terça-feira, 21 de junho de 2011

O problema dos idiotas republicanos

21.06.2011
Do  portal OPERA MUNDI
Por Eric Alterman | Nova York


Um aspecto da política norte-americana que não recebe suficiente atenção é o fato de uma porcentagem significativa dos autodenominados republicanos - cerca de metade - ser totalmente idiota. E os candidatos que querem ser eleitos por eles precisam ser condescendentes com eles, sendo idiotas também - ver " Bachmann, Michele" - ou fingindo sê-lo. Ninguém na grande mídia tem liberdade para dizer isso em voz alta. De fato, a simples atitude de apontar isso rende à pessoa o rótulo de "elitista liberal" que vê com preconceito os orgulhosos e patrióticos conservadores.

Bem, que assim seja. Um quarto dos republicanos consultados acredita que a Associação das Organizações Comunitárias pela Reforma Já (Acorn, na sigla em inglês) certamente planeja roubar as eleições de 2012, enquanto outros 32% acham que isso é uma possibilidade. Estes números são, sem dúvida, mais baixos do que os 52% que, em 2009, acusaram a Acorn de ter roubado as eleições para Obama, mas deveriam parecer um tanto surpreendentes para uma pessoa com faculdades mentais normais, dado que a organização não existe mais. De modo similar, uma pesquisa recente entre os republicanos indicou que 48% acreditam que Barack Obama nasceu nos Estados Unidos. De novo, o índice é quase o dobro dos 28% registrados em fevereiro, mas ainda é bastante baixo, dado que o Havaí divulgou a certidão de nascimento detalhada do presidente para satisfazer justamente esse grupo de ruidosos idiotas.

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Estes exemplos são bastante óbvios, mas não é exagero insistir que esta assombrosa combinação de ignorância obstinada e estupidez teimosa pode ser encontrada praticamente em qualquer lugar onde a política republicana é discutida. Considerem a confusão causada pelos comentários derrisórios de Newt Gingrich sobre a proposta de orçamento de Paul Ryan, feitos há não muito tempo no programa Meet the Press da NBC. Em primeiro lugar, há o problema em si de Gingrich estar presente no programa. Ele foi - não me canso de observar - seu convidado mais frequente em 2009, com cinco aparições, muito embora não tivesse cargo oficial no governo e fosse o único ex-presidente da Câmara convidado a participar (Nancy Pelosi, a presidente na época, não apareceu naquele ano). Além disso, há o fator complicador de que, embora Gingrich seja retratado na grande mídia como um genuíno intelectual e potencial candidato à presidência dos Estados Unidos, ambas as noções são tão malucas quanto o próprio Gingrich. De que outro modo explicar um homem maduro que diz acreditar que as visões políticas de Obama só podem ser entendidas "se você entender o comportamento queniano, anticolonialista"? E quanto à sua insistência de que o governo Obama lidera uma "máquina secular-socialista" que representa uma ameaça tão grande para os EUA quanto a Alemanha nazista ou a União Soviética? Isto não basta para render a ele uma camisa de força?

O engraçado é que o apuro de Gingrich surgiu do fato de ele ter dito acidentalmente algo sensato. Falando do plano de Ryan de destruir o Medicare em apoio a mais uma série de reduções de impostos para os ricos, Gingrich explicou: "Não acho que a engenharia social de direita seja mais desejável do que a engenharia social de esquerda. Não acho que impor mudanças radicais a partir da direita ou da esquerda seja muito bom para o funcionamento de uma sociedade livre."

O fato de Gingrich, um autêntico maluco, ter soado temporariamente são deixou os conservadores histéricos. A equipe editorial do Wall Street Journal escreveu que Gingrich "optou por deixar seus ex-aliados na Câmara republicana à beira de um abismo de constrangimento". A governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, denunciou seus comentários como "absolutamente infelizes". Juan Williams, da Fox News, reclamou que Gingrich estava "urinando dentro do círculo familiar". E um porta-voz do ultradireitista Clube para o Crescimento afirmou ser "mais do que bizarro o presidente Gingrich chamar o orçamento de Ryan de radical", acrescentando: "Radicais são os comentários de Newt Gingrich. Talvez ele esteja no partido errado."

Em resposta aos ataques da direita, assim como às  notícias de que ele havia afundado sua ridícula e egocêntrica ideia de se candidatar à presidência, Gingrich rapidamente se desculpou e insistiu que: a) ele não quis dizer isso; b) ele foi "injustiçado"; c) se ele fosse citado corretamente e no contexto, isso deveria ser considerado "uma falsidade. Porque eu disse publicamente que aquelas palavras eram inexatas e desafortunadas e estou preparado para enfrentar isso." Enfrentando ou não, isso não fez diferença para Sarah Palin, que atacou Gingrich por ceder ao que chamou de pressão "da grande mídia esquerdista". Perceberam? O Journal, o Clube para o Crescimento e a Fox News são a ideia de "esquerda" de Palin.

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Na verdade, poucos jornalistas da "grande mídia" se importaram com as questões em si, tão excitados estavam com as supostas implicações da controvérsia para a falsa e eticamente debilitada campanha presidencial do candidato, que flertou com a ideia a vida toda. Isso pode ou não ter relação com o fato de que, em perfeito contraste com o público mais amplo, grande parte da elite de comentaristas continua encantada com o plano regressivo de Ryan. Ruth Marcus, do Washington Post (posando como a "liberal" no Meet the Press), Jacob Weisberg, da Slate, Joe Scarborough, da MSNBC, e os gurus David Brooks e Joe Nocera, do New York Times, uniram-se ao coro da "grande mídia", cantando os elogios a Ryan e atacando os democratas por recusar-se a abraçar seu plano de destruir o Medicare para cortar mais ainda os impostos dos multimilionários.

Ecoando uma coluna anterior de Weisberg, Nocera escreve que ficou "desolado" ao "ler sobre a alegre reação dos democratas à vitória [na eleição especial] em Nova York", em repúdio ao orçamento de Ryan. Por acaso o novo colunista do Times espera que os democratas chorem quando vencerem? Talvez, mas este não é seu argumento. "Mesmo que a solução de Ryan seja equivocada", escreve Nocera, "ele está certo na avaliação de que o Medicare enfrenta problemas." Agora tentem usar esta lógica em casa. Que tal assim: "Mesmo que Osama bin Laden estivesse errado ao querer destruir os Estados Unidos, ele estava certo na avaliação de que permitimos sexo demais na televisão."   

Portanto, os republicanos realmente são escravos de mentirosos e lunáticos que servem de cortina de fumaça para uma guerra da classe conservadora contra os pobres e a classe média, mas o verdadeiro problema são esses malditos democratas que comemoram suas vitórias, e defendem seus eleitores. Vantagem, idiotas...

*Artigo publicado originalmente no site The Nation

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/O+PROBLEMA+DOS+IDIOTAS+REPUBLICANOS_1535.shtml

Guatemala torna público mais de 12 mil arquivos militares da guerra civil

21.06.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Daniella Cambaúva | Redação


O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, oficializou essa semana a abertura do escritório de consultas dos arquivos militares da Guatemala. Ao todo, estarão disponíveis à população 12.287 documentos, correspondentes a 99,3% da comunicação oficial encontrada, noticiou a imprensa local. As informações se referem ao período entre 1954 e 1996, quando o país passou por uma sangrenta guerra civil, que deixou cerca de 250 mil vítimas, entre mortos e desaparecidos, segundo dados oficiais.

O restante -- 55 documentos que mantêm a classificação de "secretos" e "ultra-secretos" -- continuará sem acesso por ser de classificada como "segurança nacional”.  A informação está digitalizada, mas, para consultá-la, é necessário fazer uma solicitação formal por escrito.

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Citado pelo site de notícias El Periódico, o presidente da Comissão Presidencial de Desclassificação de Arquivos Militares, Eduardo Manuel Morales, contou que durante três meses digitalizadores divididos em três turnos trabalharam durante 18 horas diárias para fazer uma cópia de todos os documentos.  A abertura, segundo ele, “representam um ponto de partida de uma nova era na Guatemala”.

Ao fazer o anúncio, Colom classificou a abertura como um “legado” para a população, a garantia "que o futuro seja livre de contaminações de um passado que não queremos que se repita".

Recentemente, o militar guatemalteco Héctor Mario López Fuentes foi detido sob acusações de ter ordenado e participado de pelo menos 400 massacres e 77 casos de desaparecimentos. O general López, de 81 anos, foi chefe do Estado-Maior do Exército guatemalteco durante o governo do general José Efraín Ríos Montt (1982-1983), o período mais sangrento do conflito armado que envolveu a Guatemala durante 36 anos.

A guerra civil na Guatemala começou em 1954, quando o presidente eleito Jacobo Arbenz foi derrubado por um golpe militar apoiado pelos setores conservadores e pelos Estados Unidos. Ao longo da década de 1960, vários grupos de oposição ao governo passaram à clandestinidade e teve início uma série de conflitos armados durante os 36 anos seguintes. Morreram cerca de 140 mil pessoas em choques envolvendo a guerrilha, forças do governo e população civil. Além dos mortos, houve 44 mil desaparecidos e 50 mil camponeses foram obrigados a deixar suas terras. 

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/GUATEMALA+TORNA+PUBLICO+MAIS+DE+12+MIL+ARQUIVOS+MILITARES+DA+GUERRA+CIVIL_12911.shtml

Funai confirma existência de novo grupo de índios isolados no Amazonas

21/06/2011
Nacional
Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil


Brasília – A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou hoje (21) a existência de um novo grupo de índios isolados no Vale do Javari, no Amazonas. A Funai estima em cerca de 200 o número de índios no local e diz que eles são, provavelmente de um grupo cuja língua é da família Pano. A comunidade foi localizada pela Frente de Proteção Etnoambiental, durante sobrevoo realizado em abril deste ano. Três clareiras com quatro grandes malocas foram avistadas pelos técnicos.

Antes mesmo do sobrevoo, o coordenador da Frente do Vale do Javari, Fabrício Amorim, havia identificado as clareiras por satélite. A confirmação desse tipo de descoberta requer, segundo ele, anos de trabalho sistemático e metódico, com realização de pesquisas documentais, expedições e análises de imagens de satélite.

Até a confirmação, a presença desses índios isolados era apenas uma referência “em estudo”, com base em relatos sem informações conclusivas sobre a exata localização e características da comunidade.

Em nota, a Funai informa que tanto a roça quanto as malocas são novas e foram concluídas no máximo há um ano. Essa avaliação tem por base o estado da palha usada na construção e a plantação de milho. No local há, ainda, plantações de bananas e uma vegetação rasteira similar à de amendoins.

Na Terra Indígena Vale do Javari há um complexo de povos isolados que é considerado a maior concentração de grupos isolados na Amazônia e no mundo.

Amorim aponta, entre as principais ameaças à integridade de povos indígenas isolados, a pesca ilegal, a caça, a exploração madeireira, o garimpo, atividades agropastoris com grandes desflorestamentos, ações missionárias e situações de fronteira, como o narcotráfico. "Outra situação que requer cuidados é a exploração de petróleo no Peru, que pode refletir na Terra Indígena do Vale do Javari”, afirma Amorim.

A Funai reconhece a existência de 14 referências de índios isolados no Vale do Javari, mas o número pode ser ainda maior. Mais de 90 indícios de ocupações indígenas foram localizados entre 2006 e 2010, e há atualmente oito grupos de índios isolados com malocas, roças e tapiris (choupanas) já localizados por sobrevoo ou por expedições terrestres.

De acordo com a Funai, em toda a região do Vale do Javari, vivem cerca de 2 mil indígenas.

Edição: Nádia Franco
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-21/funai-confirma-existencia-de-novo-grupo-de-indios-isolados-no-amazonas

Chuva causa alagamentos e complica o trânsito em Olinda e no Recife

21.06.2011
Do site do pe360graus.com
Da Redação

Trechos da PE-15 e da avenida Governador Carlos de Lima Cavalcanti ficaram alagados; trânsito também ficou lento nas avenidas Agamenon Magalhães e Domingos Ferreira

Kety Marinho
Foto: Kety Marinho
Água por todos os lados e tudo parado. A manhã desta terça-feira (21) foi de transtorno para quem precisou passar por Recife e por Olinda, na Região Metropolitana. A chuva provocou alagamentos nas principais ruas das duas cidades, um problema que não é mais novidade para moradores e motoristas.

Em Olinda, as ruas ficaram alagadas. Quem precisou ir trabalhar ou ir à escola teve dificuldades. Foi preciso enfrentar a água no meio da rua. E quem foi chegou atrasado. A PE-15, na parte mais baixa da rodovia, em frente à entrada de Ouro Preto, também alagou (fotos). Motoristas e motoqueiros não puderam passar.

Na avenida Chico Science, nos Bultrins, uma das principais entradas de Olinda, o canal, mais uma vez, transbordou depois da chuva das primeiras horas da manhã. Ruas e avenidas próximas também ficaram alagadas. Toda vez que chove, pedestres ficam ilhados. Apenas carros maiores conseguem passar pelos Bultrins. Em outro ponto, bem perto, na avenida Carlos de Lima Cavalcanti, onde ficam lojas, supermercados e consultórios, a água se espalhou por algumas quadras e ficou impossível passar pelo local. 

Poucos conseguiram sair de casa e pegar o ônibus. No bairro de Ouro Preto, os moradores esperaram muito tempo nas paradas. Com as ruas alagadas, os ônibus demoraram para chegar a esta parte de Olinda, que ficou ilhada. “Enche muito, então, para a gente que depende de ônibus, é horrível”, contou a operadora de telemarketing Camila Ferreira.

A segunda Perimetral Norte virou um rio. E no limite com o município do Recife, ruas também ficaram alagadas nos bairros de Campo Grande, Peixinhos e Jardim Brasil. Alguns carros tiveram problemas e tiveram que ser empurrados. Foi o caso do veículo do sargento da Polícia Militar Edmilson Praga. “Deu uma panezinha, acho que molhou alguma coisa, pois não está dando mais nada”, disse. 

Com os alagamentos na PE-15 e na Perimetral, alguns motoristas tentaram sair de Olinda passando por Jardim Brasil, mas eles também tiveram dificuldade. A melhor saída era ficar em casa, mas muitos tinham que trabalhar, como o técnico em telecomunicações Leonardo Freitas. Ele levou a roupa do trabalho numa sacola para depois se trocar. “É a roupa do meu trabalho, cinto, calça, sapato, camisa social. Toda vez que chove é um problema. Não está entrando nem saindo carro na minha rua. Meu caso está dentro de casa, mas não consigo tirar”, afirmou.

A avenida Agamenon Magalhães, que liga Olinda ao Recife, teve vários pontos de lentidão nesta terça-feira. O engarrafamento começava perto do Clube Português, no Espinheiro, e seguia por toda a avenida. Os carros enfrentavam muita lentidão. Na Ilha do Leite, depois da Abdias de Carvalho, a situação foi parecida.

No Viaduto Capitão Temudo, na Ilha Joana Bezerra, carros, motos e ônibus que seguiam para Boa Viaagem, na Zona Sul do Recife, ficaram parados. Apenas motoristas na pista sentido cidade conseguiam passar.

Na Ponte do Pina, a lentidão continuava. A explicação para tantos carros parados foi a água da chuva, que se espalhou pela avenida Domingos Ferreira, logo na entrada para a Zona Sul. Das seis faixas da avenida, os carros passavam apenas por duas. O trânsito ficou lento, com pontos de alagamento, o que dificultou a passagem dos motoristas.

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Fonte:http://pe360graus.globo.com/noticias/cidades/chuvas/2011/06/21/NWS,534991,4,214,NOTICIAS,766-CHUVA-CAUSA-ALAGAMENTOS-COMPLICA-TRANSITO-OLINDA-RECIFE.aspx

O drama de Villa La Angostura: após ser coberto por cinzas, vilarejo na Argentina tenta se reerguer

21.06.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Luciana Taddeo | Enviada especial a San Carlos de Bariloche


Eram três horas da tarde de um sábado quando a professora argentina Karin Szymansky começou a sentir um estranho enjoo. Em pouco tempo, percebeu que a sensação era consequência de tremores na cidade onde vive desde o início do ano: Villa La Angostura, um charmoso vilarejo de montanha e importante ponto turístico a 100 quilômetros de São Carlos de Bariloche. 
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Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi
 
Os telhados de Villa la Angostura, cobertos pelas cinzas, ficaram em risco, principalmente após as chuvas

Veja a galeria de fotos das cinzas em Villa La Angostura

Derivados do movimento de placas tectônicas, os tremores sentidos no local estão relacionados à erupção do vulcão chileno Puyehue, ocorrida há duas semanas, a apenas 35 quilômetros dali. O relato de Karin, no entanto, é somente o prefácio de uma série de eventos incomuns vividos nos últimos dias e narrados neste domingo (19/06) ao Opera Mundi pelos moradores deste povoado da Patagônia argentina.

Quem saiu na rua após os tremores de terra se surpreendeu com um céu divido em dois: um lado azul, com um sol radiante e, no outro, uma nuvem densa e negra. Assim foram os primeiros minutos da chegada à Argentina das nuvens de cinzas e areia expelidas na erupção do Puyehue. Em pouco tempo, a mistura de material vulcânico encobriu toda a cidade e começou a se precipitar, gerando pânico e muitos estragos materiais.

"Começamos a escutar muitos relâmpagos e a ver raios, o que não é normal por aqui", lembra a docente portenha. "No primeiro dia, foram 12 horas consecutivas de uma intensa chuva de areia e pedrinhas. Parecia granizo, mas eram pedaços de uma espécie de pedra pome", descreve Karin. A professora lembra-se também da quantidade de mensagens que começaram a circular por celulares sobre o ocorrido: "Neste momento, todos estavam em pânico", revela.

Sem poder avaliar a dimensão do fenômeno, os habitantes de Villa La Angostura lotaram o principal supermercado da cidade em busca de provisões: "Todos correram para comprar itens de primeira necessidade. A gôndola de água ficou vazia e somente sobraram as velas mais caras, perfumadas ou de decoração. Mas as pessoas compravam mesmo assim, com um espírito fatalista", diz a docente.

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Cinzas se acumulam nas ruas esperando pela remoção

Entre os momentos mais vívidos na memória da docente, está a reação da multidão que esperava nas filas dos caixas para pagar os mantimentos: "As pessoas tinham ataques de riso, nervosas, e falavam do assunto com humor negro. Outros se mantinham com uma cara séria, olhando fixamente para o chão, sem conversar com ninguém", afirma.

Na madrugada seguinte, quando a luz foi cortada e a cidade ficou às escuras, mais uma vez a comunicação via SMS gerou mais pânico na população. Mensagens de texto, das quais não se sabe a origem, anunciavam um terremoto. "Eram mais ou menos três da manhã e todos foram para as ruas, com garrafas água, esperando o pior. Mais tarde ouvimos na rádio municipal que era um alarme falso", lembra Karin.

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Vulcão entra em erupção no Sul do Chile

Nesta madrugada, a decoradora Graciela Viera abandonou sua casa. "Moro em uma região no pé da cordilheira, que treme muito, e fui para a casa de uns amigos", conta. Ao saber da falsa previsão, no entanto, decidiu voltar. Os dias de chuva de cinzas, diz, foram traumáticos. "Não imaginava que uma coisa assim pudesse acontecer. Fiquei uns 15 dias trancada em casa, olhando pela janela as cinzas caindo do lado de fora."

No último domingo, no entanto, Graciela tomou coragem e foi remover as cinzas do teto e da entrada de sua oficina de artesanato. Para ela, a população de Villa La Angostura já sabia que poderia viver alguma espécie de desastre, principalmente após o terremoto no Chile [27 de fevereiro de 2010], que também provou tremores no vilarejo.

"A partir daquele momento, as autoridades passaram a conscientizar as pessoas com simulações em escolas para que os alunos soubessem o que fazer em uma situação de emergência. Distribuíram folhetos explicando que deveríamos ter rádios de pilha, um estoque de velas, lanterna e água. Mas, às vezes, a gente não dá importância porque acha que nunca vai acontecer uma coisa assim", explica.

Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi

Dono de restaurante em Villa La Angostura limpa as cadeiras cobertas por cinzas

Mesmo com certa preparação das autoridades, os efeitos drásticos causados pela erupção do vulcão levaram a muitos estragos materiais na cidade e choque emocional na população. Durante quase duas semanas, Villa La Angostura ficou coberta por grossas camadas de cinza e areia que enterraram carros, derrubaram placas de sinalização, provocaram cortes de energia elétrica e água, e afetaram a saúde dos moradores, alguns por problemas respiratórios ou nas cordas vocais, outros por olhos irritados.

Veja o vídeo de um morador mostrando as cinzas de Villa La Angostura.

Para tentar contornar os danos, a sede Defesa Civil da cidade está operando como um "posto de saúde", distribuindo máscaras cirúrgicas e óculos de proteção à população. Os moradores que se dirigem ao local também conseguem gotas de colírio e água potável. Além disso, um grupo de psicólogos voluntários se dirigiu à localidade para ajudar os vizinhos a voltar à normalidade.

Outra das recomendações das autoridades é a remoção dos vários centímetros de cinzas que foi se acumulando nos telhados das casas ao longo dos dias. Ou, caso não seja possível fazê-lo, eu abandonem o local. "Disseram que cada metro cúbico de cinza e areia pesa o equivalente a um Fiat 600, é muito perigoso", explica Karin.

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Segundo a moradora e artesã Paula Scoccia, muitos tetos desabaram pelo acúmulo do material vulcânico. "Muitos caíram porque as pessoas não limparam imediatamente", explica. "Por isso, muitas pessoas se juntam agora para fazer a faxina nos telhados, que ficam mais pesados e difíceis de limpar quando chove ou  as cinzas se acumulam".

Apesar de grande parte dos telhados, carros e vegetação ainda estarem cobertos por vários centímetros de cinza e areia, muitas ruas já estão transitáveis e o lugar já não tem o aspecto de uma cidade-fantasma, como nas últimas duas semanas. Estima-se que cerca de três mil pessoas tenham abandonado a região desde o início da atividade vulcânica do Puyehue.

Frente ao caos, a prefeitura adiantou as férias escolares de julho, permitindo que muitas  família com crianças pudessem se refugiar das cinzas em cidades vizinhas ou partir rumo a Buenos Aires. Com o passar do tempo, os que ficaram se depararam com um novo problema: com as cinzas e a determinação de alerta vermelho e estado de emergência na cidade, o turismo, pilar da economia da região, ficou paralisado. Muitos, sem trabalho, também se viram obrigados a deixar o local. 
Aldo Jofre Osorio/Opera Mundi
 
Karin, de roxo, lembra do pânico que tomou a cidade quando a nuvem apareceu no céu. Graciela, à direita, de azul, ficou 15 dias trancada  

Apesar de muito pânico, há quem encare o fenômeno das cinzas com tranquilidade. É o caso do avô da empresária Paola Alejandra Saldivia, que tem 98 anos de idade. “Ele já viveu uma erupção do Puyehue nos anos 1960 e não usa máscara. Sempre que converso com ele, diz que está despreocupado e que já vai passar”, conta a neta.

Com os mutirões de limpeza de voluntários que tentam organizar a cidade, os moradores de Villa La Angostura agora esperam que a chegada de visitantes se intensifique em julho, quando esta voltar a ser uma pacata e colorida cidade de montanha que atrai turistas de todo o mundo.

Se o Puyehue permitir. 

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/especial/O+DRAMA+DE+VILLA+LA+ANGOSTURA+APOS+SER+COBERTO+POR+CINZAS+VILAREJO+NA+ARGENTINA+TENTA+SE+REERGUER_12888.shtml

A difícil passagem do tecnozóico ao ecozóico

21.06.2011
Do site da CNTSS/CUT
Por Leonardo Boff*
Postado por Clara Bisquola


Crédito:  
As grandes crises comportam grandes decisões. Há decisões que significam vida ou morte para certas sociedades, para uma instituição ou para uma pessoa.

A situação atual é a de um doente ao qual o médico diz: ou você controla suas altas taxas de colesterol e sua pressão ou vai enfrentar o pior. Você escolhe.

A humanidade como um todo está com febre e doente e deve decidir: ou continuar com seu ritmo alucinado de produção e consumo, sempre garantindo a subida do PIB nacional e mundial, ritmo altamente hostil à vida, ou enfrentar dentro de pouco as reações do sistema-Terra que já deu sinais claros de estresse global. Não tememos um cataclisma nuclear, não impossível mas improvável, o que significaria o fim da espécie humana. Receamos isto sim, como muitos cientistas advertem, por uma mudança repentina, abrupta e dramática do clima que, rapidamente, dizimaria muitíssimas espécies e colocaria sob grande risco a nossa civilização.

Isso não é uma fantasia sinistra. Já o relatório do IPPC de 2001 acenava para esta eventualidade. O relatório da U.S. National Academy of Sciences de 2002 afirmava “que recentes evidências científicas apontam para a presença de uma acelerada e vasta mudança climática; o novo paradigma de uma abrupta mudança no sistema climático está bem estabelecida pela pesquisa já há 10 anos, no entanto, este conhecimento é pouco difundido e parcamente tomado em conta pelos analistas sociais”. Richard Alley, presidente da U.S. National Academy of Sciences Committee on Abrupt Climate Change com seu grupo comprovou que, ao sair da última idade do gelo, há 11 mil anos, o clima da Terra subiu 9 graus em apenas 10 anos (dados em R.W.Miller, Global Climate Disruption and Social Justice, N.Y 2010). Se isso ocorrer conosco estaríamos enfrentando uma hecatombe ambiental e social de conseqüências dramáticas.

O que está, finalmente, em jogo com a questão climática? Estão em jogo duas práticas em relação à Terra e a seus recursos limitados. Elas fundam duas eras de nossa história: a tecnozóica e a ecozóica.

Na tecnozóica se utiliza um potente instrumental, inventado nos últimos séculos, a tecno-ciência, com a qual se explora de forma sistemática e com cada vez mais rapidez todos os recursos, especialmente em benefício para as minorias mundiais, deixando à margem grande parte da humanidade. Praticamente toda a Terra foi ocupada e explorada. Ela ficou saturada de toxinas, elementos químicos e gases de efeito estufa a ponto de perder sua capacidade de metabolizá-los. O sintoma mais claro desta sua incapacidade é a febre que tomou conta do Planeta.

Na ecozóica se considera a Terra dentro da evolução. Por mais de 13,7 bilhões de anos o universo existe e está em expansão, empurrado pela insondável energia de fundo e pelas quatro interações que sustentam e alimentam cada coisa. Ele constitui um processo unitário, diverso e complexo que produziu as grandes estrelas vermelhas, as galáxias, o nosso Sol, os planetas e nossa Terra. Gerou também as primeiras células vivas, os organismos multicelulares, a proliferação da fauna e da flora, a autoconsciência humana pela qual nos sentimos parte do Todo e responsáveis pelo Planeta. Todo este processo envolve a Terra até o momento atual. Respeitado em sua dinâmica, ele permite a Terra manter sua vitalidade e seu equilíbrio.

O futuro se joga entre aqueles comprometidos com a era tecnozóica com os riscos que encerra e aqueles que assumiram a ecozóica, lutam para manter os ritmos da Terra, produzem e consomem dentro de seus limites e que colocam a perpetuidade e o bem-estar humano e da comunidade terrestre como seu principal interesse.

Se não fizermos esta passagem dificilmente escaparemos do abismo, já cavado lá na frente.


* LEONARDO BOFF, é autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos.

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Fonte:http://www.cntsscut.org.br/pagina.asp?pagina=noticia&acao=lerNoticia&id=3520

Quinta reunião do GT do Seguro Social faz debate da Carreira do Seguro Social e avança nas proposta

21.06.2011
Do site da CNTSS/CUT,18.06.11
Com informações dos representantes do GT do Seguro Social

4ª RELATORIO DO GRUPO DE TRABALHO SEGURO SOCIAL

- Data: 17 de junho de 2011
- Local: Secretaria Executiva do MPS
- Representantes da CNTSS/CUT: Terezinha Aguiar/GO ( Teca) e Miraci Astun ( SP)

A quinta reunião do GT do Seguro Social, instituído pela Portaria 238 de 28 de abril de 2011, foi pautada pelo debate da Carreira do Seguro Social e as atribuições entre técnicos do Seguro Social e Analistas do Seguro Social.

Inicialmente foi deliberado pela apresentação do texto sobre a Redução da Jornada de Trabalho, tendo como referência a implantação do Decreto 4.863/03, que trata da implantação de dois turnos ininterruptos nas APS e a proposta sobre Adicional de Qualificação. Após discussões, foi aprovada as apresentações dos textos para a próxima reunião.

Em seguida houve um debate entre os membros do GT e definiu-se por ouvir especialistas em matéria de Carreiras. Para isso ficaram acertadas e agendadas palestras para os dias 27, 28, e 29 de junho palestras com o professor da UNB e Diretor de Gestão de Pessoas do Banco do Brasil, Hugo Pena Brandão, com o ex - Secretário de SRH/MPOG Luís Fernando Silva que abordaram temas como evolução na carreira, progressão, capacitação entre outras questões.

Em relação às atribuições, após o debate, os membros do GT definiram pela realização de um Seminário, para 40 pessoas, dez de cada Entidade, representada no GT, para o dia 08/07 para ouvir mais servidores, uma vez que o tema apresenta certa complexidade e somente depois será formulada uma proposta para compor o relatório final do GT a ser apresentado ao Presidente do INSS e o Ministro da Previdência Social.

Brasília, 18 de junho de 2011.

Representantes do GT do Seguro Social/CNTSS/CUT
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Fonte:http://www.cntsscut.org.br/pagina.asp?pagina=noticia&acao=lerNoticia&id=3517

Governo brasileiro quer construir navios de pesquisa para explorar e mapear o mar territorial

21/06/2011
Pesquisa e Inovação
Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro – O Brasil pretende construir “modernos” navios de pesquisa nos estaleiros do país para integrar a frota que será usada no mapeamento da plataforma continental brasileira. A informação foi dada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, depois de reunião com representantes da Marinha hoje (21) no Rio de Janeiro.

A ideia do Ministério da Ciência e Tecnologia é conhecer os 4,5 milhões de quilômetros quadrados do mar territorial brasileiro e da zona econômica exclusiva do país, a fim de identificar potenciais econômicos, conhecer a biodiversidade e estudar os efeitos das mudanças climáticas e da poluição no mar brasileiro.

“Esta é a última fronteira do conhecimento estratégico do Brasil, assim como a Amazônia foi ao longo dos anos recentes um grande desafio para o país. A plataforma continental é uma área semelhante à Amazônia brasileira, com 4,5 milhões de quilômetros quadrados”, disse.

O mapeamento ainda está sendo planejado, em parceria com a Marinha, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a estatal petrolífera Petrobras e a mineradora privada Vale. O ministro não deu prazo para a compra dos navios ou para o início do programa de pesquisas da plataforma continental.

“Nós deveremos construir navios de pesquisa bem modernos no Brasil e também adquirir navios para dar conta desse desafio. Estamos na última etapa desse processo. E a parceria com essas instituições nos dá as condições de viabilizarmos um grande programa de pesquisa com navios que vão ser laboratórios para todas as escolas de oceanografia”, disse.

Segundo Mercadante, o financiamento da pesquisa deverá ser garantido pela ANP, interessada em conhecer os campos petrolíferos do país, e pelas empresas Petrobras e Vale, que têm interesses econômicos na plataforma continental.

Edição: Lílian Beraldo
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-06-21/governo-brasileiro-quer-construir-navios-de-pesquisa-para-explorar-e-mapear-mar-territorial

Blogueiro é assassinado no RN

21.06.2011
Do blog de Altamiro Borges
Por Rogério Tomaz Jr., no blog Conexão Brasília-Maranhão:

Durante o 2º Encontro Nacional de Blogueir@s Progressistas tomei conhecimento de um caso surreal de assassinato com possível motivação política.

Enquanto ouvia o relato do episódio, passou pela minha cabeça a possibilidade de eu estar dormindo e que a história não passava de uma crônica policialesca no meio do sonho.

A realidade é mais crua, entretanto.

Ednaldo Filgueira, 36 anos, presidente do PT municipal de Serra do Mel, colaborador do blog Serra do Mel (http://www.serradomel-rn.com) e jornalista comunitário, foi assassinado na noite da última quarta-feira (15), ao receber seis tiros de homens não identificados.

Segundo me disse o Thiago Aguiar – blogueiro potiguar que contou o caso (e gravou em vídeo para o Blog da Dilma) –, Ednaldo havia publicado no blog uma enquete perguntando à população se era possível acreditar na prestação de contas da prefeitura.

Na manhã do crime, o blogueiro recebeu ligações anônimas com ameaças por conta da enquete, que foi prontamente retirada do site.

Não foi suficiente. No final do dia aconteceu o crime que tornaria aquele o último dia da vida de Ednaldo.

A violência associada à política no interior do Brasil (não apenas do Norte/Nordeste, vale dizer) persiste por inúmeros e complexos motivos, mas a impunidade contribui muito para perpetuar tal situação.

Serra do Mel é um pequeno município criado em 1988 e situado próximo a Mossoró, cidade famosa por ser uma concorrida estância hidrotermal.

O prefeito se chama Josivan Bibiano de Azevedo e é do PSDB.

O caso – que não ganhou qualquer destaque na imprensa do RN – merece repercussão ampla na blogosfera e, quiçá, na grande mídia nacional que diz defender a liberdade de expressão. Para que os responsáveis pelo crime possam ser encontrados e punidos. E, também, para que o assassinato de blogueiros não vire moda.

Rio Grande do Norte é plutocracia

Ao contrário do que acredita a maioria, que logo pensa em Maranhão e Sarney quando o assunto é atraso político, o Rio Grande do Norte, é o estado onde reina a oligarquia mais longeva do Brasil.

A oligarquia potiguar, entretanto, não está assentada em apenas um grupo familiar. São três famílias tradicionais que dominam não apenas o Executivo, mas também o Legislativo em âmbito municipal, regional/estadual e federal. Além disso, exercem grande influência no Judiciário, controlam a economia e a quase totalidade dos grandes meios de comunicação no estado.

Os clãs Alves, Maia e Rosado repartem o poder no Rio Grande do Norte desde a primeira metade do século XX. Destes grupos saíram ramificações, como a família Faria, que alternam alianças entre os três esquemas principais.

É um exemplo quase perfeito de uma plutocracia.

Dois fatos me dão esperança de mudança nesse cenário em médio prazo: a recente e vitoriosa ocupação da Câmara de Vereadores do Natal (o movimento “Fora Micarla”) e a visibilidade crescente da atuação de Fátima Bezerra, deputada federal do PT que preside a Comissão de Educação da Câmara em 2011.

Acompanharei o caso e publicarei mais notícias à medida que surjam novidades.


PS: Durante o Encontro de Blogueir@s Progressistas, fizemos uma homenagem a Ednaldo com uma salva de palmas, na mesa da manhã de sábado.

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Para saber mais sobre as três famílias que compõem a oligarquia do Rio Grande do Norte, leia a excelente matéria de Edson Sardinha e Renata Camargo, do Congresso em Foco (clique aqui) sobre o assunto.

Para saber mais sobre o Fora Micarla e a ocupação da Câmara de Natal, leia o blog do Daniel Dantas (nenhuma relação com o banqueiro criminoso), um dos protagonistas do movimento:

http://deolhonodiscurso.wordpress.com
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Fonte:
http://altamiroborges.blogspot.com/2011/06/blogueiro-e-assassinado-no-rn.html

97% dos votos : Previdenciários consagram chapa 1 na eleição do Sindsprev

21.06.2011
Do site do SINDSPREV.PE, 17.06.11
Postado por Cristiano Silva


Três mil, duzentos e cinqüenta e oito servidores da saúde e previdência social de Pernambuco participaram da eleição que definiu a nova direção do Sindsprev. A eleição, ocorrida nos dias 13, 14 e 15 de junho, foi concluída com a apuração dos votos na noite da última quarta-feira, 15/06.

Do total, 3.156 votaram na chapa 1, Sindicato de Lutas e Vitórias, única inscrita para concorrer ao pleito. Os números consagraram a chapa 1 com 97% dos votos válidos, tendo apenas 81 votos em branco e 21 nulos.

Com o resultado, José Bonifácio foi reconduzido à coordenação geral da entidade para o triênio 2011/2014. Na nova composição, o dirigente Luiz Eustáquio assume a secretaria geral do sindicato. A nova diretoria, formada por atuais diretores da entidade e novos membros, toma posse oficialmente no próximo mês de agosto.

Ao analisar o resultado, Bonifácio agradeceu à categoria pela expressiva votação. “Mais uma vez fomos agraciados com a confiança da nossa categoria, isso nos traz enormes responsabilidades. Foi uma vitória que honrou os previdenciários pernambucanos que compareceram às urnas. Vamos continuar a trabalhar e cumprir nossos compromissos”.



Confira abaixo quem são os componentes da chapa eleita:



CLIQUE PARA AMPLIAR



 



 




















































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Fonte:http://www.sindsprev.org.br/index.php?categoria=noticias_principais_01&codigo_noticia=0000001962&cat=noticias

PSDB tenta desgastar governo com ""aloprados""

21.06.2011
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

PSDB já tem prontos requerimentos para convocar o ministro Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia para depor em três comissões da Câmara, reeditando a estratégia usada contra o então titular da Casa Civil.

Com a articulação política remontada, o governo aposta que a base poderá minimizar traições e controlar as sessões das comissões, evitando a convocação de Mercadante.

PSDB, DEM e PPS, se baseiam em uma reportagem da revista Veja aponta o ministro como um dos mentores da compra de um dossiê contra o tucano José Serra em 2006. O caso ficou conhecido como "dossiê dos aloprados". Em entrevista, Expedido Veloso, um dos petistas envolvidos no caso, disse que o ministro era responsável por arrecadar parte do R$ 1,7 milhão que seria usado para a compra de informações e acabaram apreendidos pela Polícia Federal às vésperas da eleição.

O vice-líder do governo, Odair Cunha (PT-MG), afirma que a base não vai permitir "exploração política" deste caso. "A oposição continua seguindo seu script de usar denúncias para tentar estabelecer crises no governo. Não vamos admitir. O governo continuará trabalhando."Segundo ele, os aliados serão orientados a recusar qualquer convocação do ministro para falar do tema.

A tentativa de trazer Mercadante ficará restrita à Câmara neste primeiro momento. Como o ministro acabou de deixar o Senado, a oposição acredita ser mais difícil ouvi-lo naquela Casa. A ideia dos partidos de oposição é "montar uma agenda do desgaste".

O PSDB já preparou requerimentos para tentar a convocação nas comissões de Ciência e Tecnologia, Fiscalização Financeira e Controle e Segurança Pública. O líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), pretende também acionar o Ministério Público para que seja reaberto o inquérito que apurou o caso.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), destaca que o arquivamento do caso se deu por falta de provas. "O Ministério Público tem de reabrir o inquérito porque agora já há pelo menos a prova testemunhal."

Colaboração

Em Fortaleza, o ministro Aloizio Mercadante, disse ontem que se for convocado vai comparecer à Câmara para prestar esclarecimentos sobre o caso. "Se as pessoas quiserem voltar a investigar este assunto, eu estou totalmente de acordo. Estou disposto a participar de qualquer foro em qualquer momento, em qualquer lugar para discutir isso ou qualquer tema da vida pública."

O ministro rebateu a denuncia publicada na revista: "Tivemos, há cinco anos, uma Comissão Parlamentar de Inquérito onde todas as pessoas envolvidas foram ouvidas. Tivemos depois uma representação no Tribunal Superior Eleitoral. Eu nunca fui citado em nenhum desses dois momentos", alegou. "Tivemos um parecer do procurador-geral da República dizendo que eu não tinha qualquer indício de participação no episódio. E depois teve uma votação unânime do Supremo que me absolveu nesta mesma direção." Estado
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/06/psdb-tenta-desgastar-governo-com.html

Hospitais públicos de SP gerenciados por OSS: A maioria no vermelho

21.06.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha
Por  Conceição Lemes

A saúde pública no Estado de São Paulo está sendo privatizada rapidamente, a passos largos.
O símbolo desse processo são as OSS: Organizações Sociais de Saúde. Significa que o serviço de saúde é administrado por uma dessas instituições e não diretamente pelo Estado.
Curiosamente no site da Secretaria Estadual de Saúde não há sequer uma lista com todos os hospitais, ambulatórios médicos de especialidades (AMEs) e serviços de diagnóstico administrados por OSS. É preciso garimpar na internet, nome por nome, para saber se o serviço X ou Y é tocado por OSS. É desafio até para pessoas acostumadas a pesquisar em Diário Oficial. Mas quem se der a este trabalhão – às vezes é preciso telefonar ao estabelecimento para ter certeza–, vai comprovar o óbvio: a terceirização, de vento em popa, da saúde pública do Estado de São Paulo.
O artifício é a lei complementar nº 846, de 1998, alterada pela 62/2008, do ex-governador José Serra (PSDB), que autoriza transferir às OSS o gerenciamento de todos os hospitais públicos paulistas, novos e antigos.
“Os hospitais gerenciados por Organizações Sociais são exemplo de economia e eficiência”, diz o site da Secretaria Estadual de Saúde.
A justificativa para a expansão das OSS é “a experiência de sucesso dos últimos dez anos”. Essa, especificamente, foi anexada ao projeto de lei que Serra encaminhou à Assembleia Legislativa paulista, permitindo às OSS gerenciar não só os novos estabelecimentos de saúde (como permitia a legislação em vigor desde 1998) mas também os já existentes (até então era proibido).
Artigo publicado no boletim EnBreve, do Banco Mundial, também derrama elogios às OSS.
ROMBO ACUMULADO DE 18 HOSPITAIS CHEGA A R$147,18 MILHÕES
Teoricamente as OSS são entidades filantrópicas. Na prática, porém, funcionam como empresas privadas, pois o contrato é por prestação de serviços.
“As OSS recebem os hospitais absolutamente aparelhados, de mão beijada. Tudo o que gastam é pago pelo governo do estado ou prefeitura. Além disso, recebem taxa de administração”, avisa o promotor Arthur Pinto Filho, da área de Saúde Pública do Ministério Público de São Paulo. “Entregar a saúde pública para as OSS evidentemente encarece a saúde e tem prazo de validade.”
No final do ano passado, o Viomundo já havia tornado público que, em 2008 e 2009, os hospitais geridos pelas OSS custaram, em média, aos cofres do Estado de São Paulo cerca de 50% mais do que os hospitais administrados diretamente pelo poder público. A mesma tendência se manteve em 2010, revela o cruzamento de dados dos relatórios das OSS com informações do Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária do Estado de São Paulo (SIGEO)
No final de 2010, o Viomundo também revelou que, de 2006 a 2009, os gastos com as OSS saltaram de R$ 910  milhões para R$ 1,96 bilhão.  Uma subida de 114%. No mesmo período, o orçamento do Estado cresceu 47%. Ou seja, as despesas do Estado de São Paulo com a terceirização da saúde cresceram mais que o dobro do aumento do orçamento público.
Mas a situação é bem mais complicada. O Estado de São Paulo tem 34 hospitais públicos geridos por OSS. Alguns são por meio de convênios, feitos normalmente com fundações de universidades públicas. A maioria é por contratos de gestão, geralmente executados por instituições privadas ou filantrópicas.
Até o início de junho, 22 dos 34 hospitais públicos do estado de São Paulo geridos por OSS haviam publicado balanço referente a 2010.
Desses 22, apenas quatro ainda têm patrimônio positivo. Um deles é o Hospital Brigadeiro, na capital paulista, privatizado em janeiro de 2010 e gerido pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, conhecida pela sigla SPDM. Os demais são os hospitais Regional Porto Primavera (Rosana), Estadual João Paulo II (José do Rio Preto) e Regional de Presidente Prudente (antigo Hospital Universitário). Todos novos e administrados pela Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus.
Os outros 18 hospitais apresentaram patrimônio negativo, ou seja, passivo maior do que o ativo. Portanto, dos que já divulgaram o balanço de 2010, 80% estão “quebrados”.
Atente bem à tabela abaixo. Ela foi elaborada com base nos balanços publicados no Diário Oficial do Estado de São Paulo.
Resultado: Em 2010, o déficit desses hospitais foi de R$ 71,98 milhões. Mas o rombo acumulado dos 18 chega a R$ 147,18 milhões.
70% DOS EQUIPAMENTOS GERIDOS POR OSS TIVERAM DÉFICIT EM 2010
O sinal vermelho foi dado nos próprios balanços. Sobre o do Hospital Estadual do Itaim Paulista, gerido pela Casa de Saúde Santa Marcelina, a Cokinos & Associados Auditores Independentes S/S adverte:
Conforme descrito na Nota Explicativa n.º 14, a Entidade apresentou déficit de R$ 3.227.700 durante o exercício findo em 31 de dezembro de2010 e, naquela data, o seu passivo total, excedia o seu ativo total em R$ 3.804.984. A Organização dependerá do repasse de verbas complementares futuras afim de obter o reequilíbrio econômico-financeiro para a manutenção normal de suas operações.”
A situação dos ambulatórios médicos de especialidades (AMEs) também é muito grave. Dos 27 existentes, 17 tiveram déficit em 2010.  Entre eles, o AME Heliópolis (antigo Hospital Heliópolis), administrado pelo Seconci-SP (Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo).
Em 2009, esse AME, que ironicamente se chama Dr. Luiz Roberto Barradas Barata, tinha patrimônio de R$ 3,8 milhões. Porém, devido ao déficit de R$ 6 milhões em 2010, seu passivo já atinge R$ 2,2 milhões. Barradas, ex-secretário da Saúde do Estado de São Paulo e falecido em 2010, foi o autor da justificativa anexada por Serra à mensagem enviada, em novembro de 2008, à Assembleia para mudar a lei das OSS.
Resumo do buraco: dos 58 hospitais, AMEs e serviços de diagnóstico do estado de São Paulo geridos OSS por contrato de gestão, 41 tiveram déficit em 2010, segundo o relatório das OSS publicado no Diário Oficialdo Estado de São Paulo, publicado em abril de 2011. O que representa 70%.
SECONCI, SPDM E FUNDAÇÃO ABC NÃO RESPONDEM
Esta repórter contatou as OSS responsáveis pelos hospitais com déficit para saber o motivo dessa situação.
O Seconci-SP não respondeu, apesar de diversos telefonemas e emails para a sua assessoria de imprensa. O Seconci administra os hospitais Geral de Itapecerica da Serra, Estadual de Vila Alpina, Regional de Cotia, Estadual de Sapobemba e AME Heliópolis. Por meio de convênios com a prefeitura de São Paulo, também cuida de cinco AMAs (unidades de Assistência Médica Ambulatorial). Abaixo resumo do balanço do Estadual de Vila Alpina.
A SPDM, ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) não quis se manifestar. Por meio de sua assessora de imprensa, disse que só a Secretaria Estadual de Saúde poderia dar esclarecimentos.  A SPDM gerencia nove hospitais no estado de São Paulo, sendo quatro estaduais: Brigadeiro e Geral de Pirajussara, na capital, Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, e Estadual de Diadema.
A Casa de Saúde Santa Marcelina achou melhor que o diretor de cada hospital esclarecesse o déficit.
“Há vários motivos para o prejuízo no ano que passou, mas o principal, responsável por mais de 90% dessa situação, é o orçamento inadequado. Como aconteceu em 2010, 2009 e alguns outros anos anteriores, as partes negociavam já sabendo que o dinheiro não seria suficiente para cobrir as metas de atendimento”, explica a esta repórter Carlos Alberto Ferreira, diretor do Hospital Estadual Itaim. “Só que, geralmente lá por setembro, outubro ou novembro, se reviam os valores e um termo aditivo de contrato era assinado para cobrir a diferença. Em 2010, devido à morte do doutor Barradas e mudança de secretário, isso não aconteceu plenamente. Daí por que o dinheiro não deu.”
Já a responsável pelo Hospital Estadual de Itaquaquecetuba não quis falar. Recomendou-me contatar a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde.
A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo é gestora de vários serviços de saúde estaduais, entre os quais os hospitais Geral de Guarulhos, Estadual de Francisco Morato, Estadual de Franco da Rocha “Dr. Albano da Franca Rocha Sobrinho”, Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário e o Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha – Complexo Hospitalar do Juquery.
Resposta ao Viomundo: “No ano passado, parte dos recursos foi contingenciada. Atualmente a situação está equilibrada”.
A Associação Congregação de Santa Catarina, do qual o Hospital Santa Catarina faz parte, administra dez instituições públicas paulistas: os hospitais gerais de Pedreira, Itapevi e Grajaú, o Centro de Referência do Idoso da Zona Norte, o Pólo de Atenção Intensiva em Saúde Mental, os AME Jardim dos Prados, Itapevi e Interlagos, o Centro de Análises Clínicas de São Paulo (Ceac) e Serviço de Diagnóstico por Imagem (Sedi 1).
Resposta ao Viomundo:
“Está havendo uma negociação junto ao governo do Estado para adequação entre orçamento e metas assistenciais para 90% das casas administradas pela Associação.
Nos últimos 3 anos (2009, 2010 e 2011), o governo do Estado tem basicamente mantido as metas assistenciais e reduzido os orçamentos em 5% a cada ano, por conta de um contingenciamento. Portanto, nos últimos três anos houve uma redução de 15% no orçamento e as metas foram as mesmas.
Os Hospitais Pedreira e Itapevi apresentaram um déficit, pois os recursos não estão condizentes com as metas estipuladas. Sendo assim, a Associação Congregação de Santa Catarina, assim como outras entidades filantrópicas, está em negociação com o governo do Estado para alinhar o orçamento às metas ou as metas ao orçamento”.
Abaixo o resumo do balanço do Hospital de Pedreira.
CONTRATOS GARANTIDOS NO FIO DO BIGODE? BAIXA TRANSPARÊNCIA
Acontece que o Hospital Estadual de Pedreira, por exemplo, realizou em 2010 menos do que o foi contratado:
Ou seja, esse hospital gerido pela Associação Congregação Santa Catarina realizou quase 8% a menos das metas físicas contratadas. Porém, recebeu R$ 5,6 milhões a mais do que o valor previsto, como mostra a tabela abaixo feita com base no levantamento no Diário Oficial. Já os hospitais Itapevi e Grajaú, administrados pela mesma OSS, receberam praticamente o valor contratado.
Os hospitais Estadual de Guarulhos e de Francisco Morato, administrados pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, receberam a mais R$5.474.3815,50 e R$1.040.706,00, respectivamente.
Detalhe: Pedreira, Guarulhos e Francisco Morato não são exceção; em geral, há acréscimos nos valores contratados inicialmente.
Afinal de contas, o governo paulista realmente contingenciou recursos, como alegam algumas OSS? Tecnicamente recurso contingenciado é aquele previsto no orçamento e o governo congela. Ele pode vir ou não a ser repassado.
Ou as OSS não receberam o que desejavam pelos serviços prestados?
Ou será que para ganhar a eleição estadual em 2010 o governo tucano teria estimulado as OSS a atenderem mais do que o previsto e posteriormente não cobriu os extras?
Ou será tudo isso junto?
Qual a mágica para as OSS continuarem operando, já que a maioria dos hospitais geridos está no vermelho? Teria o atendimento piorado ou elas resolveram fazer benemerência, trabalhando de graça para o governo estadual?
Os contratos seriam para “inglês ver”, considerando que, de antemão, as partes sabem que precisarão de aumento posterior nos valores?
A garantia seria mesmo na base de um “fio do bigode” de uma única pessoa?
O fato é que, apesar envolver recursos públicos de quase R$ 2 bilhões anuais, o negócio das OSS é uma caixa-preta que precisa ser escancarada à luz do sol de verão. Por uma razão simples: falta transparência.
Esta repórter solicitou à assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde São Paulo o número e os nomes dos hospitais geridos diretamente pelo Estado e por OSS, tanto por contratos de gestão, quanto por convênios. Vieram apenas os números e desta forma:
Cerca de 40?! Cerca de 30?! Como?!
Se a Secretaria Estadual de Saúde não sabe EXATAMENTE quantos hospitais são geridos pelo Estado e quantos são por OSS, quem vai saber? Ou será que não nos quis passar?
E supondo que a Secretaria Estadual de Saúde não soubesse quantos hospitais são geridos pelo Estado e quantos são por OSS – que é uma informação básica –, como vai fiscalizar os serviços e cumprimento de metas?
Insisti com a assessoria de imprensa. Precisava dos nomes dos hospitais. Em vez da resposta, foi encaminhado texto só com elogios ao modelo de OSS.  Alguns trechos:
Reforcei o pedido, solicitando os nomes dos hospitais geridos por OSS por contrato de gestão e por convênio e os administrados diretamente pelo estado diretamente. Argumentei ser informação básica, de fácil acesso, pelo menos ao pessoal da Secretaria Estadual de Saúde.  “É só ‘puxar’ no computador”, esta repórter argumentou na solicitação. Nada. Silêncio absoluto.
Só que os hospitais de Pedreira, Vila Alpina, Itaim Paulista, Mário Covas, Pirajussara e Diadema estão “quebrados”, lembram-se da tabela no início desta reportagem? O rombo acumulado de cada um é, respectivamente, de R$ 5,78 milhões, R$ 8,86 milhões, R$ 3,8 milhões, R$ 4,2 milhões, R$ 13,8 milhões e R$ 11,3 milhões.
Situação oposta à do Instituto do Câncer do Estado, o Icesp, inaugurado em 2008 e gerido pela Fundação Faculdade de Medicina.  Seu balanço de 2010 ainda não foi publicado. Mas, segundo o relatório das OSS publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, o Icesp teria recebido em 2010 R$ 369 milhões. Porém, só gastou R$ 242 milhões. Por que os R$ 127 milhões restantes não teriam sido gastos? A sua utilização não teria aumentado o número de pacientes tratados?
“Cadê o exemplo de economia, eficiência e excelência de gestão?”, muitos leitores devem estar perguntando. E com razão. Afinal, é como as OSS são “vendidas” pelo governo paulista e demais defensores desse sistema de administração.
Tais qualidades, na verdade, parecem ser mais marketing publicitário do que realidade. Pelo menos são os indícios dos números atuais.
Tem mais. A lei da transparência e de responsabilidade fiscal exige que as execuções orçamentária e financeira sejam disponibilizadas em tempo real na internet. Obriga, ainda, o estado a prestar esclarecimentos sobre os seus contratos para qualquer cidadão.
Porém, não há um site que reúna informações sobre os contratos e aditivos celebrados entre as Organizações Sociais de Saúde e o governo paulista. Muito menos que comunique o quanto e em quê estão sendo gastos os recursos.
Apesar das reiteradas solicitações, esta repórter não recebeu da Secretaria Estadual de Saúde até a postagem desta reportagem a lista com os nomes dos hospitais geridos diretamente pelo Estado e os por OSS.
Por que não divulgar? Seria por que o rombo acumulado das OSS paulistas, incluindo hospitais, AMEs e serviços de exames, é bem maior dos que os quase R$ 147, 18 milhões dos 18 hospitais citados?
A propósito. O desmantelamento, na semana passada, da quadrilha formada por médicos, enfermeiros e dentistas do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, que desviava verbas dos plantões médicos e fraudava licitações, mostrou a ausência de controle sobre os recursos financeiros e os serviços prestados pelos hospitais públicos paulistas geridos pelo Estado.
Essa mesma falta de controle existe sobre as OSS. Basta ver o crescente déficit dos hospitais estaduais gerenciados por essas entidades. Aliás, se não existe transparência plena sobre um dado tão banal como a lista dos nomes dos serviços de saúde gerenciados por OSS, o que pensar sobre as informações referentes à aplicação dos recursos e aos atendimentos prestados?
Em tempo 1: O esquema de fraude em licitações e nos pontos de plantões médicos (profissionais recebiam sem trabalhar), revelado pela polícia de São Paulo na semana passada, envolveu, além do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, funcionários de outros 11 hospitais da região de Sorocaba. Entre eles, o Hospital Geral de Itapevi, administrado por uma OSS, a Associação Congregação de Santa Catarina. O Viomundocontatou a assessoria de imprensa para saber o que a entidade tinha a dizer sobre o fato.  Não houve retorno.
Em tempo 2: O médico e ex-secretário de Esporte, Cultura e Lazer  Jorge Pagura, que teve o seu nome ligado ao esquema de fraude do Centro Hospitalar de Sorocaba, é chefe da neurocirurgia do Hospital Mário Covas, em Santo André. no ABC paulista. O serviço é gerenciado por outra OSS, a Fundação ABC. OViomundo contatou a assessoria de imprensa para saber sobre o motivo do déficit acumulado de R$ 4, 2 milhões do hospital. Ela foi uma das entidades que não nos respondeu.
Em tempo 3: Solicitamos à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo uma avaliação sobre a situação financeira dos hospitais estaduais geridos por OSS. A assessoria de imprensa também não nos respondeu isso.
Quaisquer que sejam as respostas dessas e demais perguntas, esta repórter e os milhões de cidadãs e cidadãos de São Paulo querem saber: quem vai pagar a conta?

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/hospitais-publicos-de-sp-gerenciados-por-oss-a-maioria-no-vermelho.html