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domingo, 10 de julho de 2011

Pedro Eugênio: “Dilma tem uma forma própria de governar”

10.07.2011
Do BLOG DA FOLHA
Por Gilberto Prazeres
Da Folha de Pernambuco
Postado José Accioly

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O pedido de condenação de 36 réus do mensalão, feito pela Procuradoria Geral da República e a indicação de José Dirceu (PT) como chefe do esquema devem ser debatidos pelo PT, segundo o presidente regional do partido, deputado Pedro Eugênio. “Acho que nenhum membro do PT deverá se posicionar antes de uma discussão interna no partido”, defendeu o parlamentar. 

Nesta entrevista, ele ainda afirma que, apesar das denúncias que apontam para a existência de um esquema de cobrança de propina no Ministério dos Transportes, o momento é de se avaliar positivamente os feitos do Governo Dilma Rousseff (PT). “Dilma tem uma forma própria de governar. Ela transmitiu, para o País, firmeza, segurança e tranquilidade”, atesta. Sobre o âmbito local, o dirigente assegura que a sigla levará em conta todos os seus aliados, antes de lançar qualquer candidatura majoritária.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu, quinta-feira, a condenação de 36 réus do mensalão, inclusive, apontando o ex-ministro José Dirceu (PT) como chefe do esquema. Como o senhor recebe essa decisão?

Eu ainda não vi o relatório e não posso opinar sobre isso. Só quando eu ler o documento, poderei falar alguma coisa. E acho que nenhum membro do PT deverá se posicionar antes de uma discussão interna no partido. É uma questão que o PT precisa analisar. Por enquanto, não poderei me adiantar sobre essa decisão do procurador-geral da República. 

Após a saída de Alfredo Nascimento, motivada por denúncias sobre um esquema de cobrança de propina no Ministério dos Transportes, como o senhor avalia o atual momento da gestão Dilma Rousseff?

Acho que nós devemos analisar o Governo Dilma, nesses seus primeiros seis meses, a partir de suas realizações. E, principalmente, a partir do fato de que Dilma tem uma forma própria de governar. Ela transmitiu, para o País, firmeza, segurança e tranquilidade. Nas pesquisas, tem se revelado que a presidente tem apoio popular. Aquela questão que algumas pessoas levantavam, de que ela seria muito dependente do ex-presidente Lula, não se confirma. Ela faz um governo de continuidade, mas trabalha com o seu próprio estilo, que passa para o País o seguinte recado: o Brasil está sob um comando seguro. Isso talvez seja o fato mais importante. Realizações várias sendo feitas. O Minha Casa, Minha Vida 2 foi lançado destravando limitações que existiam, dentre elas da habitação rural. Tem o programa Brasil sem Miséria, que dá mais consistência e faz o programa Bolsa Família integrar mais as pessoas, permitindo que elas possam migrar para a área produtiva.

O deputado disse que a presidente Dilma tem modo próprio de governar. Com o surgimento das denúncias, no sábado, e a demissão do ministro, na quarta-feira seguinte, a petista sinaliza que não haverá tolerência aos suspeitos de corrupção?
É um pensamento que, neste caso, encontra respaldo. Mas isso não pode ser lido como se, em qualquer denúncia, o denunciado será demitido, sem que essa denúncia seja consistente. Há casos e casos. Neste, pelos elementos que, com certeza, a presidente reuniu, ela acabou tomando a decisão pelos afastamentos. Mas nenhum dos afastados está condenado por antecipação. Ela achou por bem não continuar com uma equipe numa área importante como aquela, sendo ela suspeita. Essa questão de agir rápido é uma característica da presidente Dilma.

Leia a entrevista completa aqui.

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Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/22232-pedro-eugenio-dilma-tem-uma-forma-propria-de-governar

Desindustrialização:Brasil vai virar uma fazenda chinesa?

10.07.2011
Do blog ESCREVINHADOR,07.07.11
Por Rodrigo Vianna



A China resolveu reclamar do Brasil. Uma autoridade diplomática do país asiático diz que Lula prometeu reconhecer a China como “economia de mercado”, mas que na prática isso não correu (o que atrapalha o ingreso chinês na OMC – Organização Mundial do Comércio).

A pressão dos chineses talvez seja uma  boa chance para o Brasil rever a maneira de se relacionar com a potência asiática. Até porque descobrimos recentemente – graças aos Wikileaks, divulgados pela agência de notícias“Pública” o que a China pensa do Brasil: depois de prometer  apoiar o pleito brasileiro de ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, os chineses saíram dizendo aos EUA que o Brasil ”não tem ´capacidade e influência´ para ser líder e que as ambições do país excedem seu verdadeiro peso no cenário internacional”. 

A parceria comercial com  a China, é fato, ajudou o Brasil a resistir bem à crise de 2008.  Mas tem uma consequência perversa a médio prazo: desindustrialização!

Meses atrás, escrevi um texto sobre isso: “A fama de Pochmann e o pernil de Delfim”.  Aqui, um pequeno trecho: “o Brasil corre o risco de se perder na fórmula fácil da “fa-ma”. Não se trata do Big Brother Brasil. Mas de algo mais sério. A “fa-ma”, diz Marcio Pochmann (presidente do IPEA), é a mistura de fazenda com indústrias maquiladoras (como as existentes no México).O Brasil tem um parque industrial sofisticado – construído a duras penas, desde a era Vargas. Nossa indústria parece ter resistido às ondas de abertura recentes. Mas tudo tem limite.”

O Brasil não consegue concorrer com os chineses. Uma pessoa amiga, que vive de exportar calçados e roupas brasileiras, disse-me essa semana: “estou no limite, não temos mais preço, estamos perdendo mercado; estou pensando em vender o imóvel em que funciona a empresa e aplicar o dinheiro no banco”.
Vamos proteger nosso mercado, ou fechar nossas fábricas?

Se esse é o quadro entre os exportadores, imagine o que não acontece com as indústrias brasileiras. A Azaléia, por exemplo, anuncia que pode fechar a fábrica na Bahia, para reabri-la em Nova Délhi, na Índia, como você pode ler aqui.
É gravíssimo. 

O blogueiro Eduardo Guimarães – que sobrevive da venda de autopeças brasileiras para outros países da América latina – é outro a martelar: o quadro é dramático para a indústria brasileira. Não conseguimos mais competir.

O que podemos fazer? Centralizar o câmbio.

O que é isso? Controlar a entrada e saída de divisas. Economistas liberais têm coceira quando ouvem falar nisso. Mas é a saída.
E o controle teria múltiplas funções. Vejamos.

Os juros altos no Brasil atraem dólares atrás de rendimento fácil. Isso faz o real ficar forte demais frente ao dólar. Resultado: nosso produtos ficam caros, perdem mercado aqui dentro para os chineses, e também não conseguem competir lá fora. Não é à toa que dependemos , cada vez mais, da exportações de produtos primários. E só.

cem anos depois de empreender um esforço gigantesco para se industrializar, o Brasil corre o risco de fazer o caminho inverso: seremos, de novo, uma grande fazenda exportadora de alimentos, ferro e outros produtos primários?

E há outro risco no horizonte. Se houver quebradeira na Europa – hipótese cada vez mais provável - as empresas e fundos que têm dinheiro no Brasil correrão pra tirar tudo daqui e, assim, compensar os prejuízos nas matrizes.

O controle de câmbio pode evitar essa corrida maluca que – no limite - faria a crise européia contaminar também os bancos e a economia brasileira.
Leia outros textos de Força da Grana

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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/brasil-vai-virar-uma-fazenda-chinesa.html

Confira a transformação dos astros de Harry Potter ao longo da década

10.07.2011
Da BBC BRASIL


O último filme da série Harry Potter está chegando aos cinemas neste mês. "Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte Dois" concluirá a saga que começou no cinema em 2001.
Os astros Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint estrelaram todos os filmes nos últimos dez anos. Durante o período, o público viu os atores-mirins se tornarem adultos nas telas.
Nesta quinta-feira, todos os astros de Harry Potter estarão no tapete vermelho pela última vez em Londres para lançar um filme da série.
A BBC mergulhou nos seus arquivos para mostrar as transformações de Radcliffe, Watson e Grint ao longo da última década.

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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110707_harrypotter_transformacao_dg.shtml

A Procura da Felicidade

10.07.2011
Do BLOG DA CIDADANIA, 08.07.11
Por Eduardo Guimarães

Da Declaração da Independência dos Estados Unidos da América:
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade”.
Foi sob o espírito de tão eminente tratado dos direitos dos homens que o diretor italiano Gabriele Muccino dirigiuThe Pursuit of Happyness, em português À Procura da Felicidade.
O ator negro Will Smith estrelou a produção norte-americana de 2006 vivendo Chris Gardner, pessoa real da qual contou uma das histórias mais verdadeiras sobre a realidade que ameaça o homem comum no capitalismo, realidade que este que relata viveu de forma praticamente idêntica no início de sua vida de casado, no início da penúltima década do século passado.
O personagem central da trama é um pai de família que enfrenta dificuldades financeiras vendendo aparelhos médicos que ninguém compra por serem caros. Gardner fica obstinado na luta pela sobrevivência e sustento da família. Contudo, em sua escalada, a mulher o abandona pela situação econômica que proporciona e ele fica com o filho.
Uma curiosidade: o ator-mirim que interpreta o filho de Gardner é filho de Will Smith na vida real.
Mas, como disse, o início da vida de pai de família do personagem do drama estadunidense é praticamente idêntico ao da minha, mas não é igual. Minha mulher, ao contrário da dele, sempre foi uma companheira fiel em todas as horas, sob quaisquer condições.
Gardner consegue vaga de estagiário em uma grande corretora de valores, enfrenta dificuldades imensas, acaba tendo que morar até em estações de metrô, em abrigos públicos, tudo com o filho pequeno que deixava durante o dia em uma creche pública enquanto trabalhava.
Nesse ponto, a situação de meu congênere de luta norte-americano foi melhor do que a minha porque, com minha mulher, vivi situação tal que tivemos que deixar a então única filha com os avós maternos por um ano, aos quais, apesar de serem pessoas de confortável situação financeira à época, jamais pedimos um grão de arroz. Por orgulho.
Moramos em habitações precárias, também. E, mais do que o homem que Smith interpretou, passamos fome, até.
Como Gardner, porém, Cristina e eu vencemos. Sempre juntos. Eu e ela. Tornei-me empresário como ele. Criei três filhos e dei a eles e a ela o que mereciam, que não era luxo e sim conforto necessário para a companheira se dedicar à criação dos filhos.
A história (real) do estadunidense Chris Gardner e a minha, porém, são exceções. Essa não é a realidade da maioria.
Muitos jamais vencem, e não vencem como eu ou meu congênere ianque vencemos, na juventude, porque a maioria não tem, em si, elementos que nos fizeram sobrepujar dificuldades extremadas. Muitos passam a vida sem encontrar a felicidade que a foto abaixo exibe.
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Talvez, ao Brasil, falte o que o senador senador Cristovam Buarque (PDT-DF) protocolou no Senado em meados do ano passado, Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para incluir o “direito à busca da felicidade” na Constituição.
O que o senador pedetista quer é reproduzir em nossa Carta Constitucional o mesmo direito “À vida, à liberdade e à procura da felicidade” que consta da Constituição dos Estados Unidos e que inspirou o título do filme em questão.
Talvez nos falte esse conceito, ao ideário nacional. Não a busca da felicidade financeira, apenas, mas o conceito de que sonhar com aquilo que talvez nunca se alcance plenamente, mas que se deve buscar incessantemente, é, acima de tudo, um direito fundamental do homem.
A partir do próximo domingo, tal qual Chris Gardner arrastarei pelos Andes volume como o “scanner de densidade óssea” que o personagem tentava empurrar a médicos relutantes – uma valise de caixeiro-viajante igual àquelas dos vendedores de medicamentos.
É a minha profissão. Paguei os estudos de três filhos com ela. Como para Gardner, neste momento as coisas estão difíceis para mim com o Brasil tendo a sua moeda tão valorizada. Mas, como meu congênere de Hollywood, sou obcecado pelo direito do homem à felicidade.
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The Pursuit of Hapyness
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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/07/a-procura-da-felicidade/

Ministério do Turismo lança nova edição do guia de bolso Viaje Legal

10/07/2011
Economia
Da Agência Brasil


Brasília - Para ajudar o turista a não ter problemas durante a viajem, o Ministério do Turismo (MTur) lança a segunda edição do guia de bolso Viaje Legal. A cartilha, disponível na página da campanha na internet, traz dicas sobre como planejar e organizar a viagem; aproveitar melhor o destino escolhido e o que fazer em caso de imprevistos, como cancelamento de voos, overbooking [superlotação] em hotéis e violações do direito do consumidor.


Os temas abordados pelo guia foram baseados nas reclamações e denúncias que o ministério recebe e em informações de outros órgãos, como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Infraero e Ministério da Saúde. Outra proposta do guia é deixar mais fácil de entender informações da legislação atual que possam ajudar o turista.


O guia traz recomendações sobre compra de pacotes de viagem, transporte de animais, quebra de contrato de serviços turísticos, ingresso de produtos de origem orgânica no Brasil e cuidados com a documentação exigida para embarque em ônibus e aeronaves. Também auxilia o viajante sobre como proceder diante de situações como extravio de bagagem, contaminação por alimentos e acidentes com animais peçonhentos.


Pela página da campanha Viaje Legal na internet, o viajante também pode acessar o Cadastur, sistema no qual é possível consultar empresas e profissionais do setor regularizados no Ministério do Turismo.


A primeira versão do guia, lançada em janeiro de 2011. Para o MTur, o ideal seria publicar os guias no período que antecede as férias escolares e fazer a distribuição em aeroportos, rodoviárias e centros de atendimento ao turista, mas não há previsão para isso.


Edição: Vinicius Doria
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-07-10/ministerio-do-turismo-lanca-nova-edicao-do-guia-de-bolso-viaje-legal

1932: a revanche oligárquica

10.07.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Augusto Buonicore, no sítio daFundação Maurício Grabois:


"O nosso movimento é do Brasil. Católico, disciplinado e forte, contra a anarquia em que queriam que vivêssemos. Uma luta de Jesus contra Lenine". (Ibrahim Nobre. "Tribuno do Movimento Constitucionalista", em 12 de julho de 1932)

Os antecedentes da revolta

A revolução de 1930 foi um dos acontecimentos mais importantes da nossa história recente. A derrubada das velhas oligarquias, ligadas ao financiamento, produção e exportação do café, e do regime que lhes dava sustentação, criou melhores condições para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro. 



Abriu caminho para a diversificação da economia e o impulsionamento da indústria moderna. Embora esse desenvolvimento mantivesse intacta e estrutura fundiária baseada no latifúndio e não rompesse substancialmente com a dependência externa, apenas recolocando-a sob novos termos.

O novo governo revolucionário, dirigido por Vargas, procurou, desde o início, construir uma base social que lhe permitisse resistir aos setores das oligarquias desalojadas do poder. Implantou-se assim uma política bifronte assentada, de um lado, na concessão de direitos sociais e, de outro, na repressão às organizações operárias autônomas. A política de concessões receberia duras críticas do conjunto das classes proprietárias brasileiras.

O movimento armado de 1930 foi recebido com euforia pelo povo paulista, especialmente pelas classes médias e o proletariado. Uma multidão eufórica depredou as redações dos jornais governistas, como o São Paulo Jornal e o Correio Paulistano. Existia uma forte oposição ao Partido Republicano Paulista no Estado. Esta oposição era encabeçada pelo Partido Democrático (PD), uma dissidência oligárquica, que tinha influência sobre as classes médias e que até então tinha tido seu acesso ao poder interditado pelas fraudes eleitorais típicas da República Velha. O PD apoiou a revolução e chegou a tomar o poder na capital paulista, permanecendo ali por 40 dias.

Mas Vargas e os tenentes revolucionários desconfiavam das elites políticas paulistas, inclusive do PD. Por isso, para a interventoria foi indicado o tenente João Alberto, que não era paulista. O novo interventor, sob forte oposição dos grupos oligárquicos, buscou apoio junto ao proletariado paulista, agravando a desconfiança dos setores conservadores. Num ato inusitado, chegou a autorizar o funcionamento do Partido Comunista do Brasil. Embora as três pessoas autorizadas não fossem mais militantes do referido partido por haverem composto uma dissidência de caráter trotskista. O objetivo dos tenentes não era, como acusavam seus críticos conservadores, incentivar a luta de classes. Pelo contrário, eles pretendiam, sim, através de medidas sociais e de melhorias salariais, "conciliar patrões e operários, harmonizando-os para uma obra de paz e prosperidade nacional".

Excluído do poder, em abril de 1931, o Partido Democrático (PD) rompeu com o governo e lançou a denúncia de que São Paulo era um território militarmente ocupado e exigiu a indicação de interventor civil e paulista (e preferencialmente do PD). A resposta governista foi o fechamento da sede do Partido, do Diário Nacional e a prisão do chefe da polícia ligado ao PD, Vicente Rao. No final do mês, os "democráticos" tentaram organizar um levante armado que foi desmantelado. Mais de 200 revoltosos foram presos. A situação se agravou. A chefia da Força Pública foi assumida pelo tenente Miguel Costa - ex-comandante da Coluna e chefe da Legião Revolucionária de São Paulo - e a da II Região Militar, pelo General Góes Monteiro.

Tentando evitar novos confrontos, Vargas cedeu à pressão e substituiu Miguel Costa por Plínio Barreto, com aval dos "democráticos". Os tenentes se agitaram, pois o indicado havia caluniado a revolta de 1922, acusando os revoltosos de "bandidos". O tenente Miguel Costa organizou então um levante na Força Pública que impediu a posse do novo interventor. Vargas indicou um outro interventor paulista e civil, Lauro Camargo. Este, como os anteriores, ficou pouco tempo no cargo. Renunciou em poucos meses devido a desavenças com os tenentes. Em seu lugar assumiu um aliado dos tenentes, o comandante da II Região Militar, general Manuel Rabelo.

Dia 25 de janeiro de 1932 realizou-se um grande comício na Praça de Sé no qual foi lançada a palavra de ordem "Luta pela Constituinte". Um novo comício monstro realizou-se em 24 de fevereiro. As oligarquias iniciaram um processo de unificação em nível nacional. Em São Paulo o Partido Republicano e o Democrático, inimigos históricos, se unificaram na "Frente Única Paulista". Em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul formaram-se frentes únicas contra o governo federal. As bandeiras que os unificavam foram a volta do federalismo e a necessidade de se convocar uma Assembléia Nacional Constituinte.

No dia 23 de fevereiro de 1932, visando tirar a bandeira de "constitucionalização" das mãos das oposições oligárquicas, Vargas promulgou o novo código eleitoral, estabelecendo o voto feminino e secreto, e anunciou a convocação de uma Assembléia Constituinte. Em 13 de maio nomeou uma comissão de "notáveis" para elaborar um anteprojeto de Constituição e marcou a eleição para 3 de maio de 1933. Foi decretado também o fim da censura à imprensa.

Em 2 de março o presidente já havia feito uma outra concessão importante e nomeado um interventor civil, paulista e ligado aos grupos políticos regionais, Pedro de Toledo. Pensou, assim, deter a maré contra-revolucionária, mas cada concessão presidencial aumentava ainda mais a ousadia de seus adversários. A Frente Única exigia agora a renúncia do governo Vargas e a volta do antigo regime.

O movimento operário e o levante constitucionalista

Apesar da sua ausência na história oficial o movimento operário teve um importante papel na configuração do conflito que opôs as elites de São Paulo e o governo central. Entre janeiro e maio de 1932 a cidade de São Paulo foi atingida por uma onda grevista não vista desde 1917. O movimento de contestação operária atingiu seu clímax em maio. No dia 2 paralisaram os ferroviários, seguiu-se a greve dos sapateiros, vidreiros. No dia 11, a greve atingiu as indústrias têxteis, e depois se estendeu para os padeiros, empregados de hotéis e da indústria de fumo, além de inúmeras outras fábricas isoladas. 

Mais de 100 mil operários paralisaram suas atividades naqueles dias. O conflito durou mais de um mês.


Visando neutralizar esse movimento, e a crescente influência anarquista e comunista, o governo federal sancionou várias leis trabalhistas. Em 4 de maio instituiu a lei das oito horas para a indústria; no dia 12, criou as Comissões Mistas de Conciliação; no dia 17, regulamentou o trabalho de mulheres na indústria e no comércio. Os empresários de São Paulo consideraram estas medidas como concessões inaceitáveis aos grevistas e exigiram a sua revogação.

A Fiesp solicitou que se "sustasse provisoriamente em São Paulo a execução das leis sociais desse Ministério [do Trabalho] (...). Modificações dessa ordem podem ser feitas com sucesso em quadras normais, mas apresentam perigos cuja extensão V. Exa. poderá imaginar em quadras como a atual, de inquietações e desconfianças. Acedendo ao nosso pedido, haverá V. Exa. contribuído fortemente para a debelação da crise política e social". Em resposta afirmou o ministro: "Assegurando-se esses direitos desaparecerá o mal-estar reinante". Não conseguindo os seus objetivos os industriais paulistas passaram a reforçar a frente oposicionista oligárquica.

O discurso anticomunista foi marca da oposição liberal paulista. Ela procurou sempre vincular o novo regime, instaurado no pós-30, com o crescimento do movimento operário e comunista. No inicio do conflito armado, o presidente do Instituto do Café afirmou: "Lavradores! Os desmandos da ditadura (...) são as melhores armas de que se servem os aventureiros internacionais, desejosos de implantar na terra acolhedora de Santa Cruz os horrores do comunismo". (Diário Nacional, 12/7/1932) O arcebispo de São Paulo, D. Duarte Leopoldo e Silva, não ficou atrás, afirmando: "A erva daninha do comunismo, trouxe-a para São Paulo a mochila de certos próceres de 1930".

A própria greve se de um lado aguçou o espírito oposicionista das oligarquias, por outro, retardou os preparativos bélicos, como podemos notar nesta carta do líder democrático paulista, J. A Marrey, a Francisco Morato: "Devemos evitar a luta armada por todos os meios, sobretudo agora que se encontram em greve dezenas de milhares de operários. Pressinto a queda de nosso Partido. (...) ele deverá saber mover-se habilmente dentro da situação".

No auge da greve, em 14 de maio de 1932, o jornal O Estado de S. Paulo, que havia sido oposição ao Partido Republicano Paulista, estampou em suas páginas: "O Brasil só se salvará se houver união entre seus filhos, entre os vencedores e vencidos da Revolução que ainda não se transviaram para a loucura bolchevique. Pouco importa, ao menos para nós, que, passada a tormenta e salvo o Brasil, o poder vá para as mãos dos políticos de antanho. O que cumpre, do mais humilde cidadão ao chefe do Governo, é salvar o Brasil da anarquia". A volta ao passado era melhor do que a insegurança criada pelo avanço da luta social.

A revolução constitucionalista

Nos dias 22 e 23 de maio uma multidão, insuflada pela imprensa e por políticos paulistas, depredou a sede do Partido Popular Progressista e o jornal A Razão, ligados aos tenentes. Em seguida um grupo de estudantes tentou depredar a sede da Legião Revolucionária de Miguel Costa. No conflito morreram quatro manifestantes: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo. Com as iniciais dos quatro nomes (MMDC) formou-se um movimento radical anti-Vargas, defensor da luta armada contra o novo regime.

Em 23 de maio, aproveitando-se da comoção popular a Frente Única Paulista deu um golpe e assumiu o poder no Estado, mantendo Pedro de Toledo no governo. Todo secretariado passou a ser composto pelos grupos oposicionistas. As oligarquias haviam retomado o poder em São Paulo. Vargas novamente recuou e não tomou nenhuma providência pensando assim reduzir a crise e evitar o conflito armado. De nada adiantou.

Após a tomada do poder pela Frente Única paulista, aumentou a repressão ao movimento grevista em curso. No mesmo dia a polícia invadiu o Sindicato dos Padeiros e prendeu duzentos grevistas. A assembléia do Comitê de Greve foi invadida e a maioria dos seus dirigentes presa. Entre eles estavam Leôncio Basbaum, Roberto Morena, Grazini e Caetano Machado, todos dirigentes do PCB; e Righetti, líder dos trabalhadores gráficos ligado aos tenentes. A greve de maio seria esmagada pela repressão. A repressão que se seguiria enfraqueceu bastante o PCB no Estado.

O Diário Nacional, ligado aos "democráticos" regozijou-se do papel repressivo do novo governo paulista. Afirmou o jornal: "São Paulo inteiro não ignora que foi à sombra da Ditadura que as doutrinas extremistas encontraram campo de expansão (...). Em 23 de maio, depois que o povo paulista conquistou na praça pública (...) o seu próprio governo, essa situação modificou-se. Uma das principais providências tomadas (...) foi a organização de turma especializada para a repressão ao bolchevismo (...). Iniciou-se dali a campanha contra os estipendiados de Moscou. Que a colheita foi boa, prova-o a relação que abaixo publicamos, das prisões desde os últimos dias de maio" (em 14/9/1932).

As elites paulistas buscaram então forjar uma aliança político-militar com os dirigentes de Minas e Rio Grande do Sul com o objetivo de derrubar o governo. Formou-se um comando militar paulista da revolta tendo à frente os generais Isidoro Dias Lopes, Bertoldo Klinger e Euclides de Figueiredo.

No dia 9 de julho, confiantes na vitória, os generais paulistas iniciaram o movimento armado. No entanto, o interventor gaúcho recuou de sua posição e deu o seu apoio ao governo. Diante de um convite dos revoltosos os comandantes da Força Pública mineira afirmaram: "A vossa palavra tocou-nos profundamente o coração", mas "o que nós queremos acima de tudo é a ordem". Minas escolheu o caminho da negociação e abandonou seus aliados paulistas. As oligarquias de São Paulo ficaram isoladas num combate contra o poder central.

No início os paulistas acreditavam que o movimento seria "uma simples parada militar, mera marcha triunfal até o Rio de Janeiro". Miguel Costa e seus aliados foram presos e iniciou-se uma dura repressão contra todos os grupos partidários de Vargas e de esquerda, como comunistas e anarquistas. Mais de 1400 pessoas são presas durante o movimento.

O afastamento das classes populares, especialmente da classe operária, foi visível. No manifesto de apoio, lançado no dia seguinte do levante, das 28 entidades que assinaram apenas 4 eram de trabalhadores. Os grandes sindicatos operários não foram solidários com o levante de 1932, o instinto de classe lhes dizia que aquele movimento era contra os seus interesses. O esmagamento da greve geral de maio havia sido um bom exemplo disso.

A derrota militar das oligarquias

A luta durou três meses e foi bastante desfavorável aos paulistas, inferiorizados em armamento e em efetivos militares. As sucessivas derrotas e frustrações levaram a que ocorressem deserções nas tropas paulistas. Na retaguarda cresceu o descontentamento das classes populares submetidas a todo tipo de privações e bombardeios governistas, ocorrendo casos de saques. Em 2 de outubro o comandante da Força Pública de São Paulo, sem autorização dos demais comandantes, assinou o armistício e destituiu Pedro de Toledo. Justificando a rendição o seu comandante, Coronel Herculano de Carvalho, afirmou: "Aquilo já não era humano, já não era desprendimento; raiava à loucura. Um crime continuar a luta daquele modo". Fracassava assim a tentativa das oligarquias paulistas de reconquistar o poder político no Estado nacional brasileiro.

Vários combatentes de 1932 deram-se conta de que haviam sido utilizados pelas oligarquias. Um ano após o fim do conflito um Manifesto de ex-combatentes denunciava "os privilégios e regalias que galardoavam desigualmente os filhos da fortuna, guerreiros brancos da retaguarda, vistosos e luzidios, ostentando galões e proclamando bravuras imaginárias" e, concluía: "Nós somos aqueles que hoje estão convictos do embuste e da mistificação a que foram atirados pelo manobradores da política profissional, promotores de revoluções com o intuito de reconquista do poder perdido".

Apesar da desorganização do Partido Comunista e das entidades sindicais, existia ainda um medo insano da insurreição comunista em São Paulo. Uma das justificativas da rendição foi a de que "a ordem pública em São Paulo estava seriamente ameaçada por um grande surto comunista". Por sua vez, o general vitorioso, Góis Monteiro, afirmou: "Ordenei ao General Daltro Filho entrar, à frente de suas forças, na capital paulista, a fim de garantir a ordem pois havia ali muita confusão e grande desapontamento, além de levantes de caráter comunista". Naqueles dias tumultuados, o fantasma do comunismo parece que atormentava vencidos e vencedores e contra ele não tardaram a se unificar em 1935 e em 1937.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/07/1932-revanche-oligarquica.html

Olho biônico promete dar zoom e até gravar em HD

10.07.2011
Do site TECMUNDO, 08.07.11
Por Fernando Daquino


Projeto de globo ocular com câmera é liderado por norte-americana, que perdeu a visão em um acidente e agora procura ajuda de engenheiros para voltar a enxergar.





Tanya Marie Vlach, artista de San Francisco (EUA) que perdeu o olho esquerdo em um acidente ocasionado pelo furacão Katrina, buscou na tecnologia uma solução para sua trágica mutilação. Após sua recuperação, a moça usou a internet para encontrar novos desenvolvimentos tecnológicos que poderiam ajudá-la a recuperar a visão.
Por meio do seu blog, que ela intitula One-Eyed, a jovem norte-americana conseguiu contatar engenheiros que se engajaram no seu dilema. Assim, Vlach está lançando a ideia de criar uma câmera em miniatura que seja inserida no protótipo ocular que ela utiliza. O projeto foi batizado de “Grow A New Eye”, algo como “O crescer de um novo olho” em português.
No site Kickstarter, Vlach listou algumas especificações para o dispositivo:
  • Gravação em alta resolução (720p);
  • Formatos de vídeo MPEG-4 e H.264;
  • Construído com base em um transmissor wireless;
  • Conectividade via porta USB e mini HDMI;
  • Zoom ótico de 3 vezes;
  • Saída mini A/V;
  • Indutores como fonte de alimentação.
Entre os desejos da jovem para a tecnologia estão: dispositivo de geolocalização, sensores que respondam às piscadas para tirar fotos ou ligar e desligar a câmera, reconhecimento facial, dilatação da pupila conforme variação da luz externa e resistência à água.

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Fonte:http://www.tecmundo.com.br/11415-olho-bionico-promete-dar-zoom-e-ate-gravar-em-hd.htm#ixzz1RieQhd7v

Olho biônico promete dar zoom e até gravar em HD

10.07.2011
Do site TECMUNDO, 08.07.11
Por Fernando Daquino


Projeto de globo ocular com câmera é liderado por norte-americana, que perdeu a visão em um acidente e agora procura ajuda de engenheiros para voltar a enxergar.







Tanya Marie Vlach, artista de San Francisco (EUA) que perdeu o olho esquerdo em um acidente ocasionado pelo furacão Katrina, buscou na tecnologia uma solução para sua trágica mutilação. Após sua recuperação, a moça usou a internet para encontrar novos desenvolvimentos tecnológicos que poderiam ajudá-la a recuperar a visão.


Por meio do seu blog, que ela intitula One-Eyed, a jovem norte-americana conseguiu contatar engenheiros que se engajaram no seu dilema. Assim, Vlach está lançando a ideia de criar uma câmera em miniatura que seja inserida no protótipo ocular que ela utiliza. O projeto foi batizado de “Grow A New Eye”, algo como “O crescer de um novo olho” em português.


No site Kickstarter, Vlach listou algumas especificações para o dispositivo:
  • Gravação em alta resolução (720p);
  • Formatos de vídeo MPEG-4 e H.264;
  • Construído com base em um transmissor wireless;
  • Conectividade via porta USB e mini HDMI;
  • Zoom ótico de 3 vezes;
  • Saída mini A/V;

  • Indutores como fonte de alimentação.


Entre os desejos da jovem para a tecnologia estão: dispositivo de geolocalização, sensores que respondam às piscadas para tirar fotos ou ligar e desligar a câmera, reconhecimento facial, dilatação da pupila conforme variação da luz externa e resistência à água.
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Fonte:http://www.tecmundo.com.br/11415-olho-bionico-promete-dar-zoom-e-ate-gravar-em-hd.htm#ixzz1RieQhd7v

O que significa assédio moral no trabalho?

10.07.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Pascoal Carneiro, da CTB


É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras causadas pelos seus chefes superiores, como humilhações, constrangimentos, a esforços repetitivos, prolongada jornada de trabalho no exercício de suas atividades laborais, atitudes autoritárias e totalitárias em que predominam condutas negativas, relações desumanas, de um ou mais chefes dirigida aos seus subordinados, desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e pela degradação deliberada das condições de trabalho, forçando a desistir do emprego (pedir demissão).


Uma prática comum e constante no ambiente do trabalho é o isolamento. O trabalhador ou trabalhadora é isolado do grupo sem explicações, passando a ser hostilizado, ridicularizado, inferiorizado e desacreditado diante do coletivo, fazendo com que a pessoa vá gradativamente se desestabilizando e fragilizando perdendo sua auto-estima.


Existem muitos transtornos à saúde dos trabalhadores e trabalhadoras decorrentes do assédio moral. Entre Janeiro de 2005 e Janeiro de 2011, a Médica do Trabalho Margarida Barreto coordenou uma pesquisa e comprovou que trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada são os que mais sofrem assédio moral nos locais de trabalho: 40% do universo pesquisado de servidores públicos. Contratados através da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) correspondem a 34%; estagiários e pessoas sem experiência, 4,5%; contratados por tempo de serviço, 3,5%; temporários, 1%; e outros, 17%.


Na maioria dos casos, os mais assediados são aqueles com vínculo formal (estatutário ou CLT). A pressão é maior tendo em vista que eles representam custos para a empresa. E, hoje em dia, o que os empresários querem é menos custos e mais produtividade, segundo a médica.


A pesquisa aponta que 68% dos casos de assédio ocorrem em grandes empresas privadas, de caráter nacional ou multinacional. O homem é o que mais pratica o assédio moral em relação aos seus subordinados (46,5%), enquanto que as mulheres, na posição de chefia, chegam a 31%. Os entrevistados também responderam que o assédio é contínuo, ou seja, ele acontece várias vezes por semana (68,3%). Apenas 19,5% disseram que a prática é realizada uma vez na semana e 12,2%, uma vez ao mês.


Outro indicador no estudo aponta que 14% dos entrevistados já foram vítimas de assédio sexual. Segundo Margarida, é comum nos casos de assédio sexual o uso de palavras obscenas e degradantes em 65% dos casos.Para Margarida, o ressaltando deixa claro que a família continua sendo o espaço de confiança para o trabalhador e para a trabalhadora que divide com os parentes os problemas enfrentados no trabalho.


A prática do assédio moral pode levar a morte. O trabalhador ou trabalhadora humilhada sofre serias conseqüências, como interferência nos sentimentos e emoções, alterações de comportamento, agravamento de doenças pré-existentes ou desencadeamento de novas doenças, ansiedade, angústia, transtornos que vão desde a tristeza à depressão e a até a síndrome do pânico ou mesmo prática de suicídio.


Todo trabalhador e toda trabalhadora que estiver sofrendo assédio deve procurar ajuda primeiro no seu sindicato, nos centros de referência em saúde do trabalhador ou no Ministério Público.


Estamos vivendo em uma economia globalizada, um capitalismo em crise. Uma de suas características é a competição desenfreada para não ficar para trás. Essa é a realidade não apenas do setor empresarial, mas também do setor público. Quando o chefe ou mesmo o colega de trabalho começa a agir de modo a humilhar e rebaixar o outro, devemos ficar atento para não cair numa cilada emocional: o trabalhador ou trabalhadora que testemunhar cenas de humilhação no trabalho deve superar o medo, ser solidário com o colega, denunciar o agressor mesmo porque ele poderá ser "a próxima vítima". Os chefes contam sempre com o silêncio e o medo, porque o medo reforça o poder do agressor.


A luta para recuperar a auto-estima, a dignidade, a identidade e o respeito no trabalho passa necessariamente por formas coletivas de atuação, como sindicatos, CIPAs, organizações por local de trabalho (OLT), Comissão de Direitos Humanos e dos Núcleos de Promoção de Igualdade e Oportunidades e de Combate a Discriminação no local de trabalho, existentes hoje nas centrais sindicais, nos sindicatos e nas Superintendências Regionais do Trabalho.


Hoje, muitos sindicatos em suas campanhas salariais estão colocando nas reivindicações as cláusulas que ajudam a combater essa prática tão prejudicial à classe. Aqui seguem algumas dessas reivindicações:


1. Na hipótese de o trabalhador ou testemunha do assédio moral ser demitido, será anulada a demissão.


2. O agressor deverá retratar-se por escrito, retirando as queixas contra os trabalhadores e trabalhadoras.


3. No caso de reincidência de práticas ofensivas e violência moral, o empregador deverá ser responsabilizado solidariamente.


4. O custeio do tratamento dos funcionários ou funcionarias que adoeceram ou foram vítimas de acidente em função de assédio moral, até obtenção da alta, será responsabilidade da empresa.


5. Ficará assegurada a indenização da vítima por danos a sua dignidade, integridade e agravos à saúde física/mental, independente de querer continuar ou não na empresa.


6. Considerar o conjunto de agravos à saúde em conseqüência do assédio moral como doença do trabalho, exigindo da empresa a notificação/comunicação do acidente de trabalho-CAT e posterior reconhecimento do INSS. Essa ação deverá ser precedida de laudo de psicólogo ou médico, em que reconheçam os danos psíquicos e agravos à saúde como oriundos das condições e relações de trabalho.


7. Cabe à empresa, custear e implementar programa de prevenção, proteção, informação, segurança contra as práticas de assédio moral.


8. Compor equipe multidisciplinar de representantes da empresa, CIPA, Médico do Trabalho, Psicólogo, Sociólogo, Assistente Social, Advogado Trabalhista, representante do sindicato e acompanhamento do Ministério do Trabalho - SRT. Responsáveis por programa de intervenção que terão como objetivo: avaliar os fatores psicossociais, identificar e determinar os problemas; admitir a existência dos problemas; definir a violência moral; informar e sensibilizar o conjunto dos funcionários acerca dos danos e agravos a saúde em conseqüência do assédio moral, informando o empregador dos custos para a empresa; elaborar política de relações humana e ética em atos; difundir os resultados das práticas preventivas para o conjunto dos trabalhadores.


9. Cabe à equipe multidisciplinar elaborar código de ética que vise coibir toda manifestação de discriminação (etnia/racial, sexual, idade, gênero) e de práticas nocivas a saúde física/mental e a segurança dos trabalhadores, em particular, o assédio moral e o assédio sexual. Deverá a empresa encaminhar cópia protocolada do código para o sindicato da categoria, o Ministério Público e o Ministério do Trabalho.


10. Todos trabalhadores deverão conhecer o conteúdo do código de ética assim como possuir uma cópia do mesmo, não sendo aceito como ’conhecimento’ do mesmo, assinatura de "termo de responsabilidade".
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/07/o-que-significa-assedio-moral-no.html

Com maior orçamento da história, prefeitura portenha subutiliza recursos em moradia e educação

10.07.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por  Luciana Taddeo | Buenos Aires



Apesar de 2010 ter sido o ano em que a capital argentina contou com o maior valor orçamentário de sua história, uma das heranças da gestão do atual prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, foi a subutilização de orçamentos de setores como programas habitacionais e investimentos na educação e na saúde pública.

Em dezembro do ano passado, espaços públicos da cidade foram ocupados por famílias sem-teto e a prefeitura alegou falta de orçamento para solucionar o problema de moradia. Também atribuiu a ocupação a uma “lei permissiva de imigração descontrolada” que resulta em “uma lógica perversa que promove que mais gente venha de países limítrofes para usurpar terrenos”.

Relatórios da ASAP (Associação Argentina de Orçamento e Administração), e do Observatório de Direitos Humanos da cidade, que foram analisados em mão pela reportagem deOpera Mundi mostram o contrário. Entre os anos de 2007 a 2010, a utilização da verba destinada a programas de construção de moradia em relação ao orçamento total do setor caiu de 80,7% para 44,6%. No primeiro semestre de 2011, o investimento foi de ínfimos 6,4% do valor sancionado.

Um dos informes, divulgado no último mês pela Ouvidoria da cidade registra que a discriminação da prefeitura na distribuição de recursos "incide de maneira direta na qualidade de vida dos habitantes mais pobres", culminando em conflitos relacionados ao déficit habitacional, como despejos e assentamentos.
Em contrapartida, a administração portenha garante que foi a que mais atuou na cidade nos últimos anos. O diretor do IVC (Instituto de Vivenda), Omar Abboud, afirmou ao portal Política Online que, durante a gestão de Macri, o organismo da prefeitura para projetos habitacionais entregou 1600 moradias.

Para o investigador Gabriel Puricelli, coordenador do Laboratório de Políticas Públicas de Buenos Aires, a falta de investimentos da atual administração destinados a serviços públicos como moradia, educação e saúde é "escandalosa". "Às vezes, quando um governo é pouco eficiente, a utilização é de cerca de 70% ou 80% do orçamento destinados a estes setores", exemplifica.

O destino de investimentos pela atual gestão é determinado com base em "critérios excludentes e discriminantes, com preconceitos de classe e de seus planejadores, desarmando a estrutura estatal de assistência social", segundo afirmou aoOpera Mundi uma fonte da auditoria da prefeitura que preferiu não se identificar devido a uma "caça às bruxas no período eleitora" – neste domingo (10/07), a cidade realiza eleições para prefeito. 

Wikimedia Commons
 
O atual prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri
Segundo ela, a atuação das autoridades portenhas nos últimos anos foi "eficiente" somente para "desarticular as políticas para a infância, para maltratar trabalhadores e a terceira idade. Neste caso, é escabroso. Os lares para idosos da prefeitura não tem nenhuma infra-estrutura. É um verdadeiro depósito de corpos vivos, em uma dinâmica humilhante e cruel, simplesmente porque são pessoas sem influência em termos eleitorais", garante.

Segundo Puricelli, a administração de Macri potencializou o processo de declínio dos serviços públicos oferecidos pela cidade nos últimos 30 anos. "A utilização de serviços públicos pela classe média diminuiu muito, porque não precisam de hospital ou escola pública, dois serviços básicos que a cidade tem que prestar", explica ele, referindo-se ao setor da sociedade que concentra o principal eleitorado do atual prefeito.

Entre 2007 e 2010, segundo a ASAP, a secretaria de Educação de Buenos Aires também utilizou menos de 50% dos recursos destinados ao setor. Em contrapartida, aumentou a porcentagem destinada a escolas privadas. Já no primeiro trimestre de 2011, enquanto a infraestrutura escolar pública recebeu 6,8% do orçamento, os fundos destinados ao setor privado chegaram a 26,6%.
Em janeiro de 2009, a Acij (Associação Civil pela Igualdade e a Justiça) apresentou um recurso contra a Secretaria de Educação da cidade após detectar a falta de vagas escolares em uma zona carente. Em abril do mesmo ano, um juiz determinou que as autoridades deveriam fornecer um serviço de transporte escolar para as crianças que tivessem de estudar em outras regiões do município.

Devido ao descumprimento da medida, o atual secretário de Educação, Esteban Bullrich, foi condenado a pagar uma multa diária de aumento semanal progressivo até que todos os alunos do bairro tivessem acesso garantido ao serviço público. "A Constituição da cidade é muito avançada e incorpora todos os tratados internacionais de Direitos Humanos. Neste caso, o juiz determinou que a população não era atendida e estabeleceu medidas completamente praticáveis. Mas eles estão pagando por não aceitá-las", analisa Puricelli.

O aumento da capacidade econômica da gestão de Macri se deve a uma sanção da Legislação em 2010, autorizando um Orçamento de 18 milhões de pesos para a cidade. Devido ao aumento da arrecadação, os fundos vigentes no quarto trimestre do ano passado chegavam a 21 milhões de pesos, dos quais 19.394 foram utilizados. Para o exercício fiscal de 2011, a legislação portenha habilitou um montante de recursos ainda maior: de 20.350 milhões de pesos. 

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/COM+MAIOR+ORCAMENTO+DA+HISTORIA+PREFEITURA+PORTENHA+SUBUTILIZA+RECURSOS+EM+MORADIA+E+EDUCACAO_13400.shtml