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terça-feira, 28 de junho de 2011

A síndrome de Weimar

28.06.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Eduardo Bomfim


A situação da Grécia vai ficando cada vez mais insustentável, principalmente no cenário social. Já são diárias as manifestações populares contra as violentas políticas de cortes nos direitos sociais, receituário do FMI (Fundo Monetário Internacional), para tentar conter a queda desembestada, ladeira abaixo, de uma economia na UTI e sem os sinais vitais de recuperação.

O governo grego procura jogar nas costas dos trabalhadores, classe média, e até setores intermediários da burguesia, o ônus de uma crise cujos verdadeiros responsáveis são os chamados bancos de investimentos.

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Um eufemismo para o capital rentista e parasitário que através de sucessivos ataques especulativos detonaram literalmente a sofrível economia da Grécia que tem como uma das principais pilastras de sustentação um volumoso turismo internacional.

A Grécia não tem nenhuma condição de saldar os empréstimos recebidos da União Europeia para a recuperação de uma derrocada econômica total, cuja dívida pública já ultrapassa mais de 140% do seu PIB, o produto interno bruto.

Mas a questão é que esse quadro poderá levar de roldão todas as economias da União Europeia onde várias nações também caminham a passos largos para a inadimplência total a exemplo de Portugal, Irlanda, Espanha, Itália etc. A velha Europa vai mergulhar na recessão generalizada.

Portanto o que está em jogo é a dissolução da União Europeia e do Euro como moeda. Assim, a gravidade da realidade ultrapassa o plano técnico ou simplesmente monetário, como desejam fazer crer a grande mídia monopolista global e brasileira, e assume o contexto de uma seríssima encruzilhada política.

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As medidas tomadas pelos governos europeus contra a epidemia da crise financeira, cuja origem se encontra na recessão da economia norte-americana, na orgia promovida pelos seus bancos de investimentos, são contra o povo europeu, os trabalhadores, aposentados etc.

O resultado são as taxas de desemprego que assolam o continente, onde só na Espanha, mais de 40% dos trabalhadores jovens estão desempregados. Mas a resposta das elites da Europa à crise tem sido mais arrocho e mais repressão.

Por isso, os analistas políticos começam a fazer analogias dessa situação atual com a república de Weimar na Alemanha, ante-sala da Segunda Guerra mundial. Porque os sintomas se assemelham, o pavor às lutas sociais, o colapso econômico, o desemprego geral e uma tendência ao fascismo.

Eduardo Bomfim é advogado e membro do Comitê Central do PCdoB.

Texto originalmente publicado no Vermelho.
 

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/A+SINDROME+DE+WEIMAR_1533.shtml

Mercosul quer evitar invasão de produtos estrangeiros manufaturados, diz ministro da Fazenda

28/06/2011 
Economia Internacional
Monica Yanakiew
Enviada Especial da EBC


Assunção - Os ministros da área econômica do Mercosul manifestaram hoje (28) preocupação em proteger o mercado do bloco de uma possível invasão de produtos manufaturados de países desenvolvidos em crise. “A preocupação é que nosso mercado seja invadido por produtos de quem não tem para quem vender", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois de uma reunião ordinária do conselho do Mercosul e associados.

Segundo Mantega, o crescimento lento da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos vai deprimir o mercado de manufaturados. Os ministros do Mercosul temem que países "em desespero de causa" tentem buscar novos mercados. Por isso, combinaram preservar a América Latina para os países da região.

Durante a reunião, os ministros não discutiram medidas concretas, mas houve consenso sobre a necessidade de proteger o mercado do bloco, disse Mantega. "Queremos que nosso mercado sirva para estimular o nosso crescimento, e não o de outros países."

Na reunião, os ministros também fizeram um balanço da situação da região. As economias apresentaram taxas de crescimento superiores à média mundial, mas este ano - segundo Mantega - os governos estão reduzindo o ritmo de expansão para "segurar o ímpeto da inflação", que alcançou todos os países. "Estamos todos fazendo ajustes.” Segundo ele, apesar de o crescimento ser menor este ano, a expansão econômica será positiva.

Mantega também falou sobre a eleição da nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde. "O Brasil apoiou Christine Lagarde, mas não foi um apoio incondicional. Vamos cobrar os compromissos assumidos por ela, desde o primeiro dia de seu mandato."

Entre os compromissos, estão a promessa de que o próximo diretor-gerente do FMI não seja um europeu, uma distribuição melhor de funcionários para representar os países emergentes e a certeza que Christine Lagarde acompanhará os problemas mundiais, e não apenas os da Europa.

Edição: João Carlos Rodrigues
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-28/mercosul-quer-evitar-invasao-de-produtos-estrangeiros-manufaturados-diz-ministro-da-fazenda

FAO: José Graziano reencontra Josué de Castro

28.06.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Vandeck Santiago*, Recife


Dos últimos diretores-gerais da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o recém-eleito José Graziano da Silva é o que chega com as melhores condições para exercer o cargo e renovar a organização. O atual diretor-geral, Jacques Diouf, é senegalês; o antecessor dele, Edouard Saouma, libanês. Somados, os mandatos dos dois chegam a incríveis 35 anos. Mas, fora do Senegal, do Líbano e de setores mais diretamente envolvidos nas questões da Organização, Diouf e Souma são dois nomes desconhecidos.


Não que isso signifique um juízo de valor de uma eventual incapacidade deles na gestão da FAO; é antes uma constatação de que tem sido difícil a tarefa de ampliar os poderes da instituição para além dos seus limites. Pode ser que amanhã estejamos dizendo algo semelhante de José Graziano. Mas todos os indicativos hoje existentes apontam em outra direção. Fazendo-se concessão a uma dose mínima de otimismo (deixemos o pessimismo para aqueles que, no Brasil, já estão torcendo contra mesmo antes de o jogo começar...), fazendo essa concessão pode-se até dizer que Graziano terá a oportunidade de fazer uma gestão histórica.


Leia mais: 
Ao assumir a FAO, Graziano critica preço de commodities 
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José Graziano da Silva é eleito diretor-geral da FAO  
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Fim do petróleo deve provocar crise alimentar   



A FAO teve até agora oito diretores-gerais. De todos, o que conseguiu deixar o nome marcado sem que seja preciso consultar a enciclopédia foi o britânico John Boyd Orr (amigo de Josué de Castro, de quem vamos falar daqui a pouco). Ele foi o primeiro diretor-geral, e exerceu o cargo no período de 1945 a 1948. Ganhou até o Prêmio Nobel da Paz, em 1949, pelos esforços na luta contra a fome e pela paz mundial. De lá pra cá os diretores-gerais da instituição viraram nomes que a gente lê no jornal e não se lembra depois.


Feita a contextualização, voltemos a Graziano. Aos argumentos que embasam o otimismo com a futura gestão dele: primeiro, é um nome do Brasil, país que se tornou um dos novos players da geopolítica internacional – característica que, como se sabe, tem a capacidade de encorpar propostas. E que chega acompanhada do prestígio que o ex-presidente Lula conquistou no exterior. Ao noticiar a vitória de Graziano, por exemplo, o Le Monde escreveu que ele era “ex-ministro de segurança alimentar do carismático presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva” e que encarnava “o programa brasileiro de luta contra a fome, considerado como um sucesso retumbante.”


Segundo: o Brasil tornou-se nos últimos anos referência mundial em políticas públicas de combate à fome e redução da pobreza – acumulou uma série de experiência que servem como uma espécie de portfólio sobre medidas para tratar o problema. Quem abriu essa trilha foi um brasileiro, nascido e criado à beira dos mangues recifenses: o médico e geógrafo Josué de Castro (1908-1973), autor de Geografia da Fome (1946) e Geopolítica da Fome (1951), obras matriciais do assunto. Josué tem uma história também ligada à FAO: durante dois mandatos (1952-1956), foi presidente do conselho da Organização. Ele não foi diretor-geral; o primeiro latino-americano a ocupar este cargo será Graziano. O diretor-geral é o que gere diretamente a FAO; o presidente do conselho tem outras atribuições.


Terceiro: aos 61 anos, Graziano tem uma carreira estreitamente ligada às questões da fome, desenvolvimento rural e agricultura, áreas em que atuou como acadêmico e militante sindical e político. Tem doutorado em Ciências Econômicas (Unicamp) e dois pós-doutorados (EUA e Inglaterra). Participou das Caravanas da Cidadania, onde se gerou o Fome Zero. Desde 2006 é o representante da FAO para América Latina e Caribe – o que significa que está familiarizado com a gestão da organização. Em seu discurso como candidato, pronunciado em 13 de abril passado, deu um indicativo de como deve agir, buscando o consenso: “Como conselheiro do presidente Lula durante 25 anos, desde o tempo em que ele era um líder sindical até quando fui contratado pela FAO, aprendi a importância de construir o consenso para avançar com rapidez”.


Terá muitos desafios nos próximos três anos – o mandato vai de 2012 a 2015. É um momento de crise alimentar, provocada pela alta dos preços. De enfraquecimento da FAO, que teve orçamento reduzido e se enrosca na própria burocracia. De disputas entre países ricos (com subsídios que impedem a entrada de produtos dos países menos desenvolvidos). De um mundo com quase um bilhão de esfomeados – e em que, para citar frase sempre lembrada pela própria instituição, uma criança morre de fome a cada seis segundos.


Leia mais:
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Poucos se deram ao trabalho de ler, mas o primeiro ponto do programa de Graziano como candidato é a erradicação da fome. “O sucesso da FAO e de seu diretor-geral”, afirmou, “será julgado em última instância pela velocidade com que se reduzir o número de pessoas com fome no mundo”. Aqui o caminho dele se cruza novamente com o de Josué de Castro, para quem só havia um tipo de desenvolvimento: o “desenvolvimento do homem”.


As disputas pela alimentação não são de agora. Josué de Castro passou os dois mandatos como presidente do conselho da FAO tentando criar uma reserva internacional contra a fome. Aproveitaria excedente de alimentos das nações ricas, que serviria de socorro para abastecer os países que – em razão de crises econômicas, guerras ou desastres ambientais – estivessem sofrendo com a escassez de comida. A ideia nunca pôde ser levada à prática, por absoluta falta de interesse das nações ricas. No discurso de despedida, em 1956, Josué se disse “decepcionado” com o resultado obtido: “Não fomos suficientemente ousados, não tivemos a coragem suficiente para encarar, de frente, o problema e buscar as suas soluções”.


Apoios e alertas valiosos José Graziano já tem. O caminho agora está aberto para avançar.


*Vandeck Santiago é jornalista e autor de Josué de Castro – O gênio silenciado (2009, Comunigraf, PE). Contatos: trumbo@uol.com.br e www.twitter.com/vandecksantiago


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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/FAO+JOSE+GRAZIANO+REENCONTRA+JOSUE+DE+CASTRO_1542.shtml

Empresa chinesa começa a fabricar tablets no Brasil em agosto

28.06.2011
Da Rede Brasil Atual
Por Yara Aquino

Empresa chinesa começa a fabricar tablets no Brasil em agosto
Dilma ao lado do presidente da ZTE, Hou Weigui: fábrica no interior de São Paulo deverá empregar 2.500 trabalhadores (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)


Brasília – Representantes da empresa chinesa de tecnologia ZTE se reuniram nesta segunda-feira (27) com a presidenta Dilma Rousseff e informaram que a empresa produzirá tablets no Brasil a partir de agosto em parceria com empresas locais. "Já fizemos parceria com alguma fábricas no Brasil para a produção local", disse o presidente da ZTE, Hou Weigui.


O presidente da empresa ainda disse a Dilma que a ZTE já investiu no Brasil U$$ 30 milhões do total de US$ 250 milhões anunciados em abril durante visita da presidenta Dilma Rousseff à China, quando ela foi ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ZTE, em Xian.


Os representantes da ZTE manifestaram a Dilma o interesse em participar da implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). “O projeto de banda larga é nosso foco em duas áreas, wireless e linha fixa. A presidenta Dilma presta muita atenção no desenvolvimento e implantação da banda larga. Com os eventos mundiais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas o governo brasileiro quer acelerar o desenvolvimento das telecomunicações ”, disse Hou Weigui.


A empresa chinesa adquiriu um terreno para a construção de uma fábrica em Hortolândia (SP), onde será instalado um parque industrial, e também comprou uma fábrica já pronta. A previsão é que os US$ 250 milhões sejam investimentos até 2014 e a fábrica de Hortolândia empregue 2,5 mil trabalhadores.


A ZTE é fabricante de equipamentos de telecomunicações, de equipamentos 3G e 4G, e de soluções de rede.


Fonte: Agência Brasil
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2011/06/empresa-chinesa-comeca-a-fabricar-tablets-no-brasil-em-agosto

Apresentado na Câmara projeto de lei que propõe a criação do dia nacional do orgulho heterossexual

28/06/2011
Cidadania
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Projeto de lei para criar o dia nacional do orgulho heterossexual foi apresentado hoje (28) na Câmara dos Deputados. De autoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o projeto estabelece que o dia será comemorado no terceiro domingo do mês de dezembro de cada ano. “O projeto visa a resguardar direitos e garantias aos heterossexuais de se manifestarem e ter prerrogativas de se orgulharem do mesmo e não serem discriminados por isso”, disse o parlamentar na justificativa do projeto.


Na justificativa, o deputado Eduardo Cunha diz ainda que, no momento em que se discute preconceitos contra homossexuais, essa discussão acaba criando outro tipo de discriminação contra os heterossexuais e o “estimulo da ideologia gay supera todo e qualquer combate ao preconceito”.


O deputado também ressalta que “daqui a pouco os heterossexuais se transformarão pela propaganda midiática em reacionários e nós queremos ter a nossa opção pela família, sendo alardeada com orgulho”.


O projeto que propõe a criação do dia nacional do orgulho heterossexual será agora encaminhado às comissões técnicas para análise do mérito da proposta. Se aprovado pelas comissões, o projeto será levado à votação no plenário da Câmara.


Edição: Aécio Amado
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-28/apresentado-na-camara-projeto-de-lei-que-propoe-criacao-do-dia-nacional-do-orgulho-heterossexual

A fome e FAO não existem para o conservadorismo

28.06.2011
Do site da revista Carta Maior
Por Saul Leblon


Quando o êxito da diplomacia brasileira se consumou – ancorado, em boa parte, na credibilidade decorrente dos resultados sociais do governo Lula, reconhecimento esse doloroso para a mídia - partiu-se então para tentativas explícitas de desqualificar a escolha do ex-ministro José Graziano da Silva para dirigir o principal organismo voltado à luta contra a fome no mundo.


Omite-se nessa toada de preconceito e preguiça a real dimensão de um deslocamento diplomático importantíssimo, marcado pela rearticulação do G-77, que, afinal deu a vitória a Graziano. O fato é que o grupo dos países pobres e em desenvolvimento (G-77) uniu-se como raras vezes nos últimos anos para viabilizar o resultado que colocou pela primeira vez um brasileiro e um latinoamericano no comando da FAO.


Algo de crucial relevância que escapou ao colunista negligente é que esses países não estavam se opondo apenas aos blindados diplomáticos dos países ricos e protecionistas. Mas, sobretudo, à lógica de uma hegemonia esférica cujo resultado mais reluzente foi o colapso financeiro mundial que gerou 30 milhões de desempregados no planeta e elevou o contingente de famintos a 1 bilhão de pessoas em pleno século 21.


Entre os argumentos arrolados pelos ‘colunismo isento’ para justificar o apequenamento da cobertura listam-se o dito fracasso do Fome Zero e a suposta irrelevância da FAO, fechando-se assim um círculo de ferro no qual se esmaga o protagonista, a instituição e a dinâmica histórica que pode mudá-la.


Duas das mais importantes dificuldades enfrentadas para a implantação do Fome Zero, em 2003, são omitidas por esse raciocínio que mais esconde do que informa.


O Fome Zero, na verdade, enfrentou um cerco brutal dessa mídia que instaurou um ambiente de terceiro turno no país no início do 1º mandato de Lula. Sob o pano de fundo um conservadorismo ferido e virulento, o Fome Zero foi escolhido como alvo preferencial para reverter a derrota da candidatura da direita, recorrendo-se à desqualificação do eleito pelas urnas.


Recorde-se que já durante a campanha, expoentes do tucanato, como o próprio candidato derrotado José Serra, ameaçavam a sociedade com truques correlatos. A ‘argentinização’ do país (leia-se, a mazorca, a desordem’) puniria os eleitores se o escolhido fosse Luiz Inácio Lula da Silva. Era esse o clima. E foi sob esse diapasão que se montou um torniquete político e midiático em torno do Fome Zero.


A própria denominação do principal programa social do novo governo incomodava.


Vamos ser claros: elites, aqui e alhures, jamais aceitaram a existência da fome como expressão da miséria social por elas produzida. Não deixa de ser sintomático, por exemplo, que no seu desdém pela vitória brasileira na FAO, o articulista da Folha, Hélio Schwartsman retome essa negativa classista.


No comentário “FAO e Fome Zero não podem ser chamados de casos de sucesso” (Folha, 28/06), ele sapeca ligeiro: "em 2003 a obesidade já era um problema mais grave que a desnutrição". Ou seja, o Fome Zero, nome fantasia para uma política de segurança alimentar que o país jamais tivera e que hoje é uma questão prioritária no mundo— errara feio no diagnóstico. A fome era uma ficção esquerdista. O governo devia é ter liberado a lipoaspiração no SUS.


O mesmo articulista que revoga a fome en passant visualizou uma pandemia de gripe suína no país em 2009.


No dia 19 de julho, aquecendo os motores para a nova tentativa de colocar Serra na Presidência , o sábio Schwartsman assinava o texto da manchete da Folha, na 1º página: "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses”. No título interno: “Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas”.


O alarmismo progressivo com tema tão delicado de saúde pública foi duramente criticado pela comunidade médica.


O próprio ombudsman da Folha de então, Carlos Eduardo Lins e Silva, questionaria o jornal em comentário corajoso do dia 26 de julho, com o título: "No limite da irresponsabilidade". Trecho: "‘...A reportagem e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008..”.


É do alto desse patrimônio de isenção e rigor jornalístico associado ao elevado senso ético de quem fez da gripe suína uma estratégia de pânico desfrutável pelo ex-ministro da Saúde e então pré-candidato presidencial, José Serra, que se pontifica agora a irrelevância da FAO, do Fome Zero e, naturalmente, da própria fome.


A implicância com a fome não é uma originalidade do pontífice da Barão de Limeira. Quando o médico Josué de Castro (1908-1973) escreveu Geografia da Fome, em 1946, tratando pioneiramente do tema, ele também sofreu pressões para que o título – lançado pela editora O Cruzeiro - fosse substituído por outro mais ameno.


O livro e a militância progressista do autor foram responsáveis pelo exílio que o golpe de 1964 impôs a esse pernambucano ilustre, que por sinal dirigiu a estrutura nascente da FAO e teve duas indicações ao Nobel da Paz. Morreu no exilo, em Paris, em setembro de 1973, depois de ter seu pedido de regresso recusado pelo governo Médici. Não por acaso. O interdito à discussão da fome ganhou selo oficial na ditadura militar, quando a censura vetou inúmeros textos jornalísticos na tentativa de calar a palavra de incisiva contundência.


À censura policial, lembra a pesquisadora Ana Claudia da Silva, em seu artigo "Fome, história de uma cicatriz social", sobreveio a “higienização ideológica”.


Nos anos 70/80, adotou-se oficialmente o termo médico “desnutrição” para descrever o problema, como se a questão de fundo fosse mais de biologia clínica do que de política econômica.


A resistência das elites em admitir a existência de um Brasil mergulhado até o pescoço na insegurança alimentar não hesitaria ainda em recorrer ao argumento do determinismo biológico.


O estigma de um Jeca Tatu anêmico, permanentemente desleixado, inspirado nas idéias de Gobineau, cuidava de atribuir a penúria do homem do campo a ele mesmo. Soa familiar quando se ouve dizer que o Bolsa Família deixa o pobre preguiçoso, como sentenciam alguns tucanos e democratas.


Para resumir: o problema não está sociedade; a fome não tem origem na história, mas biologia. A circularidade do raciocínio reforça a legitimidade do preconceito ainda latejante. Os famintos, afinal, são a causa da fome.


Em 2003, sessenta e três anos depois do lançamento do livro de Josué de Castro, a palavra maldita continuava a carregar esse fardo de uma potente denúncia contra as elites e sua obra. No caso, aquela legada pelo governo cujo candidato tivera o apoio irrestrito da mídia. E mesmo assim fora rechaçado pela opinião pública majoritária.


Foi nesse ambiente que o Fome Zero cometeu alguns erros graves.


O primeiro deles foi de comunicação. A sociedade não foi informada de sua verdadeira natureza abrangente. Sob o cerco da mídia e da hesitação do governo em desfechar um poderoso mecanismo de comunicação de massa, a política de segurança alimentar foi soterrada pelo debate distorcido de um mata-fome imediatista e amador, como a mídia tentou vendê-lo.


Ao contrário do que se cristalizou como sendo a história contada pelos vencedores, o Fome Zero não foi um truque de improviso na trajetória do PT.


Em outubro de 1991, em plena vigência da vaga neoliberal, o Governo Paralelo do PT –criado para fazer oposição propositiva a Collor - apresentou à sociedade a primeira proposta de uma Política Nacional de Segurança Alimentar para o Brasil.


O trabalho foi coordenado pelo agrônomo José Gomes da Silva, pai do agora eleito diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva.


Retomava-se ali a importância do Estado e do planejamento na superação dos gargalos do desenvolvimento, sendo a fome caracterizada como o núcleo duro de desequilíbrios históricos, que não seriam superados com respostas assistenciais.


Para assegurar a todos os brasileiros o acesso a uma alimentação suficiente, regular e saudável, o país e a política econômica teriam de mudar. Era o que dizia o Fome Zero, ou melhor, a proposta de Política Nacional de Segurança Alimentar do PT em 1991.


O enfoque do Governo Paralelo tinha como pressuposto que a lógica de mercado, vedete absoluta nos círculos oficiais e midiáticos então, era incapaz de vencer os obstáculos como a concentração de renda, os conflitos fundiários e os desequilíbrios regionais.


A fome era o estuário silencioso dessa correnteza profunda.


A politização do tema evidenciava justamente o oposto da abordagem assistencial que tanto se criticaria, indevidamente, no Fome Zero em 2003.


A primeira proposta nacional de segurança alimentar do PT previa políticas que levassem a um crescimento sustentado, com elevação do emprego; gradativo aumento do poder de compra do salário mínimo; um plano nacional de reforma agrária; medidas de fortalecimento da agricultura familiar; política agroindustrial e políticas de comercialização agrícola, com garantia de preços mínimos e a formação de estoques reguladores.


O projeto do Governo Paralelo do PT preconizava, ademais, inúmeras providências operacionais e políticas consolidadas nos últimos anos. Entre elas, a criação de um marco institucional, uma parceria institucionalizada com a sociedade civil por meio da criação de um Conselho de Segurança Alimentar, o Consea.


Tudo isso estava condensado sob o nome fantasia de Fome Zero lançado em 2003, cuja segunda falha, essa de consequências dramáticas, foi subestimar o sucateamento do Estado brasileiro, após oito anos de administração tucana.


A verdade é que a máquina pública em 2003 não dispunha sequer de um cadastro único da população brasileira miserável.


Em que pese um esforço feito pelo Comunidade Solidária ao final do governo FHC, cada ministério - caso da Saúde, por exemplo,ocupado por Serra - tinha seu próprio cadastro. E controlava sua própria contabilidade de ‘gastos’ sociais, a serviço do titular de cada área, não raros com atritos entre eles.


É conhecido o comentário da atual presidenta Dilma Rousseff sobre o desmonte que encontrou no ministério das Minas e Energia, quando assumiu a pasta em 2003: ‘Tinha 20 motoristas; apenas um engenheiro’.


O PT, portanto, negligenciou seu próprio diagnóstico.


Um Estado recém saído de um ciclo neoliberal não poderia ter recursos materiais e humanos para sustentar uma política de segurança alimentar com a abrangência e a profundidade condensadas no Fome Zero, em 2003.


Acrescente-se a isso o cerco da oligarquia conservadora ao programa.


A concepção original do Fome Zero pressuponha a organização dos beneficiários que, progressivamente, assumiriam o seu controle como antídoto ao clientelismo e à manipulação política. Nada mais democrático. Tal horizonte, porém, atiçado pela mídia, assumiu contornos de ‘semente do chavismo’. Excitaria assim os sucos gástricos do anti-comunismo conservador e da resistência oligárquica – inclusive da Igreja Católica - em abdicar da ‘administração de seus pobres’.


Foi essa pá de cal que exigiria um recuo cirúrgico, com fatiamento do Fome Zero em políticas setoriais, cuja unidade estrutural acabaria sendo retomada apenas no segundo mandato de Lula. Ainda assim, foi preciso uma crise mundial igual ou superior a de 1929 para que as políticas sociais desdobradas do plano original – como a recuperação do salário mínimo, o Bolsa Família, o fortalecimento da agricultura familiar, o reforço a merenda escolar etc - ganhassem legitimidade, funcionando como robusto contrapeso de mercado de massa à contração econômica internacional.


Ao final de 2002, após oito anos de FHC, o IBGE havia divulgado uma pesquisa em que apontava a existência de 54 milhões de brasileiros – mais de um terço da população então – vivendo em estado de penúria, com até meio salário mínimo por mês. Havia fome bruta entre eles, por mais que o colunismo da Folha, sabidório, confunda saciamento e obesidade às custas de comida barata (gordura e refrigerantes) com nutrição e ausência de fome. Agora, em junho de 2011, a Fundação Getúlio Vargas acaba de divulgar um estudo que resume o que se passou após a longa caminhada de regeneração do Estado e das políticas públicas afilhadas do primeiro plano de segurança alimentar criado pelo PT, em 1991, base ao Fome Zero.


A renda per capta dos brasileiros mais ricos, informa a FGV, cresceu 10% na última década; a dos mais pobres aumentou 68%. O ganho de renda dos brasileiros mais ricos foi inferior à média registrada nos demais integrantes do Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul). Em contrapartida, o crescimento da renda dos 20% mais pobres só perdeu para a China. No governo Lula, o mercado de consumo incorporou um contingente da ordem de 50 milhões de brasileiros - o equivalente a uma Espanha demográfica.


Foram essas as credenciais que levaram o Brasil e Graziano à direção da FAO. E é a experiência dramática que elas condensam – de erros, acertos e potente sabotagem conservadora - que dão a ele a possibilidade de sacudir a letargia dessa organização, irrelevante, segundo a direita – como irrelevante para ela são todas as instituições que possam se opor à lógica dos livres mercados.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17990

Pedágios de São Paulo sobem no dia 1º

28.06.2011
Da Rede Brasil Atual
Por Redação da Rede Brasil Atual


Para 2012, agência estadual de transportes anuncia adoção do IPCA como indexador único de reajuste. Este ano, tarifas variam entre 6,55% e 9,77%


São Paulo – As tarifas de pedágio do estado de São Paulo ficam mais caras a partir de zero hora da sexta-feira (1º). O reajuste varia entre 6,55% e 9,77%, dependendo do período de assinatura dos contratos de concessão do governo do estado com as empresas concessionárias de pedágio.
Pedágios de São Paulo sobem no dia 1º
Cobrança nas estradas paulistas serão reajustadas no primeiro dia de férias (Foto: ©Folhapress/Arquivo)
Contratos mais antigos, dos anos 1990, são corrigidos pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas. Entram nessa classificação as rodovias Castelo Branco e as dos Sistemas Anchieta-Imigrantes e Anhanguera-Bandeirantes. Nesses casos o reajuste é maior, por volta de 9,77%.
Contratos firmados a partir de 2008, cujo indexador tarifário é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado pelo governo para medir a inflação, serão reajustadas em 6,55%. É o caso das rodovias Dom Pedro, Carvalho Pinto e Rodoanel.
O estado de São Paulo tem o maior número de pedágios do Brasil,  com 227 pontos de cobrança. Mais de 100 cidades têm pedágios em seu território. Alguns municípios chegam a ficar ilhados por pedágios em seu entorno.

De acordo com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o pedágio é o principal recurso para  garantir investimentos na ampliação e modernização da malha concedida do estado de São Paulo.

Revisão de contratos

Sem citar a revisão de contratos, a Artesp anunciou nesta segunda-feira (27) que a partir de 2012 o índice utilizado para reajustar as tarifas de pedágio em São Paulo será unificado. A agência vai adotar o IPCA como indexador único de reajuste para todas as concessões de rodovias paulistas.
“O objetivo da agência é uniformizar o índice entre todas as concessionárias das rodovias paulistas e utilizar um fator de reajuste mais próximo da realidade dos usuários”, afirmou em nota. A mudança seria uma “resposta às aspirações dos usuários e faz parte de uma ampla negociação entre o governo e as concessionárias”, 
Durante a campanha eleitoral de 2011, diante de uma enxurrada de críticas aos pedágios de São Paulo, que estariam entre os mais caros do mundo, o então candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB Geraldo Alckmin prometeu revisar os contratos de concessão das rodovias paulistas. 
Acesse a tabela completa com os valores reajustados das praças de pedágio no site da ARTESP.

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2011/06/pedagios-de-sao-paulo-sobem-no-dia-1o

Wikileaks: Cônsul dos EUA e FHC ironizam movimento 'Cansei'

28.06.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por  Andrea Dip/Agência Pública | São Paulo


Em 2007, aproveitando o acidente com o vôo 3054 da TAM, empresários paulistas lançaram o “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros” que ficou conhecido popularmente como 'Cansei', integrado por atrizes, atores e apresentadores de TV famosos que protestavam por uma variedade de temas – caos aéreo, corrupção educação, segurança.

Na visão do cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White, que deixou o cargo em meados de 2010, o movimento não era apartidário. O despacho foi vazado e publicado no Wikileaks.

Assim começa um comunicado enviado a Washington no dia 18 de setembro de 2007: "Na tentativa de aplacar o descontentamento popular com o governo Lula, um grupo de empresários de São Paulo lançou o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, conhecido informalmente como ‘Cansei’ (I’m tired)".

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O documento segue dizendo que "apesar de os líderes insistirem no apartidaridarismo e dizerem que o movimento não ataca ninguém especificamente, tem causado forte reação de movimentos sociais e entidades ligadas ao governo Lula, que caracterizam o ‘Cansei’ como um grupo de membros ricos da elite branca sem nada melhor para fazer do que reclamar".

White diz ainda que o movimento não sabia direito para que direção avançar. "Conforme descrito em seu site e cartazes publicitários, os membros do ‘Cansei’ estão fartos do caos aéreo, do poder dos traficantes, das crianças nas ruas, balas perdidas e tanta corrupção".

Conversas com D’Urso

A Washington, White comenta sobre um encontro entre oficiais da embaixada norte-americana, Luiz Flávio Borges D’Urso e representantes da OAB de São Paulo no dia 29 de agosto de 2007. "A OAB organiza frequentemente programas em conjunto com as mesmas associações empresariais que fazem parte do 'Cansei!'. De acordo com D'Urso, faz parte dos interesses da organização elogiar o governo mas também criticá-lo quando for o caso".

O presidente da OAB São Paulo também aproveitou o encontro para criticar a resolução da arquidiocese de São Paulo, que proibiu o ‘Cansei’ de fazer uma manifestação na Catedral da Sé em julho daquele ano e obrigou o movimento a fazer seu "um minuto de silêncio de indignação" ao ar livre. "Para D’urso, o arcebispo se curvou diante da pressão e não quis criar controvérsias".

FHC: "não é um lema para Martin Luther King"

Outra parte do documento diz que os líderes do 'Cansei' não ajudaram ao tentar contar seu lado da história. "Entrevistado pela revista Veja, João Dória Jr. queixou-se que a opinião pública discrimina os bem sucedidos e ricos (…) e que sua imagem de alguém que nunca fumou, bebeu ou usou drogas, não briga, não fala palavrões e usa gel no cabelo tornou difícil aos brasileiros comuns se identificarem com sua causa".

White diz também que o presidente da Philips no Brasil, Paulo Zotollo, atraiu atenção negativa quando disse a um jornal que, ao apoiar o movimento Cansei, desejava remexer no “marasmo cívico” do Brasil, e afirmou: "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". "Zottolo insistiu que sua observação tinha sido tirada do contexto, mas, novamente, o estrago já estava feito" diz o norte-americano.

Thomas White conclui o telegrama dizendo que o slogan 'Cansei', embora possa resumir com precisão os sentimentos de algumas pessoas, não é muito eficaz como um grito de guerra.

"Como ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou recentemente ao cônsul-geral, não é um lema que Martin Luther King, Jr. teria escolhido para inspirar seus seguidores", revela White.

Para ele, "os líderes do movimento, por toda sinceridade e seriedade tornaram-se alvos fáceis para a caricatura".

Em 2011, não há mais vestígios do 'Cansei'. A página do movimento foi tirada do ar.

*Reportagem publicada originalmente na agência Pública. 

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/WIKILEAKS+CONSUL+DOS+EUA+E+FHC+IRONIZAM+MOVIMENTO+CANSEI_13106.shtml

Entrevista Carlos Lessa: “O problema do Brasil é a nossa elite”

28.06.2011
Do site da revista Caros Amigos
Por Eduardo Sá 



Formador das várias lideranças em nosso continente, Carlos Lessa é antes de tudo um professor, como gosta de ser chamado. Aos 75 anos é uma referência no que diz respeito à economia. Deixou de ser reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) no governo Lula, cargo que deixou de ocupar por conta de pressões internas por suas posições nacionalistas.

Hoje, ele tem uma coluna mensal no jornal Valor Econômico e dá palestras, muitas delas de graça. Nesta entrevista, Lessa aponta a elite brasileira como o principal entrave para o progresso nacional, faz críticas à mídia nacional e à política da Vale (ex-estatal Companhia Vale do Rio de Doce), além de se defender, como ex-presidente de uma grande instituição, contra os argumentos de Antonio Palocci, que atribuiu às suas funções pós-governo o expressivo aumento de seu patrimônio em tão pouco tempo.

Caros Amigos Qual a sua opinião sobre o que é veiculado na mídia em relação à economia, apesar de você escrever no Valor Econômico?

Eu não sei quem me indicou, eu tinha saído do BNDES e o meu pulmão passou a ser o Valor. Eu escrevo até duas vezes por mês, para mim é importante porque o empresariado e as direções sindicais leem. De certa maneira, as assessorias das figuras de poder tomam conhecimento, então é uma maneira de eu passar o recado. A própria presidente é minha ex-aluna, e, além disso, durante dois anos convivi com ela todas as semanas quando eu fui presidente do BNDES e ela era ministra de Minas e Energia. Aliás, eu fui professor de uma quantidade enorme de personalidades, José Serra também foi meu aluno, ele se diz meu discípulo, porque no Chile ficava na minha casa quando eu era exilado.

Caros AmigosAo mesmo tempo que você influenciou várias lideranças não tem muito espaço na mídia, isso é por causa das suas opiniões nacionalistas?

Não tenho espaço, pergunte a eles. Eu me defino como nacionalista e populista. Nacionalista sem qualificativo, e neopopulista. Se você fizer um corte radical na população brasileira, você vai ter de um lado a elite e, do outro, o povão. O povão, para mim, é uma massa heterogênea que do ponto de vista de inserção na economia é a mais variada possível. Eu acho o povo brasileiro absolutamente admirável, é dos melhores povos do mundo: não tem arrogância, é cordial, não tem preconceito, extremamente aberto às novidades e, ao mesmo tempo, conservador a tudo que tem e sabe. Então, ele tem uma combinação de comportamentos muito estranha, porque ele é aberto à inovação e ao mesmo tempo extremamente conservador das tradições. Aliás, eu acho que a nação brasileira está na estrita dependência desse povão, que não deixa a ideia do Brasil cair e o idioma português desaparecer. Se você dependesse da elite, a nação brasileira não teria importância nenhuma, a elite não liga para a nação. Ela não liga para o seu povo, que é a principal característica das lideranças nacionais, deixa o povo maltratado para burro. Eu comecei a ter uma visão crítica da sociedade com a minha mãe, classe média alta, oligarquia antiga, tinha os seus pobres, comiam na minha casa todos os dias. Ela me acostumou muito com duas coisas: a existência do povo e situação social diferenciada. Porém, eu só descobri o grau da iniquidade quando eu já era estudante de economia e fui para Recife, e vi as favelas de lá. Porque eu tinha uma visão da favela do Rio como lugar de pobres, mas não dramático.

Em Recife, vi a favela Nova Brasília, do Pina e Boa Viagem. Uma sociedade que tem edifícios com apartamentos belíssimos na praia de Boa Viagem e por trás convive com essa miséria devastadora, porque você não tem ideia do que é uma favela em cima de mangue, é a pior que existe. As casas são baixinhas, e as condições higiênicas com lama sem esgoto e coleta de lixo são as piores. Eu tive uma revolta brutal, pois uma sociedade que deixa sua gente nessas condições é uma elite que não merece o meu respeito. Aí, eu botei a elite brasileira entre parênteses, isso se deu quando eu tinha 22 anos. Arraes tinha sido eleito prefeito e eu fui ajudá-lo a fazer o plano diretor. Fiquei horrorizado com o drama social urbano de Pernambuco. Como intelectual, eu levei minha vida inteira pensando criticamente as elites do mundo e a brasileira em particular, e observando muito o povão. Eu acho o povo brasileiro extremamente criativo, é fantástico ele sobreviver a essa elite e ainda conseguir ser alegre.

Para ler a entrevista completa e outras matérias confira edição de junho da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.

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Fonte:http://carosamigos.terra.com.br/

Ressarcimentos de planos de saúde ao SUS batem recorde

28/06/2011
Saúde
Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil


São Paulo – O valor pago por operadoras de planos de saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS) pelo atendimento dos segurados em hospitais da rede pública bateu recorde no primeiro semestre deste ano. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os ressarcimentos ao SUS somaram R$ 25 milhões até agora, mais do que o total recebido pelo SUS entre 2008 e 2010.


Os planos de saúde devem ressarcir o SUS sempre que um dos seus clientes é atendido pela rede pública, e não por médicos e hospitais conveniados. Padilha disse que esses pagamentos estavam sendo feitos em ritmo lento. O governo, porém, pretende acelerar as cobranças “Queremos um ressarcimento crescente e, para isso, é fundamental o ajuste de um sistema de informação”, disse Padilha após participar da abertura da 16ª Conferência Municipal de Saúde de São Paulo.


Padilha informou que o Ministério da Saúde está trabalhando com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula o funcionamento dos planos de saúde, para obter dados sobre todos os atendimentos a clientes das operadoras feitos pelo SUS. Ele disse que uma resolução da ANS já prevê que as guias de atendimento dos clientes de planos indiquem também a identificação deles no sistema do SUS, justamente para facilitar o ressarcimento.


“Isso [a resolução] vai ser um ganho para o SUS, mas também para os planos de saúde”, disse Padilha. “Na medida que você integra o sistema de informação do SUS com o dos planos, os planos também passam a ter informações dos seus clientes quando eles passam pelo SUS.”


De acordo com Padilha, existem hoje mais de 45 milhões de usuários de planos de saúde no país. Em alguns locais, até 90% dos procedimentos de alta complexidade aos quais esses pacientes são submetidos são feitos pelo SUS.


Edição: Vinicius Doria
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-28/ressarcimentos-de-planos-de-saude-ao-sus-batem-recorde