quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Capitalismo de desastre: abutres sobre a Líbia

25.08.2011
Do site da Revista Fórum
Por Pepe Escobar, Asia Times Online, 24.08.2011 


O neonapoleônico Nicolas Sarkozy da França e o britânico David das Arábias Cameron acreditam que estarão especialmente bem posicionados para lucrar com a vitória da OTAN.
Pensem na nova Líbia como último espetacular capítulo da série “Capitalismo de Desastre”. Em vez de armas de destruição em massa, tivemos a R2P (“responsabilidade de proteger”). Em vez de neoconservadores, imperialistas humanitários.


Mas o alvo é sempre o mesmo: mudança de regime. E o projeto é o mesmo: desmantelar e privatizar uma nação que não se integrou ao turbo-capitalismo; abrir mais uma (lucrativa) terra de oportunidades para o neoliberalismo super turbinado. E a coisa vem em boa hora, porque acontece em momento já próximo de plena recessão global.


Demorará um pouco. O petróleo líbio não voltará ao mercado antes de 18 meses. Mas há o negócio da reconstrução de tudo que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) bombardeou (sim, sim, nem tudo que o Pentágono bombardeou em 2003 foi reconstruído no Iraque...)


Seja como for – do petróleo à reconstrução – brotam oportunidades para negócios sumarentos. O neonapoleônico Nicolas Sarkozy da França e o britânico David das Arábias Cameron acreditam que estarão especialmente bem posicionados para lucrar com a vitória da OTAN. Mas nada garante que a nova bonança baste para arrancar da recessão as duas ex-potências coloniais (neocoloniais?).



O presidente Sarkozy em particular mamará nas oportunidades comerciais para empresas francesas o mais que possa – parte de sua ambiciosa agenda de “reposicionamento estratégico” da França no mundo árabe. Uma imprensa francesa complacente decidiu armar os ‘rebeldes’ com armamento francês, em íntima cooperação com o Qatar, incluindo uma unidade de comandos ‘rebeldes’ mandada por mar de Misrata para Trípoli sábado passado, no início da “Operação Sirene”.[1]



Bem, já se viram movimentos de abertura desses desenvolvimentos, desde quando o chefe de protocolo de Muammar Gaddafi fugiu para Paris, em outubro de 2010. Foi quando todo esse drama de mudança de regime começou a ser incubado.


Bombas em troca de petróleo

Como já observado (ver “Bem-vindos à ‘democracia’ líbia”, em http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/08/pepe-escobar-bem-vindos-democracia.html), os abutres já voejam sobre Trípoli para devorar (e monopolizar) os despojos. E, sim – grande parte da ação tem a ver com negócios de petróleo, como disse Abdeljalil Mayouf, gerente de informações da Arabian Gulf Oil Company ‘rebelde’, em declaração nua e crua: “Não temos problemas com países ocidentais como empresas italianas, francesas e britânicas. Mas podemos ter algumas questões políticas com Rússia, China e Brasil.”


Esses três são membros crucialmente importantes do grupo BRICS das economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), países que estão crescendo, enquanto as economias atlanticistas e OTAN-bombardeantes estão afundadas em estagnação ou recessão. Os quatro principais BRICSs também se abstiveram na votação que aprovou a Resolução n. 1.973 do Conselho de Segurança da ONU, a mascarada daquela ‘zona aérea de exclusão’ que depois se metamorfoseou em bombardeio cerrado, pela OTAN, para forçar, de cima para baixo, uma ‘mudança de regime’. Esses países viram corretamente o que havia para ver, desde o início.


Para piorar (para eles) ainda mais as coisas, só três dias antes de o Africom (Comando Africano) do Pentágono lançar seus primeiros 150 (ou mais) Tomahawks contra a Líbia, o coronel Gaddafi deu entrevista à televisão alemã, na qual destacou que, se o país fosse atacado, todos os contratos de energia seriam transferidos para empresas russas, indiana e chinesa

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Assim sendo, os vencedores da bonança do petróleo já estão designados: membros da OTAN mais monarquias árabes. Dentre as empresas envolvidas, a British Petroleum (BP), a francesa Total e a empresa nacional de petróleo do Qatar. Do ponto de vista do Qatar – que investiu jatos de combate e soldados na linha de frente, treinou ‘rebeldes’ em táticas de combate exaustivo e já está negociando vendas de petróleo no leste da Líbia – a guerra se comprovará muito esperta decisão de investimento.


Antes da crise que já dura meses e está agora nos movimentos finais, com os ‘rebeldes’ já na capital, Trípoli, a Líbia estava produzindo 1,6 milhões de barris/dia de petróleo. Quando recomeçar a produzir, os novos senhores de Trípoli colherão alguma coisa como US$50 bilhões/ano. Estima-se que as reservas líbias cheguem a 46,4 bilhões de barris.





Melhor farão os ‘rebeldes’ da nova Líbia se não se meterem com a China. Há cinco meses, a política oficial chinesa já era exigir um cessar-fogo; tivesse acontecido, Gaddafi ainda controlaria mais da metade da Líbia. Pequim – que jamais foi fã de ‘mudança de regime’ violenta – está exercitando, por hora, a arte da moderação extrema.




Zhongliang, chefe do Ministério do Comércio, observou, otimista, que “a Líbia continuará a proteger os interesses e direitos dos investidores chineses, e esperamos manter os investimentos e a cooperação econômica”. Abundam as declarações oficiais que enfatizam a “mútua cooperação econômica”.




Semana passada, Abdel Hafiz Ghoga, vice-presidente do sinistro Conselho Nacional de Transição, disse à rede de notícia Xinhua que serão respeitados todos os negócios e contratos firmados com o regime de Gaddafi. – Mas Pequim não quer saber de correr riscos.




A Líbia forneceu apenas 3% do petróleo que a China consumiu em 2010. Angola é fornecedor muito mais crucial. Mas a China ainda é o principal consumidor de petróleo líbio na Ásia. Além disso, a China pode ser muito útil no front da reconstrução da infraestrutura, ou na exportação de tecnologia – nada menos que 75 empresas chinesas, com 36 mil empregados já trabalhavam na Líbia antes do início da guerra civil/tribal (e foram evacuados, com eficiência e sem alarde, em menos de três dias).





Os russos – da Gazprom à Tafnet – tinham bilhões de dólares investidos em projetos na Líbia; as brasileiras Petrobras, gigante do petróleo e a empresa construtora Odebrecht também tinham interesses lá. Ainda não se sabe exatamente o que acontecerá com eles. O diretor geral do Conselho de Comércio Rússia-Líbia, Aram Shegunts, está extremamente preocupado: “Nossas empresas perderão tudo, porque a OTAN impedirá que façam negócios na Líbia.”





A Itália logo entendeu que lá teria de ficar, “com ‘rebeldes’ ou sem”. A gigante italiana ENI, parece, não será afetada, dado que o primeiro-ministro Silvio “Bunga Bunga” Berlusconi pragmaticamente abandonou seu ex-íntimo amigo Gaddafi, logo no início do bombardeio EUA-Africacom/OTAN.




Os diretores da ENI italiana estão confiantes de que o petróleo líbio recomeçará a fluir para o sul da Itália ainda antes do inverno. E o embaixador da Líbia na Itália, Hafed Gaddur, disse a Roma que os contratos da era Gaddafi serão honrados. Por via das dúvidas, Berlusconi se reunirá com o primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição, Mahmoud Jibril, na próxima quinta-feira, em Milão.

Bin Laden os salvará[2] 

O ministro das Relações Exteriores da Turquia Ahmet Davutoglu – da famosa política de “zero problemas com nossos vizinhos” – também já andou elogiando os ex-‘rebeldes’ convertidos em poder de fato. Também de olhos postos na bonança de negócios da era pós-Gaddafi, Ankara – que é o flanco oriental da OTAN – terminou por ajudar a impor um bloqueio naval contra o regime de Gaddafi, cultivou atentamente o Conselho Nacional de Transição e, em julho, reconheceu-o formalmente como governo da Líbia. Business “recompensa” os ardilosos.





Chegamos afinal ao coração desse script: o que a Casa de Saud lucrará por ter sido instrumento para implantar um regime amigável na Líbia, possivelmente salpicado de salafitas notáveis; uma das razões chaves para o massacre imposto pelos sauditas – que incluiu um voto inventado na Liga Árabe – foi o ódio furioso que separou Gaddafi e o rei Abdullah, desde as primeiras escaramuças que levaram à guerra contra o Iraque em 2002.




Nunca será demasiado destacar a hipocrisia cósmica de uma monarquia/teocracia medieval absoluta ultra reacionária – que invadiu o Bahrain e reprimiu com brutalidade os xiitas locais – apoiar o que se apresenta como movimento pró-democracia no Norte da África.





Seja como for, é hora de celebrarem. Em breve, lá estará o grupo saudita Bin Laden Construtora, para reconstruir feito doido em toda a Líbia – é possível que transformem Bab al-Aziziyah (que foi saqueado) em hotel-shopping center de luxo monstro da Tripolitânia.

NOTAS
[1] Orig. “Operation Siren”. A operação foi lançada no sábado à noite, à “hora do Iftar”, que marca o fim do jejum religioso do Ramadan. As “sirenes”, que eram usadas pela Al-Qaeda para convocar manifestações contra o governo de Gaddafi, foram usadas dessa vez como sinal para os pequenos grupos de ‘rebeldes’ de Benghazi (para outros, seriam pequenos grupos de militantes da Al-Qaeda) que já estavam em Trípoli. Esses pequenos grupos iniciaram algumas escaramuças em terra, coordenadas com intenso bombardeio aéreo pelas forças da OTAN (cf. Thierry Meyssan, TARPLEY.net, 21/8/2011, em http://tarpley.net/2011/08/22/nato-slaughter-in-tripoli/). Jornais norte-americanos falam de uma “Operation Mermaid Dawn” [operação Aurora da Sereia] contra a Líbia, acrescentando que “mermaid” [sereia] seria nome em código para “Líbia” (cf. Huffington Post,  22/8/2011, em http://www.huffingtonpost.com/social/April22/libya-rebels-tripoli_n_933092_104238013.html). Em português (não em inglês), há algum deslizamento de significados entre “sereia”, o ser mítico, e “sirene”/”sirena”, o dispositivo que há em carros de bombeiros e ambulâncias, que emite som e, também os aparelhos que emitem alarme de incêndio em prédios. Sem algum comentário, perder-se-ia essa ambigüidade, na tradução [NTs].
[2] Orig. Bin Laden to the rescue, ‘politicamente’ muito difícil de traduzir. A solução que propomos é uma, dentre outras possíveis e pode ser melhorada. Correções e sugestões são bem-vindas. Consideramos também “Só bin Laden salva”, descartada por votos, quer dizer, menos por argumentos, que pela maioria. Traduzir é empreitada cheia de riscos inevitáveis [NTs].
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9430

Bolívia expulsa USAID acusada de interferir em assuntos políticos

25.08.2011
Do site BRASIL DE FATO
Por La Jornada
Para governo, a agência financia o protesto contra a construção de estrada em reserva ecológica na Amazônia
O governo da Bolívia anunciou nesta quarta-feira (24) a expulsão da agência estadunidense de ajuda econômica USAID (Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional), com a acusação de interferência em assuntos políticos internos por supostamente promover um protesto de indígenas amazônicos contra a construção de uma estrada que atravessará uma reserva ecológica.
"Com a mesma valentia com que expulsou o embaixador Philip Goldberg e a DEA (Administração de Drogas e Narcóticos) em 2008, o governo deve assumir a expulsão da USAID como um ato de soberania de Estado e de defesa do processo de transformações estruturais e de mudanças", disse Juan Ramón Quintana, ex-ministro da Presidência e diretor da Agência para o Desenvolvimento das Macrorregiões e Fronteiras.
Segundo Quintana, a USAID financia o protesto da Confederação dos Povos Indígenas da Bolívia, organização que lidera a caminhada de mais de 600 quilômetros para La Paz de cerca de mil pessoas, que se opõem ao traçado de uma rota que divide em duas partes uma reserva ecológica na Amazônia.
"A caminhada é parte de uma segunda etapa da ofensiva desestabilizadora e de conspiração dos Estados Unidos que se iniciou em 2008, quando um "golpe (de Estado) se abortou após a expulsão do embaixador (estadunidense) Philip Goldberg", afirmou Quintana.
Em uma coletiva de imprensa, o funcionário leu a troca de notas entre servidores da USAID com planos de cooptação de dirigentes indígenas, e disse que o propósito da agência é "desestabilizar o processo judicial para preencher os cargos judiciais em outubro deste ano".
Além disso, este plano "tinha o objetivo de dividir as organizações sociais, os povos indígenas deste processo e enfrentar e gerar conflitos para o emprego da força policial e a vitimização de alguns setores que estão sendo manipulados politicamente", afirmou Quintana.
A declaração de Quintana foi feito no palácio do governo no dia seguinte de quando o encarregado de Negócios da embaixada estadunidense foi até a chancelaria local para dar explicações sobre a alegada contribuição de Washington aos ativistas indígenas.
William Mozdziers, encarregado de negócios da missão estadunidense, reconheceu na terça-feira na Chancelaria que funcionários de sua embaixada coletavam informação direta das organizações sociais, mas negou que existiria um apoio ao protesto.
"Nem a embaixada dos Estados Unidos na Bolívia nem nenhum outro elemento do governo estadunidense tem dado algum tipo de apoio à marcha indígena", disse Mozdzierz para a mídia.
Enquanto isso, o governo de Evo Morales iniciou hoje uma nova gestão para patrocinar o diálogo com representantes da marcha indígena e retificou a formação de uma comissão legislativa multipartidária para investigar os vínculos da embaixada estadunidense em La Paz e de organizações não-governamentais com dirigentes da marcha indígena.
Tradução: Aline Scarso
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Fonte:http://brasildefato.com.br/node/7310

"Ajudinha" para o PSD sair do papel

25.08.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Rosália Rangel


PSB prometeu ajudar o novo partido com a cessão de espaço nos programas gratuitos de televisão e rádio


André de Paula: socialistas serão parceiros preferenciais. Imagem: JULIO JACOBINA/DP/D.A PRESS


O PSB e o PSD seguem por uma via de mão dupla no percurso que leva às eleições de 2012, tendo o governador Eduardo Campos (PSB), como “parceiro preferencial”. A definição é do ex-deputado federal e coordenador do PSD em Pernambuco, André de Paula. As palavras usadas pelo ex-democrata estão fundamentadas na ajuda prometida pelo socialista de ceder espaço ao aliado no horário gratuito do guia eleitoral. Esse apoio, segundo André, foi fundamental para a consolidação da sigla, que tem o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, como seu fundador.


Na recente entrevista que concedeu ao programa Canal Livre da Rede Bandeirantes/TV Clube, Eduardo ratificou a promessa. “A minha ajuda na coligação é com o tempo de televisão”, afirmou quando questionado sobre a parceria com Kassab. É justamente por ser um partido recém-criado e, portanto, sem contar com deputados federais eleitos na campanha 2010, o PSD não terá direito ao horário da propaganda política em 2012.


“O apoio do governador (de ceder tempo de televisão) foi decisivo para estruturação do PSD. Nenhuma liderança política iria migrar para um partido que não tivesse condições de disputar uma eleição”, afirmou André de Paula. Ele disse, inclusive, que depois do processo de registro do PSD no Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), os dirigentes da legenda irão lutar para tentar reverter a interpretação da legislação eleitoral sobre o tempo de propaganda eleitoral.


Para ressaltar a importância da parceria com o PSB e a necessidade de alianças com outros partidos, André citou o exemplo da filiação do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, que trocou o DEM pelo PSD. “Essa filiação foi toda costurada (com direito a um jantar no Palácio do Campo das Princesas) e a participação de Eduardo Campos foi fundamental. O PSB é um partido que tem seis governadores e temos parcerias em alguns estados. Na Paraíba, por exemplo, o vice-governador (Raimundo Gouveia) que é do PSD”, frisou.


Os socialistas não vão ficar apenas no campo, digamos, da contribuição. Na avaliação do presidente da executiva municipal, Danilo Cabral, o PSD só tem a crescer nas eleições do próximo ano, tendo em vista a ampla base de sustentação do governo Eduardo Campos. “É uma base muito grande e o PSD deverá ser um abrigo para muita gente. Na eleição passada, pessoas filiadas a partidos de oposição apoiaram a campanha de Eduardo. No próximo ano, elas podem estar no PSD”, ressaltou Danilo. Uma outra questão, segundo ele, é o fato de o partido de Kassab ser o único que permite ao político mudar para outra legenda sem correr risco de perder o mandato. “Isso facilita a migração”, frisou.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/08/25/politica3_0.asp

Seminarista acusado de maus-tratos

25.08.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Vida Urbana


Leonardo Xavier, 36, será investigado por apropriação de bens de sua mãe, uma idosa de 75 anos




Imagem: LUCAS OLIVEIRA/ESP. DP/D.A PRESS


O seminarista e estudante de teologia Leonardo de Melo Xavier, de 36 anos, está sendo investigado por abandono e apropriação de bens da mãe, uma aposentada de 75 anos. Ambos vivem num apartamento localizado no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife. De acordo com a polícia, Walmira de Melo Xavier vivia em condições subumanas. O dinheiro da aposentadoria e da pensão do marido, um dentista que faleceu há alguns anos, somava mais de R$ 3,5 mil. A quantia, no entanto, era gasta pelo filho e pouco sobrava para ajudar na saúde e nos atendimentos necessários à idosa que já sofreu mais de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Segundo as investigações, ela passava boa parte do dia sozinha e com dificuldades de locomoção. 



De acordo com o delegado Eronildo Farias, a vítima vivia sozinha com o filho. No momento em que a polícia chegou ao apartamento, os dois estavam juntos e, aparentemente, não havia sinais de maus-tratos. “Por isso não foi feito um flagrante. O local era muito sujo, cheio de entulho, com poeira. Mas, a mulher disse que o filho cuidava bem dela. Não vou solicitar, ainda, um mandado de prisão”, explicou o delegado. 


A idosa foi encaminhada ao Hospital dos Servidores do Estado, onde passou por uma bateria de exames e foi medicada. Na tarde de ontem, familiares estiveram na unidade médica e conversaram com a polícia. Eles garantiram que a aposentada iria morar em Olinda, com outro irmão, e receberia mais atenção dos parentes.

Inquérito

O delegado Eronildo Farias afirmou que vai convocar novas testemunhas para depor sobre as condições de suposto abandono que a aposentada vivia dentro de seu apartamento. Se o seminarista for indiciado, com base no Código Penal, e condenado pela Justiça, ele poderá pegar uma pena que varia de um a quatro anos de reclusão, além de multa. A pena é a mesma para o caso de apropriação de bens, baseada no Estatuto do Idoso.

“Extratos de cartão de crédito foram apreendidos. Um deles, constava um valor de mais de R$ 500. É muito alto. Uma parte do dinheiro, ele alegou que pagava um curso de teologia, internet e plano de saúde para ele. Mas, o dinheiro da idosa precisa ser usado também para melhorar suas condições de saúde, por exemplo”, disse o delegado. Acompanhado por um advogado, o suspeito prestou depoimento na tarde de ontem. Aguardará em liberdade o resultado do inquérito.

Descaso // A denúncia chegou à Delegacia do Idoso por meio do programa Cardinot Aqui na Clube, que flagrou as péssimas condições em que o imóvel, no Espinheiro, se encontra. Filho (galeria de imagens) será investigado



Leonardo de Melo Xavier(foto), de 36 anos, está sendo investigado por abandono e apropriação de bens da mãe

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/08/25/vidaurbana8_0.asp

MOBILIDADE: Grande Recife terá novas ciclovias previstas no projeto de mobilidade para a Copa 2014

25.08.2011
Do blog OBSERVATÓRIO DO RECIFE
Por  NE10

Quando o trânsito do futuro chegar para o Grande Recife, com seus novos corredores, terminais integrados e o ramal que completa a ligação do centro da capital pernambucana ao município de São Lourenço da Mata, sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014, a Região Metropolitana dará novos passos - ainda que pequenos - nos projetos de mobilidade para ciclistas. Serão implantados 37 novos quilômetros de ciclovias e outros 11 já existentes no trajeto serão revitalizados.
O trecho contemplado está dentro do projeto de mobilidade para a cidade, que será uma das sedes do mundial de futebol daqui a três anos. A abertura para licitação das obras foi divulgada no último dia 10, mas a questão das ciclovias não ganhou destaque. “Mobilidade para ciclistas nunca foi e nem tão cedo será prioridade do governo, até porque sabemos que a fabricação de automóveis é o grande motor da economia”, critica o biólogo Paulo Lima, que usa bicicleta como meio de deslocamento todos os dias.
A princípio, as ciclovias não terão ligação entre si. Haverá 6,3 km de faixa exclusiva para bicicletas ao longo de todo o Ramal Cidade da Copa, que tem início no Terminal de Integração de Camaragibe e segue pela BR-408 até a arena em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana. Por enquanto, o trecho entre a integração de Camaragibe e o centro do Recife (Corredor Leste-Oeste) não prevê ciclovia. De acordo com a Secretaria das Cidades, é uma etapa que poderá ser acrescida no futuro.
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“Esse projeto é a parcela que tem que ficar pronta até a Copa. Haverão outros detalhes a serem implantados posteriormente e que estão sendo avaliados pela Secretaria das Cidades”, explicou o secretário executivo de Relações Institucionais da Secopa Gilberto Pimentel. A BR 101 também terá 30,7 km de ciclovia e a já existente no corredor Norte-Sul (compreendido entre o Terminal Integrado de Igarassu até o Recife, seguindo até o Tacaruna, com bifurcação para Joana Bezerra, via Agamenon Magalhães e para o Centro do Recife, via Cruz Cabugá) terá seus 11 km revitalizados. Além das ciclovias, os novos Terminais Integrados de Passageiros cujas obras já estão em andamento (ao todo 10, além dos TIs do Barro e da Joana Bezerra, que serão reformado) também contarão com bicicletários.
“O problema é que as ciclovias do Recife estão sendo pensadas mais como forma de lazer do que para o deslocamento real da população”, opina novamente o biólogo. “A ciclovia de Boa Viagem, por exemplo, é super importante, muita gente utiliza, mas ela não vai dar em lugar nenhum, chega um momento que você volta a cair na via dos carros e aí começa todo o problema, porque os motoristas também não são educados no sentido de respeitar o ciclista”, diz Paulo.
De acordo com o secretário executivo de Mobilidade Urbana da Secretaria das Cidades, Flávio Figuerêdo, já existem projetos e discussões entre o órgão e o Instituto Pelópidas Silveira - órgão da Prefeitura do Recife - para a conexão entre essas ciclovias. O prazo para que elas sejam executadas, porém, não está definido. “Isto já está sendo pensado. Nós temos uma gerência de ciclovias dentro da Secretaria das Cidades e ela é responsável justamente pelo estudo dessa questão e articulações com as prefeituras e outros órgãos no sentido de estimular e favorecer a mobilidade por bicicletas dentro das cidades. Temos projetos de incentivo aos bicicletários nas escolas e em terminais integrados, entre outros. Estamos caminhando”, afirmou.
Segundo dados do Plano Diretor de Circulação da Cidade do Recife (2000), 21% dos deslocamentos urbanos são realizados por bicicletas. Atualmente, a capital conta com 20 km de malha cicloviária construída. De acordo com o arquiteto e coordenador de Mobilidade do Instituto Pelópidas Silveira, Antônio Machado, um dos objetivos do município é chegar aos 390 km de ciclovias em um prazo de vinte anos. “Esta já é uma questão pensada por nós dentro do Plano de Mobilidade para o Recife, que já está na Câmara”, explicou.
PAC MOB - O Progama de Aceleração do Crecimento - Mobilidade (PAC Mobilidade): incentivo do Governo Federal para melhorar a mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras prevê o investimento de R$ 2 bilhões em Pernambuco. Esses recursos serão aplicados, entre outras áreas, na revitalização da Avenida Norte e implantação de 8,9 km de ciclovias. Todo o corredor será contemplado e a expectativa é de que a verba seja liberada em setembro.
Ao todo, o PAC MOB está destinando R$ 18 bilhões para as cidades do país com mais de 700 mil habitantes. Para serem contemplados com o benefício, os municípios ou estados participantes tiveram que apresentar seus projetos para seleção. No caso do Recife, o projeto foi elaborado pelas Secretarias das Cidades e Transportes, em parceria com as prefeituras de Recife e Olinda. Dentro desse plano estão o projeto de navegabilidade dos rios da capital e Região Metropolitana, além das reformas nas Avenidas perimetrais e revitalização da Avenida Norte.

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Fonte:http://www.observatoriodorecife.org.br/?p=3909

Estudo mostra que mídia ignora políticas públicas para igualdade de gênero

25.08.2011
Do site da Revista Fórum
Por Redação* 


Mesmo com duas mulheres concorrendo à presidência, em 2010, jornais privilegiaram a disputa eleitoral. Aspectos físicos e vida privada ocuparam boa parte das coberturas.
Um estudo pioneiro analisou a cobertura de 16 jornais de todas as regiões do País durante o ano de 2010. Com base em 425 notícias, os resultados mostram que, mesmo com duas mulheres na disputa para presidência – Dilma Rousseff e Marina Silva –, a imprensa brasileira não se aprofundou em temas vinculados à agenda da equidade de gênero, como a participação feminina na disputa partidária e as políticas públicas de promoção dos direitos das mulheres.

Segundo o estudo “Análise da Cobertura da Imprensa sobre Mulheres na Política e Espaços de Poder”: em 2010, 41% das matérias avaliadas tinham como foco as eleições; outro tema recorrente foram as lideranças políticas femininas no Brasil e no exterior.

As propostas de políticas e programas de governo voltados para as mulheres praticamente não aparecem no noticiário. Dos textos analisados, menos de 2% mencionam ações do poder público, como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres ou o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial.

Da mesma forma, os veículos deixaram em segundo plano assuntos como a destinação de 5% dos recursos do fundo partidário para promoção da participação das mulheres na política e a necessidade dos partidos preencherem a cota mínima de 30% de candidatos/as para cada sexo.

Autoridades são as principais fontes de informação 
Outro indicativo do interesse concentrado na disputa eleitoral está na escolha das fontes de informação. Representantes dos poderes públicos (48,57%) – com destaque para o Executivo e o Legislativo – foram os mais procurados pelos jornais pesquisados.

Embora o tema da participação feminina envolva polêmicas, a imprensa não primou pela multiplicidade de pontos de vista nesse noticiário: não mais do que 15% dos textos trazem opiniões discordantes.

Candidatas são julgadas pelo aspecto físico
A referência a aspectos físicos está presente em 14% do material estudado. São principalmente menções a cabelo, roupa, peso, maquiagem e cirurgia plástica das candidatas.

Já informações sobre a vida privada das candidatas, como estado civil, filhos/netos e prendas domésticas aparecem em 31,5% da cobertura.
Insuficiências exclusivamente relacionadas às candidaturas femininas são mencionadas em 20% dos textos. Apenas 4% apontam aspectos negativos de homens e mulheres na mesma notícia.

A pesquisa integra uma série de levantamentos realizados pela ANDI – Comunicação e Direitos e pelo Instituto Patrícia Galvão, no âmbito de projeto desenvolvido com o Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal.

Os resultados completos serão debatidos no seminário Imprensa e Agenda de Direitos das Mulheres – uma análise das tendências da cobertura jornalística, organizado pela Secretária de Políticas para as Mulheres. O evento reunirá em Brasília, no dia 3 de outubro, diversos profissionais de imprensa e especialistas na agenda de equidade de gênero.

* Com informações do Portal da ANDI

Veja aqui 
o Resumo Executivo da “Análise da Cobertura da Imprensa sobre Mulheres na Política e Espaços de Poder”
Visite o minisite Mulheres na Imprensa
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9434/estudo-mostra-que-midia-ignora-politicas-publicas-para-igualdade-de-genero

Senadores brigam no plenário

25.08.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Política



Humberto disse que CPI servia de palanque à oposição.
Imagem: WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO
O clima no Senado esquentou ontem. Um bate-boca entre o líder do PT, Humberto Costa (PE), e o senador do PSDB Mário Couto (PA) quase chegou às vias de fato. A confusão começou quando o tucano acusou a presidente Dilma Rousseff de sugerir a seus aliados que “roubem” porque não demitirá ninguém. O petista, então, declarou que a CPI da oposição só serve para “dar palanque àqueles que não têm compromisso com o Brasil, mas apenas com o histrionismo para aparecerem na televisão defendendo coisas que nós sabemos que são absolutamente indefensáveis”.

As provocações aconteceram no plenário da Casa. “Calem-se deputados! Calem-se, senadores! Não assinem a CPI! A Dilma vai liberar uma fortuna para vossas excelências”, ironizou o tucano em referência à liberação de recursos para emendas parlamentares, apontada como uma forma de acalmar a base aliada no Congresso Nacional. “É, Brasil grandioso e querido! Olha como caminhas. Ó Pátria querida, olha o que os teus filhos fazem contigo, pátria, te abandonaram; pátria, dizem para ti: te lixa! Ninguém assina a CPI da Corrupção, ó pátria amada!”, afirmou Couto.

Humberto Costa retrucou, do meio do plenário, que a Mesa Diretora precisa tomar uma posição. “Aqui, nosso partido já foi chamado de partido de bandidos, de vagabundos e a Mesa não faz nada porque dizem: ‘Não, trata-se de um louco, de um débil mental’. E a quantidade de agressões que são feitas aqui? O Regimento precisa ser atualizado, modernizado, para impedir que todos os dias se repitam aqui as agressões a pessoas, a partidos. E muitos não querem comentar porque acham que se trata de discursos folclóricos. Estou apresentando neste momento uma solicitação ao presidente, ao corregedor da Casa.”

Pouco tem depois, Humberto se dirigiu à sala do cafezinho dos senadores, e Couto também foi ao local. As acusações entre ambos então continuaram. “Você já respondeu processo, você é um dos corruptos! É por isso que defende a corrupção”, acusou Couto. “Não sou moleque”, reagiu o petista. Os assessores de Humberto, então, tentaram contê-lo, enquanto Mário Couto deixava o cafezinho gritando: “Corrupto tem de acabar no pau, mesmo. Não pode dar trégua. Você acorda e vê, é corrupto a toda hora, tem de acabar.” 

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/08/25/politica13_0.asp

BRT de Bogotá será referência para os projetos da RMR

25.08.2011
Do site ROTA PERNAMBUCANA,23.08.11
"Mobilidade Urbana em pauta"

Arquivo pessoal - Dep. Maurício Rands
Transporte público colombiano que será “importado” para a RMR transporta 1,8 mi pessoas/dia. 
Não foi preciso uma Copa do Mundo para transformar parte do sistema de transporte público de passageiros de Bogotá, na Colômbia. Não havia outra saída. O modelo, copiado de Curitiba, foi a única forma de sobrevivência do que restava de mobilidade para uma cidade que caminhava para o caos com 1,8 milhão de veículos. O sistema transmilênio, que aposta em um corredor exclusivo para ônibus com paradas em nível e pagamento antecipado, representa, no entanto, apenas 30% da demanda da cidade. Mesmo assim, é capaz de transportar por dia 1,8 milhão de passageiros. A maior contradição para uma cidade que hoje é referência mundial, nesse tipo de transporte, é que o restante da demanda, que representa nada menos que 70% dos usuários, usa um transporte caótico onde não há regras a cumprir e muito menos conforto. Eles remetem às antigas kombis, que faziam o transporte clandestino no Recife, antes da regulamentação do sistema.
Mesmo sendo um dos maiores investimentos feitos no setor na última década, só agora o transmilênio está sendo ampliado. O projeto original prevê oito fases que totalizarão 360 quilômetros de faixas exclusivas nos quatro cantos da cidade. Somente agora, desde que foi implantado em 2000, está sendo concluída a terceira fase, que totalizará 116km. Já os ônibus antigos, cobrem uma linha viária de 3 mil quilômetros. A disparidade e a eficiência dos dois modelos pode ser comparada em números. Com 1.295 ônibus e em 84 quilômetros de vias, o transmilênio realiza por dia 1.745 viagens. O sistema antigo com 16 mil ônibus e 3 mil km de vias, realiza 2.500 viagens. “Com menos vias e menos veículos, o transmilênio faz quase o mesmo número de viagens”, compara o gerente geral do Transmilênio, Fernando Rojas. Até outubro de 2010, o modelo do corredor exclusivo já havia transportado três bilhões de pessoas, o acumulado em 10 anos.

Embora seja um orgulho para a cidade, o transmilênio está longe de ser uma unanimidade. E é fácil entender a razão. Atualmente são cinco troncais de vias exclusivas, sendo três no sentido Norte Sul e duas fazendo a transversal Leste Oeste. Mas principalmente a parte Oeste da cidade não é atendida. O modelo tem ainda quatro linhas alimentadoras, mas não são suficientes para trazer a demanda da cidade para dentro do sistema, por isso a maior parte dos deslocamentos é feita pelos ônibus antigos. “É um serviço ruim porque é um problema para chegar até as estações e não há rota para toda a cidade, mas para quem só utiliza ele não deve ter melhor”, afirmou Gustavo Barangan, 45 anos, eletricista, que mora na parte Oeste da cidade. É o caso do vendedor Jairo Chimbi, 49 anos, que mora e trabalha nas proximidades dos terminais do sistema. “Antes eu ia para o trabalho de carro e gastava mais de uma hora. Hoje eu gasto menos da metade desse tempo, economizo no combustível e tenho menos estresse no trânsito”, afirmou.
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A meta de qualquer sistema de transporte público é atrair o usuário do transporte individual para o público. No caso de Bogotá, desde que os destinos sejam atendidos, essa troca é atraente. Em 10 anos, a frota está em ótimas condições e será renovada nos próximos dois. As pistas exclusivas têm boa pavimentação nos corredores principais e os terminais e as paradas estão sempre limpos e com segurança monitorada. Não há pichações, nem comércio informal. O sistema oferece ainda três tipos de serviço, em função da necessidade: a rota fácil, com ônibus a cada três minutos, que para em determinadas estações; o expresso com ônibus a cada sete minutos, com trechos mais longos entre uma parada e outra; e o ônibus que para em todas as estações e têm intervalos a cada um minuto. “Os ônibus expressos, que são mais rápidos, demoram mais a sair do terminal para ter uma maior ocupação, mas em compensação são mais velozes”, explicou Fernando Rojas.
Transporte informal circula livremente
Eles sempre fizeram parte da paisagem da cidade, mas estão com os dias contados. Os ônibus antigos, que mais parecem marinetes, respondem por 70% do transporte de Bogotá. Eles serão enfim integrados ao transmilênio. Mas em outro formato. Os velhos coletivos com modelos próprios e, por vezes extravagantes, vão ser substituídos por ônibus modernos e maiores. A meta é reduzir os atuais 16 mil veículos, que circulam na cidade, para 11 mil. O projeto, que tem implantação prevista para dois anos, promete integrar os 100% do transporte do município. Iremos agregar todo o sistema, mas a implantação das oito fases previstas no projeto vai levar mais tempo. Em até dois anos teremos além da integração dos ônibus, a conclusão da quarta fase do transmilênio”, explicou o coordenador Fernando Rojas.
O transporte informal de Bogotá funciona com autorização do município, mas não há nenhuma regulamentação. Não houve licitação e não há um órgão fiscalizador. ”Não existem regras e eles não cumprem as rotas ou os horários. Eles trabalham por conta própria e cada um faz do seu jeito”, afirmou Rojas. A falta de regras se estende às normas de trânsito. Eles estacionam em qualquer lugar onde o passageiro pedir parada. A ampliação do sistema prevê a melhoria das vias e a capacitação dos condutores. “Todos os que permanecerem no sistema terão que ser capacitados. Os que não cumprirem as normas ficarão de fora”, afirmou.o gerente do transmilênio.
Para o comerciante Dionísio Mendoza, 47 anos, a integração dos ônibus pode ser a saída para melhorar a qualidade do transporte além dos limites atuais do transmilênio. “Acredito que essa integração será bastante positiva. A gente depende dos ônibus, mas é preciso cumprir as regras”. A secretária Andréa Losango, 35, não gosta de falar sobre mudanças. “Prefiro assim. O transmilênio é demorado nos horários de pico e os ônibus daqui a gente já sabe como funcionam”.
Grande Recife pode virar referência
Governo promete implantar na RMR 52km de corredores exclusivos de ônibus para 265 mil pessoas/dia
 Enfim, a Região Metropolitana do Recife se prepara para receber os corredores exclusivos de ônibus nos moldes do BRT, sigla em inglês para Bus Rapid Transit, que na tradução para o português virou Transporte Rápido por Ônibus (TRO). O sistema é semelhante ao que já ocorre com o metrô, onde a passagem é paga antecipadamente e a parada fica no nível da porta de embarque e desembarque. A ideia, que surgiu em Curitiba na década de 1970 e cujo modelo foi implantado em Bogotá há uma década, aterrissa aqui graças às obras estruturadoras para a Copa do Mundo de 2014, mas estava previsto desde o primeiro Plano Diretor de Transporte elaborado em 1972.
Nessa primeira fase, prevista para ser iniciada em 2012, vão ser implantados 52 quilômetros de corredores exclusivos, incluindo o Norte/Sul, Leste/Oeste, o ramal para a Cidade da Copa e o Terminal Integrado de Passageiros Cosme e Damião. O investimento nos equipamentos é de cerca de R$ 476 milhões, dos governos estadual e federal. A meta, no entanto, é alcançar quase 100 km nos próximos três anos com a inclusão do corredor da BR-101, no contorno Recife, e da Avenida Norte. Os dois representam investimentos na ordem de R$ 680 milhões. “Nós estamos aguardando a análise do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para realização das obras no trecho urbano da BR-101. Já a Avenida Norte, depende dos recursos do PAC da Mobilidade”, explicou o secretário das Cidades, Danilo Cabral.
Os dois corredores e mais o ramal da Copa vão transportar por dia cerca de 265 mil passageiros em uma extensão de 52km. Para se ter uma ideia, na cidade de Bogotá, que tem atualmente 84km de corredores, consegue transportar por dia 1,8 milhão de pessoas e 197 mil por hora, nos horários de pico. Os corredores Norte/Sul, Leste/Oeste e Ramal da Copa ligam a capital à Olinda, Camaragibe, São Lourenço da Mata, Igarassu, Abreu e Lima e Paulista.
No projeto do corredor Norte/Sul, a Avenida Agamenon Magalhães tem um papel de destaque na operacionalização do tráfego. Não por acaso, a via terá um estudo de origem e destino e receberá também quatro viadutos que ajudarão na circulação local. Os elevados serão construídos entre a Ilha do Leite e o Parque Amorim: um na entrada para a Rosa e Silva (do Português/Mac Donald); outro iniciando na Rui Barbosa, em frente ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), e cruzando a Agamenon Magalhães até o Americano Batista; o terceiro do Colégio Contato, na Dom Bosco, até o Hospital da Restauração, e o último saindo da Paissandu e indo até o outro lado da pista.
O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) vai financiar a pesquisa de origem e destino e a elaboração dos projetos básicos dos quatro viadutos. Foram os empresários do setor que bancaram a elaboração do projeto do corredor Norte/Sul com a contratação do urbanista Jaime Lerner, idealizador do modelo do BRT em Curitiba. “Temos um ganho importante porque há um aumento na velocidade dos ônibus e com isso o número de viagens também aumenta”, ressaltou o presidente do Urbana-PE, Luiz Fernando Bandeira de Mello.
Projeto de BRT/Grande Recife - Reprodução
Ao contrário do que ocorre em Bogotá, uma das vantagens dos corredores locais é que eles já vão nascer fazendo parte do Sistema Estrututal Integrado (SEI). A estimativa é que até 2012 sejam entregues mais 10 terminais totalizando 23. Por causa do SEI, o passageiro pode pagar apenas uma passagem e se deslocar dentro do sistema para qualquer um dos 14 municípios da RMR. Outra diferença é que lá a passagem não tem nenhum tipo de subsídio. Não há diferença de tarifas. Lá, o preço da passagem equivale a noventa centavos de um dólar. Uma das razões para baratear o sistema é a mão de obra local, que não tem uma representação sindical forte.
Central de controle: o cérebro do Transmilênio
O maior segredo da regularidade das viagens do sistema transmilênio não está apenas no modelo exclusivo das vias, mas principalmente na operacionalização do sistema. A central de controle, que funciona no prédio da Secretaria de Educação de Bogotá, conta com um moderno sistema de computação que dá o passo a passo de cada ônibus que se move dentro do sistema. No painel de controle, os ônibus são representados por retângulos e os horários por triângulos. O ideal é que os dois caminhem lado a lado. Há ainda cores que definem as condições das duas unidades geométricas: vermelho para crítico, amarelo para quando há distorção entre os dois, e verde para quando seguem praticamente paralelos. Nenhum dos ônibus do sistema dispõe de câmeras. O que acontece no ônibus é traduzido por códigos. “Se o ônibus para a gente sabe, se ele for mais lento também, e se houver algum assalto o motorista emite um código”, explicou o engenheiro Maurício Sandoval, coordenador da central.
Os 13 operadores ficam com os olhos no computador. Cada um é responsável pelo monitoramento de 100 ônibus. “Mesmo se acontecer de o operador não perceber uma distorção, o painel fica exposto para toda a central e os supervisores também acompanham”. O principal instrumento de comunicação da central é o rádio, ligado aos motoristas dos ônibus, aos fiscais que ficam nos terminais, às estações e à polícia. Na  sede da central há três policiais que trabalham no monitoramento e chamam reforço caso seja preciso. “Nós temos 330 câmeras espalhadas nas estações e terminais. Se for detectado algum tipo de violência, a polícia é acionada. Às vezes alguém passa mal e a gente faz o socorro, sem causar impacto ao sistema”, afirmou Sandoval.
Mesmo com todo o monitoramento, manter os ônibus nos horários é uma tarefa árdua. “Se a estação estiver cheia e os passageiros demorarem a entrar, ou se o motorista acelerar ou reduzir muito os atrasos acontecem. Qualquer mudança causa um efeito dominó e a central precisa readequar os movimentos a todo instante.
Ônibus em vias exclusivas não é garantia de velocidade, pelo menos quando elas são bloqueadas por algum tipo de acidente ou protesto. É ai que entra o plano B. “Nós temos um planejamento para as mais diversas situações. Em caso de bloqueio da pista, o ônibus poderá sair da faixa exclusiva e fazer um retorno por vias laterais. Ou então a gente aciona outro ônibus que não se encontra no corredor para fazer o socorro até a polícia desobstruir a via. O sistema não pode parar”, afirmou.
Versão local
O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano vai contar com um Centro de Controle e Operações (CCO), que ficará localizada na própria sede. O centro terá painéis de LCD para o acompanhamento das operações. Os equipamentos vão mostrar em tempo real o embarque e desembarque das linhas. As informações também poderão ser acessadas pelo celular. Os usuários terão ainda acesso a um portal de voz e um site na internet com informações das linhas e os percursos.
O centro receberá as informações pelo GPS instalado em toda a frota. “Atualmente 90% da frota tem GPS e até o fim do ano teremos 100% equipados”, afirmou Danilo Cabral. O CCO vai contar com 20 operadores internos e 55 fiscais de frota e vistoria nas ruas e pontos estratégicos. Para reforçar o quadro, o governo convocou 15 novos fiscais , sendo 14 de linha e um de vistoria, classificados no último concurso, realizado em setembro do ano passado. “O Grande Recife ficará equipado para fazer esse trabalho, uma vez que os corredores são intermunicipais”, explicou o secretário.
FONTE: Diário de Pernambuco

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Fonte:http://rotapernambucana.wordpress.com/2011/08/23/brt-de-bogota-sera-referencia-para-os-projetos-da-rmr/