domingo, 30 de outubro de 2011

"O Recife não é uma obra acabada", diz Sileno em sua primeira entrevista como presidente

30.10.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por José Accioly 

Foto: Jedson Nobre/Folha de Pernambuco
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Durante o Congresso estadual do PSB, nesta manhã (30), o novo presidente do partido, Sileno Guedes, foi formalmente empossado ao comando da legenda em Pernambuco. O dirigente conversou com a Imprensa, onde discutiu eleições municipais, as ações a frente da coordenação da sigla e o incêndio na Frente Popular.

O dirigente se furtou de fazer uma avaliação da gestão petista na Prefeitura do Recife (PCR) e deixou claro que o PSB é aliado do PT na capital. "O Recife não é uma obra acabada", disse Sileno Guedes, que logo completou: "Nós fazemos parte da gestão do prefeito João da Costa. Nós não estamos aqui para avaliar a gestão do prefeito, até porque nós fazemos parte da gestão do prefeito João da Costa".
Leia os principais trechos:

O que esperar de um presidente que se articula nos bastidores do poder

"Quando tem uma vida partidária intensa, se pode atuar em várias frentes. É uma grande trincheira se movimentar em equipe. Parte vai para rua, disputando o voto, e outra precisa de muita gente que faça com que o partido se movimente. Temos um papel na militância do partido que já se confundiu com o pedido de votos, já se confundiu com coordenar as campanhas. Já coordenei campanhas de Eduardo Campos no Recife. Nossa principal tarefa como dirigente é manter o ritmo de fortalecimento do Estado. Hoje, o PSB é o maior partido do Estado e que tem uma atenção nacional voltada para ele, devido à liderança inconteste do governador Eduardo Campos. É muita responsabilidade. É um partido que cresce e é muito demandado. As pessoas estão buscando se aproximar e (um partido) que tem trajetória histórica de formação de frentes, de trabalhar em conjunto com as forças de esquerda, que sempre tiveram, no PSB, uma tribuna. O PSB vai buscar uma melhor relação com os movimentos sociais."

Conversas e aproximação dos partidos da Frente

"O diálogo já existia e vai permanecer existindo. Eu disse a Pedro Eugênio (presidente estadual do PT) e a José Queiroz (dirigente do PDT) que a gente vai continuar conversando, disse também a um representante do PTB, mas não temos uma agenda específica, até porque a nossa foi atropelada pelo calendário do partido. Temos hoje o congresso estadual, que vai nos preparar para o congresso nacional, mas não está fora a pauta das conversas. O PSB é um partido de frentes, que vai fortalecer a Frente e, principalmente, os partidos historicamente aliados ao PSB. Temos um conjunto enorme de partido que vai ter nossa agenda, que vai se inserir nas discussões e que não há algum tipo de pausa ou reversão de diálogo, até porque nunca deixou de existir."

Candidatura de FBC e PSD na vice do Recife

"Na verdade, o que há de concreto só tem a transferência do domicílio eleitoral do ministro Fernando Bezerra Coelho. O resto é especulação, são interpretações, 'achômetros'. A gente tem sim uma discussão interna do PSB, com a vida do ministro, que é um quadro experimentado, que tem larga passagem pela vida pública, passagem exitosa, por onde passou acumulou experiência e está mostrando isso mais uma vez no ministério. Essa vinda dele para o Recife o PSB fez o movimento que diversos partidos fizeram, legitimamente. O movimento de trazer seus melhores quadros para poder aproveitar da melhor maneira possível e, inclusive, colocar para Frente. Pegamos nossos melhores quadros e trouxemos para o Recife. Somos da base de apoio do prefeito João da Costa, mas isso não nos impede de discutir o Recife. O Recife não é uma obra acabada. A gente reconhece, sabe dos avanços e dos acertos que vêm sendo realizados, assim como em todos os municípios. Agora, a gente quer acumular propostas e informações para, mais tarde, quando chegar o momento de discutir eleições, chegar o momento de se definir como a Frente vai se comportar com relação à eleição de 2012 e nós estarmos habilitados a entrar na discussão. Habilitados de, se for o caso, termos um candidato ou habilitados em ter acumulado uma série de informações e propostas para apresentar ou ao nosso candidato ou ao candidato da Frente Popular. Não temos nenhum estresse em relação a isso."

Candidatura do PSB no Recife

"A gente não vai levantar essa discussão agora. Vamos tratar dos municípios, onde houver mais de um candidato da Frente, com muita serenidade, da mesma forma que tratamos em 2008, onde o PSB buscou ver junto com outros partidos da Frente, sentando várias vezes à mesa para buscar o entendimento. O Recife é diferente por conta da importância e relevância política que apresenta. Não vamos diminuir a discussão do Recife, tanto que precisa acontecer no momento correto, mais pra frente. O prefeito tem mais de um ano de mandato, compomos a chapa do prefeito e a gente não vai discutir (eleição) agora. O objetivo do PSB, temos dito isso reiteradas vezes, não é discutir a eleição municipal nesse momento. A gente ter que fazer um calendário e um cronograma de discussões, porque, em alguns municípios, os conflitos são muito atentos, são lideranças que estão muitas vezes vinculadas historicamente ao PSB. Mas tudo isso vai acontecer mais para frente, porque qualquer movimentação agora corre o risco de não dar em nada, até porque muita coisa muda daqui para lá".

Expectativa para eleições em 2012

"Não tenho ainda. Não tive acesso ainda a esses estudos. O partido tem um trabalho bastante detalhado, onde se fez um mapa geral do partido, um trabalho interno, onde foi avaliada região por região, município por município, a situação do PSB tanto para as prefeituras como para Câmaras municipais."

Principais ações a frente do comando do PSB

"O partido do PSB é o maior do Estado e tem representação e presença em todas as regiões e na maioria dos municípios. Temos 49 prefeitos que são filiados ao PSB e, mais do que filiados são atuantes dentro do PSB. Temos uma bancada de deputados estaduais de 11 parlamentares, das mais diversas regiões. A direção do PSB, na verdade, o presidente não é o único a dar a direção do PSB. A gente tem espalhado por todas as regiões o conjunto de companheiros que sabem qual é a linha do partido, que conhecem a história do partido e sabe da orientação do partido, inclusive a nível nacional, capitulado pelo governador Eduardo Campos. Nosso papel vai ser fortalecer esse companheiros, que é basicamente o papel que Milton Coelho exercia. A gente vai tentar dar um dinamismo maior a esse fortalecimento. Vamos tentar estar mais presente no dia a dia dessas realidades e procurar ouvir. Toda renovação traz novidades, toda renovação traz pensamentos e ações diferentes. A gente imagina que, com a nova Executiva, a gente vai colher sugestões para facilitar relação da base com a direção do partido. Na verdade, isso foi feito numa linha, que deu resultado e hoje enxerga como maior partido do Estado, mas vai procurar sugestões e buscar imprimir uma nova marca também."

Como inserir o PSB na RMR

"(Através do) fortalecendo os movimentos. O PSB tem vários movimentos formalmente organizados, com o conjunto de militantes exemplares, mas a gente precisa fortalecer esses movimentos para que possa dar a sociedade o partido como opção de tribuna. E isso a gente entende que só é possível acontecer, e não vai ser a vontade do presidente, de um deputado ou vereador, isso é a vontade dos movimentos sociais, que é quem está na ponta, que está cuidando do dia a dia da sociedade. O grande desafio para que o PSB cresça ainda mais na Região Metropolitana. A gente não tem várias prefeituras, mas tem uma importante que é São Lourenço da Mata. A gente pode não estar na presença da chefia do Executivo, mas tem presença muito forte em todos os municípios, através dos movimentos."

Avaliação da gestão da PCR

"O Recife é uma cidade que passou anos e que teve o crescimento desordenado por conta de um processo econômico que empobreceu a área rural do Estado, onde houve migração, como em toda grande cidade. A cidade apresentava índices baixíssimos de saneamento básico, de infraestrutura e há um trabalho crescente. Não se podem negar os avanços consideráveis aplicados nas gestões do ex-prefeito João Paulo (PT) e na gestão do prefeito João da Costa (PT). Nós fazemos parte da gestão do prefeito João da Costa. Nós não estamos aqui para avaliar a gestão do prefeito, até porque nós fazemos parte da gestão do prefeito João da Costa. E não vamos avaliar a gestão, até porque o fato de fazer parte da gestão nos coloca dentro dos resultados obtidos. Discutir qualquer município e as ações a serem implementadas em qualquer município é legitimo a qualquer sigla."

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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/26518-qo-recife-nao-e-uma-obra-acabadaq-diz-sileno-em-sua-primeira-entrevista-como-presidente

JORNALISMO DE ESGOTO: Manifestantes ocupam editora Abril para protestar contra jornalismo de esgoto da revista Veja

30.10.2011
Do blog ESQUERDOPATA, 29.10.11



Ativistas do Anonymous entram no prédio da editora Abril e protestam contra a "Veja"

Cerca de 50 manifestantes dos movimentos Anonymous e Ocupa Sampa entraram por volta de 18h desta sexta-feira (28) no prédio da Editora Abril, na zona oeste de São Paulo, para protestar contra a revista “Veja”, que na edição do último sábado (22) estampou na capa a máscara símbolo do Anonymous para ilustrar uma reportagem sobre combate à corrupção.

Segundo Rafael Vilanova, 25, que participa do protesto, os Anonymous não querem ver a imagem do grupo ligada à revista. “Repudiamos a capa da 'Veja', que usurpou a verdade e manipulou nossa mensagem, nossa ideia". A imagem usada pela revista é a máscara branca, com cavanhaque preto, que representa o soldado inglês Guy Fawkes e foi usada na série em quadrinhos "V de Vingança", de Alan Moore.

No protesto, os ativistas --entre eles malabaristas e artistas circenses-- exibiram cartazes contra a revista, com os dizeres “A Veja não me representa” e “Chega de mentiras”. Eles exigiram que a revista publique, na próxima edição, uma carta do grupo.

A reportagem está tentando localizar representantes da revista. (Faz-me rir...)
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/10/manifestantes-ocupam-editora-abril-para.html

Gerson Carneiro: Praga de urubu não pega

30.10.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 29.10.11
Por Gerson Carneiro, por e-mail

Caríssimos Luiz Carlos Azenha e Conceição Lemes, segue áudio da Lucia Hippolito debochando, torcendo e comemorando a doença do Lula. Inacreditável. Aparecem coisas do tipo:
“… não é surpresa tendo em vista o abuso da fala do Presidente que jamais teve um exercício de fonoaudiologia, de nada disso, e tava no palanque todo santo dia, tabagismo, alcoolismo..”
“…o presidente Lula sempre teve aquela voz feia…”
Essa demonstração de euforia por vislumbrar uma possibilidade de finalmente calar o Lula, demonstrada pela Lúcia Hippolito, é um um sinal de extrema fraqueza, porque,  além de tudo, deixa transparecer que lhe resta como única possibilidade de felicidade a morte do Lula.  Tudo isso mostra  a pequenez dos porta-vozes da direita e como Lula é grande.
Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/gerson-carneiro-praga-de-urubu-nao-pega.html

A depravação da América


30.10.2011
Do site da Revista Carta Maior,29.10.11
Por John Kozy - Global Research
Internacional


A cultura dos Estados Unidos foi inundada por um tsunami de mentiras. O marketing se tornou a atividade predominante da cultura. É uma coisa seguida por pessoas de negócios, políticos e pela mídia. O dinheiro é tudo o que importa. Foi-se o tempo em que a ética protestante definia o caráter dos EUA. Ela foi usada pelos sociólogos como fator responsável pelo sucesso do capitalismo na Europa do Norte e nos EUA, mas a ética protestante e o capitalismo se tornaram incompatíveis. A "América" está se tornando uma região de depravação raramente superada pelas piores nações da história. O artigo é de John Kozy.


Foi-se o tempo em que a ética protestante definia o caráter dos Estados Unidos. Ela foi usada como fator responsável pelo sucesso do capitalismo na Europa do Norte e na América, pelos sociólogos, mas a ética protestante e o capitalismo são incompatíveis, e o capitalismo, em última análise, faz com que a ética protestante seja abandonada.


Há um novo ethos que emergiu, e as elites governamentais não o entendem. Trata-se do etos da “grande oportunidade”, do “prêmio”, da “próxima grande ideia”. A marcha lenta e deliberada em direção ao sucesso é hoje uma condenação do destino. Junto à próxima grande ideia comercial está o novo modelo do "sonho americano". Tudo o que importa é o dinheiro. Dada essa atitude, poucos na América expressam preocupações morais. A riqueza é só o que se tem em vista; vale inclusive nos destruir para alcançá-la. E se não chegamos lá ainda, certamente em breve chegaremos. 


Eu suspeito que a maior parte das pessoas gostaria de acreditar que sociedades, não importa as bases de suas origens, tornam-se melhores com o tempo. Infelizmente a história desmente essa noção; frequentemente as sociedades se tornam piores com o tempo. Os Estados Unidos da América não é exceção. O país não foi benigno em sua origem e agora declina, tornando-se uma região de depravação raramente superada pelas piores nações da história.


Embora seja impossível encontrar números que provem que a moralidade na América declinou, evidências cotidianas estão onde quer que se veja. Quase todo mundo pode citar situações nas quais o bem estar das pessoas foi sacrificado pelo bem das instituições públicas ou privadas, mas parece impossível citar um só exemplo de instituição pública ou privada que tenha sido sacrificada em nome do povo. 


Se a moralidade tem a ver com o modo como as pessoas são tratadas, pode-se perguntar legitimamente onde a moralidade desempenha um papel no que está se passando nos EUA? A resposta parece ser: “Em lugar nenhum!” Então, o que tem aconteceu nos EUA para se ter a atual epidemia de afirmações de que a moralidade na América colapsou? 


Bem, a cultura mudou drasticamente nos últimos cinquenta anos. Foi isso o que aconteceu. Houve um tempo em que a "América", o "caráter americano", era definido em termos do que se chamava de Ética Protestante. O sociólogo Max Weber atribuiu o sucesso do capitalismo a isso. Infelizmente, Max foi negligente; ele estava errado, completamente errado. O capitalismo e a ética protestante são inconsistentes entre si. Nenhum dos dois pode ser responsável pelo outro.


A ética protestante (ou puritana) está baseada na noção de que o trabalho duro e a ascese são duas consequências importantes para ser eleito pela graça da cristandade. Se uma pessoa trabalha duro e é frugal, ele ou ela é considerado como digno de ser salvo. Esses atributos benéficos, acreditava-se, fizeram dos estadunidenses o povo mais trabalhador do que os de quaisquer outras sociedades (mesmo que as sociedades protestantes europeias fossem consideradas parecidas e as católicas do sul da Europa fossem consideradas preguiçosas). 


Alguns de nós afirmam agora que estamos testemunhando o declínio e a queda da ética protestante nas sociedades ocidentais. Como a ética protestante tem uma raiz religiosa, o declínio é frequentemente atribuído a um crescimento do secularismo. Mas isto seria mais facilmente verificável na Europa do que na América, onde o fundamentalismo protestante ainda tem muitos seguidores. Então deve haver alguma outra explicação para o declínio. Mesmo que o crescimento do secularismo tenha levado muita gente a dizer que ele destruiu os valores religiosos juntamente aos valores morais que a religião ensina, há uma outra explicação.


No século XVII, a economia colonial da América era agrária. Trabalho duro e ascese combinam perfeitamente com essa economia. Mas a América não é mais agrária. A economia dos EUA hoje é definida como capitalismo industrial. Economias agrárias raramente produzem mais do que é consumido, mas economias industriais o fazem diariamente. Assim, para se manter a economia industrial funcionando, o consumo deve não apenas ser contínuo, como continuamente crescente.


Eu duvido que haja um leitor que não tenha escutado que 70% da economia dos EUA resulta do consumo. Mas 70% de um é 0,7, ou de dois é 1,4, de três, 2,1, etc. À medida que economia cresce de um a dois pontos do PIB, o consumo deve crescer de 0,7 para 1,4 pontos. Mas o aumento crescente do consumo não é compatível com a ascese. Uma economia industrial requer gente para gastar e gastar, enquanto a ascese requer gente para economizar e economizar. A economia americana destruiu a ética protestante e as perspectivas religiosas nas quais foi fundada. O consumo conspícuo substituiu o trabalho duro e a poupança.


No seu A Riqueza das Nações, Adam Smith afirma que o capitalismo beneficia a todos, desde que cada um aja em benefício dos outros. Agora estão nos dizendo que “economizar mais e cortar gastos pode ser um bom plano para lidar com a recessão. Mas se todo mundo proceder assim isso só vai tornar as coisas piores....aquilo de que a economia mais precisa é de consumidores gastando livremente”. A grande recessão atingiu Adam Smith na sua cabeça, mas o economista admitiria isso. “Um ambiente em que todos e cada um quer economizar não pode levar ao crescimento. A produção necessita ser vendida e para isso você precisa de consumidores”.


Poupar é (presumivelmente) bom para indivíduos, mas ruim para a economia, a qual requer gasto contínuo crescente. Se um economista tivesse dito isso na minha frente, eu teria lhe dito que isso significa claramente que há algo fundamentalmente errado com a natureza da economia, que isso significa que a economia não existe para prover as necessidades das pessoas, mas que as pessoas existem apenas para satisfazer as necessidades da economia. Embora não pareça isso, uma economia assim escraviza o povo a quem diz servir. Então, de fato, o capitalismo industrial perpetrou a escravidão; ele tem reescravizado aqueles que um dia emancipou.


Quando o consumo substituiu a poupança na psique americana, o resto de moralidade afundou junto na depravação. A necessidade de vender requer marketing, o que nada mais é que a mentira das mentiras. Afinal de contas, toda empresa é fundada no que disse o livro de Edward L. Bernays, de 1928: Propaganda. A cultura americana tem sido inundada por um tsunami de mentiras. O marketing se tornou a atividade predominante da cultura. Ninguém pode se isolar disso. É uma coisa seguida por pessoas de negócios, políticos e pela mídia. Ninguém pode ter certeza de estarem lhe contando a verdade a respeito de alguém. Nenhum código moral pode sobreviver numa cultura de desonestidade, e de resto, ninguém pode!


Tendo subvertido a ética protestante, a economia destruiu toda ética que a América um dia promoveu. O país tornou-se uma sociedade sem um etos, uma sociedade sem propósito humano. Os americanos se tornaram cordeiros sacrificáveis para o bem das máquinas. Então, um novo etos emergiu do caos, um etos que a elite governamental desconhece completamente.


Diz-se frequentemente que Washington perdeu o contato com as pessoas que governa, que não entende mais seu próprio povo ou como sua cultura comum funciona. Washington e a elite do país não entendem isso, mas a cultura não valoriza mais o certo sobre o errado ou o trabalho duro e a ascese sobre a preguiça e a extravagância. Hoje os americanos estão buscando a “grande oportunidade”, o “prêmio”, a “próxima grande ideia”. O Sonho Americano foi hoje reduzido ao “acertar em cheio!”. A longa e deliberada estrada para o sucesso é uma condenação. Vejam American Idol, The X-Factor e America’s Got Talent e testemunhe a horda que se apresenta para os auditórios. Essas pessoas, em sua maior parte, não trabalharam duro em nada na vida. Contem o número de pessoas que regularmente apostam na loteria. Esse tipo de aposta não requer trabalho algum. Tudo o que essas pessoas querem é acertar em cheio. E quem é nosso homem de negócios mais exaltado? O empreendedor!


Empreendedores são, na sua maior parte, fogo de palha, mesmo que haja exceções notáveis. O problema com o empreendedorismo, no entanto, é a alta conta em que passou a ser tomado. Mas o único valor ligado a ele é a quantidade de dinheiro que os empreendedores têm feito. Raramente ouvimos alguma coisa a respeito do modo nefasto como esse dinheiro foi feito. Bill Gates e Mark Zuckerberg, por exemplo, dificilmente representam imagens de pessoas com moralidade exemplar, mas na economia sem escrúpulos morais, ninguém se importa; tudo o que importa é o dinheiro. 


Dada essa atitude, por que alguém, nessa sociedade, expressaria preocupações morais? Poucos na América o fazem. Assim, enquanto a elite americana fala na necessidade de produzir força de trabalho sustentável para as necessidades de sua indústria, as pessoas não querem nada disso. 


A elite frequentemente lastima a falência do sistema educacional americano e tem tentado melhorá-lo sem sucesso, por várias décadas. Mas se alguém presta atenção no atual estado de coisas na América, vê que a maior parte dos empreendedores de sucesso são pessoas que abandonaram faculdades. Como se pode convencer a juventude de que a educação universitária é um empreendimento que vale a pena? Assim como Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg mostraram, aprender a desenhar um software não requer graduação universitária. Nem ganhar na loteria ou vencer o American Idol. Fazer parte da Liga Nacional de Futebol pode requerer algum tempo na universidade, mas não a graduação. Todo o empreendedorismo requer uma nova ideia mercantil. 


Entretenimento e esportes, loterias e programas de jogos e disputas, produtos de consumo de que as pessoas não tiveram necessidade por milhões de anos são agora as coisas que formam a cultura americana. Mas não são coisas, são lixo; não podem formar a base de uma sociedade humana estável e próspera. Esta é uma cultura governada meramente por um atributo: a riqueza, bem ou mal havida!


A capacidade humana de autoengano é sem limites. Os estadunidenses vêm se enganando com a crença de que a riqueza agregada, a soma total de riquezas, em vez de como ela é distribuída, dá certo. Não importa como foi obtida ou o que foi feito para se obter tal riqueza. A riqueza agregada é a única coisa que se tem em vista; é algo pelo que vale à pena destruir a nós mesmos. E mesmo que não o tenhamos alcançado ainda, em breve certamente o conseguiremos. 


A história descreve muitas nações que se tornaram depravadas. Nenhuma delas jamais se reformou. Nenhum garoto bonito pode ser convocado para desfazer a catástrofe do Toque de Midas. O dinheiro, afinal de contas, não é uma coisa de que os humanos precisem para sobreviver, e se o dinheiro não é usado para produzir e distribuir as coisas necessárias, a sobrevivência humana é impossível, não importa o quanto de riqueza seja agregada ou acumulada. 


(*) John Kozy é professor aposentado de filosofia e lógica que escreve sobre assuntos econômicos, sociais e políticos. Depois de ter servido na Guerra da Coréia, passou 20 anos como professor universitário e outros 20 trabalhando como escritor. Publicou um livro de lógica formal, artigo acadêmicos. Sua página pessoal é http://www.jkozy.com onde pode ser contatado.


Tradução: Katarina Peixoto
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18844

Luis Nassif: Chocante como alguns comentaristas celebraram a doença de Lula

30.10.2011
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 29.10.11
Reproduzo texto de Luis Nassif publicado em seu blog

Como seria um Brasil sem Lula?

Agora que as notícias dão conta da boa perspectiva de restabelecimento do Lula, é curioso debruçar nas análises apressadas sobre uma era pós-Lula.

Aliás, chocante a maneira como algumas comentaristas celebraram a doença de Lula. Até nos ambientes mais selvagens - das guerras, por exemplo - há a ética do guerreiro, de embainhar as armas quando vê o inimigo caído, por doença, tragédia ou mesmo na derrota. Por aqui, não: é selvageria em estado puro.

A analista-torcedora supos que, com a doença de Lula, haveria uma mudança radical no quadro político. 

Leia também:

Sem voz, Lula seria como um Sansão sem cabelos. Sem Lula, não haveria Fernando Haddad. Sem contar os diagnósticos médico-políticos-morais, de que Lula foi castigado por sua vida desregrada. Zerado o jogo político, concluiu triunfante.

Num de seus discursos mais conhecidos, Lula bradava para a multidão: "Se cortarem um braço meu, vocês serão meu braço; se calarem a minha voz, vocês serão minha voz...".

Qualquer tragédia com Lula o alçaria à condição de semideus, como foi com Vargas. O suicídio de Vargas pavimentou por dez anos as eleições de seus seguidores. É só imaginar o que seriam os comícios com a reprodução dos discursos de Lula. Haveria comoção geral.

A falta de Lula seria visível em outra ponta: é ele quem segura a peteca da radicalização. Quem seguraria suas hostes, em caso da sua falta? Seu grande feito político foi promover um pacto que envolveu os mais diversos setores do país, dos movimentos sociais e sindicais aos grandes grupos empresariais. E em nenhum momento ter cedido a esbirros autoritários, a represálias contra seus adversários - a não ser no campo do voto -, mesmo sofrendo ataques implacáveis.

Ouvindo os analistas radicais, lembrando-se da campanha passada, como seria o país caso Serra tivesse sido eleito? É um bom exercício. Não sobraria inteiro um adversário. Na fase Lula, há dois poderes se contrapondo: o do Estado e o da mídia e um presidente que nunca exorbitou de suas funções. No caso de Serra, haveria a junção desses dois poderes, em mãos absolutamente raivosas, vingativas.

Leia mais:

Ao fechar todos os canais de participação, Serra sentaria em cima de uma panela de pressão. Sem canais de expressão, muitos dos adversários ganhariam as ruas. Sem a mediação de Lula, não haveria como não resultar em confrontos. Seria uma longa noite de São Bartolomeu.

Essa teria sido a grande tragédia nacional, que provavelmente comprometeria 27 anos de luta pela consolidação democrática.

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/10/luis-nassif-chocante-como-alguns.html