sexta-feira, 1 de julho de 2011

Leandro Fortes: No aniversário de FHC, Nelson Jobim joga seu cargo no ventilador

01.07.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Leandro Fortes, em CartaCapital


Leandro Fortes: No aniversário de FHC, Nelson Jobim joga seu cargo no ventilador
Nelson Jobim
Isolado dentro do Ministério da Defesa desde a chegada do ex-deputado petista José Genoíno, o ministro Nelson Jobim aproveitou um evento tucano – o aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – para destilar o fel do ressentimento. Após entoar o que ele mesmo classificou de “monólogo” pró-FHC, Jobim disse que faria um discurso “cheio de vazios”, mas que o amigo tucano iria entendê-los. Diante de uma platéia hostil ao governo, Jobim chegou a anunciar que estava no cargo, exclusivamente, por vontade de FHC. “Se estou aqui, foi por tua causa”, discursou o ministro, para espanto até dos tucanos presentes. Mesmo no evento, todos sabiam que Jobim foi para o cargo, e se mantém até hoje, por causa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No tal discurso, Nelson Jobim sequer falou no nome da presidenta Dilma Rousseff, com quem mantém uma relação superficial e conflituosa, desde que foi obrigado a voltar atrás e apoiar o projeto de criação da Comissão da Verdade, que irá investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar. Em 2009, Jobim chegou a anunciar que iria se demitir, junto com os comandantes militares, caso o texto da terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos não fosse modificado. Para evitar a crise, Lula retirou do documento o termo “repressão política” para se referir à atuação dos quartéis na tortura, assassinato e desaparecimento forçado de presos políticos.
O motim contra o PNDH-3, contudo, foi a última performance de sucesso de Nelson Jobim, ministro civil afeito a usar uniformes militares quando está junto de generais. No governo Dilma, foi obrigado a engolir a nomeação de José Genoíno como “assessor especial” e perdeu quase todas as atribuições de relevância da pasta, inclusive o controle sobre as operações militares. No caso da Comissão da Verdade, acabou informalmente subordinado a Genoíno e à ministra Maria do Rosário, secretária nacional de Direitos Humanos.
Foi no rastro desses acontecimentos que Jobim se exasperou diante de FHC, de quem foi ministro da Justiça e a quem deve a indicação ao Supremo Tribunal Federal, onde esteve por dois anos. À vontade na festa tucana, o ministro fez coro às críticas da oposição e de parte da mídia ao estilo de Dilma. Como contraponto, rasgou seda para FHC. “Nunca o presidente (FHC) levantou a voz para ninguém. Nunca criou tensionamento entre aqueles que te assessoravam”.  E foi além, ao insinuar que os governos Lula e Dilma demoliram o que ele chamou de “processo político de tolerância, compreensão e criação”, supostamente construído nos tempos do tucanato. “Precisamos ter presente, Fernando, que os tempos mudaram”, faltou a FHC.
O arremate final, quase um pedido público de demissão, foi uma citação do dramaturgo Nelson Rodrigues. “Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia”, afirmou. “E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”. Mais explícito, impossível.
Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/leandro-fortes-no-aniversario-de-fhc-nelson-jobim-joga-seu-cargo-no-ventilador.html

CORRUPÇÃO EM PREFEITURAS: Falcatruas em ritmo vertiginoso

01.07.2011
Do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Por Mauro Malin em 30/06/2011 na edição 648



A mídia noticia quase diariamente denúncias e investigações de escândalos de corrupção e fraudes em prefeituras. A frequência com que certos temas aparecem permitiria estabelecer uma “tipologia”. Educação, saúde, licitações de obras e de fornecimento de produtos e serviços, coleta de lixo seriam, aparentemente, alvos preferidos dos assaltantes da coisa pública.
O catálogo exaustivo de vigarices é por certo muito mais amplo. Assim como mais ampla é a lista de casos que não chegam a ser denunciados. Se as paredes das prefeituras e câmaras de vereadores falassem...
No início da década passada, tiveram destaque na mídia iniciativas como a da criação da Amarribo – Amigos Associados de Ribeirão Bonito (SP) −, encabeçada pelos empresários conterrâneos Antoninho Marmo Trevisan e Josmar Verillo. Em 2003, o Instituto Ethos publicou uma cartilha chamada O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil. Trevisan e Verillo eram dois dos autores. No trabalho, relatava-se a destituição do prefeito de Ribeirão Bonito, por corrupção, em 2002.
Josmar Verillo, agora à frente do conselho da Amarribo, foi entrevistado na EPTV em 17 de maio deste ano. O tema foi um estudo sobre corrupção no país.
População e mídia alertas
Em 2008, o Centro de Referência do Interesse Público, da UFMG, fez uma pesquisa de opinião pública nacional que constatava basicamente, para o que interessa aqui, quatro pontos:
1. A percepção de que a corrupção havia aumentado nos cinco anos anteriores (desde o início do primeiro governo Lula).
2. As câmaras de vereadores, a Câmara dos Deputados e as prefeituras ocupavam os primeiros lugares na lista de ambientes onde a corrupção se fazia presente.
3. A mídia estava atenta ao problema.
4. A mídia costumava ser mais justa/verdadeira/imparcial do que injusta/mentirosa/parcial ao cobrir os escândalos de corrupção.
Alguns slides da apresentação da pesquisa podem ser vistos abaixo (o arquivo está emhttp://www.interessepublico.org/, escolher a opção Survey Corrupção).
Fenômeno endêmico
Neste primeiro semestre de 2011, só no estado de São Paulo houve denúncias, ou instauração de inquéritos, com ou sem prisões (sempre noticiadas com estardalhaço e revogadas no dia seguinte, ou poucos dias depois), em São Paulo, Campinas, Taubaté, Taboão da Serra, Itapira, Pindamonhangaba, Lorena, São Sebastião, Jandira (onde o prefeito foi assassinado), Orlândia.
Como se diz no jargão das apurações malfeitas, “pelo menos” nessas cidades. Leia-se: não pude pesquisar melhor para descobrir outros casos.
A Folha Online noticiou (16/6) que “Mapa interativo reúne e localiza casos de corrupção pelo Brasil”. Vale a pena conhecer a iniciativa de Raquel Diniz, moradora de São Paulo, e eventualmente colaborar para o enriquecimento dos dados.
A movimentação dos cidadãos não está refletida na mídia, que se limita a receber informações da polícia ou do ministério público e dar o enunciado mais sensacionalista dos problemas. Análise, zero. Constatação de que existe alguma coisa muito errada no funcionamento das prefeituras (foram deixadas de lado, aqui, as numerosas e gritantes manifestação do fenômeno nas esferas estadual e federal, sempre lembrando que a “doença” afeta os três poderes), também não.
Não estaria na hora de se abrir o compasso, dar uma mergulhada metódica nos problemas, ouvir especialistas e prestar aos cidadãos o serviço de apontar os problemas mais frequentes e que tipo de mobilização pode funcionar para preveni-los ou atalhá-los?
Para o bem de todos e felicidade geral da nação.
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Slides da pesquisa sobre corrupção feita em 2008 pelo Centro de Referência do Interesse Público:



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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/falcatruas-em-ritmo-vertiginoso

Para especialistas, mídias públicas devem liderar produção de conteúdo para novas tecnologias de comunicação

01.07.2011
Da Agência Brasil
Por Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O sistema público de comunicação deve liderar a produção de conteúdo para as novas tecnologias, como o celular, a avaliação é dos especialistas em mídias públicas, que participaram hoje (1º) dos debates no último dia do Seminário Internacional de Mídias Públicas: Desafios para o Século 21, realizado na sede da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília.

“A televisão pública deve estar na vanguarda, sobretudo, na construção de conteúdo para o século 21. Esse conteúdo é de multiplataforma, interativo. Os modelos são voltados para os modelos de consumo. Deve haver um diálogo moderno com a produção e programação”, disse o jornalista Nelson Hoineff, presidente do Instituto de Estudos de Televisão. Segundo ele, os conteúdos devem ser gerados pelo próprio usuário. “A televisão pública é que percebe e interpreta a sociedade. Está à frente das amarras comerciais”, completou.

A colombiana Adelaida Trujillo, diretora das organizações gestoras do Compromisso Nacional por uma TV de Qualidade para a Infância na Colômbia, e a especialista em convergência de meios públicos pela Universidade de Palermo, Florencia Ripani, disseram que em muitos casos, para inovar, as mídias públicas precisam contornar as barreiras da burocracia governamental.
O Seminário Internacional de Mídias Públicas: Desafios para o Século 21 foi organizado pela EBC em conjunto com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Edição: Aécio Amado

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-07-01/para-especialistas-midias-publicas-devem-liderar-producao-de-conteudo-para-novas-tecnologias-de-comun

Comércio só pode vender plugues e tomadas do novo padrão

01.07.2011
Da Agência Brasil
Por Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O novo Padrão Brasileiro de Plugues e Tomadas entrou em vigor hoje (1°). A partir de agora, os plugues, vendidos isoladamente ou em aparelhos eletroeletrônicos expostos no mercado brasileiro, só poderão ser de dois tipos: com dois ou três pinos redondos.
De acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), antes da padronização, que começou a ser implementada em 2000, havia pelo menos 12 tipos de plugues e oito tipos de tomadas diferentes no mercado.
Em balanço de fiscalizações recentes, divulgado esta semana, o Inmetro não identificou abuso de preços ou desabastecimento de mercado com a substituição das peças e registrou um índice de irregularidades abaixo de 5%, que é o percentual máximo tolerado pelo órgão. A multa para casos de produção ou venda de produtos fora do novo padrão, a partir de hoje (1°), pode variar de R$ 100 a R$ 1,5 milhão.
Gerente de uma loja de produtos elétricos em Brasília Eustáquio Silva diz que a procura pelos novos equipamentos tem sido grande, mas que os consumidores ainda reclamam da mudança de padrão e do custo da adaptação. “A mudança de todas as tomadas de uma casa pode chegar a R$ 600”, calcula.
A principal mudança é a entrada definitiva no mercado dos plugues de três pinos, em que um dos pinos tem a função de fazer o aterramento.
O dentista Eduardo Abigalil está substituindo gradativamente as tomadas de casa e do consultório e não alterou a fiação para incluir o fio terra em todos os pontos. Apesar do custo, Abigalil considera a mudança positiva, pela segurança do novo padrão. “Se é para ter mais segurança, vale a pena mudar.”
Além da redução do risco de choques, o novo formato permite contato mais eficiente entre a tomada e os aparelhos, evitando desperdício de energia, segundo o Inmetro.

Edição: Lílian Beraldo

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-07-01/comercio-so-pode-vender-plugues-e-tomadas-do-novo-padrao

Chanceler de Geisel teria sido pioneiro do terrorismo de Estado regionalizado

01.07.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Dario Pignotti – Página/12, via Carta Maior

Documentos da ditadura militar brasileira, obtidos pelo jornal Página/12, trazem detalhes inéditos dos arquivos que a presidenta Dilma Rousseff quer tornar públicos. Militares resistem à divulgação desses arquivos. Matéria publicada neste domingo no jornal argentino traz informações sobre atuação de Azeredo da Silveira, chanceler do general Geisel, que antes de assumir o Itamaraty comandou a embaixada na Argentina, onde teria sido um “pioneiro do terrorismo de Estado regionalizado”. Da leitura de centenas de papéis em poder do Página/12 fica claro que os contatos eram frequentes, e grande a afinidade dos militares brasileiros com os golpistas de 1976 na Argentina. A reportagem é de Dario Pignotti.

“O ex-presidente argentino Juan Perón esteve na mira dos serviços de Inteligência brasileiros. Isso é quase um fato. Participei de reuniões com ele, se pressentia que nos vigiavam. Se abrirem os arquivos da ditadura, como quer a presidenta Dilma, surgirão mais provas disso”.

A afirmação é de João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Melchior Goulart, Jango, amigo do general argentino por mais de duas décadas. Transcorridos 47 anos da derrubada Jango e 38 de seus últimos encontros com Perón, provavelmente espionados por agentes brasileiros, “é hora de terminar com esse longo silêncio, ainda vivemos de costas para a história dos anos 70 devido às pressões de grupos ligados ao terrorismo de Estado”, lamenta João Vicente.

Dilma Rousseff parece compartilhar essa preocupação e, na semana passada, instruiu seus ministros, em particular a titular de Direitos Humanos, Maria do Rosário, para que convençam o Congresso a aprovar imediatamente o projeto sobre a Comissão da Verdade, contra o qual se insubordinaram os chefes das forças armadas em dezembro de 2009.

“Certo dia estava em um hotel de Madri, com papai, atendi o telefone e alguém me disse: “Quero falar com Janguito, diga que sou o general Juan Perón. Eu não podia acreditar, mas era verdade. Perón estava do outro lado da linha para convidar Jango para uma conversa na residência da Porta de Ferro. Creio que era o início de 1973”, relatou Goulart ao Página/12.

“Em uma ocasião, falou-se da possibilidade de haver um acordo. Meu pai (fazendeiro) venderia carnes no marco de um plano trienal que iria ser implementado pelo governo peronista, mas que fracassou por influências do bruxo”, apelido pelo qual era conhecido José López Rega. “Ocorreram mais reuniões com Perón, outra foi em Buenos Aires. Lembro que algumas pessoas nos diziam que os serviços de Inteligência estavam rondando por ali”.

Algo parecido ocorria com o ditador Ernesto Geisel, que se referia ao argentino como a “Múmia” e o excluiu de sua cerimônia de posse, no início de 1974, da qual participaram o chileno Augusto Pinochet, o boliviano Hugo Banzer e o uruguaio Juan María Bordaberry. Geisel iniciou um período de mudanças na política externa, conhecido como “pragmatismo responsável”, caracterizado pela abertura de relações com países do Terceiro Mundo e menor alinhamento com os Estados Unidos. Este giro não implicava o fim da estratégia de contenção do comunismo. Outra marca de sua política externa foi a intensa, e por vezes contraditória, relação com o secretário de Estado, Henry Kissinger. Nenhum chanceler teve mais sintonia com Kissinger do que Francisco Azeredo da Silveira, que esteve no cargo durante o quinquênio de Geisel.

Antes disso, Azeredo comandou a embaixada na Argentina, “onde foi um pioneiro do terrorismo de Estado regionalizado; em 1970 foi o responsável pelo sequestro em Buenos Aires e transporte ilegal ao Brasil do coronel Jefferson Cardin, um militar nacionalista e brizolista que foi meu companheiro na prisão do Rio de Janeiro”, diz Jarbas Silva Marques, prisioneiro político entre 1967 e 1977. “Jefferson Cardin me disse na prisão do Rio que Azeredo da Silveira, sendo chanceler, sabia tudo sobre a Argentina e certamente sabia dessa possível espionagem sobre Perón e mandava a embaixada colaborar com os golpistas”.

“Essa é uma história pesada, estamos falando do chefe da diplomacia brasileira entre 1974 e 1979. De uma política de Estado. Até hoje há gente querendo esconder essa história debaixo do tapete, há muita pressão. Vemos o presidente do Senado, José Sarney, fazendo lobby a favor dos militares para impedir que Dilma abra os arquivos, disse Silva Marques ao Página/12.

É impossível fazer uma reconstrução acabada de todos os movimentos da diplomacia brasileira e seus pactos com os golpistas argentinos, devido à falta de documentação suficiente. Da leitura de centenas de papéis em poder do Página/12 fica claro que os contatos eram frequentes, e grande a afinidade com aqueles que perpetrariam o golpe de 1976. A guerra suja já lançada então contra a “subversão” era aprovada.

O telegrama “secreto” enviado pela embaixada brasileira no dia 3 de setembro de 1975 dá conta de uma “longa conversa” com os “comandantes Jorge Videla e Eduardo Massera”, que expressaram seu interesse em “estimular por todos os meios a aproximação das Forças Armadas” de ambos os países. Em outra mensagem “confidencial”, de 19 de fevereiro de 1975, fala-se sem eufemismos da coordenação repressiva. A nota relata um encontro oficial de diplomatas brasileiros com o ministro da Defesa argentino, Adolfo Savino, quando se tratou com “total franqueza da necessidade de um profundo entendimento de nossos países frente aos inimigos comuns da subversão”.

Durante sua conversa com o Página/12, o filho de João Goulart e Jarbas Silva Marques lamentaram o “atraso” histórico do Brasil frente a Argentina, o Chile e o Uruguai, onde “houve um ajuste de contas com a história e a verdade”, mas manifestaram esperança de que essa situação possa ser revertida. Eles, assim como vários organismos de direitos humanos, confiam no compromisso com a verdade assumido por Dilma Rousseff, vítima de prisão e torturas durante o regime militar, assim como na pressão internacional. Citam o exemplo da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que condenou o Estado brasileiro por não julgar os crimes da ditadura.

Tradução: Katarina Peixoto
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/pagina12-azeredo-da-silveira-teria-sido-um-pioneiro-do-terrorismo-de-estado-regionalizado.html

A condenação da revista por associar coletividade muçulmana ao terrorismo

01.07.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por sugestão do Stanley Burburinho

DIREITO DE RESPOSTA

Justiça condena revista Veja por associar islâmicos com terrorismo

Mariana Ghirello – 30/06/2011 – 15h02


A juíza Cláudia Maria Pereira Ravacci, da 35ª Vara Cível de São Paulo, condenou a revista Veja e a Editora Abril, pela reportagem “A rede do terror no Brasil”, publicada no dia 6 de abril deste ano. A ação, movida pela União Nacional das Entidades Islâmicas, pediu direito de resposta. A decisão é desta quinta-feira (30/6).


A revista afirma na reportagem ter tido acesso a documentos da CIA (agência de inteligência norte-americana), FBI (polícia federal norte-americana), Interpol (polícia internacional) e Polícia Federal que mostravam supostos extremistas islâmicos no Brasil. A publicação diz ainda, que essas pessoas citadas usavam o país como base de operações e aliciavam militantes.


A autora da ação, representada pelo advogado Adib Abdouni Passos, congrega 16 entidades islâmicas. O advogado , afirma na petição inicial que o conteúdo da reportagem era ofensivo e tendencioso. “De acordo com a Polícia Federal, sete organizações terroristas islâmicos operam no Brasil”, dizia o trecho extraído da revista. Para a entidade, a reportagem fere o sentimento religioso islâmico.


De acordo com a petição, houve uma audiência reservada na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, na Câmara dos deputados na qual o ministro da Justiça afirmou que as informações publicadas eram falsas. A União alega que no Brasil a Constituição Federal assegura a liberdade de crença e religião.


A entidade pediu que a revista fosse condenada a publicar o direito de resposta. O conteúdo, segundo a petição, deverá ocupar o mesmo espaço que a reportagem e deverá esclarecer a cultura islâmica. Segundo a entidade, o objetivo é “desvincular a ideia de terrorismo junto à fé professada pelos mulçumanos”.


“As ofensas contidas no texto impugnado causam lesão a direitos da coletividade mulçumana, dando ensejo, ao direito de resposta reivindicado”, diz Adib Abdouni Passos.


http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/52069/justica+condena+revista+veja+por+associar+islamicos+com+terrorismo.shtml?utm
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/a-condenacao-da-revista-por-associar-coletividade-muculmana-ao-terrorismo.html

Segundo documentos do Itamaraty, ditadura brasileira espionava Juan Perón

01.07.2011
Do site PÁGINA 64


Em meio à discussão sobre a abertura de arquivos confidenciais referentes à ditadura militar brasileira (1964-1985), o jornal argentino Página 12 publicou neste domingo (26/06) documento que mostrava que a ditadura brasileira espionava o então presidente do país vizinho, Juan Domingo Perón. Uma das razões que justificariam essa ação seria sua proximidade com o do ex-presidente brasileiro João Goulart (1961-1964), deposto por um golpe militar.

O relatório, datado de 1973, tem como origem o Ciex (Centro de Informações do Exterior), órgão que integrava o Ministério das Relações Exteriores brasileiro na época e anterior ao golpe de Estado que deu origem à ditadura civil-militar na Argentina (1976-1983).

Até a publicação desta matéria, o Itamaraty não respondeu ao pedido da reportagem de Opera Mundi para comentar os documentos.

O jornal não revela como obteve o documento, mas afirma que teve acesso a centenas de relatórios que mostravam as fortes ligações entre a ditadura brasileira e os militares que comandariam o golpe no país vizinho anos depois. A reportagem é assinada por Dario Pignotti, correspondente do Página 12 em Brasília, e conta com o depoimento de João Vicente Goulart, filho de Jango, como o ex-presidente era popularmente conhecido. "Eram frequentes os contatos e a afinidade [dos ditadores brasileiros] com os que promoveriam o golpe [argentino] de 1976 e aprovavam a guerra suja então já lançada contra a ‘subversão’", cita a matéria.

Na Espanha

O relatório, obtido pelo Página 12, é datado de 2 de março de 1973 e separado por seis itens. Ele mostrava a inquietação dos militares com a proximidade entre Perón e Jango, e seus freqüentes contatos. "Em sua última viagem à Europa, João Goulart encontrou-se com Perón na Espanha. Nesta ocasião, Perón disse que gostaria que Goulart se fixasse na Argentina, caso o peronismo ganhasse as eleições", menciona o documento, classificado como secreto.

No segundo item do relatório, o regime brasileiro relatou o convite do líder argentino a Goulart (1961-1964) para participar de um “amplo movimento latino-americano de libertação” das ditaduras, que se iniciaria na Argentina. "A conversa girou sobre a situação brasileira e sobre as ideias de Juan Perón para a criação de um amplo ‘movimento latino-americano de libertação’, cujo epicentro se localizaria na Argentina". 


O terceiro ponto menciona a participação do economista Celso Furtado na reunião, "contratado por Juan Perón para assessorar o programa econômico do governo [do Partido] Justicialista [fundado pelo presidente argentino]".

Em entrevista ao jornal argentino Página 12, responsável pela divulgação dos arquivos, João Vicente Goulart concorda sobre a espionagem brasileira a Perón: "Participei de reuniões com ele e pressentia-se que nos vigiavam. Se os arquivos da ditadura fossem abertos, como a presidente Dilma [Rousseff] quer, haverá mais provas disso".

O filho do ex-presidente brasileiro também afirmou que houve mais reuniões entre os dois políticos, além da mencionada no documento divulgado pelo jornal. “Outra foi realizada em Buenos Aires, lembro que algumas pessoas nos diziam que os serviços [de inteligência] estavam rondando por lá”, afirmou.

Segundo ele, é "lógico" que a ditadura brasileira queria seguir os passos do presidente argentino. "Ele propôs ao meu pai se radicar na Argentina, de onde teria uma plataforma para organizar seu regresso ao Brasil e forçar uma abertura democrática, que os militares queriam atrasar", garantiu João Vicente.

Parceria

Um segundo documento, de 23 de novembro de 1974, é um telegrama da embaixada brasileira enviado em novembro de 1974 pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires, também "secreto", reporta uma conferência bilateral "de inteligência” entre os exércitos brasileiro e argentino, confirmando a versão de uma coordenação entre as duas ditaduras.

Apesar de não divulgada a cópia, o jornal menciona ainda outro telegrama da embaixada, desta vez de setembro de 1975, que teria relatado uma “longa conversa” com o futuro ditador argentino Jorge Rafael Videla e o comandante da Marinha, Eduardo Massera. Ambos cumprem atualmente penas de prisão perpétua por crimes contra a humanidade cometidos.
durante a repressão no país. 
Na conversa, os dois teriam expressado interesse de "estimular por todos os meios a aproximação das Forças Armadas" do Brasil e da Argentina. Em outra mensagem confidencial de fevereiro de 1975, estaria ainda mais explícito o planejamento conjunto das ditaduras dos países, quando relata um encontro de diplomatas brasileiros com o então ministro de Defesa argentino, Adolfo Savino.

O despacho menciona uma abordagem de "total franqueza sobre a necessidade de um profundo entendimento" entre os países para combater "os inimigos comuns da subversão". Ainda segundo o jornal, o filho de João Goulart lamenta que o Brasil esteja tão atrasado em comparação com países como a Argentina, onde "houve um acerto de contas com a história e a verdade".

Sobre a abertura dos arquivos da ditadura militar brasileira, 47 anos depois do golpe contra Jango, João Vicente afirma: “Já está na hora de acabar com este longo silêncio, ainda vivemos dando as costas para a história dos anos 70, devido às pressões de grupos ligados ao terrorismo de Estado”, lamentou.

A estratégia de Perón, como se sabe, não progrediu. O presidente argentino morreu aos 78 anos, em 1º de julho de 1974, durante seu terceiro mandato. Ao contrário do que pretendia, a ditadura se aprofundou em vários países latino-americanos, incluindo a própria Argentina dois anos depois.
João Goulart morreu na Argentina, na cidade de Mercedes. A versão oficial teria sido um ataque cardíaco. Entretanto, uma matéria de 2008 da Folha de S. Paulo relata o depoimento de um ex-agente uruguaio que afirma que Jango foi envenenado por ordem do delegado Sérgio Fleury, do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) – com anuência do governo brasileiro.
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Fonte:http://www.pagina64.com.br/conteudo.php?id=95

Luis Carlos da Silva: UOL dá uma de malandro para cima de internautas

01.07.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha, 30.06.11
Por Luis Carlos da Silva*

Manchete de capa do jornal Folha de S. Paulo, quinta-feira, 30 de junho: “Hacker violou e tenta vender e-mails de Dilma”.
Curioso, fui direto à matéria assinada pelos repórteres Matheus Leitão e Rubens Valente, de Brasília. Li, reli, revisei a leitura, comentei com pessoas próximas, porque não estava acreditando no que via no caderno “Poder” do jornal.
Não se tratava de matéria jornalística. Mas, de fato, “um passo a passo” talvez destinado a provar que nem o provedor UOL, nem a própria Folha estariam envolvidos em algum tipo de quebra de sigilo de e-mails da então candidata Dilma Rousseff.
Mas, quem os acusava de alguma coisa?
Até agora ninguém.
Contudo, o passo a passo — ou a matéria-vacina — agora estimula suspeitas. O texto tem um claro roteiro auto-imunizante.
Vejamos o inútil detalhamento da empreitada. A fonte (o hacker) encontrou-se com a Folha em uma cidade satélite, “num shopping, a 20 Km de Brasília”. Ele mora lá. Tem 21 anos, está desempregado, será pai em breve. Tentou vender (“por preocupação”) o conteúdo dos e-mails para a Folha, mas “A Folha não paga pelas informações que publica e recusou a proposta”. Nossa, que retidão moral! A Folha viu, “de relance”, alguns e-mails, numa lan house e não lhe foi permitdo fotografar ou filmar o conteúdo que, por sua vez, estava num disco rígido externo. Antes, ele tentou vender o tal conteúdo a políticos do DEM e do PSDB, mas não teve sucesso. Puro bla,bla, blá.
Ah, até José Dirceu entra na estória, para dar mais credibilidade à matéria-vacina. E o que é mais engraçado: para dar credibilidade ao provedor UOL. Mesmo informado, (por terceiros) do conteúdo de e-mails seus na época da campanha e ainda ter dito que seu e-mail fora invadido nessa segunda (dia do “encontro” do hacker com a Folha), Zé Dirceu continua cliente UOL! Uau! Isso é que é atestado de confiança.
Falando sério:
1. A matéria é assinada por dois jornalistas, mas é a “Folha” o sujeito da ação em todo o texto. Ou seja, mesmo tendo conhecimento de um criminoso confesso, a “Folha” vai preservá-lo, sob o pretexto de sigilo de fonte. Tal instituto, defensável para outros casos, faz do jornal um protetor de um meliante. Logo ela que é exímia delatora de sigilos de seus adversários partidários, nomes de terceiros e cifras de conhecimento restrito.
2. Porém, depois de tantas curvas é dada uma bela derrapada, em relação ao provedor UOL. O UOL não é empresa de comunicação. Não tem a prerrogativa jurídica do sigilo de fonte. Simples medidas judiciais fazem com que provedores identifiquem os IPs e rotas atípicas de transmissões pela internet. Principalmente em períodos determinados.
3. Eu acho até que é esse tal hacker poderia (ah, o salvador futuro do pretérito) ter sido inventado como forma de eximir a Folha e o UOL de uma suposta (ah, salvador adjetivo) quebra de sigilo da então candidata Dilma. Seguramente, o tal computador pessoal da então candidata à presidência pode revelar se houve ou não intrusão. E se não houve?
Presidente do PT, deputado Rui Falcão, não seria um relevante serviço prestado ao país, acionar os órgãos competentes para rastrear o passo a passo da pseudo matéria?
PS.: Ao final, uma matéria tão irrelevante, já que reitera apenas que e-mails são vulneráveis e não traz nada de comprometedor no conteúdo das mensagens vistas de “relance”, mereceu manchete de capa. Falta de assunto não é. Ou será a vulnerabilidade do UOL? Estranho. Muito estranho.
*Luis Carlos da Silva – sociólogo e ex-secretário de comunicação do PT-MG.
 

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/luis-carlos-silva-uol-da-uma-de-malandro-para-cima-de-internautas.html

AVATAR E A VINDOURA RELIGIÃO MUNDIAL

01.07.2011
Do BLOG DO ÂNGELO,10.06.11


Avatar e a vindoura religião mundial única

O filme Avatar*, de James Cameron, é um fascinante e arrebatador sucesso nos cinemas. Seus efeitos especiais são tão tremendos que transportam a audiência vividamente para um outro mundo, no qual adorar uma árvore e ter comunhão com espíritos não são apenas aceitáveis, mas atraentes. Avatar é também marcadamente panteísta e essencialmente o evangelho segundo James Cameron. Esse tema panteísta, que iguala Deus às forças e leis do Universo, é apresentado claramente pelos heróis e heroínas do filme: todos adoram Eywa, a deusa “Mãe de Tudo”, que é descrita como “uma rede de energia” que “flui através de todas as coisas viventes”.

Sobretudo, o filme é repleto de mágica ritualística, comunhão com espíritos, xamanismo, e descarada idolatria, de forma que condiciona os espectadores a acreditarem nessas mentiras do ocultismo pagão. Além disso, a platéia é levada a simpatizar com o Avatar e termina torcendo por ele quando é iniciado nos rituais pagãos. No final, até mesmo a cientista-chefe torna-se pagã, proclamando que está “com Eywa, ela é real” e que ficará com Eywa após sua morte.

Enquanto a representação fictícia de James Cameron a respeito da religião da natureza presta-se muito bem à mentira da Nova Era de que as religiões dos nativos americanos [indígenas] eram favoráveis à vida e inofensivas, a representação dos sacerdotes maias emApocalypto (de Mel Gibson), devedores de divindades sedentas por sangue, que exigiam o sangue de suas vítimas sacrificiais, estava muito mais perto da verdade. A maneira adocicada e romântica com que James Cameron mostra os selvagens e os antigos cultos à natureza em Avatar é oposta aos fatos encontrados em antigos códices e achados arqueológicos: estes revelam que os astecas, os maias e os incas estavam todos envolvidos em sacrifícios humanos em massa, inclusive tomando a vida de criancinhas inocentes para apaziguar seus deuses demoníacos.

 

Conhecendo o histórico das obras de James Cameron em atacar o cristianismo, e especialmente a ressurreição de Cristo no documentário absolutamente desacreditadoThe Lost Tomb of Jesus [exibido no Brasil como “O Sepulcro Esquecido de Jesus” e lançado em DVD como “O Sepulcro Secreto de Jesus”], não deveria nos surpreender que ele escrevesse e dirigisse uma propaganda de 300 milhões de dólares para promover o culto à natureza e aos espíritos. Claramente, Hollywood tem tido uma influência persistente em arrancar os EUA [e o Ocidente] de suas raízes cristãs conservadoras e levá-los a crenças e práticas do ocultismo da Nova Era. O panteísmo atrai a turma de Hollywood porque ensina que todos somos Deus e que não precisamos nos preocupar em sermos obedientes ou em prestarmos conta diante de um Deus pessoal que criou o Universo. Entretanto, não são apenas os diretores [de cinema] que rejeitam a Cristo que estão buscando fazer com que o mundo abrace a adoração à Terra sob a máscara de sua imaginária Deusa-Mãe Terra; é também o próprio líder do movimento do aquecimento global, Al Gore.

Em seu livro Earth in the Balance, Gore sugere que voltemos à adoração da natureza e eleva várias seitas de adoradores da natureza e religiões dos nativos americanos ao status de modelo para nós:
Essa perspectiva religiosa pan** poderá mostrar-se especialmente importante no que se refere à nossa responsabilidade pela terra como civilização global. (...) As religiões dos nativos americanos, por exemplo, oferecem um rico conjunto de idéias sobre nosso relacionamento com a terra. (...) Todas as coisas estão interligadas como o sangue que nos une a todos.[1]
Buscando uma síntese da Nova Era que combine várias tradições do ocultismo, Gore cita e favorece o ensinamento hinduísta, dizendo: “A Terra é nossa mãe, e nós todos somos seus filhos”.[2] Incrivelmente, mais adiante Gore afirma que deveríamos buscar novas revelações a partir dessa adoração da deusa do passado e culpa o cristianismo pela quase total eliminação da mesma:
O sentido espiritual de nosso lugar na natureza... pode ser traçado de volta às origens da civilização humana. Um crescente número de antropólogos e de arqueomitólogos... argumenta que a ideologia da crença prevalecente na Europa pré-histórica e em grande parte do mundo estava baseada na adoração de uma única deusa da terra, que se supunha ser a fonte de toda a vida e irradiadora de harmonia em meio a todas as coisas viventes. (...) O último vestígio de culto organizado à deusa foi eliminado pelo cristianismo. (...) Parece óbvio que um melhor entendimento de uma herança religiosa que precede a nossa própria por tantos milhares de anos poderia nos oferecer novas revelações.[3]
Gore prossegue declarando que precisamos encontrar uma nova religião baseada na natureza e cita Teilhard de Chardin, o teólogo da Nova Era, em apoio à “nova fé” do futuro:
Esse ponto foi sustentado pelo teólogo católico Teilhard de Chardin, quando ele disse: “O destino da humanidade, assim como o da religião, depende do surgimento de uma nova fé no futuro”. Munidos de tal fé, poderemos achar possível ressantificar a terra.[4]
Com os diretores de vanguarda de Hollywood e as figuras políticas de Washington na liderança, os EUA [e o Ocidente] estão rapidamente voltando ao paganismo que envolveu o mundo em trevas espirituais durante milênios. Que Deus nos ajude a prestar mais atenção à admoestação do apóstolo Paulo, encontrada nas Sagradas Escrituras. Ele nos ensinou que a adoração à natureza nos tempos da Antigüidade era resultado do afastamento da adoração ao único e verdadeiro Deus que, para começar, foi quem criou a natureza:

“Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém” (Rm 1.21-25). (Joe Schimmel –http://www.goodfight.org/ - http://www.chamada.com.br/)

* Segundo o hinduísmo, avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal. Deriva do sânscrito Avatara, que significa “descida”, normalmente denotando uma encarnação de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade. Por extensão, muitos não-hindus usam o termo para denotar as encarnações de divindades em outras religiões.
** Pan: palavra de origem grega que significa “tudo, todas as coisas”.

Notas:
  1. Al Gore, Earth in the Balance – Ecology and the Human Spirit [A Terra em Equilíbrio – A Ecologia e o Espírito Humano], 1992, p. 258-259).
  2. Ibid. p. 161.
  3. Ibid. p. 260.
  4. Ibid. p. 263.
Publicado anteriormente na Revista Chamada a Meia Noite, março de 2010.

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Fontehttp://pbangelo.blogspot.com/2011/06/avatar.html

Notícias do Reino da Cornualha: Tucanus corruptissimus quer impedir informatius fluxus libris com #AI-5Digital

01.07.2011
Do BLOG DO MELLO
Postado por Antônio Mello

Durante o reinado de Fernandus, o Régis, a corrupção no Reino da Cornualha chegou a seu grau mais alto (jabaculês danielus dantescus est), a ponto de se emitir recibo para a corrupção.

O ápice desse período se deu quando o presidente do partido de Fernandus, o Régis, Azeredus Tucanus, assinou o recebimento de R$ 4,5 milhões (documentatus est).

A revelação do recibo - não a da corrupção (corrupcionus nostra homnesta est) - provocou ligeiro tumulto (cucarachas voarum est) no seio (peitus fartissimus para mamatas est) tucanus, que vinha a ser o grupo partidário de Fernandus, o Régis.

Azeredus Tucanus renunciou à presidência do partido a fim de evitar que o problema respingasse na autoridade maior (Fernandus, Régis, depois, Cornus - kkkk).

A corte imperial (empresarius, bancus e corporativus midius est) aprovou a medida. Mas no Reino da Cornualha havia um grupo (internautus sacanus querendus fuderus tucanus corruptus canalhus est) que não deixou que o assunto fosse esquecido.

Houve processo, e o Procurador-Geral da Cornualha ofereceu denúncia (corruptus Azeredus, corruptus partidus est). 

Azeredus é de um condado do reinado pertencente a Aecius Aspiratus (que veio a substituir o rei defenestrado Fernandus, O Aspirantis). De seu grupo político (escrotus pocos est) também faz parte a figura mais nefasta do Reino da Cornualha, Serrasferatu, O Frigidus, que persegue inimigos e amigos (nem sempre nessa ordem) com apetite sanguinário (terrificus malevulus est).

Afastado, Azeredus julgou vingar-se. Para isso propôs um projeto de lei que acaba com a liberdade na internet (#AI-5Digital est). 
Combinado com seus parceiros (tucanus empoleiradus est) procuraram LavASec (cracker lavanderias est) para tumultuar internet e assim ajudar na aprovação do projeto de Azeredus (tucanus corruptíssimus est).

A corte imperial (empresarius, bancus e corporativus midius est) finge-se escandalizada com atitudes de LavASec ("internets periculus, et tradicones familiarum e libertatum est?"), mas na realidade a abastece e divulga.

Mas povo da Cornualha está atento (povus nom bobus Globus est). E projeto de Azeredus (tucanus corruptíssmus est) não vai ser aprovado, ou o Reino da Cornualha será sacudido (terremotus graus 9 est) por manifestações que não vão deixar pedra sobre pedra (revertere ad locum tuum est).

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Fonte:http://blogdomello.blogspot.com/2011/06/noticias-do-reino-da-cornualha-tucanus.html?utm_source=BP_recent

ANPUH: A História ensinada às crianças e adolescentes dos Colégios Militares

01.07.2011
Do blog MariaFlô, do site da ANPUH
Por MariaFlô


INTRODUÇÃO


Em 13 de junho de 2010, a jornalista Ana Pinho trouxe à tona, em reportagem da Folha de São Paulo, mais um problema envolvendo política, memória e ensino de História: o livro didático adotado pelos Colégios Militares traz uma versão antidemocrática sobre a ditadura militar brasileira. O material que orienta o ensino de história de filhos de militares do exército e outros alunos admitidos por concurso é produzido pela Bibliex – Biblioteca do Exército – e vendido aos estudantes. Trata-se da obra “História do Brasil: Império e República”, de Aldo Fernandes, Maurício Soares e Neide Annarumma, que integra a Coleção Marechal Trompowsky. [1] A primeira edição é de 2001 e a que temos em mãos é a quarta, revisada, de 2005. Na obra, afirma-se que o 31 de Março de 1964 foi uma revolução democrática, reagindo às orquestrações do Partido Comunista, e também para moralizar a administração pública, e, portanto não se configuraria como um golpe contra um governo democraticamente eleito. O fechamento do regime é explicado como intransigência da oposição emedebista. As torturas e assassinatos cometidos por setores das Forças Armadas no período não são mencionados.


A matéria suscitou posições contrárias ao uso da obra, publicadas no próprio jornal, tanto de leitores quanto de articulistas da Folha de São Paulo, como Hélio Schartzman e Melchiades Filho. O assunto foi debatido na lista de discussão do Grupo de Trabalho de Ensino de História da ANPUH. Em 05 de Agosto de 2010, a Associação Nacional de História (ANPUH) enviou carta ao Ministério da Educação, Ministério da Defesa e Casa Civil da Presidência da República, manifestando preocupação diante do fato de que o ensino de história nos Colégios Militares legitima o golpe de 1964, com evidente desconsideração das mais básicas evidências factuais e da historiografia que se constituiu sobre o período. A carta apelou também para o significado profundo do ensino e da aprendizagem nos moldes apresentados pelo material didático dos Colégios Militares:


“O ensino da História é partícipe direto da produção de subjetividades, da formação de consciências, de formas de ver e interpretar o mundo, ele participa diretamente da formação ética e política do sujeito e do cidadão, por isso é de suma importância a avaliação de que versões do passado estão sendo ensinadas. Que subjetividades, que tipo de consciência, que visões de mundo podem estar sendo formadas por uma versão da história que justifica e legitima um golpe contra as instituições ainda em nome de uma pretensa defesa da democracia e da civilização ocidental e cristã, que cidadãos estão sendo formados por uma literatura que justifica, legitima e esconde o arbítrio, a tortura e a violência. Estes livros são no mínimo um duvidoso exemplo de comportamento ético.”


Por fim, de todas as cartas enviadas, apenas da do Ministério da Educação obteve resposta, por parte da Coordenação Geral de Materiais Didáticos, vinculada à Secretaria de Educação Básica do Ministério. Na correspondência, a coordenadora geral limita-se a citar o artigo 3º. da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que menciona os princípios gerais do ensino (entre eles, “liberdade de aprender, ensinar, pesquisa e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”; “pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas” e “respeito à liberdade e apreço à tolerância”) e o artigo 83, que regula o ensino militar, dando-lhe a autonomia de uma lei específica.


A resposta da COGEAM, se considerada em suas consequências, coloca em xeque a função de regulação do Estado, bem como de orientação temporal da historiografia. Se todos os discursos sobre a história forem igualmente válidos, então todo discurso sobre a história seria igualmente merecedor de crédito diante de seu grupo de interesse, e de tolerância do Estado, sem limites. E ignoraríamos o acúmulo e os avanços qualitativos do conhecimento histórico acadêmico, desenvolvido pelos profissionais de História. Entretanto, para além de qualquer exercício de relativismo histórico oportunista, os limites dos discursos sobre a História são postos pelo texto constitucional, a partir da definição dos crimes. Por exemplo, o MEC tem o dever agir contra uma escola ou conjunto de escolas que professe alguma superioridade ou inferioridade racial, uma vez que isso constitui a base para que alguém incorra no crime previsto no art. 5º., inciso XLII “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão.” E o que dizer de um conjunto de escolas que legitime, justifique ou se omita quanto ao que está disposto no mesmo artigo 5º, inciso XLIII, que considera crimes inafiançáveis e não anistiáveis a “prática da tortura”, ou ainda no inciso XLIV “constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democrático.” ? É evidente que os valores democráticos que embasam a sociedade brasileira não são compatíveis com os valores que embasam a obra didática em discussão, e que expressam uma determinada linha de pensamento de parte da corporação militar quanto à história recente. [2]


Por sua vez, os limites postos pela responsabilidade social da pesquisa histórica estão nas afirmações que são possíveis sobre a história, considerado o estado atual do conhecimento. O estado atual do conhecimento histórico, por sua vez, tem sido uma das principais balizas com as quais o Estado brasileiro, por meio do Programa Nacional do Livro Didático, tem avaliado a qualidade do material que distribui para as escolas públicas nacionais. O que está em tela, portanto, é a coerência de princípios para os materiais didáticos de história que são avalizados pelo Estado para todos os alunos de escolas públicas, independente do subsistema ou órgão ao qual se vinculam.


A seleção dentro da LDB, feita pela coordenadora da COGEAM em sua resposta à entidade, quer lembrar à ANPUH determinados princípios, com isso sugerindo que os mesmos não estariam sendo observados no pedido feito pela entidade. Do mesmo modo que selecionou aqueles artigos, poderia ter selecionado o artigo 4º. e seu inciso IX, que reza que o dever do Estado com a educação pública será efetivado através da garantia de “padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem.” É esse ponto que deve ser considerado, pois não se trata de uma questão de diferenças ideológicas que mereceriam tolerâncias, mas sim uma questão de defesa dos princípios fundamentais do Estado democrático de direito, como vimos acima, bem como de uma questão de garantia da qualidade do ensino.


Uma análise do volume de História do Brasil: Império e República


O melhor parâmetro de qualidade que dispomos para ser usado em uma avaliação de livro didático são os critérios do PNLD. Isso porque se trata de um programa que seleciona seus avaliadores entre os melhores pesquisadores e professores nos diversos campos da história e do ensino de história. Esse pessoal estuda e redefine continuamente uma ficha de itens que reflete o estado atual das demandas e exigências não só do campo da História, como da Educação e da própria sociedade, consolidada na legislação vigente.


O livro “História do Brasil: Império e República” seria aprovado no Programa Nacional do Livro Didático? A resposta é negativa. Em outros termos, os alunos dos Colégios Militares estão sendo privados do acesso à aprendizagem nos parâmetros contemporâneos de qualidade exigidos pelo Ministério da Educação dos livros didáticos das editoras privadas. A demonstração disso pode ser feita através da submissão do livro didático a alguns itens centrais da ficha de avaliação do PNLD, disponível na internet [3]. Evidentemente, essa análise é parcial porque se trabalha apenas com o livro do aluno e o caderno de exercícios (que é consumível, avesso às regras do PNLD), já que não tivemos acesso ainda ao manual do professor e ao primeiro volume da coleção, que trata da América Portuguesa.


Como não tivemos acesso ao manual do professor, não é possível avaliar o livro no que se refere a esse quesito. No sítio de internet da editora responsável, a Biblioteca do Exército, não há manual do professor à venda para esta obra, o que leva a crer que o mesmo é dispensado. Não há, portanto, nenhuma concepção pedagógica ou historiográfica que seja explicitada pelos autores. No entanto, é possível notar alguns traços orientadores. A forma predominante de relação proposta entre os alunos e o conhecimento histórico é a de memorização, uma vez que o conteúdo é exposto de modo declaratório e prescritivo. Isso é confirmado no caderno de atividades, em volume separado, constituído por exercícios em que, na maior parte das vezes, o conteúdo do manual deve ser repetido nas respostas dos alunos.


A vasta maioria dos exercícios é recolhida dos exames dos próprios colégios militares brasileiros. Essa opção cria uma situação de aprendizagem que é desfavorável ao pensamento crítico e ao raciocínio histórico, pois os fatos e processos são expostos na condição de verdades sintéticas e não questionáveis. O aluno não terá acesso à noção de que o conhecimento histórico é construído, dotado de historicidade, relacionado a um contexto, e assim por diante. As poucas fontes primárias que são compiladas para a obra não servem para demonstrar a característica histórica do próprio conhecimento histórico. Pelo contrário, funcionam como ilustrações não-problematizadas do texto básico, ou fontes de autoridade para o mesmo. É o caso das diversas citações lapidares de Caxias na parte referente ao Brasil imperial.


Adicionalmente, sobre a estrutura da obra, cumpre indicar que sua linha central é a descrição de acontecimentos da história política tradicional. Esta opção é tão marcada que os acontecimentos e processos que não são classificados na esfera política são tratados em partes separadas do texto, que abordam, também isoladamente, a cultura, a economia e as relações sociais. Assim isoladas as esferas da experiência humana, não se facilita a compreensão de que elas são inter-relacionadas e se influenciam mutuamente; os acontecimentos parecem brotar do acaso, e não da intricada relação entre economia, política, cultura e sociedade.


Uma concepção de conhecimento em que predomina a cronologia, a linearidade e os fatos de ordem política, com espaço limitado e subordinado para os outros campos da vida humana. Para essa configuração historiográfica, a categoria “tradicional” se aplica. No que se refere à atualização historiográfica, a obra se ressente da incorporação de bibliografia recente. Para termos uma ideia disso, basta dizer que as obras referenciadas na bibliografia têm uma idade média de 28 anos entre a edição consultada e 2005, que é o ano da edição do presente livro didático. Além disso, estão ausentes as obras que marcaram a historiografia brasileira nos últimos 20 anos, e que se pronunciam sobre os assuntos enfocados na obra.


Pedagogicamente, as concepções que se pode deduzir a partir do estudo do livro dos alunos indicam, em primeiro lugar, uma patente carência de problematização e reconstrução de saberes. O conjunto do livro do aluno e do caderno de atividades indica uma pobreza profunda de capacidades cognitivas envolvidas. A demanda cognitiva central é memorizar, acompanhada por identificar, relacionar e diferenciar, correlatas àquela. Demandas mais sofisticadas, como argumentar, comparar, criticar, analisar, sintetizar, não estão presentes de modo significativo.


A análise do item “Correção e atualização de conceitos, informações e procedimentos pertinentes ao campo da história” pode ser iniciada com uma discussão sobre a estratégia de tratamento dos conteúdos históricos. Como a concepção é de uma exposição linear e enciclopédica da sequência de conteúdos que compõe o modelo tradicional de história nacional, o problema que se colocou para os autores é de fazer caber tantos assuntos numa obra para alunos do Ensino Fundamental 2. A solução foi resumir ao máximo determinados temas, mas essa tática acaba levando a problemas de compreensão, pois faltam informações mínimas para atribuir significado ao que é narrado. Pode-se perceber que a obra é prejudicada por uma tática de resumos para explicar fatos e processos de uma lista tradicional de conteúdos, com o que se perde a clareza em diversos pontos. Como exemplo de uma prática constante ao longo do livro, podemos citar a comparação entre o pós-independência no Brasil e nos demais países da América do Sul:


“Na América Latina, as circunstâncias impostas pelo processo histórico quiseram que os sonhos dos grandes libertadores – José Bonifácio de Andrada e Silva, San Martin e Simon Bolívar – se cumprissem segundo o modelo colonizador e a vocação história de suas metrópoles ibéricas, Portugal e Espanha. No entanto, os rumos tomados não confirmaram os anseios de Simon Bolívar, que viu o desmoronar de sua obra, quando o jugo imperial da Espanha foi substituído pelo mando dos “novos déspotas”, os caudilhos.” (p. 58, grifo no original)


Para compreender esse trecho, falta ao leitor saber:


a) quais foram as “circunstâncias impostas pelo processo histórico”


b) quais eram os “sonhos dos grandes libertadores” (que são colocados como equivalentes, apesar das diferenças expressivas, sobretudo entre José Bonifácio e os libertadores hispano-americanos)


c) qual era o “o modelo colonizador e a vocação história de suas metrópoles ibéricas” e como se articulavam com os ideais independentistas.


Na página 189, reconhece-se que a cassação do Partido Comunista Brasileiro em 1947 respondeu a um contexto de Guerra Fria, relativizando a alegação jurídica de que o partido teria sido extinto por ser autoritário. Entretanto, em nenhum outro momento o aluno é informado sobre o que vem a ser essa expressão.


Esta falta de clareza devido à economia excessiva de detalhes (que por sua vez se deve à opção de dar conta de um amplo panorama tradicional de acontecimentos) espalha-se pela obra, tornando inviável a compreensão dos processos históricos. Muitos, incompreensíveis, somam-se à massa de dados que cumpre ao aluno memorizar, sem atribuir significado ou interpretar, ações que ficam em plano secundário.


Além disso, são comuns as excessivas simplificações explicativas e a redução das causas a uma única, não raro de caráter eventual. É o que ocorre, por exemplo, na explicação da renúncia do regente Feijó: ela teria se dado porque o regente não conseguiu organizar um partido para apoiá-lo (p. 19).


Na obra verificam-se diversos juízos de valor, sem argumentação que os sustente ou espaço para visões contrárias. Por exemplo, na p. 19, abaixo de uma definição de pátria por Olavo Bilac (“a paridade dos gostos e costumes, comunidade de línguas, coesão de leis, identidade de condições físicas e morais, com participação nas mesmas lembranças e nas mesmas esperanças), há a frase solta dos autores: “Durante a Primeira República isso nem sempre ocorreu”. Como essa ressalva é feita apenas para a Primeira República, transmite-se a impressão de que em outros momentos aquela noção de pátria teria encontrado pleno acolhimento na realidade nacional.


Como não poderia deixar de ser, a explicação sobre o Golpe de 1964 e a ditadura militar é a maior expressão das características negativas da obra, e não por acaso o trecho que mais chamou a atenção de jornalistas e articulistas pelo seu conteúdo. Queremos demonstrar que o problema não está na opção política da obra, que deveria em tese ser tolerada, mas no fato de que essa opção política conduz a um ensino de história que não somente é de baixa qualidade, mas que beira as raias da desonestidade intelectual para manter uma versão conservadora dos acontecimentos. Omissão de informações, desconhecimento dos estudos acadêmicos aprofundados sobre o assunto, distorção de acontecimentos e processos e explicação por meio dos discursos políticos dos vencedores à época são consequências da estratégia estabelecida.


O primeiro elemento a ser considerado é o nome dado ao movimento, na página 199 Ao assumir a expressão “Revolução de 1964″, a obra adere ao discurso político da época, em vez de referir-se aos estudos históricos e sociológicos que são considerados hoje o estado atual do conhecimento científico sobre o assunto. Para esses estudos, o movimento de derrubada do presidente João Goulart e a instauração de um novo governo em 1964 não constituem uma revolução, mas um golpe de estado. Sob o subtítulo “Revolução de 1964″ ficam subsumidos os mandatos dos presidentes Jânio e Jango, estabelecendo uma estranha periodização em que os últimos governos do período democrático de 1945 a 1964 gravitam em torno do golpe.


A narrativa está envolvida em um tom que lembra teorias da conspiração. Exatamente no momento em que a esquerda começa a se fragmentar, os autores descrevem que ocorria uma orquestração revolucionária por obra do Partido Comunista. Entretanto, a linha do PCB nesses anos era de apoio crítico ao desenvolvimento econômico e a aliança com o que se chamava de “burguesia nacional”. Em parte por conta dessa opção, em 1961 o PCB perdeu militantes para a organização de esquerda “POLOP”, e em 1962 cindiu-se entre PCB e PCdoB. Deste modo é claro que a “orquestração comunista subversiva” corresponde ao discurso político da época, que precisava do fantasma comunista para justificar a quebra da ordem democrática, e não a uma análise fundamentada. Esse sujeito oculto chega a ser nominado como “comando subversivo”, na p. 200, como se existisse uma coordenação mutuamente aceita entre os diversos grupos de esquerda, o que não era real. Ao mesmo tempo, se oculta a estruturação do golpe por meio do complexo IPES/ IBAD, fartamente documentada e discutida, por exemplo, pela obra já clássica de Richard Dreifuss, “1964: a conquista do Estado”, que funcionava como um estruturador de classes sociais dominantes, interesses estrangeiros e lideranças militares em torno de um novo projeto econômico e social que pudesse superar o desenvolvimentismo e o crescimento do poder de negociação das classes trabalhadoras através de seus sindicatos e movimentos. Na mesma página, são claros os juízos de valor na seleção da ilustração única, que é da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, e da descrição da mesma como “um espetáculo comovente”.


A parcialidade continua ao descrever a greve dos marinheiros como indisciplina militar, epíteto do qual foram poupados, por exemplo, as revoltas militares tenentistas da década de 1920. O mau hábito do resumo excessivo complica a descrição do período ao afirmar que “uma inusitada reunião política nas dependências do Automóvel Clube do Brasil” agredia nação e significava uma manifestação de indisciplina. Sem a informação de quem participou da reunião e de qual era seu assunto, ao aluno só cabe crer na descrição.


Descreve-se o golpe como o resultado da ação de lideranças democráticas, civis e militares, “grupos moderados e respeitadores da lei e da ordem”. Para além a dúvida sobre como um grupo de respeitadores da lei depõe um presidente legitimamente eleito e referendado também por um plebiscito, trata-se de uma descrição incompleta, pois não dá conta do conjunto de interesses e classes mobilizadas para o golpe, reduzindo-o a um movimento de poucos líderes militares apoiados de perto por alguns civis e de longe pela massa.


Também se descreve o regime de forma lacunar, tanto em suas motivações declaradas (combater a corrupção e a comunização e reorganizar a administração do país) quanto nas consequências efetivas de suas realizações. Por exemplo, o milagre econômico é explicado de modo desvinculado da carestia dos anos 70 e da crise econômica do início dos anos 80, embora sejam processos relacionados. A lacuna mais expressiva, entretanto, é o ciclo de violação dos direitos humanos, tortura, assassinato e desaparecimento de opositores políticos e seus familiares, realizados por setores das forças armadas e associados, ao arrepio inclusive das leis militares. Esse quadro, que seria impossível sem a suspensão de direitos em função do AI-5, é omitido. Omite-se que o recrudescimento da repressão militar chegou mesmo a ameaçar a autoridade do presidente Ernesto Geisel, que se viu na contingência de exonerar o Comandante do 2º Exército, general D’Ávila Mello por ter permitido as mortes de Manuel Fiel Filho e Vladimir Herzog, este nas dependências do exército em São Paulo. Também o tragicamente frustrado atentado terrorista do Riocentro, que estava sendo preparado por militares do exército, é omitido.


Com tantas omissões, fica impossível para o aluno entender que a Anistia também se referia ao perdão dos crimes cometidos por membros das forças armadas e seus associados na repressão aos opositores da ditadura. De um modo geral, todos os atos antidemocráticos da ditadura são explicados como reações à intransigência dos opositores, explicação que nem serve ao caso, pois transigência é possível num estado de relativa simetria entre as forças opostas, o que não está dado em uma ditadura.






[1] O livro é adotado no sistema de escolas militares sob responsabilidade do Exército Brasileiro, através de sua Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial. http://www.depa.ensino.eb.br/pag_projetocmbhistoria.htm.

[2] A ANPUH respondeu a esta carta da COGEAM lamentando e manifestando sua decepção com a postura de indiferença manifestada.

[3] Disponível em http://www.fnde.gov.br/index.php/ph-arquivos/category/12-guias-pnld-2011?download=40%3Apnld2011historia.



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Fonte:http://mariafro.com.br/wordpress/2011/07/01/anpuh-a-historia-ensinada-as-criancas-e-adolescentes-dos-colegios-militares/