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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Acidente com um ônibus e dois trens em Buenos Aires deixa pelo menos nove mortos

13.09.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por  Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

Pelo menos nove pessoas morreram e 170 ficaram feridas hoje em um acidente envolvendo dois trens e um ônibus, em Buenos Aires. A capital argentina está em alerta. Imagem: AFP Photo
AFP Photo

Pelo menos nove pessoas morreram e 170 ficaram feridas hoje (12) em um acidente envolvendo dois trens e um ônibus, em Buenos Aires. A capital argentina está em alerta e dez hospitais atendem as vítimas. Policiais investigam as causas do acidente. Uma das suspeitas é que o motorista do ônibus tenha ultrapassado a barreira que separa os trilhos da pista.
O gerente de Relações Institucionais da empresa TBA (que administra os trens da capital portenha), Gustavo Gago, disse que é provável que o ônibus tenha ultrapassado a barreira, o que acabou provocando o acidente. A colisão ocorreu pela manhã, quando o fluxo de passageiros é elevado.
As autoridades argentinas mobilizaram bombeiros, a Polícia Federal e os policiais da região metropolitana de Buenos Aires. Omar Bravo, da Polícia Federal, informou que a maioria dos feridos apresenta estado grave e que o número de mortos deve aumentar nas próximas horas.
As famílias das vítimas estão nos arredores da estação de trens do bairro Flores, à espera de informações. Há muita apreensão e expectativa, segundo as autoridades que acompanham a ajuda às vítimas.
Da Agência Brasil

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/nota.asp?materia=20110913140557

Lula assume negociação da reforma política

13.09.2011
 Do BLOG DE JAMILDO
 Postado por Helder Lopes




O ex-presidente Lula assumiu o comando das negociações para tentar aprovar na Câmara o projeto de reforma política do PT, que cria um caixa único para financiar campanhas e separa os votos no partido e no candidato em eleições proporcionais.

Em encontro com deputados petistas, ele se comprometeu ontem a convencer partidos aliados a encampar a proposta de Henrique Fontana (PT-RS), que pode ser votada já na próxima terça-feira em comissão especial. 

Lula convocou os presidentes de PSB, PDT e PC do B para uma reunião na sexta-feira, em São Paulo. Ele também deve conversar com as cúpulas do PMDB e de outras siglas da bancada governista.

Para facilitar a aprovação do texto, o ex-presidente articulou um recuo em duas bandeiras históricas do PT: o financiamento público exclusivo, que barraria doações privadas; e o voto em lista, no qual o eleitor deixa de escolher seus representantes.

"Isso não teria maioria, porque o brasileiro está acostumado a votar no seu deputado. Queremos dar o passo possível", disse Fontana.

O relatório do petista mantém as doações de empresas e pessoas físicas, mas direciona o dinheiro a um fundo único, que também receberia verba da União. Os doadores perderiam o direito de contribuir apenas para o partido ou o político de sua preferência.

A maior parte do bolo (80%) seria dividido em fatias proporcionais ao tamanho de cada bancada na eleição anterior, como ocorre hoje com o fundo partidário.

Em outra mudança, o eleitor passaria a votar duas vezes para vereador, deputado federal e deputado estadual: uma na legenda e outra no candidato de sua preferência.

Metade das vagas seria destinada a uma relação montada pelos partidos, e a outra continuaria a ser preenchida por escolha livre.

O cidadão poderia, por exemplo, votar na lista do PT e, ao mesmo tempo, escolher um candidato filiado ao PSDB em seu voto nominal.
Leia mais em folha.com.br

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 Fonte:http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/09/13/lula_assume_negociacao_da_reforma_politica_112375.php

BLOG MOBILIDADE URBANA: A moto, as mortes, o trânsito e os desafios, por Tânia Passos

13.09.2011
Do blog MOBILIDADE URBANA
Por TÂNIA PASSOS

A sexta edição do Fórum Desafios para o Trânsito do Amanhã, promovido pelos Diarios Associados, trouxe  uma discussão sobre o fenômeno do aumento da frota e as consequências no trânsito e na saúde pública. O fórum contou contou com a participação do médico João Veiga, coordenador do Comitê Estadual de Prevenção de Acidentes de Moto, do promotor de justiça Francisco Edílson de Sá Júnior e do vice- presidente da Federação Nacional dos Corretores e Empresas Corretoras de Seguro (Fenacor), Carlos Valle.Acompanhe os números:
No trânsito:
Em 2000 a frota de motos em Pernambuco era de 144.804
Em 2010 – subiu para 639.406 motos  ( + de 300% de aumento)
Nos hospitais:
8.700 atendimentos foram realizados em 2010 de vítimas de acidente de moto
571pessoas morreram
47,5 pessoas morrem por mês no estado de acidente com moto
11,8 pessoas por semana
1,5 pessoas por dia
Hospital da Restauração:
Setor de Traumatologia
5 enfermarias
40 leitos
80% ocupados por vítimas de motos
Meta
Comitê  Estadual de Prevenção de Acidentes de Moto:
Reduzir  os acidentes em 7% ao ano
Reduzir em 10 anos – 50% dos acidente

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Fonte:http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/index.php/2011/09/a-moto-as-mortes-os-desafios/

Atos contra corrupção da Mídia em São Paulo e no Rio

13.09.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães 

Haverá ato contra a corrupção da mídia também no Rio, na Cinelândia, na próxima sexta-feira, dia 16 de setembro, às 17 horas. Está sendo organizado pelo companheiro Sergio Telles.
Em São Paulo, a página do ato do Movimento dos Sem Mídia no Facebook já conta com 1000 confirmações de presença e mais de 300 adesões na página da Marcia e do Adolfo, que criaram o ato antes do MSM mas depois se uniram a ele. Aqui no blog, contabilizei umas 200 pessoas que não têm Facebook e que prometem comparecer.
No Rio de Janeiro, de ontem para hoje o ato pulou de 36 adesões para mais de 70 durante a madrugada. Possivelmente não haverá tempo para fazerem um ato mais denso, mas, pelo menos, farão alguma coisa.
Para  o ato paulista – no Masp, no próximo sábado, 17 de setembro, às 14 horas – já conseguimos um carro de som e o MSM fará algumas faixas. Não temos recursos para fazer muitas, então peço que quem puder faça a sua e leve.
A mídia não deu nem uma notinha, claro. Mas quem viu os atos recentes do novo Cansei  “contra a corrupção” na avenida Paulista, verá agora um ato contra a corrupção da mídia e quem tiver cérebro perceberá que a mesma mídia escondeu.
Os discursos e faixas pedirão o marco regulatório da comunicação e denunciarão que a mídia só noticia corrupção dos políticos do PT e aliados e ignora a dos governos tucanos como o de São Paulo. E que, acima de tudo, ignora os corruptores, ou seja, os que corrompem os políticos.
Estou preparando o manifesto do Movimento dos Sem Mídia que, como em todos os atos da ONG, será lido na abertura do evento, para que depois quem quiser faça uso da aparelhagem de som (potente) que levaremos.
São Paulo e Rio, portanto, começam reação contra um movimento engendrado, financiado e amplamente divulgado pela mídia, e que, lendo os leões-de-chácara dessa mídia em suas colunas e blogs, percebe-se que pretende atingir o governo Dilma e o legado de Lula.
É preciso reagir. No Rio, uma empresária “cansada” está convocando um ato genérico “contra a corrupção” para o próximo dia 20; em São Paulo, os “cansados” locais querem voltar à avenida Paulista em 12 de outubro; em Florianópolis e em Recife, outros “cansados” irão à rua no mesmo dia.
Os atos contra a corrupção da mídia não têm outra fonte de divulgação além deste blog, do facebook e do Twitter do blogueiro e no boca a boca dos leitores na internet, além de outros blogs que estão veiculando, enquanto que os atos da mídia saem em todos os grandes jornais, revistas, tevês, rádios e portais de internet.
É uma luta desigual? Sim, mas aí é que está o valor da iniciativa.
Para confirmar presença no Facebook no ato contra a corrupção da mídia em São Paulo, clique aqui, e para confirmar presença no ato do Rio, clique aqui

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/09/atos-contra-corrupcao-da-midia-em-sao-paulo-e-no-rio/

Pernambuco já teve 1.776 armas entregues pela população

13.09.2011
Do BLOG DA FOLHA,12.09.11
Postado por  Valdecarlos Alves



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A Campanha Nacional do Desarmamento 2011 – Tire uma arma do futuro do Brasil entra nesta segunda-feira (12) em sua segunda fase. Novas peças publicitárias – filmes para TV e internet, site, spots de rádio, cartazes, mobiliário urbano – foram baseadas em depoimentos reais de pessoas que perderam familiares. O objetivo é ampliar o diálogo com a sociedade para sensibilizar do perigo de ter armas e assim mobilizar cidadãos a entregarem as suas. Em Pernambuco, pelo menos 1.776 armas foram entregues pela população após a campanha.

São cinco anúncios diferentes para mídia impressa com situações cotidianas em casa, em bares, no trânsito que, por conta da arma, têm desfecho trágico. As peças serão veiculadas em mobiliário urbano, outdoor, revistas, jornais, ônibus e elevadores. Todos os materiais estão disponíveis na página www.entreguesuaarma.gov.br. Estados, municípios e outros parceiros que quiserem imprimir podem baixar os arquivos. A campanha foi desenvolvida pela agência DM9.

Balanço – Nos quatro primeiros meses de Campanha (6 de maio a 9 de setembro),  foram recolhidas 22,2 mil armas. O número supera em mais de 20 vezes o total recebido, de janeiro a abril deste ano, pela Polícia Federal, órgão responsável por acolher as entregas voluntárias de armamentos fora das mobilizações.

Os revólveres são quase metade das entregas, com 10.828. Juntamente com 1.862 pistolas e outras armas fecham o grupo pequeno porte – 18.489. Medida dos bons resultados alcançados na mobilização é a entrega das armas de grande porte – o balanço da campanha contabiliza 3.734. São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais lideram a lista dos estados com maior quantidade de entrega com: 5.349, 2.641, 2.602, 1.776 e 1.572, respectivamente.

Novidade da campanha deste ano, a adesão dos estados para a ampliação dos postos de coleta de armas. Vinte unidades da federação já assinaram acordo de cooperação. Assim, a campanha conta com 1.539 postos, divididos da seguinte forma: Polícia Civil (712 postos), Polícia Militar (589), Polícia Federal (127), Polícia Rodoviária Federal (64), Guarda Municipal (35) e Corpo de Bombeiros (2).

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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/24546-pernambuco-ja-teve-1776-armas-entregues-pela-populacao

Moto mata quase 50 pessoas por mês no estado

13.09.2011
Do blog MOBILIDADE URBANA,12.09.11
Por TÃNIA PASSOS

Em 2010, um total de 571 pessoas morreram vítimas de acidente de moto. O que significa uma média 47, 5 mortes por mês, 0u 11,8, por semana e 1,5 por dia. As que não morreram estão lotando as emergências dos hospitais. Na maior emergencia do estado, o Hospital da Restauração, dos 40 leitos do setor de traumatologia, 32 estão ocupados por vítimas de acidente de moto.
O tempo de internamento desses pacientes, em geral, é longo devido a gravidade dos ferimentos. Na 6ª edição do Fórum Desafios para o Trânsito do Amanhã, nesta terça, 13, na Sede dos Diarios Associados, no bairro de Santo Amaro, o aumento da frota de motos no estado e as suas consequências estão no foco da discussão. Nas duas últimas décadas, o aumento acumulado da frota superou a marca de 600%. O médico João Veiga, que já fez uma pesquisa sobre as vítimas de moto, que deram no HR, é um dos palestrantes do fórum.
Quem quiser participar do fórum pode se inscrever pelo telefone: 3320-2020, no horário comercial.

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Fonte:http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/index.php/2011/09/quase-50-pessoas-morrem-por-mes-vitimas-de-acidente-de-moto/

CPMF: Jatene desmascara Cerra e FHC

13.09.2011
Do blog CONVERSA AFIADA,12.09.11
Por Paulo Henrique Amorim



Jatene: o que o FHC diz não se escreve

O Conversa Afiada tem o prazer de republicar post do Tijolaço de autoria do Fernando Brito

O titulo já diz muito: “Serra e as opiniões de ocasião”.

Ele foi contra e foi a favor da vinculação do dinheiro da CPMF para a Saúde.

Hoje ele é a favor.

Amanhã, depende da ocasião … 

(O amigo navegante verá que no depoimento de Adib Jatene, pai da CPMF e do plano contra a AIDS – de que Cerra tentou se apropriar – quem também sai mal na foto é o Farol de Alexandria.)

(O amigo navegante perceberá que na era da blogosfera, com o novo papel da imprensa e o Google, o Padim Pade Cerra não chega a Madureira.)

(Não fosse o PiG (*), esses tucanos de São Paulo não passavam de Resende.)

Diz o Tijolaço:

Hoje, em um artigo publicado em seu blog, o ex-governador José Serra defende a aprovação da regulamentação da Emenda 29, que vincula a destinação de recursos à área de Saúde.

E diz que o Governo Lula não teve vontade política de defender os recursos da CPMF, limitando-se a comentar que “não deu certo” a prorrogação do tributo.

Serra esqueceu-se de que “não deu certo” porque os partidos de sua “base” – o PSDB e DEM – recusaram até mesmo um compromisso, escrito e formal, de vinculação à Saúde dos recursos. Faltaram quatro votos no Senado para aprovação e algumas defecções na base do Governo ocorreram pela pressão da mídia contra a famosa “carga tributária”.

Aliás, Serra tem memória fraca. Por isso a gente posta aí um trecho da entrevista do ex-ministro Adib Jatene ao Canal Livre, da Band, no final do ano passado, onde ele conta que Serra, antes de ir para o Ministério da Saúde, era contra “por princípio” a vinculação de receitas.

José Serra tem amnésia seletiva. Efeito, quem sabe, da concussão provocada por aquela bolinha de papel famosa.


Paulo Henrique Amorim

PIG (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/2011/09/12/cpmf-jatene-desmascara-cerra-e-fhc/

MOBILIDADE URBANA: Obstinados ciclistas

13.09.2011
Do site da Rede Brasil Atual, 16.08.11
Por Fábio Fujita


Eles acreditam que com mais pessoas pedalando conquistarão mais respeito nas ruas

Obstinados ciclistas
O carioca José Lobo: “Sou pontual em meus compromissos, economizo, ganho no aspecto físico e no ambiental”. (Foto: © Rodrigo Queiroz)
No início deste ano, a capital paulista ultrapassou a marca de 7 milhões de veículos (70% deles automóveis). Isso significa média de 0,63 carro por habitante, superior ao índice americano (0,47), italiano (0,53) e japonês (0,40). A estatística pode até denotar ascensão social, mas o crescimento da frota não é acompanhado pela expansão das condições de tráfego. Em 1970, a cidade registrava cerca de 965 mil veículos para 14 mil quilômetros de vias. Quatro décadas depois, para uma frota 600% maior, o sistema viário, com 17 mil quilômetros, cresceu pouco mais de 20%. 
Ciclista Renata Falzoni SP 2011 (foto: Arquivo Pessoal)
Renata : “O cidadão que se locomove por conta própria sempre foi considerado de segunda categoria”
Não é pessimista constatar: o apocalipse motorizado chegou. E o inchaço no trânsito não é privilégio da maior cidade do país. A falta de mobilidade nas ruas, que “dá nos nervos” dos habitantes da capital e de seus vizinhos do ABC, Osasco ou Guarulhos, é uma doença crônica na maioria dos centros urbanos brasileiros.
É em meio a esse caos que muita gente redescobre um arcaico meio de locomoção: a bicicleta, inventada muito antes do automóvel. Que o diga a jornalista Renata Falzoni, 57 anos, apresentadora do canal pago ESPN Brasil, onde comanda um programa sobre cicloativismo: “A bicicleta é uma máquina que carrega dez vezes o próprio peso. O corpo humano gasta mais energia para caminhar do que se você pedalar o mesmo trecho. É a melhor máquina que o homem já inventou”. Para ela, a “magrela” é, mais que um veículo, um estilo de vida.
Se bem desenvolvido, o hábito de pedalar tende a se tornar gradativamente viciante. “Você chega ao trabalho com um baque de endorfina”, define a fotógrafa paulistana Laura Sobenes, de 23 anos, que vai pedalando de casa até o emprego, num percurso de cerca de cinco quilômetros. Laura habituou-se de tal modo à praticidade que pedala, inclusive, nas saídas noturnas para as baladas.
“Depois que você começa a usar com frequência, dá um tesão: não consegue mais ficar muitos dias sem pedalar, porque é saudável”, concorda Guilherme­ Schröder, 29 anos, educador e biker em Porto Alegre. O geógrafo de Aracaju Waldson­ Costa, 27, aponta igualmente o contraponto ao sedentarismo como um valor a ser destacado. “Faço o caminho da minha casa ao trabalho como academia, como atividade física.”

Mais que saúde

A bicicleta ganha cada vez mais adeptos em função, também, da relação trânsito-estresse. “O motorista desesperado joga aquela descarga em quem estiver na frente dele”, observa Renata, sobre a agressividade característica de quem dirige. José Lobo, 50 anos, cicloativista carioca que trabalha exclusivamente com a promoção do uso da bicicleta, ressalta exatamente a fluidez no trânsito como o grande benefício para quem opta por pedalar. “Consigo ser pontual em todos os meus compromissos e, por tabela, economizo e ganho no aspecto físico e no ambiental, por não estar poluindo a cidade”, lista.
Andar de bicicleta pode, ainda, transformar a própria relação da pessoa com o ambiente à sua volta. O jornalista paulistano Thiago Benicchio admite ter sido refém de carro entre os 18 e os 25 anos de idade. Passou a andar a pé, de ônibus e de bicicleta por uma questão de economia, e percebeu que era perfeitamente viável não ser tão dependente do transporte a motor.
“O carro é uma bolha que o isola”, afirma, citando a película escura e o vidro fechado como indicadores dessa antissociabilidade. “Pedalar me trouxe uma conexão mais real com a cidade. As pessoas tendem a deixar de ser cidadãs andando de carro: não conseguem ver os problemas, não interagem mais com os outros. É ótimo você poder perceber e atuar: ‘Essa árvore está podre, preciso ligar para as autoridades e avisar, senão ela vai cair’”, analisa. Thiago também considera a bicicleta oportuna em horários não convencionais. “Não há transporte público de madrugada.”
No entanto, as condições para o exercício de pedalar nas cidades brasileiras não são as mais adequadas. A transição do Brasil rural para o urbano, a partir do início do século 20, coincidiu com o boom da indústria automobilística europeia e americana. O país absorveu o fenômeno e priorizou o desenvolvimento de uma cultura viária focada nos veículos. O status de ser proprietário de um automóvel logo se tornou mais importante do que tê-lo como meio de locomoção.
Waldson, de Aracaju, que tem 58 km de malha cicloviária: “Faço o caminho da minha casa ao trabalho como academia, como atividade física" 
 

Ciclista Waldson Aracaju 2011 (foto:


Aracaju é uma das raras capitais convidativas para pedalar, com 58 quilômetros de malha cicloviária. O ciclista Waldson Costa observa, entretanto, que muitos aracajuanos pedalam para economizar e, assim que possível, comprar uma moto. “Não têm o desejo de continuar com a bicicleta”, conta, citando que há na capital sergipana uma “febre” das motonetas de 50 cilindradas, que muitos acreditam não exigir habilitação nem emplacamento.
Idealizador da organização não governamental Ciclo Urbano, voltada para questões de mobilidade, Waldson costuma propor algumas intervenções em Aracaju em todo 22 de setembro – Dia Mundial sem Carro –, para instigar na sociedade a percepção sobre o mau uso dos espaços públicos. Na última edição, realizaram a Vaga Viva, em que transformaram duas vagas de estacionamento, alugadas ao longo de um dia inteiro, em espaço de sociabilidade, instalando cadeiras e promovendo atividades recreativas­. Waldson reconhece as boas condições cicloviárias de Aracaju, mas diz que falta muito para a cidade desenvolver todo o seu potencial. “Muitas ciclovias levam nada a lugar nenhum. Você termina a ciclovia e não sabe para onde vai, porque não existe sinalização específica.”
O carioca José Lobo relativiza essa crítica, muito comum no meio de quem pedala. “As pessoas que moram no trecho da ciclovia vão fazer vários usos: ir à casa de um amigo, à padaria. A ciclovia não necessariamente precisa interligar tudo. Ela  sempre vai ser um trecho de maior segurança”, defende. Por intermédio da ONG Transporte Ativo, Lobo presta consultoria sobre demandas cicloviárias à Prefeitura do Rio. E não tem ilusão de que todas as ideias sejam realizáveis. “A gente nunca vai conseguir abranger a cidade inteira.” E também diz não saber se as pessoas têm de contar com uma infraestrutura exclusiva para só então desenvolver o hábito de usar bicicleta.
A paulistana Laura: “Você chega ao trabalho com um baque de endorfina”
Ciclista Laura SP 2011 (foto: © Paulo Pepe)
Para a paulistana Laura Sobenes, ter ou não ter vias específicas para ciclistas é, no fundo, o menor dos problemas.
“O ponto principal é a educação no trânsito”, observa. Ela cita a própria mãe, de 57 anos, certa vez convencida a experimentar um passeio de bicicleta. Intimidada pelo desrespeito dos carros em manter a distância mínima de segurança, ela desistiu. Laura conclui: “Minha mãe faz parte da massa reprimida que, se pudesse, pedalaria 20 quilômetros por dia. Mas não pedala porque o trânsito é muito agressivo”.


Disputa pelo espaço

Na inexistência de ciclovias, é preciso pedalar nas ruas, e não na calçada, determina o Código de Trânsito Brasileiro. A questão é que o motorista de carro não encara a bicicleta como veículo digno de ocupar o mesmo espaço.
“O cidadão que se locomove por conta própria desde sempre foi considerado de segunda categoria”, critica Renata Falzoni. É por isso que muitos ciclistas se organizam nas chamadas Bicicletadas, passeios coletivos que ocorrem em muitas cidades, em geral na última sexta-feira do mês. “Quando você tem um grupo de ciclistas na rua, sai daquele manto de invisibilidade e passa a ser percebido”, explica Renata.
Na luta contra a invisibilidade, ciclistas paulistanos fizeram, em março, uma nova etapa da Pedalada Pelada, versão da World Naked Bike Ride, evento do calendário mundial do cicloativismo em que os participantes pedalam com pouquíssima ou nenhuma roupa.
“Nesse dia somos bastante vistos. Quem pedala não polui, não congestiona ruas, evita gastos de saúde pública, gera uma série de benefícios para a sociedade. Então, tiro a roupa um dia com o desejo de ser visto pela sociedade nos outros 364 do ano”, justifica Thiago Benicchio, que participou pela segunda vez do evento, assim como a colega Laura Sobenes. “Nu é como a gente se sente no trânsito”, ela completa.
Mesmo os ciclistas experientes reconhecem essa sensação de permanente vulnerabilidade. Para o gaúcho Guilherme, ter visto o atropelamento dos colegas foi traumático. Mas não o suficiente para esmorecer ou desistir de pedalar. “Acho que o movimento de pessoas usando bicicleta até aumentou”, diz. O incremento de adeptos sobre duas rodas é fundamental para criar uma nova mentalidade, segundo José Lobo. “Quanto mais pessoas pedalando, mais os motoristas se acostumam a cruzar com ciclista no meio do caminho”, projeta.

Ausência de políticas

Próximo de ser celebrado, em 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro é uma data que, invariavelmente, conta com o apoio de autoridades e órgãos públicos. O que não deixa de ser uma hipocrisia, uma vez que políticas que visem a soluções para o trânsito – com prioridade para o transporte coletivo decente e eficiente – escasseiam. O resultado é que a própria sociedade civil, em massa, ignora a data. No ano passado, por exemplo, o 22 de setembro não amenizou o congestionamento de São Paulo. Às 19 horas, a lentidão era de 112 quilômetros  – média idêntica à de um dia comum.
Também em 2010, a cidade de Curitiba­ organizou a Conferência Internacional das Cidades Inovadoras, com o intuito de apresentar alternativas urbanas sustentáveis. Na ocasião, o prefeito Beto Richa­ foi questionado por um grupo de ciclistas pelo fato de o investimento em ciclovias no orçamento municipal prever R$ 2,27 milhões, enquanto a aplicação real dos recursos foi recalculada para R$ 26 mil.
Assim, é natural que iniciativas privadas tentem cobrir lacunas da administração pública. O Plano das Bikes Brancas, inspirado em experiência similar de Amsterdã, consiste em espalhar protótipos de bicicletas pela capital paranaense, permitindo aos interessados, cadastrados por e-mail, o uso gratuito de uma magrela por até uma semana. Em São Paulo existem dezenas de organizações. Uma delas, o projeto Bike Anjo, reúne ciclistas experientes que, voluntariamente, auxiliam pessoas que queiram começar a pedalar na cidade, indicando trajetos e orientando sobre cuidados, direitos e deveres no trânsito.
“Achei a ideia do Bike Anjo superlegal e disse que queria ajudar, porque quero que cada vez mais pessoas pedalem”, afirma a secretária bilíngue Célia Choairy­ de Moraes, ciclista desde 2007 e voluntária no projeto.
Ciclismo Barcelona_2011 (foto: © Paulo Donizetti de Souza)
O sistema Bicing, de Barcelona, é referência mundial. O usuário utiliza seu cartão para destravar uma bicicleta em uma estação e tem até 30 minutos para devolvê-la em qualquer outra. A taxa, anual, é de € 30. A capital catalã tem ciclovias e ciclofaixas (“corredores” pintados no chão de ruas e de calçadas).
Nem a Copa em 2014, nem os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016 parecem mobilizar autoridades para uma repaginação da infraestrutura viária que deixe legados. Seria um grande desperdício de oportunidade. Barcelona, por exemplo, não inventou seu moderno sistema cicloviário em função da Olimpíada de 1992. Mas a preparação daquela edição dos Jogos serviu para a cidade superar seu problema crônico de trânsito ao modernizar a rede de transporte coletivo. A superação do status de decadente, a retomada da vocação cosmopolita e a intensificação do uso da bicicleta, na década passada, são boas consequências de um planejamento urbano que foi além do evento esportivo.
A arquiteta Raquel Rolnik, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, observa que em algumas cidades-sedes de jogos da Copa – como Curitiba, Belo Horizonte, Rio de  Janeiro – o planejamento da infraestrutura­ voltada para a mobilidade tem bons projetos  de expansão do transporte de massas, como corredores de ônibus e de coletivos leves sobre trilhos (“Tucanaram o bonde”, brinca). E que em outras cidades, como Fortaleza, há também projetos de expansão do sistema viário.  Mas vê esses planejamentos com ressalvas.
“No geral, a infraestrutura viária visando 2014 está sendo pensada em função dos deslocamentos entre aeroportos e hotéis e os locais dos jogos, mas não especificamente em função de deixar um legado compatível com as necessidades e prioridades da população posteriores aos eventos”, diz Raquel.
De acordo com a urbanista, não houve nos últimos anos – nem há num horizonte próximo – um planejamento capaz de reverter a matriz do transporte urbano. As cidades, segundo ela, priorizam o transporte individual em detrimento do coletivo, e o deslocamento motorizado em detrimento da mobilidade de pedestres e ciclistas. “E já está absolutamente comprovado que, dessa forma,  não há solução. A ampliação da mobilidade passa pela adoção de um sistemas integrado, de massa, multimodal, articulando corredores de alta capacidade e de baixa capacidade (como as vans). Estamos subordinados a uma visão segundo a qual preocupacão com transporte é coisa de pobre”, critica.
Em São Paulo, segundo o vereador e ex-presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego Chico Macena, a prefeitura tem pelo menos 522 quilômetros de ciclovias planejadas para 2012. “Mas isso é fruto mais de reivindicações de ciclistas do que filosofia de gestão”, observa. Em 2007, trajetos feitos pela integração de bicicleta e metrô foram permitidos pelo Sistema Cicloviário do Município, com a criação de bicicletários e vagões especiais. Mas esses sistemas atendem mais a uma demanda pelo uso de bicicleta como lazer do que como opção de locomoção alternativa ao carro.
A vulnerabilidade dos ciclistas fica mais exposta quando termina em acidentes  como o atropelamento em série em Porto Alegre ou tragédias como a que vitimou  o empresário Antonio Bertolucci, atingido por um ônibus. De acordo com o publicitário Tito Bertolucci­, o pai já havia se acidentado outras vezes. “Ele tinha uma condição legal, podia pegar um motorista que o levasse com a bicicleta para pedalar na Cidade Universitária. Mas não gostava de circuitos fechados. Gostava de ver o que estava acontecendo no cotidiano da cidade.”
Colaborou Xandra Stefanel

Tensão e luto no asfalto: cidades e motoristas despreparados

Ciclismo Massa Crítica POA 2011 (foto: © Edu Andrade/CON)
Em Porto Alegre, uma turma de ciclistas chamada Massa Crítica (na foto, em atividade de protesto) foi violentamente atingida pelo automóvel do bancário Ricardo Reis, em fevereiro. Após discussões, o motorista de 47 anos acelerou e atropelou diversos participantes. Guilherme Schröder, que testemunhou tudo, conta que, com a repercussão do caso, a Brigada Militar passou a acompanhar os eventos da Massa Crítica. “Mas no último já não esteve. E nem é do nosso interesse que a Brigada nos acompanhe. Somos mais um meio de transporte andando nas ruas. Não há nada de extraordinário nisso”, diz.
Ciclismo Protesto em SP 2011 (foto: © Danilo Morais)
Em São Paulo, em 13 de junho, o empresário Antonio Bertolucci, de 68 anos, morreu depois de ser atropelado por um ônibus quando fazia um circuito que era parte de sua rotina há muitos anos, no bairro do Sumarezinho (na foto, atividade de protesto no local). De acordo com a CET, a capital paulista registrou no ano passado 49 mortes de ciclistas por atropelamento. Os cicloativistas reclamam que, mais importante que a adoção de ciclovias, é fundamental que as cidades intensifiquem as campanhas de educação no trânsito e reforcem as sinalizações.

Anjos de duas rodas

Ciclistas Lis e Célia SP 2011 (foto: Gerardo Lazzari)
 
A novata Liz (à esquerda) conta com a experiência da bike anjo Célia
Um dia depois da inauguração de uma ciclorrota no Brooklin, na zona sul de São Paulo, a relações-públicas Lis Silva Santos Araripe trocou o carro pela bicicleta para ir trabalhar.  Célia Choairy de Moraes, ciclista acostumada com trânsito, acompanhou-a, ajudou a traçar um bom trajeto e deu dicas de segurança. Célia é voluntária do Bike Anjo, projeto presente em 26 cidades que conecta ciclistas experientes com quem precisa de auxílio para começar. Pela internet, o interessado preenche um formulário e pede orientação a um voluntário. Para Lis, a experiência de Célia foi uma ajuda e tanto: “São dicas muito boas. Meu objetivo é ir trabalhar de bicicleta pelo menos duas vezes por semana”. O projeto tem 200 voluntários cadastrados em várias cidades, 150 em São Paulo. Já recebemos 180 pedidos, dos quais 150 foram atendidos”, diz o consultor de negócios João Paulo Amaral, um dos idealizadores do projeto. Em breve, os organizadores pretendem oferecer cursos na área. “A gente dá um empurrãozinho, mostra que não é tão difícil usar a bike como meio de transporte. Tenho sentido que, por causa da pressão da sociedade e dos cicloativistas, está havendo mais respeito do motorista e compreensão de que realmente a bicicleta é um meio de transporte. É um movimento que está crescendo”, comemora.

Manual de sobrevivência na selva urbana

  • Equipe-se: capacete é indispensável. Se você cai, mesmo devagarzinho, corre o risco de sofrer um traumatismo. Luvas ajudam a proteger a mão.
  • Ande pela direita e na mão dos carros. Pedestres e motoristas tendem a não olhar para quem vem na contramão. Se você está a 20 km/h e o carro no sentido oposto a 40 km/h, a aproximação acontece a 60 km/h. O tempo de reação é muito menor e, em caso de colisão, o estrago é muito maior. Há muitas razões cientificamente estudadas para não andar na contramão. Confira em http://bit.ly/pedale_seguro.
  • Não ande colado na sarjeta. Ande mais ou menos na linha de um terço da pista.
  • Seja compreensivo. Ao
  • passar por trecho sem carros parados, dê uma recuada para desafogar a fila atrás de você. Sinalize o que vai fazer. Avise ao motorista que ele pode passar ou, se precisar entrar na frente dele por causa de um carro parado, espere para ver se ele vai parar mesmo. Agradeça. Ciclista educado é bem recebido pelos motoristas.
  • Evite grandes avenidas. Em São Paulo, por exemplo, as marginais e a 23 de Maio, nem pensar. Outras movimentadas, com trânsito mais controlado, dá pra encarar, mas é melhor optar por ruas paralelas, que os carros usam menos porque têm de parar mais. O que é ruim para os carros muitas vezes é bom para as bicicletas. Ruas menores são mais seguras e mais agradáveis.
  • Calçada é para pedestres. Se precisar passar pela calçada ou atravessar na faixa de pedestres, desça e empurre a bicicleta.
  • Faixa de ônibus é perigosa. Alguns motoristas não são muito pacientes com ciclistas.
  • Antecipe-se. Onde muitos carros viram à direita, tome cuidado adicional. Sinalize sempre com a mão esquerda (a que os motoristas veem) se você vai seguir reto, ou peça passagem. Sempre se adiante ao que os carros podem fazer. Olhe para trás para checar se não está chegando um maluco voando para entrar na rua que está à sua frente. Veja se o trânsito está parando em uma única faixa, o que faz com que os carros fujam dela irritados.

Código de trânsito

  • Deixar de dar preferência a pedestre ou veículo não motorizado na faixa a ele destinada ou não esperá-lo concluir a travessia, mesmo que o sinal fique verde para o veículo, é infração gravíssima. Se o carro não respeita o pedestre ou a bicicleta, mesmo que não haja sinalização a eles destinada, a infração é considerada grave.
  • Tirar “fina” (não guardar distância lateral de um 1,5 metro ao passar por bicicleta) é infração média. Se a fina for em alta velocidade, são duas infrações, média e grave.
Fonte: Willian Cruz (clique e leia a íntegra)

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/62/bicicletas-comportamento-e-cidadania