quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Chupa, OPOSIÇÃO! Lula será nomeado doutor honoris causa pelo Sciences Po de Paris

21.09.2011
Do blog ONI PRESENTE,20.09.11



O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva será nomeado doutor honoris causa pelo prestigiado Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po) em uma cerimônia que será realizada no dia 27 de setembro, informou a instituição em comunicado nesta terça-feira.

Essa é a primeira vez que uma personalidade latino-americana irá receber o título, que, por sinal, não costuma ser entregue com facilidade. Desde sua fundação em 1871, o Sciences Po nomeou apenas 15 doutores. O ex-presidente brasileiro será o 16º.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o título de doutor "honoris causa" na Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro Canela, em Salvador (BA). Este é o sexto título de doutor honoris causa que Lula recebe este ano Ricardo Cardoso/AE

"Durante sua presidência, Lula iniciou inúmeros programas sociais inovadores, favoreceu o desenvolvimento econômico em seu país e deu ao Brasil um papel significativo no cenário internacional", destacou o instituto ao reconhecer as ações de Lula durante seus dois mandatos sucessivos como chefe do Estado.

O encarregado de pronunciar o discurso sobre o ex-presidente será Jean-Claude Casanova, que além de ser membro da instituição ainda preside a Fundação Nacional das Ciências Políticas da França.

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Fonte:http://blogdoonipresente.blogspot.com/2011/09/chupa-oposicao.html

O Lehman Brothers e a amnésia neoliberal

21.09.2011
Do OPERA MUNDI, 15.09.11
Por Saul Leblon | São Paulo


s mercados financeiros são autorreguláveis. Os mercados financeiros sabem alocar recursos ao menor custo, com maior eficiência. Os mercados financeiros dispensam o planejamento público; tornam irrelevante a intervenção do Estado na economia. Até 15 de setembro de 2008, apesar dos indícios robustos em sentido contrário, o mantra das finanças desreguladas continuava a martelar sua supremacia urbi et orbi.

Os sinais de que as coisas não iam bem piscavam no painel de controles para quem quisesse enxergar. O Bear Stearns havia quebrado sendo adquirido pelo JP Morgan, numa operação de resgate com aportes de pai para filho fornecido pelo Fed (Federal Reserve). As gigantes do crédito imobiliário norte-americano, Fannie e Freddie, respiravam por aparelhos com oxigênio do banco central norte-americano. O medo flertava com o pânico à noite. Pela manhã, no entanto, os executivos do governo, os operadores das finanças e seus ventríloquos na mídia reafirmavam a autossuficiência dos mercados nos ajustes necessários.

Mas, na segunda-feira, dia 15, logo cedo, num cochilo do governo Bush, ou quem sabe num delírio de fé neoliberal na proficiência purgativa dos mercados, estourou a notícia do pedido de falência do quarto maior banco dos EUA, o Lehman Brothers.

O desabar ruidoso da centenária instituição tornou-se o símbolo e a espoleta de um colapso econômico que já dura três anos. Nesse meio tempo, o desemprego arrebanhou mais de 40 milhões no mundo; o total de famintos ultrapassou a marca de um bilhão de pessoas; o PIB mundial esfarelou e caminha de lado; milhares de empresas quebraram, dezenas de milhares de famílias sofreram o desmonte típico dos períodos de desmanche econômico, psíquico e social.

Ainda não foi suficiente para que a lógica geradora da crise deixasse de ser prescrita como terapia para o doente.

Não é preciso ir à Europa onde a social-democracia, de mãos dadas com o FMI, este mais moderado que aquela, comete a eutanásia do que resta do Estado do Bem-Estar Social adotando o arrocho fiscal para acalmar credores inquietos com tesouros falidos.

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Tampouco é necessário atravessar o Atlântico para documentar as turquesas de tibiez democrata e extremismo neoliberal republicano que espremem e imobilizam a maior economia capitalista da terra. Fiquemos por aqui onde a oferta não decepciona.

No dia 25 de agosto, por exemplo, a fina flor da sapiência tucana reuniu-se no Instituto Fernando Henrique Cardoso para refletir sobre a oportuna pauta: “Transição incompleta e dilemas da (macro) economia brasileira”. Estavam ali expoentes da cepa que hoje, em plena crise mundial, seriam a voz e o comando do Estado brasileiro se a coalizão demotucana e não o PT tivesse vencido o pleito de 2010. Participaram os economistas André Lara Resende, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e Pérsio Arida, “pais” do Plano Real, ademais de ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central.

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O fruto do ventre tucano não se deu por vencido. E dobrou a aposta na agenda do neoliberalismo ao propugnar um novo degrau de desregulação radical da economia brasileira, com perorações desabridas por maior redução do papel do Estado na sociedade, privatizações, livre conversão da moeda e, portanto, absoluta liberdade de circulação de capitais.

Três anos depois, tudo se passa como se a maior crise do capitalismo desde 1929 não tivesse origem, nem causas. Ou melhor, como se a sua causa fossem Estados fiscalmente destroçados no socorro aos mercados que agora, de própria voz, ou através de seu dispositivo midiático, cobram austeridade, cortes de gastos e juros escorchantes para financiar o déficit público. Ou então, como ocorre no Brasil, negam à sociedade o direito a um Estado capaz de prover um atendimento de saúde digno, para não tributar as finanças.

Discutida no Congresso desde junho de 2008, a CSS (Contribuição Social para a Saúde), propiciaria à saúde pública recursos vinculados e intransferíveis, constituindo-se assim num imposto mais eficiente e justo que a CPMF extinta pelo conservadorismo nativo em 2007. Mas um destaque apresentado pelo DEM veta a taxação de 0,1% sobre movimentações financeiras. Sem ela, o novo tributo se torna inviável. As finanças são poupadas. A fila do SUS estrebucha.

A amnésia da opinião pública inoculada pela mídia do dinheiro ameaça o mundo com um upgrade neoliberal de conseqüências devastadoras para uma economia, e uma sociedade exauridas por três anos de penalizações. Por isso é importante lembrar. E refletir sobre as causas e consequências daquela falência de 15 de setembro de 2008, que funcionou para a crise como uma espécie de terceira torre do World Trade Center. Com a diferença que o seu efeito dominó ainda não cessou.

Artigo publicado originalmente em Carta Maior. 

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/O+LEHMAN+BROTHERS+E+A+AMNESIA+NEOLIBERAL_1628.shtml

MIDIA GOLPISTA: Civita joga Veja no lixo

21.09.2011
Do blog CONVERSA AFIADA,15.09.11
Por Paulo Henrique Amorim



Conversa Afiada reproduz texto do blog do Nassif:

Mercado especula sobre o futuro da Abril

Por Luciano Martins Costa

Movimentações recentes no comando da Editora Abril, como a contratação do banqueiro Fabio Barbosa para a presidência do grupo, e a compra, pela família Civita, do complexo de cursos e publicações Anglo Latino, têm estimulado suspeitas de que o grupo estaria se preparando para desidratar o setor de revistas.


Consolidada a aquisição do Anglo, por R$ 600 milhões, acertada em meados de 2010, o negócio ainda causa curiosidade entre especialistas, como deixou escapar na terça-feira (13/9) um experiente professor da Fundação Getulio Vargas.


Afinal, para que a Editora Abril iria querer um sistema educacional que é na verdade uma franquia que oferece cursos e vende apostilas?


Em primeiro lugar, não se trata de um negócio da Abril, mas da família Civita. Perspectivas pouco animadoras quanto aos sucessores de Roberto Civita teriam convencido o controlador do grupo editorial a investir em educação, um negócio muito mais promissor do que o de revistas.


Segundo mostrou o recente encontro da associação do setor, a ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas), o cenário vai levar a mudanças radicais na organização das editoras, com uma provável fragmentação dos grupos de interesse, o chamado público das revistas.


A pulverização dos títulos, induzida pela necessidade de buscar recursos em nichos cada vez mais específicos, tem aumentado perigosamente a complexidade da gestão do grupo Abril.


Os esforços para a qualificação de editores em técnicas de administração não têm dado resultados, simplesmente porque jornalistas, em geral, não são preparados para outra coisa que não jornalismo.


Jornalistas que atuaram em outros setores da economia, em cargos de diretoria, sabem o abismo que separa seus colegas editores dos executivos oriundos das áreas financeira, industrial ou de serviços.


Sem um herdeiro que possa ser qualificado como gênio, e sem ter tido a sorte de ser, ele mesmo, um clone do pai, o patriarca Victor, Roberto Civita tem poucas garantias de ver prosperar ou mesmo permanecer sua complicada rede de publicações.


Mas as revistas estão acabando?


Não exatamente. Mas as mudanças que estão ocorrendo no setor vão se acelerar de uma forma jamais vista antes no mercado. Títulos tradicionais vão desaparecer subitamente, e certos temas serão quase exclusivamente lidos em plataformas digitais.


Na rota do Titanic


Volta, então, a pergunta que foi feita aqui na última terça-feira: o que o banqueiro Fábio Barbosa foi fazer na Editora Abril?


Ele já declarou aos editores que nada sabe do negócio de revistas. Mas Barbosa e Civita sabem que isso não tem a menor importância, porque ele não está na Abril para salvar as publicações – ele virou presidente do grupo para salvar o capital da família Civita.


No encontro em que foi apresentado aos editores do grupo Abril, Barbosa disse que, como não conhece o setor, talvez seja capaz de fazer perguntas que os jornalistas já esqueceram.


Bobagem: para fazer seu serviço, ele não precisa saber o que é uma boa pauta. Ele vai fazer o que é sua especialidade: obter o máximo de resultado financeiro no que resta de vida a alguns produtos, preparar a abertura de capital do outro negócio – o de educação – e observar a lona do circo de revistas murchar.


Roberto Civita já colecionou grandes feitos em sua carreira de executivo-empresário: perdeu a TVA, vendida para a Telefonica, viu o Brasil Online ser absorvido pelo UOL e estimulou a transformação da revista Veja, que já foi um dos principais patrimônios da imprensa brasileira, em um título Murdoch.


A Abril vive de um punhado de revistas sem qualquer relevância, a maioria voltada para assuntos de menor importância para as necessidades estratégicas de uma empresa do seu porte. As revistas de negócios, que já tiveram grande influência, foram transformadas em manuais de auto-ajuda para gerentes e são consideradas um dos elos mais frágeis do sistema de publicações de papel – porque os jovens executivos preferem se informar em seus aparelhos digitais e têm acesso a dezenas de alternativas setoriais no formato tradicional, como as revistas customizadas e as publicações de nicho.


Do conjunto de bravos e esforçados editores não saem ideias inovadoras capazes de criar novos títulos, simplesmente porque a empresa matou, ao longo dos últimos anos, a cultura de inovação.


A homogeneidade das redações desestimula a competição criativa, acomoda os profissionais, gera vícios na produção dos textos e no desenho das páginas, como pode observar qualquer leitor atento de revistas.


Não há gênio humano capaz de conduzir a bom porto um transatlântico como o grupo Abril.



Em tempo: Depois da “reportagem” sobre o corredor do Hotel Naoum, este ansioso blogueiro perguntou: quem vai reformar os valores – a Veja (aqui referida como detrito de maré baixa) ou Fábio Barbosa e Eugênio Bucci ?

PHA

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2011/09/15/civita-joga-veja-no-lixo/

Parentes de vítimas da ditadura tentam mudar Comissão da Verdade

21.09.2011
Do site da Revista Carta Maior,20.09.11
Por Najla Passos - Especial para a Carta Maior
Política



Associações e familiares de perseguidos pela ditadura militar lançam manifesto contra votação 'urgentíssima' do projeto que cria a Comissão da Verdade. Grupo, que faz périplo na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (20), não aceita proposta original do governo e reclama que tramitação acelerada impede alterações. Os militantes defendem que o texto do projeto precisa ser alterado para garantir que a Comissão não se transforme em um instrumento inócuo.

BRASÍLIA - Representantes de associações de ex-presos e perseguidos políticos, de grupos de familiares de vítimas da ditadura militar e de entidades de defesa dos direitos humanos percorrem gabinetes de deputados, nesta terça-feira (20/9), para tentar convencê-los a impedir que o Projeto de Lei 7.376, de 2010, que cria a Comissão da Verdade, seja colocado em votação, nesta quarta-feira (21/9), em regime de urgência urgentíssima. 

Os militantes defendem que o texto do projeto precisa ser alterado para garantir que a Comissão não se transforme em um instrumento inócuo, como dizem no manifesto “Mudar o PL 7.376 para que a Comissão da Verdade apure os crimes da Ditadura Militar com autonomia e sem sigilo”, lançado na segunda-feira (19/9). 

Caso o projeto vá à votação em regime de urgência urgentíssima, será praticamente impossível mudar o texrto original elaborado pelo governo.

“Não queremos que o PL 7.376 seja aprovado na versão atual, sem emendas, como se fosse uma unanimidade. Aliás, partidos como o DEM e o PSDB só concordam com este projeto porque ele é completamente inócuo e incapaz de revelar à sociedade os crimes cometidos pela ditadura militar”, afirma o jornalista Pedro Pomar, signatário do manifesto. 

O avô do jornalista, que era dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi fuzilado pelo exercito em 1976, no episódio que ficou conhecido como “Massacre da Lapa”. O pai de Pomar também foi preso e torturado pelo regime.

De acordo com Pomar, o projeto possui uma série de problemas que comprometem o que deveria ser a verdadeira função de uma Comissão da Verdade. “É inadmissível, por exemplo, que a comissão possua apenas sete membros para investigar os 42 anos propostos pelo projeto, em um país de dimensões continentais com o Brasil, em um prazo de apenas dois anos. Nós defendemos que o foco da Comissão deva ser de 1964 a 1985, que é o verdadeiro período da ditadura milita"Mudar o PL 7.376 para que a Comissão da Verdade apure os crimes da Ditadura Militar com autonomia e sem sigilo"r”, afirma.

O movimento critica ainda a possibilidade de a Comissão ser composta por indicados do presidente da República. 

“A Comissão deveria prever uma composição de membros da sociedade civil. Da forma que está, a presidenta pode, em última instância, nomear militares que participaram da Ditadura, além de delegados da Polícia Federal, agentes da Agência Brasileira de Informações (Abin) e funcionários ligados ao Executivo. Qual seria a autonomia desta Comissão?”, questiona.

O jornalista afirma que o manifesto questiona também a exigência, prevista no PL, do sigilo das informações apuradas e dos arquivos consultados, da falta de autonomia financeira para fazer os gastos necessários para apurar à Verdade e, ainda, da proibição de iniciativas de encaminhar os resultados e apurações para as autoridades competentes, com vistas à punição dos culpados. “Se essa Comissão não puder revelar a verdade e nem punir os culpados, para que ela servirá?”, provoca.

Veja abaixo a íntegra do manifesto:

O PL 7.376/2010, que cria a Comissão Nacional da Verdade, está prestes a entrar na pauta da Câmara dos Deputados em regime de urgência urgentíssima. 

A presidenta Dilma Roussef pretende anunciar à Assembléia Geral das Nações Unidas a aprovação desse projeto.

Contudo, a aprovação do PL 7.376/2010 sem qualquer alteração, como quer a presidenta, terá como resultado uma Comissão Nacional da Verdadeenfraquecida, incapaz de revelar à sociedade os crimes da Ditadura Militar que governou o país entre 1964 e 1985.

Nós, representantes de associações de ex-presos e perseguidos políticos, grupos de familiares de vítimas da Ditadura Militar, grupos de direitos humanos e outras entidades engajadas na luta pela democratização do Brasil, pressionaremos o Parlamento e lutaremos até o fim para sejam alterados diversos dispositivos deletérios do PL 7.376/2010. 

Caso esses dispositivos sejam mantidos no texto, farão da Comissão Nacional da Verdade uma farsa e um engodo.

O texto atual do projeto estreita a margem de atuação da Comissão, dando-lhe poderes legais diminutos, fixando um pequeno número de integrantes, negando-lhe orçamento próprio; desvia o foco de sua atuação ao fixar em 42 anos o período a ser investigado (de 1946 a 1988!), extrapolando assim em duas décadas a já extensa duração da Ditadura Militar; permite que militares e integrantes de órgãos de segurança sejam designados membros da Comissão, o que é inaceitável.

Além disso, o texto atual do PL 7.376/2010 impede que aComissão investigue as responsabilidades pelas atrocidades cometidas e envie as devidas conclusões às autoridades competentes, para que estas promovam a justiça.

Reiteramos, assim, as seguintes considerações, que constam de documento com milhares de assinaturas, encaminhado em junho deste ano à presidenta Dilma Roussef:

Para que tenhamos uma Comissão que efetive a Justiça:

―o período de abrangência do projeto de lei deverá ser restrito ao período de 1964 a 1985;

―a expressão “promover a reconciliação nacional” seja substituída por “promover a consolidação da Democracia”, objetivo mais propício para impedir a repetição dos fatos ocorridos sob a ditadura civil-militar;

―no inciso V, do artigo 3º, deve ser suprimida a referência às Leis: 6.683, de 28 de agosto de 1979; 9.140, de 1995; 10.559, de 13 de novembro de 2002, tendo em vista que estas leis se reportam a períodos históricos e objetivos distintos dos que devem ser cumpridos pela Comissão Nacional da Verdade e Justiça.

―o parágrafo 4°, do artigo 4°, que determina que “as atividades da Comissão Nacional da Verdade não terão caráter jurisdicional ou persecutório”, deve ser substituído por nova redação que delegue à Comissão poderes para apurar os responsáveis pela prática de graves violações de direitos humanos no período em questão e o dever legal de enviar suas conclusões para as autoridades competentes; 

Para que tenhamos uma Comissão de verdade:

―o parágrafo 2°, do artigo 4º que dispõe que “os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus membros resguardar seu sigilo”, deve ser totalmente suprimido pela necessidade de amplo conhecimento pela sociedade dos fatos que motivaram as graves violações dos direitos humanos;

―o artigo 5°, que determina que “as atividades desenvolvidas pela Comissão Nacional da Verdade serão públicas, exceto nos casos em que, a seu critério, a manutenção do sigilo seja relevante para o alcance de seus objetivos ou para resguardar a intimidade, vida privada, honra ou imagem de pessoas”, deve ser modificado, suprimindo-se a exceção nele referida, estabelecendo que todas as atividades sejam públicas, com ampla divulgação pelos meios de comunicação oficiais.

Para que tenhamos uma Comissão da Verdade legítima:

―os critérios de seleção e o processo de designação dos membros da Comissão, previstos no artigo 2º, deverão ser precedidos de consulta à sociedade civil, em particular aos resistentes (militantes, perseguidos, presos, torturados, exilados, suas entidades de representação e de familiares de mortos e desaparecidos);

―os membros da Comissão não deverão pertencer ao quadro das Forças Armadas e órgãos de segurança do Estado, para que não haja parcialidade e constrangimentos na apuração das violações de direitos humanos que envolvem essas instituições, tendo em vista seu comprometimento com o principio da hierarquia a que estão submetidos;

―os membros designados e as testemunhas, em decorrência de suas atividades, deverão ter a garantia da imunidade civil e penal e a proteção do Estado.

Para que tenhamos uma Comissão com estrutura adequada:

―a Comissão deverá ter autonomia e estrutura administrativa adequada, contando com orçamento próprio, recursos financeiros, técnicos e humanos para atingir seus objetivos e responsabilidades. Consideramos necessário ampliar o número atual de sete (7) membros integrantes da Comissão, conforme previsto no Projeto Lei 7.376/2010.

Para que tenhamos uma verdadeira consolidação da Democracia:


―concluída a apuração das graves violações e crimes, suas circunstâncias e autores, com especial foco nos casos de desaparecimentos forçados ocorridos durante o regime civil-militar, a Comissão de Verdade e Justiça deve elaborar um Relatório Final que garanta à sociedade o direito à verdade sobre esses fatos. A reconstrução democrática, entendida como de Justiça de Transição, impõe enfrentar, nos termos adotados pela Escola Superior do Ministério Público da União, “o legado de violência em massa do passado, para atribuir responsabilidades, para exigir a efetividade do direito à memória e à verdade, para fortalecer as instituições com valores democráticos e garantir a não repetição das atrocidades”. 

A presidenta Dilma Roussef poderá passar à história como aquela que ousou dar início a uma investigação profunda dos crimes da Ditadura Militar, como subsídio para a punição dos agentes militares e civis que praticaram torturas e assassinatos e promoveram o terrorismo de Estado, bem como sustentáculo indispensável da construção da memória, verdade e justiça em nosso país.

Esperamos que ela faça a escolha certa. Esperamos que o PL 7.376/2010 seja retirado de pauta para que possa sofrer emendas e, desse modo, surja uma Comissão Nacional da Verdade digna desse nome.

Brasília, 19 de setembro de 2011


Leia Mais:


Comissão da Verdade deveria ter foco na ditadura, diz procurador
Governo quer votar Comissão da Verdade com rivais desprevinidos
Comissão da Verdade: estratégia oficial divide deputados parentes


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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18517

MIDIA COLONIZADA: A subserviência da mídia brasileira

21.09.2011
Do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Por Raphael Tsavkko Garcia* em 19/09/2011 na edição 660



Ao contrário da visão imposta de forma incessante pela mídia, o 11 de setembro não significou nenhuma mudança efetiva na política internacional – nem na política externa dos EUA, nem de qualquer outro país. A política externa dos EUA permaneceu voltada para os ataques a seus inimigos e para o patrocínio do terrorismo de Estado (e mesmo do terrorismo internacional via grupos paramilitares e Estados aliados, como na Colômbia) e em momento algum sofreu qualquer guinada, senão apenas ajustes pontuais e uma readequação à continuidade da agenda estadunidense. Criou-se um novo inimigo – a Al Qaida – para “desculpar” seus ataques por todo o Oriente Médio e além.
Do “perigo comunista”, passando por um período pós-fim da URSS de reordenamento internacional até a “guerra ao terror”, os EUA continuaram a promover conflitos, criando inimigos e moldando aliados. Após o 11 de setembro, adotaram ao máximo e com afinco o princípio do “crescimento canceroso”, definido pelo cientista político húngaro Istvan Meszaros como aquele crescimento movido pela indústria bélica, pela destruição e posterior reconstrução de países “inimigos” e pela apropriação de suas riquezas naturais. Afeganistão e Iraque, primeiro, e agora a Líbia, foram alvos, e outros se desenham ou estão marcados, como Síria, Sudão e Coreia do Norte.
Mas mesmo com tudo isso, a mídia brasileira permaneceu fiel ao lado do discurso dos EUA de “guerra ao terror”, batendo palmas para suas ações e deixando passar graves denúncias de abusos aos direitos humanos, criticando apenas o que lhe parecia mais escandaloso, na tentativa de fingir uma imparcialidade inexistente.
Evento definitivo
A cobertura dos 10 anos do 11 de setembro não surpreende, então, o imenso interesse dos canais brasileiros sobre o evento, que cobriram com uma paixão mórbida e hoje realizam especiais, transmitem filmes, convidam “especialistas” e não deixam um minuto de afirmar que “o mundo mudou”. Mas não mudou. Antes do 11 de setembro, os EUA já haviam invadido a Sérvia sem permissão da ONU, já haviam invadido o Iraque em 1991 e continuavam a exportar terrorismo para a Colômbia e para os mais diversos pontos do mundo. A única diferença pós-ataques foi o caráter mais displicente das invasões e intervenções – contando com a eterna conivência midiática.
Com duas semanas para o fatídico aniversário dos ataques, a mídia brasileira – em particular a GloboNews – já se preparava com a avidez de uma ave carniceira para os milhares de especiais que havia preparado para a data. Por vezes é difícil separar o que é conivência sensacionalista e o que é apenas morbidez insensata. Não se passou um só dia sem que o 11 de setembro não fosse lembrado e exaltado como marco. Parecia até que a humanidade, como um todo, havia deparado com um evento definitivo.
Mídia “independente” e “nacional”
Apelidado de o maior ataque terrorista da história (Hiroshima e Nagasaki foram convenientemente esquecidas, assim como o bombardeio de Dresden ou mesmo os ataques israelenses contra crianças palestinas ou contra a população libanesa), o 11 de setembro serviu para, mais uma vez, deixar claro o caráter da mídia brasileira – em muitos casos, sua falta de caráter. O 11 de setembro, enfim, foi tratado como o evento limite da humanidade, mas suas consequências para o mundo foram diminuídas. Os ataques deram carta branca aos EUA, que se assumiram na posição de guardiões da humanidade, incontestes.
Total foco na carnificina, no sensacionalismo abjeto, nos documentários sensacionalistas e dramalhões “humanos”. Não era fácil encontrar um só canal de TV – aberta ou fechada – que não exibisse pelo menos um “especial” sobre a data, em uma overdose coletiva na tentativa de legitimar os atos posteriores do império ferido.
Todo 11 de setembro, mas em especial este, que marcou os dez anos, serve para demonstrar o quão independente e “nacional” é a mídia brasileira.
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*Raphael Tsavkko Garcia é jornalista, blogueiro e mestrando em Comunicação, São Paulo, SP

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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/-a-subserviencia-da-midia-brasileira

MANIPULAÇÃO DA MÍDIA: A incrível sequência de capas da “Veja”; a Abril apostou pesado, e perdeu feio!

21.09.2011
Do blog de Rodrigo Vianna, Escrevinhador
Por Rodrigo Vianna


Gilberto Maringoni fez um trabalho didático na “Carta Maior”: expôs as principais capas de “Veja”, de 1993 a 2010. O período cobre exatamente os dois mandatos de FHC e os dois mandatos de Lula.


A comparação visual é impressionante. Ao lado das capas, Maringoni faz uma pequena análise do conteúdo. Nem precisava. As imagens quase falam por si. Lula é tratado com desrespeito: pé no traseiro, barriga de fora, a faixa de presidente enrolada feito venda nos olhos do presidente. FHC aparece austero, professoral, um estadista.


Mais que isso. Os escândalos na era FHC levam para a capa os pivôs dos escândalos: Ricardo Sérgio, Mendonção, Sérgio Motta… Uma exceção: Eduardo Jorge, secretário particular aparece ao fundo da imagem resignada de FHC, sob a chamada de capa quase amiga: “as ligações e os negócios do ex-assessor que estão fazendo um estrago na imagem do presidente”. Ou seja, FHC não tem nada com isso, mas a revista alerta que o ex-assesor está atrapalhando a boa imagem do estadista. Assim, de amigo para amigo.


Os escândalos da era Lula são escândalos de Lula. Sempre. Lula carrega Zé Dirceu feito um peso já em 2004 (FHC jamais carregou Ricardo Sérgio nas capas de “Veja”; mas o livro do Amaury vem aí pra contar bem essa história); a imagem de Lula se desfaz na capa da revista, em 2005; depois, as manchetes do “Mensalão” (“Ele sabia?” , “Quando e como Lula foi alertado”), sempre com a figura de Lula na capa. Com FHC e a compra de votos para a reeleição, nada parecido. Ninguém perguntou se FHC “sabia”?


A obsessão com a estrela...
E a tentativa (obsessiva?) de arrasar a imagem do PT e dos movimentos sociais: a estrela petista na capa uma, duas, três vezes.  Sempre a se desmilinguir. O MST como grande inimigo. E o “polvo” (PT? povão?) a ameaçar a República (ou a ameaçar aqueles amigos de “Veja” que não conseguem voltar ao Palácio?).


As imagens coletadas por Maringoni são também, e isso me ocorre agora, as imagens de uma derrota clamorosa. Nunca um órgão de imprensa apostou tantas fichas em derrotar um presidente e um partido. Nem Carlos Lacerda foi tão longe contra Vargas, porque não tinha os recursos visuais das capas de “Veja”.


A turma do esgoto, instalada na Marginal Pinheiros, usou e abusou dos recursos visuais. E das mentiras (dólares de Cuba, contas de Lula no exterior…). E perdeu. Duas vezes. Ou três vezes, se contarmos 2002, 2006 e 2010.


E o medo do povo!
A história das capas de “Veja” é a história do preconceito (quem não se lembra da “mulher, nordestina” – cruz, credo – que pode decidir a eleição em 2006?). Preconceito derrotado. É a história de um discurso de ódio. Derrotado. “Veja” e sua máquina de manipulações foram derrotadas de forma espetacular. Isso é o mais impressionante na coletânea feita pelo Maringoni.


Isso tudo não absolve o PT e Lula de seus erros. Maringoni, aliás, nem é do PT. Faz opopsição pela esquerda, no PSOL. Mas é daqueles que não perderam o juízo e sabem que o inimigo principal não está no lulopetismo. Basta olhar para as capas de “Veja” para saber que ali está não apenas um inimigo feroz da esquerda e dos movimentos sociais. A “Veja” é inimiga do Brasil. Ela e suas capas odiosas e odientas. Derrotadas.


Tão derrotadas como Ali Kamel da Globo – com o delegado Bruno em 2006 e a bolinha de papel em 2010. Mas a “Veja”, é preciso reconhecer, foi muito mais longe que Kamel. Ele é mais sutil, mais inteligente. A “Veja”, não. É boçal. Bom saber e ver que a boçalidade odiosa de “Veja” foi derrotada.


O mais incrível é que “Veja” segue a alimentar o discurso de que o PT e o lulismo queremj calar a imprensa. Hehe. Se houvesse “projeto autoritário”, a “Veja” não estaria aí até hoje. Lula e o PT ganharam da “Veja”, na bola. Sem tapetão. 


O que choca é outra coisa: o lulismo e o PT seguem a alimentar o monstro. É o que diz Maringoni:


A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa. Freud deve explicar.”



Leia outros textos de Plenos Poderes

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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/a-incrivel-sequencia-de-capas-da-veja-abril-apostou-pesado-e-perdeu-feio.html#more-9728

A fria guerra de videogame mata “sozinha”

21.09.2011
Do blog TIJOLAÇO,20.0911
Por Brizola Neto



O Globo reproduz matéria doWashington Post sobre o sistema de “assassinato automático” , computadorizado, a mais recente novidade nos “brinquedos de matar” desenvolvidos pelo Pentágono. Os EUA testam aviões e veículos terrestres não tripulados, que tomam sozinhoas a decisão de matar, com base em cálculos feitos por software, e não a partir de decisões humanas, como os atuais teleguiados.
Dois aviões, sem qualquer controle humano, decolaram com a missão de encontrar um alvo pela cor, localizaram-nos e transmitiram a posição para um veículo terrestre, sem qualquer interferência humana.
- Você pode imaginar cenários reais onde você tem dez dessas coisas no ar no momento em que algo está acontecendo e não há tempo para um humano dar a ordem. Às vezes é preciso acontecer mais rápido que isso – disse ao Washinton Post  Charles  Pippin, cientista do Instituto de Pesquisa Georgia Tech que desenvolveu o software para os testes.
Quando o videogame matar a pessoa “errada”, dirão que foi um “bug” do sistema?

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Fonte:http://www.tijolaco.com/a-fria-guerra-de-videogame-mata-sozinha/

Heloisa Villela: O acordo da Al Jazeera com Washington

21.09.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Heloisa Villela, de Washington

A notícia é estarrecedora. Mas não foi manchete na imprensa mundial. O diretor geral da rede Al Jazeera, Wadah Khanfar, entregou o cargo ontem sem explicar porque e sem dizer o que fará daqui prá frente. Khanfar é palestino, foi correspondente da Al Jazeera no Iraque, entre outros lugares, e dirigia o jornalismo da empresa há oito anos. É apontado como grande responsável pelo crescimento da tevê que hoje é a mais assistida no mundo árabe e mereceu elogios até da secretária de Estado, Hillary Clinton, o que por si só já seria motivo para deixar qualquer cético de orelha em pé.
Pois agora as dúvidas vieram à  tona. Mais uma vez, a cargo do site WikiLeaks. O New York Times teve acesso ao material e contou que em um telegrama diplomático de outubro de 2005, o embaixador americano Chase Untermeyer desceve um encontro com Wadah Khanfar no qual foram entregues ao diretor da Al Jazeera cópias de relatórios da Agência de Inteligência do Departamento de Defesa americano sobre as reportagens feitas pela Al Jazeera a respeito da guerra no Iraque. Segundo o telegrama, Khanfar informou que o Ministério das Relações Exteriores do Qatar já havia fornecido a ele os mesmos relatórios, o que sugere um elevado grau de consultas entre os dois governos e a Al Jazeera.
O telegrama diz ainda que Khanfar salientou a necessidade de manter secretas as consultas. E criticou qualquer referência, por escrito, a um entendimento entre os Estados Unidos e a Al Jazeera. De acordo com o telegrama, Khanfar afirmou: “O acordo era de que seria sem papel. Como uma organização jornalística, não podemos assinar acordos dessa natureza, e tê-lo aqui por escrito nos preocupa muito”. Na mesma reunião, Khanfar admitiu que a rede modificou detalhes das reportagens para satisfazer pedidos dos americanos. Por exemplo: retirou do ar imagens de crianças feridas, em um hospital, e de uma mulher com o rosto muito machucado.
Com relação a uma segunda reclamação dos americanos, o diretor da Al Jazeera se mostrou relutante, mas prometeu colaborar. “Não imediatamente”, relata o embaixador americano no telegrama, “porque provocaria comentários, mas em dois ou três dias”.
Se isso acontece com uma rede financiada pelo governo do Qatar, imagine a que tipo de pressão não cedem os diretores de jornalismo americanos? O que não fica claro, nessa história toda, é o motivo pelo qual o diretor da Al Jazeera cedeu. Em troca do que? Acesso? Espaço no mercado americano? Ontem, Wadah Khanfar entregou o cargo. Despediu-se dos colegas e subordinados por carta. Destacou o crescimento que a Al Jazeera experimentou nos últimos oito anos, enquanto ele esteve à frente da direção de jornalismo.
Nem uma palavra, dele ou da empresa, a respeito dos documentos do WikiLeaks. Mas que ele deixou a empresa depois que os documentos foram divulgados, isso é fato.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/heloisa-villela-o-acordo-da-al-jazeera-com-washington.html