sábado, 26 de novembro de 2011

Quem comprava cocaína do Nem ? Quem o Nem comprava ?

26.11.2011
Do blog CONVERSA AFIADA, 21.11.11
Por Paulo Henrique Amorim



O nome dos compradores dele está no notebook


Domingo Espetacular exibiu neste domingo, na Rede Record, reportagem do produtor Ricardo Andreoni e deste ansioso blogueiro sobre as perguntas que a romaria de jornalistas da Globo à Rocinha não chegou a fazer:

- Quem comprava cocaína do Nem ? Quem sustentava o maior criminoso do Rio ?

- O Nem disse que metade de sua renda era para comprar policiais. Quem o Nem comprava ?

Sobre a primeira pergunta, a resposta é facil.

O notebook do Edu, o traficante que fazia o  delivery para o Nem, está na 14ª Delegacia do Rio, na Lagoa.

É só abrir o disco rígido.

Moleza.

Quem o Nem comprava ?

O ansioso blogueiro tem uma sugestão: perguntar ao delegado e aos dois investigadores da delegacia de Maricá, que fica a 60 km do Rio, e queriam levar o Nem, porque tinham negociado a rendição dele.

Talvez esses três notáveis agentes da Lei saibam quem o Nem comprava.

Quem comprava do Nem ? -  todo mundo na Rocinha sabe quem é.

Artistas, empresários, jogadores de futebol.

O Ricardo Andreoni não subiu de mototaxi, mas passou uma noite na Rocinha, a tomar cerveja com uns vizinhos do Nem.

Não conseguiu ninguém que falasse para a câmera.

Mas, soube que três jogadores da seleção do Ricardo Teixeira e do Brasileirinho da Globo passavam por lá.

Um deles, cauteloso, só subia depois de seu segurança assegurar que estava “tudo limpo”.

Esse  segurança do super-craque impunha tanto respeito no morro que os traficantes tratam ele de “cocô mole”.

E sobre os artistas ?

Quem comprava cocaína do Nem ?

Mole.

Este ansioso blogueiro entrevistou um simpático morador da Rocinha que coleciona autógrafos de artistas.

É só dar uma olhada na coleção dele.

Ou ficar ali, na moita.

Não precisa nem subir o morro.

Outro morador disse ao ansioso blogueiro que os que sustentavam o negócio do Nem compravam ali embaixo, mesmo, na saída do túnel.

Nem subiam.

E, claro, já tem outro no lugar do Nem.

E os que compravam do Nem comprarão do sucessor do Nem.

Business as usual.

A Globo, segundo o Mauricio Dias, na Carta Capital, quer fazer do Beltrame um novo Gabeira.

A Globo quer usar o Beltrame para emparedar o PT e a Dilma no Rio.

Isso talvez explique a nova paixão da Globo: o Beltrame.

Longe vai o tempo em que a elite do Rio chamava o Beltrame de “carniceiro” e marchava de branco na praia do Leblon para avisar que era da Paz.

A reportagem do ansioso blogueiro disse assim: a retomada da Rocinha foi uma vitória e pode ser uma derrota.

Este ansioso blogueiro desconfia que a gente vai saber quem comprava cocaína do Nem e que policiais o Nem comprava quando o Cerra se eleger Presidente.

Em tempo: liga o Vasco Moscoso de Aragão, capitão de longo curso, a poucas milhas de distância da mancha da Chevron do Cerra:

- Sabe de outro caderninho que sumiu ?

- Não, Vasco, que caderninho que sumiu ?

- O daquele velhinho que distribuía cocaína e que afundou no buraco do metrô do Cerra …

- Que buraco, o do presidente do metrô do Cerra, Vasco ?

- Não, meu filho. Naquela cratera ali ao lado do prédio da Abril. Lembra ?

- Sim ! Lembro do buraco do metrô do Cerra.

- Pois é, o caderninho sumiu.

- É verdade. E se jogarem o notebook do Edu no buraco do metrô do Cerra ?, pergunto.

Pano rápído.


Paulo Henrique Amorim
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/11/21/quem-comprava-cocaina-do-nem-quem-o-nem-comprava/

Greve geral contra medidas anticrise toma conta de Portugal

26.11.2011
Do site do jornal CORREIO DO BRASIL, 24.11.11
Por Por Redação, com Reuters- de Lisboa



Portugal
A greve geral de 24h em Portugalafeta aviões, transportes e serviços públicos
Trabalhadores portugueses iniciaram nesta quinta-feira uma greve geral de 24 horas contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo para obter um resgate financeiro internacional.
A paralisação afeta aviões, trens e serviços públicos. “A greve é geral, o ataque é global!”, gritavam manifestantes em um piquete no aeroporto de Lisboa, referindo-se àquilo que os sindicatos veem como um ataque aos direitos trabalhistas.
A chamada “troika” de investidores – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – exigiu que o governo centro-direitista demita funcionários públicos, eleve impostos e reduza salários, como contrapartida para a concessão de uma ajuda de 78 bilhões de euros (US$110 bilhões).
O país, com 11 milhões de habitantes, vive sua pior crise em várias décadas, refletindo a situação de outras nações endividadas da zona do euro. O governo anterior, socialista, caiu em março, depois de não conseguir aprovar no Parlamento o seu próprio pacote de austeridade, vendo-se obrigado a pedir socorro internacional.
Em Lisboa e no Porto, todos os voos internacionais foram cancelados, segundo o site da ANA (autoridade aeroportuária). Apenas serviços mínimos ligando Portugal continental às ilhas da Madeira e Açores foram mantidos.
Em Oeiras, nos arredores de Lisboa, a polícia precisou escoltar caminhões municipais de lixo para que atravessassem um piquete, mas não houve relatos de violência. A Justiça ordenou que os serviços essenciais sejam mantidos durante a greve.
-Com o que a troika está a fazer aqui, penso que temos razões para a greve. Pago minha previdência social desde 1981, por que vou ficar sem parte do meu bônus de Natal? Penso que está errado-, disse o maquinista Carlos Silva, de 45 anos.
Portugal foi o terceiro país da zona do euro a pedir resgate, depois da Grécia e da Irlanda, e agora se encaminha para a sua pior recessão desde a redemocratização, em 1974. A previsão é que a economia encolha 3% no ano que vem.
Para reduzir o déficit, o governo determinou medidas profundamente impopulares, como reduções nos bônus de fim de ano para todos os trabalhadores, e cancelamento de férias e bônus de fim de ano para o funcionalismo público no ano que vem.
As reformas incluem também cortes em todas as áreas, da saúde à TV pública, além de reformas nas leis trabalhistas e ampliação da jornada de trabalho em meia hora diária.
Há semanas as ruas de Lisboa estão tomadas por cartazes convocando a greve, embora o governo insista que não há solução para a crise que não exija medidas dolorosas.
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho diz que a prioridade do país é controlar a crise da dívida. “Cabe a mim tentar mobilizar os portugueses para a ação todos os dias, para contribuir com a transformação de Portugal”, disse.
Pelo pacote da “troika”, Portugal precisa reduzir seu déficit orçamentário de quase 10% do PIB em 2010 para 5,9% neste ano. Para 2012, Lisboa promete levar o déficit a 4,5%.

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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/greve-geral-em-portugal-contra-medidas-anticrise/332779/

BLOG MOBILIDADE URBANA: Número de acidentes em rodovias sob concessão é 12% menor do que nas públicas

26.11.2011
Do BLOG MOBILIDADE URBANA, 25.11.11
Postado por Tânia Passos

O número de acidentes nas rodovias brasileiras sob concessão é apenas 12% menor do que o registrado nas estradas públicas. A informação se refere ao ano de 2009 e faz parte de uma pesquisa divulgada pelo Núcleo CCR de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.
As rodovias com pedágios, geralmente melhores e com pistas duplas, deveriam registrar um número bem menor de acidentes, mas isso não ocorre devido ao mau comportamento dos motoristas brasileiros, segundo dados da pesquisa.
As informações revelaram que a maioria dos acidentes registrados em um trecho de 25.000 km de estradas brasileiras está relacionada com o comportamento de quem dirige. Segundo o coordenador do Núcleo, Paulo Resende, os acidentes estão ligados a fatores comportamentais, como excesso de velocidade, imprudência, manobras perigosas, falta de experiência na direção, entre outros.
De acordo com a pesquisa, a porcentagem de acidentes nas rodovias públicas em 2009 foi de 37,1% e nas rodovias sob concessão, 32,6%. Em relação aos acidentes envolvendo mortos, a porcentagem nas públicas foi de 6,16% e nas concedidas de 3,81%. Os acidentes com mortos nas sob concessão representam quase 40% a menos. Segundo Resende, os acidentes nas rodovias sob concessão são menos graves.
- Os principais acidentes nas rodovias concedidas são saída de pista e colisão. Eles têm a ver com velocidade e essa é a prova de que o motorista brasileiro não sabe ainda conviver com estradas boas, porque quando ele vê boas estradas ele pisa no acelerador.
Além de apontar o comportamento humano como a principal causa para os acidentes, a pesquisa também mostrou que os acidentes se concentram nos finais de semana. Para Resende, as batidas nos finais de semana apresentam características urbanas e rurais.
- O comportamento perigoso do consumidor, frequentemente encorajado por consumo de álcool e outras drogas, característico dos finais de semana, leva a um aumento nas taxas de acidentes assim como a um acréscimo nos acidentes com fatalidades neste período da semana.
Os principais tipos de acidentes de trânsito apontados no relatório são: colisão, principalmente a frontal e fora da pista dupla; o atropelamento, principalmente quando não há passarelas; e o abalroamento, que ocorre quando há mudança de pista e os carros batem na lateral. Apesar de ter diminuído de 2005 (41,55%) para 2009 (37,45%), a colisão ainda predomina entre os tipo de batida.
- Nós temos uma predominância no Brasil de colisão. No mundo inteiro ela tem uma relação muito grande com o comportamento do motorista. O próprio capotamento é um exemplo de acidente que ocorre quando o motorista imprime velocidade.
Fonte: R7

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Fonte:http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/index.php/2011/11/numero-de-acidentes-em-rodovias-sob-concessao-e-12-menor-do-que-nas-publicas/

LEO JAIME FAZ DECLARAÇÃO DE AMOR AO PARTIDO DE KASSAB

26.11.2011
Do blog ARMARINHO DA POLÍTICA, 21.10.11
Postado por Zé do Armarinho 


  O músico Leo Jaime acaba de se declarar ao PSD, o "Partido Somos Denorex"*, do prefeito Gilberto Kassab. A notícia veio pelo twitter do cantor, e retuitada aos quatro ventos pela sua colega na Globo Dora Kramer, cuja insuspeição, como se verá, no caso, é manifesta.




   Explica-se: este modesto bodegueiro encontrava-se vagando, nesta madrugada, pelo microblog, quando deparou-se com a seguinte postagem do conhecido músico:"Nem de direita, nem de esquerda. Eu sou honesto." Pasmem!




   A declaração, apesar de auto-explicável, merece algumas observações:




   a) Leo Jaime, ao contrário do que afirma, nesta questão não é honesto, pois quem faz declarações desta natureza, falta descaradamente com a verdade. Como sabido, toda a manifestação de distanciamento de posição política revela, na verdade, uma atitude conservadora, pois a falta de posicionamento diante da realidade política milita em favor da manutenção do status quo vigente, logo contrária à qualquer perspectiva de mudança (aliás, lembra muito aquela conversa fiada reacionária da despartidarização, tão em voga durante a ditadura de 64: "estudante deve estudar, trabalhador deve trabalhar - a política deve ser deixada com... os militares(!)";




   b) corrobora o acima asseverado a idéia, contida na afirmação, de que é honesto apenas quem não se posiciona politicamente (notem que ele sequer se afirma de centro embora, na realidade, esta posição política não exista); logo, segundo o músico, quem é de direita ou de esquerda, é desonesto. Magnífica lição. Com ela, Leo Jaime garantiu seu passaporte, juntamente com Lobão e Marcelo Madureira, para ser palestrante do próximo Fórum da Liberdade. 




   c) Dora adorou (desculpem o trocadilho) a declaração. Nada a estranhar para quem usa a profissão para defender as posições dos seus patrões para os quais, quanto mais alienada for a população em matéria de política, mais à vontade ficam para impor seus interesses escusos. Não se esqueçam que Leo Jaime também é empregado da Globo, no sofrível programa televisivo "Amor e Sexo".




   Nesta perspectiva, Leo Jaime cai bem ao partido "Denorex" de Kassab, partido o qual, nas palavras do seu líder maior, "não é de esquerda, nem de direita, nem de centro." Falta apenas assinar a ficha e lançar a candidatura. Com a bênção da tia Dora.
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* Para aqueles que não viveram a gloriosa década de 80, "Denorex" era uma marca de xampu anticaspa com um cheiro meio esquisito, cuja propaganda afirmava: "Denorex parece remédio mas não é". Daí criou-se um bordão popular, segundo o qual passou a se chamar "Denorex" tudo aquilo que parecia uma coisa mas, na verdade, era outra. 

Exatamente como o partido do Kassab.

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Fonte:http://armarinhodapolitica.blogspot.com/2011/10/leo-jaime-entra-para-o-partido-de.html

USINA DE BELO MONTE: Ignocentes e ecopalermas


26.11.2011
Do blog ESQUERDOPATA, 23.11.11
Por Rogério Cezar de Cerqueira Leite *
Notícias da Amazônia 


Belo Monte, a floresta e a árvore 


Que carnaval estão fazendo os ambientalistas e ecopalermas em torno da futura usina de Belo Monte, a ser implantada no médio Xingu, na Amazônia.


O primeiro crime, segundo eles, seria o sacrifício de 500 km² de mata, ou seja, a mesma área que, em média, tem sido desmatada a cada dois dias nesses últimos anos, devido ao comércio de madeiras e à invasão da soja e do gado na Amazônia.


Esse exército extemporâneo de Brancaleone é composto de conservacionistas de diversas espécies. Além de uma tribo de índios locais e de bem-intencionados, porém mal informados, estudantes e intelectuais, veem-se artistas de Hollywood e de outras culturas, malabaristas, fanfarrões e pseudointelectuais. Será que esses senhores deixaram de comprar móveis de mogno, ou se manifestaram perante seus governos, ou boicotaram a carne e a soja produzidas na Amazônia?


Será que percebem que a área alagada pelo projeto Belo Monte corresponde a tão somente 0,01% da Amazônia brasileira e que bastariam 0,025% do rebanho nacional de gado para invadi-la, dentro da média atual de ocupação? Ou seja, da maneira como está planejada Belo Monte, usina de fio d’água, não há no Brasil melhor opção do ponto de vista de sustentabilidade, que combine condições ecológicas e também financeiras.


Alguns talvez argumentem que, somando vários 0,01% do território da Amazônia, então se ocuparia parcela apreciável do território amazônico.


Ah, que bênção seria se tivéssemos mais uma meia dúzia de Belo Montes! Mas, infelizmente, não existem tais riquezas. Tudo bem, vão dizer os mais inteligentes e bem-intencionados “ignocentes” (neologismo composto por 50% de inocência + 50% de ignorância), mas e a biodiversidade?


Ora, qualquer espécie que esteja espontaneamente restrita a um território de 500 km², excetuando-se algumas confinadas a pequenas ilhas, já está em extinção. Só um ignorante pode pensar em perda de biodiversidade nessas circunstâncias. E é claro que muitos espécimes vão sucumbir, milhares, se não milhões de formigas, carunchos e talvez até alguns mamíferos. Em compensação, 20 milhões de brasileiros poderão ter luz em suas casas, muitos outros locais passarão a ter benefícios do progresso, poderão ver pela TV o “Programa do Ratinho”. Indústrias geradoras de emprego serão implantadas. É isso que os “ignocentes” não percebem. Eles veem a árvore, mas não percebem a floresta onde ela está inserida, sem a qual não pode a árvore sobreviver.


Quanto à questão social, é preciso lembrar que o caso de Belo Monte é muito diferente do de Três Gargantas, na China, onde a densidade da população ribeirinha era extremamente elevada. O governo chinês admite que precisou realocar 1 milhão de habitantes; outras organizações falam em 2 e até 3 milhões.


Em contraste, considera-se que, em Belo Monte, apenas dois ou três milhares de habitantes são computados e que, na mudança, ganhariam significativamente quanto a infraestrutura e conforto pessoal. Os índios da região amazônica são, em origem, seminômades, deslocando-se periodicamente sempre que recursos naturais se escasseiem devido ao extrativismo a que eles mesmos recorrem.


Portanto, dos pontos de vista cultural, psicológico e até mesmo material, contrariamente ao que pretendem alguns ambientalistas, o índio pouco ou nada sofrerá.


Vejamos por que são tão ingênuos esses bem-intencionados verdolengos. Se o Brasil for impedido de ampliar o aproveitamento do seu potencial hidroelétrico, será forçado a recorrer ao combustível fóssil, pois a energia eólica, embora desejável sob vários aspectos de sustentabilidade, não oferece segurança de fornecimento acima de certo nível de participação em um sistema integrado.


Além do mais, a distribuição de ventos pode mudar com as inexoráveis mudanças climáticas, devido ao aquecimento global. E, se jamais o pré-sal vier a se concretizar, não haverá como convencer os líderes governamentais de que usinas termoelétricas a óleo combustível serão prejudiciais à humanidade.


Será que tais ambientalistas não percebem que não deixam alternativa ao país senão o uso de combustíveis fósseis, o que acarretará, inelutavelmente, embora a longo prazo, a desertificação da Amazônia, dentre outras catástrofes? Com isso, não será apenas a meia dúzia de saimiris que perecerá nos 500 km 2 da usina Belo Monte, mas toda, ou quase toda, a biodiversidade da Amazônia e do resto do planeta.


Não percebem esses “ignocentes” que a usina e suas eventuais congêneres constituem a melhor arma que têm o Brasil e a humanidade para combater o aquecimento global e, com isso, defender a integridade da floresta Amazônica e das demais matas de todo o planeta?
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*ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 78, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha.
Fonte: Folha de SP
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/11/ignocentes-e-ecopalermas.html

Tariq Ali: “O extremo centro é uma forma de ditadura”

26.11.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 23.11.11
Por Solange Engelmann e Igor Felippe Santos, na página do MST

Tariq Ali visita ENFF em Guararema e afirma que lutas no mundo árabe continuam
Tariq Ali:
O escritor e ativista paquistanês Tariq Ali disse que a “principal referência de luta do Brasil é o MST”, em visita à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), na quinta-feira (17/11).
Ali apresentou uma análise de conjuntura internacional a 150 militantes do MST que estavam em reunião na escola e afirmou que “o movimento no mundo árabe continua acontecendo”.
“As revoltas no mundo árabe têm ligação direta com a crise econômica do capitalismo de 2008”, disse Ali. Segundo ele, já havia um clima de revolta nos países árabes causado por diversas razões, mas que estourou quando um comerciante da Tunísia não aceitou pagar propina a fiscais e ateou fogo ao próprio corpo.
Depois desse episódio, os protestos na Tunísia chegaram a mobilizar 10 milhões de pessoas e contagiaram toda a região. “O movimento se espalhou como fogo em todos os países árabes”, contou.
O ativista paquistanês disse que, apesar de nunca ter sido apoiador de Muammar Kaddafi, os bombardeios da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e dos Estados Unidos na Líbia para derrubá-lo foram para “desviar a atenção” das mobilizações por liberdade, independência do imperialismo e melhores condições de vida na região. “Ditadura deve ser derrubada pelo seu próprio povo”, defendeu.
Ocidente
Ali comemorou que as mobilizações do mundo árabe chegaram ao ocidente, provocando protestos nos países europeus e nos Estados Unidos, como o “Ocuppy Wall Street”, que mobiliza jovens contra a desigualdade social e o sistema financeiro.
Tariq Ali avalia que esses protestos têm como referência as lutas realizadas nos países árabes, tanto que a palavra de ordem é “somos todos Egito”. “O exemplo do mundo árabe chegou ao ocidente”, acredita.
Para ele, o neoliberalismo provocou um extremismo das relações de mercado, gerando grandes contradições sociais. “O que o neoliberalismo tem causado no ocidente é interessante. Criou-se um extremismo de centro, em que impera o fundamentalismo do mercado, com o objetivo central de aumentar os lucros. Mas 80% da população é contra essas políticas”, explicou.
Segundo ele, os governos não controlam as suas economias, que são dirigidas por bancos, e se construiu um bloco político formado pelos partidos de direita e por partidos moderados de esquerda, que seguem as receitas neoliberais e o fundamentalismo do mercado. “Os Estados Unidos e a Europa vivem a ditadura do extremo centro. O extremo centro é uma forma de ditadura”, afirmou.
O desafio dos setores sociais em luta que se colocam contra esse modelo, de acordo com Ali, é “construir um movimento social permanente e organização política para confrontar o extremo centro”.
Para ele, um obstáculo que deve ser superado é a fragmentação da esquerda, que está dividida em pequenos grupos que não se entendem, ao mesmo tempo em que há um grande movimento de massa, sem reivindicações e formas de organização mais permanentes, formado por jovens que se colocam contra tudo o que se relaciona ao que entendem por política.
Apesar das fragilidades, Ali avalia que esses protestos têm o êxito de demonstrar que as pessoas estão acordando para as contradições do sistema capitalista e podem ser o primeiro sinal de um movimento contestatório no ocidente.
Ele defende que as lutas sociais e econômicas devem estar ligadas aos movimentos pela salvação do planeta e contra o capitalismo neoliberal. “O capitalismo teve pelo menos dez crises, e com a ajuda do Estado vem se regenerando, enquanto que o socialismo falhou uma única vez e já se afirmou não ser mais possível”.
Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/a-visita-de-tariq-ali-ao-mst.html