quarta-feira, 22 de junho de 2011

Na Argentina, mistério sobre vice de Cristina movimenta bastidores da política

22.06.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Daniella Cambaúva | Redação


Desde a morte do ex-presidente Néstor Kirchner – um dos líderes do Partido Justicialista – em outubro do ano passado, um assunto não mobilizava tanto a política argentina quanto a escolha do candidato  governista à disputa pela Presidência. Nesta terça-feira (21/06), três dias antes da data limite para inscrição exigida pela Justiça Eleitoral, a presidente Cristina Kirchner afirmou que tentará a reeleição. A pergunta que os analistas fazem agora é: quem será o vice?

O anúncio da peronista é destaque na imprensa local nesta quarta-feira (22/06), assim como o tom do discurso, as promessas e críticas. O La Nacion observou que Cristina, "fiel ao seu estilo, deixou um mistério no ar. Não deu uma só palavra sobre quem será seu vice. Nem um indício. Nem uma frase solta". O Perfil seguiu na mesma linha: "São muitos os nomes propostos para integrar o binômio, mas poucas são as certezas. Previsíveis, duvidosos, inesperados".

Leia mais: 
Cristina Kirchner anuncia candidatura à reeleição para a presidência da Argentina 

Reprodução/Opera Mundi


Conforme escreveu o Clarín, "hoje [ontem], os telefones e as reuniões estarão tomadas pelo tema dos 'vices'". O Página 12, em um artigo intitulado "A dança dos vices", citou um funcionário da Justiça Eleitoral, responsável pelas inscrições dos candidatos: "[Cristina] já se lançou, escrevam isso, [a escolha] do vice vão fazer suspense".

A única certeza é que a coalizão da presidente, a FPV (Frente para a Vitória), precisa entregar o nome do vice até o próximo sábado (24/05). As principais apostas são o ministro da Economia, Amado Boudou; Alicia Kirchner, irmã do ex-presidente e ministra de Ação Social; Juan Manuel Abal Medina, secretário de Comunicação; e os governadores Jorge Capitanich (Chaco); Sérgio Urribarri (Entre Rios) e José Alperovich (Tucumán).

De acordo com o Página 12, até o atual vice, Julio Cobos, está na lista das possíveis parcerias. Após a vitória de Cristina em 2007, Cobos se tornou um ferrenho opositor dos Kirchner. Conforme determina a Constituição argentina, o vice ocupa obrigatoriamente a presidência do Senado. Sendo assim, ele teve o poder de desempatar votações na Casa. Em algumas, ajudou  a oposição, prejudicando o governo, como em outubro do ano passado, quando os senadores avaliavam uma proposta de aumento da aposentadoria: diante de um empate, ele votou a favor da proposta dos oposicionistas e foi chamado de "traidor"pelo governo. Cobos chegou a cogitar a candidatura à Presidência ou ao governo de sua província natal, Mendonza, mas desistiu.

Leia mais:
 Ex-presidente argentino Eduardo Duhalde anuncia que disputará sucessão de Cristina Kirchner 
Galeria de imagens: Argentinos vão à Praça de Maio para homenagear ex-presidente Néstor Kirchner 
O legado deixado por Néstor Kirchner
Avós da Praça de Maio dizem que Kirchner deu a vida pela Argentina 

Sem surpresas, com críticas

O anúncio de Cristina já era dado como certo por todos os setores políticos do país, apesar de, em maio, ela ter declarado que não tinha tanto interesse em ser presidente novamente e que "havia dado tudo o que havia para dar".

Ao contrário dos outros adversários de Cristina, a candidata pela Coalizão Cívica, Elisa Carrió, pegou pesado nas críticas à atual presidente. "Devo reconhecer que ela conseguiu me enganar com sua dor e suas lágrimas permanentes até a semana passada. Seu vestido preto e sua postura de vítima eram parte de uma encenação", acusou. "O ato dois será o vice", completou Carrió, citada pelo Cronista.com.

Carrió já concorreu ao cargo em 2003, quando obteve 14.05% dos votos, e em 2007, quanto registrou 23,04%. Também pela Coalizão Cívica, partido em que é líder, foi deputada pela província do Chaco (1995–1999 e 1999-2003) e pela Cidade de Buenos Aires (2005-2007).

Já o conservador Ricardo Alfonsín se restringiu a dizer que nunca duvidou da candidatura de Cristina, "nem acreditei que estivesse em dúvida". O candidato da UCR (União Cívica Radical), mesma legenda de seu pai, o ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-1989), disse que Cristina não tem chances e que "não trará problemas" a ele.

Eduardo Alberto Duhalde, da União Popular, por sua vez, afirmou que a atual presidente que já está há quase quatro anos no poder, "é incapaz de governar". O cineasta Pino Solanas, deputado e ex-candidato pela bancada Projeto Sul, de esquerda, limitou-se a declarar: "era previsível, não tenho mais nada a dizer".

Maurício Macri, prefeito de Buenos Aires, comentou ironicamente que "deseja sorte" a Cristina, assim como a todos os outros candidatos. Ele não será candidato, mas é um histórico opositor dos Kirchner. "Estou surpreso por demorar tanto para confirmar", completou.

Campanha #CFK2011

Logo após o anúncio, a candidatura de Cristina repercutiu nas redes sociais entre os políticos governistas. No Twitter, o chefe de gabinete, Aníbal Fernández, escreveu: "Como esperávamos, a presidente @CFKArgentina acaba de oficializar sua candidatura à reeleição presidencial".

Outros líderes também comemoraram na rede social:

O deputado e candidato a governador da província de Buenos Aires, Martín Sabbatella, "O anúncio de CFK expressa o desejo de milhões de argentinos que querem que este presente transformador continue e se aprofunde".

O deputado e candidato a governador em Santa Fé: "Que @CFKArgentina seja candidata é uma excelente notícia para todos. Sua estatura de estadista é muito superior à dos demais candidatos".

O senador kirchnerista Eric Calcagno: "Vamos com Cristina à vitória em outubro!!!".

O secretário de Comunicação Juan Manuel Abal Medina: "Cristina oficializou sua candidatura à reeleição presidencial Força todos!!!!!".

O ministro das Relações Exteriores, Hector Timerman, afirmou: "Uma vez mais Cristina assumiu as responsabilidades de conduzir o projeto nacional. A grande maioria do povo vai acompanhá-la".

Candidatos

Os advsersários de Cristina em outubro serão: Eduardo Alberto Duhalde (União Popular, dissidente peronista); Alberto Rodríguez Saá (Peronismo Federal, dissidente peronista); Ricardo Alfonsín (UCR, conservador); Elisa Carrió (Coalizão Cívica), Hermes Binner, atual governador da província de Santa Fé (Partido Socialista) e Jorge Altamira, ex-deputado pela Cidade de Buenos Aires (Partido Obrero, trotskista). Os nomes devem ser confirmados até sábado.

Uma das peculiaridades da Argentina é a quantidade de partidos políticos. São 710 legendas registradas legalmente na Câmara Nacional Eleitoral, órgão correspondente ao TSE brasileiro. Este é o maior número do mundo. Um partido político precisa ter uma quantidade mínima de filiados em algum dos 24 distritos eleitorais, que varia entre 382 e quatro mil, de acordo com a população local. Isso não significa, porém, que poderá indicar um candidato à eleição presidencial. Para que tenha condições de apresentar candidato à presidência, o partido precisa ter pelo menos quatro mil filiados em pelo menos cinco distritos diferentes.

A legislação argentina prevê que para que um candidato ganhe as eleições em primeiro turno deve obter 45% dos votos ou ter 40% mais dez pontos percentuais de diferença sobre o segundo colocado. 

*****
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/NA+ARGENTINA+MISTERIO+SOBRE+VICE+DE+CRISTINA+MOVIMENTA+BASTIDORES+DA+POLITICA_12941.shtml

SUS tem 223 mamógrafos parados por falta de assistência técnica e de pessoal para operá-los

22/06/2011
Saúde
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil


Brasília – Cerca de 15% dos mamógrafos do Sistema Único de Saúde (SUS) estão sem uso, segundo auditoria inédita feita pelo Ministério da Saúde. Dos equipamentos em funcionamento, 44% ficam em unidades de saúde dos estados da Região Sudeste.

No total, o SUS conta com 1.514 equipamentos de mamografia. Desses, 223 estão parados, 111 têm baixa produtividade, 85 apresentam defeitos e 27 estão em embalagens.

O governo federal constatou que os equipamentos não são usados ou têm baixa produtividade por falta de assistência técnica e de pessoal qualificado para operá-los. “Em alguns locais, o mamógrafo só é operado pela manhã e fica ocioso depois”, disse o diretor do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), Adalberto Fulgêncio, que coordenou a auditoria, feita durante dois meses.

A vistoria identificou que o Acre dispõe de três aparelhos, mas somente um é usado. Os outros dois ainda estão na caixa, a maior proporção de equipamentos sem uso em todo o país, o equivalente a 66,7% .

A Região Sudeste tem 669 dos mamógrafos disponíveis no SUS, sendo que o estado de São Paulo é responsável por 335 (309 em funcionamento). Em Minas Gerais, dos 211 aparelhos, 36 estão inoperantes – o maior número absoluto de equipamentos fora de operação em todo o país.

Conforme o levantamento, o Norte é a região com o menor número de equipamentos e também com o maior percentual de aparelhos sem uso. Dos 86 mamógrafos existentes, 20 estão parados (23,3%), sendo 14 por causa de defeitos. Roraima (dois) e Santa Catarina (64) são os únicos estados em que todos os mamógrafos estão funcionando.

Segundo o Ministério da Saúde, o total de mamógrafos no SUS é suficiente para atender mulheres de 40 a 59 anos. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda um aparelho para cada 240 mil habitantes. A oferta universal do exame não ocorre devido à concentração dos aparelhos em regiões metropolitanas e a baixa produtividade, conforme o ministério.

Os auditores identificaram que 28% dos estabelecimentos do SUS não tem informações atualizadas sobre serviço de mamografia.

Diante dos resultados, o ministério pretende, junto com estados e municípios, instalar mamógrafos em locais que não tenham o equipamento. A pasta pretende ainda equipar unidades móveis com o aparelho para que atendem às mulheres nos municípios do interior.

O ministério também deve fazer acordo com os fornecedores para que prestem assistência técnica aos mamógrafos. Está prevista a capacitação de 25 mil técnicos em radiologia até 2015. “Queremos dobrar o número de exames por ano [ de 3 para 6 milhões]”, afirmou Fulgêncio.

A mamografia é um exame fundamental para identificar o câncer precoce na mama - a maior causa de mortes de mulheres no Brasil.

Edição: João Carlos Rodrigues
****
Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-22/sus-tem-223-mamografos-parados-por-falta-de-assistencia-tecnica-e-de-pessoal-para-opera-los

Nova Zelândia é acusada de incentivar abortos de fetos com síndrome de Down

22.06.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Efe | Sydney


Um grupo de pais denunciará na semana que vem o governo da Nova Zelândia perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostamente promover o aborto de fetos com síndrome de Down, revelou nesta quarta-feira (21/06) a imprensa neozelandesa. Os pais alegam que os testes subvencionados pelas autoridades para identificar os fetos com a doença têm o objetivo de fazer as mães abortarem, o que representa uma violação dos direitos das pessoas com síndrome de Down.


"O TPI trata os casos de perseguição contra grupos identificáveis na sociedade, e acreditamos que este é o caso na Nova Zelândia", assinalou ao canal de televisão News 3 Mike Sullivan, um dos litigantes. Em sua opinião, o programa estatal "financia e promove a eliminação dos fetos quando se diagnostica a síndrome de Down".


Leia mais: 
Veja as restrições legais ao aborto em cada país Tabu no Brasil, aborto é menos restrito na maioria dos países 
Ignacio Ramonet: a xenofobia europeia 
Aborto ilegal é 300 vezes mais perigoso para a mulher que o legal  



O Ministério da Saúde neozelandês apontou que, embora o exame seja oferecidos a todas as grávidas, seu objetivo não é fazê-las abortar, e acrescentou que os serviços de saúde oferecem apoio àquelas que decidem continuar a gravidez. Segundo dados oficiais, cerca de 90% das mães abortam quando seus fetos têm síndrome de Down.


O TPI julga casos contra indivíduos e não contra Estados, mas este detalhe não desanimou os pais, que esperam que o caso chegue à Corte internacional.
****
Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/NOVA+ZELANDIA+E+ACUSADA+DE+INCENTIVAR+ABORTOS+DE+FETOS+COM+SINDROME+DE+DOWN_12934.shtml

Luana Santos: A queda de Aécio e a imprensa em Minas

22.06.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por Luana Diana dos Santos*, para o Viomundo

No último domingo acordei ao som das gargalhadas do meu irmão. Ao perguntá-lo o motivo de tanta alegria às 7 da manhã, fui informada que Aécio Neves havia caído do cavalo. A princípio, pensei que fosse piada. Após uma olhada rápida no twitter, descobri que não havia nenhuma figura de linguagem na queda do senador tucano. O acidente lhe custou cinco costelas  e a clavícula direita quebradas.
Na padaria não havia outro assunto. Enquanto tomava meu cafezinho acompanhado por um pão com manteiga, observava um grupo de senhores de meia idade organizarem  um ‘bolão’ dos motivos do tombo do ex-governador. Sei que é pecado rir da desgraça alheia, mas foi difícil me conter diante das apostas:  “O cavalo deve ter sido presente do Serra”…”A eguinha ‘pocoPó’ se rebelou contra a tucanada”…risos….
Saciada a minha fome, dei uma folheada no Estado de Minas, o maior jornal das Gerais. Buscava uma foto, alguma notícia em relação ao quadro de saúde de Aécio. Não encontrei absolutamente nada. É aí que a queda do tucano perde a graça.
A falta de notícias quanto ao que realmente aconteceu com o  neto de Tancredo na tarde de sábado é apenas mais um capítulo do clima de cerceamento que vive a imprensa mineira. No episódio que ficou conhecido como #Aéciodevassa ocorreu a mesma coisa. Nem uma mísera linha sobre o assunto no jornal. Por aqui, qualquer fato que desagrade Aecim ou o Governo, hoje liderado pelo também tucano, Antonio Anastasia, fica de fora dos veículos impressos e televisivos. Quando divulgados, são feitos de maneira deturpada e tendenciosa.
Desde o dia 8 de junho, quando nós professores da Rede Estadual de Ensino entramos em greve reivindicando a implementação do piso salarial nacional (recebemos um piso de R$ 550,00!), tenho comprado o Estado de Minas diariamente a fim de acompanhar as notícias sobre o movimento. Até o momento foram divulgadas não mais que meia dúzia de parágrafos sobre a paralisação dos profissionais da educação, e mesmo assim com o intuito de desmoralizar ainda mais a nossa classe. Infelizmente,  a pouca visibilidade dada pelo periódico à nossa luta é motivo de comemoração pelo  Sindicato dos Professores. No ano passado, foram necessários exatos 60 dias para que uma nota saísse no jornal.
A censura exercida pelos tucanos sobre a imprensa mineira causaria inveja até na turma do DOPS. Na quarta-feira passada, 15, cerca de 700 professores se reuniram em frente à Cidade Administrativa, fechando a Linha Verde, via de acesso ao Aeroporto de Confins. Na voz do Diretor de Segurança da sede do Governo, veio o recado de Anastasia: “Liberem a Linha Verde e o Governador deixará a imprensa noticiar a manifestação de vocês!”. No dia seguinte haviam 3 linhas (3!) sobre a ato  no Estado de Minas e uma matéria de 30 segundos no noticiário local.
As restrições à liberdade de expressão em Minas é tão pesada que virou documentário. Alunos do curso de jornalismo  da Universidade Federal de Minas Gerais realizaram um vídeo onde profissionais de rádio e televisão denunciam as dificuldades encontradas para a veiculação de matérias contrárias aos interesses de Aécio e cia. Alguns jornalistas que ousaram romper com a tirania psdbista foram demitidos. Á época da realização da pesquisa, Aécio Neves era o governador do Estado. Dias depois do documentário ganhar a internet, começou a circular uma nova produção  – “Olha só como se constrói uma mentira e a distorção do fatos. Jornalistas negam censura”. Essa era a chamada do vídeo. Aecim é realmente muito danado!
Conversando com uma grande amiga que trabalhou durante 25 anos no Estado de Minas, soube que 50% dos recursos do jornal são provenientes de contratos publicitários com o Governo Estadual, num momento em que a tiragem e o número de assinantes decresce vertiginosamente.  O Deputado Carlin Moura, do PCdoB, já havia feito a mesma denúncia no ano passado. Encaminhada ao Ministério Público Estadual, se juntou aos milhares de processos que encontram-se engavetados.
Dedilhando este texto lembrei-me de Lima Barreto, um dos meus escritores preferidos. Barreto costumava dizer que no Brasil muitos jornais não passavam de meros diários oficiais à serviço dos interesses do governo. Em Minas, o pensamento barretiano permanece atualíssimo.
Como boa mineira, não perco a fé. Não há motivos para perdermos as esperanças de que em breve teremos uma imprensa livre e democrática, que atenda de fato aos interesses dos cidadãos. A liberdade é o lema da nossa bandeira. O sucesso do II Encontro de Blogueiros Progressistas sinaliza que novos tempos estão por vir.
*Luana Diana dos Santos é cronista, historiadora e professora da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais. 
@luanadianas

****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/luana-santos-a-queda-de-aecio-e-a-imprensa-em-minas.html

O “nacionalismo” naval da Folha está furado

22.06.2011
Do blog TIJOLAÇO
Por Brizola Neto

Quando a gente fala que a mídia manipula a informação, não está dizendo que ela mente.
Está dizendo que distorce, aumentando um lado, reduzindo o outro.
Vejam o caso da manchete – e mais quase toda uma página  interna da edição de hoje da Folha de S. Paulo.
Aí vem a conta marota.
Como foram compradas 22 plataformas e, destas, só três foram integralmente construídas aqui, tem-se que 3/22 é igual a  13,6%. E então, 87% dão estrangeiras. Arredondando, 90%, não é?
Aí você, pacientemente, lê toda a matéria. A repórter Leila Coimbra jamais escreve a expressão 90%, senão uma vez, para dizer que das  48 plataformas da petroleira privada OSX, 90% serão construídas no Brasil, no estaleiro que o grupo empresarial de Eike Batista está começando a construir no Porto do Açu, em sociedade com a sul-coreana Hyundai Heavy Industries, e que será, segundo os planos, o maior estaleiro das Américas.
Como a empresa já achou e extrai petróleo, é óbvio que ela não iria esperar ficar pronto o estaleiro e que o estaleiro produzisse as plataformas, não é? Até porque, é evidente, um estaleiro não é simples como “fazer um puxadinho” e construir uma plataforma não é fazer um toldo de varanda. Portanto, nada mais natural que, na fase inicial, ela comprasse quatro plataformas em estaleiros que fazem uma atrás da outra.
Mas vá lá, é uma empresa privada e, se a Folha não se incomoda em que a Vale – segundo ela, empresa privada também, embora o estado tenha a maioria das ações do consórcio controlador – faça navios lá fora, é estranho que se incomode com o fato de a OSX fazê-lo. E, como se viu, nem é o caso.
Bom, sobram então, dos 15 equipamentos utilizados no gráfico que ilustra a matéria, 11 equipamentos pertencentes à Petrobras, e só três deles  feitos no exterior: a TLP-61 e os navios-plataforma (FPSO) Santos e Angra dos Reis.
E por que? Os dois FPSO foram comprados porque se destinam aos sistemas definitivos de exploração dos campos de Tupi e Lula, os primeiros do pré-sal. Eles substituem outros, afretados no exterior, que fizeram os testes de longa duração, mas que não têm capacidade de suportar o megavolume – 100 mil barris/dia – que os poços terão na sua operação comercial.  Foi, portanto, uma opção de velocidade na entrada de operação do pré-sal.
Opção que, de forma alguma, substitui ou reduz o empenho da Petrobras em desenvolver a indústria naval e petrolífera nacionais. Tanto que os FPSO apontados como tendo “parte nacional, parte estrangeira” são, na sua maioria, cascos comprados e reformados estruturalmente no exterior – eles têm previsão de ficarem ancorados no poço por 20 anos, não podem vir á terra para pequenos reparos – e convertidos aqui em navios-plataforma. O P-58 está no Estaleiro Estaleiro Rio Grande – que vai fazer oito outros FPSO, chamados “replicantes” – e o P-52 no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. Lá, também, será sendo feito o “Cidade de São Paulo”, que tem apenas o casco importado da China.
Aliás, uma das características comuns a muitos navios-plataforma do tipo FPSO é serem construídos, por opção econômica, a partir de cascos de antigos navios petroleiros de grande capacidade – os chamados VLCC, Very Large Crude Carriers – que não são mais competitivos como navios de longo curso mas que se prestam perfeitamente – por sua enorme capacidade de tanques -  à operação quase estacionária de um navio-plataforma. Daí a necessidade de reforma do casco, em geral em dique seco, para reforçar suas características estruturais. O complexo não é o casco, mas a construção de uma plataforma de petróleo sobre ele.
E a TLP-61? É simples, é uma plataforma de um tipo diferente, pioneira no Brasil. E não está sendo feita no exterior, não.  Está sendo feita no Estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis.
Mas, como é uma plataforma de outro tipo, diferente de todas já utilizadas pela Petrobras, a execução do projeto implicará a utilização de uma balsa especial para a etapa de mating (acoplamento do casco ao convés). A balsa existente no Brasfels, utilizada na construção de P-52, P-51 e P-56, não se encaixa à P-61, por que a  distância entre  suas colunas é menor do que em plataformas semissubmersíveis, como as que usa a Petrobras.  Assim, a nova balsa será construída no estaleiro da Keppel Fels em Singapura, junto com uma parte do convés e dos topsides da plataforma, que chegam ao estaleiro brasileiro no fim deste ano.
Agora, se a Folha se preocupa tanto com a questão da nossa capacidade de construir aqui plataformas para a exploração de petróleo, ao ponto de dedicar uma capa do caderno de economia à nossa “incapacidade” de fazê-las, porque dedicou, no dia da inauguração da P-52, no início deste mês, a plataforma com maior índice de nacionalização já alcançado (73%), apenas dois parágrafos de uma pequena matéria, como voc~e pode ver na reprodução publicada aí ao lado?
Seria isso o que o neoacadêmico Merval Pereira disse outro dia, desqualificando os blogs, a “capacidade de hierarquizar a notícia” da grande mídia?

****
Fonte:http://www.tijolaco.com/o-nacionalismo-naval-da-folha-esta-furado/

Universitários fazem intercâmbio com bolsa dentro do Brasil

22.06.2011
Do portal ÚLTIMO SEGUNDO, 21.06.11
Por Priscilla Borges, iG Brasília |


Programa de mobilidade acadêmica existe desde 2006 e financia estudantes em universidades longe de casa por até um ano



Para os reitores das universidades federais, promover a movimentação dos estudantes brasileiros entre instituições é um sonho e um objetivo. Desde 2003, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) criou um projeto com a intenção de financiar pequenos “intercâmbios internos” de universitários. Os interessados trocam de instituição por um período de seis meses a um ano, dentro do Brasil mesmo. Recebem, para isso, uma bolsa de estudos e apoio das federais.
Os objetivos da promoção desse tipo de experiência não diferem dos apontados como os maiores benefícios da mobilidade estudantil esperada com o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Ministério da Educação. O iG mostrou nesta segunda-feira que pouco mais de 11 mil jovens deixaram suas casas para fazer um curso superior em outros Estados na primeira edição deste ano. A busca é por trocas de experiências profissionais e pessoais, amadurecimento, formação mais completa e diversificada. Com a mobilidade acadêmica temporária, também.

“Manter a mobilidade acadêmica é muito positivo. É muito importante para os universitários passarem por experiências em diferentes locais. Apoiar programas que permitam aos estudantes passar pelo menos seis meses em outra universidade e região do País deveria ser outra prioridade do Ministério da Educação”, opina João Luiz Martins, vice-presidente da Andifes e reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

O primeiro convênio criado com o intuito de promover a movimentação dos estudantes universitários pelas instituições federais de ensino superior foi assinado por 45 representantes em 2003. No entanto, o Programa de Mobilidade Acadêmica mantido pela Andifes saiu do papel mesmo em julho de 2007. À época, 16 instituições ratificaram o termo de adesão ao projeto. No final do ano passado, 41 universidades já participavam do programa e 204 estudantes estudavam longe de suas instituições de origem.
Para se tornar bolsista, o universitário precisa preencher requisitos. Deve ter concluído todas as disciplinas previstas para o primeiro ano ou os 1º e 2º semestres letivos do curso na instituição de origem. Só pode ter uma reprovação por período letivo (ano ou semestre). O interessado precisa apresentar à própria universidade uma lista das disciplinas que pretende cursar na instituição parceira. Ninguém pode passar mais de um ano no programa.

O limite de tempo é simples: a Andifes não quer que os universitários se transfiram para outras instituições. Para a entidade interessa o intercâmbio de ideias, que só se concretiza com o retorno dos jovens às universidades de origem e a divulgação das experiências vividas por eles entre os colegas. Segundo o secretário-executivo da Andifes, Gustavo Balduíno, o que falta para o programa deslanchar ainda mais é recurso financeiro. Hoje, o projeto conta com o apoio do banco Santander para funcionar. Mais de R$ 500 mil foram investidos em bolsas durante 2010.

Desafios e vantagens 
Foto: Arquivo PessoalAmpliar
Isis Moura deixou o Rio Grande do Norte para estudar um ano no Paraná
Quem participa do programa garante que as dificuldades enfrentadas para se mudar e planejar os estudos durante essa temporada fora da própria instituição valem a pena no final. Isis Moura, de 20 anos, deixou o Rio Grande do Norte, onde cursa artes visuais, para conhecer o ritmo do curso na Universidade Federal do Paraná (UFPR), fazer novos amigos, aprender. A chegada trouxe surpresas e algumas expectativas frustradas, mas, de modo geral, a jovem defende a oportunidade.

“Quando fui elaborar o plano de estudos e solicitei as ementas das disciplinas da UFPR para meu coordenador avaliar as equivalentes, não sabia que algumas das que eu queria eram anuais. Em nenhum momento fui avisada disso. Só descobri quando cheguei aqui em Curitiba, no dia da matrícula”, conta ela. Depois dos problemas contornados, hoje ela aprova o programa. “Conheci uma professora que me ajuda na pesquisa do meu trabalho de conclusão de curso, que tem contribuído muito para meus estudos”, conta.

Para Isis, os universitários devem ficar atentos aos detalhes da estrutura dos cursos. Ela conta que adaptação à cidade também não foi fácil, principalmente pela personalidade fechada dos curitibanos e pelo clima frio. “No meu primeiro dia, o professor pediu para a turma formar grupos para uma atividade e não fui convidada para nenhum, apesar de todos os meus colegas saberem que eu era de fora”, relembra. Agora, fez amigos e está adaptada à cidade.

Aprovação
A Andifes realizou um estudo com os estudantes que participam do programa para avaliar o grau de satisfação com a experiência. Para 97% dos universitários, a oportunidade de passar seis meses em outra instituição foi avaliada como excelente (80%) ou ótima (17%). A maioria dos participantes também elogiou a organização acadêmica e a estrutura física das instituições de destino: 37% consideraram excelente e 36%, ótima.
A avaliação dos estudantes sobre a experiência (em %)
Andifes
Na avaliação de 26% dos participantes, a bolsa oferecida pela Andifes supriu as necessidades de maneira “excelente”. Outros 29% disseram que supriu de forma “ótima” e 32%, boa. Todos os alunos consideraram o próprio desempenho durante o programa bom (6%), ótimo (44%) ou excelente (50%).

Como a bolsa de estudos supriu necessidades (em %)
Fonte: Andifes

* Colaborou Luciana Cristo, iG Paraná

****
Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/universitarios+fazem+intercambio+com+bolsa+dentro+do+brasil/n1597040026083.html

IBGE explica por que a elite odeia Lula

22.06.2011
Do BLOG DA CIDADANIA, 04.05.11
Por Eduardo Guimarães

Foi uma luta para encontrar dados que mostrassem a evolução do índice de Gini do Brasil entre 1995 e 2010. A mídia esconde esses dados porque mostram um fato que destrói a versão que vem sendo alardeada após a divulgação da maior queda de concentração de renda no Brasil durante os últimos 50 anos, de que ocorreu nos governos FHC e Lula.
Em primeiro lugar, o noticiário deixa claro um fato sobre o qual pouco se fala: a ditadura militar (1964-1985) foi implantada para concentrar renda, ou seja, para tornar os ricos mais ricos e os pobres, mais pobres. Em 1960, antes da ditadura, o índice de Gini era de 0,537 e, em 1995, estava em 0,600. A concentração de renda foi brutal, no período.
Mas o fato mais contemporâneo também é surpreendente e pode ser bem constatado no gráfico acima: durante o primeiro mandato de FHC, a desigualdade permaneceu praticamente intocada e só caiu um pouco a partir do segundo mandato. Já no governo Lula, a queda foi impressionante, fazendo o índice de Gini cair a 0,530 – quanto mais próxima de zero, menor é a concentração de renda.
O IBGE também explica por que os estratos superiores da pirâmide social odeiam tanto Lula. Entre os 20% mais ricos, que se concentram no Sul e no Sudeste, a escolaridade aumentou 8,1% e a renda cresceu 8,9%. No recorte dos 20% mais pobres, que ficam no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, a escolaridade aumentou 55,6%, e foi acompanhada de um aumento de renda de 49,5%.
Por etnia, os negros também experimentaram aumento de renda muito maior do que os brancos, vale dizer. Sobretudo porque negros e descendentes de negros são muito mais numerosos no Norte e no Nordeste.
O governo FHC é tão defendido pelos ricos, que também são donos da mídia, porque foi o que puderam conseguir em termos de, se não aumentar a concentração de renda, ao menos retardar a sua queda. Lula virou as costas para a elite e promoveu a maior distribuição de renda da história deste país. Por isso a elite branca do Sul e do Sudeste o odeia com tanto fervor.

****
Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/05/ibge-explica-por-que-a-elite-odeia-lula/

Tenha acesso a todos os jornais do mundo, em português, e de graça!

22.06.2011
Do site OLHAR DIGITAL


Newspaper Map é a maneira mais divertida de viajar pelo mundo através dos jornais de cada país. Publicações são apresentadas em Português.



O Newspaper Map é uma ferramenta que te dá a oportunidade de conhecer cada jornal do planeta sem sair de casa. Mais de 10 mil publicações aparecem em sua tela e, com apenas um clique, você pode ser redirecionado para o site do veículo e até traduzi-lo, para o português, se for preciso.




É possível pesquisar jornais pelo nome, endereço, cidade, país e até a língua em que ele é escrito.  Tudo isso em uma ferramenta simples, básica, rápida e muitíssimo eficiente. Até os jornais menos conhecidos, com tiragem mínima, aparecem na tela.

Acesse o Newspaper Map, acompanhe atualizações pelo Twitter e Facebookou acesse a ferramenta via smartphone.

****
Fonte:http://olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/noticias/tenha_acesso_a_todos_os_jornais_do_mundo_em_portugues_e_de_graca