quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Marcha ou balada contra a corrupção?

13.10.2011
Do site do Correio do Brasil, 
Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:


Apesar do esforço da imprensa brasileira, as manifestações contra a corrupção, que pipocaram no feriado da quarta-feira (12/10) por várias cidades do país, não chegaram a empolgar. As fotografias nas primeiras páginas dos jornais, mostrando jovens de classe média com o rosto pintado, estão mais próximas de uma “balada” do que de expressar sinais de revolta.


Por outro lado, apesar do descaso inicial da imprensa americana, as manifestações inspiradas no movimento “Ocupe Wall Street” se espalham por muitas cidades dos Estados Unidos e se consolidam como uma revolta das classes médias de maioria anglo-saxônica.As declarações e imagens colhidas pelos jornalistas nas concentrações dos americanos refletem a inconformidade com a situação econômica do país e o fato de adotarem Wall Street como alvo traz um foco muito claro para os protestos.Maioria silenciosaO que difere essencialmente os dois acontecimentos?


Primeiro, observe-se a contradição: nos Estados Unidos, onde a imprensa claramente vem tratando com má vontade as manifestações, apenas dando atenção a elas quando ocorreram os primeiros atos de violência policial, os eventos se multiplicam e ganham consistência apesar do descaso inicial da mídia.No Brasil, desde o primeiro grito do “Cansei!”, a imprensa tenta dar alguma credibilidade a manifestações esparsas contra a corrupção, sem qualquer resultado concreto – falta povo para transformar as passeatas em fato social.


Nem mesmo declarações oportunistas de líderes religiosos – como aconteceu durante a missa festiva na basílica de Aparecida – funciona como liga: a própria igreja católica, afetada por denúncias de pedofilia nunca satisfatoriamente respondidas, carece de autoridade para levantar a voz contra corruptos e corruptores.A razão para essas diferenças talvez esteja na natureza dos fatos que oficialmente motivam as mobilizações. Os movimentos de massa são sempre impulsionados por uma percepção geral de mal-estar, mas é preciso que exista um ponto focal para tirar as pessoas de seu imobilismo.


Nos Estados Unidos, é clara a percepção de que o mal-estar está relacionado ao sistema econômico, cujo epicentro é a especulação financeira. Wall Street simboliza os responsáveis pelo mal percebido pela maioria silenciosa, e a revolta tem um claro viés de apoio ao esforço do governo Obama de colocar algum controle no cassino.Quem atira a primeira pedra?No Brasil, a dificuldade de se identificar um alvo para os protestos começa pela percepção de que a corrupção não pode ser localizada ou personalizada, tal sua presença nas instituições.


Apesar do esforço da imprensa em apontar para Brasília, o cidadão sabe que a corrupção está presente no fiscal que se apropria de parte dos ganhos do feirante, no policial que vende aos condomínios como serviço privado a proteção que é pago para fazer como servidor público, e em muitos outros aspectos da vida civil.Por outro lado, os cidadãos sabem, ou desconfiam, que a corrupção domina as relações políticas não apenas na capital federal, mas também nos estados e municípios, apesar de esses eventos raramente ganharem manchetes de jornal.Ao contrário dos Estados Unidos, a situação econômica no Brasil produz uma sensação de bem-estar e otimismo que desestimula desejos de mudança radical.


 O brasileiro médio sente-se claramente revoltado com os sinais de corrupção e impunidade, mas sabe que, ao aderir a um movimento coletivo, perde a individualidade e passa a ser usado como massa de manobra das lideranças.E quem são os líderes das passeatas? Por enquanto, ninguém em quem se possa confiar.O Judiciário, minado pela impunidade, pelos privilégios e pela insistência de seus representantes em rejeitar o controle externo, há muito deixou de ser uma esperança de correção. No Parlamento, o sistema de escambo transforma os supostos representantes dos eleitores em suspeitos preferenciais. 


E o Executivo, apesar dos últimos esforços destacados pela imprensa, ainda não demonstrou que deseja de fato romper o círculo de dependência imposto pelas alianças partidárias.Assim, restaria à imprensa a missão de tomar a tocha da moralidade pública e catalisar os protestos em busca de mudanças reais no sistema político-institucional. Mas a mídia é parte e beneficiária do sistema. 


Se eventualmente se coloca na oposição, é porque faz escolhas ideológicas que a distanciam circunstancialmente do poder político. Além disso, apesar de algumas pesquisas formais apontarem a preservação do núcleo de credibilidade da instituição imprensa, ela está longe de representar os interesses difusos da sociedade.
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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/marcha-ou-balada-contra-a-corrupcao/311670/

Manifestantes contra a corrupção vêem país pior do que há 10 anos

14.10.2011
Do BLOG DA CIDADANIA,13.10.11
Por Eduardo Guimarães

No início da tarde de 12 de outubro de 2011, comecei a ver na internet notícias de que uma das marchas contra a corrupção que a mídia vinha anunciando havia semanas reunira milhares em Brasília. Apesar disso, não se encontrava notícias de outras capitais. Por volta das 15 horas, então, por morar próximo ao Masp, local de partida da marcha de São Paulo, decidi ir até lá tentar entender esse movimento “apartidário” e “contra a corrupção”.
Todavia, cheguei tarde ao local de partida da “marcha”. Encontrei um grupo de cerca de 50 pessoas. Segundo os presentes, a marcha maior partira rumo ao centro da cidade havia alguns minutos. Os que ficaram no Masp, segundo disseram, romperam com a maioria que decidira marchar pela avenida Paulista, depois pela avenida da Consolação, depois pela rua Xavier de Toledo até chegar à Praça Ramos de Azevedo, diante do Teatro Municipal, onde o ato chegaria ao fim após alguns discursos.
Já no cruzamento da avenida Paulista com a Consolação, vendo que o tráfego continuava engarrafado rumo ao centro, apressei o passo. No caminho, encontro o blogueiro mineiro Tulio Viana e a esposa, a também blogueira Cintia Semiramis, descendo de um táxi em frente a um hotel. Falo com eles rapidamente e continuo caminhando, mas só vejo congestionamento e nada de manifestação.
Vou andando e vejo gente vestida a caráter para uma manifestação daquela natureza. Estavam indo na mesma direção ou voltando em sentido contrário. Alguns com caras pintadas de verde e amarelo, outros até portando cartazes e bandeiras do Brasil. Paro um casal em suas bicicletas, identifico-me como blogueiro político e pergunto se me poderiam dar uma rápida entrevista.
Ali começo a fazer a série de perguntas que faria nas outras 26 entrevistas durante as cerca de duas horas seguintes.  Pergunto, basicamente, o seguinte:
1 – Como você tomou conhecimento da manifestação?
2 – Por que você decidiu participar dessa manifestação?
3 – Você lê a revista Veja, a Folha de São Paulo ou o Estadão?
4 – Você acha que hoje há mais corrupção no Brasil do que há dez anos?
5 – Você acha que hoje o Brasil é um país pior, igual ou melhor do que há dez anos?
6 – Quantas pessoas você acha que há nessa manifestação?
A bela e esguia jovem de pele bem branca e cabelos lisos, negros e bem cuidados, vestindo roupa de malha dessas que se usam em academias e um short jeans, e o rapaz forte, alto, vestindo short e camiseta, a quem ela chamou de “amor”, não desceram das suas bicicletas para me dar entrevista, apesar de terem sido simpáticos e receptivos. Eis as suas respostas consensuais:
1 – Souberam da manifestação pelo Facebook
2 – Foram se manifestar devido ao aumento da corrupção
3 – Lêem Folha e Veja
4 – Disseram que hoje há muito mais corrupção do que há dez anos
5 – Disseram que hoje o Brasil é um país muito pior do que há dez anos
6 – Estimaram que a manifestação reuniu em torno de três mil pessoas.
Consigo encontrar a marcha só quando chego ao limiar da rua Xavier de Toledo, a algumas quadras do teatro da Praça Ramos de Azevedo.  Correra por quarteirões e já estava pondo os bofes para fora e suando em bica.  Continuo caminhando, agora, mas meus passos ainda são mais rápidos do que os da marcha.
Vou parando os policiais, no caminho, e pedindo estimativa do número de manifestantes. Alguns falam em quatrocentos, outros falam em quinhentos, outros falam oitocentos. Quando encontro o oficial da PM responsável pela operação que acompanhou a manifestação, porém, o número muda: o capitão, um simpático oriental de óculos, diz que a PM estima o público em “três mil pessoas”.
Decido ultrapassar a marcha quando vislumbro o Teatro Municipal ao fim da Xavier de Toledo. Começo a correr. Chego ao Teatro e subo a escadaria. Começo uma contagem. Contei umas setecentas pessoas. Parecia mais porque a rua estava cheia de transeuntes. Mas como os manifestantes caminhavam pela via dos veículos, deixando a calçada para os transeuntes, consegui fazer uma contagem que julgo bem razoável.
Começo, então, a me esgueirar entre a multidão a fim de fazer aquela série de perguntas mencionada mais acima. As únicas divergências para o casal de ciclistas que obtive foram no que diz respeito a quem lê Folha, Veja e Estadão, quanto ao número de manifestantes e quanto à forma como essas pessoas ficaram sabendo da manifestação.
A maioria, em 19 entrevistas, lê algum desses veículos, seja em papel ou pela internet, e os números que os entrevistados diziam haver de manifestantes iam de quinhentos a dez mil. Quanto à forma pela qual tomaram conhecimento da manifestação, citaram e-mails, jornais, revistas, boca a boca, blogs e sites, Twitter e Facebook.
Das 27 entrevistas, em 26 ouvi das pessoas que estavam lá por acharem que há muita corrupção. Essa maioria esmagadora afirma que há mais corrupção hoje no Brasil do que há dez anos e que hoje o país está muito pior do que há dez anos até na economia. Ou, como ouvi muito, “O país está pior em todos os sentidos”.
Na maioria das entrevistas, as pessoas acabaram atacando o PT, Lula, Dilma ou todos juntos. Quase todos disseram que a culpa pela corrupção é desse partido. O mais xingado foi, de longe, Lula. Um casal, inclusive, falou em impeachment de Dilma caso “a coisa continue a piorar”. Só um casal jovem que estava lá porque passava pelo local disse que hoje a corrupção aparece mais porque há mais informação e que o país está muito melhor hoje do que há dez anos.
Entre os organizadores do ato, descobri que estavam movimentos como o “Defenda São Paulo”, muitos alunos da universidade Mackenzie (havia até um professor contando, ao microfone, como ajudou a recrutá-los em sala de aula), a “juventude do PSDB” e o grupo Anonymous. Uma das entrevistadas se disse “militante do partido”, mas quando perguntei de que partido ela desconversou e passou a me ignorar, não mais respondendo as perguntas. E sumiu em seguida.
Por volta das 17 horas, fiz a última entrevista. Escolhi o que quase não se via na manifestação: um negro. Fiz a série de perguntas e ele, que se identificou como “Tiago”, estudante de Direito da universidade Unip, leitor da Veja e do Estadão, concordou com os outros que hoje há mais corrupção e que o país está pior do que nunca. Mas disse não entender por que não havia mais negros, ali. E arrematou: “É uma manifestação branca”.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/10/manifestantes-contra-a-corrupcao-veem-pais-pior-do-que-ha-10-anos-2/

A BOLÍVIA ENTRE O DIVISIONISMO E A INTEGRAÇÃO SUL-AMERICANA

12.10.2011
Do blog FAZENDO MEDIA
Por Por Marcelo Salles, 05.10.2011



As recentes manifestações populares na Bolívia colocam o governo Evo Morales numa situação delicada, mas não há risco de ruptura institucional como parte da imprensa brasileira tem divulgado. Desde que indígenas moxeño, yurakaré e chimane se levantaram contra a construção de uma estrada de 306 km no coração da Bolívia, os colonizados de plantão enxergaram uma nova chance de ver o presidente Evo fora do poder.
Os fatos acontecidos na fronteira dos departamentos de La Paz e Beni são graves. Tanto é que o presidente Evo Morales teve que pedir desculpas e abrir mão de um de seus ministros mais importantes: Sacha Llorenti, então responsável pelo equivalente à Casa Civil no Brasil, el Ministerio del Gobierno. Além de ser um dos principais articuladores do governo (inclusive nas relações com o Brasil) e homem de confiança de Evo, Llorenti era o responsável pelas polícias, que na Bolívia ficam a cargo do governo federal.
Na avaliação do sociólogo Eduardo Paz Rada, da Universidad Mayor de San Andrés, o episódio coloca em xeque a reeleição de Evo Morales, o que era “impensável há alguns meses”. As agressões cometidas por policiais contra os manifestantes são injustificáveis, sobretudo num governo com características de respeito aos povos tradicionais. No entanto, é preciso ressaltar dois aspectos: a) há um envolvimento ainda mal explicado dos manifestantes com ONGs estrangeiras, que possuem interesses escusos na região; b) as imagens foram exploradas ao máximo pelos meios de comunicação de massa, que em seu conjunto representam interesses neoliberais, imperiais e neocoloniais – tudo aquilo que Evo Morales combate desde que assumiu o governo.
Como resultado, o presidente perdeu apoio em todo o país, sobretudo entre os setores de classe média. Os intelectuais mais otimistas da direita boliviana já falam em uma evolução da meia-lua (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija) numa lua crescente, incluindo setores de Cochabamba e de La Paz, que seriam tomados aos poucos durante a marcha dos indígenas das terras baixas.
Na disputa política, os exageros são naturais. A verdade é que não dá pra comparar a marcha de agora, que reúne centenas, talvez poucos milhares, com a marcha de 2008, que arrastou dezenas de milhares para garantir a aprovação da Nova Constituição Política de Estado. Foi um momento em que todo o movimento social se uniu ao governo. A marcha de agora não conta com o apoio de alguns dos setores mais combativos do povo boliviano, como as juntas vicinais e os sindicatos de El Alto e a Confederação Nacional de Mulheres Camponesas Indígenas da Bolívia – Bartolina Sisa.
Ainda não está clara a natureza dos recentes distúrbios nas terras baixas. Podem significar uma movimentação da direita imperialista ianque, que através de ONGs como a Usaid estaria manipulando insatisfações locais, o que atenderia aos interesses dos que não vêem com bons olhos a integração sul-americana. Nesse caso, devemos esperar novas ações articuladas no curto prazo. Por outro lado, podemos apenas estar diante de anseios legítimos dos indígenas, a defender a preservação do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis) – no que estariam plenamente amparados no novo texto constitucional boliviano, que reconhece a existência de 36 etnias e assume o caráter plurinacional do país.
Aliás, esse aspecto da constituição boliviana foi duramente criticado pela esquerda durante os debates realizados antes do plebiscito. À época dizia-se que estaria aberta a possibilidade de divisão do país e já se vislumbrava a participação de ONGs estrangeiras nesse processo. É a Bolívia, coração de Nuestra América, entre o divisionismo e a integração regional.
Seja como for, o momento é de cautela. Vamos acompanhar atentamente os marchantes das terras baixas, que prometem intensificar os protestos durante o processo eleitoral do próximo dia 16 de outubro, quando os bolivianos vão às urnas para votar, pela primeira vez, nos juízes que irão compor as 56 vagas dos tribunais superiores do país. Eis aí a prova de fogo para Evo Morales.
PS – uma pergunta misteriosa fica no ar. Por que repórteres brasileiros enviam seus relatos sobre a região amazônica boliviana desde Buenos Aires, se Mato Grosso ou mesmo Brasília estão muito mais próximos de onde ocorreu o fato jornalístico?
(*) Marcelo Salles, jornalista, atuou como correspondente da revista Caros Amigos no Rio de Janeiro (2004 a 2008), e em La Paz (2008 a 2009), no Twitter é @MarceloSallesJ. Artigo publicado originalmente na coluna Até a vitória sempre! no blog Escrevinhador.

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Fonte:http://www.fazendomedia.com/a-bolivia-entre-o-divisionismo-e-a-integracao-sul-americana/

A arte da retórica

12.10.2011
Do blog ESQUERDOPATA
Por Antonio Prata, na Falha de S. Paulo 

No caso, com certeza!


Se ele disser que 'no caso, Aspirina a gente não vai tá tendo, hoje', a coisa muda completamente de figura 
Equivoca-se quem pensa que falar bem é falar claro. A arte da retórica reside, na verdade, na habilidade de confundir. Afinal, se digo algo e você entende de cara, vai logo se achando mais inteligente do que eu: mau negócio. Se, contudo, sou capaz de temperar as frases mais simples com um molho de obscuridade, com uma calculada pitada de empulhação, o ouvinte pensará que sei mais do que revelo: ponto para mim.

Vejamos: você entra numa farmácia, pergunta se tem Aspirina e o funcionário responde com um peremptório "não". O que você pensará? Que aquela é uma farmácia ruim. Se, porém, ele disser que "no caso, Aspirina a gente não vai tá tendo, hoje", a coisa muda completamente de figura. O "no caso" sugere que, numa situação normal, ele teria Aspirina. Logo, "hoje", estamos numa situação anormal. Qual seria essa situação? Haveria um surto de enxaqueca, no bairro? 

Boatos de que a Copa e as Olimpíadas levariam à falta de ácido acetilsalicílico teriam desencadeado uma busca frenética pelo produto? Você não sabe, ele sabe, e, num segundo, o que era uma farmácia vagabunda transforma-se numa farmácia sob estado de exceção, enquanto você, em vez de um cliente insatisfeito, torna-se um náufrago à deriva no mar da especulação.

Convencido de que aquele é um estabelecimento digno, de que só não tem os comprimidos de que necessita por conta dos misteriosos eventos pregressos, você resolve dar uma segunda chance. Em vez de ir à farmácia da outra esquina, pergunta se haverá Aspirina, no dia seguinte. O funcionário sorri: "Com certeza!".

"Com certeza!" é irmã de "no caso". Ambos são filhos da obscuridade com a empulhação. "No caso" é o rebento discreto, melancólico e introspectivo, "com certeza!" é falante, solar e brincalhona. Os dois, contudo, trazem a mesma carga genética: fazem-nos crer que, por trás da vaguidão ou do entusiasmo escondem-se importantes e desconhecidas informações.

Vejamos: se o farmacêutico respondesse com um mero "sim", o que você pensaria? Que as Aspirinas chegariam amanhã por alguma razão prosaica, talvez porque toda quinta-feira elas chegam e não há aí nenhum mérito do funcionário. Já o "com certeza!" instaura aquele estado de exceção: tamanho júbilo e segurança sugerem que a chegada das Aspirinas é o resultado de grande esforço. Você imagina o farmacêutico ameaçando o distribuidor, dizendo que se não receber o carregamento até as oito da manhã vai fechar um acordo de exclusividade com o Bufferin; você o vê mandando comprar Aspirinas em outras farmácias, no meio da madrugada; vislumbra-o pedindo para um primo mandar dezenas de cartelas via Sedex 10, diretamente da matriz, na Alemanha -e, por um momento, acredita que ele seja capaz até de acabar com a greve dos Correios.

Que beleza é a oratória! Você não sabe o que o sujeito fez para conseguir as Aspirinas. Não sabe sequer por que faltaram Aspirinas. Ignora, aliás, muitas outras coisas neste mundo feito de dúvidas irremediáveis, mas algo, no caso, você sabe: que amanhã, naquela farmácia, haverá Aspirinas, com certeza!

Se este farmacêutico não domina a arte da retórica, não sei quem poderia dominar.



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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com/2011/10/arte-da-retorica.html

Ipea: Criação de regiões metropolitanas obedece apenas aos interesses e às motivações dos estados

12.10.2011
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO


Brasília – Um estudo publicado hoje (13) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a criação de regiões metropolitanas no país, atualmente, obedece exclusivamente aos interesses e às motivações dos estados, já que não há legislação específica, em âmbito federal, que oriente e regule a questão.

De acordo com a pesquisa, o fenômeno denominado metropolização institucional se intensificou a partir da segunda metade dos anos 90. Isso porque, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, a criação das regiões metropolitanas deixou de ser feita pela União e passou a ser competência dos estados.

Atualmente, o país conta com 37 regiões metropolitanas e três regiões integradas de desenvolvimento, totalizando 482 municípios e o Distrito Federal. Em 1973, o país contabilizava oito regiões metropolitanas, que somavam 113 municípios.

“Para além das disputas e tensões políticas locais ou regionais, a motivação para a criação de regiões metropolitanas atrela-se à possibilidade de se ter acesso privilegiado a recursos da União, em função da compreensão amplamente difundida que associa regiões metropolitanas ao intenso processo de urbanização”, destaca o documento.

Segundo o Ipea, o quadro institucional da gestão metropolitana no Brasil é marcado pela diversidade – as regiões metropolitanas são criadas por meio de práticas e motivações que não guardam, necessariamente, relação com o processo de formação das metrópoles; não refletem, obrigatoriamente, políticas ou estratégias de desenvolvimento territorial; e não se atrelam, necessariamente, à gestão das funções públicas de interesse comum.

Entre os critérios empregados na instituição e na delimitação de regiões metropolitanas, são citados com maior frequência nas constituições estaduais: os indicadores demográficos (volume e ritmo de crescimento populacional e densidade demográfica); a ocorrência ou a tendência à conurbação; a necessidade de organização, planejamento e execução das funções públicas de interesse comum; e as atividades econômicas regionais e seu grau de integração.

A pesquisa indica, entretanto, que há um entendimento menos heterogêneo entre os estados de que o saneamento básico, o uso do solo, o transporte público e o sistema viário constituem funções públicas de interesse comum em regiões metropolitanas.

O Ipea destacou ainda que o intenso processo de metropolização institucional não foi acompanhado pela criação de sistemas de gestão metropolitana. Santa Catarina é citado como o estado brasileiro que concentra o maior número de regiões metropolitanas do país, mas não possui uma legislação que trate, especificamente, da instituição do sistema de gestão metropolitana.

Apenas as constituições do Acre, do Amapá, de Roraima e do Tocantins não tratam, de forma explícita, da instituição de regiões metropolitanas, o que, de acordo com o estudo, não configura uma falha legislativa. O Amapá, por exemplo, ao criar a Região Metropolitana de Macapá, em 2003, utilizou a Constituição Federal de 1988 para afirmar seu poder legal de instituir o território, um dos menores em todo o país.

Fonte: Agência Brasil

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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/noticias-geral/33-destaque-noticias/671033-ipea-criacao-de-regioes-metropolitanas-obedece-apenas-aos-interesses-e-as-motivacoes-dos-estados

BLOG MOBILIDADE URBANA: Metrô, trem e ônibus. Projeto de Salvador é show! Por Tânia Passos

13.10.2011
Do blog MOBILIDADE URBANA
Por Tânia Passos

O vídeo mostra o projeto arrojado que está sendo proposto para Salvador. É uma integração dos diversos modais: ônibus, metrô, trem e ciclovia. Fazendo ligação da Avenida Paralela até o aeroporto.

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Entra em vigor hoje lei que amplia prazo do aviso prévio

13.10.2011
Da Agência Brasil
Por Christina Machado
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Passam a valer a partir de hoje (13) as novas regras do aviso prévio. A lei publicada no Diário Oficial da União aumenta de 30 para 90 dias o tempo de concessão do aviso nas demissões sem justa causa.

O projeto, aprovado na Câmara no último dia 21, tramitava no Congresso desde 1989 e foi sancionado sem vetos pela presidenta Dilma Rousseff.

O prazo do aviso aumenta proporcionalmente ao tempo de serviço prestado na mesma empresa. Além do direito aos 30 dias (já previsto em lei), o trabalhador terá direito ao acréscimo de três dias a cada ano de serviço, limitado a 90 dias de aviso prévio.

Em caso de demissão voluntária, o empregado deve trabalhar pelo mesmo período ou ressarcir a empresa pelo tempo devido. Mas a empresa pode optar por liberar o empregado, sem ônus.

De acordo com a Casa Civil, o novo prazo de aviso prévio vale para demissões que ocorrerem a partir de hoje. Não influencia quem pediu demissão ou foi demitido antes da vigência da nova regra.

Edição: Talita Cavalcante

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-10-13/entra-em-vigor-hoje-lei-que-amplia-prazo-do-aviso-previo

Almada: a direita e o nada; e o projeto de um país

13.10.2011
Do blog de Rodrigo Vianna,06.10.11
Por Izaías Almada


O projeto de país posto em prática pelos setores mais progressistas da sociedade brasileira, mesmo com dissensões, dissidências e desconfianças internas, sob o comando do partido de maior densidade eleitoral dessa aliança, o PT, inicia uma nova etapa da luta política no Brasil. 

Uma etapa mais dura, quando se sabe que o esforço necessário para vencer o atraso e eliminar as mazelas, além de exigir competência e determinação política, passa também por quebrar a resistência de preconceitos ideológicos, estejam eles à esquerda ou à direita. E, em particular, daqueles que não têm opinião nenhuma.

Nossa reconstrução democrática após o período ditatorial de 1964 a 1985 configurou um país dividido entre a esperança (de encontrar saídas para o atraso institucional para nossa dependência econômica, nossa pobreza social) e a ignomínia, para dizer o menos, de uma elite aculturada, entreguista e mantenedora e avalista de um modelo econômico concentrador, dependente e desnacionalizado, acentuando – entre outros conflitos – a luta de classes, talvez o maior deles.

Esse redesenho político, com suas causas e conseqüências no campo ideológico, reorganizou também as idéias e os programas dos novos partidos políticos à medida que foram surgindo, a maioria deles com olhos postos no passado ou num futuro imediatista, organizando a sociedade para o desfrute de uma democracia incipiente, incompleta e indecisa quanto aos verdadeiros e fundamentais direitos dos cidadãos, mesmo após a Constituinte “cidadã” de 1988.

O entendimento canhestro do que seja democracia acabou por criar entre nós a farra dos novos partidos políticos, o que acaba por desmerecer a própria democracia, ampliando o número de oportunistas. Do partido A sai o B, que por sua vez cria o C, onde os insatisfeitos criam o D e por aí afora. E é por aí afora também, no tapete do deboche institucional, que vão surgindo ou pontificando os Malufs, os Collor de Melo, os Roberto Jefferson, os FHC, os Serra, os Aécios, os Sarneys, os Kassabs, onde a imoralidade (ou o falso moralismo para os espíritos mais sensíveis não se melindrarem) desfila com a desenvoltura das portas-bandeiras das escolas de samba, engalanada e vistosa nas páginas e telas de nosso PIG de cada dia.

Enumerar os partidos políticos que se reproduziram pós-ditadura é importunar demais os leitores. Cito apenas aqueles que, na atual oposição, costumam freqüentar o noticiário político, PSDB, DEM, PPS, PSD, PP, PTN, P qualquer coisa, e outros menos sonantes, cujos programas ninguém sabe muito bem o que dizem, mas que já preparam – com o beneplácito da mídia venal a eles ligada pelos mais diversos interesses – os “aperitivos” para a campanha presidencial de 2014.

A oposição, no desespero, deu a largada. Um nome, Aécio Neves, e um novo partido (mais um), o PSD, iniciam a corrida para 2014, passando pelas municipais de 2012.



A direita, ou qualquer coisa parecida com isso, começa a definir o universo onde quer jogar o jogo e aponta alguns dos prováveis jogadores. E muita areia ainda vai jogar nos nossos olhos.

O mineiro Aécio Neves tem tudo para repetir Collor de Melo. Conhecido nas Gerais como “o abominável menino dos neves” é uma espécie de coronel nordestino, tal qual Antonio Carlos Magalhães, com fantasias modernas e mais jovens. Governou Minas durante oito anos sob o tacão da censura e do assédio a jornalistas, inclusive com a criação de uma espécie de polícia política para intimidar adversários. O uso de dedos-duros nas repartições públicas, negociatas, arrocho salarial de funcionários públicos, a mesma rede de intrigas como a de José Serra em São Paulo.

Aecinho, como é conhecido em Belo Horizonte, tem tudo para se revelar uma fraude, uma cobra criada em ninho tucano, o novo ovo da serpente.

O PSD, por sua vez, definido por seu criador Kassab como sendo um “partido independente”, pois não é de direita, nem de esquerda e nem de centro (sic), não se sabe muito bem a que vem. Sua definição, contudo, indica que é o partido do nada ou do vale tudo, pronto para qualquer tipo de aliança e composição, desde que tire a sua casquinha no poder e nas benesses.

O Brasil que quer se tornar um país minimamente respeitável e sério ainda vai ter que, com paciência, enfrentar muito essa gente. E, mais do que nunca, não subestimá-los, pois com suas televisões, rádios, revistas e jornais, acostumaram o povo brasileiro com a SUA liberdade de expressão, com a SUA liberdade de imprensa, com acusação sem provas e a condenação sem julgamento. Ou, pior que isso, com a meia verdade, que também se torna a meia mentira. Confusão, dúvida, desconfiança. Dividir para reinar, mesmo que na oposição.

A Direita e o Nada já estão em preparativos para 2012 e 2014. Com a palavra o governo, os partidos de esquerda, de centro esquerda e os movimentos sociais…


Leia outros textos de Reflexões

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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/colunas/reflexoes/izaias-almada-a-direita-e-o-nada.html

MENSALÃO DO PSDB: Movimentos sociais reforçam luta petista por CPI das emendas

14.10.2011
Do site do Correio do Brasil, 00.10.11
Por Raoni Scandiuzzi, Rede Brasil Atual



CUT, sindicatos, movimentos por moradia e associações de bairro, entre outros, unem-se a deputados para exigir apuração de denúncia sobre venda de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo
São Paulo – A bancada de deputados estaduais do PT reuniu-se nesta quinta-feira (13), na Assembleia Legislativa de São Paulo, com representantes de diversos movimentos sociais com a finalidade de engrossar o coro para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o esquema de venda de emendas no estado. Faltam três das 32 assinaturas necessárias para a instalação da CPI.
Ficou marcado para quinta-feira (27), às 14 horas, um grande ato em frente à Assembleia Legislativa a fim de pressionar os parlamentares que ainda não assinaram a CPI a fazê-lo.
Além dos parlamentares petistas, diversos integrantes dos movimentos sociais participaram da reunião, entre eles, líderes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), dos movimentos por moradia, de sindicatos, do Congresso Nacional Afro Brasileiro, e vários integrantes de associações de bairro.
A polêmica surgiu a partir de uma entrevista na internet do também deputado Roque Barbiere (PTB), afirmando que 25% a 30% dos deputados “vendem” a cota de emendas a que têm direito todos os anos em troca de parte dos recursos. O deputado licenciado e atual secretário de Meio Ambiente do estado, Bruno Covas (PSDB), em entrevista a um jornal, endossou o colega e sugeriu ter ouvido rumores a respeito, citando até um exemplo que aconteceu com ele mesmo, quando um prefeito  ofereceu-lhe uma propina de 10% de uma emenda no valor de R$ 50 mil.
O líder da bancada petista, deputado Enio Tatto, afirmou que somente uma CPI poderá aprofundar as investigações. “É fundamental que nós, deputados, nos juntemos aos movimentos populares para irmos para cima dos deputados que denunciaram o fato e exigirmos a apuração do caso”, afirmou.
Tatto mostrou ainda a disparidade praticada pelo governo estadual no momento de divisão dos recursos entre as bancadas. De acordo com o deputado, dos R$ 48 milhões reservados para as emendas de 2011, R$ 16 milhões foram destinados para os deputados do PSDB, R$ 9,6 milhões para o DEM, R$ 7 milhões para o PV, R$ 3,6 milhões para o PPS, e R$ 3,2  milhões para o PT, que tem o maior número de parlamentares na Casa.
O membro do Conselho de Ética deputado Luiz Claudio Marcolino afirmou que o trabalho no Conselho é limitado. Ele falou que a CPI é indispensável para que os acusados parem de se defender somente por meio de cartas enviadas aos deputados, e passem a comparecer nas comissões.
O coordenador estadual da União dos Movimento de Moradia, Sidnei Pita, mostrou-se disposto a uma mobilização. “Faremos um grande ato aqui na porta da Assembleia, cobrando dos parlamentares as assinaturas que faltam para implantar a CPI”, disse.
No mesmo sentido, o presidente estadual da CUT paulista, Adi dos Santos Lima, falou que o governo paulista está em uma investida buscando abafar o esquema.  “A população não pode tratar essa situação como mais uma”, disse o sindicalista.
Na reunião ainda foi cobrado o orçamento regionalizado e o fim das emendas parlamentares.

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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/movimentos-sociais-reforcam-luta-petista-por-cpi-das-emendas/311586/

@jeanfabio: “A Globo se negou a nos filmar! Pq será?!”