quarta-feira, 24 de agosto de 2011

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O CURSO DE CAPACITAÇÃO EM MOBILIDADE URBANA

24.08.2011
Do blog MOBILIDADE URBANA,17.08.11
Por Coordenação


Estão abertas as inscrições para o Curso de Capacitação em Mobilidade Urbana. Clique aqui para fazer sua inscrição.  O Curso terá duração de 10 módulos com início no dia 02 de setembro de 2011. (VEJA CRONOGRAMA COMPLETO NESTE SITE


O curso irá proporcionar ao paticipante os estudos da mobilidade urbana  e do acesso ao espaço urbano permitem compreender as dinâmicas da estrutura interna das cidades, principalmente sob o olhar das pessoas com mobilidade reduzida, avaliando, assim as barreiras e significados desses espaços e, conseqüentemente, da cidade para os sujeitos que vivenciam o cotidiano urbano, seja, uma pessoa com deficiência, idoso, gestante ou não.
Apresentação da Proposta
A presente proposta resulta de uma linha de pesquisa que o coordenador deste projeto, Prof. Dr. Vitor Ribeiro Filho, desenvolve nos cursos de Graduação e Pós-Graduação no Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia, onde vem destacando-se na temática da Geografia Urbana com ênfase nas cidades médias, por outro lado faz parte do tripé: ensino, pesquisa e extensão que dá sustentação as atividades da universidade.
Cabe ainda destacar, que este curso é desdobramento de outros projetos e atividades: Acessibilidade ao Espaço Urbano: análise dos deslocamentos das pessoas com mobilidade reduzida em Uberlândia - MG e Palmas – TO, projeto aprovado no Edital CNPq 02/2009 – Seleção pública de projetos de pesquisa nas áreas de Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas e do Pós-Doutorado realizado na Universidade de Lisboa no período de outubro de 2010 a março de 2011.
Público Alvo, Período de Realização e Número de Vagas
Este curso visa atender as lideranças comunitárias, funcionários de órgãos públicos, entidades sociais e alunos de instituições de ensino superior. Serão oferecidas 60 vagas para a cidade de Uberlândia e região. O curso será realizado em dez módulos com início em 02 de setembro de 2011 e término em  11 de novembro de 2011 (total de 100 horas/aulas).
Objetivo Geral
·         Fornecer aos participantes um conjunto de conceitos, métodos e técnicas visando à capacitação na compreensão dos temas ligados à mobilidade urbana e as pessoas com mobilidade reduzida.
Objetivos Específicos
·         Compreender a mobilidade urbana no contexto da cidade e da cidadania;
·         Identificar as principais barreiras enfrentadas pelas pessoas com mobilidade reduzida em seus deslocamentos cotidianos nos  espaços públicos, áreas de lazer  e comerciais das cidades;
·         Propiciar aos participantes o contato com as práticas inclusivas e de vivências urbanas das pessoas com mobilidade reduzida  no âmbito do espaço urbano;
·         Distinguir as diferentes categorias das pessoas com mobilidade reduzida;
 ·         Analisar o planejamento e gestão urbanos  no que tange ao cumprimento da legislação urbana e o exercício da cidadania.
Metas a serem Alcançadas
·         Contribuição para o desenvolvimento e difusão de métodos e técnicas nos deslocamentos das pessoas com mobilidade reduzida no acesso ao espaço urbano;
·         Qualificação dos atores sociais que estejam atuando na temática em questão, tais como: lideranças comunitárias, funcionários de órgãos públicos, entidades sociais e alunos de instituições de ensino superior;
·         Publicação de um livro de autoria coletiva com base na temática da Mobilidade Urbana e as Pessoas com Mobilidade Reduzida;
·         Divulgação na mídia local e regional objetivando dar visibilidade às atividades realizadas durante a execução do projeto.

Outras informações: vitor.f@terra.com.br

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Fonte:http://www.mobilidadeurbana.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3:curso-de-capacitacao-em-mobilidade-urbana-as-pessoas-com-mobilidade-reduzida&catid=2:curso-de-mobilidade-urbana

Eric Hobsbawm: Como mudar o mundo

24.08.2011
Do blog de Rodrigo Vianna
Por Fernando Bogado, no Página/12
Publicado em português no IHU Online, com  tradução do Cepat




Aos 94 anos, depois de publicar suas extraordinárias memórias (Tempos Interessantes), o grande historiador inglês Eric Hobsbawm – que dedicou sua vida à análise e explicação da era moderna, desde a Revolução Francesa até os estertores do século XX – tinha um livro a mais para escrever: Como mudar o mundo. Após se sentir parte da geração com a qual se extinguiria o marxismo da vida política e intelectual do ocidente, as crises financeiras, a espiral conflitiva do capitalismo e as mudanças na América Latina lhe deram a alegria de voltar ao seu querido Marx. No livro, refuta com sua habitual lucidez as más interpretações, arquiva os preceitos que envelheceram e utiliza as ferramentas oferecidas pelo autor de O Capital para entender o mundo no século XXI e fazê-lo um lugar melhor.

Imaginem a cena: Eric Hobsbawm, reconhecido historiador inglês de corte marxista, e George Soros, uma das mentes financeiras mais importantes do mundo, encontram-se para um jantar. Soros, talvez para iniciar a conversa, talvez com o objetivo de continuar alguma outra, pergunta a Hobsbawm sobre a opinião que este tem de Marx. Hobsbawm escolhe dar uma resposta ambígua para evitar o conflito, e respondendo em parte a esse culto à reflexão antes que ao confronto direto que caracteriza seus trabalhos. Soros, ao contrário, é conclusivo: “Há 150 anos esse homem descobriu algo sobre o capitalismo que devemos levar em conta”.

A estória parece quase seguir a estrutura de uma piada (“Soros e Hobsbawm se encontram em um bar…”), mas é o melhor exemplo que o historiador inglês encontra para mostrar, no começo do seu livro, essa ideia que está pairando no ar há tempos: o legado filosófico de Karl Marx (1818-1883) está longe de ter se esgotado e, muito pelo contrário, as publicações especializadas da atualidade, o discurso político cotidiano, a organização social de qualquer país não fazem outra coisa que invocar o seu fantasma para lidar com esse angustiante problema que tomou o nome histórico de “capitalismo”.

No livro, recentemente publicado em castelhano, que leva o sugestivo título Como mudar o mundo, Hobsbawm volta a oferecer seu indiscutível talento para colocar as proposições daquele filósofo alemão que seguem tendo uma vigência definidora para construir o presente.

Repassemos antes a presunção de morte que se pendurou no pescoço de Marx durante o último quartel do século XX: a crise do petróleo de 1973 desencadeou um processo político e econômico que organizou o que Hobsbawm qualificou como reductio ad absurdum das tendências da economia de mercado. A situação provocou o surgimento de governos conservadores nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha (com Ronald Reagan e Margaret Thatcher à frente de seus países), ao mesmo tempo que implicou em diversos territórios a implantação de economias de claro corte financeiro, situação que na América Latina trouxe aparelhado o surgimento de governos de fato que impuseram este tipo de organização pela força, suplantando as estratégias de desenvolvimento industrial e substituição das importações por facilidades para os capitais andorinha, a especulação e a desestruturação das organizações sindicais (somados, é claro, às estratégias de repressão dispostas há muito tempo antes dos golpes, como mostra a história nacional).

Aquela série de mudanças culminou com a queda do Muro de Berlim e do bloco soviético em 1989-1991: a URSS não podia resistir muito mais tempo com sua particular versão do marxismo e sua economia planejada. Francis Fukuyama, pensador norte-americano de corte neoliberal, se apropriou de algumas noções da filosofia hegeliana para dar a sentença final acerca desta sucessão de acontecimentos: estávamos diante do “fim da História”, o desaparecimento do mundo organizado em blocos opostos que havia marcado o destino de tudo o que conhecemos desde o final da Segunda Guerra Mundial em diante.

É neste panorama conciliador da economia globalizada e aparente pacificação social que, ao longo da década de 1990, todo o mundo deu por enterrado o pensamento marxista, inclusive, com certas justificativas de índole éticas: o nome de Karl Marx sempre vinha acompanhado de Joseph Stalin, entre muitos outros. Marx não era apenas uma má palavra para um guru econômico, mas também para um cidadão das zonas mais pobres da Rússia, que via com prazer a forma como caíam as estátuas de Lênin, Stalin e do próprio Marx.
Quem teria dito então que veríamos uma foto de Sarkozy lendo O Capital e o papa Bento XVI elogiando a capacidade analítica de seu autor?

Entre 2007 e 2009 (2001, para nós), uma série de crises do sistema capitalista financeiro (ou “capitalismo tardio” tal como o identificaram pensadores como Frederic Jameson ou Jürgen Habermas), demonstraram que o que se pensou como o começo de uma era de tranquilidade em termos políticos, sociais e, sobretudo, econômicos para depois de 1989, na verdade não era nada disso. O mercado entregue pura e exclusivamente à “mão invisível” de Adam Smith, amparado pela domesticação do Estado, começou a trincar sem necessidade de conflito com outro sistema econômico-político.

A revolução não é um sonho eterno


Disse-o muito bem a Times após a queda financeira de 2008: “Voltou”. Quem? Marx. Três anos depois, o panorama não melhorou e neste clima pouco promissor, muitos revisam sua figura para recuperar o que foi que disse e o que se pode extrair de sua análise com o objetivo de superar a crise que afeta por estes dias as principais economias do mundo globalizado (basta revisar como começamos cada semana com uma nova “segunda-feira negra”, por não somar mais dias ao calendário).

Aos 94 anos, Hobsbawm observa acertadamente que Marx havia sentenciado qual seria o destino do capitalismo ao seguir a linha que em meados do século XIX insinuava com perfeita clareza: a concentração do capital em poucas mãos produziria um mundo onde apenas um número muito pequeno de pessoas teria o maior número de riquezas, ao passo que o sistema não poderia seguir o ritmo de seu próprio crescimento desproporcionado. A quantidade de riquezas produzidas e o contínuo aumento da população não permitiriam o desenvolvimento igualitário de todos os indivíduos, ao que se somava o fato de que o ritmo de crises cíclicas acabaria aumentando com o tempo até chegar ao ponto da inevitável queda do sistema.

Em 2002, o economista indiano Meghnad Desai já anunciava em um trabalho, “A vingança de Marx”, onde afirmava que muitos acreditaram que o pensamento do alemão se extinguiria com a queda dos estados socialistas, mas as teses e observações realizadas nos trabalhos iniciais vão muito além desses 70 anos de governos comunistas que constituíram apenas um “episódio” da virada para o socialismo: os marxismos não ofuscam as observações de Marx, e é esse núcleo básico que é preciso voltar a ler.

Hobsbawm concorda com Desai: uma coisa são os trabalhos originais e outra a maneira como esses livros (com seus avatares particulares, suas más traduções ou suas publicações tardias) formaram escolas ao longo de todo o mundo. Essa história da escola marxista é a que terminou com a queda do Muro, e não a força política e filosófica das primeiras explicações. Este renascer de Marx é o que entusiasma agora um Hobsbawm que se apresentava um tanto decepcionado com a ideia de que, durante a década de 1980 até finais de 2000, o “mundo marxista ficou reduzido a pouco mais que um conjunto de ideias de um corpo de sobreviventes anciãos e de média idade que lentamente se ia erodindo”.

Quais são essas ideias? Que coisas de Marx é preciso conservar? Em primeiro lugar, a natureza política de seu pensamento. Para ele, mudar o mundo é o mesmo que interpretá-lo (parafraseando uma das míticas “Teses de Feuerbach”); Hobsbawm considera que há um temor político em vários marxistas de se verem comprometidos com uma causa, sabendo de antemão que para entrar na leitura de Marx teve que haver primeiro um desejo de tipo político: a intenção de mudar o mundo.

Em segundo lugar, a grande descoberta científica de Marx, a mais-valia, também tem lugar neste ensaio histórico de erro e acerto. Reconhecer que há parte do salário do operário que o capitalista conserva para si com o objetivo de aumentar os lucros, com a passagem do tempo é encontrar a prova de uma opressão histórica, o primeiro passo para chegar a uma verdadeira sociedade sem classes, sem oprimidos. Os operários estão conscientes dessa injustiça e só mediante uma organização política coerente poderão “dar uma reviravolta”. Ao contrário do que acreditavam os gurus da globalização, nem os operários nem o Estado são conceitos em desuso: Hobsbawm esclarece que “os movimentos operários continuam existindo porque o Estado-nação não está em vias de extinção”.

Por último, a existência de uma economia globalizada demonstra aquilo que Marx reconheceu como a capacidade destruidora do capitalismo, mais um problema a resolver que um sistema histórico definitivo. Hobsbawm chama a atenção, a partir do filósofo alemão, para essa “irresistível dinâmica global do desenvolvimento econômico capitalista e sua capacidade de destruir todo o anterior, incluindo também aqueles aspectos da herança do passado humano dos quais o capitalismo se beneficiou, como, por exemplo, as estruturas familiares”. O capitalismo é selvagem por natureza e seu final – ao menos, o final da ideia clássica de capitalismo – é evidente para qualquer pessoa no mundo.

É muito difícil dizer que da análise de Marx se possa tirar um plano de ação “à prova de bala”. A teoria marxista clássica falou muito pouco sobre modelos de Estado ou do que aconteceria uma vez instalada a revolução, mas muito sobre análise econômica: pensando o que acontece é que se pode saber como agir. O que Marx deu foram ferramentas, não receitas dogmáticas. Como bem disse Hobsbawm, os livros de Marx “não formam um corpus acabado, mas são, como todo pensamento que merece este nome, um interminável trabalho em curso. Ninguém vai convertê-lo em dogma, e menos ainda em uma ortodoxia institucionalmente ancorada”.
Mas, claro, a vida oferece surpresas: embora haja colocações de Marx que se conservam, há muitas outras que o curso da História (e dos homens que a vivem) mudou. Por exemplo, um dos paradoxos do século é que, embora Marx acreditasse que a revolução acabaria se dando em todo o mundo (“Trabalhadores do mundo, uni-vos!”), os levantamentos que terminaram com o marxismo no poder durante o século XX se deram em países bem diferentes da Alemanha, Inglaterra e França, o triângulo em que, para Marx, tudo começaria.
Por sua vez, o marxismo se misturaria com movimentos de mudança ou grupos que reconheciam diferentes injustiças sociais em territórios insuspeitados. Na Rússia, por exemplo, a filosofia marxista se mesclou com o nacionalismo agrário narodnik, ao menos, em um primeiro momento. Na China, a revolução se deu em uma cultura agrícola não ocidental, imperial e milenar. Por sua vez, todos esses modelos de país tinham muito pouco com a ideia original: assim como afirma Hobsbawm, “no período posterior a 1956, uma grande maioria de marxistas se viu obrigado a concluir que os regimes socialistas existentes, desde a URSS até Cuba e Vietnã, estavam longe daquilo que eles mesmos teriam desejado que fosse uma sociedade socialista, ou uma sociedade encaminhada ao socialismo”.

Talvez o artigo mais determinante seja aquele dedicado à redação do Manifesto do Partido Comunista, o texto breve de 1848 onde Marx e Engels declaravam a inevitável presença de um partido que não era, nessa época, o mesmo tipo de organização que o século XX conhecerá depois das propostas operativas de Lênin. O objetivo fundamental da criação de um PC era distinguir sua proposta da de toda outra forma de avatar socialista, sobretudo em suas variáveis utópicas: de Saint-Simon aos falanstérios de Fourier, onde a liberdade sexual (e as correspondentes “orgias coreografadas”) se equiparavam a uma liberdade de trabalho. Um século e pouco depois, talvez esse PC tenha sido mal entendido.

Pensar a transição de sociedades agrárias para sociedades socialistas, ou revisar a mudança histórica do feudalismo ao capitalismo, foi um dos pontos que mais preocuparam o último Marx: ali se encontra a possibilidade de entender desde o presente os movimentos revolucionários em países com estruturas agrárias como as presentes na América Latina, África ou algumas zonas do Oriente. Para além das condições para que se dê a mudança (descontentamento social, consciência do conflito, etc.), o marxismo clássico do século XIX defendia a necessidade de certas condições objetivas para a revolução: desenvolvimento industrial e comercial em grande escala (longe do artesanato e do comércio “cara a cara”). A América Latina conheceu a refutação destas condições no Che Guevara: onde havia uma necessidade, não havia apenas um direito, mas também uma possível revolução. Hobsbawm, atento a este tipo de experiência, demonstra o interesse particular que existe para revisar a mudança ao socialismo fora dos limites da Europa.

A cintura cósmica de Marx

Em uma entrevista concedida ao jornal The Guardian, e realizada por Tristram Hunt – que acaba de publicar, oh casualidade, a biografia de Engels também resenhada nestas páginas – e publicada em janeiro deste ano, Eric Hobsbawm falou com entusiasmo da recuperação de certa linguagem econômica e política que se acreditava esgotada depois do auge liberal das últimas décadas do século XX: “Atualmente, ideologicamente, sinto-se mais em casa na América Latina porque segue sendo a única parte do mundo onde as pessoas ainda falam e conduzem sua política na velha linguagem, na linguagem do século XIX e do século XX do socialismo, do comunismo e do marxismo”. Embora a pergunta apontasse para a saída de Lula do governo e a localização do Brasil dentro do grupo de países com perspectivas de liderança mundial (o BRIC, junto com a Rússia, a Índia e a China), a resposta renova a repercussão da conjuntura política latino-americana dentro do panorama mundial e a presença de diversos governos de esquerda e centro-esquerda no continente.

Um dos últimos artigos do livro, “Marx e o trabalho: o longo século”, assinala precisamente que as organizações proletárias com fins políticos não necessariamente vão de mãos dadas com a teoria marxista. O melhor caso para explicar seu ponto de vista o encontra em nosso intrigante país: “Os socialistas e comunistas, frustrados há tempo na Argentina, não podiam compreender como um movimento operário radical e politicamente independente podia desenvolver-se, na década de 1940, naquele país, cuja ideologia (o peronismo) consistia basicamente na lealdade a um general demagogo”.

A vitória de partidos operários no continente, alimentados pela perspectiva marxista de justiça e progresso igualitário, mas não ligados a organizações de claro corte comunista, apresenta a possibilidade de uma transição a um Estado socialista não mediada por uma revolução, assim como se colocou nos termos da URSS e da histórica Revolução de 1917, ou como o imaginário atual lê o futuro da revolução cubana de 1959. Em definitiva, há coisas que a própria História, não Marx ou suas muitas interpretações, demonstraram que são inviáveis: o socialismo russo fracassou por manter uma economia de guerra a curto prazo que se propunha objetivos difíceis que implicavam esforços e sacrifícios excessivos (desde concentrar todo o excedente e o esforço produtivo com a finalidade de conquistar o espaço exterior a mudar as práticas de produção agrária). Distinguir Lênin e Stalin do pensamento de Marx é um acontecimento dado nos últimos anos que pode mostrar as facetas mais interessantes para uma teoria do presente. Ou seja, algo necessário que permite pensar as circunstâncias atuais para escorar a mudança dentro da complexa geografia latino-americana.

O marxismo teve várias crises ao longo de sua história. Desde que se propôs colocar Hegel “de pernas para o ar” e transformar todo o discurso do espiritual em atenção ao material, já em 1890 apareceram os primeiros críticos às formulações básicas desta filosofia. Contudo, há algo nas ideias de Marx que segue interpelando o homem contemporâneo, que segue falando de uma mudança não considerada como mero desejo existencial ou aspiração utópica, mas como situação possível de levar a cabo na atualidade, sobretudo, pela via democrática e partidária.

Como bem pergunta Soros, e como escreve Hobsbawm: “Não podemos prever as soluções para os problemas que o mundo enfrentará no século XXI, mas para que haja alguma possibilidade de êxito devemos fazer-nos as perguntas de Marx”.

Leia outros textos de Outras Palavras

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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/eric-hobsbawm-como-mudar-o-mundo.html

MOBILIDADE/Bogotá:Transporte informal circula livremente

24.08.2011
Do DÍARIO DE PERNAMBUCO, 21.08.11
Por Tânia Passos*

Não há nenhuma regulamentação para os ônibus antigos.
Imagem: TANIA PASSOS/DP/D.A PRESS
Eles sempre fizeram parte da paisagem da cidade, mas estão com os dias contados. Os ônibus antigos, que mais parecem marinetes, respondem por 70% do transporte de Bogotá. Eles serão enfim integrados ao transmilênio. Mas em outro formato. Os velhos coletivos com modelos próprios e, por vezes extravagantes, vão ser substituídos por ônibus modernos e maiores. A meta é reduzir os atuais 16 mil veículos, que circulam na cidade, para 11 mil. O projeto, que tem implantação prevista para dois anos, promete integrar os 100% do transporte do município. Iremos agregar todo o sistema, mas a implantação das oito fases previstas no projeto vai levar mais tempo. Em até dois anos teremos além da integração dos ônibus, a conclusão da quarta fase do transmilênio”, explicou o coordenador Fernando Rojas.

O transporte informal de Bogotá funciona com autorização do município, mas não há nenhuma regulamentação. Não houve licitação e não há um órgão fiscalizador. ”Não existem regras e eles não cumprem as rotas ou os horários. Eles trabalham por conta própria e cada um faz do seu jeito”, afirmou Rojas. A falta de regras se estende às normas de trânsito. Eles estacionam em qualquer lugar onde o passageiro pedir parada. A ampliação do sistema prevê a melhoria das vias e a capacitação dos condutores. “Todos os que permanecerem no sistema terão que ser capacitados. Os que não cumprirem as normas ficarão de fora”, afirmou.o gerente do transmilênio.

Para o comerciante Dionísio Mendoza, 47 anos, a integração dos ônibus pode ser a saída para melhorar a qualidade do transporte além dos limites atuais do transmilênio. “Acredito que essa integração será bastante positiva. A gente depende dos ônibus, mas é preciso cumprir as regras”. A secretária Andréa Losango, 35, não gosta de falar sobre mudanças. “Prefiro assim. O transmilênio é demorado nos horários de pico e os ônibus daqui a gente já sabe como funcionam”.




Mobiliade Urbana






*Tânia Passos, é jornalista e dirige o récem lançado blog MOBILIDADE URBANAhttp://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/08/21/vidaurbana13_1.asp

Heitor Scalambrini Costa: A privatização não foi a solução

24.08.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 22.08.11
Por Heitor Scalambrini Costa*
Colunas


Passados quase 20 anos desde o início das privatizações das distribuidoras elétricas, já se pode fazer um balanço do que foi prometido; e realmente do que está ocorrendo, com um primeiro semestre batendo recorde em falhas no fornecimento de energia em diversas regiões metropolitanas.

Desde então a distribuição é operada pela iniciativa privada. As empresas gerenciam as áreas de concessão com deveres de manutenção, expansão e provimento de infraestrutura, com a receita provida da cobrança de tarifas dos seus clientes.

A privatização do setor elétrico nos anos 90, foi justificada como necessária para a modernização e eficientização deste setor estratégico. As promessas de que o setor privado traria a melhoria da qualidade dos serviços e a modicidade tarifária, foram enganosas. Os exemplos estão ai para mostrar que não necessariamente a gestão do setor privado é sempre superior ao do setor público.

Desde 2006 é verificado na maioria das empresas uma tendência declinante dos indicadores de qualidade, refletindo negativamente para o consumidor. A parcimônia da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ante a decadência da prestação dos serviços é evidente. Criada no âmbito da reestruturação do setor para intermediar conflitos, acabou virando parte deles. A Aneel é cada vez mais questionada na justiça por causa dos blecautes, já que não fiscalizam direito, e pelos reajustes tarifários. Esta falta de fiscalização ilustra a constrangedora promiscuidade entre interesses públicos e privado. Seus gestores falam mais do que fazem. O exemplo mais recente e emblemático é a da empresa AES Eletropaulo, que recebeu uma multa recorde de R$ 31,8 milhões (não significa que pagará pois recorrerá da punição) por irregularidades detectadas como o de não ressarcimento a empresas e cidadãos por apagões, obstrução da fiscalização e falhas generalizadas de manutenção. A empresa foi punida por problemas em 2009 e 2010, e pelos desligamentos ocorridos no início do mês de junho, quando a capital paulista e região metropolitana ficarem três dias no escuro.

O que aconteceu na capital paulista, não é exclusivo. Outras distribuidoras colecionam queixas de consumidores em todo o Brasil. Veja o caso da Light, presidida por um ex-diretor geral da Aneel, com os famosos “bueiros voadores”, cuja falta de manutenção tem colocado em risco a vida dos moradores do Rio de Janeiro. A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), controlada pela Neoenergia, uma das maiores empresas do setor elétrico do país, também é outra das distribuidoras que tem feito o consumidor sofrer pela baixa qualidade da energia elétrica entregue, e pelas altas tarifas cobradas.

Infelizmente a cada apagão e a cada aumento nas contas, as explicações são descabidas, e os consumidores continuam a esperar pelas promessas de melhoria na qualidade dos serviços, de redução de tarifas e de punição as distribuidores. O que se verifica, somente são palavras, sem correção dos rumos do que está malfeito. A lei não pode mais ser para inglês ver, tem de ser real, e assim proteger os consumidores.

Mostrar firmeza e compromisso público com a honestidade e com a eficiência é o mínimo que se espera dos gestores do setor elétrico brasileiro.

*Heitor Scalambrini Costa é Professor da Universidade Federal de Pernambuco. heitorscalambrini@gmail.com


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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/08/22/colunas5_0.asp

Novo capítulo na história (sucateada) da Vasp

24.08.2011
Do blog "Abaixo o economês", 23.08.11
Por Tatiana Nascimento
Diário de Pernambuco

Avião da Vasp. Crédito: Alcione Ferreira/DP
O “desmanche” começa hoje. O primeiro dos 27 aviões da Vasp parados nos aeroportos do país finalmente será desmontado em Congonhas, São Paulo. As peças das sucatas serão leiloadas separadamente. Infelizmente, pouco adiantará para os cerca de 8 mil ex-funcionários, que até hoje não receberam um tostão sequer da empresa. As dívidas trabalhistas são estimadas em R$ 1,5 bilhão. Cada avião (do jeito que está hoje) foi avaliado em R$ 50 mil. O preço de um carro. Em Pernambuco, cerca de 120 ex-funcionários esperam pelo desfecho da história, que ainda está muito longe de acabar.
As aeronaves estão “estacionadas” nos pátios dos aeroportos desde janeiro de 2005, quando a Vasp parou de voar. Dois dos aviões – um Boeing 737-200, de passageiros, e um Boeing 727-200, cargueiro – estão no Aeroporto dos Guararapes. A falência da companhia foi decretada em 2008. “Até a presente data não se tem conhecimento de alguém que tenha recebido nada da Vasp”, diz Gilmar Dória, que entrou na companhia em 1981 e era supervisor de turno de aeroporto (respondia pelo turno da noite). Ele também foi presidente do Sindicato dos Aeroviários de Pernambuco (Sindaero) até 2007.
Aos 55 anos, Gilmar tem como rendimento, hoje, os R$ 1,4 mil que recebe da aposentadoria proporcional. Não tem esperança de conseguir receber o que a Vasp lhe deve tão cedo. “Acho pouco provável que eu vá receber alguma coisa. Do jeito que as coisas andam na Justiça desse país, isso vai ficar para meus filhos e netos”, conta, resignado, o ex-sindicalista, que é pai de três filhos e avô de duas netas. Segundo ele, parte dos antigos trabalhadores da Vasp, como o pessoal “de rampa”, conseguiu se recolocar em outras empresas. Outros deixaram a aviação. “Para mim ficou difícil por conta da idade e do fato de ter sido do sindicato.”
Na época da falência, o passivo da companhia foi estimado em R$ 3,5 bilhões. Com a chegada da Copa do Mundo e a necessidade de dar um fim aos mais de cem aviões-sucatas que estão parados nos aeroportos do país para melhorar a infraestrutura, as aeronaves da Vasp entraram na lista. Gilmar Dória participou da comissão de intervenção dos trabalhadores da companha. Segundo ele, o relatório de 150 páginas (incluindo dezenas de documentos) produzido pela comissão aponta a existência de uma aeronave sem documentação. “É mais uma prova das muitas irregularidades cometidas pelo grupo Canhedo”, afirma.
O leilão das sucatas dos aviões vai render muito pouco para os credores da extinta companhia de Wagner Canhedo. Mas eles buscam confiscar outros bens do empresário, como a fazenda Piratininga, com sede no município de São Miguel do Araguaia, em Goiás. Com 252 mil hectares (mais de duas vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro), 110 mil cabeças de gado e 100 mil metros quadrados de área construída, a fazenda chegou a ser vendida em dezembro do ano passado por R$ 310 milhões. Hoje, Wagner Canhedo tenta recuperar o bem e a questão está na Justiça. Enquanto isso, os ex-trabalhadores seguem esperando.
* Matéria publicada na edição de 23/08 do Diario de Pernambuco
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Fonte:http://blogs.diariodepernambuco.com.br/economia/?p=10376#more-10376

PSD pede registro e diz ter 538,2 mil assinaturas

24.08.2011
Do site do Estadao.com.br
Por Mariângela Gallucci e Julia Duailibi - O Estado de S.Paulo



Partido a ser criado pelo prefeito Gilberto Kassab entrega ao TSE seu pedido de legalização, mas deixa de cumprir um dos itens exigidos pela lei



Dida Sampaio/AEAdvogados do partido a ser criado pelo prefeito Gilberto Kassab, o PSD, protocolaram ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedido para registro definitivo da legenda. Para lançar candidatos nas eleições municipais de 2012, o PSD tem de conseguir o registro do TSE até outubro. A sigla também quer o direito de usar o número 55 para identificá-la.
No requerimento ao tribunal, os advogados afirmam que obtiveram 538,2 mil assinaturas em apoio à criação da legenda. Pela legislação eleitoral, são necessárias cerca de 490 mil assinaturas.
O PSD não conseguiu cumprir um requisito. Uma resolução do TSE estabelece que o registro do partido deve ser aprovado por nove Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Por enquanto, apenas o TRE de Santa Catarina concluiu a análise do processo.
De acordo com os advogados, o pedido foi encaminhado a 22 tribunais, mas apenas o de Santa Catarina já teria resolvido. O PSD enumera alguns motivos que teriam levado ao atraso: "Com efeito, a alegação de falta de servidores, a muito bem vinda implantação do cadastramento biométrico, a greve do Judiciário e a inusitada alegação de falta de "técnicos especializados em exame grafotécnico" foram, dentre outros, elementos que obstruíram a fruição do direito do requerente obter seu registro".
Além da burocracia para criação do partido, o PSD deverá enfrentar dificuldades para ter um tempo competitivo no horário eleitoral gratuito. A expectativa é de que o TSE conclua que a legenda nova tem direito a pequena fatia na propaganda. Para ter mais tempo, o PSD deverá fazer coligações com outros partidos.
Diligências. A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo sugeriu à Justiça Eleitoral que sejam feitas diligências no Estado para confirmar se houve duplicidade de assinaturas nas listas de apoio à criação do PSD. O procurador regional eleitoral substituto, André de Carvalho Ramos, pediu ainda ao Tribunal Regional Eleitoral que indefira o registro do PSD no Estado, caso não sejam feitas as diligências.
O Ministério Público Eleitoral também solicitou que fossem checadas as documentações referente aos 399 fundadores da nova agremiação e à constituição dos 50 diretórios municipais da legenda em São Paulo.
No parecer ao tribunal, o procurador questiona o uso da sigla PSD pela nova legenda, considerando argumento do PTB, segundo o qual a legenda foi incorporada ao partido em 2003.
A Procuradoria também reconheceu o direito de outros partidos, como o DEM e o PTB, de pedirem a impugnação do PSD à Justiça. Mas disse entender não ser competência do TRE paulista a análise sobre eventuais irregularidades do estatuto do novo partido, apontadas pelo DEM. 
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Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,psd-pede-registro-e-diz-ter-5382-mil-assinaturas,762871,0.htm

PMDB ignora crise e faz jantar em homenagem a presidente Dilma

24.08.2011
Do estadao.com.br
Por Cristiane Samarco, de O Estado de S.Paulo
Política


Vice-presidente Michel Temer reforça aliança PT-PMDB, apesar dos escândalos nos ministérios


BRASÍLIA - A despeito da presença do Ministro do Turismo Pedro Novais, e da 'faxina' contra a corrupção no Ministério, a crise não entrou no cardápio do jantar da presidente Dilma Rousseff (PT) aconteceu na noite de terça-feira, 23, com cerca de 120 ministros e parlamentares do PMDB e outros seis ministros petistas.


O encontro no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer, transcorreu em clima descontraído de confraternização para saudar a presidente Dilma. Temer tomou a palavra em discurso rápido exaltando a unidade do PMDB que compareceu em peso. Representantes de todas as alas, incluindo parlamentares que votaram no tucano José Serra na eleição presidencial como Eliseu Padilha-RS, estiveram presentes.


"A confraternização é uma homenagem a presidente. Todo PMDB está aqui". As palavras do anfitrião foram interrompidas por aplausos gerais. Temer encerrou dizendo que os aplausos não eram apenas do PMDB, representavam também os aplausos do povo brasileiro que apoia e aprova o governo Dilma Rousseff. A presidente agradeceu, reforçando a tese de que a aliança PT-PMDB é fundamental para a estabilidade da base aliada.


"Sinto-me em casa ao lado do PMDB", disse a presidente lembrando que foi com o partido que ela ganhou a eleição e governa. "O PMDB é fundamental para o governo e nós esperamos chegar ao final de 2014 entregando um país ainda melhor do que aquele que recebemos".


Todo o núcleo, chamado núcleo palaciano, compareceu ao jantar. Entre os chamados ministro da casa, todos petistas, estavam Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, Ideli Salvatti, de relações institucionais, Gilberto Carvalho da Secretaria Geral da Presidência e o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Também marcou presença o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).


Dilma passou 1h30 no jantar e durante esse período, nas rodas em que esteve, não se falou em crise.
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Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pmdb-ignora-crise-e-faz-jantar-em-homenagem-a-presidente-dilma,762776,0.htm

MOBILIDADE:Engenharia para resolver o tráfego, por Tânia Passos

24.08.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Tânia Passos*


Na 5ª edição do fórum realizado pelos Diários Associados, transporte público foi apontado como solução



Quatro dos maiores especialistas em mobilidade urbana do estado falaram sobre o tema. Evento foi aberto pelo presidente Joezil Barros. Imagem: JULIO JACOBINA/ DP/D. A PRESS


Durante três horas, quatro dos maiores especialistas em mobilidade urbana do estado estiveram reunidos ontem, na sede dos Diários Associados, na 5ª edição do Fórum Desafios para o Trânsito do Amanhã,para falar sobre engenharia de tráfego. As discussões foram além do tema e uma das premissas observadas para a melhoria do fluxo encontra-se justamente na definição das políticas públicas. A opção pelo transporte individual tem sido uma tendência também presente nas interferências urbanas. A receita de que o transporte público é a solução para os grandes congestionamentos, na prática não vem sendo aplicada.

O engenheiro e professor do departamento de engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maurício Pina, deu início às discussões e apontou dados ainda mais preocupantes. No mês passado, o estado alcançou uma frota de quase dois milhões de veículos e, desses, quase metade se encontra na Região Metropolitana do Recife. “Houve um acréscimo de cinco mil novos veículos. Ou seja, se levarmos em conta que cada veículo ocupa em média um espaço de 20 metros, teremos 100 quilômetros a mais de vias ocupadas. Não há sistema viário capaz de absorver tudo isso”, ressaltou Maurício Pina.


De acordo com o consultor em transporte urbano, Germano Travassos, os maiores investimentos no sistema viário, feitos nos últimos 14 anos no Recife, favorecem o transporte individual. Ele cita como exemplo o descaso com o entorno da estação do metrô Joana Bezerra, a segunda com maior fluxo de passageiros. O especialista elencou algumas das intervenções que priorizaram o transporte individual, como a construção da Ponte Joaquim Cardoso, a ampliação do Viaduto Capitão Temudo e a própria Via Mangue. “Todas as ações foram voltadas para o transporte individual, mesmo sendo um entorno com uma grande circulação de pessoas”, apontou.

Já o engenheiro e também professor do departamento de engenharia da UFPE, Oswaldo Lima Neto, ressaltou a importância da capacitação em todos os níveis dos operadores e gestores do trânsito. “A engenharia de tráfego é uma disciplina da engenharia civil e exige uma especialização. Não se pode fazer um estudo de tráfego, por exemplo, sem conhecer a metodologia necessária. É preciso separar, por exemplo o agente municipal do agente de trânsito”, afirmou. A engenheira Regilma Travassos, que participou da elaboração do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), lamentou o pouco aproveitamento do estudo. “O plano, aponta as diretrizes onde precisam ser feitas as intervenções viárias na região metropolitana e também fornece projeções do que irá acontecer até 2020 se nada for feito”, alertou. Das diretrizes do plano algumas ações previstas no PAC da mobilidade estão em curso, outras ainda não. Durante o fórum foi apresentado o site www.transitolivre.com, onde as pessoas podem se cadastrar gratuitamente e traçar as rotas com menos fluxo, antes de sair de casa.


Após as palestras, no final do seminário, a plateia pôde participar de um debate.
Imagem: JULIO JACOBINA/ DP/D. A PRESS

Saiba mais 

6 de setembro

Tema: Código de Trânsito Brasileiro
O assunto será abordado aproveitando a Semana Nacional do Trânsito. Assim, serão discutidos as regulamentações, Projetos de Lei de Reforma e como o Congresso Nacional tratará de sua adequação em função da Copa do Mundo

27 de setembro

Tema: Motocicletas
Considerando a capacitação dos condutores, a fiscalização, os equipamentos de proteção dos condutores e passageiros a regulamentação da prestação dos serviços, e a obediência às regras de trânsito

18 de outubro

Tema: Sistema Único de Saúde
Objetiva debater a capacitação dos nossos hospitais e pontos de atendimento de urgência, sempre visando estratégias programadas para o cotidiano e para a Copa do Mundo

22 de novembro

Tema: Educação de Trânsito
O objetivo é conhecer os programas do governo para a permanente capacitação dos usuários e como o estado está se preparando nesse sentido para a Copa do Mundo
13 de dezembro

Tema: A participação da sociedade na operação do trânsito
Serão abordados assuntos que discutam programas de voluntariado, apresentando a experiência de outros países; prestação de contas dos governos municipais, estaduais e federais nas medidas adotadas ao longo de 2011 e metas para 2012.



Mobiliade Urbana






*Tânia Passos, é jornalista e dirige o récem lançado blog MOBILIDADE URBANAhttp://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/


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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/08/24/vidaurbana8_0.asp