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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BBB12 Entenda a polêmica do suposto estupro no programa

18.01.2012
Do jornal  FOLHA DE PERNAMBUCO, 17.01.12
Por DUDA GUEIROS




E surge a primeira grande polêmica desta edição do BBB e talvez a mais séria de todos os Big Brothers, a expulsão do participante Daniel acusado de praticar estupro. O fato aconteceu na madrugada do último sábado (14), após a festa Fusion, quando o acusado e a sister Monique foram para debaixo do edredon. Ambos, visivelmente bêbados, ficaram. 

No dia seguinte, o burburinho começou a partir do vídeo do pay-per-view que mostrava muito mais que um amasso consensual. Debaixo das cobertas, Daniel tocou na loira, fez movimentos que sugeriram sexo e não provocou nenhum estímulo dela. 

Em poucas horas, o assunto virou o mais comentado nas redes sociais. Desde insultos e pedidos de expulsão do rapaz, defesa da moça até repercussão machista. 

O assunto chegou até as autoridades. A Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, encaminhou ainda na segunda-feira (16) um ofício ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro pedindo “providências”. A Polícia Civil foi até o Projac (sede da Rede Globo na zona oeste do Rio de Janeiro) apurar o caso e colher depoimentos. 

No esclarecimento de Monique, em áudio do confessionário que vazou na internet, a loira deixa claro que só lembrava ter dado dois beijos em Daniel e dos dois terem “se tocado” por algum momento. Ainda nesse material, ela esclarece que a última coisa que ela lembra antes de dormir foi a entrada de Rafael no quarto. O suposto estupro aconteceu depois disso. 

RESULTADO
Daniel foi expulso do Big Brother 12, na noite da última segunda-feira (14,) com a justificativa de ter infringido as regras do programa.

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Fonte:http://www1.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/geral/noticias/arquivos/2011/outubro/0049.html

Bahia instala o primeiro Conselho de Comunicação do Brasil

18.01.2012
Do portal VERMELHO, 10.01.12
Por Eliane Costa

Parlamentares, secretários de estado, estudiosos e militantes da luta pela democratização da comunicação lotaram o auditório do Ministério Público na manhã desta terça-feira (10/1) para acompanhar a solenidade de posse dos integrantes do Conselho de Comunicação Social da Bahia, o primeiro do país. Instalado pelo governador Jaques Wagner, o órgão terá caráter consultivo e deliberativo e vai auxiliar o governo na formulação das políticas públicas de comunicação do estado.



  
  



“Hoje é um dia histórico para o povo baiano e uma conquista do movimento social. O Conselho de Comunicação que hoje toma posse representa um avanço no caminho de se compreender a comunicação como um direito humano. A criação do Conselho de Comunicação significa que o Estado reconhece que a comunicação é um direito de todos os baianos. Muito me honra ser conselheira do primeiro Conselho Estadual de Comunicação do país e isso só é possível, pela conquista de uma Bahia livre como a que temos hoje”, comemorou a secretária de Comunicação do PCdoB na Bahia, Julieta Palmeira, uma das principais articuladoras da criação do Conselho, participando inclusive do grupo de trabalho que elaborou o projeto de sua criação.

A instalação do Conselho foi celebrada também pelo secretário Estadual de Comunicação, Robinson Almeida, que considera a criação do órgão como um passo importante para a consolidação da democracia no Brasil. “É um passo importante também para avançar no entendimento de que não deve haver nenhuma área em que a sociedade não possa participar das discussões sobre o seu funcionamento. A sociedade tem uma visão muito limitada da comunicação como informação e notícia, mas nós queremos mostrar que a comunicação é uma área muito mais ampla, que também precisa de investimentos e políticas públicas. A comunicação é um direito humano e temos que trabalhar para que ela chegue para todos”, disse. 

Conselheiros

O Conselho de Comunicação é composto por 27 membros, sendo sete representantes do governo do Estado e 20 da sociedade civil, divididos entre os segmentos empresarial, entidades de classe, universidades e movimentos sociais. A Universidade Federal da Bahia, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Baiana de Imprensa, Portal Vermelho, Coletivo Intervozes, Centro de Estudos Barão de Itararé, União Brasileiras de Mulheres, Sindicato dos Jornalistas da Bahia, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Unegro e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação são algumas das entidades que participam do Conselho.

A eleição dos conselheiros da sociedade civil foi realizada no dia 25 de novembro, com cada entidade votando nos representantes do segmento em que atuavam. “Este é o período mais longo da nossa democracia e por isso mesmo o período de maior avanço na inclusão social no país. Nós que lutamos tanto por isso sabemos a importância deste momento, por isso, entendemos que a sociedade tem o direito de debater o que quiser. Se não for assim, não estaremos vivendo uma democracia plena. É preciso deixar claro para alguns setores da sociedade que nós não queremos controlar ninguém, mas também não queremos ser controlados. O Conselho será um espaço em que a sociedade e governo devem interagir para ampliar a democracia na área de comunicação”, afirmou o governador Jaques Wagner, logo após a posse dos conselheiros. 

Celebração 

Estudiosos e militantes da causa da democratização da comunicação também participaram da instalação do Conselho da Bahia. Para o professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro Marcos Dantas, a atitude do estado é fundamental para o avanço da discussão sobre o tema no país, pois quebra paradigmas, mostra que é possível fazer, constrói um ambiente de debate com toda a sociedade e provoca os outros estados a virem atrás. “Todo este processo é demorado, mas aquele que consegue fazer primeiro e faz com a dimensão que a Bahia fez, certamente dá um passo muito importante. Estou vendo que aqui nós demos mais um salto na construção de mecanismos para democratizar as nossas comunicações”, ressaltou.

Já Renata Miele, da Executiva Nacional do FNDC, acredita que a criação do Conselho da Bahia é uma demonstração para a sociedade brasileira e, principalmente, para aqueles que querem impedir a discussão de políticas públicas de comunicação, de que conselhos, debates e o entendimento da sociedade das políticas de comunicação, não tem nada a ver com censura e com tutela do exercício profissional e do trabalho dos veículos de comunicação . “Pelo contrário, o debate tem que envolver toda a sociedade, como está acontecendo aqui, com a participação do setor empresarial, dos movimentos sociais e do governo, no sentido de buscar pontos comuns dentro de um debate, para que a gente possa desenvolver políticas de inclusão social das pessoas dentro da comunicação”.

O professor da Universidade de Brasília Venício de Lima também comemorou o Conselho da Bahia. “É um momento histórico, pois há 23 anos que os conselhos de Comunicação estão previstos em várias constituições estaduais, mas, com as resistências de sempre não foram instalados. Este é o primeiro que surge da manifestação e articulação da sociedade civil. Eu espero, como militante desta causa, que o exemplo da Bahia se multiplique nos outros estados e que os conselhos funcionem. A comunicação tem que ser entendida como um direito e os conselhos como forma de ampliação da participação da sociedade na formulação das políticas públicas nestas áreas, assim como acontece nas outras áreas”, acrescentou Lima. 

De Salvador,
Eliane Costa.

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Fonte jorra água vermelha e assusta moradores

18.01.2012
Do DIÀRIO DE PERNAMBUCO
Por Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR 
Mistério

Técnicos da Gerência Estadual de Saúde (Geres), em Goiana, estiveram hoje no distrito de Tejucupapo, em Goiana, na Zona da Mata Norte, para colher amostras de uma água vermelha que começou a jorrar desde a última segunda-feira (16) em uma fonte no local.
O material será trazido para o Laboratório Central de Pernambuco (Lacen), no Recife. Segundos os moradores, a água não tem cheiro nem gosto. Por causa da cor vermelha, alguns moradores fizeram analogias com o sangue e se fala até em realizar romarias ao local.
A recomendação da Vigilância Sanitária Municipal é de que as pessoas não consumam nem se aproximem da água até que o "mistério" seja resolvido. O abastecimento será feito no local através de carros-pipa.

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Rafinha condenado: leia íntegra da sentença

18.01.2012
Do portal BRASIL247
Rafinha condenado: leia íntegra da sentença
Foto: DIVULGAÇÃO

HUMORISTA TERÁ QUE INDENIZAR WANESSA CAMARGO E SEU FILHO POR DANOS MORAIS POR TER DITO QUE “COMERIA ELA E O BEBÊ”; LEIA EM 247 REPORTAGEM EXCLUSIVA DE CLAUDIO JULIO TOGNOLLI

Claudio Julio Tognolli _247 - Lance jurídico final: a pendenga entre o apresentador Rafinha Bastos e o casal Wanessa Camargo e Marcus Buaiz chegou ao fim. Rafinha foi condenado a pagar indenização por dano moral à cantora Wanessa Camargo. O juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18ª Vara Cível de São Paulo, julgou procedente a ação proposta pelo empresário Marcus Buaiz, marido da cantora. Rafinha pode recorrer.
O advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira, em seu pedido ao juiz, o alegou que a liberdade de expressão artística não abriga o humor lesivo ao patrimônio moral de terceiros, conforme a Constituição.
A situação de Rafinha Bastos se agravou, segundo os advogados do casal, porque ele não se retratou. Segundo a petição, era esperado que ele refletisse sobre o caso e considerasse a repercussão negativa que suas declarações tiveram para pedir desculpa, "ou, no mínimo, buscando suavizar a aleivosia assacada, anunciasse a ausência de intuito ofensivo naquilo que dissera".
O juiz Luiz Ferreira esatabeleceu que “com essas considerações, que hei por bastantes e suficientes, atento ao mais dos autos, JULGO PROCEDENTE a ação para CONDENAR a Requerida a pagar ao A. a importância suso fixada, a título de reparação pelo dano moral sofrido, com juros da data do fato e correção monetária a contar desta data, até o efetivo pagamento, pagando ainda as custas e a honorária de 15% sobre o débito final”.
O Ministério Público do Estado de São Paulo chegou a dizer que o feto do casal, atacado pelo comediante, constitui-se, sim, em pessoa capaz de ser juridicamente ofendida – e, portanto, defendida. A postura da Promotoria foi diametralmente oposta à da juíza do caso, o que gera fagulhas impensadas pela defesa de Rafinha. A indenização fixada para o feto é de R$ 2.028,13.
A cantora Wanessa Camargo e seu marido, Marcus Buaiz, ajuizaram duas ações -- uma cível e outra criminal -- por se sentirem ofendidos por comentário de Rafinha Bastos durante programa CQC, em setembro. Na ocasião, quando o apresentador Marcelo Tas mencionou que Wanessa Camargo estava uma gracinha grávida Rafinha Bastos replicou: "Eu comeria ela e o bebê".
A piada, imprecisamente acima do tom, levou ao desligamento de Rafinha do CQC. O casal querelante é defendido por um dos maiores advogados do país, Manuel Alceu Affonso Ferreira. Tido e havido como o maior especialista em mídia do Brasil, Affonso Ferreira é o decano advogado do matutino O Estado de S. Paulo.
Em 4 de novembro passado, a Justiça paulista excluiu o filho de Wanessa Camargo, que deverá nascer no final do ano, da queixa crime apresentada pela cantora e seu marido contra o apresentador Rafinha Bastos. A decisão foi da juíza Juliana Guelfi, da 14ª Vara Criminal da Capital que se deu por incompetente para apreciar o caso.
Segundo a juíza, o objeto da proteção no crime de injúria é a honra subjetiva, isto é, a pretensão de respeito à dignidade humana, representada pelo sentimento ou concepção que temos a nosso respeito.
“O nascituro não pode ser sujeito passivo de injúria, analisando-se que, no caso, não tem a mínima capacidade psicológica de entender os termos e o grau da ofensa à sua dignidade e decoro", escreveu a juíza. Com a exclusão da criança que vai nascer, e sendo tipo penal de menor potencial ofensivo, a magistrada entendeu que era incompetente para julgar o caso e o remetendo ao Juizado Especial Criminal (JECRIM). A defesa de Rafinha vinha defendendo a mesma tese: de que feto não constitui personalidade jurídica.
Mas agora o caso tem uma reviravolta. Uma manifestação do Ministério Público, de seis páginas, obtida com exclusividade pelo Brasil247, e assinada pela promotora Rita Assumpção, contradiz a visão da juíza. “O Ministério Público intervém no feito em razão da presença do nascituro no pólo ativo da ação... Com efeito, ainda que não seja detentor de personalidade jurídica, os direitos do nascituro foram assegurados no atual Código Civil...vale dizer que devem-lhe ser assegurados o respeito e a observância aos seus direitos da personalidade, eis que se trata de pessoa em formação. Daí porque, considerando ofendida a sua honra por terceiros, podem os genitores ingressar em juízo, a ele representando, visando à obtenção da reparação por danos morais", relata a Promotoria.
A promotora do caso também chamou para depor os comediantes Marcelo Tas e e Marco Luque.
Leia a íntegra da sentença clicando aqui.
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OPERA MUNDI: Sangue e créditos de carbono: a incrível história dos Montes de María

18.01.2012
Do portal OPERA MUNDI, 18.12.2011
Por Simone Bruno | Montes de María (Colômbia)
Simone Bruno/Opera Mundi
Vista geral dos Montes de María; região antes ocupada por pequenos agricultores agora é usada para projetos de crédito de carbono

Foram quase dez anos de violência. Primeiro com a chegada das guerrilhas; depois, foi a vez dos paramilitares, que, com a conivência ou não das autoridades, passaram a exercer um novo tipo de dominação em diversas partes da Colômbia. Nos Montes de Maria, uma subregião no Caribe dividida entre os departamentos de Sucre e Bolívar, isso significou a remoção de centenas de camponeses que viviam há décadas na região. Hoje, a área se transformou em um pólo de projetos de compensação ambiental por emissões de poluentes, os chamados créditos de carbono.
Nos anos 70, os Montes de María eram uma ilha de pequenos produtores organizados, unidos e ligados à terra, uma anomalia em uma Colômbia latifundiária, que já vivia o conflito armado desde o final dos anos 40. Nos anos 90, porém, chegam as guerrilhas e tudo se transforma. Antes as FARC e, em seguida, o ELN e o EPL e, com eles, a extorsão e o sequestro. Com o pretexto de combatê-los, chegam os paramilitares do comandante Cadena, que entre 1999 e 2002 são autores de 56 massacres que desalojam mais de 20 mil camponeses.
Alguns desses eventos estão registrados na memória histórica do país: o  “masacre del salado”, 70 camponeses torturados e assassinados no campo de futebol do povoado; Chengue, 27 massacrados com facões e depois El CielitoOvejas, Arenas e Santa Clara. Centenas de mortos. Os que sobrevivem dispersam. Os vilarejos se tornam cidades-fantasma, com manchas de sangue seco nas ruas e a mata que encobre os telhados.
Em 2005, os “paras” de Cadena abandonam as armas. Em 2008, o exército mata Martín Caballero, chefe da frente 37 das FARC, que atuava nos Montes de María.
Nas montanhas machadas de sangue chega a paz, retornam os camponeses, mas também empresários que começam a comprar a terra a preços muito baixos, convencendo os camponeses, endividados e muitas vezes analfabetos, que os bancos estariam desapropriando suas terras. Muitos vendem. Quase todos.
“Tenho a suspeita – conta o agricultor Carlos – que tudo o que aconteceu antes, que toda a violência e os massacres serviam para abrir o caminho ao que veio depois. Não é difícil entender que os paramilitares de antes e os empresários de agora são todos parte de uma mesma estratégia.”
Simone Bruno
O lavrador Carlos acredita que paramilitares faziam parte de plano para retirar camponeses

Carlos sorri e fala muitas vezes em voz baixa, como se estivesse contando coisas muito confidenciais, quase secretas.
É um dos poucos camponeses da zona que tem coragem de relatar o que aconteceu no Montes de María. “Aqui vivia o paramilitar Cadena – prossegue em tom conspiratório – esta era sua base militar, se chamava o castelo do amor. Nos anos de chumbo, todos os políticos e personalidades da região vinham visitá-lo.”
Após subir uma colina, prossegue: “e esta – indicando uma terra próxima ao velho acampamento paramilitar – era nossa terra, de nossa família, meu pai e nós, os 20 irmãos.  Vivíamos tranquilos, depois chegou a guerrilha e os paramilitares. Tudo se tornou muito violento, tínhamos muito medo e quando sequestraram alguns familiares partimos. Ficamos sem um tostão e, após algum tempo, tivemos de vender, quase entregar, a terra à Reflorestadora do Caribe”.
Da colina se vê milhares de hectares da Reflorestadora do Caribe, plantadas com árvores de teca, uma árvore de madeira muito valiosa.
A Reflorestadora do Caribe faz parte da Argos SA, uma das maiores fábricas de cimento da América Latina e uma das empresas mais importantes da Colômbia. Do grupo, fazem parte 32 empresas colombianas e 51 estrangeiras, que se dedicam, entre outras coisas, à produção de carvão, petróleo, pecuária e, recentemente, reflorestamento.
A Argos tem conexões com as mais importantes famílias da região. Entre seus acionistas estão os Guerra de la Espriella, que vários paramilitares confirmaram serem próximos de Cadena. O atual vicepresidente de finanças da Argos é o irmão de Juan Felipe Sierra, procurado desde 2008 por paramilitarismo. O mesmo Juan Felipe fundou a Control Total, uma empresa de segurança, integrada por ex-paramilitares, que prestava serviços à Argos.
Argos é, então, dona de uma extensa propriedade na conflituosa zona dos Montes de María, onde plantou uma monocultura de teca, enquanto os donos originais reinvidicam a devolução ou o pagamento de um preço justo pela terra que muitos foram obrigados a vender. Isso não seria novidade no contexto colombiano, se não fosse pela Argos ter vendido sobre essas árvores um MDL.
O mercado
Em 1997, 160 países, incluindo 38 industrializados, se comprometeram, ao firmar o protocolo de Kyoto, a reduzir, antes de 2012, as emissões de gases de efeito estufa em 5% em relação aos padrões de 1990. Porém, isso não aconteceu e, ao contrário, as emissões aumentaram. Na década seguinte à assinatura do tratado, as emissões de combustíveis fósseis cresceram exponencialmente até se triplicarem frente à década de 1990.
Os integrantes da União Europeia não firmaram os acordos, mas seus negociadores tentaram introduzir uma série de propostas para criar um mercado de emissões. A ideia era que os países industrializados, quando não tivessem conseguido ou não quisessem reduzir as emissões em seu próprio território poderiam pagar outros países para fazê-lo em seu lugar.
O mercado de emissões, então, se tornou o principal mecanismo de atuação do protocolo de Kyoto e, portanto, o seu fracasso. É um sistema muito complexo com um objetivo muito simples: baratear os custos destinados pelas empresas e pelos Governos para cumprir com os objetivos de redução de emissões.
Este novo mercado é apresentado com dois mecanismos principais: o sistema de limite e negociação (cap and trade) e o sistema de compensações.
No primeiro, uma vez estabelecido pelo protocolo de Quioto o limite das emissões permitidas em um país (cap) é possível comprar e vender as permissões de emissão (trade). Isso permite a governos e organismos supranacionais, como a Comissão Europeia, distribuir licenças para contaminar (ou permissões de emissão) entre as grandes empresas dos países que firmaram o protocolo de Kyoto. Em vez de mudar seu comportamento, as indústrias que contaminam além de seus limites (cap) podem comprar as permissões de empresas que contaminam abaixo do limite (trade).
Essas permissões são então compradas e vendidas no mercado das emissões. Neste regime se baseia por exemplo o regime comunitário de comércio de direitos de emissão da União Europeia (RCCDE), o maior Mercado de emissões do mundo, cujo capital em 2010 chegou aos 141 bilhões de dólares.
O segundo mecanismo do comércio de emissões se baseia no sistema de compensações. Em vez de reduzir as emissões na origem, as empresas, os governos e os grupos privados financiam projetos de economia de emissões fora do território aonde deveriam ser reduzidas. O principal programa desse tipo é o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), administrado pelas Nações Unidas.
É a partir desta série de acordos internacionais, nascidos com Quioto para salvar o planeta, que a Argos pode vender um MDL de reflorestamento sobre a terra que era de Carlos e dos outros camponeses de Montes de María. Este MDL converge no mercado das emissões e permitirá a uma empresa europeia não reduzir suas emissões, com a promessa de que a teca de Argos reduzirá em seu lugar. Tudo isso com a aprovação da ONU.
“Agora aqui estão todas essas árvores – continua Carlos, enquanto os ventos dos Montes de María balançam as árvores – sabemos que existem organizações internacionais que pagam aos atuais donos porque as plantas produzem oxigênio. E quem sabe quanto dinheiro a mais irão ganhar quando venderem a madeira. E a nós não resta nada, a não ser uma vida como desterrados, mendigando o que antes a nossa terra nos dava de graça.”
Em cada hectare, a Argos planta até 1.200 árvores que em 15 ou 20 anos terão 40 metros de altura, “o que será da terra – pergunta-se Carlos – depois desta plantação extensiva, depois que as árvores sugarem todos os nutrientes por décadas? Como se pode chamar de reflorestamento uma monocultura de árvores que vêm da Ásia, que são pulverizados com venenos que contaminam nossos rios, matam nossos animais e nossas plantas?”
A Colômbia conta hoje com 160 projetos MDL, e é o quarto emissor desses títulos na região e o 12º no mundo. Desde 2002 este mercado rendeu ao país 100 milhões de dólares. O presidente Santos pediu, porém, para dobrar o número de projetos nos próximos 4 anos.
Segundo os cálculos da ONU, o projeto de reflorestamento dos Montes de María de Argos absorve 37 mil toneladas de CO² ao ano.  Para um total de 25 anos, em 3 mil hectares. Com esta operação, a Argos ganhará um total de 12,5 milhões de dólares até o momento em que cortará as árvores para vendê-las.
A morte de Quioto
Carbon trade Watch é um think tank que se dedica exclusivamente ao estudo do mercado das emissões. Na Holanda, sua colaboradora Joanna Cabello conta: “em Quioto decidiu-se que eram os países industrializados que teriam de realizar os investimentos para mudar os sistemas de produção. Isso porque se considerou que esses países tinham a responsabilidade histórica, com a colonização e a Revolução Industrial, de ter levado o planeta aos atuais níveis de contaminação.”
Segundo a analista, o sistema das compensações é a razão do fracasso de Quioto: “os MDL permitem romper os limites de Quioto, porque os projetos no hemisfério sul permitem aos países do norte contaminarem mais e superarem seus limites com a promessa, não comprovada cientificamente, mas muito rentável, de que este excesso seja absorvido, por exemplo, com as árvores plantadas no sul.”

Para os analistas do Carbon Trade Watch está muito claro que projetos como o de Argos na terra de Carlos permitem apenas gerar créditos para que o hemisfério norte prossiga com as mesmas práticas contaminadoras que nos conduziram à situação atual: “mas, além disso, gera uma nova série de conflitos ambientais e sociais nos países do sul, porque as monoculturas, os campos eólicos e as centrais hidrelétricas precisam de grandes territórios, geralmente nas mãos das comunidades mais vulneráveis. Não há dúvida que os MDL transferem a responsabilidade de reduzir a contaminação para os países do sul. Invertendo o conceito de dívida histórica de Quioto.”
Até hoje, foram aprovados no mundo cerca de 3.600 projetos MDL, muitos financiados diretamente pelo Banco Mundial, que é protagonista neste novo mercado. Para 2012, se prevé que mais de 2.100 milhões de toneladas de CO² serão absorvidas com estes projetos. Isso vai permitir aos países do norte emitirem na atmosfera o equivalente em gases de efeito estufa, com a esperança de que o hemisfério sul os absorva.”
“Há uma fazenda nos arredores que se chama Morrocoy – prossegue Carlos – assim se chama porque abrigava muitos Morrocoy, uma espécie de tartaruga de terra quente. Chegaram 12 escavadeiras que destruíram tudo. Animais que vivem nesta região, que estão em perigo de extinção, como o Carreto, o Guayacán, como o próprio Morrocoy, que são originários daqui, foram empilhados como pedras. As tartarugas que não exterminaram, capturaram e comeram. Observe o dano que causam não somente à região mas ao meio ambiente. As madeiras que floresciam, como o guacimo, como o trevo, o cedro, o mamão, que são nativos desta região, não se vêm mais aqui. Agora temos outra espécie… a teca.”
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/18607/sangue+e+creditos+de+carbono+a+incrivel+historia+dos+montes+de+maria.shtml

BBB 12: Escritor previu “estupro” do telespectador

18.01.2012
Do BLOG DA FOLHA, 17.01.12
Por Luís Fernando Veríssimo*
(Escrito em 2011) 
Publicado por Valdecarlos Alves
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. [...] Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
[...] Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Um um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).  Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo. O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender o comportamento humano”. Ah, tenha dó!!!  Veja o que está por de tra$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores). Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…, estudar… , ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins… , telefonar para um amigo… , visitar os avós… , pescar…, brincar com as crianças… , namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
Obs.: BBB* – Big Brother Brasil
*Luís Fernando Veríssimo é um escritor, jornalista, humorista e cronista brasileiro, filho do também escritor Érico Veríssimo
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Fonte:http://www1.folhape.com.br/blogdafolha/?p=6969

REDE BRASIL ATUAL: Para ser quarta economia do mundo, Brasil terá de repensar papel do Estado, diz Ipea

18.01.2012
Do site da Rede Brasil Atual,10.01.12
Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual

Marcio Pochmann lembra que parte da população brasileira ainda está submetida a condições de vida e de trabalho que são de simples sobrevivência  

Para ser quarta economia do mundo, Brasil terá de repensar papel do Estado, diz Ipea
Presença do Estado ainda é necessária para reduzir desigualdades sociais e regionais do país (Foto: Mônica Bergamo/Folhapress/Arquivo)
São Paulo – "O Estado brasileiro não tem um padrão de funcionamento, devemos fazer um destaque à sua insuficiência e, de certa maneira, à ineficiência de políticas públicas em determinados aspectos". A posição é de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), exposta durante apresentação do estudo "A presença do Estado no Brasil", nesta terça-feira (10), na capital paulista. Longe de criticar a presença e a intervenção do Estado, o que o estudo sugere é um desafio de ações mais efetivas no combate a desigualdades e ao subdesenvolvimento que persiste no país, apesar do avanço econômico.
Em novembro e dezembro de 2011, diferentes institutos privados internacionais divulgaram estudos apontando que o Brasil passou o Reino Unido como sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) – a soma das riquezas produzidas durante um ano por um país – do mundo. A crise do país europeu e o crescimento brasileiro apesar das instabilidades externas provocou o cenário favorável, mas não significam que as mazelas sociais foram superadas.
Pela projeção do Ipea, até o final da década, o país deve passar também a França, na quinta posição, e a Alemanha, atualmente quarta colocada. Apesar disso, o Brasil ainda convive com situações de subdesenvolvimento. Pochmann afirma que essa questão não está superada por haver ainda uma parcela grande da população em situação de miséria. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,2 milhões de brasileiros viviam em famílias com renda mensal menor de R$ 70 por pessoa.
"É importante observar a trajetória ascendente do Brasil dentro de um contexto em que o Estado, certamente, continuará sendo muito importante não apenas no enfrentamento das mazelas que nos acompanham, mas no contexto internacional, de uma economia global e uma sociedade do conhecimento", destacou o presidente do Ipea.

Desigualdade regional

Para Pochmann, existem políticas voltadas a compensar desigualdades regionais, favorecendo áreas pobres ou desprovidas de recursos adequados. Outras mostram o contrário: locais mais ricos recebem mais verbas. "Não estou defendendo um Estado só para pobres. O que destaco é aquele padrão de Estado em que se oferece para determinadas regiões que são mais ricas, porque isso não pode ser universalizado e homogeneizado", pontua o presidente do Ipea.
Um dos grandes destaques do estudo são as políticas de assistência social, como o Bolsa Família. Do total de repasses do programa, 51,1% dos recursos vão para o Nordeste, ainda que a população da região represente 28% do total de habitantes do país. Ao mesmo tempo, o Sudeste, que possui 42,2% dos brasileiros, recebe 24,7% do orçamento anual do projeto.
A distribuição dos recursos do governo federal, segundo Pochmann, não é homogênea porque atende às necessidades locais com o objetivo de reequilibrar as diferenças regionais. "Nesse exemplo, o Estado coloca mais recursos na proporção inversa ao tamanho da população porque ali existem mais pobres", afirmou.
O mesmo tipo de mecanismo verifica-se em benefícios previdenciários, que têm ajudado a reduzir as desigualdades regionais. Mas esse tipo de ação, segundo o economista, não substituem investimentos em áreas como saúde e educação em regiões menos assistidas.
A educação é um dos setores em que a disparidade se manifesta entre unidades da federação. O Distrito Federal, por exemplo, tem 68% dos jovens matriculados no ensino médio da rede pública. Na outra ponta da lista, o índice mais baixo de matrículas está em Rondônia, onde apenas 31,6% da população de 15 a 17 anos possui frequência escolar durante o ano letivo.
Também há diferenças no nível de qualificação dos professores pelo Brasil. Segundo Pochmann, enquanto no Norte 51% dos professores de ensino fundamental têm formação superior, no Sul esse percentual é de 82%.
Na saúde, os resultados sinalizam uma distância representativa entre o número de médicos por habitantes nas diferentes regiões do Brasil. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste há 3,7 médicos por mil habitantes, na região Norte o número cai para 1,9 médico por mil habitantes.
Esse tipo de situação é grave porque tende a reforçar e a preservar as desigualdades, em vez de combatê-las.
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A VOLTA DO JORNAL DO BRASIL IMPRESSO – A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO AGRADECE.

18.01.2012
Do blog 007BONDEBLOG




O Rio de Janeiro, da mesma forma que o país, não pode prescindir de ter um veículo de comunicação com a história e a credibilidade do Jornal do Brasil, circulando diariamente na forma impressa, vendido nas bancas de jornal, (onde exposto na lateral é lido pelos transeuntes) ou entregue na casa dos assinantes.

O JB possui um lugar reservado no coração de muitos brasileiros, em especial do cidadão carioca, das pessoas que amam esse país, que procuram se informar através de um veículo plural, democrático, que dá vez e voz a várias tendências de pensamento, que elogia ou critica governos tendo sempre como baliza os interesses do cidadão e do país.

É preciso oxigenar a imprensa brasileira, é urgente abrir espaço para os jornalistas que não se dobram ao poder dos cartéis das organizações de mídia, verdadeiras ditaduras da desinformação.

Assim, é muito bom saber que a possibilidade do JB voltar as “Bancas” se torna a cada dia mais real. Eu, que comecei a ler o JB lá pelos meus treze anos de idade, e sinto uma falta tremenda de sua companhia no meu café da manhã, espero sinceramente que isso aconteça o mais rápido possível.

A democracia, e a informação com ética e qualidade, agradecem.

Leia aqui os dados da pesquisa que aponta a aprovação da volta do JB impresso.

Portal Imprensa: 79% dos leitores aprovam possível volta do 'JB' ao papel


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