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terça-feira, 23 de agosto de 2011

DIRIGENTES DA CNTSS PARTICIPAM DE SESSÃO SOLENE NO CONGRESSO NACIONAL - 30 ANOS CONCLAT

23.08.2011
Do site da CNTSS/CUT
Com Informações do Diretor da CNTSS Fernando Cândido
Postado por Clara Bisquola


Câmara Federal faz sessão solene para comemorar 30 anos de realização da Conclat


Crédito:  
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Às 10h desta terça, 23 de agosto, no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, aconteceu uma sessão solene em homenagem aos 30 anos de realização da Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora). A Conclat, que foi realizada entre os dias 21 e 23 de agosto de 1981 na Praia Grande (SP), teve como uma das principais resoluções a criação da Central Única dos Trabalhadores, o que ocorreria de fato dois anos depois, em São Bernardo do Campo.

Autor do pedido da sessão solene, Vicentinho comenta que a Conclat foi um momento muito importante da vida brasileira, acrescentando: “Foi um desafio à ditadura, já que foi realizada em plena ditadura militar. Cinco mil delegados de todo o país, chegando de barco, de ônibus, de todos os jeitos, unindo todas as correntes do movimento sindical, dos conservadores aos combativos. Então os combativos decidiram criar a CUT”. Na época, Vicentinho era vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, e depois foi presidente da CUT.

O atual presidente da CUT, Artur Henrique afirma que a comemoração dos 30 anos da Conclat recoloca em perspectiva a chama da “verdadeira Conclat”, realizada com todas as correntes do movimento, com o objetivo de mudar a estrutura sindical brasileira, tendo como premissas a liberdade e autonomia da organização dos trabalhadores.

Maria Aparecida Faria , presidente da CNTSS participou da mesa, e falou da importância da CONCLAT para a redemocratização do país. Estiveram presentes a sessão solene os dirigentes da CNTSS- Confederação Nacional dos Trabalhadores da seguridade Social, Terezinha Aguiar, Francisca Sousa, Fernando Cândido, Genilson e Luís Carlos.
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Fonte:http://cntsscut.org.br/pagina.asp?pagina=noticia&acao=lerNoticia&id=3826

Rovai: O Governo Dilma Rousseff e a esfinge do consumo e dos direitos

23.08.2011
Do blog de Rodrigo Vianna,Escrevinhador
Por Renato Rovai, no Blog do Rovai


Governo Dilma e a esfinge do consumo e dos direitos

O governo de Lula não é um “case” mundial à toa. Nos seus oito anos a frente da presidência se avançou em muitas áreas, fundamentalmente na social. 


Aproximadamente 35 milhões de brasileiros migraram das classes D e E para a C. Ou seja, melhoraram de vida.


Isso foi feito expandindo direitos via Estado, mas sem desconcentrar riquezas no topo da pirâmide. As pessoas passaram a consumir um pouco mais e ganharam cidadania. É fato.


Mas os milionários e bilionários também ganharam muita grana.


E quem costuma repetir isso não é este ingênuo blogueiro, mas o próprio ex-presidente.


Esse processo ainda pode continuar por mais um período, mas parece estar naquele momento da curva, onde já começa a entrar em vias de esgotamento.


Dilma só vai fazer um bom governo se iniciar um processo de realinhamento de forças no Congresso e na sociedade que lhe permita avançar para realizar algumas mudanças mais profundas que as já lideradas por Lula. 


Que não foram poucas, mas insuficientes para tornar o Brasil um país de direitos.


E não há o que temer. Cristina Kirchner não temeu e amealhou 58% dos votos nas prévias realizadas na Argentina no fim de semana passado.


No último post falei da reforma política. Não tenho dúvida de que essa era a primeira das reformas deste governo. E que era possível ter trabalhado para realizá-la no primeiro semestre deste ano, fazendo com que o debate andasse de forma célere no Congresso. O governo se perdeu em dar respostas para a mídia comercial e talvez tenha perdido o time.


Agora vai ter de aceitar um reforma meia-boca ou ruim mesmo. Com o PMDB liderando o processo e aprovando o tal do distritão, onde os mais votados de cada estado se elegem independente da votação do partido.


Mas por que o atual processo de melhorar a vida do povo via ações do Estado talvez esteja chegando naquela curva que indica o esgotamento da iniciativa. Por dois motivos. O primeiro é que aqueles que melhoraram um pouco de vida, querem, com razão, mais. O segundo, é que o pessoal que está ainda no sótão da pirâmide não está com muita vontade de ficar esperando o seu dia chegar.


E não vai ser possível melhorar a vida de todos ao mesmo tempo sem mexer estruturalmente na distribuição de renda.


Ou seja, vai ser preciso criar o imposto sobre fortunas e aumentar o imposto rural, principalmente das áreas improdutivas. E também vai ter de ser criar uma nova distribuição das faixas do Imposto de Renda, mexendo em algo estrutural, ou seja, cobrar menos impostos do consumo e mais da renda.



Já há gente no governo discutindo isso e na semana passada estive em Brasília num seminário do Conselho Econômico e Social onde o tema da justiça fiscal foi debatido.


E isso seria feito para garantir o quê?


Que o Brasil construísse uma sociedade de direitos, diferente da de uma sociedade de consumo.
Dilma tem de buscar tirar da classe a C a concepção reforçada midiaticamente de que a melhora de vida está associada a comprar roupas de marca e conseguir pagar um bom plano de saúde e uma boa escola para o filho.


Isso só será obtido se o governo começar a fazer um discurso a favor do público e se associar a movimentos que lutam por conquistas em diversas áreas.


O governo e seus integrantes mais comprometidos com propostas anti-neoliberais precisam começar a defender as bandeiras do público e ao mesmo tempo precisam mostrar que isso só será possível se ao invés de ficar financiando, por exemplo, planos privados e escolas privadas com subsídios, o Estado brasileiro vier a investir, entre outras coisas, esses recursos diretamente na ponta.


Essa guinada, num primeiro momento simbólica, tem o potencial de construir uma nova agenda. Que para se concretizar terá de desembocar num enfrentamento por mudanças na arrecadação e na distribuição dos recursos nacionais. Num movimento que viesse de baixo para cima, mas também de cima para baixo. Ou seja, com os movimentos sociais pressionando, mas o governo construindo espaço para atender essas novas demandas.


Parece loucura o movimento da galera do catraca livre ou do passe livre, que prega o transporte público e gratuito na cidade. Mas por que não parece loucura dar subsídios em forma de isenção tributária para a indústria automobilística?


A questão que está colocada é como o governo pode avançar olhando para as novas demandas do movimento social. E, especialmente, olhando para os novos movimentos sociais.


Há muitos recados de várias partes do mundo. O crescimento esperado para o Chile neste ano é de 7%, mas há milhares de jovens nas ruas reivindicando educação pública e levando a popularidade de Piñera a números pífios.
A Inglaterra parecia estar levando a crise na maciota, se comparada à Itália, Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia.


Mas de repente os jovens explodiram, literalmente, Londres.


Há uma luta por direitos, mas que pode descambar para uma revolta por consumo.
Se o governo não estiver atento, vai levar bola nas costas.
E aí pode ser tarde.



Leia outros textos de GeralOutras Palavras

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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/geral/rovai-o-governo-dilma-rousseff-e-a-esfinge-do-consumo-e-dos-direitos.html#more-9366

Como a crise pode nos pegar

23.08.2011
Do BLOG DA CIDADANIA,22.08.11
Por Eduardo Guimarães

Já que a política está mais chata do que campeonato de dominó, tratemos de assuntos mais práticos como aquele que nos determina a qualidade de vida – ou de sobrevivência: a economia. Enquanto se discute sobre a geléia política em que o país está atolado, a tempestade vai acumulando suas nuvens escuras sobre nossas alienadas cabeças.
Não deixa de ser sintoma de uma economia que se fortaleceu sobremaneira nos últimos anos, de forma inclusive talvez inédita na história, pois, aos cinqüenta e dois anos, não me lembro de outro período em que o mundo pegava fogo lá fora enquanto que este país batia recordes econômicos, com emprego farto, consumo aquecido e expectativas positivas.
Ao contrário dos últimos meses de 2008, quando eclodiu a crise das hipotecas norte-americanas, porém, desta vez, além de a crise ainda não estar totalmente materializada, em tese seria mais branda… Ou não?
Durante a crise anterior, considerada a maior desde 1929 – e que ocorreu há menos de três anos –, houve um componente que gerou  intranqüilidade. Hoje, porém, não há o componente político que havia no final de 2008, quando os meios de comunicação e o governo Lula entraram em uma guerra comunicacional em que, de um lado, alardeava-se o Armagedon e, de outro, uma “marolinha”.
A razão pela qual hoje a mídia não cria pânico vem sendo tema de outros artigos, de forma que agora vale mais a pena notar que, além de a crise lá fora ser mais light, por assim dizer, ainda não há sabotagem da economia pelas forças políticas de oposição, seja nos meios de comunicação ou entre os partidos de oposição efetivamente assumidos.
Se da vez anterior, porém, preocupamo-nos demais, o que gerou um movimento econômico que culminou em perda de quase um milhão de postos de trabalho em questão de poucos meses por conta, única e exclusivamente, do alarmismo que nos preocupou além da conta, agora temo que estejamos nos preocupando de menos.
No final de setembro de 2008, no primeiro momento da crise, passei a combater o alarmismo garantindo que ela seria branda no país e que não havia motivo para sermos pegos em problemas que poderíamos contornar facilmente devido ao peso insipiente do comércio exterior em nossa economia e de Lula ter diversificado nossos mercados importadores.
Basicamente, o que nos salvou da crise de 2008/2009 foram nosso mercado interno e a China, ao lado de países da África e da Ásia para os quais o Brasil expandiu exportações, sobretudo, de commodities. De lá para cá, porém, as coisas mudaram um pouco.
A crise sedimentou-se no mundo rico. Nos Estados Unidos e na Zona do Euro, aos efeitos econômicos agora se junta o componente político, o que parece ter jogado o “Norte Maravilha” em um círculo vicioso que vai contaminando o planeta, gerando especulações dos mercados futuros e contribuindo para deteriorar o ambiente econômico em nível planetário.
Nesse contexto, o Brasil se vê em um momento de atenção que, parece, não está sendo suficientemente avaliado. Os próximos anos podem ser menos róseos do que parecem. A menos que tomemos providências.
A questão cambial se agrava. O preço da moeda americana não reage e a pauta de nossas exportações ameaça passar de cerca de setenta por cento de commodities para percentuais ainda piores justamente em um momento em que a principal tábua de salvação a que se apegou o Brasil na crise anterior pode agora se converter em um barco furado.
Matéria do jornal O Estado de São Paulo publicada nesta segunda-feira e abaixo reproduzida serve perfeitamente para ilustrar a situação.
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”China desacelerará para inimagináveis 3%”
Autor(es): Cláudia Trevisan
O Estado de S. Paulo – 22/08/2011
Tradicionalmente pessimista em relação à China, o americano Michael Pettis, professor da Universidade de Pequim, acredita que o país vai desacelerar de maneira “dramática” depois de 2013, para inimagináveis 3% de crescimento ao ano.
Mas, mesmo que isso não ocorra, ele afirma que haverá queda na demanda por commodities não alimentícias, em razão do inevitável processo de correção dos profundos desequilíbrios da economia chinesa, que se manifestam no excessivo investimento e anêmico consumo.
Para o Brasil, essa eventual mudança é crucial, já que pode afetar diretamente as vendas de minério de ferro, o principal produto de exportação nacional.
A seguir, os principais trechos da entrevista, feita num café em Pequim:
Estado – Qual seu cenário para a China?
Pettis – Eu acredito que a China vai desacelerar de maneira dramática, para 3% depois de 2013. Mesmo que o crescimento fique em 9%, no que eu não acredito, o ritmo do investimento vai ter de diminuir de maneira significativa e ser substituído pela expansão no consumo, no processo de reequilíbrio da economia. Se houver a substituição do investimento pelo consumo, isso terá grande impacto sobre o Brasil. Quando os chineses consumirem, eles vão comprar roupas, ir a restaurantes, consumir serviços de saúde e construir menos metrôs e prédios. Eu acredito que a demanda total vai cair muito, mas, mesmo que ela permaneça a mesma, ela vai mudar de bens de investimentos para bens de consumo. Portanto, a demanda por commodities não alimentícias, como minério de ferro e cobre, vai cair de qualquer maneira.
Estado – O agravamento da crise nos Estados Unidos e na Europa aumentou a pressão sobre a China para reequilibrar sua economia? Sim. Nos anos 70, os Estados Unidos e a Europa tiveram uma crise e o Brasil, não. Graças à reciclagem de petrodólares, houve um enorme aumento dos investimentos e um boom no preço de ativos, o que atrasou o ajuste no Brasil. Mas isso se tornou insustentável quando os níveis de endividamento ficaram muito altos. Nós vamos ver a mesma coisa. Mas por que a China vai desacelerar? Porque o que está promovendo o crescimento também está agravando os desequilíbrios. O consumo está aumentando muito lentamente, porque o rápido crescimento é gerado por transferências das famílias, por meio de baixos salários, baixa taxa de juros e moeda depreciada. Isso reduz o consumo e subsidia o crescimento, gerando dois grandes desequilíbrios. O primeiro é o fato de o consumo ser muito baixo em relação ao PIB (34%). O crescimento chinês está sendo sustentado pelo superávit comercial – e com o mundo em uma situação difícil, ele não pode continuar a crescer – e investimento, mas o investimento tem sido mal alocado. Isso significa que a dívida está crescendo, o que gera um problema de sustentabilidade.
Estado – O que isso significa para países como o Brasil, que dependem da China em razão da exportação de commodities?
Pettis – Mesmo que o crescimento chinês continue elevado, a taxa de investimento vai cair de maneira dramática e isso vai provocar queda no preço de commodities não alimentícias. Se o consumo se expandir, o consumo de alimentos vai aumentar, já que as pessoas terão mais dinheiro para comprar comida. Se a China conseguir manter elevadas taxas de consumo, os alimentos não serão afetados de maneira dramática. Mas, se a taxa de consumo também desacelerar, isso também afetará o preço dos alimentos. O Brasil exporta os dois tipos de commodities. As não alimentícias serão afetadas dramaticamente e as alimentícias podem ou não ser afetadas.
Estado – O ajuste chinês é necessariamente ruim para o Brasil?
Pettis – Depende do horizonte de tempo. No curto prazo, será muito ruim. Mas o que aconteceu nos últimos 10 a 20 anos no Brasil é que o País gastou grande parte dos anos 70 e 80 tentando reverter a crescente dependência de commodities. Acreditava-se que o excesso de dependência das commodities era uma das fontes de fragilidade dos países em desenvolvimento e houve um esforço para diversificar e criar uma fonte de crescimento mais equilibrada. Se eles estavam certos – e eu acredito que estavam -, a queda no preço das commodities vai forçar o Brasil a reduzir seu peso, o que será muito doloroso, mas necessário. A menos que você acredite que, desta vez, as pessoas que dizem que o preço das commodities nunca vai cair estão certas. E elas disseram isso muitas vezes nos últimos 200 anos e sempre estiveram erradas.
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Não se está dizendo, aqui, que estamos perdidos. Àqueles que gostam de pegar uma frase ou uma idéia e tirá-las do contexto, peço que se contenham. O que se diz é que também não é o caso de acharmos que não sentiremos efeito nenhum desse processo.
Por menor que seja, parece-me difícil que o país não sinta efeito algum da crise que se avizinha. Isso partindo do princípio de que as distorções em nossa economia não se agravarão com uma crise muito forte de commodities das quais, devido ao problema cambial, este país está dependente como nunca para manter superávits comerciais.
Um dos fatores que podem agravar a situação do Brasil, portanto, é a política. Tudo de que não precisamos, neste momento, é de que a mídia comece a insuflar alarmismo como em 2008. Naquele ano,  funcionou muito bem, durante algum tempo, porque o Brasil jamais havia saído com poucos danos de pequenas crises econômicas nos rincões do mundo. E desta vez?
Se formos confiar na memória prodigiosa do brasileiro, podemos confiar também em que, desta vez, não haverá empresários demitindo “preventivamente”. Por outro lado, a comunicação política, em caso de alarmismo, pode se unir à proverbial falta de memória do povo.
Concorde-se que não há motivo, ainda, para um pronunciamento de Dilma Rousseff à nação como aquele que fez Lula ao final de 2008, na tentativa de apagar o incêndio que a mídia havia provocado e que estava colocando as pessoas no olho da rua e paralisando a economia. Mas o temor é o de que os problemas de comunicação deste governo o impeçam de atuar, caso situação se agrave.
A “nova” crise econômica internacional – que, na verdade, é um desdobramento da anterior –, portanto, pode nos pegar por aí, pela questão política e pela redução da exportação de commodities agravada pela piora da competitividade do Brasil na pauta de exportação de produtos industrializados, sem falar no processo de desindustrialização interno gerado pelo câmbio desfavorável.
A condução da política e da economia por Dilma Rousseff, portanto, pode nos livrar ou nos atirar na crise. Há medidas que terão que ser tomadas no tempo certo e na intensidade adequada. Cada um tem uma visão sobre a capacidade deste governo de decidir sob tais condições. Este blogueiro está entre os que confiam nessa capacidade, mas desconfiando…

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/08/como-a-crise-pode-nos-pegar/

A “queda” de Kadafi e a disputa pelos recursos da África

23.08.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha,22.08.11
Por Luiz Carlos Azenha

Parte da esquerda descobriu que morre de amores por Kadafi. Outra parte — ou será a mesma? — descobriu que ama o Assad, da Síria. Dois ditadores repugnantes. Não menos repugnantes, no entanto, que alguns democratas do Ocidente. George W. Bush, por exemplo, que matou milhares de pessoas sob o falso argumento de que pretendia conter a proliferação de armas de destruição em massa no Iraque.
Não menos repugnantes, Kadafi e Assad, que alguns ditadores que o Ocidente ama apoiar. Não é preciso ir longe para descobrir a hipocrisia: ditaduras do Golfo Pérsico “promovem” a democracia na Líbia, ao mesmo tempo em que massacram, silenciam ou desconhecem a oposição em casa (a escolha é sua). O mesmo vale para a Arábia Saudita, que invadiu um vizinho para “promover” a estabilidade que interessa a Washington, Paris e Londres.
Assim é a realpolitik, para além das belíssimas declarações de intenções publicadas nos jornais.
Não podemos deixar de notar, no entanto, especialmente no caso da Líbia, que foram abertos alguns precedentes preocupantes:
1. A autorização dada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas foi utilizada para promover a troca de regime.
2. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deu mais um passo para se tornar uma espécie de polícia da globalização.
A cobertura que a mídia brasileira faz da África é tão bisonhamente fraca que nossos jornalistas e comentaristas acabam simplesmente reproduzindo a opinião alheia, de matriz estadunidense ou europeia, como se fosse verdade absoluta, justamente no momento em que o Brasil busca e precisa de uma política externa soberana e independente, que expresse seu novo papel na economia mundial.
Isso está na raiz, inclusive, da incompreensão que a política do Itamaraty desperta em alguns setores da sociedade brasileira. São setores que não conseguem dissociar os interesses do Brasil daqueles de nossas metrópoles. É a turma da genuflexão automática.
Kadafi era um ator importante nos negócios africanos. A Líbia era um dos grandes investidores no continente, derivando daí o apoio obtido por Kadafi dentro da União Africana. No contexto regional, as posições do ditador líbio eram, vamos dizer, “nacionalistas”. O projeto de Kadafi, montado em seus bilhões de dólares do petróleo, era ancorar a Líbia firmemente nas instituições africanas, apesar das óbvias diferenças históricas, étnicas e culturais entre o norte árabe do continente e a África subsaariana.
Pobre México, tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos, diz o ditado. Pobre Líbia, tão longe de Deus, tão perto do Mediterrâneo.
Qualquer regime que suceder Kadafi não tem chance de durar alguns meses se for carimbado como abertamente entreguista dos recursos naturais do país, ou seja, do petróleo. A dinâmica política interna não permitirá isso, a não ser que tropas da OTAN sejam despachadas para “pacificar” os líbios.
Não duvido que, nos próximos dias, uma “força de estabilização” seja convocada para atuar na Líbia, composta por soldados árabes e/ou africanos. A Líbia é muito importante para ser entregue aos líbios, diriam nos bastidores os europeus.
A disputa pelos recursos naturais do país se dá em um contexto mais amplo, o da valorização dos recursos naturais do continente.
A diplomacia chinesa é a mais atuante na África. Beijing não faz qualquer exigência a seus aliados locais, nem em termos econômicos, nem políticos, muito menos diplomáticos.
A China pode arguir que, diferentemente dos países ocidentais, nunca invadiu a África, nem promoveu a escravidão, nem provocou matanças ou graves violações dos direitos dos africanos comparáveis às cometidas por ingleses, franceses, alemães, belgas, portugueses, etc.
Além disso, os chineses lembram o apoio que deram à luta anticolonial.
A China troca os recursos minerais que obtém na África por importantes obras locais.
A China ofereceu às elites locais uma alternativa às fórmulas do FMI e do Banco Mundial que, nos anos 90, resultaram apenas no enfraquecimento de estados que já eram mínimos.
Não é por acaso, portanto, que outro engajamento recente do Ocidente tenha se dado justamente na partilha do Sudão, um dos grandes aliados da China no continente e também produtor de petróleo.
Vocês não acham curioso que ninguém se importe com as areias do Mali ou com a democracia na República Centro-Africana?

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/a-queda-de-kadafi-e-a-disputa-pelos-recursos-da-africa.html

Eduardo Campos critica antecipação eleitoral

23.08.2011
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
Por Aline Moura


O governador Eduardo Campos (PSB) estava animado, hoje (23), no lançamento do programa Pernambuco Conduz, que vai permitir a locomoção gratuita de pessoas com deficiência até o local de tratamento. Depois de falar sobre o projeto, que está orçado em torno de R$ 2,8 milhões, o socialista falou cerca de 20 minutos sobre política nacional e local em coletiva à imprensa. Ela avaliou a “faxina” ética feita pela presidente Dilma Rousseff (PT), criticou o debate antecipado da reeleição do prefeito João da Costa (PT) e descartou rebeldia da base aliada. Eduardo ficou desconcertado quando questionado como estava vendo seu aliado, João da Costa, enfrentar denúncias de devios com frequência. Ele ainda antecipou que, na próxima semana, Dilma estará novamente em Pernambuco para participar da inauguração de obras.  Veja os principais trechos da entrevista.

Governador, quando o senhor anuncia seu candidato a prefeito do Recife?
Isso é uma tarefa dos partidos. Em 2012 é que a gente vê esse negócio de eleição. Não tem sentido (agora). Faz oito meses que eu sai de uma eleição (para o governo). Quem votou comigo quer quer eu cuide de outras coisas. Minha pauta é a pauta real, a da governança, da entrega, de mais trabalho. Se eu não tivesse agido dessa forma, não teria tido 82% dos votos na eleição passada.

E como o senhor viu as declarações do deputado Fernando Ferro (que disse que o papel de protagonista em 2012 não era seu, mas do PT)?  
Não vou comentar isso. Prefiro comentar sobre o programa Pernambuco Conduz, vamos ter uma semana de monitoramentos pela frente…

E quanto a presidente Dilma. O senhor se preocupa com essa queda frequente de ministros? Essa crise é boa ou ruim afinal? Agora mesmo, tem mais um ministro na mira, o das Cidades.

Na verdade… eu preciso de um tempo para pensar. A presidenta tem tido nosso apoio, nossa solidariedade. Estive com ela na terça-feira passada e temos uma agenda aqui na próxima segunda-feira. Ela hoje telefonou, antecipando para o dia 29 de agosto a vinda a Pernambuco.

E quanto aos ministros que estão sendo demitidos? É bom ou ruim para o país?
Entendemos que o primeiro momento (da presidente) foi para dentro do governo, de você chegar e montar equipe. Existe uma crise internacional brutal… Ela teve um momento de dar uma segurada na inflação, de montar o governo e de montar os programas. Ela teve esse tempo para dentro. Agora ela está fazendo a articulação com os estados, uma pauta que vai até 2014 muito extensa. Existe muita coisa dos estados que estão ai em debate. O Congresso também tem essa pauta extensa.
Há uma agenda no enfrentamento de denúncias que ela precisa se sair, ao meu ver muito bem, nas atitudes que tem tomado com muita firmeza. O objetivo de governo é enfrentar a pobreza extrema é conduzir o Brasil a um desenvolvimento sustentável, é poder gerar oportunidade de trabalho. Esse é o eixo. Por outro lado, é importante ser intransigente a qualquer tipo de patrimonialismo, qualquer tipo de corrupção. Ela tem conseguido com muito equilíbrio fazer os dois movimentos: de deixar claro qualquer intolerância de apropriação do que é público e ao mesmo tempo cuidar do país, do desenvolvimento do país, dessa crise, de pautas importantes

A pauta da corrupção é a mais importante?
Baixar os juros, por exemplo, é uma pauta é muito importante e ela não está descuidando dessa pauta. Se ela imaginar que essa pauta é só do controle… Esse é importante como um valor ético moral cidadão, para aproximar o povo da política, mas ela é insuficiente por si só. Isso é uma luta de todos, não é uma luta só da presidenta, de quem está no governo ou na oposição. Gente ruim tem em tudo que é partido. A ética não é patrimônio de quem está no governo ou de quem está na oposição.
A ética deve ser uma bandeira de todo brasileiro e tem que se militar por ela todo dia. Corrupção tem até em empresa privada. Todo dia tem gente sendo demitida de empresas privadas porque está fazendo mal. Malversação de recursos não é uma prerrogativa do serviço público. Onde tem gente tem coisa boa e coisa ruim. Eu estou vendo que a presidente está tendo solidariedade da sociedade. E os partidos com quem ela tem maior identidade, não tem criado problema. Ela tem usado esse tempo para enfrentar problemas seríssimos, pensar os programas, manter o superávit para passar blindar o Brasil, tudo isso em 8 meses. Não é simples.

O senhor acredita que haverá impacto forte governistas rebeldes nas eleições do próximo ano?
Não acredito. Não imagino que tem algum partido político passando à sociedade brasileira que quer dar o troco à presidente Dilma porque ela está agindo de maneira correta no enfrentamento de irregularidades e da corrupção. Não acredito que ninguém esteja pensando nisso. Não dá para confundir e dizer: todo mundo que está reclamando do governo é porque está favorável à corrupção. Todo mundo que está elogiando o governo é porque combate à corrupção. Não é tão singelo assim.
Existem questões do Congresso na relação do Congresso com a presidente Dilma que foi a mesma coisa com FHC, Lula, Itamar… Muitas vezes as reivindicações são legítimas na pauta do congresso. Muitas vezes o congresso não quer viver de tanta medida provisória. Eu vive esse debate lá e estava lá com Aécio Neves dando sugestões sobre a medida provisória. Na época, teve gente que ficou brabo com Aécio…
O que o Congresso muitas vezes reclama… O parlamentar é votado por um município e isso tem que ter um método para tratar isso. É diálogo, é clareza, o parlamentar quer saber quando vai liberar a emenda correta, digna, transparente. Acho que ela tem feito um esforço nos últimos dias muito intenso.

O senhor vem aparecendo bastante no cenário nacional… O senhor está cacifando seu nome?
As coisas não acontecem tão singelamente. Na verdade, é claro que Pernambuco hoje tem mais atenção do que outros estados por diversas razões. Pelo que acontece na política e na gestão pública. É óbvio que isso em hora nenhuma me faz tirar um milímetro do pé do chão. Tenho a consciência focada no meu trabalho, no meu dia-a-dia.

Como aliado do PT, como o senhor vê essas frequentes denúncias contra o prefeito João da Costa? 
Eu falei sobre a pauta toda que vocês me colocaram (silêncio). Agora, qual é o meu papel nesse instante? É ajudar naquilo que a administração do prefeito precisar, como tenho feito com Elias Gomes (PSDB), que é de outro partido, não é nem da base.
Meu papel como governante é cuidar da vida das cidades, fazer parcerias, dar apoios, contribuir e a gente consegue contribuir com cada um na medida que é possível ter projetos, parcerias. Essa que é a fórmula: não ver em nenhum prefeito a figura do aliado ou do adversário. O papel é ver quem o povo elegeu e é isso que tenho feito com todos eles. Agora, eu tenho uma regra: vocês (da imprensa) não me veem falando mal de adversários muito menos dos companheiros de Frente Popular. 
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/politica/nota.asp?Materia=20110823183454

Campinas: PT não tem governabilidade

23.08.2011
Do site da Revista CartaCapital
Por Soraya Aggege

O PT assumiu o comando da Prefeitura de Campinas nesta terça-feira (23), mas não conseguiu fechar acordos para a governabilidade. Enquanto o vice, Demétrio Vilagra (PT), fazia o discurso de posse como prefeito, pela manhã, a oposição protocolava na Câmara dos Vereadores dois pedidos para seu impeachment. Até o início da noite, o PT contava com o apoio de apenas seis dos 33 vereadores. Não há muitas margens de acordo político, porque quase todas as bancadas já acumulam cargos no próprio governo e não estão obedecendo às orientações partidárias. Assim, na próxima sexta-feira (26), Vilagra poderá ser alvo de um processo de cassação. A administração também já enfrenta três CPIs na Câmara e uma situação de fragilidade financeira. Há rumores de que os cofres não tenham verbas para a cobertura da folha de salários. O PT espera apoio dos movimentos populares para conquistar estabilidade e conseguir governar a cidade.
Leia também:Petista toma posse em Campinas
O cenário não tem precedentes na crônica política. Vilagra substitui Hélio do Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), cassado pela Câmara no final de semana, inclusive com os votos da própria bancada pedetista e do PT. Dos 33 vereadores, apenas um, do PC do B, votou contra o impeachment do prefeito. Mas embora tenha colaborado com a maioria, o PT ficou isolado.  A maioria dos vereadores preferiria que o presidente da Câmara, Pedro Serafim, do PDT de Hélio, assumisse o Executivo. Serafim não era próximo de Dr. Hélio e pode ser empossado, se Vilagra for cassado. O interesse na posse de Serafim, que é de um grupo político beneficiado com cargos no atual governo, seria um novo projeto eleitoral para as eleições de 2012, numa suposta coalizão com o PSB e o PSDB, afirmam alguns assessores parlamentares.
O fato é que o PT está tentando acordos desde as 5h30 do último sábado, quando foi anunciado o impeachment, sem sucesso. As conversas são positivas no patamar das legendas, mas se diluem completamente quando chegam às bancadas. “Se depender da oposição, não teremos governabilidade. Cassar o vice virou um projeto político. Parece que a maioria está seguindo um script”, disse Ari Fernandes, presidente do PT em Campinas.
Ontem, ainda durante a posse do petista, o vereador tucano Valdir Tarraxam protocolou pedido para a abertura de uma comissão processante contra Vilagra. O vereador Paulo Búfalo, do PSOL, também registrou pedido semelhante. As requisições serão votadas na sessão de amanhã (24) da Câmara e precisam de 22 votos favoráveis para serem aprovadas.
“É uma situação grotesca. A não ser que Vilagra tenha assinado a posse com uma caneta roubada. Eles nem deram tempo para haver um motivo de se pedir a cassação do prefeito empossado”, disse Ari Fernandes. De acordo com ele, a oposição está em um “embalo político”: “Cassamos um e agora vamos cassar o outro”.
A oposição alega que o novo chefe do Executivo está envolvido nas mesmas denúncias do Ministério Público do Estado (MPE) que resultaram na cassação de Dr. Hélio. Vilagra é acusado pela Promotoria por formação de quadrilha e corrupção em oito contratos públicos. Ele e o PT negam qualquer participação nas supostas fraudes. Vilagra chegou a ser detido em maio, em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura uma série de fraudes na Prefeitura de Campinas. Durante as buscas, foram encontrados R$ 60 mil na casa de Vilagra. Ele tem se defendido dizendo que, desde o período da ditadura militar, quando teve suas contas bloqueadas, guarda dinheiro em casa. O dinheiro seria destinado ao pagamento de multas eleitorais.
Dr. Hélio foi acusado de omissão diante das investigações do Gaeco e do Ministério Público sobre cobrança de propina e fraudes em contratos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (Sanasa). Também é acusado de irregularidades em loteamentos imobiliários e em contratos de operação de antenas de telefonia celular na cidade.
A administração da cidade está sob tensão. O governo estaria em graves dificuldades financeiras. Haveria dificuldades de levantar fundos até para o pagamento dos funcionários. Segundo Fernandes, não há riscos financeiros, mas é comum que nesta época do ano as administrações municipais arrecadem menos. “Além disso, a oposição chegou a fazer campanha no começo da crise com o Hélio, sugerindo aos cidadãos que deixassem de pagar impostos, o que é um absurdo, uma irresponsabilidade”.
Os postos de saúde da cidade estariam sem medicamentos básicos e com más condições de atendimento. Durante o discurso de posse, Vilagra prometeu tirar Campinas da estagnação. Para isso, pediu o apoio de todos. No entanto, cometeu uma gafe. Disse que seu governo terminaria em dezembro deste ano, e não em 2012, o que arrancou risadas da platéia.
É a quarta vez que o PT assume a Prefeitura de Campinas, segundo maior colégio eleitoral paulista, sempre em meio a graves crises políticas. Em 1988, o sindicalista Jacó Bittar foi eleito prefeito, mas acabou acusado de corrupção. Em 1991 o PT rompeu com Bittar e deixou o governo. Foi criado uma espécie de “governo paralelo” na cidade. Em 2000, Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, foi eleito, mas acabou assassinado oito meses após a posse, em setembro de 2001, em um crime que nunca foi esclarecido.
Em seu lugar, a vice Izalene Tiene, também do PT, tomou posse, mas não tinha a unanimidade do partido e terminou o governo com uma grande reprovação popular. Derrotado no primeiro turno de 2004, o PT apoiou o primeiro governo de Dr.Hélio, que foi reeleito em 2008 com uma coalizão com o PT de Vilagra. Para 2012, o partido decidiu, numa resolução polêmica, que independentemente do cenário da época, terá candidato próprio em Campinas.
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