quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Tucanos pode fazer qualquer tipo de falcatrua que a imprensa vendida esconde

18.08.2011
Do blog de Jurandi Brito
Por FABIO LEITE
FABIO SERAPIÃO

Sabesp paga firma de marido de assessora
Reportagem do Jornal da Tarde  Aqui

Uma consultoria de engenharia do marido de uma assessora de diretoria da Sabesp assinou ao menos R$ 75 milhões em contratos – diretos ou por meio de consórcios – com a estatal nos últimos quatro anos. Especializada em recursos hídricos, a Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape) tem como sócio o engenheiro Alceu Bittencourt, que é casado com Marisa de Oliveira Guimarães.

Funcionária da Sabesp desde 1985, Marisa assessora hoje o diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp, Marcelo Salles. Antes de ocupar o cargo na estatal, ela foi coordenadora da Secretaria Estadual de Saneamento no governo José Serra/Alberto Goldman (PSDB).

A passagem pela pasta foi na gestão de Dilma Pena, atual presidente da Sabesp. Marisa retornou à empresa do governo no mês passado.

Tanto a Cobrape como a estatal negam qualquer conflito de interesse na relação entre a assessora e seu marido empresário. Para a Sabesp, os contratos firmados não sofreram qualquer ingerência de Marisa. Já a Cobrape afirma que, quando iniciou seus trabalhos no setor de saneamento, em 1988, a esposa de Bittencourt já era funcionária de carreira da companhia (leia abaixo).

Além dos negócios com a Sabesp, a Cobrape também mantém parcerias com a ex-empresa do atual chefe de Marisa, Marcelo Salles. Entre 2004 e 2007, Salles foi sócio da Estudos Técnicos e Projetos Etep Ltda. Desde 2008, Cobrape e Etep já se uniram em quatro consórcios que ganharam R$ 13 milhões em contratos da Sabesp.

Aumento dos contratos

Especializada em estudos e consultoria em saneamento, a Etep é mais uma empresa que viu seus contratos prosperarem após um de seus ex-diretores assumir um cargo na Sabesp. Enquanto Salles foi sócio da consultoria, ela firmou R$8,1 milhões em contratos – de forma direta ou por meio de consórcios – com a Sabesp. Já entre 2007 e 2010, quando ele já estava nomeado diretor da companhia, a Etep viu esse montante saltar para R$185,4 milhões, um aumento superior a 2.000%.

O maior dos contratos da Etep, no valor de R$ 97 milhões, é em um consórcio com outras três empresas (Concremat, JNS e Logos) para gerenciamento da 3ª etapa do programa de despoluição do Rio Tietê, assinado em 2010.

Outros casos

Conforme o Jornal da Tarde revelou nas últimas semanas, o caso de Salles não é único. Outros dois ex-dirigentes da Sabesp, Umberto Semeghini e Nilton Seuaciuc, viram os contratos de suas empresas – Gerentec e Vitalux, respectivamente – com a estatal aumentarem no período em que eles trabalharam na companhia. A única diferença é que, ao contrário de Semeghini e Seuaciuc, que deixaram a Sabesp este ano e retornaram a suas empresas, Salles permanece na estatal.

Outro lado

Questionada sobre as relações de sua funcionária Marisa de Oliveira Guimarães com a empresa de seu marido – Cobrape –, a Sabesp informou que “não há qualquer conflito de interesse” nas funções exercidas por ela.

Por meio de uma nota enviada por sua assessoria de imprensa, a Sabesp afirmou que a inexistência de tais conflitos é garantida pelo fato de Marisa ter assinado uma “declaração nos termos da lei societária” e, como funcionária pública de carreira, entregar, anualmente, a declaração de imposto de renda à empresa.

Ainda na nota, a Sabesp afirma repudiar qualquer tentativa “de associar funcionários da companhia com atos irregulares”. Sobre os contratos com a Cobrape, a estatal informa que todos “foram celebrados obedecendo estritamente a lei de licitação ”.

Sobre a relação de seu diretor, Marcelo Salles, com a Etep, a Sabesp ressaltou que “antes de ser contratado, em 2007, ele assinou uma declaração de desimpedimento nos termos previstos na legislação societária”.

Empresas

Também por meio de uma nota, a Cobrape negou qualquer tipo de irregularidade ao afirmar que em “nenhum momento participou de licitações sob responsabilidade da Sra. Marisa de Oliveira Guimarães”.

O Jornal da Tarde entrou em contato com a Etep por telefone e, conforme solicitado pela empresa, enviou e-mail. Mas, até o fechamento desta edição, às 21h30, a consultoria não havia enviado as respostas.
***
Fonte:http://jurandibrito.blogspot.com/2011/08/tucanos-pode-fazer-qualquer-tipo-de.html

ANP confessa estar louca para entregar o petróleo

18.08.2011
Do blog TIJOLAÇO
Por Brizola Neto


São de  cair o queixo as declarações do diretor da Agência Nacional do Petróleo, Helder Queiroz. Ele disse que tanto a agência reguladora como as empresas estão “loucas” pela realização da  nova rodada de concessões de áreas petrolíferas até o final do ano, justamente quando se encerra o mandato da adual direção da ANP.
Pela segunda vez, eles pressionam na imprensa a presidenta Dilma a soltar o edital, que ela reteve preventivamente, para analisar sua conveniência para o país.
Óbvio, temos um estoque de petróleo já identificado que não é problema. problema é extraí-lo e refiná-lo de forma conveniente ao país e não para vender como banana em final de feira.
Postei lá no blog Projeto Nacional um texto onde analiso o absurdo que é a pressa da ANP e mostro, com documentos, que a agência, no Governo FHC, pediu um lance mínimo de R$ 300 mil pelo megacampo de Tupi, onde há de cinco a oito bilhões de barris de petróleo leve, de alta qualidade, que anda na faixa de R$ 145 o barril. Só o primeiro poço, com produção estimada em 100 mil barris dia, pagaria o valor do preço mínimo pedido em …meia hora!!!
Demos sorte de ter sido a Petrobras a adquirir a maior parte deste bloco, o BM-S-11, com um valor de assinatura de R$ 15 milhões.
Se  o pessoal gosta de escândalo, porque não publica este?
****
Fonte:http://www.tijolaco.com/anp-confessa-estar-louca-para-entregar-o-petroleo/

Dilma: a verdadeira faxina deve ser contra a miséria

18.08.2011
Do portal MSN NOTÍCIAS
Por Anne Warth
Agência Estado, estadao.com.br


Ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sem seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff lançou nesta quinta-feira, 18, o Plano Brasil Sem Miséria na sede do governo do Estado de São Paulo, há 16 anos comandando pelo PSDB. O programa, que pretende ser a marca do governo Dilma e uma das principais metas da presidente, unifica os cartões e a base de dados dos programas sociais do governo federal, o Bolsa Família, e dos programas dos governos estaduais do Sudeste - Renda Cidadã (São Paulo), Renda Melhor (Rio de Janeiro), Incluir (Espírito Santo) e Travessia (Minas Gerais).


Sem fazer nenhuma referência à crise política que seu governo enfrenta, com a queda de quatro ministros em oito meses de governo apenas e a ameaça dos partidos da base aliada de não votar nenhum projeto no Congresso enquanto as emendas parlamentares não forem liberadas, Dilma usou a seu favor o termo 'faxina' - utilizado pela imprensa para se referir às denúncias de corrupção de membros de sua equipe.


'Quero reafirmar a importância concreta e simbólica do pacto que firmamos hoje, semelhante ao pacto do mês passado, com os governadores do Nordeste e que faremos em breve no Norte, Sul e Centro-Oeste', afirmou Dilma, durante seu discurso. 'É o Brasil inteiro fazendo, de fato, como usa a imprensa, a verdadeira faxina que esse País tem de fazer: a faxina contra a miséria. O Brasil inteiro em um grande abraço republicano, certos e conscientes de que nossa maior riqueza não é o petróleo, o minério ou a agricultura, mas 190 milhões de brasileiros.'


Dilma disse que a miséria no País é resultado de muitos anos da falta de compromisso com a população, mas fez questão de citar os ex-presidentes FHC e Lula como pessoas que tiveram a coragem e a generosidade de encarar o desafio. Sentada ao lado de FHC, ela fez questão de agradecer a presença do ex-presidente.


'Esse problema só não é maior porque tivemos, nos últimos anos, um presidente capaz de levar 40 milhões de brasileiros para classe média, ou seja, uma Argentina. Essa é sem dúvida a herança bendita que o governo do presidente Lula me legou, entre tantas outras, mas é ao mesmo tempo nosso maior desafio, que é avançar ainda mais', afirmou. 'O grande pacto republicano e pluripartidário que estamos firmando hoje é um pacto capaz de transformar a realidade social que vivemos. Por isso, queria também agradecer a presença do senhor presidente Fernando Henrique Cardoso, por esse seu gesto', disse.


Dilma elogiou também o engajamento dos governadores do Sudeste. 'Quando olho para essa sala e vejo os governadores de São Paulo, do Rio, de Minas Gerais e do Espírito Santo sinto um engajamento pleno e sincero dos senhores nesse projeto e tenho certeza de que o plano começa como um plano vencedor', continuou.


Em relação à crise financeira internacional, a presidente enfatizou que o caminho mais seguro para o País enfrentá-la é o combate à pobreza e o fortalecimento do mercado interno. 'O mundo vive hoje um momento de inquietude e perplexidade, mas, no meio de tantas interrogações, o Brasil já demonstrou que o caminho seguro para sair ou se proteger da crise é combater a crise mais crônica da história humana, que é a pobreza, e criar um mercado interno sólido, com recursos para enfrentar as turbulências que podem nos atingir. Sabemos que a ascensão social de milhões brasileiros fortaleceu nossa economia.'


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi o que mais elogiou a iniciativa da presidente, de quem disse ter feito um acerto histórico ao reconhecer a importância da estabilidade econômica conquistada durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique e da unificação dos programas sociais em torno do Bolsa Família, durante o governo do ex-presidente Lula.


Também participaram da cerimônia os governadores Sergio Cabral (Rio de Janeiro), Antonio Anastasia (Minas Gerais) e Renato Casagrande (Espírito Santo); os ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Carlos Lupi (Trabalho), Tereza Campello (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) e Helena Chagas (Comunicação Social) e os senadores Marta Suplicy (PT-SP) e Eduardo Suplicy (PT-SP), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), o presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, além de prefeitos, deputados e outras autoridades.
*****
Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/dilma-a-verdadeira-faxina-deve-ser-contra-a-mis%c3%a9ria

A orfandade das derrotas

18.02.2011
Do BLOG DO EMIR,12.08.11
Por Emir Sader




Ouvindo uma intervenção em um seminário, imaginei que a pessoa que intervinha tratava de explicar porque o Brasil deu erado. Uma visão linear, em que todas as catástrofes que alguns tinham prognosticado, teriam se realizado. Nada de bom, de resgatável. Mesmo a diminuição da desigualdade seria um engano. Parecia o discurso de alguém que dizia: -“Viu? Nós, que achávamos que o governo Lula ia fracassar, ia ser uma continuidade do neoliberalismo, tínhamos razão e convencemos o povo disto, daí o fracasso do Lula. Deu tudo errado, como prevíamos, por isso o povo finalmente reconheceu que tínhamos razão, derrotou o governo e nos deu uma votação espetacular.”


Incrível, nem parecia que estamos no Brasil, que os que professam esse discurso tiveram 1% dos votos, enquanto que o Lula saía do governo com um apoio extraordinário da população e elegia sua sucessora.


Eu fico imaginando como é a cabeça, a vida, o cotidiano, a relação com o povo, com o Brasil, com o mundo, de quem ainda pensa assim. Será como Marx se referia à pequena burguesia, que sai fragorosamente derrotada das eleições, dizendo-se que o povo ainda não está preparado para seus discursos. Nunca questionam seus discursos, suas posições. É o povo que não está ainda amadurecido. Voltarão de novo, de novo, com o mesmo discurso, até que o povo entenda que eles dizem a verdade.


O que podem pensar do julgamento popular? Não aprendem com a realidade? Poderiam dizer que as eleições não refletem fielmente o que o povo pensa. Mas tampouco conseguem organizar qualquer manifestação popular com participação de um mínimo de pessoas, não constroem sindicatos ou outras formas de organização popular, vivem no maior isolamento em relação ao povo. Daí também que façam um discurso fora do mundo.


Continuam a pregar as mesmas coisas, a fazer as mesmas denúncias. Nunca se perguntam se estão errados e o povo está certo. Se esse projeto fracassou e haveria que repensar os caminhos que adotaram. Nunca se perguntam se estão desarraigados da realidade, isolados do povo, desencontrados com seus interesses. Se estão em um mundinho pequeno, frequentando mais os livros do que a realidade?


Lendo balanços da dura derrota que a esquerda portuguesa – a radical, também – sofreu nas eleições, vejo apenas a crítica do governo por parte dos setores mais radicais, sem explicar porque foi a direita que capitalizou o fracasso do governo socialista e não eles, que perderam tantos votos quanto o Partido Socialista. Se limitam à critica do governo, que teria a responsabilidade de tudo. A responsabilidade sempre é dos outros, que é a melhor maneira de não tirar lição alguma dos erros cometidos, o que significa que voltarão, nas próximas eleições, a agir da mesma maneira e, certamente, ter uma derrota anda maior.


A realidade não é somente o critério da verdade, como é implacável com os nossos erros. Por isso alguns estão vitoriosos, reconhecidos pelo povo, enquanto outros estão reduzidos a discursos fora da realidade que os rejeitou e à intranscendência. 

*****
Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=733

Eduardo Guimarães: Dente de coelho

18.08.2011
Do BLOG DA CIDADANIA,16.08.11
Por Eduardo  Guimarães

A expressão “dente de coelho”, atualmente em desuso, exprime armadilha ou artimanha oculta que exige tirocínio para ser identificada e desarmada. “Aí tem dente de coelho”, dizia-se antigamente. O dente do animal costumava ser associado ao seu espírito arguto, sagaz, matreiro. Hollywood imortalizou essa imagem com o “Coelho Pernalonga”, que infernizava os inimigos com a sua esperteza.
Leio editorial da Folha de São Paulo e, em O Globo, artigo do “imortal” Merval Pereira. Ambos coincidem na teoria de que a “faxina” que a presidente Dilma Rousseff estaria promovendo em seu governo estaria lhe aumentando (?) a popularidade ou mantendo-a elevada. Contudo, ambos vendem a tese de que a prática que estaria rendendo essa popularidade pode não ser suficiente para impedir que seja perdida logo adiante.
Nesses dois textos, há dentes de coelho. São ilógicos. Aludem a um aumento de popularidade de Dilma por conta da tal “faxina” que peço a alguém que me diga onde está expresso.
É no mínimo estranho que dois dos braços mais ativos da mídia associada ao PSDB que vêm fustigando os últimos três governos federais do PT e apoiando escancaradamente os tucanos em todas as eleições desde 1994 agora insistam no que sempre tentaram negar ou empanar, isto é, na popularidade de governos petistas.
Reproduzo, pela ordem, editorial da Folha e, em seguida, artigo de Merval Pereira. Os textos mostram ação conjunta no sentido de vender a teoria de que o processo que a presidente está conduzindo lhe estaria sendo benéfico apesar de que o que se vê é exatamente o oposto. Ressalto em negrito, em cada texto, seus pontos chaves. E, ao fim de cada um, comento os tópicos ressaltados.
—–
Folha de São Paulo
16 de agosto de 2011
Editorial
Presidente colhe dividendos de popularidade com “faxina” na Esplanada, mas sua gestão mal começou a enfrentar os grandes problemas do país
A popularidade de Dilma Rousseff permanece alta, como verificaram pesquisas de opinião tanto do Datafolha quanto do Ibope: 48% de avaliações “ótimo” e “bom” para seu governo.
Os questionários, aplicados no final de julho e começo de agosto, não captaram o efeito da deterioração das expectativas econômicas com a corrida às Bolsas e o novo escândalo, envolvendo agora o Ministério do Turismo. Mas é pouco provável que esses eventos da semana passada pudessem prejudicar a imagem da presidente.
O vendaval que varreu os mercados financeiros do mundo, embora tenha sacudido também a Bovespa, por ora afeta pouco a economia nacional. A estimativa de crescimento do PIB para este ano pode ser revista de 4% para 3,5%, mas não há explosão inflacionária nem alta de desemprego à vista. Ao contrário: avalia-se que o repique da crise de 2008 oferece boa oportunidade para o Brasil começar a reduzir a taxa de juros.
A percepção do público é de um país em bonança, ainda que o poder aquisitivo tenha sofrido alguma perda com a alta de preços de serviços e de alimentos. E Dilma vai firmando a imagem -um tanto superfaturada- de governante disposta a combater a corrupção.
Como seu governo também é visto como continuidade da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, na visão de muitos ela estaria saindo melhor que a encomenda: um Lula sem mensalão, por assim dizer.
Chama a atenção que Dilma detenha avaliação popular tão positiva ao terminar seu primeiro semestre de governo (Fernando Henrique Cardoso e Lula, nessa altura dos seus, ficaram na faixa de 40% a 43%). Para ser rigoroso, sua administração ainda não começou. Nenhum grande plano seu viu a luz do dia, com exceção de pacotes publicitários como o Brasil sem Miséria.
Os futuros índices de popularidade de Dilma resultarão menos de sua imagem presente ou de suas iniciativas erráticas e mais dos atos de governo real que será obrigada a praticar. Ontem, a presidente vetou na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012 um artigo que reservava verba para reajustar acima da inflação os proventos de aposentados do INSS. Por elogiável que seja tal disciplina fiscal, decerto não contribuirá para torná-la mais popular.
Mais decisões como essa terão de ser tomadas, nos meses vindouros. O arrefecimento da dinâmica econômica trará erosão paulatina da sensação de bem-estar.
Se os escândalos e denúncias de corrupção prosseguirem, cedo ou tarde afetarão o prestígio do governo. Para o público, ficará evidente que a “faxina” está aquém da sujeira acumulada em décadas de desmandos. Para a classe política incrustada no Congresso, Dilma verá agravada a fama adquirida de parceira iracunda e refratária a compromissos.
Até aqui, a presidente favoreceu a opinião pública em detrimento da base parlamentar. Se a primeira lhe faltar, terá de seguir o conselho de Lula e ceder à segunda.
—–
Então vejamos:
O que sustenta a afirmação do editorial de que Dilma estaria colhendo, nas pesquisas, resultados da “faxina”? Ela começou a “faxinar” não faz nem dois meses e, de lá para cá, tanto a pesquisa Datafolha quanto a pesquisa Ibope mais recentes, que o texto menciona, mostraram perda de popularidade e não aumento.
O Datafolha mostrou que quase dobrou o índice de ruim e péssimo de Dilma e o Ibope mostrou redução de bom e ótimo de 56% para 48%. Não importa se alguém acha que os dois institutos falsificaram para baixo a aprovação de Dilma, o que importa é que a Folha diz que sua popularidade aumentou nessas pesquisas, mas elas mostram o contrário.
Daí vem a “explicação” para futuras novas quedas da popularidade de Dilma – explicação que, obviamente, excluí uma “faxina” que está minando a aliança política que elegeu a presidente e que se fundamenta em fatores que não afetavam a imagem de Lula.
As denúncias tucano-midiáticas de corrupção no governo federal nunca surtiram efeito, pelo menos nos oito anos anteriores. Por que surtiriam agora?
Lula só foi perder alguns pontinhos de aprovação durante o auge da crise, no final de 2008 e começo de 2009. Mas só depois que se constatou uma perda imensa de empregos naqueles dois ou três meses de um alarmismo da mídia que gerou inclusive as “demissões preventivas” que culminaram com a extinção de quase UM MILHÃO de postos de trabalho.
Prossegue a tática de comparar a avaliação de Dilma hoje com as que tinham Lula e Fernando Henrique Cardoso na mesma época em seus primeiros mandatos. Nos dois casos, por volta do oitavo mês de Lula e de FHC, o país estava indo mal. Não havia empregos, a economia ainda patinava. Mesmo na época de FHC, com a novidade da inflação baixa, o país estava estagnado.
Dilma assumiu com a economia bombando, com milhões de empregos sendo gerados todos os meses, com o poder de compra da população nas alturas… Seu nível de popularidade nos primeiros meses era alto e foi se deteriorando. E o texto da Folha insinua que irá piorar.
O editorial aponta como causas da provável nova queda de popularidade de Dilma medidas como a que ela acaba de tomar que prejudicaria os aposentados em nome da “responsabilidade fiscal” – o que não acredito que teria peso para causar prejuízos em sua popularidade – e o recrudescimento da crise – no que, agora, concordo –, que deve reduzir a sensação de bem-estar da população.
Mas é neste ponto que o editorial se entrega: “Se os escândalos e denúncias de corrupção prosseguirem, cedo ou tarde afetarão o prestígio do governo. Para o público, ficará evidente que a “faxina” está aquém da sujeira acumulada”. Não se tem dito outra coisa, neste blog. Só que aquilo que o texto da Folha joga para o futuro é o que está ocorrendo agora, pois a perda de popularidade que o jornal diz que irá ocorrer já está claramente expressa nas pesquisas.
Pergunta: por que o jornal nega que as pesquisas apontaram queda de popularidade?
Esta questão nos remete ao texto de Merval Pereira em O Globo. Vejamos.
—–
O Globo
16 de agosto de 2011
Merval Pereira
Apoio Necessário (trechos)
“(…) É inegável que a presidente tem encontrado na opinião pública uma receptividade grande a seus gestos, que parecem levar o governo para um confronto com a política fisiológica que dá sustentação à coalizão governamental. (…)”
“(…) Não é nada paradoxal que a presidente Dilma se fortaleça nas pesquisas de opinião com essa faxina ética, mas se enfraqueça dentro de sua própria base aliada (…)”
“(…) Embora tenha uma base política aliada que cobre cerca de 70% do Congresso, a presidente Dilma vem desagradando a seus apoiadores de tal maneira que hoje já não é possível saber a quantas anda sua base aliada real (…)”
—–
Novamente é dado como certo que a autodestruição da base aliada esteja rendendo frutos à presidente em termos de popularidade quando o que se pode constatar nas pesquisas não é isso. Como pode ser “inegável que a presidente tem encontrado na opinião pública (…) receptividade (…) a seus gestos”? Não é inegável. Tal afirmação, no mínimo, é polêmica.
O terceiro trecho destacado no texto de Pereira, porém, é preciso ao revelar uma situação da aliança com a qual Dilma se elegeu. De fato a aliança está se desfazendo. A possível saída do Partido da República (PR) da base aliada em tese facilitará muito a abertura de CPIs no Senado, ao menos.
Não admira, portanto, que a mídia insista na tese fantasiosa de que Dilma estaria ganhando popularidade com a destruição da aliança que a sustenta, agora mexendo com o mesmo PMDB que tem poder para simplesmente paralisar o governo. Não nos esqueçamos de que Collor caiu justamente por sua base política ter se liquefeito no Congresso.
Que governo confronta os aliados dessa forma? Alguém imagina Geraldo Alckmin demitindo os envolvidos nas denúncias de corrupção que se avolumam na Assembléia Legislativa paulista e que a maioria governista impede que sejam investigadas por CPIs? As análises midiáticas de que Dilma estaria ganhando popularidade não visariam iludi-la para que continue a sabotar a própria base política?
Dizer que há dente de coelho nesse discurso da mídia, é eufemismo. O que parece haver é uma arcada dentária inteira.
—–
ATUALIZAÇÃO
PESQUISA CET/SENSUS DIVULGADA EM 16 DE AGOSTO DE 2011
FOLHA.COM
16/08/2011 – 11h23
Dilma tem aprovação de 49,2%, diz CNT/Sensus
JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
Atualizado às 12h23.
O governo Dilma Rousseff é avaliado como ótimo/bom por 49,2% dos entrevistados pela pesquisa CNT/Sensus. Dos entrevistados, 9,3% classificaram o governo como ruim/péssimo e 37,1% como regular.
Essa é a primeira pesquisa CNT/Sensus divulgada no governo Dilma. Foi feita entre os dias 7 e 12 de agosto em 24 Estados. Ouviu 2.000 pessoas e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
A avaliação do governo da petista é semelhante à aprovação que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha em agosto de 2003, quando 48,3% dos entrevistados pelo instituto tinham uma avaliação positiva do governo.
A marca alcançada pela petista é, porém, menor que todas as outras alcançadas por Lula desde abril de 2007. No fim de seu mandato, o governo do ex-presidente chegou a registrar avaliação positiva de 83,4%.
Alan Marques – 9.ago.2011/Folhapress
O desempenho da presidente é aprovado por 70,2% dos entrevistados e desaprovado por 21,1%, aponta levantamento
A gestão de Dilma é vista como pior que a de Lula por 45,4% dos entrevistados. Apenas 11,5% veem o governo Dilma como melhor que o anterior.
A expectativa de que Dilma fará um bom governo caiu dos 69,2% medidos em dezembro, após sua eleição, para 61,3% em agosto. Também caiu, mais drasticamente, a avaliação feita dos ministérios de Dilma: a escolha dos ministros era aprovada (ótimo/bom) por 45,5% em dezembro, índice que passou para 24,2% em agosto.
A crise no Ministério dos Transportes é tida pelos entrevistados como algo que afeta a imagem da presidente. Entre os que têm acompanhado ou ouviram falar das denúncias, 62,9% disseram acreditar que a crise afetou a imagem da petista; 79,2%, no entanto, aprovaram as medidas adotadas por ela frente à crise política.
Em termos de popularidade, o desempenho da presidente é aprovado por 70,2% dos entrevistados e desaprovado por 21,1%. Em agosto de 2003, a popularidade do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou 76,7% segundo registro do instituto.
SINAL AMARELO
A avaliação da presidente está boa, mas em declínio, principalmente com relação aos serviços públicos e infraestrutura, afirma Flávio Benatti, presidente da seção de cargas da CNT.
“A população está indicando que o combate à corrupção é importante, mas não é tudo. Tem gordura para queimar, mas precisa agir mais em investimentos na área social e de infraestrutura.” Segundo Benatti, o sinal está amarelo.
As notas dadas para serviços públicos, de 0 a 10, caíram todas se comparadas com a pesquisa anterior que mediu essas variáveis, em janeiro do ano passado. As maiores quedas foram em rede pública de saúde (de 5,1 para 4,5) e escola pública (de 6,5 para 5,9).
DATAFOLHA E CNI/IBOPE
Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha no início deste mês apontou que Dilma manteve um nível estável de aprovação nos primeiros meses do ano, mesmo após os primeiros escândalos de corrupção e de medidas para conter o crédito e a atividade econômica.
Realizado entre os dias 2 e 5 de agosto em todo o Brasil, o levantamento do Datafolha indicou que 48% dos brasileiros com 16 anos ou mais consideram o governo de Dilma como ótimo ou bom. Em junho, esse índice era 49% e, em março, 47%.
Uma queda na avaliação positiva da presidente foi verificada pelo CNI/Ibope, em pesquisa realizada entre 28 e 31 de julho e divulgada na semana passada. A aprovação pessoal de Dilma passou de 73% em abril para 67% em julho. Houve uma piora na avaliação tanto o governo como um todo quanto de setores específicos –principalmente relacionados à taxa de juros e inflação.
A queda foi explicada pela CNI como um “ajuste de expectativas” do eleitor, que costuma sair de uma eleição com um conceito elevado do candidato eleito. A avaliação da entidade é que o governo da petista ainda mantém uma aprovação “bastante elevada”.

*******
Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/08/dente-de-coelho/

IMPRENSA GOLPISTA & DILMA: A guerra que se anuncia

18.08.2011
Do blog de Jurandi Brito
Por Leandro Fortes*/CartaCapital


A fúria midiática contra Dilma e a guerra que se anuncia


A presidenta Dilma bem que tentou conviver em harmonia com a velha e putrefata mídia. Contrariou o preceito bíblico e atirou "pérolas aos porcos"...
Que aprenda finalmente a lição!


O movimento era previsível e as razões óbvias, mas não deixa de ser perturbadora a investida dos grandes grupos midiáticos ao governo da presidenta Dilma Rousseff, depois de um curto período de risível persistência de elogios e salamaleques cujo único objetivo era o de indispô-la – e a seu eleitorado – com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Digo que era um movimento previsível não apenas por conta do caráter ideologicamente hostil dos blocos de mídia com relação a Dilma, Lula, PT ou qualquer coisa que abrigue, ainda que de forma distante, relações positivas com movimentos sociais, populares e de esquerda. A previsibilidade da onda de fúria contra o governo também se explica pela transição capenga feita depois das eleições, um legado de ministros e partidos de quinta categoria baseado numa composição política tão ampla quanto rasa, e que, agora, se desmancha no ar.


Assim, pode-se reclamar da precariedade intelectual da atual imprensa brasileira, da sua composição cada vez mais inflada de jornalistas conservadores, repórteres raivosos e despolitizados, quando não robotizados por manuais de redação que os ensina desde a usar corretamente o hífen, mas também como se comportar num coquetel do Itamaraty. É tudo verdade, como também é verdade que, ao herdar de Lula essa miríade de ministros-jabutis colocados na Esplanada dos Ministérios, Dilma aceitou iniciar o governo com diversos flancos abertos, a maioria resultado da aliança com o PMDB, e se viu obrigada a fazer essa tal “faxina” pela mídia, embora se negue a admiti-lo, inclusive em recente entrevista à CartaCapital.


Dilma caminha, assim, sobre a mesma estrada tortuosa do primeiro ano do primeiro mandato de Lula, quando o ex-operário chegou a crer, cegado pela venda de inacreditável ingenuidade, que as grandes corporações de mídia nacionais, as mesmas que fizeram Fernando Collor derrotá-lo, em 1989, poderiam ser cooptadas somente na base do amor e do carinho. Dessa singela percepção infantil adveio a crise do “mensalão”, a adoção sem máscaras do jornalismo de esgoto nas redações brasileiras, a volta do golpismo como pauta de reportagem e a degeneração quase que absoluta das relações entre o poder público e a imprensa.


Em 2010, agregados ao projeto de poder do PSDB e de seu cruzado José Serra, os grupos de mídia formaram um único e poderoso bloco de oposição e montaram um monolítico aríete com o qual tentaram derrubar, diuturnamente, a candidatura de Dilma Rousseff. Não fosse a capacidade de comunicação de Lula com as massas e a consequente transferência de votos para Dilma, essa ação, inconsequente e, não raras vezes, imoral, teria sido vitoriosa. Perdeu-se, contudo, na inconsistência política de seus líderes, na impossibilidade de comparação entre os dois projetos de País em jogo e, principalmente, na transfiguração final – triste e patética – de Serra num fundamentalista religioso, homofóbico e direitista, cuja carreira política se encerrou na melancólica e risível farsa da bolinha de papel na careca.


Ainda assim, Dilma Rousseff foi comemorar os 90 anos da Folha de S. Paulo, sob alegada conduta de chefe de Estado, como se não tivesse sido o jornalão da Barão de Limeira o primeiro condutor do circo de mídia montado, em 2010, para evitar que ela chegasse à Presidência. Foi a Folha que publicou, na primeira página, uma ficha falsa da então candidata, com o intuito de vendê-la como fria guerrilheira de outrora, disposta a matar e sequestrar inocentes, sequer para lutar contra a ditadura, mas para implantar no Brasil uma ditadura comunista, ateia e, provavelmente, abortista. O fim da civilização cristã no Brasil. Dilma sobreviveu à tortura e à prisão, mas não conseguiu escapar dessa armadilha, e foi lá, comemorar os 90 anos da Folha. Agora, instada a fazer a tal “faxina”, talvez esteja recebendo um salutar choque de realidade.


O fato é que o embate entre as partes, haja ou não uma Lei dos Meios, nos moldes da legislação argentina, não é só inevitável, mas também inadiável. A presidenta reluta, naturalmente, em iniciar um conflito entre a lei e os meios de comunicação, não é por menos. Ela sabe o quanto foi dura e ainda é a vida dos colegas vizinhos da Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador e Paraguai com os oligopólios locais. Faz poucos dias, um jornalista brasileiro, encastelado numa dessas colunas de horror da imprensa nativa, chamou a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, de “perua autoritária”, em resposta a leitores que lhe enviaram comentários indignados com um texto no qual ele a acusava, Cristina, de usar o próprio luto (o marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, morreu em outubro do ano passado) para fins eleitorais. Implícito está, ainda, a questão do machismo (a “faxina” da nossa presidenta), ou melhor, a desenvoltura do chauvinismo, ainda isento de freios sociais eficazes.


Tenho cá minhas dúvidas se o mesmo jornalista, profissional admirado e reconhecido por muitos, teria coragem de se referir ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como “pavão engabelado”, apenas para ficar na mesma alegoria do mundo animal atribuída a Cristina Kirchner, por ter posado de pai amantíssimo ao assumir, 18 anos depois, a paternidade de um filho da jornalista Miriam Dutra, da TV Globo – e, aos 80 anos, descobrir que caiu no golpe da barriga. Passou dois mandatos refém da família Marinho por conta de um menino que não era dele. Algum comentário sarcástico nas colunas e blogs da “grande imprensa” a respeito? Necas de pitibiriba. Com a presidenta argentina, mulher que enfiou o dedo na cara de um grupo midiático “independente” que sustentou uma ditadura nazista, responsável pelo assassinato de 20 mil pessoas, o colunista, contudo, se solta e se credencia a nos fazer rir.


Duvido que Cristina Kirchner fosse ao aniversário do Clarín.


*Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi.
http://brasiliaeuvi.wordpress.com
******
Fonte:http://jurandibrito.blogspot.com/2011/08/furia-midiatica-contra-dilma-e-guerra.html