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domingo, 12 de junho de 2011

Diario Urbano: Azulejos, o fim da tradição

12.06.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Tânia Passos
Diário Urbano

Um pequeno passo e até agora único foi dado na recuperação do acervo azulejar civil, do que ainda resta das fachadas de sobrados do Recife. No ano passado, o sobrado de nº 447, na Rua da Aurora, das 1780 peças, 370 foram refeitas. Parecia o início de uma nova era. Não foi. A tradição de usar azulejos para compor as fachadas é uma herança portuguesa do século 19, e dificilmente sobreviverá a mais um século, pelo menos nos sobrados. E uma das razões é que a maioria deles está em situação de abandono. Mesmo se houvesse um trabalho de recuperação, sem fiscalização correria o risco de se perder novamente, embora as cópias das peças não tenham valor, senão o estético. Em janeiro de 2006, o Diario chegou a flagrar a venda de azulejos roubados em um antiquário de Olinda, mas nunca ninguém foi preso por isso. Três inventários já foram feitos do acervo que um dia existiu, entre 1958 e 2002. O último deles foi elaborado pela arquiteta Sylvia Tigre, em 2002. Do primeiro inventário para o segundo houve uma perda de 100 fachadas e do segundo para o terceiro de mais 66 fachadas. Hoje, não existe nenhum levantamento do que ainda resta. O único consolo é o acervo azulejar religioso, que é melhor protegido. Um exemplo é o Convento de São Francisco, na Rua do Imperador, onde um projeto de recuperação de quase 30 mil azulejos distribuídos em 14 ambientes, já é um alento para as futuras gerações.

Árvores

A Prefeitura do Recife anunciou no mês passado o plantio de mil mudas de árvores. Um leitor quis saber: onde as mudas foram cultivadas? Segundo a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), as plantas foram distribuídos pelas avenidas Recife, Mascarenhas de Morais, entre outras. Só não se sabe se elas terão o mesmo destino das tais palmeiras imperais que deveriam ter sido plantadas na Conde da Boa Vista, pelo governo passado. Nem sinal delas.

Avenida Guararapes

A implantação de um polo educacional na Avenida Guararapes é um grande avanço para a ocupação na área central do Recife. Igualmente importante é a preservação do patrimônio existente. Mesmo não sendo tombada individualmente, a Guararapes mantém um perfeito conjunto da arquitetura moderna. A descaracterização do espaço com cores estranhas à harmonia do conjunto, seria um desastre. Educação e cultura devem caminhar de mãos dadas.

Patrimônio

O processo de tombamento da Igreja de Santa Isabel, em Paulista, teve início no ano passado no Conselho Estadual de Cultura. A iniciativa foi do Movimento Pró-Museu. A preocupação é que a igreja, que atualmente não tem nenhuma proteção do ponto de vista da legislação sofra algum tipo de descaracterização.

“Acredito que muito do acervo azulejar que foi registrado em 2002 não existe mais. As futuras gerações, se nada for feito, só vão conhecer essa parte da história pelos livros” // Sylvia Tigre, arquiteta

Afundou

Não faz um mês que a Emlubr tapou a buraqueira na Rua Vicente Gomes, em Boa Viagem. A questão parecia resolvida. Parecia. O buraco afundou novamente. Talvez o problema seja mais embaixo. Mesmo sem chuva, o asfalto cedeu.

Ônibus

Apertados, mas nem tanto. Os ônibus articulados, do tipo com sanfona, que fazem a linha Camaragibe/Príncipe ou Camaragibe/Conde da Boa Vista, costumam ficar lotados logo na entrada da porta, mesmo se o resto do ônibus estiver vazio. O espaço disputado é reservado aos idosos e pessoas com deficiência. Talvez falte uma orientação.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/06/12/vidaurbana2_0.asp

Cingapura

12.06.2011
Do MSN NOTÍCIAS, 10.06.11
Por Viaje Mais/Karen Abreu

Cingapura
 É começo de uma tarde de abril calorenta e muito abafada, coisa habitual em Cingapura. Por isso, faz sentido que uma grande quantidade de pessoas esteja se refrescando naquela piscina de borda infinita. Mas não se trata de uma piscina qualquer. 
Ela é a mais alta do mundo, alcançada por um elevador que sobe 55 andares. 
E lá de cima escancara um mar de moderníssimos arranha-céus, bem como a maior roda-gigante do mundo, que se impõe na paisagem com seus 165 metros de altura.
Tais superlativos até poderiam ser confundidos com os de Dubai, o emirado árabe famoso pela ostentação e por recordes arquitetônicos e turísticos. No entanto, outras exclusividades, como abrigar o único parque da Universal Studios fora dos Estados Unidos e a primeira corrida de Fórmula 1 disputada à noite, fazem de Cingapura um lugar especial.

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Fonte:http://viagem.br.msn.com/cingapura

Você sabia? PSDB e DEM não elegem candidatos para a bancada negra no Congresso

12.06.2011
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Segundo matéria publicada no site Congresso em Foco em 28 de Outubro de 2010 sobre o balanço das eleições legislativa de 3 de outubro, a maioria dos negros eleitos para o Senado e para a Câmara dos Deputados é do PT, PSB, PCdoB e PSol, entre outras legendas progressistas. O PSDB e o DEM não tiveram nenhum candidato negro eleito.

Na avaliação do diretor da ONG Educafro, frei David dos Santos, não se trata de mera coincidência. "Os partidos de direita não investiram financeiramente em qualquer campanha de povo negro, todos os eleitos são de esquerda ou centro-esquerda. Os partidos que não amam o negro apenas o usam", comenta.

O ativista também denuncia casos de falsas promessas a lideranças negras. "Alguns partidos vão à periferia, formam lideranças, prometem muito dinheiro para campanha, mas esse dinheiro nunca aparece e os candidatos acabam tendo de bancar, do próprio bolso, suas candidaturas. No fim, não conseguem o número mínimo de votos para se eleger, por terem feito campanha fraca", explica.

Mas o número de votos recebidos pelos candidatos negros mostra que, impulsionado principalmente pela mobilização de suas bases populares, o movimento aumenta, aos poucos, sua relevância na sociedade. Com base em informações do Instituto de Política, Gestão Pública e Empresarial e Tecnologias Apropriadas (Ipogetec) de Brasília, 22 milhões de pessoas votaram em candidatos negros, 19,86% do total de votos computados e 21,74% do total de votos válidos.

"Segundo o IBGE, 51,3% da população brasileira é afro-descendente, somos maioria, porém sub-representados na Câmara e no Senado Federal.

A Educafro pretende conversar com dirigentes do DEM e do PSDB, para viabilizar a participação do negro no processo eleitoral. "Não queremos mais ser usados como massa para captar votos e depois eleger sempre os mesmo caciques dos partidos. O eleitor tem que ver o partido em que está votando. Se elegeu negro e índio, é um partido sério. Se só elegeu branco, é partido que discrimina", diz frei David.

Para o Congresso em Foco, "não se pode esquecer que o DEM tem questionamentos graves no Supremo Tribunal Federal sobre a política de cotas, o ProUni e as terras destinadas às comunidades quilombolas no Brasil".

Ao ser procurada, a assessoria do PSDB disse desconhecer a fonte de consulta que declara a raça dos candidatos.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/06/voce-sabia-psdb-e-dem-nao-elegem.html

Carta Maior: Estragos no tucanato, lições para o PT

12.06.2011
Do blog de Luiz Carlos Azenha,11.06.11
Editorial de Carta Maior


A FATURA DA PRIVATIZAÇÃO: ESTRAGOS NO TUCANATO, LIÇÕES PARA O PT

O tucanato paulista privatizou a principal empresa fornecedora de energia elétrica do Estado há 23 anos (hoje AES Eletropaulo). Uma cláusula do contrato previa que os novos donos teriam dez anos para realizar investimentos e agregar mais 15% (400 MW) à capacidade de fornecimento. O prazo venceu em 2007. O governador era José Serra. Ungido pela mídia por supostos atributos de ‘grande gestor’, como o nome mais qualificado para suceder o Presidente Lula — opinião diversa da maioria do eleitorado como se viu — Serra não cobrou, não fiscalizou, não tomou nenhuma providência diante da ruptura de contrato num serviço essencial. As interrupções de energia tem sido cada vez mais freqüentes em SP nos últimos anos. Cada vez mais lenta tem se mostrado a normalização do serviço. Reportagem da Folha deste sábado — que naturalmente omite o nome do candidato da derrota conservadora em 2010 – informa que após a última pane, na 3º feira, a retomada do fornecimento demorou 60 horas em alguns locais. O sucessor de Serra e seu desafeto, Geraldo Alckmin, garante que agora vai ‘investigar’ as razões do colapso em marcha. No momento em que o governo federal oficializa a concessão de importantes aeroportos nacionais à iniciativa privada — em nome da eficiência e porque o Estado não dispõe de R$ 5 bi a R$ 6 bi para investir no setor, embora tenha reservado R$ 57 bi aos rentistas da dívida pública no 1º quadrimestre – o colapso elétrico em SP encerra lições oportunas. E, convenhamos, ecumênicas.

(Carta Maior; Sábado, 11/06/ 2011)
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/carta-maior-estragos-no-tucanato-licoes-para-o-pt.html

Todos contra “Hitler”

12.06.2011
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Entre sexta-feira e sábado passados, participei de um evento em que foram travados debates instigantes e cruciais, debates que mostraram que estão ocorrendo mudanças fundamentais, profundas e inéditas no quadro político brasileiro. Estive em Belo Horizonte, na versão mineira dos encontros estaduais de blogueiros progressistas.
Participei de duas mesas de debates em que a primeira grande crise política do governo Dilma, inevitavelmente, entrou na pauta. Uma das mesas teve lugar na sexta à noite e a outra, no sábado pela manhã.
Nesses debates, constatei que a disposição de parte da esquerda em relação ao governo federal está mudando, o que significa que o terreno para a mídia derrubar ministros e gerar crises que imobilizam o governo, relegando assuntos de real interesse público a plano secundário, está muito mais fértil na era Dilma.
Antes do relato, porém, há que olhar a pesquisa Datafolha divulgada neste domingo.  Todavia, há que se ter cautela. E é imperativo explicar por quê. Para tanto, reproduzo matéria do portal IG publicada durante o processo eleitoral do ano passado.
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Sub-procuradora eleitoral determina instauração de inquérito sobre supostas fraudes em levantamentos de intenção de voto
Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 12/05/2010 18:00
A sub-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau determinou que a Polícia Federal instaure inquérito para investigar suspeitas de fraude em pesquisas eleitorais realizadas pelos quatro principais institutos do país: Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus.
A instauração do inquérito atende a uma representação feita pela ONG Movimento dos Sem Mídia (MSM), no dia 24 de abril, com base nas denúncias de irregularidade em pesquisas para a eleição presidencial divulgadas nas últimas semanas.
Na representação o MSM relata as diferenças nos resultados de pesquisas feitas por diferentes institutos em curto espaço de tempo. O principal exemplo é a divergência entre a pesquisa divulgada pelo Sensus no dia 13 de abril, apontando empate técnico entre os pré-candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) e outra do Datafolha, publicada três dias depois, que mostrava uma vantagem entre 10 e 12 pontos percentuais para o tucano.
A sondagem do Sensus foi alvo de representação do PSDB, rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
“A grande mídia passou a atacar o Vox Populi e Sensus enquanto a mídia alternativa de esquerda acusava o Ibope e Datafolha”, justificou o presidente do MSM, Eduardo Guimarães, um representante comercial que decidiu abrir a ONG (que não recebe dinheiro público) e um blog para cobrar ética na mídia brasileira.
Em poucos dias, por meio do blog, Guimarães recolheu mais de 2 mil adesões para o pedido de investigação dos institutos de pesquisa. O documento de 50 páginas foi protocolado no dia 23 de abril e acatado pela sub-procuradora duas semanas depois. “Isso deixa claro que a Justiça Eleitoral não está para brincadeira”, disse Guimarães.
Além da instauração do inquérito, o MSM pediu que todas as pesquisas sobre a eleição presidencial divulgadas daqui para frente sejam auditadas pelo TSE. O pedido, segundo o Ministério Público Eleitoral, ficará para uma segunda etapa, dependendo dos resultados da investigação da Polícia Federal.
A pena para o crime de divulgação de pesquisa eleitoral fraudulenta é seis meses a um ano de detenção para os responsáveis além de multa entre R$ 53 mil e R$ 106 mil para os institutos.
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Durante o encontro de blogueiros em Belo Horizonte, no calor dos debates alguém chegou a insinuar que este blogueiro faz barulho mas não age concretamente para mudar as coisas. Apesar de muitos saberem que não é verdade, como mostra a reportagem acima, há muita gente nova neste blog que não conhece bem a história.
Além disso, a matéria do IG mostra que pesquisas desses institutos devem ser vistas sempre com muita cautela, porque, no mínimo, às vezes erram feio. Com ou sem intenção. Quem não se lembra do excelente jornalista Ricardo Kotscho caindo na conversa do presidente do Ibope,  Carlos Augusto Montenegro, de que Serra seria eleito, ano passado?
A pesquisa Datafolha publicada neste domingo, a despeito de todas essas ressalvas, mostra que o verdadeiro objetivo da campanha contra o ex-ministro Palocci foi atingido. A imagem pessoal da presidente piorou e os brasileiros estão mais pessimistas com a economia. E 60% dos pesquisados declararam que o “escândalo” foi prejudicial a ela.
Há outro dado relevante na pesquisa que precisa ser lembrado. Apesar de 49% dos brasileiros considerarem a gestão Dilma boa ou ótima contra 47% em março – evolução dentro da margem de erro da pesquisa –, há que refletir se é apropriado comparar a aprovação de Dilma com a de Lula em seu primeiro mandato nesta mesma época (seis meses de governo)
Não vamos nos esquecer de que Dilma está no poder há oito anos e meio, e não há seis meses. Em relação aos cerca de 80% de aprovação do governo anterior, penso que este governo deveria ter aprovação maior, se fosse visto como continuidade. Ou seja: cerca de um terço dos pesquisados não vê neste governo as qualidades do anterior.
E é nesse momento que se nota que erros táticos de Dilma já produziram estragos entre a militância. O que opôs minha opinião às de outros debatedores no evento recente em BH é o apoio ao governo. Pessoas que há anos vinham defendendo o governo Lula consideram que agora, no governo Dilma, têm que ser mais críticas e não dar o mesmo nível de apoio.
Quando argumentei que não compartilharei os ataques da mídia porque é esse o inimigo a ser combatido, surpreendeu-me a afirmação de que ela nem sempre é ruim e de que não se deve separar o jogo político entre bons e maus. Até porque, a esquerda tem que começar a ser mais crítica porque tem muitas correntes com interesses nem sempre convergentes.
Diante dessa alegação, usei uma metáfora. Lembrei que para combater Hitler, interesses tão divergentes quanto os da União Soviética e os dos Estados Unidos se uniram para derrotar o inimigo em comum simplesmente porque, do outro lado, estava nada mais, nada menos do que Hitler.
Muitos dirão, com boa dose de razão, que é um exagero comparar a mídia a Hitler. Se a comparação for literal, é claro que é exagero. Hitler era um assassino, louco, sanguinário e a mídia, não. Apenas ajuda a manter o sistema de dominação por uma casta. Sistema que nos coloca, ainda hoje, entre as dez nações mais desiguais do mundo.
Todavia, quando se vê que esses impérios de comunicação, geridos por quatro famílias, controlam tudo em termos de meios de comunicação, configurando o que se convencionou chamar de “propriedade cruzada”, é óbvio que enquanto essa situação medieval perdurar e não se criar leis como a “ley de medios” argentina, estaremos em uma guerra contra o “Hitler” das comunicações.
E é aí que fico preocupado com o quadro político brasileiro. A divisão da esquerda já fortalece uma direita antes combalida e em processo de degenerescência. É nesse quadro que já vejo parte da esquerda dizer inevitável a não materialização da “ley de medios”, que, na prática, nada mais é do que uma lei contra a propriedade cruzada de meios de comunicação.
Excelentes propostas surgiram para ir mudando aos poucos essa situação. O presidente da Altercom, Renato Rovai, elencou medidas que pretende tomar que deverão melhorar a concentração publicitária. Como a medida das pesquisas que o MSM tomou no ano passado, é uma proposta concreta e que deve ter efeitos.
Além disso, essa é uma proposta para o aspecto mercantil. Ajudará algumas empresas de comunicação pequenas a sobreviverem melhor, mas o quadro medieval na comunicação de massas continuará. Nesse ritmo, aliás, durará mais uns 200 anos. Não podemos esperar tanto se queremos ser a potência que todos vislumbram.
O monopólio funciona assim: as revistas e jornais de uma Globo produzem denúncias com ou sem fundamento, as tevês e rádios repercutem e, aí, instala-se a crise política. Na maior parte das vezes, como durante o governo Lula, crises sem fundamento e com viés sabotador que prejudicaram o conjunto da sociedade.
Diante dessa situação preocupante que pode chegar aonde muitos ainda não suspeitam, quero exortar a vocês, militantes esquerdistas que acham que os problemas todos em relação à mídia foram resolvidos com a eleição de Dilma, a não se dividirem. 2014 está logo aí e corremos o risco de, então, elegermos um Berlusconi.
E exorto os que lutaram para eleger Dilma a não aceitarem a propriedade cruzada. Nenhum país civilizado pode ter quatro famílias dominando  a comunicação. Aceitar que passemos mais quatro anos sem uma lei para mudar essa situação significará fortalecer a mesma direita que tanto mal já fez a este país e que está longe de estar morta.

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Fonte:http://www.blogcidadania.com.br/2011/06/todos-contra-hitler/

O golpe rasteiro da terceirização

12.06.2011
Do blog de Altamiro Borges
Editorial do  Vermelho:

A aprovação do Projeto de Lei que escancara a terceirização no país (PL nº 4330/04) - pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara Federal na quarta-feira (8) – representa uma séria ameaça contra os direitos da classe trabalhadora brasileira, conquistados ao longo de mais de um século de lutas.

A proposta, do deputado capitalista Sandro Mabel (PR-GO), proprietário da empresa de biscoito Mabel, estende a terceirização para as chamadas atividades-meio, revogando norma do TST que limita a terceirização às atividades-fim. Permite a subcontratação de atividade especializada, o que é considerado uma quarteirização, e ainda determina que a empresa contratante seja responsável apenas subsidiariamente pelos direitos do trabalhador terceirizado.

O fato surpreendeu as centrais sindicais, que não só repudiam o projeto Mabel como também estavam elaborando em parceria com o Ministério do Trabalho uma nova proposta sobre o mesmo tema, cujo conteúdo é oposto ao do empresário, pois visa restringir a terceirização e estabelecer a responsabilidade solidária da empresa contratante em relação às obrigações trabalhistas.

A responsabilidade subsidiária é limitada – o terceirizado só pode cobrar direitos trabalhistas da empresa contratante depois que forem esgotados todos os bens da empresa de prestação de serviços. Diferentemente, pela responsabilidade solidária a empresa contratante e a terceirizada seriam responsáveis na mesma medida perante a Justiça.

Além disto, os sindicalistas reivindicaram do presidente da Câmara Federal, Marco Maia (PT-RS), a criação de uma comissão especial para debater o assunto. E foram atendidos.

Por estas e outras, os deputados federais do PCdoB Assis Melo (RS) e Daniel Almeida (BA), ambos operários e sindicalistas, encaminharam recurso ao Plenário da Câmara exigindo a anulação da votação na CTASP, caracterizada por alguns sindicalistas como um golpe rasteiro do capital contra o trabalho no Congresso Nacional.

Uma vez que já foi criada uma comissão especial para analisar o tema - cuja relevância política, social e econômica é indiscutível - não se justifica a precipitação da Comissão do Trabalho, que se comporta, neste caso, como uma autêntica comissão do capital.

No Brasil, conforme denunciam os trabalhadores e muitos especialistas, a terceirização é sinônimo de precarização. Não passa de uma fraude a que o empresariado recorre para burlar a legislação trabalhista, subtrair direitos e aumentar o grau de exploração da classe trabalhadora, que já é um dos mais altos do mundo.

Estudos do Dieese revelam que o trabalhador terceirizado recebe, em média, o equivalente a um terço do que ganha o contratado de forma direta. Além de ser tratado como um assalariado de “segunda classe” (dividindo efetivamente os trabalhadores), ele não goza os benefícios consagrados através de acordos e convenções coletivas e geralmente vê seus direitos vilipendiados.

"Do jeito que está o projeto, tudo pode ser terceirizado”, afirma o deputado Vicentinho (PT-SP), referindo-se à proposta do capitalista Mabel, que pode significar a desregulamentação das relações trabalhistas e mesmo o fim do trabalho formal. É o sonho recorrente do capital, que igualmente orientou o projeto de reforma sindical de FHC, que Lula arquivou, e a chamada Emenda 3, vetada pelo ex-presidente de origem operária.

A manifestação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, enaltecendo a aprovação do PL nº 4330/04, evidencia o caráter de classe da nefasta iniciativa. Andrade, um conservador neoliberal, alega que a terceirização sem peias vai “ampliar a competitividade” da indústria nacional. É uma versão da surrada e falsa teoria neoliberal segundo a qual a depreciação do trabalho, com a elevação do grau de exploração dos assalariados, é indispensável para o desenvolvimento. A história sugere o contrário.

A valorização do trabalho ao longo dos governos Lula – com aumento real do salário mínimo, redução da taxa de desemprego, criação de 15 milhões de empregos formais e legalização das centrais sindicais – foi fundamental para fortalecer o mercado interno, estimular o crescimento econômico e suavizar os efeitos da crise mundial exportada pelos EUA.

A batalha no Congresso Nacional contra o PL capitalista do empresário Mabel e pela regulamentação rígida da terceirização é uma expressão política da velha luta de classes que, confirmando a teoria marxista, segue sendo a principal força motriz da história. É preciso intensificar a mobilização social para que seu desfecho esteja de acordo com os interesses da classe trabalhadora, que melhor correspondem aos interesses nacionais e ao desenvolvimento econômico.

A precarização neoliberal das relações trabalhistas certamente serve ao capital e ao capitalismo, na medida em que exacerba a espoliação dos despossuídos e amplia os lucros das empresas, mas não está em sintonia com os interesses maiores da nação, é nociva ao mercado interno e, por consequência, ao desenvolvimento econômico.

O golpe na Comissão do Trabalho mostra que, embora o neoliberalismo tenha sido derrotado nas urnas, mais de uma vez, é prematuro decretar sua morte, pois continua firme, forte e influente no Congresso Nacional, onde mais de 50% dos deputados são empresários, segundo levantamento do Diap. Isto se explica em boa medida pelo custo excessivo das campanhas eleitorais e a forma (privada) de seu financiamento. Aos trabalhadores, que também têm seus representantes no legislativo, resta o caminho da mobilização e pressão popular para impedir o retrocesso das relações sociais.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/06/o-golpe-rasteiro-da-terceirizacao.html