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domingo, 6 de novembro de 2011

Número de matrículas no ensino superior cresce 6%, mostra censo

06.11.2011
Da Agência Brasil, 05/11/2011 
Educação
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O número de estudantes brasileiros matriculados no ensino superior chegou a 6,38 milhões em 2010 – patamar 6,7% superior ao registrado em 2009. É o que mostram dados preliminares do Censo da Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC). A meta do governo, incluída no Plano Nacional de Educação (PNE), é atingir 10 milhões de matrículas até 2020.

Para o secretário de Ensino Superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, o crescimento das matrículas deverá ser maior nos próximos anos. Isso porque, segundo ele, a expansão das vagas nas universidades federais, iniciada em 2007, ainda não se consolidou. “Esses programas já garantiram um aumento, mas ele será ainda maior nos últimos anos. O alicerce está perfeito e as coisas estão caminhando dentro de um projeto estruturado”, avaliou.

As instituições públicas de ensino superior foram responsáveis por 310 mil novas matrículas e o setor privado por 120 mil, totalizando 430 mil novos estudantes. Entre 2008 e 2009, o crescimento tinha sido de 2%. Apesar do esforço do MEC para aumentar o número de alunos nas instituições públicas, a proporção de matrículas entre os estabelecimentos privados e públicos continua desigual. Segundo os dados preliminares do censo, quase 75% das matrículas estão nas instituições privadas, patamar semelhante ao verificado em anos anteriores. Para Costa, os efeitos de programas como o de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades (Reuni) ainda não foram "completamente sentidos".

“As vagas nas federais duplicaram, mas as matrículas ainda estão respondendo. Quando você abre um determinado número de vagas, as matrículas só se consolidam em cinco anos [à medida que as turmas avançam]. Na educação não há respostas imediatas, mas a médio prazo”, acrescentou.

Ainda que haja um aumento nas vagas das universidades públicas, o secretário considerou que não será possível atingir a marca de 10 milhões de estudantes no ensino superior sem o setor privado. Como as mensalidades ainda são inacessíveis para boa parte do público que está fora do ensino superior, a aposta do ministério é na expansão das bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

“No mundo inteiro você tem a presença do setor privado, seja em maior ou menor quantidade. Se você observar, a instituição mais bem avaliada nos Estados Unidos é Harvard, que é privada. No Japão e na Coreia também há forte presença do setor privado, mas a qualidade da educação é extremamente regulada. Por uma série de razões, nós temos a presença das instituições particulares com as públicas, o importante é que todas sejam compromissadas com a qualidade. Esse controle continuará sendo feito para que a expansão continue dentro desse princípio”, disse.

Edição: Graça Adjuto
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RAMONET ACREDITA QUE JORNALISMO VIVE CRISE

06.11.2011
Do blog FAZENDO MEDIA, 
Por Luciane Agnez, 05.11.2011



Foto:reprodução
Embaixada da República Bolivariana da Venezuela realizou na terça-feira (1), a conferência “O papel dos meios de comunicação no contexto da crise mundial”, com a presença do jornalista Ignacio Ramonet, pesquisador e ex-diretor do jornal Le Monde Diplomatique, e do ex-ministro das comunicações da Venezuela, Jesse Chacón. O evento, que aconteceu no Memorial Darcy Ribeiro, na Universidade de Brasília, fez parte das iniciativas para integração das nações que compõem a Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA). A mesa foi presidida pelo Embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sánchez Arveláiz.
Ignacio Ramonet levantou reflexões sobre a revolução promovida pelas novas tecnologias, que estão mudando o panorama das comunicações em todo o mundo. Nesse contexto, a imprensa vivencia a maior crise desde o surgimento do chamado jornalismo de massa, há apenas 150 anos. A atmosfera midiática é diferente de 20 anos atrás.
O jornalista explica isso por uma metáfora: há milhões de anos, no fim da Era Jurássica, uma chuva de meteoros que atingiu a Terra, extinguindo os dinossauros e mudando o ecossistema do planeta. “A internet é o novo meteoro que vem alterar o ecossistema midiático”, afirmou. A consequência inevitável é a extinção de alguns tipos de mídia, principalmente no meio impresso, como já vem ocorrendo – muitos jornais desaparecerão. A crise já se mostra mais intensa nos Estados Unidos, onde, na última década, mais de 150 jornais fecharam e houve a redução de cerca de 20 mil empregos.
Ramonet alerta que o impacto da internet não ocorre apenas no meio impresso. Os canais de TV com notícias 24 horas, como a CNN, também enfrentam uma greve crise econômica, muito diferente do sistema de televisão que vivia seu auge no final da década de 1990. “Os canais de informação contínua estão com dificuldades de concorrer com a internet. O principal canal da Espanha fechou, por exemplo”, contou o jornalista.
Por outro lado, o desenvolvimento das redes sociais e dos blogs representa um avanço impossível de ser freado: há novos atores no processo de comunicação que não podem ser ignorados. “Também não quer dizer que esse cenário irá se estabilizar. Há 20 anos, o fenômeno era a CNN. Se esse nosso encontro fosse há três anos, possivelmente não falaríamos de Twitter ou de Facebook. A principal característica da realidade contemporânea é o movimento constante”, explicou Ramonet.
Ramonet também comentou sobre o tema de um de seus livros publicados: “Vivemos num estado de insegurança da informação, não podemos confiar nem no que é publicado na primeira página de um jornal”. Mas ele fez um alerta: “nunca foi feito esse tal ‘bom jornalismo’, nunca houve essa ‘era de ouro’, sempre foi difícil realizar esse jornalismo de qualidade”. Os desafios de antes – e de agora – é a permanente negociação entre a imprensa e os poderes político e econômico estabelecidos.
Um fato é incontestável: o jornalismo perdeu o monopólio da informação. Todos podem, hoje, consultar, acessar e produzir informações. Para Ramonet, “todos podemos ser jornalistas. Talvez não ‘bons’ jornalistas, mas com certeza não existe mais os receptores passivos. Informar-se é um processo ativo”.
Crise de identidade
Uma das principais consequências desse cenário é a crise de identidade vivida pelos jornalistas, pois não se sabe mais qual é a sua especificidade. “Qual a função do jornalismo na sociedade contemporânea? Qual a diferença entre um jornalista de O Estado de S. Paulo e um blogueiro que pode me dar uma informação mais trabalhada?”, provocou Ramonet.
Com os blogs, segundo ele, ganhamos em liberdade, mas é importante observar que nem todos os blogueiros são revolucionários, ao contrário, muitos são reacionários, conservadores. Mas o fato é que o grande volume de informações que a blogosfera produz pode sim derrubar os profissionais de comunicação. “A produção de informação é um trabalho proletariado, mas, ao mesmo tempo, nunca se produziu tanta informação e tão facilmente”, disse. Entre os fatores negativos, o jornalista destaca que, com a multiplicação das fontes, recebemos cada vez mais informações fragmentadas e não somos capazes de reconstituí-las em um contexto, compreendendo a dimensão política, social ou cultural dessa sociedade cada vez mais complexa. “Sentimos uma certa saudade de uma informação mais aprofundada, analítica”, lamentou.
Estados autoritários
Os estados autoritários não controlam mais a circulação da informação e as recentes revoluções no mundo árabe ilustram bem esse momento. “Cortar a internet significa parar os bancos, os ministérios, os serviços básicos do país. E ainda assim não impede que outros meios funcionem, como a telefonia e a televisão”, explicou Ramonet. Para ele, hoje, a circulação da informação funciona como um enxame, vem de todos os lados. “Não foi o Twitter ou qualquer outra rede social que derrubaram os governos na Tunísia ou no Egito, foi o movimento social, mas o ponto de partida foi, sem dúvida, a estratégia de enxame”.
Utilizando um conceito do filósofo francês Pierre Levy, Ramonet destacou que o potencial da inteligência coletiva é maior que a individual, como se caracteriza pelos modelos chamados wiki, mas ainda é um ideal. Segundo o jornalista, o desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação traz uma ilusão de avanço em relação à democratização da comunicação. “Manter-se informado é muito mais difícil do que usar o Twitter ou o Facebook”, alerta.
Esse é um fenômeno que está apenas no início, não sabemos o que haverá daqui a cinco anos. Somos testemunhas de que novas tecnologias e novas funções surgem em pouco tempo. Para Ramonet, o que sabemos, com certeza, é que os cidadãos terão um papel muito importante para a informação e para debater a comunicação.
O acesso às tecnologias da comunicação é entendido como um direito, uma garantia de bem estar, assim como foi a energia elétrica no final do século XIX. Ter acesso está cada vez mais relacionado a um grau superior de cidadania. Independente das tecnologias, esse será o aspecto mais importante.
“Só não podemos acreditar que acessando as redes sociais estamos fugindo do controle dos grandes conglomerados de mídia. Essas são formas de comunicação do velho sistema de comunicação, que estão em crise, mas que não irão desaparecer como que por milagre. Quando fazemos uma ligação, enviamos uma mensagem de texto, usamos o Twitter, o Facebook ou o Google, estamos contribuindo para o enriquecimento dessas companhias”, ressaltou Ramonet. A comunicação se torna uma matéria-prima estratégia e o importante não é mais o conteúdo, mas a circulação de mensagens – é isso que gera receitas.
Por fim, Ramonet conclui: “A democracia da comunicação ainda é uma ilusão. As novas tecnologias, que proporcionam a multiplicação de fontes e a facilidade da circulação de informação, nos tornam também mais preguiçosos. Informar-se não é mais um ato passivo e não podemos nos contentar com a questão do acesso. Se não fizermos o esforço de procurar e reunir as informações de qualidade, elas não virão ao nosso encontro”.
(*) matéria reproduzida  do Observatório do Direito à Comunicação

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Fonte:http://www.fazendomedia.com/ramonet-acredita-que-jornalismo-vive-crise/

Gilmar e a elite protegem o Dr Abdelmassih

06.11.2011
Do blog CONVERSA AFIADA, 05.11.11
Por Paulo Henrique Amorim




Como se sabe, o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo foi quem deu um HC ao Dr Roger Abdelmassih, condenado a mais de 100 anos de cadeia por abusar sexualmente de pacientes desacordadas.

O ex-Supremo é o mesmo que, no recesso, deu dois HCs do tipo Canguru ao banqueiro (depois condenado a dez anos de prisão) Daniel Dantas, no prazo record de 48 horas.

Uma contribuição do Brasil à História da Magistratura Ocidental !

Agora, amigo navegante, veja quem também protege o Dr Abdelmassih.

Ou são a mesma coisa, o ex-Supremo e a elite ? 

Saiu na Folha:

Polícia recebe dica sobre o paradeiro de Abdelmassih


É a primeira denúncia anônima acerca de médico foragido após condenação


Policiais se queixam da falta de ajuda da sociedade; Ministério Público ainda não recebeu nenhuma pista


ROGÉRIO PAGNAN

DE SÃO PAULO


A Divisão de Capturas da Polícia Civil de São Paulo recebeu a primeira denúncia anônima sobre o possível paradeiro do médico Roger Abdelmassih, 68.


Abdelmassih foi condenado em primeira instância, em 2010, a 278 anos de prisão por uma série de estupros de pacientes. O médico diz que é inocente e recorre da decisão.


Segundo o delegado Waldomiro Milanesi, nesses quase 11 meses em que o médico está foragido, a divisão de capturas não havia recebido nenhuma ajuda. As poucas pistas obtidas, ela conseguiu utilizando seus policiais nas ruas.


O Ministério Público, que também oferece meios para as pessoas denunciarem criminosos, ainda não recebeu uma única dica sobre o possível paradeiro do médico.

Milanesi não quis dar detalhes do teor da denúncia, para não atrapalhar as investigações. Diz apenas que é proveniente do Brasil.


A polícia enviou fotos (algumas com modificações) ao denunciante para poder ajudá-lo na confirmação.


Uma das principais suspeitas da polícia é, conforme a Folha revelou em abril deste ano, de o médico estar no Líbano. Ele teria conseguido fugir com passaporte falso comprado no Uruguai.


Promotores ouvidos pela Folha dizem acreditar que ele ainda está no Brasil, vivendo em alguma cidade do interior do país.


SILÊNCIO DA SOCIEDADE


Para Milanesi, a quase nula ajuda da sociedade em fornecer dicas ocorre porque o médico faz parte de “uma elite” que não se dispõe a colaborar com a polícia.

“Quem eram as pessoas próximas e tinham contato com o Roger? Era uma elite muito mais longe da própria sociedade”, disse o policial.


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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/11/05/gilmar-e-a-elite-protegem-o-dr-abdelmassih/

Eu curei um câncer no SUS

06.11.2011
Do blog CONVERSA AFIADA, 04.11.11
Por Paulo Henrique Amorim




Conversa Afiada reproduz comentário do amigo navegante Nylson:

NYLSON FILHO disse:


4 de novembro de 2011


Como todos meus amigos próximos sabem, eu fui acometido de um linfoma altamente maligno em 1991. O diagnóstico foi tardio (estava do estadio 3 do câncer quando o máximo de gravidade é 4) e, sem muito saber o que fazer, amigos meus indicaram-me um hospital público que tinha um núcleo de hematologia onde se estudava e tratava das doenças do sangue, o Hospital Brigadeiro. Passei 3 meses sob tratamento quimioterápico e outros tratamentos mais para tentar controlar a doença sendo que, ao final, passei por sessões de radioterapia no HC, também um hospital público. Após tudo isso foi constatado uma remissão completa do linfoma. Segundo a equipe médica, se os tumores não voltassem em 5 anos poder-se-ia considerar uma cura completa. Já se passaram 20 anos e estou vivo e saudável. Devo minha vida à equipe do Hospital Brigadeiro e aos meus colegas de departamento. Por isso os desajustados que estão comemorando a doença do Lula podem tirar o cavalinho da chuva porque as coisas não são bem o que eles pensam.


Resolvi escrever isso após ler uma série de comentários na mídia esgoto sobre os insultos ao Lula, mandando-o se tratar na saúde pública. Lula uma vez disse que a burguesia brasileira era perversa no que ele está coberto de razão. Basta ver como ele está sendo tratado nas “redes sociais” e, portanto, este meu depoimento é para dar força a ele. Se pudesse chegar ao conhecimento dele ficaria mais satisfeito e confortado.


Nylson Gomes da Silveira Filho

Professor aposentado da UNIFESP


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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/11/04/eu-curei-um-cancer-no-sus/

EUA: mais de 20 milhões vivem na pobreza extrema

06.11.2011
Do site CORREIO DO BRASIL, 03.11.11
Por Redação, com Prensa Latina - de Washington



Ao menos 20,5 milhões de estadunidenses, cerca de 6,7% da população, vivem hoje na extrema pobreza, segundo estatísticas do Escritório do Censo. Para esta consideração os especialistas levam em conta pessoas que estão entre os 50% ou mais abaixo do índice oficial de indigência. Os dados assinalam que a população na situação de extrema pobreza representa quase a metade dos 46,2 milhões de norte-americanos que vivem abaixo da linha da pobreza.
O Censo considera que, para estar no extremo da linha, uma pessoa deve ter um rendimento individual de 5.570 dólares ou menos ao ano, e de 11.157 dólares, no caso de uma família de quatro membros.
Atualmente o contingente de pobres em situação extrema do país estão em um nível recorde, uma da cada 15 pessoas enfrenta essa condição.
Tema central dos protestos do movimento dos chamados indignados de Ocuppy Wall Street, as novas estatísticas mostram os extremos entre os ricos e os pobres da nação enquanto o desemprego se mantém estável em um índice de 9,1%.
A pobreza extrema ocorre mais entre hispanos e negros, as duas principais minorias do país. E também idosos e pobres em idade de trabalhar que caíram na miséria.
Resultados do censo de 2009 indicam que 27,6% dos latinos nos Estados Unidos vivem na pobreza, assim como 23,4 % dos negros.
As autoridades alertam que os bairros com taxas de pobreza de ao menos 40% aumentam em áreas mais amplas, crescendo nos subúrbios em duas vezes mais que o ritmo das cidades.
Segundo o Censo, zonas metropolitanas do sul do país enfrentam agora alguns dos maiores aumentos de concentração de penúria.
O problema afeta 42 estados e o Distrito de Columbia, onde aumentaram os mais indigentes entre os pobres desde 2007.
Resultados do censo de 2009 indicam que 27,6 por cento dos latinos nos Estados Unidos vivem na pobreza, assim como 23,4 por cento dos negros.
Por outro lado, algumas análises indicam que nos Estados Unidos pobreza e fome andam de mãos dadas. Cerca de 20,7% das crianças são necessitadas, com destaque para os hispanos, que atingem 33,1%, indicou recentemente um relatório do Instituto Pan para o Mundo, um movimento religioso contra a fome.
Segundo esse estudo, o problema da insegurança alimentar afetou, em 2009, 14,7% dos lares estadunidenses, tendo sido os hispanos quem enfrentaram mais estas penúrias com 26,9%.

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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/eua-mais-de-20-milhoes-vivem-na-pobreza-extrema/322941/

América Latina caminha junta: A construção de hegemonias alternativas


06.11.2011
Do blog de Rodrigo Vianna, 04.11.11
Por Emir Sader, na Carta Maior

O papel dos partidos de esquerda hoje no mundo – esse o tema do seminário a que vim convidado, em Shanghai, organizado pela Fundação Friedrich Ebert e pelo Instituto da Adminstração de Shanghai. Convocado e falar sobre o Brasil, tive que fazer uma retrospectiva dos fatores que se abateram pesadamente sobre nós e sobre os outros países do continente, para revelar o marco político em que os governos progressistas – hoje majoritários no continente – atuam e que condiciona a ação dos nossos partidos.

A América Latina foi vítima privilegiada das grandes mudanças que transformaram o cenário politico internacional, com a passagem de um mundo bipolar para um unipolar, sob hegemonia imperial norteamericana; de um ciclo longo expansivo a um ciclo longo recessivo, onde ainda estamos, como a crise atual confirma; a passagem de um modelo hegemônico regulador ou keynesiano ou de bem-estar, como queiramos chamar, a um modelo liberal de mercado, como a crise referida exibe de forma escandalosa.

Nosso continente se viu afetado diretamente por essas transformações. Em primeiro lugar, pela crise da dívida, que atingiu a todos os países latino-americanos, colocando fim no longo processo de desenvolvimento econômico que presidiu nossas econômicas desde as reações de nossos países aos efeitos brutais da crise de 1929. 

Depois de cinco décadas em que o objetivo central de nossas economias era o de recuperar o atraso que tínhamos herdado da colônia e da dominação externa e das elites primário exportadoras sobre nossos países, foi substituído esse objetivo pelo da estabilidade monetária. Refletia a mudança de hegemonia as grandes corporações vinculadas à produção internacionalizada e sua comercialização para o capital financeiro, em sua modalidade especulativa.

Em segundo lugar, vários dos países do continente – em especial o Brasil, a Bolívia, o Chile, o Uruguai, a Argentina -, entre eles os de maior força do movimento popular, foram vítimas de ditaduras militares, que quebraram a capacidade de resistência das forças populares, preparando o campo para políticas conservadores diante de democracias destroçadas.

Como resultado direto desses dois fatores, instalaram-se na América Latina governos neoliberais em praticamente todo o continente, fazendo da nossa região o reino desse modelo antissocial, em suas modalidades mais radicais do mundo, impondo Estados mínimos que renunciavam de sua ação em favor do mercado; 

terminando de abrir de forma escancarada nossos mercados à açao predatória do capital internacional; 

fragmentando nossas sociedades pela imposição do mercado informal de trabalho e de formas suplementares de superexploração do trabalho; favorecendo as ideologias consumistas em detrimento das formas coletivas de ação e de luta pelas alternativas políticas e democráticas para atender os interesses das maiorias.

A imagem de nossas sociedades e do continente como um todo no final da década de 1990 era de sociedades destroçadas, desmoralizadas, como que condenadas à miséria e ao abandono pelos poderes públicos. As crises do México, do Brasil e da Argentina revelavam como a hegemonia do capital financeiro promovida por governos neoliberais nos havia deixado indefesos diante dos ataques especulativos que passaram a reinar no mundo – como se vê até hoje, agora afetando o centro mesmo do sistema.

Foi nesse marco que a América Latina, mais uma vez foi encontrar forças para reagir e dar uma volta espetacular nessa herança, mais que maldita, fatal, que nos levaria ao destino a que agora condenam a Grécia e que vive o próprio México, pioneiro do livre comércio e dos Tratados de Livre Comércio com os EUA, pelo qual paga um preço dramático.

Foram eleitos, sucessivamente, presidentes latinoamericanos identificados com a necessidade de superação do neoliberalismo, amparados na centralidade das políticas sociais, na prioridade dos processos de integração regional e nas alianças Sul-Sul como forma de reinserção soberana no mundo, e nos Estados indutores do crescimento econômico e da universalização dos direitos sociais.

Foi nesse marco que estão sendo construídas as condições de hegemonias alternativas, no marco de um mundo velho que insiste em sobreviver e de um mundo novo com dificuldades para afirmar-se. No marco de um processo mundial de crise hegemônica, vamos buscando construir as vias alternativas para superar nossa herança de continente mais desigual do mundo.

A conquista de governos foi e tem sido fundamental, depois da acumulação de força social na resistência às politicas antipopulares e antidemocráticas dos governos neoliberais. Porque é a partir dos governos que se pode colocar o Estado para promover a superação das atrasos a que fomos relegados, para recuperar direitos sociais expropriados e estendê-los a todos, fazer do mercado interno de consumo de massas um dos pilares de um novo modelo de crescimento com distribuição de renda.

Os governos latino-americanos que optaram por esta via demonstraram e seguem demonstrando capacidade de resistência aos efeitos perversos da crise internacional, aceleram suas políticas, mesmo sem ter força suficiente para fazer trinfar seu modelo em escala global. A América Latina segue isolada, com alianças com países do Sul do mundo, mas sem capacidade ainda para fazer prevalecer em escala mundial projetos pós-neoliberais.

Nos nossos países, os partidos tampouco ficaram imunes aos fatores negativos que nos afetaram como sociedades. Uma parte dos que faziam parte do campo da esquerda aderiram ao neoliberalismo – nacionalismos como o peronismo, o PRI mexicano, social democratas como Ação Democrática da Venezuela, PS chileno, tucanos brasileiros, abandonando o campo popular.

Mas fenômenos como a precarização da maior parte da força de trabalho, com o processo de fragmentação social correspondente e o enfraquecimento relativo dos sindicatos; a derrota do socialismo e a desmoralização da ação política, das soluções coletivas, dos Estados, dos partidos, dos governos, dos parlamentos; com a mercantilização das relações sociais e culturais – os partidos de esquerda passaram a ter um horizonte negativo para sua ação.

A reunificação de sociedades muito fragmentadas e heterogêneas passou a depender de lideranças fortes na sua capacidade de representar alternativas populares e coletivas, com processos de recomposição por cima, mais adequados à reestruturaçao por baixo, como as promovidas por partidos populares e movimentos sociais.

Lideranças como as de Hugo Chavez, Lula, Nestor Kirchner, Evo Morales, Fernando Lugo, Rafael Correa, Mauricio Funes, Ollanta Humala, Pepe Mujica – respondem a essa necessidade urgente de reação popular antes mesmo que os sujeitos sociais e políticos históricos pudessem se recompor.

Gramsci nos advertia que a história dos partidos não é sua história interna, mas a da sua inserção no universo político em que atuam. Temos que avaliar nossos partidos pelo papel que têm desempenhado ou que devem desempenhar na construção de hegemonias alternativas ao neoliberalismo – o objetivo político maior do nosso tempo.

A conquista dos governos foi fundamental, há novas maiorias políticas e sociais em nossas sociedades, que tem permitido a eleição e reeleição das novas lideranças, o que tem dado continuidade aos processos iniciados há pouco mais de uma década. Mas esses projetos não se constituíram ainda em força hegemônica nas nossas sociedades, profundamente afetadas pelos valores mercantis, pela fragmentação social, pela ação das mídias monopolistas, por estruturas políticas superadas, incapazes de representar as profundas transformações sociais que estamos vivendo.

Sem uma análise das formas de hegemonia ainda dominantes, como ponto de partida, será impossível reconstruirmos processos de construção de hegemonias alternativas – populares, democráticas, solidárias, humanistas – a que começamos a apontar e cuja continuidade supõe passar das maiorias sociais e politicas às maiorias ideológica e culturais, que consolidem esses avanços e dêem a forma de novos valores à nossas sociedades, entre o nosso passado e o nosso futuro.

Nesse marco é que os partidos de esquerda podem debater e descobrir as novas formas que devem assumir, para estar sintonizados com os desafios do tempo presente.

Leia outros textos de Outras Palavras
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Mensagens derrotistas

06.11.2011
Do blog CRÔNICAS DO MOTTA, 05.11.11


A imprensa divulgou com destaque o último IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o PNUD, que mostrava o Brasil atrás de países que, digamos, não são exatamente um paraíso para se viver.


O ex-presidente Lula, assim que soube do resultado, mostrou indignação e telefonou para o pessoal do governo, onde tem ainda uma certa influência, pedindo que eles vissem os números direitinho, pois havia alguma coisa errada neles. Na sua percepção, o IDH contrariava todas as pesquisas oficiais que mostram a evolução dos índices sociais no Brasil.


E não é que Lula estava certo? Quando foram ver, descobriram que este último relatório do IDH, pelo menos no caso do Brasil, foi feito com base em números de 2005, quando importantes programas sociais, como por exemplo o Bolsa Família e o Luz para Todos, ainda engatinhavam. 

Dessa maneira, nada mais natural que o estudo mostrasse o país estagnado.

Não fosse a negligência de um organismo importante como o PNUD, volta e meia surgem na imprensa  informações um tanto suspeitas sobre o Brasil. Às vezes elas têm algum fundamento, outras, são apenas fruto de um ressentimento pelo fato de o país estar rompendo com velocidade surpreendente a barreira dos ditos emergentes, transformando-se numa potência econômica e cultural.

Para os mantenedores da velha ordem, isso é um problemão. Na Europa, políticos conservadores torceram o nariz para a oferta brasileira de ajuda financeira para ajudar a tirar a Zona do Euro da crise. 

O fato é que, queiram ou não os quintas-colunas, os derrotistas, essa turma toda do contra, esse pessoal que adora puxar o saco dos americanos, que consome o lixo da indústria do entretenimento que eles mandam para cá, o Brasil de hoje é muito melhor que aquele do tempo em que esse pessoal estava no poder. 

Deve doer para eles saber que perderam o bonde da história, deixaram passar a oportunidade de transformar a nação, de deixá-la mais forte e respeitada. Por isso serão lembrados pelo que realmente foram, uma geração de neoliberais medíocres - e não pelo que pretenderam ser.

Assim, quando qualquer notícia, seja lá de onde for, estiver esculachando o Brasil, tome cuidado, dê o devido desconto, pense e reflita bem sobre o que leu ou ouviu: a informação pode não ser bem aquela, na melhor da hipóteses. É que esse pessoal pode estar fora do governo, mas ainda controla os meios de comunicação.

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Fonte:http://cronicasdomotta.blogspot.com/2011/11/mensagens-derrotistas.html

Franklin Martins:“Há uma tentativa de interditar o debate sobre o marco regulatório da mídia”

06.11.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 05.11.11
Por Marco Aurélio Weissheimer, em Carta Maior, sugestão de Beaumirage


Franklin Martins:“Há uma tentativa de interditar o debate sobre o marco regulatório da mídia”A Constituição pode ser o terreno comum para o debate do marco regulatório da comunicação no Brasil”, defendeu o ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula, Franklin Martins, durante debate sobre democratização da mídia, realizado em Porto Alegre. “Podemos assumir o compromisso de não aprovar nenhuma regra que fira a Constituição e de não deixar de cumprir nenhum preceito constitucional”, disse o jornalista que criticou a tentativa de interditar esse debate no Brasil.

Porto Alegre – “Podemos construir um terreno comum para o debate do marco regulatório das comunicações no Brasil: a Constituição Federal. Podemos assumir o compromisso de não aprovar nenhuma regra que fira a Constituição e de não deixar de cumprir nenhum preceito constitucional. Nada aquém, nem nada além da Constituição”. 
A proposta, em tom de provocação, foi feita pelo jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula, durante seminário sobre Democratização da Mídia, realizado quinta-feira (3) no auditório da Escola da Associação de Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris). O tom de provocação se deve à enorme resistência que esse debate vem enfrentando junto às grandes empresas de comunicação, que procuram, insistentemente, associar a palavra “regulação” à “censura”.
Como já fez em outras ocasiões, Franklin Martins rechaçou essa associação, enfatizando que o seu uso tem o único objetivo de interditar o debate sobre um novo marco regulatório para as comunicações. “A mídia tem que ser respeitada, mas nunca deve ser temida”, disse o jornalista, enfatizando que esse debate já está aberto na sociedade e que não é mais possível interditá-lo. “Se ele for feito com transparência e equilíbrio”, melhor. Se, por um lado, Franklin Martins criticou os setores empresariais, especialmente no campo da radiodifusão, que tentam interditar a discussão, por outro, advertiu também aqueles que cobram mais pressa nesse processo, lembrando que outros países como a Argentina já aprovaram sua “ley de medios”. “O Brasil não é a Argentina. Lá eles têm uma tradição de confronto que não faz parte da nossa cultura política. É preciso compreender isso para poder construir uma maioria em torno da proposta de regulação”, defendeu.
O ex-ministro foi didático e paciente, desempacotando o conceito de regulação e espantando os fantasmas que o cercam. Para que é que serve mesmo a regulação? O que ela tem a ver com a vida das pessoas? Franklin Martins listou algumas das tarefas centrais dessa agenda: democratizar a oferta de informação, garantir a expressão da diversidade de opiniões, impedir a concentração de propriedade, garantir a existência de uma comunicação pública e comunitária de qualidade, promover a cultura nacional e regional com o estabelecimento de quotas claras, estimular a produção independente. Ele defendeu que algumas dessas medidas já estão previstas na legislação, mas não são respeitadas. “TV e rádio, que usam concessões públicas, não podem vender horário para igrejas, por exemplo. Isso já é proibido”. E condenou a ofensiva contra veículos comunitários. “No mundo inteiro, rádio e TV comunitária fazem parte do sistema público. Aqui são criminalizados”.
Essas propostas e ideias compõem o marco regulatório da maioria dos países apontados como exemplos de democracia e desenvolvimento, tal como ficou evidenciado no Seminário Internacional sobre Convergência de Mídias, realizado por Franklin Martins quando ainda estava no governo, em dezembro de 2010. Ele sugeriu que as pessoas visitem a página do seminário na internet e leiam o que é praticado nos Estados Unidos e nos países da Europa.
A resistência imposta a esse debate e a tentativa de interditá-lo ocorre, na avaliação do ex-ministro, em um momento onde estamos saindo de uma era do jornalismo e entrando em outra. “A era do aquário está chegando ao fim”, disse Franklin, referindo-se às salas envidraçadas que abrigam os comandos das redações. Para ele, o caso da bolinha de papel, envolvendo o ex-candidato à presidência da República, José Serra, na campanha de 2010 foi uma revolução e mostrou o poder da blogosfera. “A blogosfera é hoje o grilo falante da imprensa”, afirmou, lembrando como a cena montada para mostrar uma suposta agressão ao candidato do PSDB acabou sendo desmontada por um professor de jornalismo no interior do Rio Grande do Sul. Franklin Martins reconheceu que há excessos eventualmente por parte da blogosfera, mas lembrou que eles são, em boa medida, reflexo dos excessos praticados pela chamada grande imprensa. Essa resistência poderia estar ligada, assim, ao crepúsculo de um modelo de comunicação que está chegando ao fim no Brasil.
O que separa as telecomunicações da radiodifusão está acabando
Franklin Martins repetiu em Porto Alegre uma tese que vem defendendo há bastante tempo: a definição de um novo marco regulatório é uma exigência, entre outras coisas, do desenvolvimento tecnológico do setor das comunicações. “O que separa as telecomunicações da radiodifusão está acabando e esse processo precisa ser regulado”, afirmou, lembrando que hoje um telefone celular não é mais simplesmente um telefone, mas também um transmissor e mesmo produtor de conteúdo. Ele voltou a destacar também que essa regulamentação interessa diretamente ao setor de radiodifusão. “Em 2009, o setor das teles faturou 13 vezes mais que o da radiodifusão. Se não houver regulamentação, quem vai ganhar é o setor das telecomunicações. A radiodifusão será atropelada por uma jamanta”, observou, repetindo imagem que já havia feito no seminário sobre Convergência de Mídias, realizado no final de 2010, em Brasília.
O ex-ministro foi enérgico ao rebater as críticas que apontam, por trás da proposta da regulação, a existência de uma suposta tentativa de censura. “Um dia destes recebi, estupefato, um convite da OAB para discutir ‘controle’ da imprensa. Perguntei se eles estavam se referindo ao Estado Novo. É um absurdo total. Não há nenhum controle da imprensa no Brasil. Lutei contra a ditadura do primeiro ao último dia e sou visceralmente contra censura. O governo Lula comeu o pão que o diabo amassou nas mãos da imprensa e nunca praticou censura. O que Lula fez foi criticar a cobertura da imprensa em algumas situações e isso foi chamado de ‘ataque’. A mídia não pode ser criticada?”, perguntou. O que existe, na verdade, defendeu, é uma tentativa de interditar o debate sobre o marco regulatório num momento estratégico para o país.
Indagado sobre quais foram as razões que impediram que o novo marco regulatório fosse aprovado no governo Lula, Franklin Martins reconheceu as dificuldades, mas defendeu que o governo passado deu um grande passo ao colocar esse tema na agenda política do país. Esse debate, sustentou, está aberto e vai avançar. Na conclusão de sua fala, repetiu o que, para ele, deve ser o tom dessa discussão: “se for feito com transparência e equilíbrio será melhor para todos”.
Vídeo: TV Carta Maior/Reportagem: André de Oliveira e Júlia Aguiar
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/franklin-martins-%E2%80%9Cha-uma-tentativa-de-interditar-o-debate-sobre-o-marco-regulatorio-da-midia%E2%80%9D.html