domingo, 15 de maio de 2011

Avaliação de Desempenho no INSS - dois anos de lutas e desafios

15.05.2011
Da CNTSS/CUT
Por Davi Santos Costa Eduvirges*

Crédito:
Sob o argumento de cumprimento do princípio constitucional da eficiência e profissionalização do serviço público, o Governo Federal regulamentou em 2009 a Avaliação de Desempenho no INSS causando não pequena celeuma e preocupação entre os servidores daquela autarquia e do movimento sindical. Por um lado era uma possibilidade de aumento na remuneração dos servidores ativos, da possibilidade de determinar os locais onde as condições de trabalho eram mais críticas e valorizar o servidor; por outro abria-se um caminho para a também possibilidade de redução salarial, de aumento do assédio moral, do tensionamento na relação chefia-servidor nos locais onde ela já era complicada. Pessoalmente, não sou contra a Avaliação de Desempenho, desde que alguns pressupostos sejam observados: a justiça na avaliação, a oferta de infraestrutura adequada, a possibilidade de crescimento pessoal e o reconhecimento dos méritos do avaliado.

Dentro desse contexto de contradições e incertezas, que a CNTSS firmou posição, desde que a Avaliação de Desempenho se tornou realidade, para que os trabalhadores tivessem a sua representação na gestão da Avaliação de Desempenho reduzindo, se não impedindo, as injustiças apresentadas no processo.

Nos últimos 18 meses, foram diversas intervenções praticadas como representante da CNTSS e dos Servidores no Comitê Gestor Nacional de Avaliação de Desempenho - CGNAD, dentre elas a mais importante foi a exigência de justificativa das notas inferiores à nota máxima, o que de per si, reduziu em 90% as notas que causaram redução salarial no 2º ciclo em comparação com o 1º quando não havia tal necessidade. A nossa avaliação da tão gritante divergência das notas do 1º e 2º ciclos é que a mesma decorreu da falta de preparo de boa parte dos avaliadores, que realizavam as avaliações sem critérios objetivos notas, apenas de acordo com o seu bel-prazer, razão pela qual sindicatos já entraram com representações judiciais para rever as notas dadas sem critérios. Também merece destaque a mudança do sistema de Avaliação de Desempenho – SISGDASS para uma base mais estável, possibilitando melhor acesso dos servidores à sua nota e debate de temas importantes que possuem impacto no desempenho das unidades de atendimento como jornada de trabalho de 6 horas diárias e necessidade de incorporação de parte da GDASS, já encaminhados ao presidente do INSS, à época Valdir Moyses Simão, e a serem ratificados em reunião com o atual Presidente do INSS, Dr. Mauro Hauschild, no próximo dia 31 de maio para subsidiar inclusive o GT de Carreira já implantado e dar mais um empurrão do ponto de vista político nas negociações em curso.

Os problemas existentes ainda são muitos, pois a cada dia, a cada mudança efetuada, novos problemas e novos desafios surgem e somam-se aos antigos ainda não resolvidos. Urge trabalharmos juntos, servidores, sindicatos e CNTSS para identificá-los e corrigi-los antes que causem qualquer dano.

Entre os desafios antigos que precisamos conquistar, podemos destacar a necessidade de pactuação das metas entre Ministro da Previdência e Servidores (hoje o ato é unilateral do Ministro), mais uma instância recursal (hoje existe apenas uma em última instância), Avaliação 360º ao menos para os detentores de cargos de chefia e uma maior participação dos Sindicatos nos processos eleitorais para as Comissões de Avaliação de Recursos, Subcomitês de Avaliação de Desempenho e Comitês Gestores Regionais de Avaliação de Desempenho, inclusive durante o ciclo, acompanhando, fiscalizando e cobrando as medidas necessárias para correção das distorções que venham prejudicar os servidores.

Por fim, a nossa expectativa é que unidos possamos construir uma nova dimensão da Avaliação de Desempenho, onde cada unidade possua a infraestrutura adequada para um excelente desempenho e um atendimento de excelência ao cidadão, onde realmente os méritos de cada servidor sejam levados em consideração.

• Davi Eduvirges é representante da CNTSS no CGNAD/INSS e secretário geral do Sindprev/SE.
*****

Diretor do FMI é preso sob acusação de abuso sexual

15.05.2011
Do BLOG DE JAMILDO
Por Gustavo Chacra, no estadao.com.br

Minutos antes de decolar em um voo de Nova York para Paris, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi preso por autoridades americanas dentro de avião da Air France sob a acusação de ter atacado sexualmente uma camareira de um hotel da região do Times Square.

Considerado até ontem como o mais forte adversário para concorrer contra o presidente da França, Nicolas Sarkozy, na eleição presidencial do ano que vem, Strauss-Kahn teria atacado uma camareira de 32 anos quando ela entrou no quarto para fazer a limpeza.

Segundo a polícia, Strauss-Kahn saiu nu do banheiro e teria tentado abusar sexualmente da funcionária. A mulher, cujo nome não foi divulgado, conseguiu se desvencilhar e informou outros funcionários do hotel, que chamaram os policiais.

Autoridades policiais americanas apuraram que o executivo embarcaria para a França e agiram rapidamente para prendê-lo. A camareira sofreu ferimentos leves.

Até a noite de ontem, o diretor do FMI não havia se manifestado. Por ser noite de sábado em Washington, a entidade não tinha destacado ninguém para comentar o episódio e, provavelmente, esperaria os fatos serem esclarecidos para divulgar uma nota. Na França, madrugada do domingo, ninguém do governo ou da oposição deu declarações.

No avião. Strauss-Kahn estava detido na noite de ontem em uma unidade da polícia de Nova York, onde seria interrogado. A prisão ocorreu às 16h45 em Nova York (17h45 de Brasília). O comandante do voo da Air France já havia anunciado o fechamento das portas do avião quando recebeu a ordem para parar. Oficiais de justiça americanos entraram no avião e, diante de todos os passageiros, prenderam o homem mais poderoso do FMI.

Strauss-Kahn seria levado à presença de um juiz ainda na noite de ontem. "Ele será questionado sobre a sua conexão com o ataque sexual contra uma camareira em um hotel no início da tarde", disse o porta-voz da polícia, Paul Browne.

Um dos mais respeitados economistas da França, Strauss-Kahn entrou para a política nos anos 1980. Além de deputado, exerceu o cargo de ministro das Finanças durante o governo do premiê Lionel Jospin até 1999. No FMI desde 2007, ganhou notoriedade internacional, apesar de ter sido criticado por não ter antecipado a crise financeira que eclodiu no ano seguinte.

Neste período, o diretor do FMI foi acusado de ter mantido relações com uma de suas assessoras, Piroska Nagy, húngara, economista e funcionária do FMI. Na época, ele disse que lamentava muito o incidente e aceitava a responsabilidade por isso. "Pedi desculpas por isso ao Conselho, à equipe do FMI e à minha família."

Casado com Anne Sinclair, Strauss-Kahn passou parte de sua infância no Marrocos. Na última eleição francesa, chegou a tentar a candidatura, mas acabou não sendo o escolhido. Desta vez, ele era considerado o favorito para a indicação do Partido Socialista e estava à frente de Nicolas Sarkozy nas pesquisas.

Caso não consiga provar inocência no episódio, o economista pode ver o fim de suas ambições eleitorais na França no que deve ser o maior escândalo político do país nos últimos anos, alterando o cenário para a disputa do ano que vem. Sarkozy, que enfrentava queda de popularidade, tende a ser o mais favorecido e os socialistas precisarão se unir em torno de outro nome.

Hoje, Strauss-Kahn se reuniria com a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, para discutir questões ligadas à crise econômica de países europeus como Grécia e Portugal. O diretor do FMI também participaria de encontro, em Bruxelas, com autoridades europeias.

PERFIL:

Dominique Strauss-Kahn, DIRETOR-GERENTE DO FMI
Dirigente esteve no Brasil em março e encontrou-se com Dilma


O francês Dominique Strauss-Kahn assumiu o comando do Fundo Monetário Internacional (FMI) em novembro de 2007, para mandato de cinco anos. Indicado pela União Europeia, recebeu na época apoio público dos EUA, Brasil, Argentina, Chile e Índia. Em março, visitou o País e reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff, a quem manifestou preocupação com o sobreaquecimento da economia brasileira.

De 1997 a 1999, foi ministro de Finanças da França e responsável pela redução do déficit público para que o país adotasse o euro como moeda. Renunciou ao cargo após ser alvo de investigação em escândalo de corrupção. A Justiça o absolveu, argumentando que ele havia alterado documentos, mas que isso não configurava falsificação.

Strauss-Kahn nasceu em Paris em 1949 e passou parte da infância no Marrocos. É doutor em Economia e formado em Direito, Administração de Empresas, Ciência Política e Estatística. Casado com a jornalista francesa Anne Sinclair, tem 3 filhos.

*****

Investimentos para a Copa de 2014

15.05.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Cidade da Copa em construção em São Lourenço. Imagem: LAIS TELLES/ESP DP/D.A PRESS
Não será apenas uma arena para jogos. A Copa de 2014 representa a maior oportunidade de investimentos na infraestrutura urbana das cidades que integram a Região Metropolitana do Recife. O município de São Lourenço da Mata, que abriga o terreno onde está sendo erguida a nova cidade, nunca tinha visto os recursos tão próximos. A capital pernambucana, que é o principal polo urbano, também não. A importância do evento é tanta que o governo do estado criou uma Secretaria Extraordinária da Copa de 2014.

O secretário em exercício da pasta, Sílvio Bompastor, um dos palestrantes do Fórum Desafios para o Trânsito do Amanhã, ressaltou as ações que estão em curso e as que ainda serão implantadas. “Vamos mostrar no fórum o programa Pernambuco na Copa, que resume as ações que estão em planejamento, os projetos, as licitações e as obras, dentro de um cronograma”.

Segundo ele, a comissão de desportos do Congresso Nacional, que visitou as obras na semana passada, saiu satisfeita. “O presidente da comissão ficou bem impressionado e prometeu atuar no Congresso no sentido de agilizar as obras de mobilidade urbana”, disse.

Os projetos da Arena da Copa e da própria Cidade da Copa foram concebidos a partir de uma Parceria Público Privada (PPP). Vice-presidente do Sindicato Nacional de Engenharia e Arquitetura (Sinaenco), o engenheiro Ilo Leite, um dos palestrantes do fórum, destacará as vantagens desse tipo de contrato. Segundo o engenheiro, Pernambuco é um dos estados mais avançados em contratos de obras por meio de PPP.

Saiba mais

17 de maio

Tema: Rodovias Estaduais

Pretende-se conhecer a situação das rodovias estaduais, a implantação de novos corredores, dos acessos previstos para Suape e para a Cidade da Copa. Além disso, discutir a melhoria dos nossos corredores metropolitanos e modernização dos órgãos de engenharia, de fiscalização e controle da circulação e dos veículos e, também, dos programas estaduais de educação

14 de junho

Tema: Municípios da RMR

Na ocasião, serão conhecidos os planos de governo para a circulação e operação do trânsito; seus planos e programas de engenharia, de fiscalização e de educação; quais as providências para o cotidiano e para o crescimento da frota

19 de julho

Tema: Continuação dos assuntos municipais

Tendo em vista que é nos municípios que se concentram os maiores problemas de circulação, pretende-se abordar temas como os aspectos de integração dos municípios na gestão do problema de engenharia, de educação e de fiscalização, a acessibilidade dos pedestres e deficientes e, também, as calçadas

23 de agosto

Tema: Engenharia de Trânsito

Abordará temas ligados a soluções tecnológicas para aumento de capacidade das vias, controles e fiscalização, a formação dos engenheiros e técnicos em geral para tratar dos problemas de trânsito, apresentando a experiência de outros estados e países

6 de setembro

Tema: Código de Trânsito Brasileiro

O assunto será abordado aproveitando a Semana Nacional do Trânsito. Assim, serão discutidos as regulamentações, projetos de lei de reforma e como o Congresso Nacional tratará de sua adequação em função da Copa do Mundo

27 de setembro

Tema: Motocicletas Considerando a capacitação dos condutores, a fiscalização,
os equipamentos de proteção dos condutores e passageiros
a regulamentação da prestação dos serviços e a obediência às regras de trânsito

18 de outubro

Tema: Sistema Único de Saúde

Objetiva debater a capacitação dos nossos hospitais
e pontos de atendimento
de urgência, sempre visando estratégias programadas para o cotidiano e para a Copa do Mundo

22 de novembro

Tema: Educação de Trânsito

O objetivo é conhecer
os programas do governo
para a permanente capacitação dos usuários e como o estado está se preparando nesse sentido para a Copa do Mundo
13 de dezembro

Tema: A participação
da sociedade na operação
do trânsito

Serão abordados assuntos
que discutam programas de voluntariado, apresentando
a experiência de outros países; prestação de contas dos governos municipais,
estaduais e federais nas
medidas adotadas ao longo
de 2011 e metas para 2012.
No evento,também haverá
o encerramento do Fórum com
o Lançamento da Carta do Fórum Permanente de Trânsito: Desafios Para o Trânsito de Amanhã
*****

A hora dos trabalhadores no Egito

15.05.2011
Do portal OPERA MUNDI, 14.05.11
Por Olga Rodrigues*,Madri


12 de Maio de 2011. A luta operária no Egito foi chave para a revolução e segue tendo um protagonismo indiscutível. Todas as semanas são convocadas greves para exigir direitos trabalhistas e salários dignos em um país no qual 40% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Dezenas de milhares de trabalhadores egípcios realizaram uma manifestação na Praça Tahrir, no Cairo, para celebrar o 1º de Maio, pela primeira vez em liberdade e com sindicatos independentes. Algumas das canções mais entoadas foram dirigidas contra as políticas do FMI ou o Banco Mundial e a favor da Justiça Social e dos direitos dos trabalhadores. Também houve críticas à única federação de sindicatos existente durante o regime, cujo líder, Hussein Megawer, está sendo investigado por corrupção.

“Chegou a hora dos trabalhadores egípcios. É nosso momento, temos que aproveitá-lo para conseguir um país com justiça social”, indicou o líder socialista Kamel Khalil, que anunciou oficialmente a fundação do Partido dos Trabalhadores.

Durante o ato foi apresentado um comunicado firmado por 29 agrupamentos, entre eles a Comissão dos Jovens Revolucionários, vários agrupamentos de esquerda, sindicatos independentes e organizações defensoras dos direitos humanos.

Petições perante os tribunais de nacionalização de empresas

A luta operária no Egito foi chave para a revolução e segue tendo um protagonismo indiscutível. Todas as semanas são convocadas greves para exigir direitos trabalhistas e salários dignos em um país no qual 40% da população vive abaixo da linha da pobreza, no qual não há assistência pública sanitária e no qual os operários ganham em média 70 dólares ao mês por trabalhar pelo menos oito horas diárias, seis dias por semana.

Leia mais:
Mulher de Mubarak é presa no Egito por suspeita de enriquecimento ilícito
Egípcios voltam a praça Tahrir para apoiar causa palestina

Confronto entre muçulmanos e cristãos deixa dez mortos e mais de 100 feridos no Egito
Mubarak entre a repressão e a concessão
Euforia, banho de sangue e caos no Egito
Partido Comunista do Egito volta à legalidade após 90 anos
Museu Egípcio recupera quatro estatuetas de bronze roubadas durante revolução
Treze peças raras desaparecidas são encontradas em estação de metrô do Cairo
Mais de mil peças arqueológicas raras desapareceram no Egito, revela ministro

Já existem dezenas de reivindicações que os trabalhadores apresentaram nos tribunais exigindo a nacionalização de fábricas e companhias antes públicas, vendidas anos atrás para multinacionais estrangeiras no marco da chamada reforma econômica egípcia, financiada pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

Com esta reforma centenas de empresas foram vendidas muitas vezes por preços mais baixos do que seu custo real. Seus novos donos, em vez de investir nelas, as usaram na maioria das vezes para especular com a venda de seus terrenos.

O caso de uma histórica cadeia de roupas

Um dos casos que está dando muito que falar na imprensa egípcia é o da histórica cadeia de lojas de roupa Omar Effendi, em sua época ícone do setor de serviços egípcio (foi fundada em 1856). No mês de fevereiro passado, o coordenador do movimento “Não vendamos o Egito”, Yahia Hussein Abdel-Hadi, apresentou perante a procuradoria-geral uma acusação contra o ex-ministro de Investimentos e diretor da Companhia Geral de Holdings por fazer com que o Estado perdesse dinheiro de maneira intencional ao vender a Effendi à companhia saudita Anwal “numa venda que foi 700 milhões de libras egípcias abaixo do valor oficial estimado”.

Pouco depois o advogado Hamdi El Fakharani, representante dos trabalhadores, apresentou uma denúncia na qual alega que a Effendi tenha sido vendida por um quarto de seu valor real e por isso defende que a transação seja considerada inválida. Estava previsto para dia 7 de maio que um tribunal se pronunciasse dizendo se a Omar Effendi voltaria a ser de propriedade pública.

A fábrica têxtil de Shebeen El Kom

Outro dos casos mais falados é o da fábrica têxtil de Shebeen el Kom, situada a cerca de 80 km do Cairo.
A fábrica, que contava com 5.800 trabalhadores, se viu reduzida paulatinamente a 1.200 trabalhadores na fábrica e mais 600 sem contrato anual.

Em 5 de fevereiro passado, três dias antes da queda de Mubarak, boa parte das fábricas do país pararam. Estas greves foram determinantes para a saída do ditador. Os empregados de Shebeen El Kom se somaram às paralisações durante dias. Em 5 de março retomaram a greve e desde então a mantém. Estão há um mês e meio em greve.

“Pedimos que a empresa seja nacionalizada, já apresentamos a exigência perante os tribunais. Também exigimos um salário mínimo de 1.200 libras”, explica ao Periodismo Humano o trabalhador Mohamed El Nagar, um dos trabalhadores mais veteranos que, apesar de ter 38 anos como empregado, somente ganha 1.100 libras por mês, incluídas os benefícios de alimentação.

“Quando a fábrica foi vendida, começaram a nos despedir. Supunha-se que eles a estavam comprando para ajustar, para investir, para consertá-la, mas, no entanto, começaram a desmantelá-la. Eles a compraram porque lhes competia”, se lamenta outro trabalhador, Mohamed Awad, de 33 anos.

Olhando somente de relance já se observa um notável abandono. Várias áreas já estão vazias; em outra não há mais atividade que a das aranhas tecendo suas teias sobre máquinas abandonadas. Em um dos recintos se acumulam as peças de demolição. Um cartaz na entrada de um descampado, antigo armazém de algodão, anuncia que este foi alugado a uma empresa alheia ao negócio. Vários empregados insistiram em mostrar a esta jornalista o estado dos banheiros, em ruínas e sem as mínimas condições de salubridade e higiene.

“Desde que a empresa foi vendida, não se mantiveram as medidas de segurança. Não temos capacetes e protetores para aliviar o ruído das máquinas, nem óculos para proteger-nos do pó dos tecidos, nem máscaras, apesar de trabalharmos com materiais que provocam danos nas vias respiratórias”, explica o veterano El Nagar.

Os trabalhadores de Shebeen El Kom se uniram em um novo sindicato independente e receberam o apoio de outras fábricas do país, como a já histórica têxtil de Mahalla, onde, em 2006, 3 mil mulheres trabalhadoras deram início a uma onda de greves que se multiplicaram desde então e que marcaram o prólogo da revolução egípcia.

“Se nós trabalhadores estamos unidos, venceremos – afirma o líderes sindical de Mahalla, Kamal El-Fayoumi, ao Periodismo Humano: vários movimentos impulsores da revolução mantém contato com os operários. É o caso do Movimento 6 de abril e dos Jovens pela Justiça e Liberdade.”

“Os trabalhadores apoiaram os jovens na primeira fase da revolução e agora nós, os jovens da revolução, apoiamos os trabalhadores”, indica Naguib Kamel, membro deste último movimento citado. Sheimaa Hamdi, com seus poucos 23 anos, é outra dos integrantes deste movimento de jovens. Várias publicações no Youtube, de suas intervenções públicas, fizeram com que fosse conhecida em todo o país.

A força de sua oratória lhe valeu para obter o apelido na rede de “a mulher mais forte do Egito”. “O caso de Shebeen el Kom representa a causa de todos os trabalhadores do Egito. Por isso estamos a seguindo e apoiando de tão perto”, diz.

Em 5 abril passado, centenas de operários de Shebeen El Kom se manifestaram em frente à sede do governo para exigir negociações diretas com os proprietários.Diante da presença de vários meios locais e estrangeiros as autoridades regionais se viram obrigadas a atuar como porta-vozes espontâneos dos trabalhadores, com a ajuda dos já experientes sindicalistas de Mahalla.

Os gerentes terminaram oferecendo mais benefícios, contratos de maior duração e a readmissão da metade dos expulsos sem indenização. Os trabalhadores celebraram o fato, mas consideraram que a oferta é insuficiente.

Manter esta posição não é fácil. Estão há quase dois meses sem receber um salário e começam a senti-lo. A caixa de resistência não dura muito. Mas salve alguma exceção isolada, todos os funcionários da fábrica têm isso muito claro: Aguentar unidos.

Agora esperam com interesse o veredito dos tribunais que neste mês de maio, se não for adiada a data, terão que se pronunciar sobre a petição de nacionalização de Shebeen El Kom.

O desprestígio do capitalismo crônico exercido nos últimos anos está muito presente não só na mente dos socialistas, mas também em setores democratas moderados cansados do irrefreável enriquecimento de uma elite corrupta e repressora frente ao empobrecimento da maioria da população.

A esquerda sabe disso e, portanto, se apressa em tecer redes sólidas e a impulsionar iniciativas com um objetivo claro: alcançar um sistema político e econômico mais justo, mais igualitário, mais equilibrado.

*Olga Rodríguez é escritora e jornalista especializada em Oriente Médio.

Texto publicado no site Diário e Liberdade
*******

Morador de prédio assaltado na Tijuca diz que bandidos ameaçaram matar sua mãe

15.05.2011
Do portal OPERA MUNDI
Por Flávia Salme, iG Rio de Janeiro

Criminosos fizeram de refém duas mulheres que estavam com bebês no colo

O estudante de Direito Caio Cardoso da Silveira, de 22 anos, disse que ficou refém por cerca de uma hora durante o assalto a um prédio residencial na Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (15).

Pelo menos seis bandidos invadiram o edifício, que foi cercado por PMs. Houve troca de tiros e um policial foi baleado. Os criminosos fugiram e estão sendo procurados em ruas próximas.

Segundo o estudante, o apartamento onde ele mora foi usado como "QG" (quartel-general) dos bandidos. Caio disse que foi rendido por três homens armados de pistola quando chegava na portaria. Ele saia do elevador ao lado do pai com quem iria na padaria.

"Eles apontaram as armas e nos renderam anunciando o assalto. Perguntaram onde eu morava e falaram que minha casa seria o QG deles. No elevador também estava um casal com um bebê de colo que também foi levado para a minha casa", relatou

Segundo Caio, apenas dois dos criminosos foram até o apartamento, que fica na cobertura. No local, estavam a sua mãe, um irmão do estudante e um amigo. Os bandidos recolheram alguns lençóis e, de acordo com o jovem, o obrigaram a amordaçar os reféns.

"Ele (o bandido) disse para eu amarrar minha mãe, meu pai e todo mundo que estava na casa pelas mãos e pés. Mesmo estando calmo, ele ameaçava matar minha mãe", contou.

"Enquanto isso, eles buscavam malas dentro da minha casa, onde colocavam lap tops, TVs, tudo que encontravam de valor em meu apartamento", explicou o estudante.

Água para os reféns

Caio disse ainda que, durante a ação, outros moradores foram levados para seu apartamento.

"Cada um que ia chegando, eu era obrigado a amordaçar. Foi quando chegou mais um casal com um bebê de colo", acrescentou

"O bandido que ficou ao meu lado estava muito tranquilo. Ele me mandou oferecer água para as mulheres e também não quis que elas fosse amarradas. Os bebês choravam mas ele não se mostoru irritado", revelou o estudante.

Caio disse que, depois de uma hora sob a mira dos bandidos, um deles recebeu um telefonema pelo celular avisando sobre um "problema" no prédio.

"Ele disse que teria que descer e me levaria como escudo. Quando chegamos no segundo andar, a polícia estava a nossa espera. Eles me deixaram fugir e escaparam pelo playground cujos fundos dá acesso a mata", contou Caio.

Para o jovem, os bandidos pareciam ser profissionais.

"Foi muita ousadia eles promoverem um arrastão em um prédio que fica bem próximo de uma UPP. Em momento algum, pareciam nervosos. A sensação que eu tive foi a que tinham certeza do que estavam fazendo", opinou.

De acordo com o estudante, nenhum morador se feriu. Caio contou apenas que sofreu um corte na perna após um dos bandidos usar uma faca para cortar o lençol que prendia os seus pés, já que ele também foi amarrado.
******
Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/morador+de+predio+assaltado+na+tijuca+diz+que+bandidos+ameacaram+matar+sua+mae/n1596953532343.html

Ruth Alexandre: Relatório alerta que SP pode reviver o inferno de 2006

15.05.2011
Do blog de Luís Carlos Azenha
Por Ruth Alexandre, no Fala Povo


O que aconteceu entre os dias 12 e 20 de maio do ano de 2006 em São Paulo? Medo, tristeza, e muitas mortes: 493 mortos a tiros, 475 homens e 18 mulheres. 62% entre 21 e 41 anos, com média de 5,8 tiros cada um. Os tiros foram dados à curta distância em 51 vítimas, em 11 delas a arma estava encostada. Apenas 9,87% dos disparos foram feitos nos membros inferiores. Os alvos principais foram tórax, cabeça, abdome, (consideradas áreas vitais) e membros superiores. Do livro “Luto à Luta: Crimes de Maio”.

Hoje é 15 de maio. Há cinco anos centenas de pessoas foram mortas na nossa cidade, ficou por isso mesmo. Semana passada ocorreram alguns eventos para tentar impedir que uma pá de cal seja colocada sobre os cadáveres e as lágrimas de seus parentes.

O primeiro evento foi o lançamento, em 9 de maio, do relatório “São Paulo Sob Achaque: Corrupção, Crime organizado e Violência Institucional em Maio de 2006”, elaborado pela Justiça Global e pela Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard EUA.

Em entrevista coletiva, os organizadores do documento levantam a hipótese de que os conflitos ocorridos entre a Polícia de São Paulo e a facção criminosa PCC, em 2006, têm origem no seqüestro de um enteado de “Marcola”, Marcos Willian Camacho, líder do PCC, ocorrido em março de 2005.

Na página 28 do relatório, pode ser lida a frase que, segundo o enteado de Marcola, teria sido dita pelo investigador Augusto Pena: “Não tenho nada contra você, mas a gente está a fim de ganhar dinheiro e você caiu na nossa mão”

Os policiais civis Augusto Peña e José Roberto de Araújo, envolvidos no caso, chegaram a ser presos, mas hoje estão soltos. Meses depois Augusto Penna foi transferido para o DEIC.

A informação do relatório que acende “uma luz de alerta” para São Paulo dá conta de que a paz aparente dos presídios, após os ataques de 2006, foi negociada com a facção criminosa em troca de mordomias, como cela individual e TV de plasma, para os líderes. Os demais presos são amontoados em grupos de 60 ou mais em celas com capacidade máxima para 12. O alerta é que esta “paz” pode ser quebrada no cenário de corrupção policial e superlotação vigente. E mais. São Paulo pode viver outro inferno como de maio de 2006.

“Isto pode explodir a qualquer momento em uma nova rebelião muito pior. Nos últimos anos, a população mudou muito o perfil. Por exemplo, a política habitacional do Governo de São Paulo é transferir a população pobre, dependente de crack, que mora nas ruas da capital para o CDP de Pinheiros”, declarou o advogado José de Jesus da Pastoral Carcerária, reafirmando que disciplina atual foi conquistada com acordos envolvendo diretores de presídios e lideres do PCC.

As 74 unidades prisionais que se rebelaram na época estão mais superlotadas agora –o grau de lotação, em 2006, era de 147%, e agora seria de 195%, segundo dados levantados pelo estudo. Quanto às medidas contra a corrupção policial, apontada como um dos fatores que levaram aos ataques de 2006, o relatório diz que são insuficientes. Apesar de recentes afastamentos na Polícia Civil, as investigações atingem somente o baixo escalão, aponta o estudo.

O sequestro

Consta que em 2005, um ano antes da rebelião nos 74 presídios e dos ataques a prédios e agentes públicos, no Estado de São Paulo, Rodrigo Olivatto de Morais, enteado de Marcola foi seqüestrado por policiais civis de Suzano, na Grande São Paulo. Só foi solto depois que Marcola pagou o resgate de R$ 300 mil. O chefe do PCC ficou indignado com o achaque. No dia 12 de maio de 2006, véspera dos ataques do PCC, Marcola fez um comentário no Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic): “Não vai ficar barato”.

Fernando Ribeiro Delgado da Clinica internacional Direitos Humanos e do Conselho de Justiça Global faz uma série de perguntas: “Se o Maracola disse isso em 2006 porque só saiu em 2008 e só se teve acesso ao inquérito em 2011? A ex-esposa do investigador Augusto Pena, entregou 200 cds contendo grampos que eram usados para fazer extorsão. Segundo a ex-esposa teria cativeiro dentro da delegacia de Suzano para fazer os achaques. “Como um investigador teria conseguido montar uma central de achaque? “Ele foi transferido para o DEIC, quase uma promoção. Mesmo com as investigações, ainda não teve grande repercussão no alto escalão. Não sabemos contudo total do depoimento de Augusto Pena.“ Fernando também lembrou o Furto do Banco Central em Fortaleza em 2005 – Ladrões teriam também sofrido achaques da polícia civil de SP . “Para onde foi este dinheiro todo? Está na hora do governo feral entrar nesta historia”,

O relatório também dá conta de que o então secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, declarou que quando pediu apoio à Policia Civil para investigar a motivação por trás das sucessivas rebeliões do PCC, que não tinham reivindicações aparentes. Curiosamente não recebeu muitas informações do DEIC – Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado.

No inquérito feito pela Corregedoria da Polícia Civil, o delegado assistente, Hamilton Antônio Gianfratti, depois de citar dados do sequestro, afirma que o crime ajudou a deflagrar a revolta do PCC. “Aflora dos autos sérios indicativos direcionados à possibilidade deste fato erigir-se à causa deflagradora dos históricos e tristes episódios que traumatizaram o povo de São Paulo, traduzidos nos atentados em todo o estado pelo PCC.”

Sandra Carvalho, da Justiça Global, destacou que o foco inicial foi o que aconteceu com esses homicídios. Dos 493 homicídios ocorridos no Estado de 12 a 20 de maio de 2006, há indícios da participação de policiais em 122 execuções.

“Falava-se em ataques do PCC e reação da polícia. Em legítima defesa. Nos primeiros dias 43 mortes de agentes públicos, a maior parte foram mortos quando estavam fora de serviço e emboscadas organizadas supostamente pelo PCC. Depois disso começam as mortes de civis justamente quando cessam os ataques aos agentes e prédios públicos. Em 126 as supostas resistências seguidas de morte, das quais 56,de acordo com os laudos, depoimentos tem fortes evidências de execução em ações da PM. Quando não foram registrados como resistência seguida de morte, tiveram ataque de encapuzados.”

Sandra descreve o modus operandi: “Encapuzados executavam , na sequência (três minutos depois) aparecia um falso socorro que colocava vitima na viatura, as cápsulas de balas eram recolhidas e testemunhadas intimidadas.”

Sandra também lembrou a responsabilidades dos comandos em relação ao “revide” da polícia. “Muitas declarações pareciam ser carta branca para matar. E o DHPP esclareceu pelo menos 85% dos crimes contra os agentes públicos e apenas 12% dos civis. Se antes de 2006 o índice de esclarecimento era de 90% porque em 2006 12%?”, pergunta Sandra.

O estudo pede, além da federalização da investigação de casos não esclarecidos, a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para apurar as causas da crise, a responsabilidade das autoridades, os problemas que continuam e medidas a serem tomadas.

No dia do lançamento do relatório, o governador Geraldo Alckmin, Saulo Abreu, então secretário de Segurança, e a Secretaria de Segurança Pública declararam que só iriam se pronunciar depois de conhecido o conteúdo do documento.

Marcadas para morrer

Na quinta-feira, 12 de maio, aconteceu outro evento. Foi no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo. Houve lançamento do livro “Do Luto à Luta: Crimes de Maio”.

Estiveram também presentes mães de outros estados e a história se repete. Seus depoimentos mostraram que por lá também o filho do pobre está sendo assassinado e suas mães ameaçadas por denunciarem e exigirem justiça.

Registrei em vídeo alguns depoimentos de mães que além da perda do filho continuam sofrendo perseguição policial. Não dá para ouvir uma mulher pobre gritar chorando que está marcada para morrer porque pede justiça para o assassinato de seu filho e ficar por isso mesmo. O grito que vem do Espírito Santo está represado pelo medo, em centenas de gargantas em nossa cidade.
******
Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/ruth-alexandre-relatorio-alerta-que-sp-pode-reviver-o-inferno-de-2006.html

Em ato simbólico, Eduardo fecha comporta da Barragem de Carpina

15.05.2011
Do BLOG DE JAMILDO

Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem

Num ato cheio de simbolismo, visando tranquilizar a população que no início do mês passou por alguns sustos por conta de inesperadas e intensas chuvas, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), foi neste domingo (15) ao município de Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte do Estado, fechar a segunda comporta da barragem de Carpina, maior reservatório de contenção do Estado, com capacidade de 270 milhões de metros cúbicos.

A comporta não desceu completamente para dar passagem à água que vem da represa de Jucazinho. Com a ação deste domingo, a vazão que era de 150 metros cúbicos por segundo caiu para 25 metros cúbicos por segundo. A primeira comporta foi fechada na última sexta-feira (13). “Fechamos as comportas que foram abertas para administrar essas duas grandes enchentes que tivemos nos dias 3 e 4. A administração da barragem evitou que Recife, São Lourenço, Camaragibe e Paudalho vivessem situação semelhante a de 1975. Agora chegamos ao nível recomendado tecnicamente para iniciar o inverno, que é em torno de 60 milhões de metros cúbicos na barragem”, disse o governador após ser fortemente assediado pela população que veio cumprimentá-lo.

» LEIA MAIS SOBRE AS BARRAGENS EM PERNAMBUCO

“Este ato aqui ajuda a esclarecer para a opinião pública das condições que vamos ter para enfrentar o inverno. Tivemos duas enchentes antes do tempo de ter chuvas. Estamos em condições de receber uma quantidade de água próximo dos 200 milhões de metros cúbicos na barragem do Carpina, enquanto a barragem do Goitá também está sendo administrada”, esclareceu Eduardo.

Carpina foi construída em 1978 num trecho do Rio Capibaribe localizado no município de Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte do Estado. O vertedouro fica a 39,80 metros de altura e sua capacidade é de 270 milhões de metros cúbicos.

******

Encontro de quilombolas

15.05.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO


Representantes de 50 comunidades quilombolas vão participar do Encontro Estadual Quilombola, que será realizado no dias 17 e 18 de maio (terça e quarta), na Congregação da Irmãs de Santa Dorotéia de Frassinete, no Carmo, em Olinda. O evento faz parte do Projeto de Promoção do Protagonismo das Comunidades Quilombolas, executado pelo governo do estado. Financiado com recursos doados pelo governo japonês (US$ 649, 7, cerca de R$ 1,2 mil), o projeto tem como meta qualificar essas populações para possam acessar às políticas públicas que as beneficiem.
******
Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/05/15/vidaurbana6_0.asp

Tem "estrangeiros" nas salas de aula

15.05.2011
Do BLOG DE JAMILDO

Com a expansão da economia local, filhos de funcionários de fora têm de se adaptar à nova realidade

Os franceses Matthias Joan e Leila, de 14 e 11 anos, tiveram a ajuda da mãe, que é tradutora, para se adaptar à língua. Imagem: MARCELO SOARES/ESP DP/D. A PRESS


As novas oportunidades econômicas do estado estão mudando a realidade de algumas escolas em Pernambuco. É que, junto com os pais que chegam para trabalhar em Suape, no Recife ou no interior, crianças e adolescentes de outros países tentam se adaptar aos colégios e costumes locais. A maioria desses pequenos forasteiros estuda em unidades de ensino da Zona Sul da capital, “onde há praia”, dizem. A língua é a principal barreira. Um obstáculo vencido com empenho. Em seguida, os novatos têm que lidar com o “drama” de um sistema de ensino diferente do qual estão habituados.

Durante essa trajetória de adaptação, podem aparecer notas baixas, desânimo e um pouco de isolamento. Todos muito naturais nesse momento. Mas, com o apoio da família e da escola, é possível superar essas dificuldades iniciais mais rapidamente. É o caso dos irmãos franceses Leila e Matthias Joan, de 11 e 14 anos, respectivamente. A dedicação da mãe, a tradutora belga Marlies Krüger, foi essencial para que os dois começassem a se comunicar em português com os colegas de classe.

A família está morando no Recife desde julho de 2009, por causa do emprego do pai, que está trabalhando na implantação da Hemobrás, no município de Goiana, na Mata Norte. Para que os filhos não sofressem tanto com as mudanças, Marlies decidiu matriculá-los na Escola Americana do Recife, no bairro de Boa Viagem. O sistema educacional norte-americano é um pouco mais parecido com o europeu do que o brasileiro. “A Escola Americana foi uma opção porque eu não conhecia as escolas do Recife. A matrícula deles foi feita da França, por telefone”, admite. Os dois franceses acham que as aulas de matemática são mais puxadas no Brasil. “Lá na França a gente lia mais livros finos”, comenta Leila.

As mexicanas Vanessa, Leyssi, Daniela e Alejandra Pacheco Chan também estudam na Escola Americana e estão morando no Recife há um ano. A família veio porque o pai é funcionário do Banco Azteca. Por sugestão da direção da escola, neste primeiro ano no Recife as meninas não tiveram aulas de conteúdos propriamente ditos. Apenas aulas de inglês e português. “No primeiro mês, minha filha mais nova chorava todo dia para não ir para a escola. Mas, com a ajuda de uma professora, acabou se adaptando. Hoje ela diz que quer morar no Recife”, contou a dona de casa Janet Pacheco, 32, mãe das quatro meninas.

Segundo Janet, as filhas seriam matriculadas em uma escola recifense, mas como o ano letivo começava em fevereiro, optou pela Escola Americana para que elas não tivessem que perder o ano. No México as aulas começam na mesma época que as aulas dos Estados Unidos, em outubro. A filha mais velha, Vanessa Chan, de 13 anos, foi a que se adaptou mais rápido. “Minhas colegas recifenses me acolheram muito bem. Gosto de ir com elas ao shopping e à praia”, disse Vanessa. No ano que vem, as garotas reiniciarão os estudos em suas respectivas séries.

******

Situação das rodovias estaduais em debate

15.05.2011
Do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Tânia Passos*

Estado das vias será discutido durante a segunda edição do Fórum Permanente de Trânsito, próxima terça

PE-60, uma das principais rodovias de acesso ao Litoral Sul e ao Porto de Suape: previsão de recuperação em três anos. Imagem: TERESA MAIA/DP/D.A PRESS
O tamanho do desafio é grande. Pelo menos 90% das 142 rodovias estaduais, cerca de 7,4 mil quilômetros de malha viária, necessitam de melhoria. E a situação ficou ainda pior com os estragos provocados pelas chuvas. Trechos já recuperados sofreram novos danos. A segunda edição do Fórum Desafios para o Trânsito do Amanhã, na terça-feira, no auditório dos Diários Associados, terá como tema as rodovias estaduais. Mas destaca também outras ações estruturadoras que serão fundamentais para a melhoria da mobilidade urbana até a Copa de 2014. O estado vive o maior momento de investimento em ações simultâneas para a infraestrutura viária. Orçados em R$ 1,6 bilhão, os investimentos prometem deixar um dos maiores legados da Copa na mobilidade urbana, não apenas na Região Metropolitana do Recife, mas também no interior do estado.

Das 142 rodovias estaduais, 20% delas estão em situação muito grave e 60% estão ruins. A PE-60, um dos principais acessos ao ao Litoral Sul e ao Porto de Suape, já não comporta o tamanho do tráfego. O secretário estadual de Transportes, Isaltino Nascimento, traçou um cronograma para devolver as estradas em bom estado. A meta é sanar as vias em três anos.

E a recuperação física das rodovias, no entanto, não é o único dever de casa. É preciso criar uma ação sistemática de manutenção e atacar os problemas das cargas pesadas que danificam o pavimento mais rapidamente. “A partir de um diagnóstico completo das rodovias vamos traçar o plano de manutenção da situação mais grave até a menos grave. E iremos também implantar balanças fixas nos postos da Secretaria da Fazenda para a pesagem das cargas e balanças itinerantes que serão usadas em blitz para flagrar excesso de cargas”, apontou o secretário. Os primeiros diagnósticos das rodovias estaduais ficarão prontos em 30 dias. O panorama geral só com 120 dias.

*Tânia Passos, é repórter de Vida Urbana







******

Grupo que vai para o PSD diz que Kassab garantiu que partido terá cláusula para não cobrar fidelidade

15.05.2011
Do BLOG DA FOLHA, 14.05.11
Postado por Isabel França
Do O Globo

alt
Gilberto Kassab

Políticos que decidiram ingressar no PSD, partido criado pelo prefeito Gilberto Kassab, dizem ter a garantia de que o estatuto da nova legenda terá uma cláusula garantindo que os mandatos dos infiéis (políticos que vierem a deixar o partido mais tarde) não serão reivindicados pela sigla. O principal porta-voz desse grupo é o vice-governador da Bahia, Otto Alencar. "Tenho um acordo com o prefeito Gilberto Kassab para que a não reivindicação dos mandatos conste no estatuto. É líquido e certo que isso vai acontecer", disse Alencar, que deixou o PP para se filiar ao PSD.

Kassab admite colocar a cláusula no estatuto, mas diz que o assunto deve ser discutido entre os futuros integrantes da legenda para se obter um consenso. A questão ainda não estaria fechada, pois há políticos favoráveis à fidelidade. Nesta semana, o primeiro registro do PSD foi protocolado num cartório de Brasília. De acordo com o advogado Alberto Rollo, responsável pela documentação, o estatuto apresentado não tem a cláusula que impede a reivindicação de mandatos pelo partido. "Isso não poderia ser feito porque a fidelidade partidária consta da lei", disse Rollo.

A lei estabelece que a transferência sem risco de perda de mandato é permitida apenas se o político sofrer perseguição na sua legenda, houver mudanças no programa partidário ou se for criada uma nova sigla. Além do partido "traído", o Ministério Público e o suplente também podem reivindicar o mandato do político infiel. Kassab já disse que o PSD não será um partido nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Também declarou que não fará oposição ao governo federal nem integrará a base petista.

Otto Alencar é contrário à fidelidade partidária porque entende que os políticos acabam se tornando reféns dos presidentes partidários. "A fidelidade é como a Lei do Passe que existia no futebol. Os jogadores ficavam presos aos clubes e os políticos ficam presos aos partidos. O presidente do partido tem poder maior do que generais na ditadura militar. Podem expulsar, barrar candidaturas e perseguir", disse o vice-governador baiano que antes do PP, ele foi filiado ao PL.

Um dos políticos mais próximos de Kassab, o vice-governador paulista Guilherme Afif Domingos, classificou como "bobagem" a possibilidade de o partido colocar oficialmente a rejeição à fidelidade no seu estatuto.
Comentários (0)

******

Eduardo Campos nega mais uma vez querer Presidência, reafirma apoio a Dilma em 2014 e analisa conjunturas política e econômica nacional

15.05.2011
Do BLOG DA FOLHA,
Da Folha.com
Postado por Isabel França

alt

Neto do revolucionário Miguel Arraes (1916-2005), o governador Eduardo Campos (PSB-PE) tem um discurso calculado e conciliador. Aos 45 anos, preside o Partido Socialista Brasileiro, o que mais cresceu nas últimas eleições. Reeleito com 83% dos votos, ele agora está nos comerciais do partido em rede nacional.

Diz que não está em campanha para a presidência. Promete que apoiará Dilma em 2014 e afirma que não está se descolando do PT. "Não há como descolar o que não está colado". Elogia Lula, mas lembra a todo o momento do legado de Fernando Henrique Cardoso-cujo texto sobre a oposição leu duas vezes.

Nesta entrevista ele se declara preocupado com a economia e faz uma avaliação da cena política.

Folha - O sr é candidato à presidência em 2014?
Eduardo Campos - Não. O cenário para 2014 aponta como natural a candidatura à reeleição da presidente Dilma. Nós estamos no projeto dela. Fizemos uma aliança estratégica com o PT, mantendo nossa identidade. Nunca tivemos uma posição subserviente. Essa posição fez o PSB crescer. Fomos o partido que mais cresceu nas ultimas eleições. Não temos porque alterar esse rumo estratégico. Na política não tem fila.

Mas há a avaliação de que a sua campanha que está no ar significa um descolamento da presidente. O sr. fala em novo caminho pra o país.
Não há como descolar o que não está colado. Temos uma aliança política, mas temos identidades próprias. O Brasil foi caminhando, conquistamos a democracia, a Constituição, direito a ter regras estáveis, a estabilidade econômica, agora a causa da sustentabilidade, a responsabilidade fiscal. Há um grande consenso brasileiro sobre esses valores. O governo do PSDB ajudou com a estabilidade fiscal. O governo Lula ajudou colocando o dedo na desigualdade. No PSB queremos ser uma opção, um caminho para governar cidades, Estados.

E a presidência?
E um dia será natural. Acredito que o dia do PSB não é em 2014.
Que avaliação o sr. faz da cena política, com a base governista inchada e a oposição em crise?
Uma coisa dialoga com a outra. A oposição foi se deslocando da pauta real e foi ficando com uma pauta muito institucional. A campanha foi das mais despolitizadas. Quando isso acontece, quem ganha sai muito fortalecido porque quem perde não deixa um pensamento.

Isso explica o movimento de Kassab e seu novo partido?
Sim, a falta de perspectiva, depois da terceira derrota consecutiva. Leva naturalmente o governo a ficar muito forte e a oposição muito fragilizada. Isso é constante? Não. Esse quadro é dinâmico.

Para onde vai isso? A oposição vai se recompor, unificar partidos?
Os grandes movimentos não vieram dos partidos políticos. Vieram da rua. A campanha das diretas, o impeachment, a vitória de Fernando Henrique Cardoso. A oposição vai precisar fazer o debate para encontrar a proposta do futuro.

No que vai resultar o PSD?
Isso se insere no processo desse conjunto em que Kassab sempre esteve. Como não tinham mais caminho estão tentando se reinserir no quadro político sem ter uma posição automática contra o governo. Na base do governo convivem forças políticas que não são diferentes das forças que estão entrando no PSD.

Uma base tão ampla e com interesses conflitantes não paralisa o governo?
Uma grande coalizão como essa, num determinado momento, corre o risco de não existir mais e a alternativa é sair da própria base. É um processo cíclico.

Por que não houve a fusão com o PSD? Houve muita resistência interna no PSB?
Nunca trabalhamos com essa possibilidade. Podemos ter alianças na política municipal, estadual, federal.

Como avalia as saídas de Paulo Skaf e Gabriel Chalita?
Nos sentimos desafiados a continuar crescendo com quem queira ter vida partidária e desenvolver projetos coletivos. O tempo dirá quem tem razão.

O PSB é socialista? Que sentido tem esse nome?
Esse nome tem um sentido de justiça, de cuidar mais de quem mais precisa, de universalizar os serviços públicos, fazer com que o serviço público funcione.
Mas falar de socialismo hoje tem uma conotação mais bem comportada?
Claro, porque o mundo mudou, O que fica é o valor da solidariedade, da justiça, da inclusão, da dignidade, da transparência.

Seu avô, Miguel Arraes, dizia eu os seus maiores adversários eram os grandes proprietários. Quem são os seus adversários hoje?
Eu procuro mais aliados do que adversários. Na eleição se expressaram os nossos adversários. Por um processo histórico, a carga de preconceito é bem menor do que sobre o dr. Arraes. Eu não vejo nenhum segmento empresarial com preconceito, seja banco, empreiteira. Eles têm a sua lógica de buscar lucro.
Qual a possibilidade de uma aliança sua com Aécio Neves?
Sou amigo do Aécio, militamos juntos. Acho que vamos manter as alianças. Em 2012, na eleição municipal, deveremos estar em muitos palanques juntos, onde já estamos, como em Belo Horizonte.

Qual o futuro de Ciro Gomes?
Ciro é um grande quadro político. Tivemos divergências. Ele pode ser candidato a qualquer coisa no PSB. Tem talento, história, o nosso respeito.

Como economista, está preocupado com inflação, câmbio, juros?
Sim. O cenário externo é mais restritivo. A inflação precisa voltar para o centro da meta. Nada indica que o câmbio irá voltar a patamares do passado. Tudo isso passa por ajustar o juro brasileiro ao patamar do juro internacional. Isso não se faz por decreto, mas com grande esforço, inclusive fiscal.

Entre desenvolvimentistas e monetaristas com quem o sr. fica?
Acho que a verdade está pelo meio. A inflação não veio por demanda. Veio por preços administrados, por regras fixadas lá atrás. Energia elétrica, por exemplo.

Foi um erro do processo de privatização?
É um erro, uma inconsistência de uma regra. É como um procedimento para tratar um doente. Se existe uma droga melhor, não altera? Os espaços para corte cada vez são mais limitados porque a expressão do gasto em juro é cada vez maior no bolo da despesa. O país precisa expandir a capacidade de investimento.

A desindustrialização é um problema?
Não acredito que o mundo vai se dividir: a china sendo a fábrica do mundo e nós a fazenda. Precisamos agregar valor à nossa pauta. É preciso discutir juros, ICMS. Passamos a viver a esbórnia da guerra fiscal, agora até em cima do importado. O governo federal vai ter que botar a mão no bolso. A situação fiscal de muitos Estados é muito dura.

Qual a sua visão sobre a privatização?
É um assunto que está para a história. O PSB foi contra naquele tempo. A discussão hoje é a regulação do serviço hoje, sobretudo das concessionárias de serviço público, energia e telefone. Precisa ter uma regulação dura. Do mesmo jeito que eu estou aqui cumprindo um contrato dando reajuste da inflação, a concessionária não pode deixar de fazer os investimentos na qualidade dos serviços.

O governo deveria adotar controle de capitais?
O capital volátil de curto prazo não pode ser tratado da mesma forma de quem vem abrir uma fábrica, gerar emprego. Precisamos ter um padrão de tratar de forma diferente os diferentes.

Na sua visão, qual é a reforma política necessária?
Reforma política e tributária são importantes e devem ser feitas fatiadas. A pedra de toque é olhar o longo prazo. 2022, por exemplo. E fazer um pacto para fazer uma reforma de como se financia o Estado e de como o Estado se organiza.

O que o sr. achou do texto de FHC?
É a primeira formulação da oposição para tentar construir um caminho. Se ele conseguiu só o tempo vai dizer Li o texto duas vezes. Para estar na vida pública é preciso ter uma estratégia, sem pensamento. Se não, vira negócio de eleição de liga de dominó.

Na sua vida política qual foi o momento mais tenso? O escândalo dos precatórios?
Foi. Ficou maturidade. Aprendi a não prejulgar os outros e a não ter ressentimento. Não guardei mágoa. Naquele episódio meus adversários me fizeram o que eu sou hoje. Eles me preparam para eu vencer.

Há dificuldade para um político baseado no Nordeste conquistar a Presidência?
Na verdade, tem. É claro que é mais difícil um político do interior de PE se eleger governador do que um político da capital. Isso vale também para alguém do NE se eleger no Brasil. Pela expressão eleitoral. A tendência é essas questões regionais sejam superadas no debate político. Ainda pode haver preconceito por caricaturas que se fazem do que é NE, como se fosse uma grande fazenda cheia de oligarquias.
Qual o legado de Arraes?
Coerência, coragem, proximidade do povo. É muito forte.
Qual o melhor presidente da história do Brasil?
Lula.
*****
Fonte:http://www.blogdafolha.com.br/index.php/materias/20327-eduardo-campos-nega-mais-uma-vez-querer-presidencia-reafirma-apoio-a-dilma-em-2014-e-analisa-conjunturas-politica-e-economica-nacional