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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Blogosfera pauta agenda política

16.12.11
Do blog de Altamiro Borges,15.12.11
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Depois de um início preguiçoso, a semana promete encerrar pegando fogo, por isso não encontrei melhor ilustração para o post do que uma pintura de Hieronymus Bosch, com sua agitação infernal. E desta vez, a pauta política, pela primeira vez na história da república, não está sendo conduzida pela mídia, e sim pela combativa blogosfera progressista.

A panela esquenta sobre dois bocais do fogão legislativo: no Senado e na Câmara.

O líder do PT no Senado, o pernambucano Humberto Costa, subiu à tribuna ontem para pedir a reabertura de investigações sobre o processo de privatização, em virtude das graves e documentadas denúncias contidas no livro de Amaury Ribeiro, A Privataria Tucana.

Na Câmara, depois do discurso inflamado do deputado Brizola Neto (PDT-RJ), temos notícia de que o seu colega, Protógenes Queiroz, prometeu entregar um pedido de CPI sobre a Privataria com mais de 200 assinaturas ainda nesta quinta-feira.

Então teremos briga, como aliás adianta o Tijolaço, do Brizola. Os tucanos devem lançar hoje uma contra-ofensiva.

O Globo, porém, amanheceu com a pretensão de ignorar solenemente o tema e pautar à sua maneira a agenda política. Conseguiu, de fato, aplicar um golpe em Pimentel. O presidente da Fiemg, Robson Andrade, falara que Pimentel dera palestras nas regionais, mas o ministro não o fez. Foi um equívoco de Andrade, não do ministro, mas já foi o bastante para gerar duas páginas negativas na edição de hoje, além de uma chamada na capa, no hemisfério superior, ao lado das manchetes. 

Noblat, naturalmente, se esbaldou.

O procedimento é corriqueiro em crises políticas. Obriga-se todos os envolvidos a se manifestarem diariamente, e qualquer mínima contradição ou erro factual em suas falas são tratados como um grande trunfo, mesmo que aquele deslize verbal não tenha nada a ver com o objeto da denúncia em si.

Outro destaque na mídia foi a publicação, pela Folha, de matéria sobre o livro de Amaury, rompendo o estrondoso silêncio que vinha perdurando nos últimos dias. A reportagem, contudo, se esmera em atacar Amaury, repetindo pleonasticamente umas quatro ou cinco vezes que ele está sendo investigado e processado por “quebra de sigilo”, e que teria trabalhado ou quase trabalhado na campanha de Dilma Rousseff em 2010. 

Também tenta acobertar os indícios de ligação entre as transferências milionárias registradas para integrantes do PSDB e familiares de Serra e o processo de privatização. E dá destaque à agressiva defesa de Serra. Trata-se, enfim, de uma peça jornalística em defesa mal disfarçada dos tucanos envolvidos nas denúncias.

Temos um artigo do Eugênio Bucci no Estadão, tentando convencer os meios de comunicação a não temerem a inevitável reforma nas leis do setor.

E uma charge animada do Maurício Ricardo, publicada no UOL, que, segundo o Eduardo Guimarães, já foi retirada e republicada do ar algumas vezes, numa prova de nervosismo e insegurança do editor do portal sobre a conveniência de se publicar alguma coisa negativa sobre Serra.

A blogosfera continua a seguir as indicações do livro do Amaury e a puxar o fio do novelo. Um post do Nassif revela que Serra reside em casa de sua filha comprada com dinheiro de Daniel Dantas.

O fato é que o escândalo das privatizações constitui um objeto de grande curiosidade e revolta porque além de envolver, comprovadamente, corrupção a um nível realmente digno da magnitude continental do país, consistiu na entrega criminosa de patrimônio público de valor estratégico. Não se trata de radicalismo anti-privatização. O governo brasileiro poderia perfeitamente ter aberto o capital das empresas de telefonia e mineração, modernizando-as e adequando-as aos novos tempos. 

O que se viu, contudo, foi um plano deliberado para lesar a pátria, e que envolveu diretamente a mídia. Membros do próprio governo davam declarações depreciativas sobre as estatais, desvalorizando seu preço, e realizaram leilões a toque de caixa, sem promover nenhuma consulta popular. Colunistas como Miriam Leitão, faziam análises tendenciosas e descontextualizadas sobre essas empresas, num joguinho pré-armado para criar um clima favorável à privatização, a preços baixos. E o pior: tudo financiado a juros amigos pelos bancos governamentais e fundos de pensão!

Para culminar um dia que promete fogosos embates políticos, noticio aqui a misteriosa morte do blogueiro Amilton Alexandre, o famoso Mosquito, de Santa Catarina, que ganhou notoriedade ao denunciar o estupro cometido pelo filho do magnata da mídia gaúcha. O caso suscita muita apreensão entre a blogosfera do sul, e de todo país, pela possibilidade de ter ocorrido um crime político.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/12/blogosfera-pauta-agenda-politica.html#more

Folha: corruptos que assinam recibo?

16.12.2011
Do blog de Altamiro Borges, 15.12.11
Por Pierre Lucena, no blog Acerto de Contas:





Vejamos a pergunta acima feita por Reinaldo Azevedo ao questionar o pedido de provas de desvios por parte de Orlando Silva no caso “ONGs comunistas”.


Eu sou daqueles que não acredita em conspiração midiática ideológica ou coisas do tipo. Sei que existem abusos diversos por parte da mídia, mas acredito muito mais em favorecimento comercial de um ou outro veículo para algumas pessoas e grupos do que em organização ideológica.

A reclamação de parte da imprensa em relação ao apelido PIG tem seu sentido, mas em alguns momentos a seletividade é bisonha.

Vejamos hoje a matéria da Folha de São Paulo sobre o livro “A Privataria Tucana” de Amaury Ribeiro Jr. A tentativa de blindar José Serra é tão frágil que parece que o jornalista cumpriu uma missão passando o recibo de insatisfação.

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O livro mostra que uma empresa controlada pelo empresário Carlos Jereissati nas Ilhas Cayman repassou US$ 410 mil para Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e amigo de Serra.

Segundo os documentos apresentados pelo livro, a transferência foi feita dois anos depois do leilão em que um grupo controlado por Jereissati arrematou o controle da antiga Telemar. Mas o livro não exibe prova de que a transação tenha algo a ver com Serra e a privatização.

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Ok… o cara é tesoureiro da campanha de Serra ao Senado, indicado por ele para o Banco do Brasil, recebe quase meio milhão de dólares de um cara que ganhou um leilão com dinheiro de um fundo de pensão controlado por ele e não existe prova de que tenha algo a ver com Serra e a privatização.

Até a Veja já havia falado nisso em maio de 2002. As atividades de Ricardo Sergio já eram conhecidas de quem circula por Brasília.

Mas a Folha não parou por aí. Vejamos outro trecho:

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O livro sustenta que amigos e parentes de Serra mantiveram empresas em paraísos fiscais e as usaram para movimentar milhões de dólares entre 1993 e 2003, mas não oferece nenhuma prova de que esse dinheiro tenha relação com as privatizações.

(…)

Outro alvo do livro é a filha de Serra, Verônica Serra, que foi sócia da empresária Verônica Dantas numa firma de prestação de serviços financeiros na internet, a Decidir.

Verônica Dantas é irmã do banqueiro Daniel Dantas, que controlou a antiga Brasil Telecom até o início de 2005. A Telemar e a Brasil Telecom atualmente são parte da Oi.

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Realmente, milhões de dólares circulam por paraíso fiscal nas contas de um banqueiro suspeito e a filha de Serra devem cair do céu. Não deve ter nada demais. Isso porque a filha de Serra era sócia da irmã do banqueiro.

Para não parecer suspeito, acho que o melhor é fazer a pergunta que o próprio Reinaldo Azevedo fez: “O que quer a Folha de São Paulo? Corruptos que assinam recibo?”

Curioso é que a mesma Folha de São Paulo sequer passou perto das “provas” que cobra quando jogou no ar a informação de que Orlando Silva teria comprado um terreno em Campinas por R$ 370 mil.

Disseram que um duto da Petrobrás passaria no local e que isto beneficiaria o Ministro.

Segundo reportagem do portal UOL, técnicos da estatal visitaram os terrenos da região, que poderiam ser desapropriados, gerando possível lucro ao ministro.

É bom verificar dois pesos e duas medidas do jornal mais importante do país.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/12/folha-corruptos-que-assinam-recibo.html#more

SERRA, SEU BATE-ESTACA E A IMPRENSA

16.12.2011
Do jornal CORREIO DO BRASIL,15/12/2011 
Por Fábio de Oliveira Ribeiro 15/12/2011 às 14:14
Por CMI Brasil


Para rir agora e continuar rindo depois.
Hoje o bate-estaca daquele ex-candidato suspeito de cometer vários crimes e de ter criado uma filha igualmente criminosa, o senhor José Serra, vei a público. Refiro-me àquele Senador paulista que provavelmente foi eleito no tapetão dos Juízes nas últimas eleições. Disse o tal que quem atacou Serra irá sofrer consequencias devastadoras.
É a velha tática da intimidação. Coisa de marginal ou de boçal ligado a militar de extrema direita.
A mesma liberdade de imprensa que tem possibilitado à mídia nativa divulgar contra-informação como fato para beneficiar a oposição (como o grampo sem áudio do Gilmar Mendes, o atentado com bolinha de papel contra Serra, etc…) permite aos jornalistas investigarem, divulgarem e debaterem as patranhas da quadrilha tucana.
Mas os tucanos, por sua vez, não tem o direito de se comportar como se fossem aristocratas. Eles podem acreditar que estão acima da Lei (para cometer patranhas e ficar impunes) e que a liberdade de imprensa não se aplica contra eles (pois acreditam que os seus adversários são presumivelmente culpados e que eles são presumivelmente inocentes), mas nós sabemos o que está escrito na Constituição Federal: “todos são iguais perante a Lei”.
A tucanalha e os seus amigos criminosos fardados não querem viver numa República, querem é viver numa monarquia disfarçada. Então será preciso fazê-los meter o dedo no c... e rasgar sempre que for necessário. É por isto que tomo a liberdade de reproduzir aqui notícia divulgada hoje:
“Data/Hora: 13/12/2011 – 09:48:33 
Presunção de inocência não impede crítica jornalística a pessoas investigadas 
A presunção de inocência dos investigados e acusados de crimes não impede que a imprensa divulgue, mesmo que de forma crítica, os fatos correntes. Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reverteu decisão que concedia indenização de R$ 5 mil a empresário investigado no “esquema Gautama”.

O Jornal do D., de Sergipe, publicou em 2007 fotografia do então presidente do Tribunal de Justiça local (TJSE) ao lado de empresário preso pela Polícia Federal. A nota, assinada por uma jornalista, apontava suposta incoerência do desembargador, por aparecer sorridente ao lado do empresário preso sob acusação de envolvimento no esquema de desvio de recursos públicos. Sentindo-se ofendido, o empresário acionou o jornal e a colunista.
Na primeira instância, a ação foi julgada improcedente. Em apelação, o TJSE entendeu que a nota apontava o empresário como pessoa indigna de estar ao lado do presidente do tribunal, constituindo essa presença uma desonra para o Poder Judiciário. Por consequência, a publicação ofendia a honra do empresário, merecendo compensação fixada em R$ 5 mil.
Crítica prudente
A empresa jornalística recorreu ao STJ sustentando que a publicação não trazia nenhuma ilicitude. Segundo o veículo, a questão era de interesse público e a nota retratou o sentimento da sociedade diante do fato de o presidente do TJSE posar em foto ao lado de empresário filho de ex-governador, acusado de envolvimento em crimes de tráfico de influência e desvio de dinheiro público.
A matéria jornalística apenas teria feito críticas prudentes, não tendo avançado além de informações fornecidas pela polícia com autorização da ministra relatora da ação penal correspondente, que tramitava no próprio STJ.
Ao julgar o recurso, o ministro Sidnei Beneti inicialmente afastou os fundamentos do acórdão embasados na Lei de Imprensa ? julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também indicou a falha do acórdão e da petição inicial ao invocar dispositivos do Código Civil de 1916, quando os fatos ocorreram em 2007, já na vigência do Código Civil de 2002.
Imagem negativa
No mérito, ele apontou que a publicação não teve objetivo de ofender o empresário, tendo apenas noticiado o fato, ainda que de forma crítica. “A nota publicada, em verdade, punha o foco crítico na pessoa do eminente presidente do tribunal, pelo fato de haver-se fotografado juntamente com o autor”, apontou, ressaltando que o próprio desembargador não se sentiu ofendido nem buscou reparação pelo fato.
Para o ministro, como se estava em meio a investigação de grande repercussão, com prisão ostensiva do empresário durante diligência da Polícia Federal, em cumprimento de mandado expedido pelo STJ, não seria possível exigir da imprensa que deixasse de noticiar ou mesmo criticar a presença do presidente do TJSE ao lado do empresário ? cuja imagem, naquele momento, “não se podia deixar de ver negativa”.
“Claro que a aludida imagem negativa, da mesma forma que a acusação de prática de atos ilícitos, podia ulteriormente vir a patentear-se errada, não correspondente à lisura de comportamento que o autor poderia vir a demonstrar durante a própria investigação criminal ou em juízo”, ponderou o ministro.
Julgamento pela imprensa
“Mas esse julgamento exculpador prévio não podia ser exigido da imprensa, pena de se erigir, esta, em órgão apurador e julgador antecipado de fatos que ainda se encontravam sob investigação”, completou.
“Nem a presunção de inocência de que gozava o autor, como garantia de investigados e acusados em geral, podia, no caso, ser erigida em broquel contra a notícia jornalística, que também se exterioriza por intermédio de notas como a que motivou este processo”, acrescentou o relator.
A decisão inverte também a condenação em honorários e despesas processuais. O TJSE havia fixado o valor que seria pago pelo jornal em R$ 700, mas, com o julgamento do STJ, o empresário deverá arcar com R$ 1 mil pelas custas e honorários.
Processo: REsp 1191875
Fonte: Superior Tribunal de Justiça”
 http://aasp.org.br/aasp/noticias/visualizar_noticia.asp?ID=34558
Neste momento Serra não é um homem de reputação ilibada. Ele é apenas um SUSPEITO de ter cometido vários crimes, idem para sua filhota e para o seu muito estimado coletor de dinheiros eleitorais (limpos, limpados e sujos) chamado de Mr. Big. É como SUSPEITO que Serra pode e deve ser tratado pela imprensa.
Se Serra quer se defender deve fazer isto é nos processos criminais que vão ser abertos contra ele. E como todo réu em processo criminal, Serra pode e deve ser tratado como CRIMINOSO EM POTENCIAL pela imprensa, ou seja, doravante tudo que ele disser não tem valor algum pois todo CRIMINOSO EM POTENCIAL tem o direito de falar mas a sociedade não é obrigada a acreditar nele nem a absolvê-lo com base naquele que ele disse.
Email:: sithan@ig.com.br

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Direita no Brasil protege as grandes fortunas e impede nova votação no Congresso

16.12.2011
Do jornal CORREIO DO BRASIL, 14/12/2011
Por Redação, com Vermelho.com - de Brasília



fortunas
O deputado Eleudes Paiva (PSB-SP) protege os interesses dos ricos no Congresso
A Comissão de Seguridade da Câmara foi novamente impedida de votar o relatório do projeto que prevê a taxação de grandesfortunas, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Na semana passada, um pedido de vistas  impediu que o projeto fosse apreciado. Nesta quarta-feira, após várias tentativas da oposição de retirar a matéria da pauta, o deputado Eleuses Paiva (PSD-SP) pediu verificação de quórum, derrubando a sessão. A votação  foi adiada para o próximo ano.
O argumento da oposição para proteger as grandes fortunas é de que a criação de um novo imposto deve ser discutida dentro da proposta de reforma tributária. A deputada Jandira Feghali rebateu o argumento, lembrando que esse projeto regulamenta a Constituição de 1988, que previa essa taxação. Ela também ressaltou que a justiça dessa contribuição se resume no fato de apenas 600 pessoas com grandes fortunas contribuiriam com R$10 bilhões dos R$14 bilhões previstos.
Segundo Jandira, a iniciativa estimula a construção de uma sociedade mais justa e democrática. “A constituição brasileira já prevê a taxação sobre grandes fortunas como forma de redistribuição de benefícios com o conjunto da sociedade. É assim com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) progressivo, Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e até mesmo com a Contribuição à Seguridade Social brasileira”, defende.
A iniciativa do Projeto de Lei foi baseada na legislação francesa, que cobra o Impôt de Solidarité sur la Fortune. O imposto francês é o mesmo que serviu como inspiração para os parâmetros e cálculos definidos das alíquotas de incidência do projeto relatado por Jandira Feghali.
A Contribuição Social das Grandes Fortunas garantirá reforço anual de R$14 bilhões para o financiamento da saúde no Brasil, explic a a deputada. Em seu relatório, a parlamentar defende que a arrecadação dessa contribuição seja direcionada exclusivamente para ações e serviços de saúde e o valor recolhido será destinado ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) para financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida alcançará um universo de 56 mil contribuintes brasileiros com patrimônio superior a R$4 milhões. Pela proposta, serão criadas nove faixas de riqueza em que os contribuintes nelas inseridos ficarão obrigados a contribuir com o financiamento do setor.
Jandira alterou de seis para nove as faixas de riqueza, entre R$5,52 milhões e acima de R$115 milhões, e não entre R$ 4 milhões e acima de R$ 150 milhões como estava na proposta orginal de autoria do deputado Dr. Aluízio (PV-RJ). A base de dados utilizada pelo autor da proposta e a relatora da matéria foi disponibilizada pela Receita Federal, que adotou como referência o ano de 2008.

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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/direita-no-brasil-protege-as-grandes-fortunas-e-impede-nova-votacao-no-congresso/342552/

Por que a imprensa finge que não vê o livro do Amaury

16.12.2011
Do portal BRASIL247,15.12.11

AOS QUE DIZEM QUE É PRECISO IGNORAR O LIVRO PORQUE O AUTOR FOI ACUSADO DISSO OU DAQUILO, BASTA LEMBRAR DE UM QUE FOI ESCRITO POR PEDRO COLLOR DE MELLO E, VEJAM SÓ, DORA KRAMER



Deve ser possível contar nos dedos quantos amigos José Serra tem nas redações. Quase ninguém na mídia é “serrista”. Não nas redações dos jornais, das tevês e das rádios. Há exceções claro, e pelo que soube esta semana o editor-chefe de um grande jornal teria trabalhado para Serra, mas isto não significa que ele tenha pelo ex-chefe profunda admiração. Serra também não deve ter muitos amigos entre os acionistas das empresas de comunicação. Serra sempre foi apenas uma alternativa possível da imprensa a Fernando Henrique Cardoso para enfrentar Lula e, depois, a candidata de Lula.
Quem finge gostar de Serra nas redações, excetuando os amigos do peito, caso ele os tenha, na verdade não gosta mesmo de Serra – apenas o prefere a Lula. Jornalista que apoia Serra – de novo com as exceções possíveis – o faz por não gostar de Lula, e não gosta de Lula por vários motivos, razoáveis ou não: preconceito, antagonismo político, por considerá-lo populista, por conservadorismo, preferência clara por FHC etc. A imprensa protege Serra por falta de coisa melhor. Fará o mesmo com Aécio Neves, caso ele vire candidato, por motivo idêntico.
Não corre risco de perder quem apostar que Ricardo Noblat não tem qualquer identificação com Serra. Não seria estranho descobrir que Eliane Cantanhêde, Dora Kramer, Lúcia Hipólito e tantos outros, mesmo que queiram no poder alguém que considerem melhor que Lula e Dilma, e certamente querem, ficariam satisfeitos se a opção não fosse Serra nem Aécio. Especulo sobre a vontade destes poucos jornalistas, todos muito conhecidos, mas poderia estar falando da maioria. Cito-os porque estão entre os mais citados.
Serra não é diferente da maioria das fontes: detesta jornalista. Também não gosta de dono de jornal, mas os adula e quase sempre obtém deles o que precisa. Serra gostaria de demitir qualquer jornalista que fizesse matéria negativa para a imagem dele, e é possível que já tenha conseguido isso, embora não seja provável que tenha sido bem sucedido na maioria das tentativas. Hoje em dia, isto não é tão fácil como já foi.
E é aqui que trago ao assunto o livro “A privataria tucana”, sobre o qual a imprensa tradicional faz pesado silêncio.
Decididamente, os colunistas e os editores, pelo menos a maioria, não estão fingindo ignorar o livro de Amaury Ribeiro Jr para proteger Serra. Suspeito que até que alguns achariam divertido ver Serra em maus lençóis, tendo que se explicar sobre as acusações que sofre no livro.
Também não creio realmente que colunistas e editores desprezem o livro porque acreditam que Amaury foi contratado por assessores da campanha petista no ano passado para espionar Serra ou vender informações contra os tucanos. Todos eles sabem que esta foi uma, e apenas uma, das mentiras inventadas durante a campanha.
Este foi um dos fatos “esquentados” na campanha para beneficiar a oposição. Para os jornais e para as emissoras que dedicaram enorme espaço e tempo a este factóide fica muito difícil, agora, admitir que “não foi bem assim”. Como seria difícil, mesmo agora, noticiar que a agenda de Lina Vieira jamais apareceu e que Rubnei Quicoli já confessou que mentiu. Como foi difícil admitir com clareza que a ficha policial atribuída a Dilma era uma montagem mal feita.
Isto seria mais do que um “erramos”. Seria um “mentimos”.
Os jornalistas também sabem que, mesmo sendo meio falastrão e parecendo um tanto estabanado, Amaury é um grande repórter, é honesto e não está mentindo ou, para ser mais isento, pelo menos acredita que está contando a verdade. Sabem, por fim, que a origem desta história que resultou num livro está na reação de Aécio Neves a uma ação mafiosa típica dos serristas.
Por que, então, os colunistas, editores e jornalistas da maioria dos grandes veículos fingem ignorar o livro?
Porque obedecem à linha editorial dos jornais e das emissoras em que trabalham. Obedecem, agora, e sempre obedeceram. [E aqui, em nome da isenção, acrescento a parte que me toca: eu mesmo, quando trabalhei nas grandes redações, me sujeitei às linhas editoriais dos veículos e se eventualmente me insurgia internamente contra elas, tentando modificá-las, nunca deixei de seguí-las disciplinadamente, uma vez derrotado em minhas posições. Ou pedia o meu boné.]
O que mudou, então? Por que os jornalistas se vêem obrigados a depreciar publicamente um colega de profissão, como o Amaury, com quem, aliás, muitos deles conviveram amistosamente? E por que estamos vendo jornalistas importantes entrando em guerra com seus leitores por causa de um livro que, se pudessem, tratariam como notícia ou comentariam?
Arrisco uma resposta: porque hoje os leitores pisam nos calos destes jornalistas, o que há uma década atrás – ou menos - não acontecia.
No meu tempo, e vale dizer também no tempo do Noblat, da Dora, da Eliane, do Merval, o leitor não existia como figura real. Era um anônimo, mal representado, diariamente, em uma dúzia de cartas previamente selecionadas para publicação e devidamente “corrigidas” em seus excessos de linguagem. Tem gente que não lembra, porque começou a ler jornal depois, mas naquele tempo nem e-mail existia, exceto, talvez, como forma de comunicação interna das empresas.
Noblat, Dora, Merval, Eliane [e eu] escreviam, editavam e publicavam o que queriam, desde que não contrariassem os acionistas, representados pelos diretores de redação. Por acaso, dois dos citados foram diretores de redação e eu fui editor-chefe adjunto no Globo e editor-chefe do JN. Não eram – não éramos - contestados por ninguém. Quem não gostasse que se queixasse ao bispo, ao editor de cartas - por carta, claro - ou então que suspendesse a assinatura ou mudasse de canal.
Publicavam o que queriam, autorizados pelos donos, e continuam agindo da mesma maneira, mas hoje são imediatamente incomodados, cobrados, questionados, xingados pelos leitores, por e-mail, em blogs, por tuites e por caneladas no Facebook.
Fazem a mesma coisa – obedecer à linha dos seus jornais – só que agora têm que dar explicações a um grupo crescente de chatos, nem sempre bem educados, e não podem botar a culpa no patrão. Não podem dizer no twitter: “Olha, gente, eu não vou escrever sobre o livro do Amaury porque o meu jornal decidiu ignorá-lo, pelo menos por enquanto”.
Aparentemente, só existe uma opção: justificar a censura do livro nos seus veículos por meio da depreciação do autor, que está sendo chamado de louco e de venal – o que ele nunca foi, nem quando esteve nas grandes redações, época em todos o exaltavam como um dos maiores repórteres do país. Mesmo porque o ex-PM João Dias, o escroque Rubnei Quicoli e até Pedro Collor nunca foram tratados como cidadãos de reputação ilibada e nem por isso deixaram de ser considerados fontes válidas por estes e por quase todos os demais jornalistas. E estas fontes nem se deram ao trabalho de tentar provar o que diziam.
A alternativa a declarar-se censurado ou tolhido é entrar em guerra com uma parte dos leitores, buscando apoio em outra parte, neste caso naquela que detesta Lula, Dilma e o governo petista. Cobrados, reagem no mesmo tom. Acossados, pedem ajuda ao “outro lado”.
O autor deste texto trabalhou em pequenos e em grandes veículos. Também trabalhou como assessor de imprensa de empresários e de políticos, de vários matizes. É o que faz agora, como redator, razão pela qual fechou temporariamente o blog que mantinha para emitir opiniões. Entende que assessoria de imprensa, ainda que seja um trabalho digno e necessário, não é jornalismo, porque não lhe dá o direito à isenção. Continua analisando a imprensa, como cidadão, de maneira não-metódica, mas toma o cuidado de não depreciar pessoalmente aqueles que eventualmente critica. Não se julga melhor do que ninguém, nem sabe, francamente, como agiria hoje, na mesma situação dos colunistas e jornalistas dos grandes veículos – exceto que, talvez, evitasse o twitter e o Facebook, onde o confronto é muito mais agressivo.
Mas aos que alegam que é preciso ignorar o livro do Amaury porque ele foi acusado disso ou daquilo e não seria um autor confiável, responde com uma experiência pessoal. Editor do Globo em 1992, uma noite recebeu na redação o livro “Passando a limpo, a Trajetória de um Farsante”, de autoria de Pedro Collor de Mello e, vejam só, Dora Kramer. O livro trazia acusações tão pesadas contra Fernando Collor que, em alguns casos, a prova dependeria de exame de corpo de delito. O editor teve que ler o livro em duas horas, para escrever uma resenha rápida, que seria publicada na edição do dia seguinte.
Naquela época, no Globo e, creio, nos demais jornais, não era possível ignorar uma peça de acusação tão enfática, ainda que desprovida de provas. Nem era possível guardar para ler depois. E pouco importava se a origem das acusações de Pedro contra Fernando era uma briga entre irmãos envolvendo até mulher. Era notícia, e pronto.

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Folha ignora ombudsman e omite fatos sobre privataria tucana

16.12.2011
Do BLOG DA CIDADANIA, 14.12.11
Por Eduardo Guimarães

Este é o caso mais emblemático que já surgiu sobre a transformação dos maiores meios de comunicação do país em um partido político dissimulado do qual o jornalismo passa longe. Leia com atenção, porque este post contém a prova final de que não se deve dar o menor crédito ao “jornalismo” que veículos como o jornal Folha de São Paulo dizem fazer.
Ao fim da tarde da última quinta-feira (15/12), recebi e-mail de uma fonte que, por sua vez, recebeu de alguém que trabalha na redação da Folha cópia da “crítica interna” diária que os ombudsmans do jornal fazem circular há anos entre seus jornalistas. É uma bomba.
Antes de prosseguir, vale explicar que a “crítica interna diária” dos ombudsmans da Folha era publicada abertamente na internet até abril de 2008. A razão de o jornal ter decidido torná-las “secretas”, ou seja, só para consumo de sua redação, foi uma dessas críticas que o ex-ombudsman Mario Magalhães fizera.
Magalhães, como no texto da atual ombudsman, Suzana Singer, que vazou na quinta-feira, acusou o jornal de partidarismo contra o PT. Aliás, a maioria dos ombudsmans fez essa crítica, ainda que com menos intensidade.
Contrariado com a crítica de Magalhães, o jornal optou por não mais publicar a crítica diária na internet afirmando que seus inimigos políticos – um jornal que atua como partido político, é claro que tem inimigos políticos – estariam usando as críticas do ombudsman para atacar. Contrariado, o jornalista pediu demissão do cargo.
Lamentavelmente, soube que a Folha descobriu quem foi, em sua redação, que, no melhor estilo Wikileaks, vazou ontem a crítica interna arrasadora da atual ombudsman. Não é preciso pensar muito para concluir o que acontecerá com esse profissional.
Todavia, é preciso que as pessoas entendam o poder de propagação da internet. Caiu na rede, se espalha como fogo em mato seco. Quem não quer grande divulgação de alguma coisa, que não ponha na rede. O que não dá é para um blogueiro publicar alguma coisa que alguém lhe passa e depois retirar.
Seja como for, vamos rever o que foi que Suzana Singer escreveu e que, ao vazar, deixou a direção do jornal tão furiosa. Abaixo, a crítica interna da ombudsman divulgada na redação da Folha na última quinta-feira, 15 de dezembro.
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15 de dezembro de 2011
Crítica interna
ANTES TARDE DO QUE NUNCA
por Suzana Singer
Ainda bem que a Folha deu a notícia sobre o livro “A Privataria Tucana” (A11). A matéria está correta, com o destaque devido, mas o jornal deveria continuar no assunto, porque há mais pautas no livro.
Exemplo: por que Verônica Serra e o marido têm offshores? Não deveríamos investigar e questioná-los? É já publicamos que Alexandre Bourgeois, marido de Verônica, foi condenado por dever ao INSS? É verdade que as declarações que ela deu na época das eleições, sobre a sociedade com a irmã de Daniel Dantas, eram mentirosas? Fomos muito rigorosos com o caso Lulinha, por exemplo.
Outra frente é a o tal QG de dossiês anti-Serra na época da eleição presidencial, que a Folha deu com bastante destaque. O livro conta coisas de arrepiar a respeito de Rui Falcão. Ao mesmo tempo, sua versão de roubo dos seus arquivos parece inverossímel. Seria bom investigar, já que ele faz acusações graves contra a imprensa, especialmente “Veja” e “Folha”.
Teria sido bom editar um “acervo Folha conta a história da privatização” para lembrar ao leitor que o jornal foi muito duro com o governo FHC. É um erro subestimar a capacidade da internet – e da Record – de disseminar a tese do “PIG”. E também seria bom esclarecer, com mais detalhes, o que é novidade no livro sobre esse período.
O Painel do Leitor só deu hoje uma carta cobrando a cobertura do livro. Eu recebi 141 mensagens. Quem escreveu hoje criticou a matéria publicada por:
1) ter um viés de defesa dos tucanos;
2) não ter apresentado Amaury Ribeiro Jr. devidamente e não tê-lo ouvido;
3) exigir provas que são impossíveis (ligação das transações financeiras entre Dantas e Ricardo Sérgio e as privatizações);
4) não ter esse grau de exigência em outras denúncias, entre as mais recentes, as que derrubaram o ministro do Esporte (cadê o vídeo que mostra dinheiro sendo entregue na garagem?);
5) não ter citado que o livro está sendo bem vendido
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Mesmo que você seja um leitor de direita, adesista à mídia, reconheça que a ombudsman referendou, uma por uma, as teses da blogosfera progressista. Não só quanto ao viés tucano do jornal como, também, quanto ao poder de difusão da blogosfera.
Chega a ser ridículo a ombudsman ter que avisar ao jornal sobre esse poder. O fato, porém, é que veículos como Globo, Folha, Veja e Estadão, entre outros, parecem acreditar que o que não publicam, não aconteceu. Um dia pode ter sido assim, mas hoje em dia, com a internet, já era. A internet ajudou a derrubar ditaduras sangrentas no Oriente Médio. Não tem, portanto, qualquer dificuldade em fazer circular denúncias de maracutaias de jornais.
Diante de crítica tão arrasadora de sua ombudsman, porém, o que é que fez a Folha? Aprofundou o partidarismo e a omissão e em sua edição desta sexta-feira só publicou uma coisa sobre a privataria tucana, a nota que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou ontem se queixando do livro que desnuda o saque que seu governo praticou.
Vale registrar que os tucanos e a mídia, de mãos dadas e em uníssono, desqualificam o livro de Amaury Ribeiro, autor de “Privataria”, porque ele foi indiciado pela Polícia Federal , apesar de ter sido um indiciamento político feito para atender aos interesses eleitorais do PSDB ano passado, pois está sendo investigado por tucanos e mídia terem dito que trechos de seu livro seriam um “dossiê” contra José Serra, o que a publicação do livro, quinta-feira passada, desmente.
Mas se o fato de Amaury estar indiciado o desqualifica como cidadão e jornalista, então os indiciamentos e condenações de familiares de Serra e os processos a que o tucano responde não o desqualificam, também? Ou essa lógica só funciona para os adversários do PSDB e das empresas de comunicação que a ombudsman chama de “PIG”?

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/12/folha-ignora-ombudsman-e-omite-fatos-sobre-privataria-tucana/