sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fox News encontra os culpados pelas revoltas populares


09.12.2011
Do blog ESQUERDOPATA
Por FERNANDA EZABELLA

DE LOS ANGELES

Canal culpa "Os Muppets" por onda de protestos no mundo 


Conservadores americanos finalmente acharam o culpado pelas ondas de protestos em centros financeiros do país e do mundo: Hollywood.


Mais especificamente "Os Muppets", de acordo com o canal de notícias Fox News, que dedicou sete minutos de seu programa econômico para explicar como o novo longa dos bonecos está fazendo "uma lavagem cerebral em nossas crianças com mensagens anticorporativas".


No filme da Disney, a turma de Kermit (ex-Caco) e Miss Piggy luta contra um rico executivo do petróleo que quer derrubar o antigo teatro dos Muppets, atualmente abandonado em Hollywood, para procurar óleo.


"É incrível como a esquerda vai longe para manipular as crianças [...] Hollywood, a mídia, a esquerda, todos odeiam a indústria do petróleo", disse Dan Gainor, do conservador grupo Media Research Center.


"Não é à toa que temos um bando de garotos ocupando Wall Street, sendo doutrinados por anos por este tipo de coisa [...] que corporações são ruins, que a indústria do petróleo é ruim", continuou Gainor, citando os filmes "Syriana" e "Sangue Negro".


"Ninguém quer lembrar o que o petróleo significa para a maioria das pessoas, que aquece suas casas, ilumina os hospitais", completou.


Tamanha acusação turbinou o Twitter de piadas infames, uma delas brincando com a ideia de Kermit, Piggy e Gonzo serem comunistas investigados por republicanos.


"Sr. Sapo, o senhor já foi comunista", tuitou o blogueiro Oliver Willis. "Sr. Sapo, é verdade ou não que o senhor e seus camaradas tentaram uma vez 'conquistar' Manhattan?", perguntou, fazendo trocadilho com o filme "Os Muppets Conquistam Nova York"(1984).


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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/12/fox-news-encontra-os-culpados-pelas.html

10 ANOS DO ESTATUTO DA CIDADE: A QUESTÃO DO ACESSO À TERRA URBANIZADA

09.12.2011
Do blog FAZENDO MEDIA, 05.12.11
Por Redação


O Estatuto da Cidade comemora neste ano uma década de existência. Lei Federal nº 10.257, aprovada em 2001, definiu um novo marco regulatório para o controle do processo de desenvolvimento urbano por parte dos municípios, abrindo perspectivas inéditas para a renovação das práticas de planejamento do território brasileiro. Mas o que aconteceu no país após dez anos de Estatuto? O INCT Observatório das Metrópoles traz uma série de entrevistas sobre os grandes temas do Estatuto da Cidade a fim de mostrar o que mudou nesse período, como os municípios fizeram uso dos novos instrumentos e quais são os desafios para avançar. O primeiro tema da série é o acesso à terra urbanizada.

Para a professora da FAU/USP e urbanista, Ermínia Maricato, o acesso à terra seja no meio rural ou urbano continua sendo a principal barreira para a transformação urbana das cidades brasileiras. Sendo que a dificuldade de acesso à terra regular para habitação é uma das maiores responsáveis pelo explosivo crescimento das favelas e loteamentos ilegais nas periferias das cidades.

No livro “O impasse da política urbana no Brasil”, Maricato mostra que, na década de 1980, quando o investimento em habitação social foi quase nulo, a taxa de crescimento da população moradora de favelas triplicou em relação à população urbana em seu conjunto. “Nos anos de 1990, a taxa duplicou. Perto de 12% da população de São Paulo e Curitiba moram em favelas. Em Belo Horizonte e Porto Alegre, até 20%. No Rio de Janeiro, 25%. Em Salvador, Recife, Fortaleza, São Luiz e Belém, mais de 30% das pessoas vivem em favelas. Somando-se as moradias ilegais, encontramos aproximadamente 40% dos domicílios de São Paulo e 50% no Rio de Janeiro em situação irregular. Os moradores dessas casas se encontram em condições de insegurança permanente”. (MARICATO, 2011).

O processo de favelização das cidades brasileiras não ocorreu, no entanto, por falta de planos e nem de leis. O Estatuto da Terra, de 1964, relaciona a reforma agrária à “melhor distribuição de terra” e à “justiça social”. E a Constituição Federal de 1988 prevê a função social da propriedade e o direito à moradia. Contudo, da retórica das leis à prática, o país ainda vive um grande abismo.

No ano de 2001, o Estatuto da Cidade é criado, resultado das lutas de setores da sociedade – sobretudo daqueles mais marcadamente excluídos do direito à cidade. O Estatuto surge como possibilidade de redesenhar o modelo de política urbana que tem imperado no Brasil, tanto do ponto de vista das diretrizes e instrumentos urbanísticos incluídos na lei, como através da afirmação de nova forma de tomada de decisões acerca do futuro das cidades – compartilhada e pactuada diretamente pelos cidadãos.

Para muitos especialistas, a promulgação do Estatuto representou também um avanço para o Brasil na direção da democratização do acesso à terra urbana e da garantia do direito humano e universal à moradia adequada. Contudo, a Lei delegou para as cidades, em suas práticas de planejamento territorial, a missão de incorporar as novas diretrizes e instrumentos, de acordo com a especificidade de sua situação sócio-econômica.

E esse foi o ponto de partida do projeto “Rede Nacional de Avaliação e Capacitação para Implementação de Planos Diretores Participativos (2009), desenvolvido pelo Ministério das Cidades em parceria com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ). O professor do instituto, Fabrício Leal de Oliveira, coordenou a área da pesquisa referente ao tema acesso à terra urbanizada, na qual os pesquisadores avaliaram relatórios estaduais que, por sua vez, continham os relatórios dos planos diretores municipais selecionados para investigação.

Segundo Fabrício, os resultados da pesquisa são bastante preliminares, já que a única fonte dela são os relatórios estaduais. Os pesquisadores, por exemplo, não tiveram acesso aos diagnósticos. “Os relatórios são muito heterogêneos e a impressão que tivemos é que eles se aprofundam pouco nos instrumentos de acesso à terra urbanizada”, explica.

A primeira entrevista da série “10 anos do Estatuto da Cidade” com o professor Fabrício Leal de Oliveira, que fala sobre os instrumentos criados ou validados pelo Estatuto, e como eles têm sido implementados e/ou regulamentados pelos municípios em todo o país, foi retirada temporariamente para ajustes a pedido do entrevistado.

(*) Matéria reproduzida de Observatório das Metrópoles.
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Como o livro do Amaury leva o FHC para a cadeia

09.12.2011
Do blog  CONVERSA AFIADA
Por Paulo HenriqueAmorim  

Na foto, o clã FHC. Quem falta ?

Como diz o Amaury Ribeiro Junior, no “Epílogo” de “A Privataria Tucana”:

No México, o presidente Carlos Salinas de Gortari, santo padroeiro das privatizações (ele entregou o México ao Slim) fugiu para Nova York num jatinho.

O presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez Lozada, que entregou até a água do país, fugiu para Miami aos gritos de “ assassino !”.

Fujimori, o campeão das privatizações peruanas, admitiu pagar propinas ou “briberization” – expressão do Joseph Stiglitz, que o Amaury gosta de usar – no valor de US$ 15 milhões.

Na Argentina, ninguém, mais fala “Menem”.

Quando é para se referir ao herói da privatização argentina, “el saqueo”, o presidente Carlos Menem, se diz “Mendéz”, para não dar azar.

Menem fugiu para o Chile atrás de uma starlet e voltou para a Argentina munido de um mandato de Senador, para não ir em cana.

Aqui, levam o Fernando Henrique a sério.

Cerra, Ministro do Planejamento, e o Farol de Alexandria presidiram à maior roubalheira das privatizações latino-americanas.

Não há o que se compare !

O Daniel Dantas lavou e deslavou dinheiro.

O Carlos Jereissati e Sergio Andrade compraram a Telemar com ajuda de uma “briberization” ao Ricardo Sérgio.

A Vale também teve “briberization”, ofertada ao mesmo chefe da Tesouraria das campanhas de Cerra e Fernando Henrique.

O Ricardo Sergio lavou, deslavou, cuidou da filha do Cerra e do genro do Cerra.

O Farol de Alexandria entra no diálogo com o André Lara Rezende a tramar um lance da privatização.

Entre o Ministério das Comunicações e o BNDES entrava consorcio por uma porta, saía outro pela outra, entrava a Previ por um lado, o dinheiro do Banco Brasil por outro, a Elena saía por uma porta, o Arida entrava pela outra – tudo no limite da “irresponsabilidade !”.

“Se der m …”

Com o Amaury, deu, amigo navegante !

Deu “m…”

Roubaram em todos os tempos e modos, diria o Vieira.

Segundo o Aloysio Biondi, que analisou o papel das “moedas podres” e dos empréstimos do Mendonção no BNDES, O BRASIL DO FHC E DO CERRA PAGOU, PAGOU PARA VENDER AS EMPRESAS ESTATAIS.

O Amaury cita o Bresser Pereira: “só um bobo dá a estrangeiros serviços públicos como as telefonias fixas e móveis”.

“Um bobo ou esperto”, ponderou o Amaury.

Espertíssimo !

O Delfim costuma dizer que o Cerra e o FHC “venderam o patrimônio e endividaram o país !”.

Dois jenios !

E espertos !

(Para dizer pouco !, não é isso Rioli, Preciado ?)

E o FHC com isso ?

Nada ?

Presidiu a roubalheira e não vai parar na Justiça ?

Todo mundo roubava e ele ali, a ler Max Weber …

A roubalheira no primeiro andar e ele na cobertura a tomar vinho francês.

O Fujimori na cadeia, o Sanchez Lozada em Miami, o Salinas escondido num bunker na cidade do México, o Mendéz refugiado no Senado, e o Farol de Alexandria no Roda Morta e a pregar a Moralidade !

Como é que é Zé (clique aqui para ler como os amigos do Dantas se referem ao Zé, com carinho e afeto) ?

E o brindeiro Gurgel: vai encarar o FHC ?

Ele não sabia de nada, brindeiro ?

O pau comia solto lá embaixo e ele ouvia Wagner !

Viva o Brasil !

(Só o Visconti …)


Paulo Henrique Amorim

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/12/09/como-o-livro-do-amaury-leva-o-fhc-para-a-cadeia/

Esse é o delator do ministro Orlando Silva. Hoje em dia é assim,basta a "Veja" cooptar qualquer idiota para acusar e tudo vira verdade. Isso tem mudar !

09.12.2011
Do blog APOSENTADO INVOCADO, 08.12.11

Policial em fúria invade o Palácio do Buriti e é preso

Delator do escândalo que levou à queda de Orlando Silva do Ministério do Esporte, João Dias tentou entrar à força no gabinete do secretário de Governo, Paulo Tadeu. Descontrolado, jogou um pacote com R$ 159 mil numa mesa, xingou servidores, empurrou e deu tapa em duas assessoras de Tadeu, e quebrou o dedo de um sargento. Contido pela segurança e levado para a 5ª DP, o policial foi autuado por lesão corporal e injúria de cunho racial. Depois de mais de cinco horas de depoimento, deixou a delegacia sob fiança (E). "Ele bateu na gente", contou a subsecretária Paula Batista de Araújo. "É um louco que deveria estar preso." (Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press)

 
Delator do escândalo que levou à queda de Orlando Silva do Ministério do Esporte, João Dias tentou entrar à força no gabinete do secretário de Governo, Paulo Tadeu. Descontrolado, jogou um pacote com R$ 159 mil numa mesa, xingou servidores, empurrou e deu tapa em duas assessoras de Tadeu, e quebrou o dedo de um sargento. Contido pela segurança e levado para a 5ª DP, o policial foi autuado por lesão corporal e injúria de cunho racial. Depois de mais de cinco horas de depoimento, deixou a delegacia sob fiança (E). "Ele bateu na gente", contou a subsecretária Paula Batista de Araújo. "É um louco que deveria estar preso." 

ATAQUE DE FÚRIA

» PM delator invade o Buriti João Dias, pivô das denúncias que provocaram a demissão do então ministro do Esporte Orlando Silva, entra na sede do GDF com R$ 159 mil, tenta aos gritos falar com o secretário de Governo e é levado para a delegacia depois de bater em uma assessora e ferir um segurança 

» LILIAN TAHAN
» ROBERTA ABREU
» MANOELA ALCÂNTARA

O policial prestou depoimento por mais de cinco horas na 5º DP. Ele pagou fiança de R$ 2mil e foi encaminhado ao IML para exame de corpo de delito (Bruno Peres/CB/D.A Press)
O policial prestou depoimento por mais de cinco horas na 5º DP. Ele pagou fiança de R$ 2mil e foi encaminhado ao IML para exame de corpo de delito

Fora de cena desde a queda de Orlando Silva do Ministério do Esporte, o pivô do escândalo responsável pela baixa na Esplanada dos Ministérios, voltou a aparecer. Durante um acesso de fúria, o policial militar João Dias Ferreira tentou invadir a Secretaria de Governo, xingou servidores do GDF e agrediu funcionários do Palácio do Buriti. Ele foi contido pela segurança interna do prédio e levado para a 5ª Delegacia de Polícia (Setor Bancário Norte), onde prestou depoimento por mais de cinco horas. Liberado pela Polícia Civil após pagamento de fiança, João Dias foi levado pela Polícia Militar para a Corregedoria da instituição. 

Passava das 15h de ontem quando João Dias chegou ao Palácio do Buriti, onde, além do gabinete do governador Agnelo Queiroz (PT), funcionam algumas secretarias, como a de Governo. O PM entrou pelo anexo do prédio sem ser notado e seguiu para o gabinete de Paulo Tadeu, que fica a alguns metros da sala do governador, no primeiro andar do edifício. Ao chegar à antessala do secretário de Governo, que estava em reunião na Residência Oficial de Águas Claras, João Dias pediu para ser atendido pelo titular da pasta. Impedido de adentrar no gabinete, o policial militar partiu para a agressão, segundo relato de duas assessoras que trabalham com Paulo Tadeu. Xingou a subsecretária Paula Batista de Araújo e empurrou e deu um tapa em Niedja Taboada. 

João Dias carregava um pacote de dinheiro, que jogou em cima da mesa das assessoras do secretário. Dentro do embrulho, havia R$ 159 mil, incluindo moedas, que foram arremessadas pelo PM.

Dedo quebrado

Os seguranças foram chamados para conter João Dias. O policial militar, campeão em artes marciais, quebrou o dedo de um sargento. Detido pela polícia interna do Palácio do Buriti, o PM foi levado para prestar depoimento na 5ª DP, onde ficou sob custódia até o fechamento desta edição. Em nota divulgada na noite de ontem, a Polícia Civil informou que, após depoimentos dos envolvidos e encaminhamento das vítimas ao Instituto Médico Legal, todos seriam liberados. João Dias, porém, após pagar fiança de R$ 2 mil, foi levado ao Instituto de Medicina Legal e conduzido pela Polícia Militar “para a adoção das providências administrativas cabíveis, em razão da sua condição de militar”. 

O policial militar agressor foi autuado pelos crimes de injúria de cunho racial, lesão corporal e vias de fato no interior do Palácio do Buriti, que é considerada uma área de segurança. Ao sair da 5ª DP, a subsecretária Paula Batista confirmou o teor do depoimento dado ao delegado Marcelo de Paula Araújo: “Fui agredida. Ele bateu na gente, nos empurrou. É um louco que deveria estar preso”. 

Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação do GDF descreveu o episódio. “A equipe de segurança do Palácio do Buriti teve que retirar do prédio na tarde de hoje o policial militar João Dias após ele agredir duas servidoras da Secretaria de Estado de Governo. João Dias teve que ser contido pelos seguranças já que apresentava comportamento agressivo e foi encaminhado à Polícia Civil, que tomará as medidas legais pertinentes ao caso”. Ainda em comunicado, o governo local disse que a segurança do Palácio do Buriti abriu procedimento para apurar como se deu o acesso de João Dias ao prédio. A nota informa ainda: “O Governo do Distrito Federal também vai apurar com que objetivos escusos o policial apareceu nesta tarde de forma despropositada no Palácio do Buriti”.

O advogado de João Dias, André Cardoso, declarou, na porta da delegacia, que seu cliente havia recebido “inúmeras propostas” e que o dinheiro levado ontem à sede do Executivo tinha sido entregue por agentes do GDF. “Ele só recebeu esse dinheiro para configurar um flagrante. Foi uma espécie de cala-boca”, disse o defensor do PM. Em depoimento, segundo apurou o Correio, o policial militar disse que foi procurado por um delegado da Polícia Civil, um coronel da PM, além das duas servidoras do GDF. 

Quem também apareceu na 5ª DP foi a deputada distrital Celina Leão (PSD). “Vim para poder ter acesso às informações oficiais e saber o que está acontecendo no DF. A polícia apura os fatos de hoje (ontem). Mas algo ocorreu para chegar a esse ponto e é isso que quero saber”, declarou a deputada de oposição. O coronel Jahir Lobo Rodrigues, do Departamento de Controle e Correição da Polícia Militar, também esteve na delegacia para acompanhar o caso . 

Nota do GDF 

A Secretaria de Comunicação Social do DF divulgou um comunicado sobre o ocorrido na tarde de ontem. Leia a íntegra da nota:

“A equipe de segurança do Palácio do Buriti teve que retirar do prédio, na tarde de hoje, o policial militar João Dias após ele agredir duas servidoras da Secretaria de Estado de Governo. João Dias teve que ser contido pelos seguranças, já que apresentava comportamento agressivo, e foi encaminhado à Polícia Civil, que tomará as medidas legais pertinentes ao caso. 

Quanto ao secretário de Governo, Paulo Tadeu, ele não se encontrava no Palácio durante o episódio. O secretário e outras autoridades do GDF participavam de reunião com os governadores do Centro-Oeste na Residência Oficial de Águas Claras. 

A segurança do Palácio do Buriti abriu procedimento para apurar como se deu o acesso de João Dias ao prédio. O Governo do Distrito Federal também vai apurar com que objetivos escusos o policial apareceu nesta tarde, de forma despropositada, no Palácio do Buriti.”

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Espanha: não vai ter neoliberalismo para todo mundo

09.12.2011
Do blog ESQUERDOPATA, 08.12.11

Barcelona restringe uso de papel higiênico 
Desde setembro, crianças catalãs só podem fazer uso de 25 metros do produto por mês nas escolas 

SÍLVIO GUEDES CRESPO - O Estado de S.Paulo 

As crianças catalãs já sabem o que significa "austeridade fiscal": desde setembro, elas só podem gastar na escola, em média, 25 metros de papel higiênico por mês, para que o país em que elas vivem consiga pagar os juros da dívida. O número vale para papel higiênico doméstico. Existe, também, um limite de 20 metros para o industrial.

As restrições, relata o jornal El País, foram impostas às escolas de Barcelona que dependem do chamado Consórcio de Educação, que reúne a prefeitura e o governo catalão. O Consórcio afirma que não se trata de medida "restritiva", e sim de uma "normalização".

A carta enviada aos diretores escolares afirma que foi feito um estudo no qual se constatou que na maior parte dos centros de ensino o uso do papel higiênico está dentro do normal, mas que em alguns há "diferenças significativas".

Há escolas com dificuldade de se adaptar às novas regras. Na Villa Joana, por exemplo, de educação especial, gastam-se 199 metros de papel higiênico e 42,7 de papel para enxugar as mãos. Segundo o diretor, no refeitório os alunos se sujam mais por suas dificuldades naturais. No caso do papel higiênico, a escola só usa o doméstico, não o industrial.

O governo catalão, segundo o jornal El País, há um ano repete que controlará "até o último euro" para reduzir o déficit nas suas contas.Nos últimos meses, aumentou a desconfiança, por parte dos investidores, de que a Espanha não consiga pagar a totalidade dos juros de sua dívida. O mesmo ocorreu com a Itália. Antes disso, a Grécia recebeu ajuda internacional para pagar seus credores, e mesmo assim teve que suspender o pagamento de 100 bilhões em dívidas. Portugal e Irlanda também receberam ajuda de outros países.

Os países europeus foram fortemente golpeados pela crise internacional iniciada nos Estados Unidos. Em 2008, a quebra do banco americano Lehman Brothers provocou pânico no setor financeiro mundial e levou governos a gastarem além da conta para estabilizar a atividade bancária e estimular a economia.

Ou seja, para apagar o fogo dos bancos, os Países colocaram dinheiro público no sistema financeiro. Como consequência, os governo ficaram endividados e, agora, são os bancos que hesitam em emprestar dinheiro aos países. Para reconquistar a confiança dos investidores, os governos prometem austeridade fiscal, ou seja, reduzir o desequilíbrio nas contas públicas.

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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/12/espanha-nao-vai-ter-neoliberalismo-para.html

A imprensa de oposição, o Governo pautado e a luta pelo marco regulatório para o setor midiático

09.12.2011
Do blog TERROR DO NORDESTE,08.12.11
A velha imprensa é como o abraço do gato: parece carinho, mas ele quer mesmo é morder o pescoço

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, está a ser atacado há dias pela velha mídia brasileira. A presidenta Dilma Rousseff não pode e não deve tergiversar com a oposição ao seu governo e muito menos com a imprensa comercial e privada. Seu DNA é historicamente golpista, além de ser porta-voz dos interesses dos grandes empresários de todos os setores, principalmente o segmento de bancos (privados). O ministro Pimentel tem de ser defendido, porque ele, além de ser um político histórico do PT, nunca se envolveu com mal feitos, mesmo quando foi prefeito de uma cidade grande e rica como Belo Horizonte.

Fernando Pimentel tem o direito de trabalhar na iniciativa privada. Sua família tem empresa e atua no mercado há muitos anos. Esses fatos não diminuem ninguém. Ao contrário, pois demonstra que membros do PT podem ser empresários, conquanto não ocupem cargos políticos e públicos, que é o caso do ministro quando atuou na iniciativa privada. Por sua vez, o petista apresentou todos os recibos dos ganhos de seu trabalho e os declarou à Receita Federal. Pimentel é amigo pessoal da presidente trabalhista Dilma Rousseff, que, na verdade, é o alvo principal da imprensa corporativa e que não tem compromisso algum com a independência e a autonomia do Brasil e com o desenvolvimento social e econômico do povo brasileiro.

Pimentel não é o mesmo caso de Palocci e não pode ser fritado e desqualificado como fizeram com os ministros Orlando Silva e Carlos Lupi, que não cometeram irregularidades e muito menos usaram seus cargos para auferir ganhos e dividendos. Nada foi comprovado, a não ser que os dois políticos foram, sistematicamente, atacados, contudo, sem poder se defender, porque o sistema midiático oposicionista e de direita não deu espaço a eles para, ao menos, dar explicações sobre as acusações.

Pelo contrário, além de serem agredidos pela mídia conservadora, ainda foram objetos de deboche, ironias e pilhérias de todos os tipos, à frente dessas patifarias o direitista e ex-porta-voz da ditadura civil e militar, Alexandre Maluf Garcia, bem como o cineasta fracassado histriônico e que se diz ex-comunista arrependido quando fez suamea culpa no Instituto Millenium, o senhor comentarista condestável Arnaldo Jabor. Seria cômico, se não fosse trágico.

O Governo Dilma Rousseff não pode ceder. Esse processo de imolação de ministros tem de ser estancado pelo Governo, que, a meu ver, deveria rapidamente responder de forma assertiva e prática no que tange à regulamentação do setor econômico midiático, com a aprovação pelo Congreso da Ley dos Medios, como o fez a Argentina, bem como responder às acusações em espaço nobre das televisões abertas, que são concessões públicas, além de pulverizar as verbas publicitárias federais de forma que órgãos de imprensa (jornais impressos, internet, rádios e televisões) de todo o Brasil, inclusive do interior mais longínquo, recebam tais recursos, porque somente dessa forma é que se democratiza esse importante setor da economia que está nas mãos de meia dúzia de famílias, que, arrogantemente, consideram-se donas de um País que tem quase 200 milhões habitantes e é a sexta maior economia do mundo. Um absurdo!

O ex-ministro Franklin Martins estudou, pesquisou, visitou países que regulamentaram o setor midiático e apresentou, de forma democrática e republicana, projeto que tem por propósito implementar um marco regulatório para o País, conforme estabelece a Constituição de 1988, que é odiada pela direita brasileira, por ser uma Lei cidadã. O Ministério das Comunicações, à frente o ministro Paulo Bernado, aquele que tem medo da TV Globo, engavetou o projeto de Franklin Martins. A Presidência da República, por meio da ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, tem de cobrar uma atitude mais assertiva do ministro Bernardo, no que é relativo ao assunto. Até quando essa espera? Vão esperar a imprensa pautar o Governo com a intenção de derrubar ministros sem culpabilidade comprovada? Até quando? Até a Dilma ficar sozinha? Isolada?

Não. Não pode ser assim. Prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém. Contudo, se a imprensa golpista continuar a colocar pimenta na sopa chegará uma hora que não se conseguirá mais compreender por que o povo brasileiro elegeu a presidenta Dilma Rousseff, que tem que fazer apenas uma única coisa: governar com a Constituição na mão. A burguesia midiática quer apenas confundir, quando ela afirma e dissemina pelos seus órgãos de comunicação que aprovar o marco regulatório para o setor é censura e um atentado às liberdades de imprensa e de expressão. Não é nada disso.

Os empresários de mídias e seus jornalistas de confiança, como o Arnaldo Jabor, o Merval Pereira, o Augusto Nunes, o Ricardo Noblat, o Reinaldo Azevedo, a Míriam Leitão e o Alexandre Garcia, não querem a democratização e a regulamentação desse segmento porque vão perder poder de barganha (o que realmente essas empresas fazem), a veiculação de notícias deixará de ser monopólio e outras empresas vão ter oportunidade para competir nesse imenso mercado, cujos recursos publicitários bilionários sustentam o sistema midiático por meio de verbas públicas e privadas, advindas dos governos Federal, estaduais e muncipais, bem como das grandes corporações, como, por exemplo, a Ambev, os bancos, as petroleiras e as montadoras de automóveis. É muito poder e dinheiro para ficar na mão de meia dúzia de famílias, cujos interesses são defendidos por jornalistas, muitos deles a se comportar como pitbulls prontos a “morder” aqueles que questionam os interesses de seus patrões.

Volto a repetir: a velha e corporativa imprensa é useira e vezeira em apoiar golpes de estado, em desetabilizar governos democráticos e trabalhistas e a fomentar discórdias, por meio de matérias noticiosas que não valorizam o contraditório, o direito de defesa, o direito de ser ouvido para evitar que os cidadãos acusados ou denunciados não sejam imolados ou queimados em fogueiras que remontam a Idade Média. A imprensa acusa, julga, setencia e, se possível, prende. Mas ela não é a Justiça e por isso tem de responder quando erra. Acontece que o projeto do Franklin Martins está na gaveta do ministro Paulo Bernardo, que talvez tenha coragem de enfrentar o diabo, mas, ao que parece, jamais a Globo.

As acusações aos ministros Carlos Lupi e Orlando Silva, exonerados sem culpas comprovadas, são atentados contra o Estado Democrático de Direito. O poder midiático privado brasileiro age tal qual o magnata australiano das comunicações e proprietário da Fox News, Keith Rupert Murdoch, e os seus asseclas travestidos de jornalistas, que cometeram inúmeros crimes para conquistar audiência, e, mais do que isso, ter influência nos meios políticos e empresariais por meio de chantagens, escutas telefônicas clandestinas, ameaças, além de manipulações, distorções e mentiras quando tratavam de veicular as informações noticiosas.

É exatamente o que acontece no Brasil, principalmente a partir de 2003 quando o presidente trabalhista Luiz InáciLula da Silva ocupou pela primeira vez a cadeira da Presidência da República. A imprensa comercial e privada percebeu que o PSDB e seus aliados não tem, no momento, condições de vencer as eleições presidenciais e passou a fazer a oposição de fato aos governos trabalhistas de Lula e Dilma. O poder midiático sabe que os números econômicos e sociais desses governos são muito superiores que os dos governos tucanos neoliberais e por isso faz a vez e a voz da oposição, conforme deixou muito bem claro, no dia 18 de março de 2010, a presidenta da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, que disse a seguinte pérola: “Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada”. Judith é também executiva do Grupo Folha de São Paulo. Portanto, não restam dúvidas quanto às intenções de nossa imprensa conservadora.

O caso do jornalista Gustavo Nogueira Ribeiro, empregado da revista “Veja”, é emblemático. No dia 28 de agosto deste ano, o repórter trapalhão e despido de ética se registrou na suíte 1.607 do Hotel Nahoum, onde o ex-deputado e ministro José Dirceu costuma se hospedar quando está em Brasília. O repórter reservou um quarto para ele e usou ardil para que a camareira abrisse o quarto do ex-ministro para “investigar” o porquê de o político estar no DF para conversar com pessoas do Governo e do PT. Venhamos e convenhamos, Dirceu é militante do PT e um dos seus fundadores.

O político que foi cassado em 2005 por causa do “Mensalão”, que juridicamente nunca foi comprovado e recentemente negado pelo pivô do caso, senhor Roberto Jefferson, presidente do PTB, homem da direita e que tinha intenção de derrubar o presidente Lula do poder com o apoio da oposição partidária e da imprensa, tem o direito constitucional de se encontrar e falar com quem quiser, afinal são pessoas que ele conhece há décadas. Além disso, José Dirceu é filiado influente do PT e até hoje participa de todos seus eventos. Então, por que o repórter agiu assim? O problema é que a “Veja” faz um jornalismo de esgoto e por causa disso não tem limites. Se o jornalista é ambicioso, junta-se a fome com a vontade de comer. Não sei se o Roberto Civita, dono da Editora Abril e da “Veja” é o Rupert Murdoch, mas sei que ações como a do seu empregado são iguais de muitos empregados do magnata australiano envolvido com escândalo de espionagem.

Enfim, o jornalista da “Veja” foi pego com a mão na botija, porque a camareira o denunciou para seu chefe imediato. A revista, que é a última flor do fáscio e realiza o verdadeiro e autêntico jornalismo de esgoto, está a responder na Justiça pelo seu crime, pois processada, bem como o seu empregado trapalhão. E aí fica a pergunta que não quer calar: “quantos processos respondem a imprensa burguesa e seus empregados na Justiça?” É uma difícil resposta, porque requer pesquisa. Contudo, atrevo-me a dizer: são muitos e muitos desses se tornam transitados em julgado, o que acarreta, não raramente, punição ao órgão de comunicação e ao empregado, porque envolvidos com ilegalidades e até mesmo com crimes.

Considero, entretanto, que a presidenta Dilma Rousseff tenha de melhorar sua Secretaria de Imprensa para que ela responda à altura necessária quando perceber ou comprovar que existe realmente processos identificados de fritura de ministros na imprensa e nas mídias em geral. Governos trabalhistas não podem tergiversar com uma imprensa que tem passado histórico golpista e que é francamente oposicionista. O Governo Federal, juntamente com o Congresso, tem de aprovar o marco regulatório para as mídias e com isso democratizá-las, para o bem do Brasil e de sua população. Não se consegue ter paz para governar com uma imprensa que não faz jornalismo e, sim, proselitismo.

A presidenta Dilma não pode vacilar e nem remediar porque não se bebe leite com gato grande e selvagem no mesmo pires impunemente, porque depois do líquido bebido o felino pode comer o braço, se não optar pelo pescoço. Governantes trabalhistas do Brasil sofreram muito e pagaram preços altos no que concerne às suas sobrevivências partidárias e políticas. A última vítima foi o grande presidente João Goulart, que somente pôde voltar ao Brasil em 1976. Voltou para ser enterrado em São Borja, pois morto.

A velha imprensa é de direita e sempre vai apoiar os interesses dos grupos privados nacionais e internacionais. A presidenta Dilma Rousseff sabe disso. O presidente Lula também, porque quase o derrubaram em 2005. Não foi à toa que Lula foi para as ruas e praças públicas, o que arrefeceu o golpe e eliminou tal má intenção. Dilma não tem de pedir licença para democratizar os meios de comunicação. Ela foi eleita pelo povo. A mandatária somente precisa fazer uma única coisa: governar com a Constituição na mão.

Davis Sena Filho


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Fonte:http://wwwterrordonordeste.blogspot.com/2011/12/imprensa-de-oposicao-o-governo-pautado.html

Governo lança plano de combate ao crack, investimentos chegam a R$ 4 bilhões

09.12.2011
Do site CORREIO DO BRASIL, 07.12.11
Por Redação, com ABr - de Brasília


O governo federal lançou nesta quarta-feira um conjunto de ações para o enfrentamento ao crack, com previsão de investimento de R$ 4 bilhões até 2014. As ações estão estruturadas em três eixos – cuidado, prevenção e autoridade – e serão desenvolvidas de forma integrada com estados e municípios.
crack
O governo federal lançou um conjunto de ações para enfrentar o crack, com previsão de investimento de R$ 4 bilhões até 2014
No eixo cuidado estão previstas iniciativas para ampliar a oferta de tratamento de saúde aos usuários de drogas e a qualificação de profissionais. Será criada a rede de atendimento Conte com a Gente, com estrutura diferenciada para atender pacientes em diferentes situações e auxiliar dependentes químicos na superação do vício e na reinserção social. 
Outra ação na área de cuidado será a criação de enfermarias especializadas nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), com investimentos de R$ 670,6 milhões para a criação de 2.462 leitos exclusivos para usuário de drogas. 
Esses leitos serão usados para atendimentos e internações de curta duração durante crises de abstinência e em casos de intoxicações graves. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para estimular a implantação desses espaços, o valor da diária de internação repassado pela pasta aos estados e municípios poderá ser quatro vezes maior – de R$ 57 para até R$ 200. – É muito bom ter um plano que tem o cuidado como grande prioridade. 
Temos que distinguir o que precisa ser distinto. O que precisa de repressão é o traficante e o contrabando. O usuário precisa de serviços abertos–  disse Padilha. O eixo prevenção terá foco nas escolas, nas comunidades e na comunicação com a população. Serão capacitados 210 mil educadores e 3,3 mil policiais militares para atuarem na prevenção ao uso de drogas em 42 mil escolas públicas. 
Líderes comunitários também devem receber capacitação até 2014. Serão feitas ainda campanhas específicas para informar, orientar e prevenir a população sobre o uso do cracke de outras drogas. No eixo autoridade, as ações policiais se concentrarão em duas frentes: nas fronteiras e nos centros consumidores. Entre as metas estão o policiamento ostensivo nos pontos de uso de drogas das cidades e a revitalização dos espaços que são reconhecidamente pontos de consumo. 
O eixo prevê ainda a atuação integrada das polícias estaduais com as polícias Federal e Rodoviária Federal na área de inteligência e investigação para identificar e prender traficantes e desarticular organizações de tráfico de drogas. –Não podemos ignorar essa realidade. 
Precisamos enfrentá-la–  disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “As equipes serão treinadas para orientar os usuários a procurar o serviço de saúde à disposição. As ações só começarão quando o serviço de saúde tiver condições de atender as pessoas”, acrescentou.
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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/producao-industrial-diminui-em-metade-dos-locais-pesquisados-pelo-ibge/339016/

Chega às livrarias ‘A Privataria tucana’

09.12.2011
Do blog ESQUERDOPATA, 08.12.11


Chega às livrarias ‘A Privataria tucana’, de Amaury Ribeiro Jr. CartaCapital relata o que há no livro.
Não, não era uma invenção ou uma desculpa esfarrapada. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. realmente preparava um livro sobre as falcatruas das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Neste fim de semana chega às livrarias “A Privataria Tucana”, resultado de 12 anos de trabalho do premiado repórter, que durante a campanha eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos. Ribeiro Jr. acabou indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da disputa presidencial.

Na edição que chega às bancas nesta sexta-feira 9, CartaCapital traz um relato exclusivo e minucioso do conteúdo do livro de 343 publicado pela Geração Editorial e uma entrevista com autor (reproduzida abaixo). A obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.

Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.

O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou  no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.

A Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação: a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.

Na entrevista a seguir, Ribeiro Jr. explica como reuniu os documentos para produzir o livro, refaz o caminho das disputas no PSDB e no PT que o colocaram no centro da campanha eleitoral de 2010 e afirma: “Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”.

CartaCapital: Por que você decidiu investigar o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso?

Amaury Ribeiro Jr.: Em 2000, quando eu era repórter de O Globo, tomei gosto pelo tema. Antes, minha área da atuação era a de reportagens sobre direitos humanos e crimes da ditadura militar. Mas, no início do século, começaram a estourar os escândalos a envolver Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro de campanha do PSDB e ex-diretor do Banco do Brasil). Então, comecei a investigar essa coisa de lavagem de dinheiro. Nunca mais abandonei esse tema. Minha vida profissional passou a ser sinônimo disso.

CC: Quem lhe pediu para investigar o envolvimento de José Serra nesse esquema de lavagem de dinheiro?

ARJ: Quando comecei, não tinha esse foco. Em 2007, depois de ter sido baleado em Brasília, voltei a trabalhar em Belo Horizonte, como repórter do Estado de Minas. Então, me pediram para investigar como Serra estava colocando espiões para bisbilhotar Aécio Neves, que era o governador do estado. Era uma informação que vinha de cima, do governo de Minas. Hoje, sabemos que isso era feito por uma empresa (a Fence, contratada por Serra), conforme eu explico no livro, que traz documentação mostrando que foi usado dinheiro público para isso.

CC: Ficou surpreso com o resultado da investigação?

ARJ: A apuração demonstrou aquilo que todo mundo sempre soube que Serra fazia. Na verdade, são duas coisas que o PSDB sempre fez: investigação dos adversários e esquemas de contrainformação. Isso ficou bem evidenciado em muitas ocasiões, como no caso da Lunus (que derrubou a candidatura de Roseana Sarney, então do PFL, em 2002) e o núcleo de inteligência da Anvisa (montado por Serra no Ministério da Saúde), com os personagens de sempre, Marcelo Itagiba (ex-delegado da PF e ex-deputado federal tucano) à frente. Uma coisa que não está no livro é que esse mesmo pessoal trabalhou na campanha de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, mas sob o comando de um jornalista de Brasília, Mino Pedrosa. Era uma turma que tinha também Dadá (Idalísio dos Santos, araponga da Aeronáutica) e Onézimo Souza (ex-delegado da PF).

CC: O que você foi fazer na campanha de Dilma Rousseff, em 2010?

ARJ: Um amigo, o jornalista Luiz Lanzetta, era o responsável pela assessoria de imprensa da campanha da Dilma. Ele me chamou porque estava preocupado com o vazamento geral de informações na casa onde se discutia a estratégia de campanha do PT, no Lago Sul de Brasília. Parecia claro que o pessoal do PSDB havia colocado gente para roubar informações. Mesmo em reuniões onde só estavam duas ou três pessoas, tudo aparecia na mídia no dia seguinte. Era uma situação totalmente complicada.

CC: Você foi chamado para acabar com os vazamentos?

ARJ: Eu fui chamado para dar uma orientação sobre o que fazer, intermediar um contrato com gente capaz de resolver o problema, o que acabou não acontecendo. Eu busquei ajuda com o Dadá, que me trouxe, em seguida, o ex-delegado Onézimo Souza. Não tinha nada de grampear ou investigar a vida de outros candidatos. Esse “núcleo de inteligência” que até Prêmio Esso deu nunca existiu, é uma mentira deliberada. Houve uma única reunião para se discutir o assunto, no restaurante Fritz (na Asa Sul de Brasília), mas logo depois eu percebi que tinha caído numa armadilha.

CC: Mas o que, exatamente, vocês pensavam em fazer com relação aos vazamentos?

ARJ: Havia dentro do grupo de Serra um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que tinha se desentendido com Marcelo Itagiba. O nome dele é Luiz Fernando Barcellos, conhecido na comunidade de informações como “agente Jardim”. A gente pensou em usá-lo como infiltrado, dentro do esquema de Serra, para chegar a quem, na campanha de Dilma, estava vazando informações. Mas essa ideia nunca foi posta em prática.

CC: Você é o responsável pela quebra de sigilo de tucanos e da filha de Serra, Verônica, na agência da Receita Federal de Mauá?

ARJ: Aquilo foi uma armação, pagaram para um despachante para me incriminar. Não conheço ninguém em Mauá, nunca estive lá. Aquilo faz parte do conhecido esquema de contrainformação, uma especialidade do PSDB.

CC: E por que o PSDB teria interesse em incriminá-lo?

ARJ: Ficou bem claro durante as eleições passadas que Serra tinha medo de esse meu livro vir à tona. Quando se descobriu o que eu tinha em mãos, uma fonte do PSDB veio me contar que Serra ficou atormentado, começou a tratar mal todo mundo, até jornalistas que o apoiavam. Entrou em pânico. Aí partiram para cima de mim, primeiro com a história de Eduardo Jorge Caldeira (vice-presidente do PSDB), depois, da filha do Serra, o que é uma piada, porque ela já estava incriminada, justamente por crime de quebra de sigilo. Eu acho, inclusive, que Eduardo Jorge estimulou essa coisa porque, no fundo, queria apavorar Serra. Ele nunca perdoou Serra por ter sido colocado de lado na campanha de 2010.

CC: Mas o fato é que José Serra conseguiu que sua matéria não fosse publicada no Estado de Minas.

ARJ: É verdade, a matéria não saiu. Ele ligou para o próprio Aécio para intervir no Estado de Minas e, de quebra, conseguiu um convite para ir à festa de 80 anos do jornal. Nenhuma novidade, porque todo mundo sabe que Serra tem mania de interferir em redações, que é um cara vingativo.

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A exemplo dos nazistas, Revista Veja dispensa democracia e prega 'pensamento único'

09.12.2011
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 07.12.11

VEJA está aturdida e indignada com a afirmação de que existe direito além da lei. Os nazistas também ficavam 
Reinaldo Azevedo é porta voz de publicações criminosas


Tolice suprema, coleção formidável de bobagens, condoreirismo cafona. 

Com esses e outros adjetivos ainda piores, o jornalista Reinaldo Azevedo iniciou, em seu blog, uma onda de ataques da revista VEJA à Associação Juízes para a Democracia (AJD).

Nos posts que buscavam detonar a associação por uma nota crítica à ação da Polícia Militar na USP, sobrou até para os educadores que seguem Paulo Freire: "idiotas brasileiros e cretinos semelhantes mundo afora".


Todavia, na edição impressa que veio às bancas no sábado último, o editor-executivo da revista subscreveu um texto que, sem qualquer constrangimento ou escrúpulo político, comparou a associação a um tribunal nazista.

O descompromisso com a razão nem é o que mais ressalta no artigo -a foto gigantesca de pupilos de Hitler, fora de tom ou propósito, só se explica como um ato falho. No artigo, Carlos Graieb utiliza expressões que se encaixariam perfeitamente no ideário nazista: propõe dissolver a associação "política" ou impedir que seus membros usem a toga.

Reinaldo Azevedo, com ainda menos pruridos no mundo virtual, explicitou, numa ação que evoca o macarthismo, os nomes de todos os diretores, representantes e membros de conselhos da entidade, alertando leitores para que jamais aceitem ser julgados por estes juízes. 

Que competência ou legitimidade para a posição soi-disant de corregedor ele tem não se sabe. Mas seus seguidores foram instados a identificar os juízes associados pelo próprio colunista, que deu status de artigo a mensagem de um advogado falando do desembargador 'liberal' apreciador de samba.

VEJA está aturdida e indignada com a afirmação de que existe direito além da lei. Os nazistas também ficavam, porque as barbáries escritas no período mais negro da história da humanidade eram legais. Jamais deixaram de ser barbáries por causa disso.

A prevalência dos princípios constitucionais é o que propunha, sem grandes novidades, a nota da Associação Juízes para a Democracia. Se juízes não podem fazê-lo em um estado democrático de direito, na tutela da Constituição que prometeram defender, algo definitivamente está errado.

Mesmo para quem conhece a linha editorial de VEJA, cuja partidarização na política é sobejamente criticada, espanta que o interesse em calar quem pensa de outra forma, parta justamente de um órgão de imprensa. 

Que a falta de pluralismo de suas páginas já fosse, por assim dizer, um oblíquo atentado à liberdade de expressão, o explícito intuito de extirpar opiniões contrárias não deixa de ser aterrorizador. Sob esse prisma, lembrar o nazismo não é mais do que medir o outro com a própria régua.

A Associação Juízes para a Democracia tem vinte anos de serviços prestados ao debate institucional na magistratura e fora dela - e eu me orgulho de fazer parte dessa história quase por inteiro. 

A AJD tem entre seus objetivos o respeito incondicional ao estado democrático de direito e jamais deixou de denunciar quando este se fez ameaçado. Bate-se sem cessar pela independência judicial e é militante na consideração do juiz como um garantidor de direitos.

A promoção permanente dos direitos humanos, compartilhada com inúmeras outras entidades da sociedade civil, sempre incomodou aos que se candidatam a porta-voz dos poderosos. Mas recusamos o propósito de quem quer fazer da democracia apenas uma promessa vazia.

A associação nunca se opôs a criticar o elitismo no próprio Judiciário, nem temeu se mostrar favorável à criação de um órgão para exercer o controle externo. Tudo por entender que desempenhamos, sobretudo, um serviço essencial ao público - o que levou a AJD a participar da Reforma do Judiciário propondo, entre outros temas, o fim das sessões secretas e das férias coletivas.

Anticorporativista, a associação jamais defendeu valores em benefícios próprios, o que pode ser incompreensível em certos ambientes. Recentemente, bateu-se pela legalidade da instauração de processos administrativos contra juízes pelo Conselho Nacional de Justiça, na contramão de interesses de classe.

Em vinte anos, seus membros têm sido convidados a participar de vários debates no Poder Judiciário, no Congresso Nacional e também na mídia.

Leia mais:


O exercício contínuo da liberdade de expressão, que fascistas de todo o gênero sempre pretenderam mutilar, não vai ceder ao intuito de quem pretende impor sua visão e seus conceitos como únicos. 

VEJA não está em condições de ensinar estado de direito, se desprestigia a liberdade de expressão.

Marcelo Semer, Terra Magazine

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