segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Roubalheira em São Paulo não tem paternidade definida

21.11.2011
Do blog ESQUERDOPATA, 19.11.11



Justiça paralisa obras da Linha 5-Lilás do Metrô e manda afastar Avelleda

Segundo MP, modelo de licitação para ampliar ramal causou prejuízo de R$ 327 milhões

SÃO PAULO - A juíza Simone Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, determinou a paralisação da obras de ampliação da Linha 5-Lilás do Metrô e o afastamento de Sérgio Avelleda da presidência da Companhia. A decisão veio após uma ação do Ministério Público Estadual (MPE) de improbidade administrativa.

Além de Avelleda, os diretores de seis consórcios de empreiteiras que assinaram o contrato para o prolongamento da Linha 5 são processados. No pedido, um laudo aponta um suposto prejuízo de R$ 327 milhões para o Metrô causado pelo modelo de edital da licitação da Linha 5, conforme havia sido divulgado pelo Estado em março.

A suposta distorção ocorreu porque o edital previa que as empresas só podiam vencer um dos oito lotes em disputa. Isso significa que o ganhador do lote 1, por exemplo, não teria as propostas para os demais trechos abertas. Assim, mesmo que oferecesse uma proposta mais barata, estaria desclassificada porque a autora havia ganho o trecho anterior.

Em nota, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos e o Metrô afirmam que recorrerão da decisão por uma questão de justiça. "O pedido de afastamento de Sérgio Avelleda se mostra totalmente descabido, uma vez que a licitação não foi feita em sua gestão e que a decisão de prosseguir os contratos foi tomada por toda a diretoria do Metrô com base no processo administrativo".

Além disso, o comunicado afirma que não houve prejuízo conforme a denúncia do MPE. "Este cálculo, equivocado e rudimentar, parte de pressupostos errados que nunca fizeram parte deste edital. A empresa que ofereceu menor preço em diversos lotes já havia vencido a primeira licitação, realizada um ano antes, e, portanto, sabia que, pelas regras deste edital, estava impedida de ganhar novos lotes. Deste modo, não há como se falar em economia de R$ 327 milhões. Se as regras fossem as desejadas pelo Ministério Público, as propostas seriam outras, certamente mais altas."

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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/11/roubalheira-em-sao-paulo-nao-tem.html

WikiLeaks mostra telegramas em que José Serra queria entregar Pré-Sal para os americanos

21.11.2011
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 13.10.2010


Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal


Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse


Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo 

As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos.  A Folha outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.

"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta", disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado."O modelo atual impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras", disse Biasoto, responsável pela área de energia do programa. "Havia muito ceticismo quanto à possibilidade de o pré-sal ter exploração razoável com a mudança de marcos regulatórios que foi realizada."

Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. "Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor", disse.

O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem "senso de urgência". Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: "Vocês vão e voltam".

A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio.

A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês.

Desde 1997, quando acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão.Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso.Com a descoberta dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.

Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.

Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como "operadora-chefe" também é relatado com preocupação.

O consulado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam "turbinar" a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.O consulado cita que o Brasil se tornará um "player" importante no mercado de energia internacional.

Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque "o PMDB precisa de uma companhia".

Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área de influência brasileira.Na Folha tucana

Serra queria vender o Brasil

O então candidato da oposição, José Serra, não tenha expressado "um senso de urgência para a questão". O cônsul confirma a percepção da executiva ao escrever que fontes do Congresso disseram que Serra recomendara ao PSDB e outros partidos da oposição que fizessem emendas aos projetos, mas não se opusessem a eles.

Diante desse cenário, a estratégia das petrolíferas para barrar a aprovação do novo marco do pré-sal seria fazer lobby no Senado por meio do IBP e de outras entidades como Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Embora, na sua avaliação, Hearn tenha escrito que a mudança na Lei do Petróleo pode afetar o interesse das companhias americanas, em diversos outros telegramas as empresas reafirmam sua intenção de permanecer no Brasil, mesmo com a alteração nas regras.

Nos telegramas, é claro o entusiasmo dos americanos com José Serra e  com o pré-sal, chamado pela ex-cônsul Elizabeth Lee Martinez de "nova excitante descoberta" e "oportunidade de ouro" para as empresas americanas oferecerem tecnologia para a exploração.

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/12/wikileaks-mostra-telegramas-em-que-jose.html

APÓS A DERROTA DE HITLER, BRASIL ACOLHEU NAZISTAS DE BRAÇOS ABERTOS

21.11.2011
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA, 19.11.11
Por Celso Lungaretti

Quando os reacionários de dois continentes tudo faziam para obter a cabeça do escritor Cesare Battisti, era frequentemente citado um caso de direitista cuja extradição havia sido negada pelo Brasil sem que nossa  imprensa canalha manifestasse, nem de longe, a mesma indignação: o ditador paraguaio Alfredo Stroessner.

O bom baiano Ismar de Souza acaba de reavivar minhas lembranças de um episódio ainda mais chocante.

Embora ausente do julgamento de Nuremberg, o nazista Gustav Franz Wagner foi condenado à prisão perpétua por haver comandado um campo de extermínio em Sobibor (Polônia) no qual foram executados 250 mil judeus, tendo recebido a Cruz de Ferro por sua eficiência em erradicar as  raças inferiores.

Fugiu para o Brasil e, sob identidade falsa, estava morando num sítio da região de Atibaia (SP), quando, em 1978, caiu na besteira de comparecer ao Deops para desmentir notícia de que participara de uma festa em homenagem a Hitler. 

Reconhecido, detido e logo transferido para uma clínica psiquiátrica, teve sua extradição solicitada por Israel, Áustria e Alemanha. Acusação: sequestro e assassinato em massa. 

Ele, indiscutivelmente, fazia por merecer o apelido de carniceiro de Sorbibor.

O que não impediu o Supremo Tribunal Federal de rejeitar, quase sem debates, os dois primeiros pedidos.

O terceiro rendeu mais papo pra manga. O STF, contudo, acabou concluindo por 8x2 que a pena já estava prescrita pelo Direito alemão (embora não o estivesse pelo Direito brasileiro...).

Ou seja, considerou-se mais qualificado do que os alemães para interpretar as leis alemãs.

Exatamente o que tanto escandalizou a nossa direitalha quando o ex-ministro da Justiça Tarso Genro -- respaldado em ninguém menos do que o maior jurista italiano do século passado, Norberto Bobbio -- aludiu às leis de exceção vigentes na Itália durante os  anos de chumbo, quando o Estado tinha o direito de manter sob PRISÃO PREVENTIVA um SUSPEITO de subversão armada por MAIS DE DEZ ANOS!

ALELUIA, GRETCHEN

Pior: Wagner não foi caso isolado de nazista acolhido de braços abertos pelo Brasil.

Historiadores concluíram (ver aqui) que isto se deu com o conhecimento e anuência do presidente Eurico Gaspar Dutra, antigo simpatizante do nazi-fascismo:
"Havia na época uma circular secreta, datada de 1947, que restringia a entrada de judeus no Brasil. Em contrapartida, existia uma missão diplomática em Berlim que não se acanhava em ludibriar a lei para facilitar o ingresso de funcionários do III Reich no País" (professora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP).
"Tudo indica que houve facilitação da entrada de empresários nazistas no Brasil por iniciativa pessoal de Dutra" (Marionilde Brephol Magalhães, autora do livro Pangermanismo e Nazismo - A Trajetória Alemã Rumo ao Brasil).
Libertado, Wagner voltou ao seu sítio e, em menos de dois anos, cometeu suicídio.

Que o diabo o tenha e guarde.

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Fonte:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2011/11/apos-derrota-de-hitler-brasil-acolheu.html

Caio Toledo: Folha reabilita o ideólogo da ditabranda

21.11.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 19.11.11
Por Caio Navarro de Toledo

Os editores da Folha de S. Paulo sempre se regozijam com os resultados de pesquisas que asseguram que, do ponto de vista de sua formação escolar, os leitores do jornal seriam “altamente qualificados” (74% teriam cursado o ensino superior e 24% o ensino médio).
É possível afirmar  também que, desde o final da ditadura militar, o jornal passou a abrir suas páginas para uma colaboração regular de acadêmicos e intelectuais críticos (a “campanha das diretas já” talvez tenha se constituído em momento privilegiado do congraçamento com esses setores). Creio que os vínculos com a academia se acentuaram quando os editores e colunistas do jornal (com cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado) passam a ser recrutados nas várias unidades de ensino e pesquisa das universidades públicas paulistas, em particular da USP.
Por meio de seus editores, alguns intelectuais e acadêmicos – vários deles de esquerda e alguns, inclusive, de convicções marxistas – são convidados a escrever colunas semanais enquanto outros têm artigos, entrevistas e depoimentos publicados nas diferentes seções do jornal  (economia, política nacional e internacional, cultura, educação etc.); igualmente, escrevem cartas, têm seus livros resenhados, pedem que abaixo-assinados com fins acadêmicos e políticos sejam divulgados etc.(*)
Na inexistência de jornais ou revistas definidamente de esquerda e ampla circulação nacional – que poderiam servir de canal alternativo à grande mídia –, uma parte dos acadêmicos críticos e intelectuais socialistas acredita que é imprescindível travar o combate ideológico dentro dos meios de comunicação da burguesia. Embora possam ser críticos da linha editorial da Folha, muitos intelectuais e acadêmicos de esquerda não deixam de assinar o jornal e alguns destes colaboradores sentem-se prestigiados quando vêem seus textos ali reproduzidos. Assim, publicar na Folha ou ter seu livro ali discutido passa a ser uma prova de reconhecimento intelectual mais apreciada do que, inclusive, ver um texto ou uma resenha de livro divulgada em algumas revistas acadêmicas dirigidas por seus próprios pares.
Mas nem todos pensam assim. Sob uma outra perspectiva, existem aqueles, dentro das esquerdas, que são críticos da colaboração com a grande imprensa, particularmente com a Folha de S. Paulo posto que isso implicaria legitimar os aparelhos de hegemonia das classes dominantes. Em seu blog, a jornalista Eliane Tavares foi categórica:
“No que diz respeito aos jornalões nacionais como GloboFolha de S. Paulo Estadão, nunca houve dúvidas sobre o que eles defendem. Por isso sempre me causou espécie ver a intelectualidade brasileira de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistiam em dizer que era o `mais democrático´ ou que `pelo menos abria um espaço para a diferença´” .
Embora o duradouro namoro entre a Folha e os acadêmicos de esquerda tenha sofrido um relativo abalo com o episódio do malfadado editorial “Limites a Chavez” (25/2/2009) – que denominou de “ditabranda” o período do regime militar pós-1964 –, alguns acadêmicos e intelectuais socialistas, talvez hoje em menor quantidade, continuam colaborando regularmente com o jornal. Importante lembrar também que o “episódio da ditabranda” provocou intensos protestos pela internet e uma expressiva manifestação de leitores, militantes sociais e blogueiros diante da sede da Folha; versões informam que centenas de assinaturas do jornal foram canceladas a fim de expressar o repúdio pela falsificação histórica e ofensa à memória de brasileiros e brasileiras mortos pela ditadura militar. (Um relato circunstanciado e analítico do episódio pode ser consultado AQUI)
Acredito que o recente caso da militarização do campus da USP poderá contribuir para lançar novas luzes sobre a ambivalente relação entre os intelectuais/acadêmicos e a Folha. Além da publicação de vários artigos de colunistas do jornal apoiando a presença da PM no campus da USP, deve-se destacar um fato: numa edição dominical, a Folha tomou a iniciativa de publicar um artigo de autoria de um jornalista que o conjunto da grande imprensa brasileira, nos últimos anos, havia decidido “colocar de quarentena”. Sabe-se que as editorias de O Globo, JB, O Estado de S. Paulo, Zero Hora, Veja, Época etc., hoje, dispensam os “bons serviços” do sr. Olavo de Carvalho. [Atualmente o ultradireitismo desse publicista é difundido em suas páginas na internet e reproduzido em blogs e sites inequivocadamente anti-esquerda (“Terrorismo nunca mais”, “Mídia sem Máscara” e outros), em artigos e livros de militares etc.]
Embora de orientação conservadora ou liberal, os maiores veículos de comunicação do país, entre outras razões, afastaram o “filósofo” pelos problemas criados por seu estilo de intervenção; além de substituir a argumentação racional pela desqualificação pessoal dos autores dos quais diverge, sempre adota em seus textos uma linguagem desabrida e utiliza a verrina como arma contra os adversários políticos e ideológicos.
Não cabe aqui examinar o caráter e o significado do panfletarismo arqui-conservador desse senhor. Temos nítida consciência da pertinente questão crítica que a nós seria feita caso cometêssemos este desatino: examinar os trabalhos do “filósofo de Campinas” não seria pura vacuidade intelectual ou “render-se ao seu jogo”? Isto posto, cabe sublinhar que apenas nos interessa aqui indagar as razões da Folha reabilitar um autor que outras publicações da grande imprensa brasileira, de forma sensata, hoje ignoram.
Por que, agora, a Folha de S. Paulo – que exalta a sofisticação e o refinamento intelectual de seus colaboradores – reabilitou um jornalista cujos escritos não seriam aceitos por qualquer direção de jornal orientado por um criterioso manual de redação? No artigo que o jornal acaba de publicar (seção “Tendências e debates” , 13/11/2011), por exemplo, afirma-se a USP está controlada pelas esquerdas: ontem, “stalinistas, trotskistas, maoístas etc.”; hoje, “pela estratégia gramsciana, que integra como instrumentos de guerra cultural o ´sex lib´, a apologia das drogas e a legitimação da criminalidade como expressão do “grito dos oprimidos”. Tendo em vista que, hoje, “não existe direita no jornalismo brasileiro”(1964. 31 de março, p. 122), a conclusão desta catilinária não pode ser outra: o ideário presente na USP é, “a ideologia, em suma, da própria Folha de S. Paulo. Em suma, ficamos sabendo que a Folha de S. Paulo é um periódico de esquerda tal como o conjunto da elitista Universidade de São Paulo!
Deixando de comentar esta autêntica peça de ficção, é de se indagar se as razões da iniciativa da Folhanão se explicariam em virtude das afinidades hoje existentes entre a direção do jornal e o “filósofo paulista” quando ambos examinam o regime de 1964. Como se desconhece uma autocrítica séria e consistente feita pela Folha sobre o emprego da noção “ditabranda” no editorial citado, deve-se reconhecer que continuariam existindo concordâncias entre a direção do jornal e o publicista sobre o assunto. Vejamos o que o jornalista, em várias ocasiões, escreveu:
“muita gente na própria esquerda já admitiu (…) a contribuição positiva do regime militar à consolidação de uma economia voltada predominantemente para o mercado interno – uma condição básica da soberania nacional. Tendo em vista o preço modesto que esta nação pagou, em vidas humanas, para a eliminação daquele mal (a ameaça totalitária representada pelo comunismo no pré-1964, CNT) e a conquista deste bem, não estaria na hora de repensar a Revolução de 1964 e remover a pesada crosta de slogans pejorativos que ainda encobre a sua realidade histórica?” (O Globo de 19/1/1999) (negrito meu).
É também esclarecedora uma alocução dele dirigida aos militares brasileiros em livro editado pela Biblioteca do Exército,
“Não temos que nos (sic) envergonhar do que foi feito de bom durante todo o período militar, e, sobretudo, ninguém que tenha participado do regime de 1964 tem que abaixar a cabeça perante esses criminosos (comunistas brasileiros, CNT) que são cúmplices do genocídio (…) Não devemos permitir que essa gente julgue ninguém, pois eles não têm autoridade. Nosso dever é mostrar exatamente como eles têm sido e como estão comprometidos com o mal”.  1964. 31 de março, 2003. p. 144.
Provavelmente, nenhum editorial da FSP – com exceção do trecho do “mal menor” ou do “preço modesto” – endossaria os candentes termos presentes nas citações acima. Mas a questão persistiria: conhecendo as radicais opiniões desse autor – apoiador incondicional dos (modestos!) “crimes da ditadura” –, por que aFolha apela para esta voz justamente numa conjuntura na qual acadêmicos e intelectuais pedem a desmilitarização do campus da USP?  Por que a Folha de S. Paulo apela para a voz deste proeminente ideólogo civil do regime militar de 1964, justamente numa conjuntura em que amplos setores da sociedade brasileira se mobilizam para que a Comissão da Verdade e Justiça consiga revelar e promover a verdade histórica sobre todo o período da ditadura militar, o esclarecimento dos fatos e as responsabilidades institucionais, à semelhança do que em ocorrendo no âmbito internacional?
Ao publicar o frágil e inconsistente “A USP e a Folha” – uma imposição de setores da ultra-direita brasileira (ou uma estratégica argumentativa visando reforçar a versão do “pluralismo das idéias” praticado pelo jornal) ? –, a pergunta se imporia: quem a Folha buscaria iludir?
Por último, é cedo para se saber se está em curso uma inflexão ainda mais à direita na Folha de S. Paulo. Pode-se, no entanto, concluir que a sistemática crítica aos estudantes e docentes da USP que resistem à militarização do campus – agora reforçada com a colaboração de um dos ideólogos daditabranda – não é um bom sinal para os leitores progressistas e intelectuais de esquerda que aceitam colaborar com o jornal.
* Destaque-se, a este respeito, que, em setembro de 2005, sob o título “Intelectuais de esquerda criticam blindagem de Lula”, a FSP divulgou amplamente um abaixo-assinado organizado por acadêmicos marxistas da USP e da Unicamp.  O caráter polêmico do abaixo-assinado residia no fato de que ele admitia – logo no início do debate sobre o chamado “mensalão” – a hipótese da instauração de um processo de impeachmentcontra Lula da Silva. Sabe-se que outros intelectuais e acadêmicos de esquerda não apoiaram o abaixo-assinado; criticava-se o fato desta iniciativa pouco se distinguir da “campanha neoudenista” orquestrada por partidos e mídia conservadora.
Caio Navarro de Toledo é professor aposentado do Departamento de Ciência Política, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, da Unicamp.
Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/caio-toledo-folha-reabilita-o-ideologo-da-ditabranda.html

Al-Qaeda neoliberal ameaça Europa


21.11.2011
Do blog ESQUERDOPATA, 17.11.11
Por Paulo Moreira Leite 


Fanáticos pelo mercado ameaçam Europa 


Pouco a pouco, começam a ficar claros os problemas reais e os problemas imaginários que empurram a Europa para perto do abismo e podem jogar a economia mundial num pesadelo medonho.


Há um problema institucional real. A crise européia é uma típica crise de demanda que, aprende-se nos manuais econômicos, deve ser enfrentada por medidas anti-cíclicas de crescimento. O problema: o Banco Central Europeu, que costuma desempenhar esse papel em qualquer parte do mundo, não tem a mesma liberdade para agir no Velho Mundo. O BCE não pode imprimir dinheiro comprando titulos diretamente do tesouro de cada país, medida que seria útil para manter uma oferta de crédito capaz de estimular a economia.


Mas há um problema político. Nada impede – teoricamente – o Banco Central europeu de comprar títulos nacionais nos mercados. O efeito traria benefícios semelhantes e poderia jogar a crise para longe. Mas o BCE resiste a tomar essas medidas. O BCE até tem feito compras, mas gasta pouco: algo como 187 bilhões de euros, ou apenas 10% de seus gastos, nos últimos doze meses, quando seu infeliz ex-presidente dizia que a prioridade da instituição era combater a inflação. Na semana passada, enquanto os juros italianos explodiam, o BCE fez compras ainda mais modestas, no valor de 4,5 bilhões de euros, ou a metade dos gastos de uma semana antes, quando a crise ainda não era tão grave. É claro que, se tivesse feito compras num volume maior, os juros italianos não teriam atingido um nível recorde.


E também é certo que, se o BCE deixasse claro que essa seria sua política até a crise sumir do horizonte, os juros começariam a baixar e os mercados iriam dirigir sua cobiça para outros lugares.


É certo que nem todos os problemas da Europa estariam resolvidos. Mas, pelo menos, estariam encaminhados sob outra perspectiva. Haveria tranquilidade política para se discutir o que fazer daqui para a frente.


Mas o BCE não faz isso e é duvidoso que comece a fazê-lo. A certeza de que há novas chances de ganhos para os mercados foi a alta nos juros que os
franceses tiveram de pagar nos últimos dias para rolar suas próprias dívidas. Não foi uma alta recorde mas foi uma alta suficiente para deixar Nicolas Sarkozy
falando sòzinho, sem direito à coreografia de vice-rei europeu ao lado da monarca absolutista Angela Merkel.


Há outra distorção, porém. Num artigo publicado na primeira página do Internacional Herald Tribune, em 15/11/2011, e que é fonte dos dados que usei acima, Jack Ewing observa:
“Desde o começo da crise financeira, o BCE tem emprestado aos bancos privados da zona do euro todo o dinheiro que eles desejam, tentando manter a liquidiz que é o sistema circulatorio do sistema financeiro global. Mas porque o BCE tem-se  recusado a oferecer o mesmo serviço a países como Italia e Espanha, não está enfrentando o problema fundamental da área do euro. E assim os governo endividados têm de pagar altos juros para pegar dinheiro no mercado.”


Embora o desastre esteja cada vez mais visível, essa postura do BCE  tem o respaldo de grandes instituições financeiras e mesmo do governo alemão e até agora dos franceses. Todos concordam com os empréstimos aos bancos privados, que cumprem a função – necessária – de impedir sua falência. Mas condenam toda medida capaz de salvar países que podem quebrar – o que é mais necessário ainda. Com variações de ênfase, todos insistem na mesma linha: tanto a Espanha, como a Italia, podem sair da crise financeira. O que lhes falta não é apoio financeiro, mas vontade política, dizem.  Só não se esclarece o principal: vontade política para que? Simples: é vontade para enfrentar a população de seus países e obrigá-la a aceitar cortes nas aposentadorias, elevação do desemprego, redução no consumo das famílias. Por essa razão George Papandreou foi forçado a renunciar ao governo da Grécia e parar com aquela brincadeira de mau gosto chamada referendo e Silvio Berlusconi foi demitido sem bunga-bunga.


O risco de um futuro socialmente horroroso está claro.


Se o BCE mantiver seu comportamento atual, o avanço da crise irá quebrar os governos europeus e derrubar diversas economias, uma apos a outra. O estado do Bem-Estar social será inviabilizado por falta de receitas, que só podem ser obtidas com desemprego baixo, salários em dia e consumo em alta. A Europa entrará naquele processo clássico  chamado de “destruição criadora.” Após as ruínas do modelo atual, pode surgir no fim do funel um novo desenho economico, baseado mão-de-obra barata, em serviços públicos desmoralizados, num salve-se quem puder autorizado pelos mercados.


Há muitos anos que os fanáticos pelo mercado sonham com essa oportunidade. Estão convencidos, sinceramente, de que o mundo ficará melhor desse jeito — ao menos para eles e os poucos que puderem participar de sua festa.  Acham que as garantias sociais ameaçam a liberdade das pessoas e são um fardo para o crescimento. Não chegam ao extremo de identificar bem-estar social e comunismo, como a direita americana, mas se aproximam.


Dizem isso. Escrevem.  Essa visão deixa sem ação  boa parte dos governantes europeus, que não ousam ferir nenhum centavo destes interesses. Assistem ao desastre e, hipocritamente, dizem lamentar-se pelo sofrimento dos que não tem como se defender.


Este é o jogo na Europa, hoje.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/11/al-qaeda-neoliberal-ameaca-europa.html