segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ele ensina a fazer o dinheiro sobrar

23.05.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Tatiana Nascimento

Imagem: RODRIGO SACRAMENTO/DIVULGAÇÃO
Luís Carlos Ewald é economista e engenheiro mecânico. Já escreveu um livro. É professor de MBA e dá treinamento para empresas. Há oito anos, ficou conhecido em todo o Brasil por um codinome. Igual a um super-herói. Ewald é o Sr. Dinheiro, que de tempos em tempos aparece no Fantástico para livrar os gastadores do mal e dar dicas sobre economia doméstica e finanças pessoais.

Algumas podem ser consideradas um tantinho excêntricas. Por isso mesmo tornaram-se clássicas, como a ideia de comprar o ovo de Páscoa depois da Páscoa. E, de preferência, quebrado. Sai muito mais em conta, afinal. “E o melhor mesmo é nem comprar o ovo. Em relação ao chocolate comum, ele custa quatro vezes mais. Ninguém come papel celofane, papel laminado.” Estas e outras histórias devem ser contadas na palestra que Ewald fará na abertura da 4ª edição recifense da Expo Money, nesta quarta-feira. Durante uma hora, ele vai ensinar como fazer para o dinheiro sobrar. Também vai falar sobre opções de investimentos.

Para ele, todo mundo deveria guardar 10% do salário assim que o dinheiro entrasse na conta. Para não ter perigo de gastar. “Tem que ficar claro que, se não economizar, não tem como aplicar”, ensina o Sr. Dinheiro, que não se considera pirangueiro. Claro que não.

"Quando está caro, você não compra"

Aqui em Pernambuco, gente pão-dura é chamada de pirangueira. Por conta das dicas que o senhor dá, algumas bem extremas, já foi chamado de pirangueiro por aí?

O Pedro Bial já me chamou de economista mão de vaca. Mas isso está de acordo com as coisas que eu explico. Só que o importante não é a pessoa ser pão-dura. O que ela deve fazer é não desperdiçar. Porque aí acaba não tendo nada e dividindo as receitas com o banco. Pega dinheiro emprestado, usa o cheque especial e o cartão de crédito. Os juros comem o dinheiro.

Como será a sua palestra na Expo Money?

O objetivo da Expo Money é tratar das aplicações, dos investimentos. Mas para isso é preciso fazer economia. E o objetivo da minha palestra é fazer com que sobre dinheiro, comparando as receitas com as despesas. Depois disso é que dou indicações sobre aplicações, sejam elas de renda fixa ou variável. Mas tem que ficar claro que, se não economizar, não tem como aplicar. Eu viajo todo ano, tiro férias. Meus filhos conhecem o mundo às custas do dinheiro que foi economizado.

E como fazer para o dinheiro sobrar?

A pessoa tem que trabalhar. E o que é esse trabalho? Se há o interesse em comprar uma televisão, você não vai entrar na primeira loja e comprar. Vai ter que andar pra lá e pra cá até descobrir onde está mais barato. Isso vale para um carro, uma casa, os produtos do dia a dia.

Conseguir economia no supermercado é fazer uma lista e se ater a ela?

No caso do Recife, que tem grandes redes, a pessoa deve pesquisar e ver quais são as promoções. Tendo intimidade com os preços, com certeza ela vai economizar. Poderá fazer estoque de produtos quando estão em promoção e não são perecíveis. Mas para ter essa intimidade é preciso ir pelo menos uma vez por semana ao supermercado.

Pernambuco está vivendo um período de chuvas intensas e isso tem refletido nos preços de alguns produtos, especialmente as hortaliças. Qual deve ser a atitude do consumidor nesta hora?

Quando o produto está caro, você não compra. Não vai morrer porque a carne subiu. Pode ficar um tempo sem comê-la. Ou comer frango, peru, peixe. Se alguma coisa estiver cara por conta de uma intempérie, a solução é trocar por outra e esperar o preço baixar.

A internet pode ser uma aliada na hora de pesquisar os preços?

Ela ajuda. Mas o melhor é sempre procurar as promoções, os anúncios.

O que o senhor acha dos sites de compras coletivas?

É uma questão de perfil do consumidor. Os sites podem ser bons. Mas são muito perigosos para as pessoas compulsivas nas compras. Você entra lá e vê várias promoções de clínica de beleza, cabeleireiro, restaurantes. Depois fica com uma porção de compras feitas sem utilizar. Tem que ter bastante cuidado, senão acaba gastando mais.

Depois de aprender a economizar, quanto se deve poupar?

Todo mundo pode economizar pelo menos 10% do que ganha. É um dízimo para você mesmo. Entrou o dinheiro, já separa. Esperar para pagar as contas e ver o que sobra depois é um perigo.

Agora parece que educação financeira está na moda.
Sim, está. Mas isso é possível porque teve o Plano Real, que acabou com a inflação. Quando a gente vivia com inflação de 84% ao mês, não dava para economizar, os preços mudavam a toda hora. Por isso é que existe toda essa discussão sobre a volta da inflação e como ela é perigosa. Muita gente ainda guarda lembranças de como era a bagunça naquela época.

O primeiro projeto oficial de educação financeira nas instituições de ensino públicas de nível médio do país começou no ano passado, em 450 escolas de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal, Ceará e Minas Gerais. A solução é promover a educação financeira desde cedo?

A maneira que o governo encontrou para colocar a educação financeira nas escolas públicas foi bastante inteligente. Dividiu o conteúdo em aulas de matemática, geografia, história. É bom porque vão aprendendo desde cedo. O ideal é que o programa vá para todo o país.

Mas os pais também têm papel importante na formação, não?

Sim, claro. Você aprende em casa. Se os pais não são organizados, são perdulários, a criança também tende a ser assim. Nunca fui compulsivo. Meu pai era muito controlado, nunca pegou um tostão emprestado. O maior exemplo vem de casa. Se os pais puderam educar, os filhos vão seguir o caminho. O segredo é a educação.

Existe uma história clássica sua sobre o ovo de Páscoa. É verdade mesmo que o senhor compra ovo quebrado?

Claro que sim. A vida inteira. E o melhor mesmo é nem comprar o ovo. Em relação ao chocolate, ele custa quatro vezes mais. Quem compra um montão de ovos está jogando dinheiro fora. Ninguém come o papel celofane, o papel laminado.

Outra clássica é a do telefone.

Sim. Se alguém ligar para você e você não pode atender no momento, não precisa retornar. Não é você quem tem interesse em falar, mas a pessoa que ligou. Ela deve ligar de volta. A não ser, claro, que seja um filho ou alguma ligação que você estava mesmo esperando. As pessoas têm que aprender a controlar a ansiedade.

E nos restaurantes, como é?

Toda vez que a gente vai comer fora e sobra alguma coisa na travessa, a gente traz a quentinha. Se a pizza média custa R$ 20 e a grande custa R$ 25, peça a grande. Leve a sobra para casa. Lá nos Estados Unidos eles fazem isso a vida inteira. É o for the dogs (para os cachorros). Mas nunca é para os cachorros, mas para eles mesmos comerem depois.

Tem mais alguma dica para os nossos leitores?

Se eu morasse no Recife, nunca iria tomar banho quente.

Saiba mais

Nome verdadeiro

Luís Carlos Ewald

Codinome

Sr. Dinheiro

Graduação

Economia e engenharia mecânica

Pós-graduação

Mercado de Capitais pela Fundação Getulio Vargas

O que faz


Ensina finanças em cursos de MBA. Atua como consultor econômico e de treinamento de grandes empresas. Participa de programas de TV dando dicas de economia doméstica e finanças pessoais

Livro

Sobrou dinheiro: lições de economia doméstica (Editora Bertrand Brasil, 2003)
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Os problemas estruturais da 232

23.05.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Caderno Especial, em 22.05.11
Por Daniel Leal e Tânia Passos


O custo da obra de recuperação da BR-232 está estimado em R$ 100 milhões. A rodovia apresenta problemas estruturais, que já haviam sido identificados em 2004 em um relatório feito pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit). Outro relatório feito por técnicos da USP, também havia apontado problemas estruturais na via. De acordo com o superintende de operações do Dnit, Emerson Valgueiro, por causa disso o órgão não oficializou o recebimento da rodovia federal que havia sido entregue ao estado para as obras de duplicação.

“Nós pedimos para que fossem feitos os reparos, mas isso nunca ocorreu e os problemas se agravaram”, afirmou Emerson Valgueiro. As obras de recuperação da BR 232 estão dentro do cronograma da Secretaria de Transportes de Pernambuco. De acordo com a presidente do Departamento Estadual de Estradas e Rodagens (DER), Éryka Luna, foram identificados 18 pontos críticos da rodovia. Segundo ela, o maior problema é de drenagem. “Estamos fazendo obras emergenciais de manutenção, mas o problema maior de drenagem só será resolvido com a recuperação da via que vai ser licitada neste mês”, apontou.

As obras de recuperação serão realizadas da saída do Recife até Caruaru (um trecho de 130 km). A estimativa é que a obra, prevista para ser iniciada em 2012 seja realizada até 24 meses. “Depois da recuperação, o estado vai tentar receber os recursos que foram investidos”, afirmou Éryka Luna.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/05/01/especial1_7.asp

Tarso Genro vê ataques a Palocci como ação légitima da oposição

23.05.2011
Do BLOG DA FOLHA
Postado por Valdecarlos Alves

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Pronto para embarcar para Brasília, onde se reúne na manhã desta segunda-feira com outros líderes estaduais do PT, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, apontou, em entrevista exclusiva para o Terra, que os ataques contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Pallocci, são ações legítimas da oposição. "Eles têm que fazer esse tipo de fiscalização, mas entre ser uma ação política legítima para cobrar do ministro do governo algum tipo de informação e atribuir veracidade a elas, há uma distância muito grande", ponderou.

Na pauta do encontro, temas como reforma tributária e guerra fiscal deverão perder espaço para a primeira crise do governo Dilma. Para o ex-ministro da Educação e da Justiça e presidente do partido no momento mais obscuro de sua história, durante a crise do mensalão em 2005, o caso Palocci deve ser tratado e decidido por Dilma. Sem "a mínima simpatia" pelas ações de Delúbio Soares, Genro considera a volta do ex-tesoureiro ao PT como "inevitável".

O governador afirmou também que a crise da oposição é "ruim para a democracia" e classificou a postura política do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso Cesare Battisti de "completamente equivocada". Enfrentando dificuldades para equilibrar o caixa gaúcho, Genro prepara um pacotão de medidas, sendo algumas impopulares, como a taxa de inspeção veicular, para tentar manter o ritmo da sua escalada política. Com o controle da legenda no Sul, ele busca mais espaço nacionalmente, mas é realista, apesar de sonhar com a Presidência. "Tenho 64 anos e devo pensar nos próximos 8 ou 12 anos. A realidade do PT hoje está centrada em dois nomes: Lula e Dilma".

Acompanhe abaixo os principais trechos da entrevista:

O caso Palocci será discutido no encontro desta segunda-feira? O governo está tratando bem este assunto?
Se for discutido, eu vou propor que se aguarde a orientação e as informações que vêm da própria presidente Dilma, que controla de maneira rigorosa o assunto. Eu não sei qual é a real acusação contra o Palocci e nem os dados das suas declarações de Imposto de Renda e fiscais.

Você considera este caso uma crise ou uma marola?
Em princípio, é uma ação política da oposição e legítima inclusive. A oposição tem que fazer esse tipo de fiscalização. Mas entre ser uma ação política para cobrar do governo algum tipo de informação e atribuir veracidade a elas, há uma distância muito grande.

Em 2005, na época do escândalo do mensalão, você falou que era necessário refundar o PT. Qual é a sua posição a respeito da volta do Delúbio Soares ao partido?
Inevitável. Ele foi expulso há 5 anos e não teve julgamento ainda. Embora eu não tenha nenhuma simpatia, diria até a mínima simpatia pelas posições que ele assumiu, o fato é que a sua não-aceitação de volta ao PT seria decretar sua morte civil e isso não existe mais nas democracias. Acho que ele tinha o direito de voltar. A minha corrente se absteve.

Como o senhor avalia a atual crise da oposição? Há uma total falta de sintonia entre partidos como PSDB e DEM?
Eu acho muito ruim para a democracia, mas o que está ocorrendo com o DEM e o PSDB não é diferente do que acontece com o PMDB. Há uma dificuldade dos partidos de criar uma identidade política. O que falta no País é um centro democrático, estável e forte, com um projeto de nação, que nenhuma destas legendas preencheu de maneira coerente. O PSDB e o DEM não conseguem definir uma personalidade política, por isso as crises. O PMDB também não definiu, mas devido à sua atuação histórica e capacidade de resistência contra a Ditadura Militar ainda tem um acúmulo de prestígio.

Enquanto ministro da Justiça, o senhor concedeu status de refugiado político a Cesare Battisti. Hoje, fora do ministério, como avalia a prisão dele?
Eu tenho muito respeito pelo STF e todos seus ministros, mas isso não me impede de dizer que temos divergências. O STF violou flagrantemente a lei ao emitir uma decisão que não poderia ter emitido, pois as normas que estipulam o refúgio são absolutamente claras. Quando se concede um refúgio em nome da Presidência, que depois se confirmou, o processo de extradição é interrompido. Foi uma decisão completamente equivocada. O Supremo deveria ter libertado o Battisti.

O senhor não teme ter seu nome vinculado no futuro a Battisti caso ele venha a ser condenado pelos supostos crimes cometidos?
Absolutamente nenhum. O caso, por ser nebuloso, dá sustentação ao refúgio. Quando existe uma dúvida e o delito é político ou comum, ela favorece o réu e gera a convicção de que não poderia ser aplicada a legislação dos criminosos comuns. As acusações que lhe são atribuídas não estão provadas, pois eu estudei os processos. Qualquer tribunal não condenaria ele por falta de provas. O Battisti veio de uma família comunista e era um jovem border line entre a delinquência e a desinclusão social, vinculado a grupos de extrema esquerda violentos, reprimidos com legitimidade pelo Estado italiano. Está longe de dizer que não foi uma repressão política.

O pacote de medidas para equilibrar as finanças encaminhado pelo seu governo para a Assembleia Legislativa do RS vem sendo criticado por lideranças políticas e entidades de classe. Isso pode prejudicar sua imagem?
Vamos bloquear a crise total da Previdência do Estado ou não? Aprovando as medidas, vamos estancá-la em curto prazo. Ou não aprovamos e daqui a 5 ou 10 anos quebra não somente a Previdência, mas o Estado do Rio Grande do Sul, que já tem um déficit previsto para este ano de R$ 500 milhões a R$ 700 milhões. Temos que renegociar a dívida com a União, mas essa medida só se realiza em longo prazo. Estamos combatendo a sonegação fiscal e cobrando a dívida pública, porém dependemos do Judiciário. Então, nenhuma dessas medidas bloqueia a crise. A nossa proposta é para estanca, porém, aqueles que ganham um pouco mais, devem pagar um pouco mais para manter os seus próprios direitos em vez de permitir que o sistema quebre ou que se aumentem os impostos.

Mas criar uma cobrança como a taxa de inspeção veicular é realmente necessário?
Nem todas as medidas que nós tomamos são populares, só que a inspeção veicular foi criada por lei federal, não foi estipulada aqui. Como vai ser feito permite uma margem de negociação, sem urgência. Se a Assembleia não colocar em vigência, teremos feito a nossa parte.

No momento da maior crise do PT, em 2005, você assumiu a presidência nacional do partido. O senhor se arrepende disso ou faria tudo novamente?
Faria tudo novamente. Não eram muitas as pessoas dispostas a deixar um ministério (Educação) de um governo bem sucedido para assumir a presidência do partido em um momento de decomposição total. Eu fiz isso de maneira consciente. Não ataquei nenhum dos dirigentes envolvidos com os escândalos, tenho respeito por eles, mas tenho divergências que acabaram me afastando da possibilidade de concorrer à presidência nacional do PT.

O senhor já foi prefeito, ministro, presidente do PT e agora ocupa o cargo de governador. Qual é o próximo passo?
Sinceramente, todos pensamos nisso... (a Presidência). Mas eu acho que cheguei ao ápice da minha ação política orientada por eleições, o que não quer dizer que eu vá deixar de militar, pois eu sou militante político desde os 14 anos. Não está no cardápio político do RS oferecer o próximo presidente da República nem o outro, a não ser que haja uma profunda mudança estrutural do PT que permita a Estados fora de São Paulo uma influência maior. O outro motivo é que nós temos o Lula e a Dilma, que são profundamente respeitados e tem o acatamento de todas as bases. Eu espero que a presidente Dilma se apresente para a reeleição. Como eu já não cozinho na primeira fervura, devo raciocinar em termos de 8 a 12 anos. Portanto, não está na minha estratégia uma candidatura à Presidência.

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“Para ganhar ou perder, o candidato é João da Costa”

23.05.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por Gilberto Prazeres e Ricardo Dantas Barreto

Entrevista: André Campos (PT) - Secretário de Turismo do Recife

PETISTA: críticas são à pessoa e não à administração

PETISTA: críticas são à pessoa e não à administração

Membro do conselho político do prefeito João da Costa (PT), o secretário André Campos (Turismo/PT) mostra que não perdeu a língua afiada ao comentar os assuntos da gestão e da sua legenda. O auxiliar rechaça as especulações que dão conta da existência de um plano B dos petistas para a disputa pela Prefeitura do Recife, no ano que vem, no caso da atual administração não engrenar, e garante: “Para ganhar ou para perder, nosso candidato é João da Costa.” Nesta entrevista, ele reconhece o prejuízo político gerado pela briga entre os Joões, ressaltando que uma possível ausência do deputado João Paulo no palanque de João da Costa não será positiva.

O senhor entrou na gestão para tocar o Turismo municipal, mas também para reforçar o time político do prefeito João da Costa. Nestes três me­ses, houve modificações no caráter político da gestão?
Digo sempre o seguinte: às vezes, as pessoas querem só carinho e atenção. E eu acho que isso, se não vinha sendo dado, está sendo dado agora. A gente tem procurado conversar com os vereadores, tanto que se fala muito que fulano de tal falou isso. Osmar Ricardo (PT) deu essa declaração. Isso são coisas isoladas. Os projetos da Prefeitura que têm chegado à Câmara são aprovados com ampla maioria, sem muita dificuldade.

Apesar de alguns pedidos de vistas...
Pedido de vistas é uma coisa normal. É um instrumento que pode ser utilizado pela oposição, que é minoria. Permite que as vereadoras Priscila Krause (DEM) e Aline Mariano (PSDB), que são competentes, cumpram o seu papel de oposição. Os projetos do Executivo são aprovados sem problemas.

Há recomendação do Executivo para que a sua bancada vete todas as proposições de oposicionistas na Câmara?
Do Poder Executivo não há essa recomendação. Pode ter alguma articulação interna da bancada, já que muitas vezes a oposição exagera. É uma questão da Câmara. Se eu fosse vereador, talvez estivesse usando essa arma (risos).

No veto às proposições da vereadora tucana, o líder do Governo, Josenildo Sinésio (PT), soliticou votação nominal. Ou seja, aberta. É o momento de expor quem está ou não de acordo com a orientação da bancada?
Eu acho que sempre é hora de se estar mostrando quem é que está jogando com o Governo. Quem apoia a gestão, quem tem participação tem que ter compromisso com a gestão. Então, tem que botar a cara nos momentos bons e nos momentos ruins. Hoje, nós vivemos um momento ruim por conta de praticamente 60 dias de chuvas. Se tem crítica por conta de buracos, trânsito... O que é natural em períodos de chuvas. Quem é Governo tem que ter o ônus e o bônus. Participação, mas também a obri­gação de defender. Sempre foi assim em qualquer Governo.

O senhor participa do conselho político do prefeito João da Costa? Como esse grupo funciona?
As reuniões são todas as segundas-feiras, no gabinete do prefeito, e é para discutir a realidade da cidade, relacionamento com a Câmara Municipal, questões da sociedade. Nesse momento de chuvas, as discussões do conselho político se voltaram muito para a cidade nesse ponto. A cada meia hora o prefeito fica olhando pela janela para ver se está chovendo. E eu lembro que quando era vereador do Recife, e fui por dez anos, sempre dizia que todo prefeito sofre com as chuvas. Agora, até hoje, com todos os problemas e todas as dificuldades, não morreu uma só pessoa na cidade do Recife. Em outras gestões que nós tivemos, não porque os outros prefeitos queriam, mas alguns óbitos ocorreram. Mas nessa gestão, e na de João Paulo, não houve morte. É sinal de que a gestão está voltada para a população mais pobre.

O conselho tem feito o prefeito mudar de opinião?
O prefeito é flexível. Ele ouve. Nem sempre muda, mas, muitas vezes, eu o vi mudar de posição. Ele tem sua opinião, mas respeita muito a opinião do conselho. É uma posição que ele tem tomado.

Que análise faz sobre o apoio antecipado do governador Eduardo Campos (PSB) à reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014, mas evitando fazer o mesmo em relação ao prefeito João da Costa (PT), ano que vem?
O governador Eduardo Campos é um dos maiores craques que apareceram na política de Pernambuco nos últimos tempos. Eduardo consegue ser, ao mesmo tempo, um governador desenvolvimentista - está aí o crescimento do Estado, claro, com ajuda do ex-presidente Lula. Tudo o que a gente sonhou para Pernambuco veio no Governo Eduardo Campos. Começou a acontecer! Refinaria, fábrica da Fiat, siderúrgica... E, além de desenvolvimentista, é um grande articulador político. Eduardo tem hoje, na Assembleia, mais de 40 deputados na sua base de apoio. E ele, quando declara apoio, de forma antecipada, a Dilma, está mostrando de que lado está. E, mesmo determinados segmentos tentando jogar numa separação entre PSB e PT, isso não vai acontecer. Até 2014, pode ter certeza! Se houver divórcio, será pós 2014. Nós vamos estar juntos na questão municipal do Recife, de 2012, e em 2014.

O senhor afirma que o governador, ao declarar apoio antecipado a Dilma, mostra de que lado ele está. Quando Eduardo não declara esse apoio ao prefeito, ele mostra de que lado não está?
Ele já deu declarações de que está do lado do prefeito João da Costa. Ele está do lado do PT, e o candidato do PT será João da Costa. O PT não trabalha plano B. Muitas vezes, na imprensa, muita gente fica alimentando essa história de plano B. A gente tem tido, inclusive, constantes reuniões do nosso grupo de parlamentares com o senador Humberto Costa. E, em nenhum momento, se tratou de plano B. Praticamente, a gente tem se encontrado a cada 15 dias, aos domingos, e não se fala em plano B. O único projeto que nós temos, a grande maioria do PT tem hoje, é a reeleição do prefeito João da Costa.

Para ganhar ou para per­der?
Para ganhar ou perder, o candidato é João da Costa. Mas tenham a certeza de que nós vamos ganhar. Porque tem o seguinte: não tem muita crítica a se fazer à gestão. Se for analisar friamente, sem paixões, a gestão de João da Costa é boa. Muita gente discorda do jeito dele.

Então, as críticas se dirigem à pessoa?
É! Muita gente quer atingir a pessoa, porque ele tem um jeito mais introspectivo. Mas não tenho dúvidas de que João da Costa é um grande gestor. Talvez um dos melhores que já passaram pela Prefeitura.

Já que há tanta convicção no PT de que João da Costa será o candidato, por que se coloca, nos bastidores, que o prefeito tem prazo - setembro - para mostrar serviço? Há pesquisas sendo realizadas neste momento?
Acho que a gestão deve ter pesquisa. Eu não vi. É um instrumento científico que todo mundo trabalha. Mas não tenho nenhuma dúvida que qualquer reação hoje a João da Costa também se tinha a João Paulo, há um tempo atrás. E João Paulo foi reeleito no primeiro turno. Eu tenho certeza que nós vamos para a reeleição de João da Costa com amplas condições de ganhar. Até porque a oposição está completamente esfacelada. O PMDB não se entende com o PSDB. O PSDB não se entende com DEM. O DEM não se entende com o PPS. E por aí vai.

Quando chegou à gestão do Recife, o senhor afirmou que não estava chegando para, depois, ser candidato à Prefeitura de Jaboatão. E disse que só seria candidato se tivesse apoio do governador Edu­ardo Campos.
Eu nunca disse “não serei candidato em Jaboatão”. Hoje, eu me preocupo com a gestão do Recife. Meu foco está todo voltado para o Recife. Se eu tiver apoio do PT e Eduardo Campos, eu sou candidato à Prefeitura de Jaboatão. Mas, hoje, o meu foco é a gestão do Recife.

A gestão do prefeito Elias Gomes merece o apoio todo que vem recebendo, em termos de partidos alinhados?
Não! A gestão de Elias Gomes não existe. Quem é morador de Jaboatão sabe que não existe nenhuma obra. Elias prometeu calçar mil ruas e não fez 50. Prometeu resolver o problema do avanço do mar e, até agora, não resolveu. Prometeu resolver a questão do trânsito, que está caótico lá, e também não resolveu. Aí, eu volto a dizer que tem coisas que não é culpa só dele. Eu sempre defendi em Jaboatão uma ampla unidade, sempre dizia isso na campanha. Era importante que a gente tivesse um prefeito com vinculação com o Governo do Estado, com o Governo Federal para se ter mais força política, e, assim, buscar mais recursos para o município. Jaboatão, se eu não me engano, inaugurou uma maternidade agora com 20 leitos. É brincadeira! Setecentos e tantos mil habitantes e uma maternidade de 20 leitos.

E por que ele tem tanto apoio lá?
Em Olinda, o nosso companheiro Renildo Calheiros (PCdoB), por exemplo, tem o apoio de todo mundo na Câmara de Vereadores.

E a gestão de Renildo não é boa?
Não estou dizendo isso. Estou dizendo que hoje existe um super poder do Executivo. Em qualquer nível. Se você pegar no Governo Federal, a ampla maioria está apoiando Dilma. Nos governos municipais, nos governos estaduais... Porque o Poder Legislativo se tornou um poder dependente do Executivo.

A vereadora Marília Arraes (PSB) voltou, na semana passada, a defender uma discussão interna no seu partido com vistas à construção de uma candidatura socialista à PCR. Ela é uma voz isolada no PSB?
Eu vi a vereadora defendendo que o PSB tem que ter candidato à Prefeitura do Recife. Ela alega que o PSB pode ter candidato. E se que deve discutir. É uma posição dela. Eu tive uma conversa com ela hoje (quinta-feira) e vou ter uma conversa segunda-feira. É uma opinião dela, só que eu acho que é uma opinião equivocada. Marília é uma vereadora brilhante. Ela é da escola de Miguel Arraes.

Com relação às dificuldades que a gestão do município enfrenta, podemos considerar que a briga com João Paulo é o maior dos problemas?
João Paulo é a maior liderança popular, no Recife, ainda dentro do PT.

Mas a briga com João da Costa é um problema?
É um problema. Acho que o maior problema é o enfrentamento às dificuldades da gestão. Hoje, o maior problema da gestão é a questão das chuvas. E existe a previsão que isso vá até julho. O nosso inverno não começou ainda. Mas um grande problema político é a questão de João Paulo.

E como se resolve isso?
Acho que se resolve internamente. O PT, como sempre decidiu com sua maioria, vai escolher o candidato e acho que todo mundo vai acompanhar, de um jeito ou de outro.

Pode ter bate-chapa?
Pode ser. Mas eu não acredito.

A oposição pretende colocar nas ruas a campanha “João é João, lembra?” Uma tentativa de colocar em destaque os problemas da cidade e ligá-los à briga entre João da Costa e João Paulo. Vocês, da PCR, como trabalharão para enfrentar isso?
Eu acho que a campanha está perfeita. Até porque eu também acho que João é João, acho que João da Costa honra os compromissos assumidos, durante a eleição, em relação à gestão de João Paulo. Acho que, em termos de gestão, o Governo João da Costa é a continuação do governo de João Paulo. A questão de problemas pessoais entre os dois é para eles resolverem. A questão de projeto é do PT, que é bem diferente do projeto da oposição.

Mas acredita que João Paulo vai subir no palanque de João da Costa?
A não presença de João Paulo em qualquer palanque é um prejuízo. João Paulo, sem dúvida nenhuma, é o maior líder popular do Recife. Liderança popular! Se ele não estiver no nosso palanque, será um prejuízo. Mas conheci João Paulo, antes de tudo, como um político disciplinado, que sabe respeitar as decisões da maioria e as decisões partidárias. E, depois que o PT, em sua convenção, escolher João da Costa como seu candidato, João Paulo irá apoiar. Ele tem a cara do PT. Vai ficar e respeitar, como sempre fez, a decisão do partido.

Como o conselho político vê o comportamento do vereador e líder da bancada petista na Câmara, Osmar Ricardo, capitaneando a greve dos servidores?
Acho que a gente tem que respeitar as pessoas e entender os momentos e as dificuldades que enfrentam. Osmar tem uma base muito forte entre os funcionários públicos municipais, e tem uma eleição para a presidência do sindicato bem próxima. Então, ele está dando uma satisfação a esse eleitorado dele. Muitas vezes exagerando. Mas vamos respeitar os exageros de Osmar, porque, depois da eleição, ele vai se acalmar.

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Veja como o servidor público pode se aposentar mais cedo

23.05.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO, do blog "Espaço da Previdência", 12.05.11
Por Rômulo Saraiva

Diferente do que ocorre no INSS, as pessoas que trabalham no serviço público – expostas à insalubridade e risco à integridade física – encontram dificuldade para se aposentar mais cedo, quando completam 25 anos de atividade. Muitos funcionários de prefeituras e do Estado, por desconhecimento, realmente esperam completar 35 anos de atividade (no caso do homem) para poder pendurar as chuteiras, uma vez que o sistema previdenciário deles não tem previsão de aposentadoria especial. O que muitos desconhecem é ser possível se aposentar 10 anos antes usando ‘emprestada’ a regra da aposentadoria especial, prevista no INSS. No julgamento do mandado de injunção 721/DF, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que os servidores públicos possuem o direito à aposentadoria especial, ainda que não haja regulamentação sobre o tema para o Regime Próprio.

A previdência brasileira comporta dois regimes básicos: o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e o Regime Próprio de Previdência de Servidores Públicos (RPPS). Ocorre que no regime de previdência dos servidores públicos não existe previsão de aposentadoria especial, pois o Poder Legislativo não tomou a iniciativa de criá-la, regulamentando, assim, o art. 40, § 4º, III, da Constituição Federal.

Diz o citado texto legal: “É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de servidores: [...] III – cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física”.

O Supremo decidiu que, enquanto o Legislativo não se mexe, os servidores poderão se valer das regras previstas no INSS referente à aposentadoria especial. Com a decisão, o funcionário público pode economizar 10 anos de trabalho, desde que receba o adicional de insalubridade ou mesmo esteja exposto a agentes insalubres, a exemplo de médicos, auxiliar de enfermagem, arquivistas, etc. Ao invés de esperar 35 anos, pode se aposentar com 25 anos.

Afinal, não é justo que o servidor público se exponha a condições insalubres ou periculosas e seja tratado da mesma forma que um trabalhador comum. Por outro lado, faz 20 anos que o art. 40, § 4º, da Constituição Federal aguarda ser regulamentado pelo Legislativo, a fim de criar a aposentadoria especial no Regime Próprio. Enquanto há mora dos políticos, o trabalhador deve procurar seus direitos para se aposentar mais cedo.

Dessa forma, quem já completou o tempo de 25 anos em atividade especial, poderá requerer na Administração Pública a aposentadoria especial e, havendo recusa, buscar o Judiciário. Documentos úteis para provar a atividade são os holerites (contracheques) com o pagamento da insalubridade, assim como certidão de tempo de serviço emitida pelo órgão demonstrando que os serviços foram realmente prestados em condições insalubres.

No Congresso Nacional, tramita a PEC (Proposta de Emenda da Constituição) n.º 449/09 e o projeto de lei complementar (PLP 555/10), que tratam sobre a aposentadoria especial no serviço público. Espera-se que o Congresso Nacional não gaste mais 20 anos para decidir pela criação da lei beneficiando os trabalhadores do serviço público expostos a agentes insalutíferos. Até a próxima.

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Estelionatário é preso após tentar praticar crime conhecido como "Golpe da Encomenda"

23.05.2011
Da FOLHA DE PERNAMBUCO
Do Folha Digital, com informações de Moab Augusto, repórter de Grande Recife

Um homem foi preso no Shopping Plaza Casa Forte, ontem (22), após ter aplicado o esquema criminoso conhecido como 'Golpe da Encomenda'. Luis Carlos Rosário Nunes, 36 anos, foi alcançado por uma funcionária de um quiosque e seguranças do centro de compras até a chegada da polícia.

De acordo com a polícia, o estelionatário havia se dirigido ao quiosque com um embrulho de presente nas mãos e disse a vendedora que se tratava de um presente surpresa que o proprietário do estabelecimento havia encomendado para a esposa. Luís deixaria o pacote e receberia uma quantia no valor de R$ 360 em dinheiro. O golpista afirmou que não era necessário informar o fato ao receptor do pacote pois ele já estava a caminho do shopping. Mesmo desconfiada, a vendedora entregou o dinheiro solicitado ao estelionatário.

Foi aí que uma colega de trabalho alertou sobre a farsa. Ela lembrou que o patrão não era casado e tinha uma namorada apenas. A funcionária saiu em perseguição e conseguiu pegar o suspeito. Luis Carlos foi levado pela polícia militar para o plantão da delegacia de Casa Amarela.

Lá, ele confessou que já havia aplicado o golpe por duas vezes em São Paulo. O estelionatário também disse que tinha tentado enganar comerciantes no estado de Alagoas e não conseguiu. Dentro da encomenda entregue por Luís a funcionária estavam quatro pacotes de pães de caixa. Depois de autuado em flagrante pelo crime de estelionato, ele foi encaminhado para o Centro de Triagem de Abreu e Lima, onde aguarda o julgamento.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/index.php/noticias-geral/33-destaque-noticias/639153-esteliuonatario-e-preso-flagrante-apos-tentar-praticar-crime-conhecido-como-qgolpe-da-encomendaq

O alvo não é Palocci; é Dilma

23.05.2011
Do blog de Altamiro Borges, 22.05.11
Por Antônio Mello, em seu blog:


A edição de hoje (20) da Folha entrega o jogo. Todo mundo estava se perguntando o porquê de tanto fogo em Palocci, um homem do mercado, tido por muitos petistas como um "deles". A Folha hoje responde: porque o alvo é Dilma e o governo do PT.

Começa na primeira página. "Empresa de Palocci faturou R$ 20 mi no ano da eleição".

Misturando dinheiro de Palocci com dinheiro de campanha pode-se ampliar o leque da investigação, não é, Folha? Se levarmos em conta que Palocci é do PT e foi coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, pode-se especular se o dinheiro seria sobra não-contabilizada da campanha de Palocci, do PT ou de Dilma - mas como diferenciar, não é, Folha? Esse seria o caminho natural do processo. Mas a Folha se precipitou, e, pior, se entregou. Mostro como:

Repare na imagem ao lado. É cópia do que está hoje nesta página da Folha (dei print screen, viu Folha?), que o assinante pode conferir ao vivo aqui. A diferença está nos destaques que dei em amarelo e vermelho, na frase e nas duas estrelinhas. A frase puxa Dilma para a roda: "Receita de consultoria deu salto no ano da eleição de Dilma para Presidente". E as estrelinhas? O que fazem ali as estrelinhas que não estão presentes em nenhuma outra reportagem da Folha de hoje, apenas nesta? Simples coincidência? E que a estrela seja o símbolo do PT é apenas outra coincidência?

Então, ao texto da repórter Cátia Seabra.

"A empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Segundo duas pessoas que examinaram números da empresa e foram ouvidas pela Folha, o desempenho do ano passado representou um salto significativo para a a consultoria, que faturou pouco mais de R$ 160 mil no ano de sua fundação, 2006".

Entendemos, Folha. No ano em que Palocci "atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República" sua empresa deu um salto.

Mas a comparação é com o ano de 2006, o de criação da empresa. E os outros, 2007, 2008, 2009, qual o faturamento? E, já que vocês tiveram acesso ao papelório, porque não divulgaram os anos anteriores? Por que também se esqueceram de dizer que 2006 também foi ano eleitoral, Lula se reelegeu presidente e Palocci se elegeu deputado federal?

Numa reportagem complementar vem a informação de que a receita da empresa de Palocci é similar à das maiores do ramo no país. Só que nenhuma delas tinha à frente o ex-czar da economia do governo Lula, não é? Alguém que havia recém saído do governo e que pertencia (pertence) ao PT.

Aí vem o fecho, com outra reportagem que afirma: Empreiteira com negócios públicos contratou Palocci. E vai direto ao assunto:

"O grupo WTorre, que fechou negócios com fundos de pensão de estatais e com a Petrobras, foi um dos clientes da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. A empreiteira também fez doações de campanha a Palocci (R$ 119 mil), em 2006, e a Dilma Rousseff (R$ 2 milhões), no ano passado".

A partir daí, a reportagem elenca uma série de contratos do grupo WTorre (que "diz manter ativos de R$ 4 bilhões em 200 projetos"), em anos diferentes, sem dizer em momento algum que qualquer deles teve a participação da empresa de Palocci. Os dados são jogados para que o leitor incauto faça a tal ligação.

Ou seja, o ataque a Palocci era para que ele justificasse o aumento de seu patrimônio? Não, era para fazer com que a Petrobras, Previ, a campanha de Dilma, o governo venham a público justificar por que fizeram tal e tal negócio com tal e tal empresa.

Ah, antes que me esqueça. Ao final da reportagem, envergonhadinha, vem a informação:

"Em 2010, além da doação de R$ 2 milhões à campanha de Dilma Rousseff, da qual Palocci era coordenador [esta ligação é o que eles querem deixar claro], também houve aporte para o tucano José Serra (R$ 300 mil), adversário na disputa".

Ou seja, a empresa jogou dinheiro no lixo. Aí Palocci deveria vir a público pelo menos para afirmar que isso não foi resultado de sua consultoria... Queima o filme.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2011/05/o-alvo-nao-e-palocci-e-dilma.html