começa a fazer água, o PFL não se intímida. Fica até o final do mandato e lança Aureliano Chavez à presidência,rompendo com o PMDB que foi às urnas com Ulisses Guimarães.
Mas a candidatura de Aureliano não era para valer. E os líderes do PFL sabiam disso. Alguns tentaram, com a anuência de Sarney, lançar o apresentador Silvio Santos. Mas boa parte foi para a canoa da campanha de Fernando Collor. Avistando no líder alagoano a possibilidade de continuar na situação e no governo. O que aconteceu.
O governo Collor dura pouco, mas o PFL participou ativamente daquela “empreitada”. Sendo que o ex-senador Jorge Bornhausen, que agora leva seu grupo político para o PSD, foi o principal ministro do final do período final da era Collor.
Com a posse de Itamar Franco o PFL se mantém no poder.E depois fecha uma aliança com o PSDB,indicando Marco Maciel para vice de FHC.
Com a chegada de Lula à presidência, os pefelistas imaginavam que iriam ter um pequeno tempo de férias, mas que em breve voltariam ao centro do poder nacional por conta da inexperiência do petista.
Até por isso em 2005, os pefelistas foram os mais raivosos na cruzada para derrubar Lula. Fizeram política com sangue na boca e o mesmo Bornhausen chegou a decretar que “era o fim dessa raça”, no caso, do PT e dos petistas. A tentativa de criar um clima de impeachment não deu certo e o pior (para eles) aconteceu. Lula se reelegeu e depois veio Dilma.
Nesse interim o  PFL ainda mudou de nome para ver se conseguia recuperar a imagem e se adaptar aos novos tempos.
Mas o DEM nasceu como um partido de oposição ao governo. E isso não resolveu o problema daqueles que sempre estiveram no poder.
Kassab percebeu que havia um vácuo. E como em política não há vácuo nem espaço vazio ele decidiu criar um partido pronto para ser situação.
Em todos os lugares. Independente de quem estivesse no governo.
Esse é o grande poder de atração do PSD, que está aliado em todas as partes com aqueles que são governo. Independente se os governos são liderados por petistas, tucanos, peemedebistas ou por gente de qualquer outro partido.
Kassab recriou o PFL. Um partido que não é de centro, nem de direita e nem de esquerda. É de governo.No estilo mais fisiologista possível.
O PSD não veio para acabar com o DEM. Engana-se quem pensa assim.
Ele nasce para rescussitar o PFL.
Isso pode ser conjunturalmente bom aqui ou ali. E até para o atual governo federal parece que vai ajudar a ampliar a base. Mas para o país e para a qualidade da nossa política partidária é péssimo.

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São Paulo deslocada do Brasil


19.01.2012
Do blog de Altamiro Borges, 14.01.12
Por Mair Pena Neto, no sítio Direto da Redação:

Que São Paulo está politicamente deslocado do Brasil, todos já sabem. Porém, os sinais de doença social que vêm da maior cidade do país, aquela que deveria ser a nossa síntese, mas que se perdeu no caminho, são preocupantes. Do elitismo desenfreado, que rejeita estações de metrô em certos locais para evitar contato com "gente diferenciada", à ação truculenta do Estado na administração dos conflitos, sejam de que natureza for, São Paulo externa tudo o que temos de pior e que precisamos rejeitar a cada dia para nos tornarmos um país cidadão.

Chega a parecer fora da realidade que estejamos nos deparando com uma política pública de um estado brasileiro de tratar um dos maiores flagelos sociais, o vício do crack, infligindo "dor e sofrimento". Devastados pela droga, os usuários, entre os quais mulheres e crianças, são tratados a bombas e tangidos como gado, de lá para cá, sem que se lhes aponte uma alternativa ou forma de tratamento.

Se alguma coisa acontecia no coração do compositor quando cruzava a Ipiranga e a Avenida São João, agora ele se depararia com hordas de zumbis, tratados a ferro e fogo por ordem do estado. Uma cena de envergonhar qualquer pessoa com um mínimo de sentimento de humanidade. E, ao menos até o momento, foram poucas as vozes que se levantaram contra a atrocidade. O silêncio de São Paulo diante da chacina do Carandiru está se repetindo. A cidade se mostra mais uma vez fria e indiferente ao destino dos desvalidos. Algumas reclamações devem surgir porque no ataque à Cracolândia, os dependentes já chegaram a Higienópolis, o higienista bairro da elite paulista que não gosta de quem não é da elite.

São Paulo resvala para o fascismo como estado policial. Para todos os seus problemas, a solução é a polícia. Sejam estudantes da USP, viciados em crack, e até mesmo os policiais quando se manifestam por melhores salários. O remédio é a força, que nada resolve. Essa política gera abuso sobre abusos. Como o do policial militar que em meio a uma conversa com estudantes da USP parte para cima de um deles e o agride com tapa no rosto e chega a puxar a arma diante do início de tumulto. E isso numa sala tranquila, com meia dúzia de pessoas. Imagine o comportamento desse policial em meio a um conflito de grandes proporções?

A maior metrópole do país vive em estado de neurose permanente. Condomínios nos bairros nobres determinam revistas aos próprios moradores. Já não basta viver trancafiado entre grades, distante da vida real, numa forma de convivência que é gênese de anomalias sociais. É preciso assegurar que se está seguro. E isso significa revistar os próprios vizinhos. O marido que provocou um acidente na noite do reveillon, matando sua mulher e o bebê que ela esperava, alega que avançou o sinal fechado por medo de um assalto. Verdade ou não, seu depoimento soa verossímil aos que vivem o clima de pavor que domina a cidade.

O estágio de insanidade e truculência de São Paulo nos pede uma reflexão. A cidade é parte de nós e, talvez, nosso maior espelho. Se o que há de desumano em nós se revela ali é para lá que temos que nos voltar agora. Para debater, ouvir, cobrar e propor mudanças que ajudem a transformar uma realidade que entristece a todos os brasileiros.
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VI O MUNDO:Britânicos chamam Veja de “revista de fofocas”

19.01.2012
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 17.01.12
Por sugestão do LC

Ao repercutir o debate em andamento no Brasil sobre o suposto estupro no suposto programa de TV Big Brother, a revista britânica The Week chamou a suposta revista Veja de “gossip magazine”, revista de fofocas:
“Now, according to the website of Brazilian gossip magazine Veja, police in Rio are investigating the seven minutes of footage, even though there has been no official allegation and the participants of the show are unaware of the furore.”
Leia também:

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BLOG DA CIDADANIA: Desastres das chuvas são municipais, estaduais e federais

19.01.2012
Do BLOG DA CIDADANIA,14.01.12
Por Eduardo Guimarães

Chegou o verão e a mídia já invade as nossas vidas com as mesmas cenas de pessoas lamentando a perda de tudo dentro de casa, de ruas inundadas como as de Veneza e com os mesmos relatos sobre os que se afogaram em plena cidade ou sobre barracos que deslizaram por encostas levando sonhos e vidas de famílias inteiras.
Deveria ser a pior época do ano para os políticos, mas não é. Eles deram um jeito de anular as suas responsabilidades. E o que lhes permite fazê-lo é empurrá-las para o governo federal, o qual, em um país tão grande, fica difícil culpar pelo deslizamento de uma encosta, pela enchente de uma rua ou por aquele cidadão que caiu em um córrego e se afogou.
Como os políticos fizeram essa mágica? Através de dois instrumentos. Um é o bom e velho presidencialismo de coalizão que obriga o governo federal a assumir esse ônus em prol de suas alianças políticas, e também para não parecer que quer se omitir. E o outro instrumento é a mídia, que, sob evidentes motivações políticas, cobra de quem deve menos.
Exemplo disso está em um vídeo que passou a circular na internet e no qual a apresentadora de um telejornal do SBT explode em indignação contra o governo Dilma pela enchente em um bairro qualquer de alguma parte do país, como se fosse possível ao governo federal mapear riscos desse tipo em cada rua, cada bairro, cada cidade, cada Estado.
Veja o vídeo e depois continue lendo.
Esse é apenas um dos muitos exemplos de noticiário opinativo que protege os grandes culpados, que são o prefeito e o governador, e que se repete em praticamente toda a mídia.
As acusações recentes contra o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, por ter destinado mais recursos contra enchentes ao seu Estado natal mostram como a imprensa protege culpados e desinforma os cidadãos. O Estado do ministro ficou com quase todos os recursos porque foi o único que apresentou projetos ao governo federal e que lhe pediu verbas para executá-los.
Quem primeiro deve apurar onde há que fazer obras contra os problemas que as chuvas geram são os municípios. Se não houver recursos para fazer projetos, a prefeitura deve recorrer ao governo estadual. No caso do ministro, as verbas federais existiam para todos, mas os projetos não. E muito menos pedido de recursos para projetos.
O nível da administração pública que tem menor responsabilidade na atual conjuntura, portanto, é o federal. E a defesa do ministro às acusações que recebeu no âmbito da guerra da mídia contra o ministério de Dilma expôs o descaso de prefeitos e governadores que não gostam de enterrar recursos em obras que poucos eleitores percebem, pois costumam ser subterrâneas.
Até o ano passado – e durante alguns anos –, quando São Paulo inundava, a mídia dizia que a culpa era de São Pedro. Quem tiver curiosidade, pesquise neste blog o que foi publicado no período das chuvas de 2011 e verá reprodução de matérias que afirmavam que aquela enchente naquele bairro da capital paulista se devera à maior chuva em sabe-se lá quantos anos.
Este ano promete ser diferente. Até pelo link que a mídia quer fazer entre as tragédias das chuvas e o ministério que tem relação com obras contra elas, São Pedro deverá ser poupado. 2012 promete ser o ano em que o governo federal mais irá apanhar por conta dessas tragédias. Sobretudo pelas que devem expor a má administração de São Paulo.
Nas capitais, sobretudo nas do Sul e do Sudeste, é indesculpável que não tenham sido pedidos recursos. É evidente que uma cidade como São Paulo, por exemplo, não teria dificuldade em executar projetos para pleitear verbas estaduais e federais. E se o prefeito fosse (sic) irresponsável, caberia ao governador fazer esses projetos e pedir verbas.
A situação se agrava em lugares como São Paulo, onde o mesmo grupo político vem sendo mantido no poder há quase duas décadas. A falta de alternância no poder diminui ainda mais o empenho das autoridades em se preocupar com problemas que afetam sempre os mesmos bairros pobres, nos quais os cidadãos são induzidos a responsabilizar o governo federal.
Essa apresentadora prestou um desserviço à sociedade. Teria sido corajosa se cobrasse o prefeito de Luziânia e o governador de Goiás em vez do governo Dilma. De que adianta cobrar “o ministério”? Aliás, quem deu a resposta idiota foi um funcionário da prefeitura, mas quem pagou o pato foi o governo federal.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2012/01/desastres-das-chuvas-sao-municipais-estaduais-e-federais/

BLOG DO MIRO: Cracolândia e o terror higienista

19.01.2012
Do blog de Altamiro Borges, 14.01.12
Por Wálter Maierovitch, na CartaCapital:

O fenômeno representado pelas drogas ilícitas é complexo. Desde o fracasso do proibicionismo, convencionado na sede nova-iorquina das Nações Unidas em 1961, vários países, preocupados com os direitos humanos e com a possibilidade de colocar a segurança pública na rota da civilidade, buscaram políticas próprias a fim de:

(1) contrastar a oferta pelo combate à economia das organizações criminais, (2) reduzir danos e riscos causados pelo consumo, (3) tratar sem crueldade os dependentes químicos, (4) eliminar os confinamentos territoriais, a exemplo das cracolândias, e (5) promover a reinserção social. A dimensão desse fenômeno foi mostrada na sexta-feira 6 pelos pesquisadores da University of New South Wales, na Austrália. Em um mundo com 7 bilhões de habitantes, uma pessoa em cada 20 consome habitualmente alguma droga proibida pela ONU. Temos um mínimo de 149 milhões de usuários e um máximo de 271 milhões. Por ano, as drogas ilícitas matam 250 mil pessoas.

A maconha é a droga proibida mais usada no mundo, consumida entre 125 milhões e 203 milhões de habitantes. A propósito de escolhas políticas, a Holanda admitiu, em 1968, para cortar o vínculo entre o traficante e o usuário, a venda de maconha em coffee shops. No primeiro dia de 2012, e com a volta dos conservadores ao poder, proibiu-se a venda ao turista estrangeiro. Segundo os economistas, haverá perda anual de 10 bilhões de euros, afetando o produto interno bruto holandês.

Na Suíça, não deram certo os espaços abertos para livre consumo. Dado o grande número de extracomunitários, que fizeram dos parques residências permanentes, com aumento de roubos, furtos e violência física, ocorreu uma correção de rota: desde 1995 o país fornece aos usuários drogas em locais fechados, com assistência médica.

Sobre extinção de áreas de confinamento, em Frankfurt foram implantadas as narcossalas em 1994, ou melhor, salas secretas para uso com apoio sociossanitário. Conforme apontei neste espaço em artigo intitulado “Cracolândia, a hora das narcossalas”, houve em Frankfurt e em outras oito cidades alemãs recuperações, reduções de uso e volta ao trabalho e às famílias. O sucesso levou, na Alemanha, as federações da Indústria e do Comércio a investirem 1 milhão de euros no projeto de narcossalas.

A política exitosa de Frankfurt foi copiada na Espanha. Nas grandes cidades dos EUA, aumentou o número de postos de saúde que ofertam metadona, droga substitutiva, para dependentes de heroína controlarem as crises de abstinência. Sobre as narcossalas, a Nobel de Medicina Françoise Barre Sinoussi luta pela implantação, em Paris, do modelo de Frankfurt.

As narcossalas foram fundamentais para o resgate social dos dependentes, antes empurrados para áreas urbanas degradadas, depois transformadas em confinamentos. Na capital paulista, a região central da Luz foi, por duas vezes, território de confinamento de prostitutas, ou seja, área onde os governos fizeram vista grossa para a exploração e o desfrutamento sexual de seres humanos.

Nos anos 1950, as prostitutas foram obrigadas a migrar da Luz para o bairro do Bom Retiro. Passados alguns anos, a prostituição e o rufianismo voltaram à Luz, em um confinamento chamado de Boca do Lixo. Nos anos 90, a Boca do Lixo cedeu lugar à Cracolândia. Um quadrilátero onde habitam ao menos 400 dependentes químicos e, diariamente, 1.664 usuários compram crack de pessoas a serviço de uma rede de abastecimento que as polícias estaduais nunca incomodaram.

Na Itália, conforme atestado pela ONU, a comunidade terapêutica denominada San Patrignano (Rimini), que acolhe 1,6 mil jovens, consegue recuperar 7 entre 10 que passam voluntariamente (não se aceita internação compulsória) pelos seus programas. San Patrignano é um centro de acolhimento sem discriminações ideológica, social e religiosa. É gratuito e não são aceitas verbas governamentais. Como empresa produtiva, banca as despesas.

Para acabar com uma Cracolândia, e sem um único posto de apoio médico-assistencial no local, a dupla Alckmin-Kassab, governador e prefeito, partiram para ações policialescas. Mais uma vez, assistiu-se à Polícia Militar atuando violentamente, sem conseguir expulsar os visíveis e expostos vendedores de crack.

A dupla busca a tortura físico-psicológica. Inventaram um novo tipo de pau de arara. Procuram, com o fim da oferta, provocar um quadro torturante e dramático de abstinência nos dependentes químicos. E, pelo sofrimento e desespero, os dependentes, na visão de Alckmin e Kassab, iriam buscar tratamento oficial. Esse torturante plano só é integrado no rótulo. A meta é “limpar o território” com ações militarizadas e empurrar para a periferia distante os “indesejados”.

Pano rápido. Nesse cenário desumano, que já dura mais de uma semana, percebe-se o sepulcral silêncio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que buscou no tema das drogas um palanque para se mostrar vivo politicamente. O silêncio de FHC é a prova provada da atuação farsante, própria de oportunistas.
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Afeganistão: O ato selvagem dos fuzileiros navais

19.01.2012
Do blog de Luiz Carlos Azenha,12.01.12
Ultraje com vídeo de fuzileiros navais urinando em cadváveres de talibãs
por GRAHAM BOWLEY e MATTHEW ROSENBERG
Cabul, Afeganistão — Um vídeo que mostra quatro fuzileiros navais dos Estados Unidos urinando nos corpos de três guerreiros mortos do talibã provocou fúria e condenações na quinta-feira no Afeganistão e em todo o mundo. Autoridades norte-americanas disseram temer que as imagens incitem sentimento antiamericano num momento delicado dos esforços de guerra.
O governo Obama está lutando para manter o presidente Hamid Karzai ao seu lado ao mesmo tempo em que cuidadosamente tenta abrir conversações com o talibã. Mas o vídeo demonstrando tal ato de desrespeito — um possível crime de guerra — provavelmente vai enfraquecer a posição norte-americana com ambos. O talibã e o presidente Karzai rapidamente usaram as imagens como prova da brutalidade norte-americana, uma mensagem com amplo apelo no Afeganistão, onde notícias sobre o vídeo estavam se espalhando vagarosamente na quinta-feira.
Autoridades militares sênior em Cabul e no Pentágono, que estavam avaliando o vídeo, confirmaram que ele é autêntico e identificaram pelo menos dois dos fuzileiros navais, que completaram seu serviço no Afeganistão durante o outono [no Hemisfério norte] antes de voltar para Camp Lejeune, na Carolina do Norte. As autoridades não divulgaram os nomes dos dois.
Mesmo antes que a autenticidade do vídeo fosse confirmada, expressões de ultraje e contrição do secretário de Defesa Leon E. Pannetta e da secretária de Estado Hillary Rodham Clinton e de outros autoridades não deixaram dúvidas de que todos consideravam o vídeo real.
Consciente do potencial do vídeo para enfraquecer a já frágil imagem dos Estados Unidos no Afeganistão, o sr. Panetta telefonou para o presidente Karzai para assegurar que uma investigação completa está em andamento para encontrar os responsáveis e puní-los. O sr. Panetta disse ao líder afegão que “a conduta retratada nas imagens é absolutamente deplorável e não reflete os valores que as tropas norte-americanas devem seguir sob juramento”, de acordo com George Little, um porta-voz do Pentágono.
O vídeo mostra quatro fuzileiros navais em seus distintos uniformes de camuflagem marrom urinando sobre três cadáveres — um coberto de sangue — que estão no chão diante deles. Os homens brincam uns com os outros, uma referência obscena é feita e um diz “tenha um bom dia, colega”.
O talibã disse inicialmente que as imagens não afetariam as negociações, se referindo ao vídeo como apenas mais prova do que o grupo enxerga como brutalidade e desrespeito contra afegãos por parte de norte-americanos. “Esta não é a primeira vez que vemos tal brutalidade”, um porta-voz do talibã, Zabihullah Mujahid, disse à Reuters.
Mas mais tarde, na quinta-feira, numa nota oficial enviada à mídia, o talibã não fez referência às conversações e enfatizou a brutalidade. “Nós condenamos fortemente o ato desumano de soldados norte-americanos selvagens e consideramos este ato em contradição com todas as normas humanas e éticas”, disse a nota.
O presidente Karzai adotou o mesmo tom — ele, também, descreveu o vídeo como “desumano” — afirmando em uma nota que ficou profundamente chocado pelas imagens. Pediu que os norte-americanos punissem severamente os que tiverem cometido crimes. “Este ato de soldados norte-americanos é simplesmente desumano e condenável nos termos mais fortes”, disse.
Autoridades norte-americanas reagiram com remorso durante toda a quinta-feira, numa tentativa de evitar as repercussões do vídeo. A coalizão liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão e a Embaixada dos Estados Unidos em Cabul ofereceram condenações separadamente. As ações que aparecem no vídeo “parece que foram conduzidas por um pequeno grupo de indivíduos norte-americanos que já não estão no Afeganistão”, disse a coalizão em nota. O “comportamento desonra o sacrifício e os valores de todos os soldados que representam os cinquenta países da coalizão”.
A secretária Clinton, que um dia antes descreveu as tentativas do governo Obama de iniciar negociações com o talibã, expressou o que chamou de “decepção total”.
“É absolutamente inconsistente com os valores norte-americanos e com tudo o que se espera de nosso pessoal militar”, a sra. Clinton disse durante uma aparição com o ministro das Relações Exteriores da Argélia em Washington. Ela acrescentou que “qualquer pessoa, qualquer pessoa” que se envolveu ou que sabia sobre o incidente “deve responder por isso”.
O sr. Panetta disse em Washington que pediu aos Fuzileiros Navais e ao general John R. Allen, o oficial que lidera as forças de coalizão no Afeganistão, que investiguem imediatamente. “Vi as imagens e acho que descrevem um comportamento completamente deplorável”, o sr. Panetta disse em uma nota na quinta-feira. “Eu condeno nos termos mais fortes que seja possível condenar”.
O vídeo, postado em sites da internet como LiveLeak e YouTube, começou a ricochetear em sites internacionais na quarta-feira. Embora os militares não tenham dado detalhes adicionais sobre onde o vídeo foi feito ou quem foi o responsável por ele — ou quais as acusações que poderão ser feitas contra os responsáveis –, a maioria dos fuzileiros navais servindo no Afeganistão estão na província de Helmand, no sudoeste.
Se as condenações norte-americanas vão ou não reduzir o ódio dos afegãos, isso permanece incerto. As notícias se espalham lentamente no Afeganistão, onde aparelhos de TV e conexões de internet são raras. Mas para aqueles que viram o vídeo, as imagens parecem ter aprofundado o desgosto com os Estados Unidos, vistos amplamente como invasores depois de uma década de guerra.
“O talibã algumas vezes comete atos duros, mas era suficiente matá-los e não degradar ou humilhar os cadáveres”, disse Jawad, um estudante universitário em Cabul que só deu o primeiro nome.
Haji Ahmad Fareed, um ex-integrante do Parlamento, disse que as imagens confirmaram para eles que os Estados Unidos são adversários do islã e disse que a luta do talibã é “legítima”.
Os norte-americanos “nunca serão nossos amigos e nunca trarão a paz”, ele disse. “Eles urinaram no nosso sagrado Corão e agora eles urinam nos corpos de nossos muçulmanos”.
O sr. Fareed estava se referindo a uma notícia errônea da revista Newsweek de 2005, segundo a qual soldados norte-americanos baseados na prisão de Guantanamo Bay, em Cuba, tinham jogado o Corão num toalete. A notícia causou protestos e revoltas em várias partes do mundo muçulmano. Os piores foram no Afeganistão, onde pelo menos 17 pessoas foram mortas durante tumultos e as Nações Unidas e grupos de ajuda internacional sofreram ataques.
No ano passado, protestos irromperam depois que um Corão foi queimado numa igreja da Flórida, levando a várias mortes, inclusive de sete funcionários das Nações Unidas, quando uma multidão invadiu um escritório da ONU em Mazar-i-Sharif.
Autoridades norte-americanas no Afeganistão também lutam para conter a reação ao episódio em que um grupo de soldados norte-americanos, em 2010, matou por esporte três civis afegãos, num episódio que mexeu com a hierarquia militar e irritou o governo afegão. O acusado de liderar o bando, que patrulhava rodovias e pequenas vilas na região de Kandahar, foi condenado por três assassinatos por uma corte militar norte-americana em novembro.
As imagens, que se espalhavam na quinta-feira, também relembraram as fotos publicadas durante a guerra do Iraque pelo jornal britânico Daily Mirror. As fotos mostravam o que parecia ser soldados britânicos abusando e urinando em um prisioneiro iraquiano. Mas aquelas fotos — que emergiram quase ao mesmo tempo que as chocantes imagens de abuso por parte de soldados norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, em 2004 — eram falsas.
As ações dos fuzileiros navais que aparecem no vídeo podem ser uma violação da Convenção de Genebra, que proíbe vilipendiar os corpos dos mortos em guerra.
Embora as imagens tenham dominado as notícias no Afeganistão na quinta-feira, a aparente campanha de assassinatos do talibã continuou, quando um suicida usou um carro-bomba para matar o governador de um distrito chave da província sulista de Kandahar.
Said Fazluddin Agha, o governador do distrito, estava indo para casa depois do trabalho em seu carro blindado, quando foi atingido por um Suzuki lotado de explosivos, disse Zalmai Ayoubi, um porta-voz do governador de Kandahar. Os dois filhos dele também foram mortos e nove policias e um civil ficaram feridos. O sr. Agha tinha sobrevivido a uma tentativa anterior de assassinato, dois anos antes, quando os explosivos eram carregados por uma mula.
Reporting was contributed by Elisabeth Bumiller and John H. Cushman Jr. in Washington, Sangar Rahimi, Sharifullah Sahak and Jawad Sukhanyar in Kabul, an employee of The New York Times in Kandahar, and J. David Goodman in New York.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/afeganistao-o-ato-selvagem-dos-fuzileiros-navais.html