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terça-feira, 26 de julho de 2011

José Serra e Abilio Diniz: a onipotência derrotada

26.07.2011
Do blog BALAIO DO KOTSCHO, 13.07.11
Por Ricardo Kotscho

serra abilio diniz 450 José Serra e Abilio Diniz: a onipotência derrotada

No final da noite de terça-feira (12), ao ler o noticiário sobre o fracasso de Abilio Diniz, 71 anos, na tentativa de fusão do Pão de Açucar com o Carrefour no Brasil e o artigo "A ética do vale-tudo" publicado por José Serra, 69 anos, na página de opinião de O Globo, apareceu-me na cabeça uma palavra pouco usual para definir os dois personagens: onipotência. Neste caso, a onipotência derrotada.

Duas definições que encontrei com a ajuda do dr. Google:

* No Dicionário Informal _ onipotência: s.f. todo poder, poder absoluto, todo-poderoso.

* No Dicionário Web _ onipotência: s.f poder supremo ou absoluto; o poder de fazer tudo.

Os dois achavam que nasceram para ser os maiorais, cada um em sua área. Filhos de pequenos comerciantes  - Serra, de um feirante; Diniz, de um padeiro - eles acreditaram no destino e jogaram suas vidas para alcançar os mais altos objetivos.

Desde pequeno, José Serra já dizia às suas tias que queria ser presidente da República. Abilio Diniz em algum momento da vida achou que poderia transformar a padaria e confeitaria do pai no ponto de partida para dominar o comércio varejista mundial de alimentos.

Serra optou pelo mundo acadêmico e, antes de se tornar um político profissional, engajou-se na luta contra a ditadura que o levou a um longo exílio. Abilio sempre foi empresário e dedicou todo seu tempo a alastrar seu império de lojas para se tornar o maior supermercadista do país, depois de uma longa disputa familiar, e da conquista, sempre por meios beligerantes, dos seus principais concorrentes.

O político elegeu-se deputado federal, senador, prefeito e governador do Estado de São Paulo, sempre abandonando os mandatos pelo meio para chegar mais rapidamente ao seu objetivo maior, a Presidência da República. Foi também ministro do Planejamento e da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Perdeu sua primeira eleição presidencial para Lula, em 2002; a segunda, para Dilma Rousseff, apoiada por Lula, em 2010.

O empresário, que quase faliu no final dos anos 1990 do século passado, salvou-se ao se associar ao grupo francês Casino. Em 2005, vendeu ao grupo francês o controle acionário do Pão de Açucar, que entregaria em 2012, mas nunca se conformou em perder o comando. Diniz veio daquele mundo em que só há dois tipos de gente: quem manda e quem é mandado.

Por isso, resolveu dar o grande golpe de mestre da sua vida: reaver o controle do Pão de Açucar-Casino com a compra do Carrefour, utilizando para isso U$ 2 bilhões do BNDES, quer dizer, de um banco público.

Apresentados desta forma rápida e singela os dois personagens da onipotência derrotada, vamos ver o que aconteceu nesta fatídica terça-feira, 12 de julho de 2011, em que ambos, após tantas conquistas, bateram no fundo do poço.

Vamos começar pelo ex-governador de São Paulo. Os amigos de José Serra, se é que ele ainda os tem, deveriam ficar preocupados com o artigo que ele escreveu no jornal O Globo. No tijolaço que ocupa de alto a baixo o lado esquerdo da página 7, no mesmo estilo tucano-barroco de um acadêmico que escreve todo dia no jornal, Serra joga a toalha.

Mais parece o epitáfio de um político perdedor. Da primeira à última linha, o velho político é incapaz de lançar uma proposta original para o país, qualquer ideia nova, uma utopia, um sonho que seja, como fez Marina Silva na semana passada, ao deixar o PV.

É só porrada em Lula, em Dilma, nos governos e práticas do PT num texto pobre em conteúdo e capenga na forma (repete duas vezes a palavra "malfeitos" nos três primeiros parágrafos), em que repete os mesmos argumentos da sua derrotada campanha de 2010.

Vou dar um exemplo. Só José Serra entre os professores tucanos ainda é capaz de escrever coisas como no parágrafo reproduzido abaixo:

"Depois de um ano da primeira eleição de Lula (leia-se: e da minha primeira derrota para Lula), analisando o que já se delineava como estilo de governo, qualifiquei o esquema partidário petista como uma espécie de bolchevismo sem utopia, em que a ética do indivíduo é substituída pela ética do partido".

Acho que nem na Albânia se escreve mais essas coisas. É triste. Ao contrário do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que chega aos 80 anos de bem com a vida e ares de vencedor, cercado de amigos e homenagens, o político José Serra ficou falando sozinho. Parece ter envelhecido mal, perdido o bonde no fim do caminho.

Nem o PSDB o leva mais a sério. Depois de perder para Aécio Neves e Tasso Jereissati todos os cargos que almejou na recente disputa interna dos tucanos, teve que se contentar com a presidência de um até então inexistente Conselho Político que inventaram para ele.

Na semana passada, convocou a primeira reunião em Brasília, e levou pronto um texto desancando Dilma, Lula, o PT e o governo para os outros assinarem. Ninguém concordou, alegando que precisavam consultar primeiro o senador Aécio Neves, ausente da reunião. Serra acabou publicando o texto, muito parecido com o do artigo de O Globo, em seu próprio blog, como se fosse o pensamento oficial do partido.

Em Paris, para onde viajou sozinho e de peito aberto para enfrentar os inimigos franceses do Casino em seu próprio território, Abilio Diniz tomou a maior surra da sua vida: por unanimidade, os conselheiros do grupo francês rejeitaram sua proposta de compra do Carrefour no Brasil.

Antes da reunião, o BNDES, por ordem da presidente Dilma Rousseff, já havia avisado que tiraria qualquer apoio à operação se Diniz não se entendesse com os sócios franceses. Abilio, como Serra, ficou falando sozinho, dependurado na brocha.

Sem perder a pose, segundo o relato da sempre brilhante correspondente Deborah Berlinck, de O Globo, encarou de bom humor os repórteres ao encontrá-los na saída da reunião:

"Não, não estou chorando na calçada. Fizemos uma reunião do conselho e vamos ver o que vai acontecer".
Aconteceu que Abilio Diniz aprendeu tarde demais que ninguém pode achar que pode tudo, nem ele. Talvez pensasse nisso quando o encontrei umas duas semanas atrás na arquibancada de uma festa junina promovida na quadra do colégio onde seus filhos pequenos e minhas netas iriam se apresentar numa dança de quadrilha.

Sentou-se a meu lado com a jovem e bonita mulher. Não conversou com ela, não cumprimentou nem falou com ninguém, não sorriu nenhuma vez. Ficou o tempo todo com o olhar fixo no horizonte. Achei que alguma coisa estranha estava acontecendo com o grande empresário. Vai ver que ele já estava prevendo o desfecho trágico desta história.

Assim como Abilio não virou o dono do mundo, Serra também não será presidente da República do Brasil na marra, xingando os adversários, só porque ele acha que está mais preparado para isso do que os outros  _  se é que o PSDB vá cometer o desatino de concorrer novamente com ele.

Em tempo: Se o caro leitor conhecer alguma história semelhante, por favor, escreva para nós. A área de comentários do Balaio está de portas abertas.
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Fonte:http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2011/07/13/jose-serra-e-abilio-diniz-a-onipotencia-derrotada/

O PSDB hoje é uma nau sem rumo

26.07.2011
Do blog de Renato Janine Ribeirto
Por Renato Janine Ribeirto
A presidenta Dilma está numa fase difícil de seu governo, mas que dizer da oposição? Do PV, como alternativa de poder, já não se fala. Restou a oposição tradicional, o PSDB, mas sem rumo. Por razões que a razão desconhece, seu candidato à Presidência, em vez de apostar naquilo em que ele é bom - o desenvolvimentismo - e que sempre lhe agregou valor em nossa política, preferiu na reta final da campanha de 2010 aderir ao moralismo, no aborto e até na homofobia.
O conglomerado tucano foi e é uma trinca de partidos. O maior deles é o PSDB. Dos três, só ele pode concorrer à Presidência da República. Já o DEM foi nosso maior partido, elegendo 105 deputados federais em 1998. Mas minguou para 43, em 2010. Largou o nome de PFL, sangra com a saída do prefeito de São Paulo, seu maior líder eleito. Pouco lhe resta, salvo fundir-se com o PSDB. O terceiro é o PPS, antigo Partido Comunista Brasileiro: serve uma excelente retórica de esquerda somada a uma prática frágil. O PPS subsistirá mas, como vários partidos, sua vocação é ser coadjuvante - o que não é desonra alguma: também coadjuvantes recebem o Oscar.
Mas o eixo está no PSDB. Restam-lhe, hoje, três presidenciáveis. No Brasil, ser presidenciável é um galardão. Significa que o político recebe realce. Poucos presidenciáveis chegam à presidência, é óbvio, mas não basta ser político - ou político bom - para ser presidenciável, isto é, alguém com reais chances de se eleger. Os três são ex-governadores, dois de São Paulo e um de Minas Gerais. Parece que, após elegermos três presidentes sucessivos que jamais governaram um Estado, estaríamos voltando à regra de que se aprende a governar degrau a degrau, como quase sempre foi em nossa história.
A sorte é que faltam três anos para a eleição
Vejamos os três nomes. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conta com a fama de pessoa calma e tranquila, mas já teve sua chance em 2006 e, talvez porque partiu para a agressão verbal ao então presidente Lula, conseguiu perder votos no segundo turno em relação ao primeiro, feito raro e que reduz sua cotação nacional. José Serra, ex-governador paulista, concorreu duas vezes à presidência e perdeu. Restaria o príncipe encantado que, desde a pré-campanha de 2010 aparecia como o nome do futuro, fadado a resgatar a morte do avô, diplomado mas que morreu antes de assumir a presidência, Tancredo Neves. Dizem que Serra lhe teria prometido a candidatura em 2014, qualquer que fosse o resultado do pleito do ano passado. Mas na noite do segundo turno, ao sair o resultado das eleições, Serra se absteve de cumprimentar correligionários que não fossem paulistas. Mais recente, o episódio em que Aécio Neves se recusou a prestar o teste do bafômetro deixa certa preocupação sobre sua maturidade para a Presidência. É provavelmente o melhor articulador dentro do partido, seu nome mais simpático e encantador, provém de um Estado que está há tempos fora do Planalto (até porque Dilma é mais gaúcha do que mineira) - mas deu à sociedade um exemplo negativo, em termos de conduta pessoal.
Este rápido percurso pelos nomes não substitui, porém, o que realmente conta: o projeto que o partido defenderá. Nenhum partido brasileiro, como se sabe, se diz de direita. O DEM, tentando não ser esvaziado por Kassab e sobreviver ao PSDB, outro dia ousou dizer-se "conservador". Mas talvez não tenha como ser um partido liberal, o que, aliás, não se confunde com conservador. O PSDB fará haraquiri se for conservador, e terá dificuldade em ser apenas liberal. Mas é fato que foi indo para a direita. Sua criação já mostrava algo estranho. Os partidos social-democratas, na Europa, nasceram dos sindicatos. Mas aqui não houve amor entre o mundo sindical e o PSDB. Significativo da dificuldade de se dizer "social-democrata" é um artigo na Folha, por sinal brilhante, em que Gustavo Franco definia, no começo do ano, a "social-democracia" em que acreditava: nada sobre o mundo do trabalho, tudo sobre economia, finanças e gestão. Estava mais para um liberalismo consistente do que para a social-democracia. Disso, o resultado é que a social-democracia brasileira acabou sendo o PT no governo.
Lembremos. Quando, no começo de 2002, Roseana Sarney aparecia como a promessa de uma candidatura forte da direita (pelo PFL), não acreditei. Ela não teria um projeto consistente. 
Mesmo sem as denúncias que liquidaram sua candidatura, não creio que se viabilizasse. Uma campanha eleitoral pode surpreender, mas antes de mais nada decanta as exceções, os excessos, as bolhas. O PSDB tem três anos para galvanizar o País. Sorte dele que sua crise se dê agora; imaginem se estivéssemos já em 2014. Qual será seu projeto, é difícil saber. O partido parece se dividir entre um projeto que seria o de Serra, ou melhor, o de Bresser Pereira: desenvolvimento econômico, com projeto nacional e bons resultados sociais; e outro, que retomaria a linha privatizante de FHC, o projeto que o "Economist" queria que Serra adotasse, mas sabia que ele não assumiria. Ora, dos dois projetos, o segundo parece ter completado seu papel, enquanto o primeiro foi e é executado, bem, pelo PT. Que discurso resta, então, ao partido tucano? Retomar a herança do governo Fernando Henrique parece pouco promissor. Concorrer com o PT em seu terreno é perda de tempo. Mas, em suma, o problema da oposição hoje não é o número de deputados, é o que ela quer fazer do Brasil. E, no fundo, deveria ser este o problema, não da oposição, mas de todos nós. Não importa tanto se um partido é grande e viável, ou não. Isso muda. O que importa é que o Brasil se beneficie das melhores propostas.
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras

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Fonte:http://renatojanine.blogspot.com/2011/07/o-psdb-hoje-e-uma-nau-sem-rumo.html

Maior polo de agroecologia do Brasil garante qualidade de vida a produtores

26.07.2011
Do site da Rede Brasil Atual 

Empresa do Paraná promove ligação entre mercado comprador e os 250 agricultores da região que produzem em núcleos familiares voltados à alimentação orgânica com práticas social e ambientalmente justas 

Maior polo de agroecologia do Brasil garante qualidade de vida a produtores Alberto Fritzen garante que a produção agroecológica é a melhor via para a produtor e para a sociedade (Fotos: © Gerardo Lazzari. Rede Brasil Atual) 
 
Capanema (PR) – Capanema tem terras a perder de vista. Do alto de alguma colina, são coloridas as terras. Nem bem são as terras que têm cores: coloridas são as coisas que estão sobre elas. Nem só de verde se cobre uma terra. Pode ser amarelo, vermelho, marrom, pode ser de um bocado de cor aquilo que se planta.

Em Capanema se planta um bocado. A cidade, meio sem querer, meio querendo, transformou-se no principal polo organizado de agroecologia do Brasil. São 250 agricultores que não apenas produzem em núcleos familiares voltados à alimentação orgânica, mas que estão preocupados com uma prática social e ambientalmente justa.

“Sempre trabalhei na lida orgânica. Nunca usei tóxico. Acho que é melhor. Melhor para mim, para a saúde, para o meio ambiente”, afirma Alberto José Fritzen, um produtor que é alegria pura. Com a ajuda de um chapéu de palha e de um trator, este homem de 56 anos, cabelos bagunçados, fundos olhos azuis, joga esterco em suas terras numa tarde quente na qual se preocupa com a produção de mandioca, milho, feijão, arroz, batatinha, cebola, alho e repolho. De cima do trator, sempre com sorriso no rosto, conta que está há 32 anos em Capanema, cidade do extremo-oeste do Paraná a 550 quilômetros da capital Curitiba e a menos de vinte da fronteira com a Argentina.

Fritzen viveu o começo do movimento destes produtores atentos à própria qualidade de vida e à dos seus consumidores. Cansados das intoxicações por agrotóxico, muitos deles empreenderam o caminho de volta à cultura dos pais e dos avós. Até a primeira metade do século XX, a humanidade havia se alimentado algumas dezenas de milhares de anos sem se preocupar com defensivos agrícolas. O desenvolvimento de uma agressiva indústria agroquímica, no entanto, trouxe consigo a promessa de que era possível produzir mais, melhor e com melhores preços graças à aplicação de algumas substâncias.

Em Capanema, alguns nem quiseram ingressar nessa viagem. Outros compraram passagem, mas logo retornaram ao ponto de origem. No fim da década de 1980, era preciso articular uma maneira de escoar a produção orgânica, que naquela época não era tão valorizada quanto hoje em dia. Logo surgiu uma empresa chamada Terra Preservada, que fazia o elo entre produtor e consumidor. Ela desapareceu na década de 1990 e apareceu no começo deste século a Gebana Brasil.

Incentivos e mercado

A ideia da empresa é garantir um mercado consumidor para agricultores preocupados com qualidade de vida. O trabalho começou com a comercialização de soja, que continua como carro-chefe, mas com o tempo foram surgindo mercados para feijão, milho e trigo. O preço é acertado com o produtor no começo da colheita.

César Colussi, da Gebana, é um dos articuladores entre produtores e mercado consumidor
Para garantir que não se volte a um cultivo convencional, com uso de agrotóxicos, os compradores de orgânicos – por aqui e em quase todo o mundo – pagam bônus que tornam mais atrativa a agroecologia. É uma espécie de prêmio por um modo de vida comprometido com a sociedade. Na prática, quem entra neste segmento só pelo dinheiro acaba saindo pouco tempo depois. A labuta do produtor de orgânicos é mais árdua porque, sem poder passar agrotóxicos, resta-lhe a força da enxada na hora de remover ervas daninhas. É preciso fazer um controle rígido porque o mato prejudica o crescimento dos alimentos.

O jeito é encontrar alternativas. Os produtores orgânicos espalhados pelo país tentam trocar informações que possam ajudar uns aos outros. Uma máquina que – literalmente – dá choques na terra foi desenvolvida em São Paulo para tentar dar conta das ervas. Ela está sendo testada em Capanema, mas não é simples garantir que a solução de um local funcione bem em outro. Tampouco é barato encontrar saídas para tornar mais fácil a vida do produtor agroecológico. “Trabalhar com pequeno é complicado. Nem dão bola para ele. Temos de desenvolver nossa própria tecnologia”, afirma César Colussi, sócio-gerente da Gebana.

Enquanto caminha pelos armazéns, ele conta os avanços obtidos nesta última década. Deve ser o único lugar barulhento da pequena Capanema, de 18 mil habitantes, ruas arborizadas e planejadas. As máquinas trabalham a todo o vapor no processamento de soja, que é ensacada e levada para o porto de Paranaguá, de onde é enviada à Europa, o principal mercado consumidor. Hoje, toda a produção é aproveitada, diferentemente do começo, quando os agricultores não tinham muitas condições de separar grãos de menor qualidade. Tudo vira farelo, farinha, lecitina – usada na produção de chocolate orgânico – e até mesmo tofu, do qual são feitos outros 25 produtos. A maior parte da soja colhida em Capanema chega ao Velho Continente sem industrialização, mas os produtores têm obtido avanços também neste sentido. Numa outra sala se processa o trigo, que vira farinha e vai a padarias e restaurantes de algumas cidades brasileiras.

Sem filhos, não dá

Seu Deoclides Peraro, de 61 anos, tem um vizinho imenso, mas silencioso. Seus doze hectares vão dar logo ali, no Rio Iguaçu, o que lhe garante não só uma bela vista, mas água para a lavoura – a dele e a dos vizinhos. Do outro lado já está o Parque Nacional Iguazú, o que significa que está também a Argentina. É uma mata preservada, bonita, que corta toda esta região até Puerto Iguazú, na Tríplice Fronteira com Brasil e Paraguai.

Deoclides Peraro vê a produção orgânica sob risco pela falta de mão de obraA cidade vizinha, a quarenta quilômetros de distância, é Comandante Andrecito. Uma cooperativa argentina também fornece para a Gebana, a exemplo do que ocorre no Paraguai, em dois projetos que ainda estão em fase de crescimento. Do lado de cá, seu Deoclides é só ele e a esposa para plantar até oito hectares de lavoura, sendo cinco hectares de soja. “A mão de obra está ficando cada vez mais difícil. Este ano ainda vou segurar o orgânico, mas o outro ano não sei. A gente não tem ideia fixa de continuar porque também está ficando bem pesado.”

Ele lamenta a possibilidade de ter de passar a produzir com uso de agrotóxico, mas seguramente não é o único. Estimulados pelo atual modelo de desenvolvimento, os filhos dos produtores migram para as cidades, deixando de ajudar na produção de alimentos importantes para a economia, para a saúde e para a cidadania. Restam em Capanema produtores mais velhos, que muitas vezes não têm energia de aguentar um modo de produção mais exigente. O sol de outono, com a gente assim parado, sem fazer nada, judia. O sol de verão, trabalhando na enxada, deve ser algumas vezes mais complicado. Com 40, 50 anos de lida, então, há de se entender o cansaço.

Para que tenham o direito à agricultura ecologicamente correta, os produtores de Capanema precisam de ajuda. “Minha ideia é continuar produzindo. É difícil desistir. Só se a empresa amanhã ou depois fechar as portas. Mas sempre falo que fui dos primeiros a entrar, quero ser o último a sair”, conclui Fritzen. Que o sorriso dele, então, siga aberto.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2011/07/maior-polo-de-agroecologia-do-brasil-garante-qualidade-de-vida-a-produtores

LITERATURA DO VELHO MUNDO

26.07.2011
Por Por Thiago Paiva

Escritor português, chegando a incrível marca de 50 obras literárias, lançadas em países como Portugal, Brasil, Espanha e Chile.Talvez a imagem que esteja criando na sua cabeça seja de um senhor dos cabelos brancos e orgulhosas rugas no rosto, mas, queridos leitores, este grande escritor com uma obra admirável tem apenas 33 anos de idade. Pedro Silva, o escritor português mais brasileiro que existe conversou com a Revista Betim Cultural e ao longo de nossa entrevista, discutimos um pouco sobre o que torna o jovem em um excelente escritor digno de ser apresentado como “recordista cultural’’.
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REVISTA BETIM CULTURAL: Pedro, para que possamos começar. 33 anos, 50 livros publicados, qual segredo? Você sofre de insônia?

PEDRO SILVA: Sinceramente, não acredito que exista algum segredo. Tudo está relacionado com muita força de vontade e a crença de ser possível poder cumprir o meu sonho de criança, isto é, tornar-me escritor na verdadeira acepção da palavra. Mas, de qualquer modo, creio que estou apenas a dar os primeiros passos nesta minha caminhada literária.

Seu gosto pela leitura e escrita começaram quando você era uma criança. Você acredita que ser autor trata-se de uma vocação, um chamado?

No meu caso, desde muito jovem que tinha este sonho de ser, um dia, um escritor com obra publicada. Sem dúvida que a vocação é fundamental. Mas a paixão não pode ser descurada. Quiçá, tudo isto se resuma naquilo que refere, ou seja, “um chamado”.

No início de sua carreira literária, você enfrentou muitas recusas até que tivesse obras publicadas. Por que esse meio é tão exigente? A concorrência e as editoras são leais com quem se arrisca a ingressar nessa carreira?

Tanto no início da minha carreira literária, como ainda atualmente, as recusas são sempre muitas. E, na verdade, temos de reconhecer que as editoras são empresas. Como tal, existem para ter lucro. Portanto, atendendo à enorme oferta de obras, é natural que tenham de fazer uma selecção para defender os seus interesses comerciais. Eu, apesar de ser autor, concordo com as opções editoriais, mesmo quando recusam um trabalho de minha autoria.

Você escreve desde os 10 anos de idade, no inicio não tinha um acesso a internet quanto hoje. Voce acredita que a internet separa as pessoas dos livros? Como você vê a relação livros versus internet?

Não sou entusiasta de uma leitura preferencialmente pelo ecrã de um computador. Posso ser considerado um conservador, no que aos livros diz respeito, mas para mim uma obra deve ser impressa em papel. Mas, atendendo à evolução natural, não é difícil prever que o futuro possuirá fortíssima tendência virtual. E, nessa perspectiva, poder-se-á aproveitar as potencialidades das novas tecnologias para uma integração na própria divulgação da obra. Um livro de História que possa ser complementado com imagens de monumentos ou mesmo vídeos históricos será, sem dúvida, uma mais-valia. Mas, felizmente, acredito piamente que o livro em formato papel nunca irá desaparecer.

Sua carreira literária é marcada por obras de extrema complexidade como, ‘’Os grandes mistérios da Humanidade 2006’’, ‘’As maiores civilizações da historia’’ de 2008 e o profundo “Ku Klux Klan: Pesadelo Branco’’ de 2003. Como o seu cotidiano, e o mundo como um todo influenciam suas obras?

Um ensaísta é, sempre, influenciado pelo mundo exterior. Aliás, como qualquer outro cidadão. Porém, a redação dos livros deve ser totalmente isenta. E é isso que tenho procurado em todos os meus trabalhos. Escrever sobre um tema não significa obviamente qualquer ligação com ele, a não ser o de informar o público. Assim sendo, um investigador que publique uma obra sobre uma qualquer enfermidade, não significa que por ela se sinta atraído ou que pretenda sofrer desse mal. Na verdade, está apenas a cumprir o seu papel de estudioso e o dever de informar. Essa é, também, a função do ensaísta.

A partir de seu primeiro livro ‘’ Ordem do Templo: Em Nome da Fé Cristã’’ lançado no ano 2000, ao longo de sua carreira você publicou outras obras voltadas para religiosidade. Escrever sobre elementos místicos, abstratos e fictícios requer uma determinada sintonia espiritual com alguma força ou é como escrever sobre crônicas do cotidiano?

Por muito que isto possa decepcionar alguns leitores, a grande realidade é que, para um ensaísta, a questão temática é praticamente indiferente. A minha fé não influenciou qualquer dos meus títulos. E posso afirmar que sou uma pessoa profundamente crente. Para mim, enquanto profissional, um livro é um objeto de trabalho, para dar ao leitor um texto fluido, interessante, informativo e cativante. Obviamente, que me reservo ao direito de não abordar temáticas que considere ofensivas ou similares, sobretudo porque, para mim, escrever deve ser sinônimo de prazer e não para alimentar ódios ou semear desentendimento.

Quando você dá início a uma obra, você já tem toda historia em mente ou ela acontece sem uma ordem pré estabelecida, na base do “a própria história conduz”?

Depende da obra em questão. No campo dos textos ficcionais, sou mais conduzido pela história. O autor deixa-se enlear no texto. No âmbito das crônicas ou dos roteiros de viagens, existe sempre um componente pessoal, essencialmente no campo da seleção das matérias a abordar. Porém, em termos de ensaio histórico, como já frisei, trata-se de trabalho de investigação estrito.

Você tem inúmeras obras obras lançadas no Brasil, como "História e Mistérios dos Templários" pela Ediouro, 2001, "Grandes Enigmas do Passado (Desvendando o Inexplicável) pela Pulso Editorial, de 2008. Existe uma diferença na aceitação das obras pelos leitores de Brasil e Portugal?

Até ao presente momento, não notei qualquer diferença substancial em termos de aceitação pelo público brasileiro e português. Sinto-me até tentado a acreditar que muitos leitores brasileiros acreditam que eu sou um autor brasileiro (até porque o nome “Pedro Silva”, conforme fiquei a saber com o passar do tempo, é bastante comum no Brasil). Para mim é uma enorme honra sentir que, independentemente desse fato, os leitores brasileiros me acolheram de uma forma tão fraternal, fazendo jus à expressão de sermos países-irmãos.

Em sua obra "Os mais belos lugares para se conhecer (antes que eles acabem)" da Universo dos Livros, Publicado aqui no Brasil em 2008, seu foco era divulgar lugares interessantes a cunho turístico ou alertar sobre a importância da preservação do meio em que vivemos? 

O propósito inicial dessa obra era a divulgação histórica e turística dos locais ali retratados. No entanto, existe em mim uma ligação muito próxima com os monumentos sobre os quais escrevo – sobretudo quando tenho a possibilidade de os visitar com o tempo suficiente para uma percepção ampla do espaço físico em conjugação com a história ali patente. Muito me entristece quando sinto que determinado local não obtém o destaque que merece. Contra isso labuto, imenso, na maioria dos meus estudos ensaísticos.

Uma obra tão grande em apenas 33 anos de vida. Quais os planos de Pedro Silva para os próximos anos? Qual sua mensagem para leitores brasileiros?

Não querendo repetir-me, o fato é que os meus planos têm sido sempre os mesmos – não apenas continuar a escrever (e a publicar) mas, simultaneamente, procurar melhorar, a cada momento, a minha escrita, de modo a proporcionar ao leitor melhor qualidade em termos de texto final. Espero ter a oportunidade de efetuar uma série de projetos que tenho em mente, assim como visualizar a publicação de alguns títulos já contratados e previstos para lançamento durante o presente ano. A minha mensagem para os leitores brasileiros inicia-se por um forte agradecimento pelo carinho que têm ofertado aos meus livros, desde o primeiro momento, animando-me a prosseguir esta minha atividade. E que espero ainda presenteá-los com mais obras de meu cunho pessoal, até porque, apesar de nem muitos saberem, a grande maioria dos meus títulos publicados foram-no no Brasil.

Por último, não gostaria de terminar a entrevista sem agradecer à Revista Betim Cultural a oportunidade que me proporcionou em poder explanar um pouco sobre a minha atividade literária, assim como dar os meus mais sinceros parabéns pelo excelente contributo que vão dando à cultura brasileira.
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Conheça o trabalho de Pedro Silva no site eupedrosilva.blogs.sapo.pt

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Fonte:http://rbcentrevista.blogspot.com/2011/03/literatura-do-velho-mundo.html

Enquanto não entrega obras viárias para o Recife, PCR promove mais uma mudança no trânsito

26.07.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por Valdecarlos Alves 

Uma nova etapa do Plano de Ações para o Trânsito do Recife será implantada a partir deste sábado (30). Será eliminado mais um giro à esquerda na avenida Norte/Miguel Arraes, desta vez no cruzamento com a rua Gomes Coutinho, no bairro da Tamarineira. Com a intervenção, a via terá mais uma faixa de deslocamento livre para os motoristas no sentido cidade/subúrbio, que antes ficava retida pelos veículos que seguiam em direção à Estrada do Arraial.
 
Com a proibição do giro, os condutores agora terão que seguir em frente e entrar pela direita na avenida Professor José dos Anjos, depois entrar novamente à direita na rua Euclides Gomes, e seguir em frente para atravessar a Avenida Norte/Miguel Arraes. Ainda será instalado um semáforo no cruzamento para possibilitar a rota segura aos condutores. O equipamento vai trabalhar com duas fases em sincronia com o sinal que fica na intersecção das avenidas Norte com Professor José dos Anjos.
 
Além dessas ações na Avenida Norte, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) fará alterações em duas vias afetadas pelo processo de mudança. A Rua Euclides Gomes de Freitas, que hoje é mão dupla, será transformada em sentido único para absorver o maior número de veículos que virão da Avenida Norte. Também será proibido estacionamento em ambos os lados da via para garantir mais espaço para os condutores.
 
A outra mudança implementada será na rua Gomes Coutinho. Haverá proibição de estacionamento no lado esquerdo da via, no sentido Avenida Norte/Estrada do Arraial. A Gomes Coutinho permanece com sentido duplo de circulação e os motoristas que desejarem acessar a avenida Norte terão que, obrigatoriamente, dobrar à direita no corredor.
 
Esta é a segunda mudança na avenida Norte em julho. A primeira intervenção foi a eliminação de giro à esquerda no cruzamento com a Rua da Harmonia, no bairro de Casa Amarela. No local, os condutores estão proibidos de realizar a conversão à esquerda e precisam seguir até o Largo Dom Luiz para fazer o retorno pela praça e acessar o outro sentido da Avenida Norte.  
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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/22842-enquanto-nao-entrega-obras-viarias-para-o-recife-pcr-promove-mais-uma-mudanca-no-transito

Pastor é morto misteriosamente

26.07.2011
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO
Por DIEGO MENDES

Religioso, após presidir culto e receber telefonema, saiu da igreja sem informar destino

Um pastor da Igreja Batista Monte Moriá foi assassinado, anteontem, por um motivo até então misterioso. 

O corpo de Jadilson Cícero de Mesquita, de 52 anos, foi encontrado, ontem, dentro do carro dele, no bairro de Vila Rica, em Jaboatão dos Guararapes. O religioso teria sido visto pelos amigos na noite de anteontem, quando presidiu o culto em Bonança, distrito de Moreno, na Região Metropolitana do Recife. Após receber um telefonema, o homem saiu sem informar seu destino. Preocupada, a mulher do evangélico teria ligado para colegas, por volta das 4h, informando sobre o desaparecimento do esposo. A partir da queixa, membros da congregação passaram a fazer uma busca.


Enquanto parentes e amigos de Jadilson passaram a procurá-lo na manhã de ontem, sua morte trágica já tinha sido percebida pelos moradores da rua Frei Caneca. “As pessoas nos contaram que, por volta das 22h de ontem (anteontem), escutaram um barulho estranho, mas não saíram de suas casas. No entanto, com o amanhecer do dia, o crime foi descoberto”, contou o cabo do 6º Batalhão, Ivanildo Alcântara. O pastor foi agredido com uma faca, perdeu o controle do carro, um Gol preto, e bateu levemente em um barranco.


A única certeza até o momento é que o pastor foi morto. “Encontramos telefones celulares e dinheiro. Nada foi roubado. Ele foi assassinado com três cortes profundos no tórax. Dentro do veículo havia uma faca peixeira, que pode ter sido usada no crime. Vamos levá-la para o laboratório para analisá-la, assim como algumas impressões digitais encontradas no carro”, disse o perito do Instituto de Criminalística (IC), Gilmário Lima. Os policiais também acharam um preservativo lacrado no bolso do pastor.


Sobre a posição do assassino, algumas hipóteses foram levantadas pela perícia. “Alguém entrou no automóvel para matá-lo ou já estava com ele quando resolveu praticar o crime”, disse Gilmário Lima. Essas possibilidades puderam ser levantadas porque foram encontradas manchas de sangue no lado de fora da porta do passageiro. Isso pode indicar que o autor, com as mãos sujas de sangue, abriu o automóvel para sair.


Abalado com a morte do amigo, Josias do Nascimento, 32, não faz ideia do que motivou o assassinato. “Ele era uma boa pessoa. Estava como pastor da nossa igreja há 18 anos”, disse. A vítima morava em Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho. De acordo com o delegado Humberto Ramos, da Força Tarefa Sul do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o fato de não terem levado nenhum pertence da vítima afasta, mas não descarta a possibilidade do latrocínio - roubo seguido de morte. O policial disse também que não pode afirmar se houve uma motivação passional só por causa do preservativo encontrado. O crime vai ser investigado pela Delegacia de Jaboatão. 
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-policia/653503-pastor-e-morto-misteriosamente

O nazista norueguês e os racistas nativos

26.07.2011
Do blog de Altamiro Borges 
Por Altamiro Borges

O neonazista Anders Behring Breivik, que já confessou à polícia ter recebido a ajuda de “outras células” terroristas nos atentados na Noruega, pode virar um herói dos racistas brasileiros. No manifesto publicado na internet poucas horas antes da ação criminosa, o direitista cita o Brasil, fazendo duras críticas à miscigenação racial existente no país.

A miscigenação no Brasil

No texto “Declaração Européia de Independência”, com 1.500 páginas, ele condena a pretensa “revolução marxista” no Brasil, que teria resultado na mistura de povos europeus, africanos e asiáticos. Na sua visão racista, esta mistura seria culpada pelos “altos níveis de corrupção, falta de produtividade e em um conflito eterno entre várias culturas”.

O neonazista também condena a existência de “mulatos e mestiços” no Brasil, afirmando que eles são “subtribos”. Os bárbaros atentados em Oslo e na ilha de Utoeya, que causaram 76 mortes (número oficial), objetivariam evitar esta miscigenação na Noruega. “É evidente que um modelo semelhante na Europa seria devastador”, concluiu o direitista.

A força do preconceito

Apesar de a mídia relativizar a ação criminosa do extremista, tratando-o como um maluco – como insinua a Folha no seu editorial de hoje –, as suas idéias têm força em vários países. Na Noruega, o Partido do Progresso, organização de extrema direita da qual o assassino foi militante, obteve 614 mil votos (23% do total) nas eleições de 2009. Nos EUA, os racistas estão presentes no Tea Party, a extrema-direita do Partido Republicano, que prega o ódio aos imigrantes.

Mesmo no Brasil, Anders Breivik tem os seus adeptos. Há grupos fascistas históricos, como a TFP e a seita Opus Dei, e também setores mais recentes, que ficaram indignados com as políticas distributivas do governo Lula. A campanha presidencial do ano passado confirmou a existência destes segmentos preconceituosos, racistas e homofóbicos.

Serra, a mídia e o ódio

Incentivados pelo discurso direitista do tucano José Serra, eles vieram à tona. Na internet, jovens da chamada classe média pregaram o ódio racial. “Mate um nordestino”, foi uma das mensagens mais difundidas pelas redes sociais. No período da eleição, várias agressões homofóbicas ocorreram na Avenida Paulista e outras partes da capital.

O preconceito também está presente na mídia burguesa. É só lembrar as declarações racistas de Boris Casoy, âncora da TV Bandeirantes, contra os garis; ou as bravatas elitistas do ex-comentarista da RBS, filial da TV Globo, contra o consumo de carros pelos “pobres”. Nos jornalões, nas rádios e TVs, as visões direitistas são totalmente hegemônicas.

"O terrorismo de cada dia"

Como aponta Luciano Martins Costa, no comentário “A mídia e o terrorismo de cada dia”, postado no Observatório da Imprensa, as sandices do direitista norueguês infelizmente “freqüentam o ambiente midiático” no Brasil. “Não são raros os articulistas e até mesmo editorialistas que acreditam em teses de supremacia racial”.

“Na mídia do sul do Brasil proliferam apresentadores de rádio e TV, colunistas e outros jornalistas que costumam debitar as históricas carências nacionais ao que consideram como o ‘peso’ do Nordeste. Mesmo com os altos índices de desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste, registrados nos últimos anos, o mote preconceituoso ainda acompanha, explicitamente ou de maneira velada, comentários sobre corrupção, violência e deficiência educacional”.

Como atento observador da mídia nativa, Luciano se mostra preocupado com o avanço das idéias racistas no país:

“Com a conivência da imprensa – que continua cedendo espaço ao que há de mais conservador por aí – a reiteração de raciocínios tortos contribui para desvalorizar a diversidade cultural e racial e estimular o preconceito... Um ato terrorista como o que atingiu a Noruega sempre produz reações de choque, mas o noticiário e o opiniário do dia a dia dissimulam o fato de que a intolerância amadurece até o ponto da explosão por meio da repetição de conceitos anti-humanitários através da mídia”.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/07/o-nazista-noruegues-e-os-racistas.html

Campanha mundial pede o fim dos paraísos fiscais

26.07.2011
Do site da Revista Carta Maior
Por  Inesc

Mais de 50 organizações em todo o mundo, entre elas, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), responsável pela campanha no Brasil, decidiram se unir para exigir que os líderes do G20 (as vinte maiores economias do mundo) adotem medidas para requerer que as empresas publiquem o lucro verdadeiro que obtêm, principalmente em países em desenvolvimento, e que paguem os impostos devidos, deixando de incorrer na prática da sonegação fiscal. Um dos caminhos da sonegação é justamente o envio do lucro não declarado para paraísos fiscais.


Nesta terça-feira (26) será lançada oficialmente no Brasil a campanha Fim aos Paraísos Fiscais. Mais de 50 organizações em todo o mundo, entre elas, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), responsável pela campanha no Brasil, decidiram se unir para exigir que os líderes do G20 (as vinte maiores economias do mundo) adotem medidas para requerer que as empresas publiquem o lucro verdadeiro que obtêm, principalmente em países em desenvolvimento, e que paguem os impostos devidos, deixando de incorrer na prática da sonegação fiscal. Um dos caminhos da sonegação é justamente o envio do lucro não declarado para paraísos fiscais.

A campanha tem o objetivo de recolher o máximo de assinaturas da sociedade para que sejam entregues na reunião do G20 na França, que ocorrerá em novembro deste ano. Até agora, somente nove mil pessoas assinaram a campanha no mundo inteiro. Agora é a vez do Brasil participar e exigir que o G20 coloque o “sigilo dos paraísos fiscais” na agenda da reunião de novembro. Quem quiser participar da campanha pode entrar no site Fim aos Paraísos Fiscais e enviar sua mensagem. Foi produzido um vídeo especial para a campanha no Brasil. O site do Inesc também disponibiliza uma nota técnica com um estudo sobre o assunto.

Sonegação, offshore e paraísos fiscais
 
Segundo pesquisa do Global Financial Integrity, organização baseada em Washington e uma das integrantes da campanha, existe uma forte relação entre a sonegação fiscal no mundo e os depósitos nos offshore [1] e paraísos fiscais. Nestes últimos, não há nenhuma transparência e troca de informação, enquanto que nos offshore a regulação é baixa ou moderada.

“Nem todo o dinheiro depositado nos paraísos fiscais tem origem ilícita e nem todo o dinheiro sonegado vai para os paraísos fiscais. Justamente por não haver troca de informações entre parte dos países a respeito dos depósitos em contas bancárias não existe um número exato de quanto do dinheiro sonegado no Brasil vai para os paraísos fiscais”, diz Lucídio Bicalho, assessor político do Inesc.

Porém, o fluxo financeiro entre o Brasil e os paraísos fiscais é grande. Segundo dados do Banco Central do Brasil, o investimento brasileiro direto no exterior, considerando capital e empréstimos inter-companhias em 2007, 2008 e 2009 foi de, respectivamente, US$ 190,2 bilhões, US$ 204 bilhões e US$ 214 bilhões. Os paraísos fiscais estão entre os destinos preferenciais dos investimentos brasileiros diretos na forma de participação em capital. Só em 2009, foram enviados US$ 18,3 bilhões para as Ilhas Cayman, US$ 13,3 bilhões para as Ilhas Virgens Britânicas, US$ 10,2 bilhões para as Bahamas e US$ 4,3 bilhões para Luxemburgo.

Com relação aos empréstimos entre companhias que partiram do Brasil, as Ilhas Cayman aparecem no topo entre os destinos. De 2007 a 2009, as Ilhas Cayman receberam 88% do total desse tipo de investimento (28 vezes o que seguiu para os EUA).

Sonegação fiscal no Brasil
 
Em uma pesquisa realizada em 2009, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário detectou fortes indícios de sonegação fiscal em aproximadamente 26,84% das empresas pesquisadas. O estudo apontou que os tributos sonegados pelas empresas somavam R$ 200 bilhões por ano e, somados os tributos sonegados pelas pessoas físicas, a sonegação fiscal no Brasil atingia 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Comparando, o gasto público com educação no Brasil corresponde a somente 5% do PIB. “Os R$ 200 bilhões de impostos sonegados são 14 vezes maiores do que o valor do orçamento para o programa Bolsa Família em 2011”, cita ainda Lucídio.

NOTA
 
[1] Uma "offshore company" é uma entidade situada no exterior, sujeita a um regime legal diferente, "extraterritorial" em relação ao país de domicílio de seus associados. Mas a expressão é aplicada mais especificamente a sociedades constituídas em "paraísos fiscais", onde gozam de privilégios tributários (impostos reduzidos ou até mesmo isenção de impostos). E isso só se tornou possível quando alguns países adotaram a política da isenção fiscal, para atrair investimentos e capitais estrangeiros. Na América Latina, o Uruguai é um exemplo típico dessa política. (Fonte: Portal Tributário)
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18119