quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jornalismo Wando concede título de Honóris-Fófis para Fernando

13.10.2011
Do  blog de Luiz Carlos Azenha, 05.10.11
Por Jornalismo Wandovia facebook do Leandro Fortes

É isso mesmo, gente. O Lula, apesar de ter se tornado um querido com o passar do tempo, está sendo hiper valorizado com essa história de títulos internacionais. Fernando, além de ser um gentleman, é trilingue e é considerado o Príncipe da Sociologia. Aí então acordei com uma questão martelando minha cabeça: Por que não Fernando?
Alguns colegas da imprensa estão dizendo que Lula ganhou o título de “Honóris Causa Inveja em Fernando”. Acho um absurdo e uma falta de carinho sem tamanho com nosso Príncipe querido. Aliás, esse título (Príncipe) não foi concedido por nenhuma universidade internacional, e sim pela sociedade brasileira como um todo.
Bom, gente, eu, na qualidade de amigo de Fernando e incansável lutador do Jornalismo Wando, tenho o prazer de anunciar que concederei o título de “Honóris Fófis” para o nosso eterno Presidente. Nunca antes nesse país, tivemos um presidente tão fofo e carinhoso com a imprensa em geral.
Já estou organizando os detalhes da cerimônia com a Mi, que também é colega de Fernando. Eu mesmo entregarei a Medalha do Amor ao nosso Príncipe Eterno.
Beijo no coração.
Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/humor/jornalismo-wando-concedera-titulo-de-honoris-fofis-para-fernando.html

Diálogo não encerra o racha da Frente Popular

12.10.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Aline Moura


Movimentações de petistas e socialistas para 2012 causam desgastes e dificultam acordo entre caciques


Em evento ontem pela manhã, Humberto Costa e Eduardo Campos pouco se falaram.
Imagem: JULIO JACOBINA /DP/ D.A PRESS


A tensão entre o PSB e o PT aumenta a cada dia. O governador Eduardo Campos (PSB) e o senador Humberto Costa (PT) se reuniram ontem para reduzir o ruído entre os dois partidos, mas ele só faz crescer. Enquanto eles conversavam para esfriar os ânimos, ontem à tarde, no Palácio do Campo das Princesas, os vereadores socialistas e do novo PSD praticamente decidiam, na Câmara do Recife, manter, em bloco, uma postura “crítica” e “independente” à gestão João da Costa (PT). Ao mesmo tempo, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, falava aos quatro cantos: “não queremos ser reféns do PT”.

Antes das novas declarações de FBC, como o ministro é chamado, o desconforto entre os dois caciques ficou visível durante a posse do novo reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anísio Brasileiro. Eduardo e Humberto se sentaram lado a lado por pouco mais de duas horas, mas trocaram pouquíssimas palavras, o que não é comum nesse tipo de solenidade. O silêncio de ambos foi quebrado poucas vezes, quando algum orador falava algo que fugia do protocolo.

O senador saiu do encontro, no Campo das Princesas, dizendo que ele e o governador entraram num consenso para que os respectivos presidentes do PT e do PSB no estado, Pedro Eugênio e Milton Coelho, sejam os únicos a falarem pelos partidos. Mas eles terminaram não batendo o martelo sobre o tema e Eduardo não respondeu ao ser indagado sobre o assunto pela imprensa. Talvez porque o próprio FBC dificilmente transferiria o domicílio de Petrolina para o Recife sem conversar com Eduardo. O PSB, na prática, não funciona como a legenda petista, no qual os conflitos são vistos como construtivos e externados por dias.

“Eu e ele estamos preocupados com a temperatura desnecessária da Frente Popular e a ideia é que a gente possa mudar a pauta, mudar essa agenda. Algumas declarações, em determinada ocasião, só fazem agravar. Mas não houve nenhuma decisão (sobre os porta-vozes)”.

Questionado, depois da reunião no Palácio, se achava que o ministro agia com apoio do socialista, Humberto respondeu: “eu não posso fazer esse julgamento. O que posso dizer é que, nesse encontro, eu e ele (Eduardo) nos colocamos. Não fizemos nenhum movimento para trazer ninguém para lá ou para cá”, declarou, referindo-se à filiação do deputado estadual Odacy Amorim ao PT e à mudança de domicílio eleitoral do ministro.

Para o prefeito João da Costa, o momento é de “bombeiro”, não de espalha brasa. Ele ontem se esforçou para sair em defesa do vice-prefeito do Recife, Milton Coelho, que terminou atingido por declarações do secretário de Assuntos Jurídicos, Cláudio Ferreira. Este último disse que a cidade tinha ficado acéfala enquanto o prefeito João da Costa estava de licença médica. “Cláudio não quis dizer isso (…) E, se ele disse nesses termos, ele sabe que não concordo com ele. Milton foi fundamental naquele período”. 

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/10/12/politica1_0.asp

Luciano vira cidadão recifense amanhã

12.10.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por  José Accioly


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O deputado estadual Luciano Siqueira receberá na tarde da desta quinta-feira (13) o título de Cidadão do Recife concedido pela Câmara Municipal da cidade. O ato solene acontecerá a partir das 15h30, no Plenário da Casa de José Mariano.

A proposição da homenagem foi apresentada em 2005 pelo ex-vereador Audísio Costa (PCdoB). Segundo ele, apesar de a proposta ter sido aprovada naquele mesmo ano, a entrega do título terminou adiada em virtude de ter deixado a Casa, por força da legislação eleitoral que reduziu o número de vereadores. Assim, caberá ao vereador Almir Fernando, na atual Legislatura, prestar a homenagem.

Luciano nasceu em Natal, capital do Rio Grande do Norte, e mudou-se para o Recife ainda adolescente. No final da década de 1950, ingressou como voluntário no amplo movimento de massas da época, o Movimento de Cultura Popular, na gestão do então prefeito do Recife, Dr. Miguel Arraes, iniciando então sua trajetória de luta e de militância política pelo Recife e por Pernambuco.

Foi eleito Vice-Prefeito do Recife em 2000 e reeleito no pleito eleitoral de 2004. Em 2006, foi candidato ao Senado representando o campo progressista e obteve 33% dos votos válidos na capital pernambucana.

Nas eleições de outubro de 2008 foi eleito vereador por seu partido, o PCdoB, com a maior votação entre os vereadores da frente de esquerda, com o compromisso de continuar trabalhando por uma cidade mais humana e em sintonia com a luta por um país soberano, progressista e democrático, sob a inspiração do ideal socialista.

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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/25825-luciano-vira-cidadao-recifense-amanha

Imprensa de aluguel ataca trabalhadores no Rio Grande do Sul

12.10.2011
Do blog JORNALISMO B, 04.10.11



Nesta terça-feira chega a uma semana a greve dos bancários do Rio Grande do Sul. Os trabalhadores pedem 12,8% de aumento, o que seriam 5% de aumento real, enquanto os bancos, que lucram cada vez mais, oferecem 0,56% de aumento real. Com a greve, causada pelos banqueiros – e não pelos bancários, as grandes vítimas da lógica trabalhista dos bancos –, os usuários também saem prejudicados. Esse prejuízo é duplo: além das dificuldades óbvias em utilizar os serviços a que têm direito, ainda se vêem afundados em um grande lamaçal midiático. A desinformação é a tônica constante na mídia hegemônica quando se fala em qualquer movimento grevista. Nesse caso não é diferente.
Representante midiático das elites, o jornal Zero Hora começou, no mesmo dia em que iniciava a greve dos bancários, uma campanha difamatória contra o movimento e o Sindicato dos Bancários. A estratégia para jogar a população contra os grevistas vem sendo dupla: mostrar como a greve prejudica o bom andamento da vida do leitor e, imediatamente a seguir, deslegitimar o movimento como instrumento de luta.
Foram, até o momento, quatro matérias falando sobre a greve. Duas delas (27/09 e 04/10) falaram apenas sobre as dificuldades que os consumidores encontram e sobre “como fugir dos transtornos”. Ou seja, a greve é uma prática que atrapalha o bom andamento social e o “consumidor” deve agir em relação a ela apenas buscando formas de contorná-la. Não há porque se interessar em conhecer as motivações dos grevistas, muito menos solidarizar-se a eles. Zero Hora reforça o ideário liberal do indivíduo por si mesmo, desconectado de sua classe – no caso, a classe trabalhadora – ou das demandas sociais impostas de cima e refletidas embaixo.
As outras duas matérias (28/09 e 01/10) “denunciam” o uso de “grevistas de aluguel” que, segundo ZH, “dão volume ao movimento”. A ideia passada é de que o movimento não tem força e busca se legitimar através de artifícios que não são bem aceitos socialmente. Declarações do presidente do SindBancários, Mauro Salles, foram distorcidas para corroborar a tese que visa deslegitimar o movimento perante a população e entre seus próprios militantes. Salles deixa claro que foi contratado pessoal de apoio “para levar lanche, fixar faixas e até dar informações aos clientes”, já que “os funcionários de bancos privados que ficam na frente de suas agências podem ser demitidos”. Sobre mais essa forma de pressão sobre os trabalhadores – o risco iminente de demissão por exercer o direito à greve – Zero Hora preferiu não se aprofundar.
 As reivindicações dos bancários também ficam de fora da cobertura, assim como qualquer reflexão sobre o fato de os lucros astronômicos dos bancos não refletirem em uma melhora efetiva na condição dos trabalhadores.
Na matéria do dia 27/09, são seis parágrafos, totalizando 30 linhas, e apenas as últimas quatro foram destinadas a informar que “Os bancários reivindicam aumento de 12,8%, que corresponde à recomposição do salário de 7,8% mais o aumento de 5%”. Em 28/09, 13 parágrafos, 87 linhas, e apenas as últimas quatro, novamente, falam sobre reivindicações, e de forma incompleta (“Em greve nacional, os bancários reivindicam reajuste salarial de 12,8%. A Federação Nacional dos Bancos oferece por enquanto 8%”). No dia 01/10, cinco parágrafos, 35 linhas, e nenhuma palavra sobre reivindicações, o mesmo acontecendo no dia 04/10, quando o texto principal tem sete parágrafos que totalizam 61 linhas.
A grande mídia, representada, nesse caso específico, pelo jornal Zero Hora, é a tercerização do discurso das elites. É a imprensa de aluguel, alugada pelos banqueiros para defender seus indefensáveis interesses. O ataque às reivindicações dos trabalhadores é diário, e a desintegração social entre os explorados é o objetivo quando se criminaliza e deslegitima, através de um discurso distorcido, movimentos sociais legítimos e com direito à manifestação.

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Fonte:http://jornalismob.wordpress.com/2011/10/04/imprensa-de-aluguel-ataca-trabalhadores-no-rio-grande-do-sul/

Eduardo e Humberto buscam paz

12.10.2011
Do BLOG DE JAMILDO, 
Postado por Helder Lopes 
Do Jornal Commercio

O Palácio do Campo das Princesas trabalha para tirar da pauta política os desentendimentos dentro da Frente Popular de Pernambuco, expostos nas últimas semanas. Ontem, o governador Eduardo Campos (PSB) reuniu-se com o senador Humberto Costa, maior liderança do PT no Estado, com o intuito de começar a "baixar a temperatura" do embate, nas palavras do petista. O acirramento tinha piorado com a troca de farpas entre o secretário-geral do PSB regional, Adilson Gomes, e o ex-presidente do PT estadual Jorge Perez, no fim de semana passado.

Humberto avalia que já é hora de os dirigentes estaduais dos partidos governistas colocarem os pingos nos "is" a respeito das tensões internas - estas, geradas por ambições eleitorais nos municípios em 2012. "Estamos agarrados a uma pauta que só tem sentido de acontecer no ano que vem. É importante então que os partidos possam conversar. Os dirigentes precisam chamar para si a responsabilidade."

Nos próximos dias, o senador pretende encontrar o presidente regional do PT, deputado federal Pedro Eugênio, e argumentar a favor de reunião urgente com o presidente do PSB em Pernambuco, o vice-prefeito do Recife, Milton Coelho. "Senão (outros membros dos partidos) vão ficar jogando lenha na fogueira, e ficamos sem saber a posição dos partidos", alerta Costa. Essa necessidade havia sido externada pelo prefeito do Recife, João da Costa, na segunda-feira (10), em entrevista à Rádio Jornal.

Pedro Eugênio concorda e acrescenta que essa reunião dos líderes partidários já era planejada há três semanas, quando se aproximava o fim do prazo para troca de partido e de domicílio eleitoral para pré-candidatos. "Foi quando estive com Milton Coelho e ele disse que iríamos ter essa conversa." Ele recorda que igual atitude foi tomada antes das eleições de 2008, com efeito positivo para a aliança.

Eduardo Campos e Humberto Costa encontraram-se ontem na posse do novo reitor da UFPE, Anísio Brasileiro, e de lá seguiram para reunião no Palácio. Ambos pensam ser necessário "encerrar a discussão" em torno das disputas. "A prioridade é a administração do Estado, e não o bate-boca eleitoral", pontuou o senador.

As tensões avultaram com a ida de aliados para o PT, que tenta cacifar-se em municípios-chave para a Frente, e também a inserção do ministro socialista Fernando Bezerra Coelho no Recife, reduto petista onde é pré-candidato. No encontro, Campos fez questão de dizer que não encampou movimentação para pôr ou tirar membros de partidos da base. Humberto ressaltou que o PT não faz proselitismo.

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Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/10/12/eduardo_e_humberto_buscam_paz_115644.php

Gilberto Maringoni: Rafinha dançou por mexer com gente rica

12.10.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha,11.10.11
Por Gilberto Maringoni, em Carta Maior

O integrante do CQC, que fez piada de péssimo gosto com Wanessa Camargo, já falara coisas piores. Agora mexeu com esposa de milionário, que ameaçou tirar anúncios da TV Bandeirantes. Ninguém classificou caso como atentado à liberdade de expressão. Já quando ministra condena comercial de lingerie machista, o coro é um só: “Censura”!
Qual é o problema com a suposta piada de Rafinha Bastos? Ele antes já exibira todas as cores de seu mau gosto e nada acontecera.
Todos conhecem a pérola, não? O apresentador aproveitou-se de uma bola levantada pelo chefe da cena do programa Custe o que Custar (CQC), Marcelo Tas, sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo, e cortou ligeiro: “Eu comeria ela e o bebê, não tô nem aí”. Foi logo acompanhado por risos e caretas de seus colegas de vídeo, Tas e Marco Luque .
A grosseria foi ao ar dia 19 de setembro. A TV Bandeirantes, que exibe o programa, levou duas semanas para decidir o que fazer. Em 3 de outubro, o apresentador foi suspenso da bancada. Não se sabe se voltará.
Não foi a primeira vez que Rafinha exerceu sua – digamos – sutileza. Em entrevista à revista Rolling Stone, em maio de 2011, ele saiu-se com esta: “Mulheres feias deveriam agradecer caso fossem estupradas, afinal os estupradores estavam lhes fazendo um favor, uma caridade”.
A gracinha com as feias não rendeu ao gaúcho de dois metros de altura nada além de protestos de movimentos femininos. Mas a liberdade com a cantora custou-lhe até agora, além do posto no programa, o cancelamento de shows e o rompimento de alguns contratos de publicidade. Rafinha perdeu grana com a brincadeira.
Pensamento vivo
Repetindo: qual o problema com as tiradas do rapaz de 34 anos, num universo midiático em que o mau gosto, a boçalidade e o “politicamente incorreto” passaram a ser valores em si?
Rafinha vive num tempo em que as demonstrações de preconceito, como as do apresentador de outro programa de entretenimento da mesma emissora, Boris Casoy, não têm consequências maiores. Todos se recordam da fineza do jornalista ao desqualificar dois garis que apareceram em seu programa para desejar boas festas, no final de 2009. Sem saber que os microfones estavam abertos, ele foi ao ponto: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.
O artista do CQC também sabe que o pensamento vivo de gente como o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) recebe destacada acolhida em grandes meios de comunicação. Sua entrevista à revista Playboy  , em junho último, é pródiga em preciosidades. Segue um exemplo: “Moro num condomínio, de repente vai um casal homossexual morar do meu lado. Isso vai desvalorizar minha casa!”.
Outro luminar da intelectualidade midiática, o ex-compositor Lobão, por sua vez, exibiu os músculos cerebrais em um festival de cultura em São Francisco Xavier (São José dos Campos, SP), também em junho. Após demonstrar criteriosamente que toda a música popular brasileira não tem nenhum valor, ele sentenciou: “A gente tinha que repensar a ditadura militar. Essa Comissão da Verdade que tem agora. (…) Que loucura que é isso? Aí tem que ter anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador, e pros caras que torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não?”.
Os exemplos são infindáveis. Rafinha provavelmente é leitor de Reinaldo Azevedo, o blogueiro de Veja, que, em março de 2010, durante uma palestra no afamado Instituto Millenium, em São Paulo, externou sua particular concepção de liberdade de expressão: “A imprensa tem que acabar com o isentismo e o outroladismo, essa história de dar o mesmo espaço a todos”. Na mesma oportunidade, o cineasta aposentado Arnaldo Jabor lançou o desafio de “impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”. Impedir o pensamento… muito bom!
A baixaria televisiva contaminou até mesmo as campanhas eleitorais. Continuam na memória de todos os ataques da campanha de José Serra à Dilma Rousseff, em 2010, sobre o tema do aborto. Em Nova Iguaçu (RJ), Monica Serra, esposa do então candidato tucano, disse o seguinte sobre a petista: “Ela é a favor de matar as criancinhas”.
Dois anos antes, a campanha de Marta Suplicy (PT) à prefeitura de São Paulo já havia colocado en dúvida a sexualidade de seu oponente, ao  dizer: “Você sabe mesmo quem é o Kassab? Sabe de onde ele veio? Qual a história do seu partido?” Em seguida, aparece a foto do prefeito: “Sabe se ele é casado? Tem filhos?”
Bem acompanhado
Rafinha está em boa companhia. Deve se sentir incentivado para exercer seu rosário de preconceitos. Provavelmente pensa estar “quebrando paradigmas”, investindo contra o estabelecido e externando uma rebeldia adolescente, que lhe granjeia grande popularidade e bons cachês.
Ridicularizar e humilhar quem tem poucas chances de se defender, em uma sociedade com desigualdades abissais como a brasileira, é um grande negócio. Prova isso a lista de clientes dos shows do moço, que constam de sua página na internet. São elas Votorantim, Bosch, Agroceres, LG, HP, Ernst & Young, IBM, Banco Real, Vivo, Springer Carrier, Cargil, Unilever, Motorola, Chevrolet, Sherwin Williams, Valor Econômico, Bunge, GNT (Globosat), Jornal O Estado de S. Paulo, Coca-Cola, Bradesco, ESPM etc. Segundo a Veja, ele foi visto em mais de 730 comerciais somente neste ano.
Rafinha faz parte de uma tendência do humor televisivo, que se abriu após a chegada dos humoristas do Casseta e Planeta ao vídeo. A linhagem envolve também o programa Panico (da Rede TV!) e outros imitadores, além do Zorra Total, da Globo. Todos se dizem distantes da política, independentes e praticantes de um humor anárquico e sem freios. Nem mesmo a participação de Marcelo Tas comopalestrante em um encontro da juventude do DEM ,em novembro de 2008, ou de Marcelo Madureira nas palestras hidrófobas do Instituto Millenium, os comprometem, segundo eles, com idéias que não as próprias.
Acima da cintura
Num panorama desses, repetimos: qual o problema de Rafinha Bastos?
O problema é que o garoto bateu acima da cintura.
Tudo bem desancar garis, a esquerda que foi à luta nos anos da ditadura, exaltar a parcialidade da imprensa e atacar homossexuais e outros grupos vulneráveis.
Não pode é investir contra o topo da pirâmide social.
Rafinha cometeu esse pecado. Wanessa Camargo é casada com Marcus Buaiz, 31 anos, herdeiro de um dos maiores conglomerados empresariais do Espírito Santo, o Grupo Buaiz, que completa 70 anos em 2012. O grupo é formado pela TV Vitória (afiliada da Rede Record), por duas rádios, pelo Nova Cidade Shopping Center, por várias empresas de alimentação (Café Número Um, Moinho Três Rios e Moinho Vitória), pela Buaiz Importação e Exportação, pela incorporadora Meca e pela Automóbile Comércio de Veículos, entre outras.
Marcus Buaiz transferiu-se para São Paulo, onde é proprietário de casas noturnas e restaurantes, além de uma empresa de marketing esportivo, a 9INE, em parceria com o ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Segundo o jornal A Gazeta, de Vitória, o empresário e seu sócio teriam ameaçado tirar anúncios do programa, após a performance de Rafinha Bastos. “Um comercial de 30 segundos no CQC custa 130 mil reais. Já um merchandising pode custar de 240 mil a dois milhões e 400 mil reais, sem incluir cachês”, diz a publicação.
Com tudo isso, a Bandeirantes podou Rafinha Bastos de sua programação.
Dois pesos
O curioso da história é que intenção semelhante, de retirada de um comercial de lingerie do ar, por parte da ministra da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes (PT), foi classificada como censura por colunistas de imprensa e até por colegas seus na Esplanada dos Ministérios.
Na peça, em três versões, Gisele Bundchen faz as vezes de uma esposa prestes a dar uma péssima notícia ao marido: estourou o limite do cartão de crédito, bateu o carro ou informa que sua mãe virá morar com eles. É um machismo digno dos anos 1950. Os publicitários da agência Giovanni+DraftFCB devem ter achado o máximo a própria criação. No clima de boçalidade modernosa, não há problema na mulher bonita, mas dependente do marido provedor, invocar seus atributos eróticos para conseguir o que quer.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a representante governista assim se manifestou: “A propaganda caracteriza como correto a mulher dar uma notícia ruim apenas de lingerie e errado estar vestida normalmente. Essa definição de certo e errado caracteriza um sexismo atrasado e superado”.
A ação da ministra está a quilômetros de distância das ameaças que teriam sido feitas pelo marido de Wanessa Camargo ou pela ação da Bandeirantes, que sem mais tirou Rafinha do ar. Iriny apenas solicitou ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) a suspensão da peça publicitária.
O mundo desabou sobre sua cabeça, com insinuações sobre estética feminina e inveja da modelo.
O caso Rafinha Bastos é pedagógico. No Brasil, além das mulheres, qualquer minoria pode ser atacada. Menos uma: a minoria dos endinheirados.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/maringoni-rafinha-nao-dancou-por-machismo-mas-por-mexer-com-gente-rica.html