Pesquisar este blog

segunda-feira, 11 de julho de 2011

BLOG DO IRINEU MESSIAS: Respuesta al corresponsal de El País en Brasil

BLOG DO IRINEU MESSIAS: Respuesta al corresponsal de El País en Brasil: "11.07.2011 Do BLOG DA CIDADANIA Por Eduardo Guimarães O jornal O Globo publicou artigo insultuoso ao Brasil de autoria do correspondent..."

Respuesta al corresponsal de El País en Brasil

11.07.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

O jornal O Globo publicou artigo insultuoso ao Brasil de autoria do correspondente do diário espanhol El País Juan Arias. O correspondente pergunta por que o povo brasileiro não inicia um “movimento dos indignados” similar ao que eclodiu em seu país natal e que se alastrou pelo Oriente Médio, defenestrando, por exemplo, o ditador egípcio Hosni Mubarak.
Uma frase desse indivíduo ilustra a dimensão do insulto alegremente acolhido pelo jornal “brasileiro” no artigo em tela: “Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam?
Arias é reincidente, ao menos na visão deste blog. Em janeiro, publicou-se, aqui, uma série de posts decorrentes de ligação telefônica que este blogueiro fez à Espanha para protestar contra a intrusão de um jornalista estrangeiro em questões político-partidárias brasileiras. Arias se mostrou, então, bem ao gosto do Partido da Imprensa Golpista que infesta este país.
Para conhecer os antecedentes de Arias, clique aquiaqui e aqui.
A reincidência do correspondente do PIG espanhol pode ser lida, em português, logo abaixo. Em seguida, reproduzo a nova queixa que enviei ao diário espanhol e ao próprio correspondente. Se, como da vez anterior, ele se dignar a nos responder – ao público deste blog –, a nova resposta também será reproduzida aqui, tal qual a anterior.
—–
Por que os brasileiros não reagem?
Juan Arias, O Globo
11 de julho de 2011
O fato de que em apenas seis meses de governo a presidente Dilma Rousseff tenha tido que afastar dois ministros importantes, herdados do gabinete de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (o da Casa Civil da Presidência, Antonio Palocci – uma espécie de primeiro-ministro – e o dos Transportes, Alfredo Nascimento), ambos caídos sob os escombros da corrupção política, tem feito sociólogos se perguntarem por que neste país, onde a impunidade dos políticos corruptos chegou a criar uma verdadeira cultura de que “todos são ladrões” e que “ninguém vai para a prisão”, não existe o fenômeno, hoje em moda no mundo, do movimento dos indignados.
Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam? Não lhes importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, nos estados ou nos municípios sejam descarados salteadores do erário público?
É o que se perguntam não poucos analistas e blogueiros políticos.
Nem sequer os jovens, trabalhadores ou estudantes, manifestaram até agora a mínima reação ante a corrupção daqueles que os governam.
Curiosamente, a mais irritada diante do saque às arcas do Estado parece ser a presidente Rousseff, que tem mostrado publicamente seu desgosto pelo “descontrole” atual em áreas do seu governo e tirou literalmente – diz-se que a purga ainda não acabou – dois ministros-chave, com o agravante de que eram herdados do seu antecessor, o popular ex-presidente Lula, que teria pedido que os mantivesse no seu governo.
A imprensa brasileira sugere que Rousseff começou – e o preço que terá que pagar será elevado – a se desfazer de uma certa “herança maldita” de hábitos de corrupção que vêm do passado.
E as pessoas das ruas, por que não fazem eco ressuscitando também aqui o movimento dos indignados? Por que não se mobilizam as redes sociais?
O Brasil, que, motivado pela chamada marcha das Diretas Já (uma campanha política levada a cabo durante os anos 1984 e 1985, na qual se reivindicava o direito de eleger o presidente do país pelo voto direto), se lançou nas ruas contra a ditadura militar para pedir eleições, símbolo da democracia, e também o fez para obrigar o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) a deixar a Presidência da República, por causa das acusações de corrupção que pesavam sobre ele, hoje está mudo ante a corrupção.
As únicas causas capazes de levar às ruas até dois milhões de pessoas são a dos homossexuais, a dos seguidores das igrejas evangélicas na celebração a Jesus e a dos que pedem a liberalização da maconha.
Será que os jovens, especialmente, não têm motivos para exigir um Brasil não só mais rico a cada dia ou, pelo menos, menos pobre, mais desenvolvido, com maior força internacional, mas também um Brasil menos corrupto em suas esferas políticas, mais justo, menos desigual, onde um vereador não ganhe até dez vezes mais que um professor e um deputado cem vezes mais, ou onde um cidadão comum depois de 30 anos de trabalho se aposente com 650 reais (300 euros) e um funcionário público com até 30 mil reais (13 mil euros).
O Brasil será em breve a sexta potência econômica do mundo, mas segue atrás na desigualdade social, na defesa dos direitos humanos, onde a mulher ainda não tem o direito de abortar, o desemprego das pessoas de cor é de até 20%, frente a 6% dos brancos, e a polícia é uma das que mais matam no mundo.
Há quem atribua a apatia dos jovens em ser protagonistas de uma renovação ética no país ao fato de que uma propaganda bem articulada os teria convencido de que o Brasil é hoje invejado por meio mundo, e o é em outros aspectos.
E que a retirada da pobreza de 30 milhões de cidadãos lhes teria feito acreditar que tudo vai bem, sem entender que um cidadão de classe média europeia equivale ainda hoje a um brasileiro rico.
Outros atribuem o fato à tese de que os brasileiros são gente pacífica, pouco dada aos protestos, que gostam de viver felizes com o muito ou o pouco que têm e que trabalham para viver em vez de viver para trabalhar.
Tudo isso também é certo, mas não explica que num mundo globalizado – onde hoje se conhece instantaneamente tudo o que ocorre no planeta, começando pelos movimentos de protesto de milhões de jovens que pedem democracia ou a acusam de estar degenerada – os brasileiros não lutem para que o país, além de enriquecer, seja também mais justo, menos corrupto, mais igualitário e menos violento em todos os níveis.
Este Brasil, com o qual os honestos sonham deixar como herança a seus filhos e que – também é certo – é ainda um país onde sua gente não perdeu o gosto de desfrutar o que possui, seria um lugar ainda melhor se surgisse um movimento de indignados capaz de limpá-lo das escórias de corrupção que abraçam hoje todas as esferas do poder.
Juan Arias é correspondente do El Pais no Brasil
—–
Respuesta al corresponsal de El País en Brasil
Estimado D. Juan Arias,
Quién le escribe una vez más es el mismo bloguero brasileño que en enero último le escribió por cuenta de usted haberse involucrado en las cuestiones políticas internas de Brasil, convertiendose en un actor político, aunque no sea este su papel en nuestro país.
Por primer, le confieso que me quedé muy molesto por su artículo poco respetuoso a un pueblo que lo ha acogido y que por cierto le dedica un cariño que los brasileños, a la diferencia de su pueblo, dedican a los extranjeros que nos visitan o mismo que viven entre nosotros.
Pero, luego me puse a pensar y llegué a la conclusión que si mismo los periodistas brasileños de medios como el Globo, que acogió su texto sin respeto, no comprenden su propio pueblo, ¿cómo esperar que un extranjero lo consiga?
Entonces, me voy limitar a explicarle lo que su artículo no logró descubrir, mismo que tenga llegado cerca de la razón que parece que le quita el sueño.
Primero que  el “movimiento de los indignados” que se produce en España o en el Medio Oriente proviene de la mala situación económica y social que ahoga sus pueblos.
En cuanto el pueblo español sufre con el desempleo y con las crecientes perdidas de calidad de vida – lo que pone en duda su afirmación de que un ciudadano de clase media español equivale a un rico en Brasil –, como su artículo bien dice en Brasil sacamos 30 millones de personas de la miseria, la economía crece sin parar,  producimos cada vez más puestos de trabajo formales y mucho más.
En resumen: en cuanto su pueblo solo ve la situación empeorar y por eso sale a las calles para protestar – y, debido al desastre español, eso se comprende –, nosotros vemos este país mejorar año tras año, desde el 2003.
Por cuenta de eso, me suena justo devolverle una pregunta: ¿cómo países mucho más antiguos y que han robado tantas riquezas de las Américas logran empeorar al punto que empeoró España y el resto de los países europeos?
Atentamente,
Eduardo Guimarães

******
Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/07/respuesta-al-corresponsal-de-el-pais-en-brasil/

São Paulo, na contramão do que dizem urbanistas

11.07.2011
Do BLOG DAS CIDADES
Por  Adriana Delorenzo

Durante votação do PL 271/2011, manifestantes protestaram contra desapropriações e a venda de terreno no Itaim-Bibi
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na última semana, projetos de lei do prefeito Gilberto Kassab, que estão na contramão do que dizem os principais urbanistas do Brasil e do mundo. As propostas também são bem diferentes das que outras grandes cidades estão adotando.
Um dos projetos (PL 25/2011) aprova a construção de um túnel de 2,7 quilômetros que ligará a Avenida Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes. Acontece que, para isso, 40 mil pessoas moradoras de 16 favelas, centenas de casas e quatro prédios terão que ser removidas. Algumas famílias já começaram a receber uma bolsa-aluguel de 300 reais para deixar sua habitação. Com o valor, é possível pagar uma residência bem longe do local onde vivem. Somente na periferia, encontra-se uma casa de um ou dois cômodos, com esse preço.
A previsão do custo da obra é de 4 bilhões de reais. No entanto, ao final de 2014, quando ela deverá ser entregue, é bem provável que se tenha gastado mais. Os gastos com a ampliação da Marginal do Tietê já são 75% mais altos do que o previsto. As obras para o prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego ultrapassou 175% do valor previsto inicialmente. Vale lembrar que com 4 bilhões, especialistas dizem que seria possível construir 20 quilômetros de metrô, um terço da linha atual.
No dia da aprovação do túnel na Câmara, com 39 votos favoráveis, dos 55 vereadores, várias pessoas se manifestaram contrárias nas redes sociais, como o Twitter, cobrando mais metrô. Mas o principal descontentamento é dos moradores que serão afetados. Eles tentaram resistir, sua luta pode ser acompanhada no blog Tragédia Social no Jabaquara.
“Essas grandes obras promovem o despejo de milhares de pessoas que já não tinham onde morar e que agora terão ainda menos lugar para ir. Vão acabar tendo que ir para mais longe, para as periferias de maneira ainda mais precária”, disse João Sette Whitaker, professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, em entrevista à Rádio CBN. “Mais uma vez se faz uma obra de muito grande impacto, baseado sempre no automóvel.”
A mobilidade e o trânsito na cidade de São Paulo são grandes problemas. As soluções, no entanto, passam pelo fortalecimento de transporte de massa. A tendência em países considerados desenvolvidos é investir em corredores exclusivos para ônibus, com BRT (do inglês, Bus Rapid Transit), VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e metrô. Os urbanistas Marcio Kogan e Gabriel Kogan estimam que a obra poderá melhorar o trânsito da região por apenas seis meses.
Outro projeto da Prefeitura de São Paulo (PL 271/2011) que foi aprovado na Câmara é a venda de um terreno de 20 mil metros quadrados no Itim-Bibi, onde os preços de apartamentos estão entre os mais altos da cidade. A prefeitura pretende vender a área para o mercado imobiliário, porém no local funcionam duas escolas, uma creche, um pronto-socorro, um teatro e uma unidade da Associação de Pais e Amigos Excepcionais (Apae). O argumento da prefeitura é que o dinheiro da venda será utilizado para a construção de 200 creches. No entanto, a prefeitura não parece estar com falta de verbas para ter que se desfazer de imóveis. 
O caixa municipal nunca esteve tão gordo: são 6,9 bilhões de reais.  “A venda para o setor privado de um quarteirão inteiro no Itaim-Bibi com vários equipamentos públicos, aprovada pela Câmara Municipal, é um exemplo contundente da falta de planejamento urbano dos governos municipais paulistanos que contribuem para acentuar o caos urbano”, dizem os Kogan, em artigo intitulado “Vende-se terreno público”, o qual reproduzo abaixo.
Vende-se terreno público
Enquanto outras cidades se consolidam como lugares democráticos, a capital paulista insiste em políticas públicas absurdas
09 de julho de 2011 | 0h 00
Marcio Kogan e Gabriel Kogan*
Enquanto cidades como Bogotá, Medellín, Paris e até mesmo Rio dão passos importantes para se consolidar como lugares justos e democráticos, São Paulo insiste em políticas públicas absurdas, sem respaldo urbanístico. A venda para o setor privado de um quarteirão inteiro no Itaim-Bibi com vários equipamentos públicos, aprovada pela Câmara Municipal, é um exemplo contundente da falta de planejamento urbano dos governos municipais paulistanos que contribuem para acentuar o caos urbano.
Se, por um lado, é óbvio e demagógico defender a criação de novas creches, a expansão dos serviços públicos não pode ser feita à custa do saqueio das propriedades do Estado, sobretudo em áreas centrais. São Paulo tem enorme demanda de equipamentos em bairros com alta disponibilidade de trabalho. São esses bairros, que já dispõem de boa infraestrutura e acessibilidade, que devem ser adensados não apenas com habitações sociais, mas, sobretudo, com equipamentos públicos.
A venda desses terrenos pela Prefeitura está na contramão do bom senso praticado em todo o mundo. As cidades colombianas implementaram recentemente um maciço sistema de equipamentos públicos em todas as partes da cidade, projetados por meio de pequenos concursos de arquitetura. Essa atuação municipal, com a ajuda de bons arquitetos e urbanistas, promoveu uma verdadeira revolução. Em Paris, por causa da crise econômica, o governo aproveitou a queda no valor da terra para comprar terrenos em áreas centrais. Nesses espaços estão sendo construídos equipamentos e habitação pública.
Por aqui, as administrações não estão nem um pouco preocupadas com a qualidade das cidades. A população pobre é expulsa do centro por uma política higienista e a cidade caminha para total deterioração. Restam novamente apenas os órgãos de patrimônio histórico – usados, diga-se, indevidamente para controlar a especulação imobiliária e a atuação despreparada dos governos – para evitar o desastre que seria a venda do quarteirão no Itaim-Bibi.
Parece que querem extinguir esse quarteirão – com creche, biblioteca, teatro, Emei, UBS, Apae, Escola Estadual, Caps e uma bela área verde, que cumprem impecavelmente suas funções – para não contaminar as tralhas que estão por vir, como o fantástico túnel de 2,3 km, aprovado conjuntamente pela Câmara e que deve resolver o trânsito da região por seis meses. Mais uma obra de visão.
Uma mudança radical nos paradigmas urbanísticos de São Paulo é urgente.
*SÃO ARQUITETOS E URBANISTAS

*****
Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blogdascidades/2011/07/11/sao-paulo-na-contramao-do-que-dizem-urbanistas/

Paulo Sérgio Passos aceita convite para o Ministério dos Transportes

11/07/2011
Política
Da Agência Brasil


Brasília – O Palácio do Planalto divulgou, há pouco, nota confirmando a indicação do ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, para a pasta.


"O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, foi convidado nesta segunda-feira pela presidenta Dilma Rousseff a assumir a titularidade da pasta. O convite foi aceito", diz a nota da Presidência da República.


Paulo Sérgio de Oliveira Passos assume o comando do Ministério dos Transportes pela terceira vez. Nas eleições de 2006 e 2010, Passos ocupou o cargo quando o ex-ministro Alfredo Nascimento concorreu ao Senado e ao governo do Amazonas. Atualmente, era secretário executivo da pasta.


Baiano de Muriti, formado em economia pela Universidade Federal da Bahia, Passos é servidor público desde 1973, quando iniciou carreira no Ministério dos Transportes.


Também passou pelo extinto Ministério do Bem-Estar Social e pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foi secretário adjunto da Secretaria de Orçamento Federal por seis anos.


Casado com a cantora e compositora Rosa Passos, o ministro tem três filhos.


Edição: Nádia Franco//A matéria foi ampliada às 19h58
*****
Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-07-11/paulo-sergio-passos-aceita-convite-para-ministerio-dos-transportes

Licitações só terão empresas sem dívida trabalhista a partir de 2012

11.07.2011
Do site da Revista Carta Maior
Por André Barrocal



Dilma Rousseff sanciona lei que restringe entrada em licitações públicas a empresas sem dívidas trabalhistas. Exigência vale inclusive para obras da Copa do Mundo e da Olimpíada, que seguirão regras específicas. Regularidade será comprovada por meio de um novo documento, a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT), cuja criação foi incluída na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Exigência começa em 180 dias. Entidade patronal fez lobby contra sanção da lei, nascida de projeto apresentado há nove anos no Congresso.

BRASÍLIA – A partir de janeiro do ano que vem, as empresas interessas em participar de licitações públicas terão de provar que estão em dia com pagamentos trabalhistas. Em caso de dívidas, serão impedidas de habilitar-se para fornecer de bens ou serviços ao Estado. A exigiência também valerá para obras da Copa do Mundo e da Olimpíada, que serão contruídas segundo uma lei de licitações específica.

A obrigação de pagamentos trabalhistas regularizados como critério para entrar numa licitação consta de lei publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira (08/07). O texto faz mudanças em duas legislações anteriores. Na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de 1943, e na Lei de Licitações, de 1993. 

A CLT foi modificada para inclusão de um capítulo que cria a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT). Esta certidão só será obtida por pessoas jurídicas ou físicas sem dívidas perante a Justiça do Trabalho. O documento terá validade de seis meses.

Já a Lei de Licitações foi alterada para inserção da exigência de que participantes de licitações estejam em dia com a Justiça do Trabalho. A prova será a certidão negativa. Até agora, a legislação cobrava apenas que as empresas não tivessem débitos com o setor público (recolhimento de impostos, por exemplo). 

A mudança na lei 8.666 atinge os artidos 27 e 29. Ambos serão aplicados no Regime Difederenciado de Contratação (RDC), a lei de licitações especial para obras da Copa e da Olimpíada aprovada recentemente pelo Congresso. 

Dias antes de a presidenta Dilma Rousseff decidir o que faria com o projeto aprovado pelo Congresso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) pressionou para que ela o vetasse. 

A entidade recorreu às micros e pequenas empresas para justificar o ponto de vista. Disse que a nova exigência afetaria sobretudo aquele segmento, em que é mais comum haver disputas trabalhistas. Sem elas numa licitação, o preço pago pelo setor público aumentaria.

Histórico no Congresso
A lei nasceu de projeto apresentado em 2002 por um senador do então PFL, Moreira Mendes (RO), sob o argumento de que, como crédito de natureza trabalhista tem privilêgio em disputas judiciais – costuma-se dar preferência ao pagamento dele em casos de falência, por exemplo -, seria justo que o setor público também levasse em conta este quesito em suas compras. Hoje, Moreira Mendes é deputado federal pelo PPS e comanda a Frente Parlamentar da Agropecuária, conhecida como bancada ruralista.

O projeto foi aprovado no Senado em apenas dois meses, mas ficou quase oito anos na Câmara dos Deputados. 

Levantamentos feitos a cada quatro anos pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostram sempre que a bancada patronal tem mais força e representantes no Congresso do que a sindical.

Na atual legislatura, por exemplo, o Diap diz que 46% dos congressistas pertencem à bancada empresarial e apenas 12%, à sindical.

Diante desta desproporção, aprovação da Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas talvez possa ser entendida a partir do fato de que a lei não foi votada nem no plenário na Câmara, nem no plenário do Senado. Mas apenas em comissões, o que é possível, em alguns casos, segundo as regras internas do Congresso.

*****
Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18040

DO LUTO À LUTA: O LIVRO É UM GRITO

11.07.2011
Do blog FAZENDO MEDIA, 11.05.11
Por Redação

No dia 12 de Maio de 2006, há exatos 5 anos, a vida de muitas de nós começava a mudar radicalmente: tivemos nossos filhos tirados do nosso convívio familiar violentamente por agentes do Estado Brasileiro e por Grupos de Extermínio ligados a ele durante os terríveis Crimes de Maio. O nosso movimento, de Mães, Familiares e Amig@s de vítimas do Estado, surgiria infelizmente a partir deste trágico episódio.
Ao completar 5 anos, é óbvio que não poderíamos deixar de lembrar nossos tão queridos filhos e filhas. Eles têm estado e seguirão Presentes conosco! Ontem, Hoje e Sempre!
Por ocasião do Aniversário dos 5 Anos dos Crimes de Maio, e da união com tantas outras lutas e movimentos contra o mesmo Genocídio, nós estamos vindo aqui convidar vocês para uma série de importantes atividades. Uma semana inteira repleta de Homenagens, Protestos, Lançamento de Livros, Exibição de Vídeo, Lutas e Poesias!
Caso se interessem, vocês podem conferir a PROGRAMAÇÃO COMPLETA DESTA SEMANA DE LUTAS NO BLOG DAS MÃES:
Nessa programação, faremos uma ATIVIDADE ESPECIAL NA QUINTA-FEIRA (12/05), QUANDO SE COMPLETAM EXATOS 5 ANOS. Neste dia LANÇAREMOS O LIVRO “MÃES DE MAIO – DO LUTO À LUTA”.
Na sexta-feira (13/05) nos juntaremos ao 13 de Maio de Luta Contra o Genocídio do Povo Negro.
Compartilhamos abaixo com os leitores do Passa Palavra, em primeira mão, a apresentação deste nosso livro.
Boa leitura, e aguardamos tod@s vocês nas atividades desta semana de luta!
O Livro é um Grito
Ei, Você, Leitor ou Leitora: Tudo Firme?
Seja Bem-Vindo ou Bem-Vinda a este Livro!
Você vai começar a ler a partir de agora um Livro diferente do quê se está habituado a ver por aí, a se comprar, a se ler… Isso quando temos condições e tempo para ler, não é?
Este Livro não é daqueles que late e não morde. Este livro Grita. Este Livro é Não. Nosso currículo é nosso pé, nossa mão, nossa história! Este Livro na verdade é um Grito muito Forte e Sincero, arrancado de lá do fundo da nossa alma, de cada uma de nós: do Luto à Luta!
E por que ele é um Grito de Luto? Por que ele é um Grito de Luta?
Nêgo, Nêga: seria simples explicar, se não fosse Tão Difícil fazer-se entender…
Esse Livro é uma conquista, a muitas duras penas, de um Movimento de Mães Guerreiras: as Mães de Maio da Democracia Brasileira. Uma conquista de Gente Humilde, de Pessoas Trabalhadoras, Anônimas, Guerreiras de um pequeno coletivo que têm em comum duas coisas fundamentais: 1) Nós não somos ricas, não exploramos ninguém, nem ocupamos nenhum cargo de poder; 2) Nós tivemos os nossos filhos ou filhas tirados violentamente do nosso convívio familiar por agentes do Estado Brasileiro e/ou por Grupos de Extermínio ligados a ele, os quais no auge do dito regime democrático decretaram sumariamente a pena de morte de nossos filhos por os considerarem “suspeitos”, descartáveis. Agentes que julgaram, decretaram e executaram a pena capital ali, nas quinas das esquinas. Essas mesmas Bestas que seguem caminhando impunemente pelas esquinas daqui e dali, aqui e agora.
Talvez três coisas em comum: 3) Nós também decidimos que isso não iria passar, nem ficar assim: a partir da nossa Dor, do nosso Encontro e da nossa União – iniciada por três mães da Baixada Santista -, decidimos que Lutaríamos e Lutaremos pela Memória, pela Verdade, pela Justiça e por Liberdade, não apenas de nossos tão amados Filhos e Filhas, mas por toda a Sociedade. Uma sociedade verdadeiramente sitiada, uma ditadura perpetuada que vitimou nossos filhos, cuja Memória e Inspiração são nosso alimento cotidiano para lutar por uma verdadeira e melhor Coletividade: Para Tod@s!
Seria um simples livro, se não fosse uma Batalha Difícil, uma Gritaria todos os dias, Compa Leitor ou Leitora, contar às pessoas que nosso movimento surgiu a partir dos terríveis Crimes de Maio, quando entre os dias 12 e 20 de Maio de 2006, apenas no estado de São Paulo, a polícia e grupos de extermínio ligados ao Estado assassinaram mais pessoas do que ao longo de toda terrível Ditadura Civil-Militar assassinou no Brasil inteiro, durante seus mais de 20 anos de vigência…
Sim, Companheiro: Muita gente ainda não tem a menor idéia que esses dez dias foram um pesadelo real e que, de alguma maneira, segue acontecendo cotidianamente pelas periferias, pelas comunidades pobres e bairros simples do país… A polícia extorquindo, torturando, prendendo e matando… Famílias sendo destruídas por agentes do Estado e do Dinheiro. Todos os dias… Sobretudo contra a população Pobre e Negra.
Ora, quem foi que deu grande importância – se não meia-dúzia de “loucos” e “loucas” como nós, que já vivemos o drama na pele – ao terrível dado de que entre os anos de 1998 a 2008, no Brasil, mais de 500.000 pessoas foram assassinadas – sendo grande parte delas executadas por agentes do Estado Brasileiro? Sim, Nêga: estes são dados oficiais, do “Mapa da Violência no Brasil” divulgado em 2011 pelo insuspeito Ministério da Justiça. Um país que, mesmo diante destes números terríveis de genocídio, segue aceitando como legítima a alegação de policiais assassinos que colocam a rubrica “auto de resistência” ou “resistência seguida de morte” para justificar o quê, na prática, é uma verdadeira “licença para matar” pessoas pobres, pretas e/ou anônimas. Aquelas que eles são pagos para controlar, para aterrorizar, e para descartar quando bem entenderem.
Nunca é demais repetir: apenas entre os dias 12 e 20 de Maio de 2006 foram mais de 500 pessoas assassinadas no estado de São Paulo, na maioria jovens que hoje constam como mortos ou desaparecidos – e bastaria que tivesse sido apenas um! -, dessas Tantas Histórias da onde surgiram as Mães de Maio, Guerreiras Incansáveis que Somos.
A impunidade histórica é tamanha, e a licença para matar é tão escancarada que os Capitães do Mato da atualidade acharam que poderiam matar mais de 500 jovens pobres e negros num curtíssimo espaço de tempo, especialmente nas periferias de São Paulo, em Guarulhos e na Baixada Santista, e que todo mundo iria ficar quieto e aceitar a versão oficial deles, da elite, de que todos os mortos teriam merecido morrer pois eram “suspeitos”, “bandidos”, “do PCC”. Logo o Estado, que é o Crime Organizado em Pessoa, vem taxar os nossos filhos de “suspeitos” ou “bandidos” e, além do mais, decretar sumariamente a “pena de morte”, em flagrante contradição com as suas próprias leis?!
Que moral tem este Estado e seus agentes para falar de quem quer que seja?! Ainda mais de Nós e de nossas Famílias de Trabalhadores?! O quê os seus agentes conheciam da história, das famílias e das trajetórias dos meninos e meninas mortos nas ruas a esmo, simplesmente por serem pobres e pretos, ou por estarem “na hora errada no local errado”?! Qual o critério para se taxar, julgar e se decretar a pena de morte a quem quer que seja?! Até que ponto eles acham que podem chegar tirando seus próprios “cidadãos” de otários, de imbecis – como fazem desde os tempos da colônia e da escravidão?! Será que eles acham que a população comum, o povo pobre, negro, das periferias, a maioria da sociedade, enfim, nunca vai se rebelar frente a tanta violência e mentira?!
Neste caso se enganaram!!! Os Crimes de Maio foram o limite do absurdo! Ultrapassaram todos os limites imagináveis! E muita gente começa a acordar: o maior massacre cometido na história contemporânea do Brasil!
E deste trágico limite, ao menos, felizmente, nasceu o nosso Movimento de Mães, que se encontrou com outra maravilhosa Rede Contra Violência no Rio de Janeiro – já existente antes de nós, de Mulheres e Homens Guerreiros como nós – vítimas nos morros cariocas dos mesmos agentes do Estado Brasileiro -, além de companheiros da Bahia, do Espírito Santo, de Minas, do Pará: todo mundo vivendo a mesma situação, do Luto à Luta contra o Terrorismo do Estado. Da Revolta à Consciência, à Organização!
Hoje, nós Mães de Maio apresentamos o nosso primeiro Livro, o nosso primeiro Grito em páginas impressas, sem intermediação de outras falas e outros pseudo-representantes que nunca sentiram o quê nós sentimos na pele esses anos todos – mas que sempre fazem questão de se apresentar como nossos porta-vozes. Não queremos ninguém falando pela gente: queremos aprender errando, se corrigindo, melhorando, se enfando, ouvindo, gritando, acalmando, indo de novo pra cima, refletindo, compartilhando, se fortalecendo… Com os nossos! Este Livro é o nosso Grito, nosso primeiro Livro-Grito, e até por ser nosso e por ser primeiro, fazemos questão de Tudo – dos acertos, dos erros, dos nossos parceiros, dos poetas e parceiros que convidamos, das ilustrações, do limite de espaço, e de grana, da nossa correria pra fechá-lo, da ausência de bacanas – em meio a novas chacinas na Baixada Santista, as tretas nossas de todos os dias -, da vida louca que nos obrigam a levar…
Eles que nos matam-vivas todos os dias, e fazem questão de não nos escutar. Mas nós insistimos em Gritar! E insistimos em sorrir também! Não vão tirar isso da gente!
Este Livro é um Grito, Mais Um Grito Nosso. E nós também rimos da cara deles, para o seu desespero…
E se eles se fazem de surdos e de rogados… E se muitos dos nossos insistem em não acordar, resignados… E se muitos dos nossos ainda se perdem em muitas picuinhas e competições bestas, mesquinhas, disputando holofotes e espaços… Nós depois que passamos a nos organizar e a lutar, pouco a pouco, passo a passo, somos e seremos cada vez mais gritantes, incansáveis. “Coração em chamas e os punhos cerrados!”
E o Tempo é Rei, Nêga: dessa Luta acreditamos que pode nascer Outro Dia, outro tipo de sociedade aonde falaremos, aonde escutaremos, aonde seremos realmente escutadas. Aonde pensaremos e construiremos as coisas juntas, principalmente o Amor. E poderemos assim decidir sobre as nossas Vidas, Vivas-Vidas, como os nossos Filhos e Filhas, roubados de nós pelo Estado, deveriam ter tido a Liberdade de decidir, de ir ou vir, e de Viver-Feliz. Eles seguem e seguirão conosco! Presentes! Agora e Sempre!
Não: certamente a sociedade em que vivemos e sobrevivemos – sociedade dominada pelo dinheiro, pelas armas, pela polícia e pelas hierarquias de poder – certamente ainda não estava preparada para Ouvir toda nossa Revolta. Não estava preparada para nossa Presença… Sentimos isso no cotidiano de nossas incansáveis Lutas… Surdos-Vivos… Porém, nós não desanimamos…
Por isso Gritamos, muitas vezes. Para ouvir tudo o que Desejamos Falar. Por isso buscamos palavras, entre erros e acertos. Nossas Palavras. Por isso chegamos nesse nosso primeiro Livro.
Do Luto à Luta ao Livro! À Liberdade!
Mães de Maio, Mães de sempre
Uma Boa Leitura para Vocês!
(*) Texto das Mães de Maio, reproduzido do sítioPassaPalavra.
*****
Fonte:http://www.fazendomedia.com/do-luto-a-luta-o-livro-e-um-grito/